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mãe velha

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Por Fernanda Mestrinho http://www.ionline.pt
Despachou os jovens para a emigração, insultando-os, agora atira-se aos velhos como gato a bofe. No 1º de Dezembro, perante uma Orquestra Juvenil, disse-lhes que não iam ter uma vida tão boa como os pais ou os avós.
Não leu o poema brasileiro «Mãe velha» nem dançou a morna cabo-verdiana com o mesmo nome. São palavras de amor e dedicação numa comunidade decente. Como eu lastimo não ter uma Mãe Velha...
Esta não lhe perdoo. Até parti um prato que estava a lavar. É gente duma geração (anos 80 e 90) a quem não ensinaram os valores de uma sociedade, da família, o respeito pelos mais velhos. Não lhes deram umas palmadas no rabiosque e foram para as incubadoras partidárias. Sugiro uma redacção com a repetição 500 vezes da frase «respeito os velhos, respeito os velhos». Ora comecem lá...
E, depois, está a falar de quem? Os avós viveram o fascismo e a guerra colonial, já levaram o FMI pela terceira vez, educaram os filhos e protegeram os pais. Agora…

bye irlanda

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Por Fernanda Mestrinho http://www.ionline.pt
E aqui estamos “orgulhosamente sós”. A Grécia era a peste, a Irlanda o exemplo. A marabunta guinchante já berra que a Irlanda se entendeu partidariamente e não teve Tribunal Constitucional. Primários…

Esquecem-se que a Irlanda tinha uma situação social (salário mínimo de 1400 euros, ouviram?) para uma almofada de cortes racionais. Ignoram que a Irlanda teve sempre um governo defensor do seu povo. E fala inglês.
Aqui, por incompetência e cegueira ideológica de pacotilha, quiseram sempre ir além da troika com a maioria de salários miseráveis e reformas obscenas. Tiveram o apoio de bastantes iluminados nas televisões, que acicatavam sempre e sempre para mais destruição de tudo o que eram serviços públicos. Vejo, agora, que o economista Cantiga Esteves preside à privatização dos CTT ou Vasco Rato pode ir para a Fundação Luso-Americana.
Estão eufóricos com a saída da “recessão técnica” deste trimestre. Se o Tribunal Constitucional não der uma aj…

o cabaret da coxa

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Por Fernanda Mestrinho http://www.ionline.pt
A economia de casino e o cabaret da coxa usufruem-se mutuamente. Congeminava nesta reflexão quando me caiu uma notícia no regaço.
Francisco Almeida Leite, jornalista, ia ser nomeado para a administração do tal banco de fomento que vai distribuir os 20 mil milhões da Europa. Da redacção de um jornal foi para o Instituto Camões para tratar da língua portuguesa (cultura), voou para secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Paulo Portas (política internacional) e vai agora para aquela administração (economia).
Fiquei esmagada por esta genial versatilidade. O seu currículo vai ser apreciado por uma comissão. Mão amiga explicou-me: chama-se CRESAP, é constituída por 15 elementos, um presidente, 3 vogais permanentes e 11 não permanentes efectivos; há ainda 11 vogais não permanentes suplentes e uma bolsa de 44 peritos. Uf!
Não é preciso tanto esforço. Os partidos que governam (PSD e CDS) ou o PS não ligam a essas minudências cu…

o preço

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Por Fernanda Mestrinho http://www.ionline.pt
Dois irmãos encontraram-se ao fim de 16 anos, num sótão, para venderem o que restou da crise financeira de 1929. O pai ali morreu, abrigado, agarrado aos últimos dólares.
Um filho ficou com ele, o outro partiu. A peça "O Preço", de Arthur Miller, no Teatro Aberto é uma reflexão profunda dos custos humanos da implosão dos mercados. O autor pede expressamente que na encenação o público não seja induzido a simpatizar com qualquer das personagens.
"A situação do mundo actual", diz, "precisa dos dois irmãos e daquilo que eles representam no plano moral e psicológico. O conflito entre ambos revela o âmago do dilema social." Seremos nós a decidir?
Repetimos esses tempos sombrios. A revolta do professor desempregado que faz assaltos, os reformados que ajudam filhos e netos, a pobreza envergonhada e de mão estendida à caridade, ou o salve-se quem puder. Em qualquer caso, o preço será sempre elevado. Ficarão feridas por …

verbo e verba

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Por Fernanda Mestrinho http://www.ionline.pt/
Primeiro o Verbo e depois a Verba - foi assim, no parlamento, que Natália Correia (fazia 90 anos esta semana) levou o ministro das Finanças Cadilhe a recuar num corte à cultura.
Que diria ela, de cabeça levantada e boquilha, desta gente? Foram servis e são, agora, tratados como maridos enganados. Afinal, um estudo do FMI (o Verbo) diz que a "velocidade" da austeridade (a Verba) pode ser prejudicial. Um tal cônsul do PSD, Marco António, imagine-se, veio indignar-se com esta traição.
Indignados estamos nós. Como dizia Bagão Félix, até os mortos não escapam. Quando vão tirar dinheiro a pessoas com mais de 90 anos, pensões de sobrevivência de 1050 euros, já é uma forma abutre de governar. Como foram ao subsídio de desemprego ou de doença.
Incapazes no Verbo com quem tem dinheiro, são vorazes com a Verba (carteira) dos cidadãos. Precisam apenas de uma caneta? e de uma maioria. A receita do IVA, em relação a 2011, desceu 3 mil milhões:…

gente fina

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Por Fernanda Mestrinho http://www.ionline.pt
José Luís Arnault passou o ano em Copacabana com Dias Loureiro e Miguel Relvas. Regressado a terras lusas, senta-se numa televisão, com sobranceria e enfado, para dizer que “os portugueses viveram acima das suas possibilidades”.
Ainda não recomposta, eis que Arnault acha que a conferência de Carlos Moedas devia ser à porta fechada para evitar a “chicana” e elevar o “nível intelectual” do debate. Arnault deve achar, pois, que o povo merece castigo e é ignorante… uma “choldra”.
Tudo se deve resolver “en petit comité” e nos corredores do poder, entre eles. Imagino o seu sofrimento quando foi secretário-geral do PSD e teve de aturar as distritais e as concelhias. Dias Loureiro e Relvas também foram.
Os ministros são criticados, às vezes maltratados. Pior é a “corte” à volta da manjedoura do poder. Almoços, pareceres, férias, privatizações, casamentos, nomeações. Vivem do Estado e dos grandes grupos económicos, em viagens de ida e volta. Vivem …

mexia mas já não mexe

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BRECHT Por Fernanda Mestrinho http://www.ionline.pt
Perante tanto debate, comentário, entrevista, dei por mim com saudades: nunca mais vi ou ouvi António Mexia.
Geralmente andava rodeado de uma nuvem de jornalistas. Ex- ministro, presidente da EDP, António Mexia era o símbolo do gestor de sucesso. Ora mandava nos governos, aumentando as rendas excessivas e a factura, ora considerava os portugueses uma cambada de invejosos pelo ordenado que auferia.
Acontece que os chineses compraram a EDP e, up, António Mexia passou a funcionário de uma empresa pública chinesa. Os novos patrões não gostam de mediatismo e, além disso, gestores como António Mexia, a China deve ter que esgote os dez estádios de futebol do euro.
Imagino a dificuldade em lidar com uma cultura do sorriso indecifrável e do olhar penetrante. Primeiro ensinamento, na sua reeducação, de Confúcio: “Não te suponhas tão grande que penses ver os outros menores que tu.”
Pior que o silêncio é a carta de despedimento que alguns quadr…