Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta fernando alves

teoria geral do desprezo

Imagem
Por Fernando Alves http://www.tsf.pt
A proposta de redução do valor mínimo do subsídio de desemprego em 42 euros, enviada pelo governo aos parceiros sociais é a mais chocante e a mais desconcertante de todas as novas medidas previstas de corte nas prestações sociais. A severidade dos cortes leva, por exemplo, o Jornal de Negócios, a usar a palavra "razia" na manchete desta manhã. Dói, assusta, indigna, mas já não espanta, tamanha tem sido a frieza e a insensibilidade das decisões.Mas aquela concreta proposta de redução do valor mínimo do subsídio de desemprego para os 377 euros provoca ainda estupefacção, é ainda desconcertante na medida em que configura uma ofensa gratuita à própria ideia de concertação. Já não revela apenas insensibilidade social, mas desprezo pelos mais desamparados. É uma seringa que procura a veia onde corre já, apenas um fio ténue, não para injectar um sopro de vida, mas para sangrar ainda mais o desvalido, para provocar o seu desfalecimento.O ministro…

o fabulador

Imagem
Por Fernando Alves
http://www.tsf.pt
Vamos digerindo as estatísticas do verão, a estação das cigarras: o número de despedimentos colectivos aumentou 74% até agosto; prevê-se que fechem 11 mil restaurantes, até ao fim do ano - com a correspondente perda de quase 40 mil postos de trabalho; o número de desempregados inscritos nos centros de emprego subiu 26% em Agosto; duplicou o número de casais desempregados; uma em cada quatro empresas adianta dinheiro aos trabalhadores, face a situações de absoluta emergência.
Com este quadro de fim de estação, um ministro fabulador decide recuperar Esopo: "Portugal", disse ontem Miguel Macedo, "não pode ser um país de muitas cigarras e poucas formigas". A mais conhecida das fábulas de Esopo tem servido de bengala a moralistas de diversa orientação. Durante a Revolução Francesa causticava os aristocratas. Noutros contextos, ela aponta a dedo os que são mais dados ao divertimento e não gostam de vergar a mola. Não se percebe muito b…