Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta fernando dacosta

vampirismo fiscal

Imagem
Por Fernando Dacosta http://www.ionline.pt/
Cresce o número de pessoas que dizem ter hoje quase tanto medo do fisco como ontem da PIDE. Os que tal afirmam sabem por experiência própria o que significa ter-se sido vítima de uma e ser-se agora de outro.
Se a António Maria Cardoso - rua da sede da extinta polícia - se desmemoriou, foi desmemoriada, os departamentos fiscais, esses, consolidam, blindados por tecnologias de pés de barro, implacabilidades e arrogâncias sem medida contra milhões de contribuintes. Os recentes protestos destes (impedidos, por exemplo, de enviar as suas declarações de impostos por deficiências electrónicas) não encontraram qualquer consideração junto dos responsáveis que se atreveram mesmo a negar os constrangimentos informáticos injustamente sofridos pelo público.
Isto da parte de um Estado que confisca todo o dinheiro que ganhamos de Janeiro a Junho! Andámos, com efeito, este ano a trabalhar metade dele para o fisco, sem sabermos se tal indignidade será agrav…

uma nova inquisição

Imagem
Por Fernando Dacosta http://www.ionline.pt
Muitas das condições que, no passado, levaram ao surgimento da inquisição estão a observar-se hoje - noutra escala, porém.
Os avanços civilizacionais (na solidariedade, na cultura, na ciência, na técnica, no conhecimento, nos costumes) conseguidos nesse passado pelos países da então pujante Ibéria, Portugal e Espanha, devido aos Descobrimentos, fizeram os poderes da época, bussolados pelo Vaticano, reagir - incendiando o mundo através de tochas demencialmente empunhadas pelo Santo Ofício.
Nas últimas décadas a Europa registou (tal como a Ibéria no passado), progressos assinaláveis na cultura, na educação, na ciência, nos costumes, na saúde pública, na segurança social, que a adiantaram sobre os outros continentes fazendo tremer (tal como na Ibéria do passado, repita-se) os poderes instituídos que, de novo, reagiram.
Reagiram não pela religião, mas pela economia, através de estratégias de austeridade congeminadas não no Vaticano mas em clubes…

A troika vai nua

Imagem
Por Fernando Dacosta http://www.ionline.pt
Na passada semana, num debate televisivo sobre economia, finanças, política, etc., ouviu-se a certa altura um dos intervenientes dizer que devíamos demandar judicialmente (no Tribunal Internacional de Justiça) o FMI, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu por haverem conduzido Portugal à ruína, consequência de o terem feito com a subserviência (activa) do governo, cobaia de experiências sociais infamantes.
Esse interveniente - Eduardo Paz Ferreira, prestigiado catedrático, fiscalista, ensaísta, comunicador (andou por jornais na década de 70) - perturbou assim a compostura reinante com a sarcástica ironia que o caracteriza.
Açoriano, tornou-se há muito um dos mais contundentes pensadores/comentadores da realidade portuguesa. Através das suas palavras, algo de novo, de dignificante, foi dito, subvertendo o discurso que velhacamente nos tem narcotizado.
Isso sucedeu precisamente na altura em que se soube que o "inquérito à actuação d…

exilar soares, já!

Imagem
Por Fernando Dacosta http://www.ionline.pt/
Vai em cacos a vida pelos lados de São Bento e Belém – e não só. A entrevista “escacha pessegueiro” de Mário Soares ao DN e à TSF no último domingo (conduzida por João Marcelino e Paulo Baldaia) teve efeitos de furacão num país amodorrado, amarrado pelo poder tricéfalo do PSD/CDS/PR.
Ao chamar com todas as letras os nossos principais dirigentes “delinquentes”, e ao preconizar o seu julgamento, “depois de saírem do poder”, Soares provocou ondas de choque parecidas, há já quem diga, às de Humberto Delgado quando, em 1958, afirmou demitir, obviamente, Salazar se ganhasse as eleições.
Nunca ninguém foi tão longe em relação a governantes como ele; nunca um político com o seu prestígio, a sua obra, a sua cultura, a sua experiência, a sua projecção ousou dizer na praça pública o que ele afirmou. Frontal, Mário Soares tornou-se o líder da oposição (moral) que nos faltava, a bandeira da nossa traída dignidade, a energia contra o nosso medo – como o f…

o último altar

Imagem
Por Fernando Dacosta http://www.ionline.pt/
Nós que temos, como disse Agustina Bessa Luís, “a cultura da afectuosidade como outros povos têm a da matemática e a da filosofia”, estamos a sofrer, através dos governantes que nos saíram ao caminho, uma destruição identitária só comparável com a imposta pelo Santo Ofício.
Trata-se da destruição da nossa natureza afectiva, aquela de que falava Agustina, de consequências arrepiantes. O que está em curso é, na verdade, um crime metódico, faseado contra a essência, a dignidade que nos ergueu vai para mil anos.
O esmagamento dos idosos fez-se, por exemplo, a investida mais aviltante (porque mais covarde) desse plano, abatida sobre reformados e pensionistas, doentes e diminuídos, com devastações simultâneas em desempregados e jovens (estes expulsos do território como os judeus de outrora), visando liquefazer o húmus agregador do país. Lançar novos contra velhos, trabalhadores contra excedentários, privados contra públicos, faz parte dessa subte…

verbo e verba

Imagem
Por Fernanda Mestrinho http://www.ionline.pt/
Primeiro o Verbo e depois a Verba - foi assim, no parlamento, que Natália Correia (fazia 90 anos esta semana) levou o ministro das Finanças Cadilhe a recuar num corte à cultura.
Que diria ela, de cabeça levantada e boquilha, desta gente? Foram servis e são, agora, tratados como maridos enganados. Afinal, um estudo do FMI (o Verbo) diz que a "velocidade" da austeridade (a Verba) pode ser prejudicial. Um tal cônsul do PSD, Marco António, imagine-se, veio indignar-se com esta traição.
Indignados estamos nós. Como dizia Bagão Félix, até os mortos não escapam. Quando vão tirar dinheiro a pessoas com mais de 90 anos, pensões de sobrevivência de 1050 euros, já é uma forma abutre de governar. Como foram ao subsídio de desemprego ou de doença.
Incapazes no Verbo com quem tem dinheiro, são vorazes com a Verba (carteira) dos cidadãos. Precisam apenas de uma caneta? e de uma maioria. A receita do IVA, em relação a 2011, desceu 3 mil milhões:…

tiro de misericórdia

Imagem
Por Fernando Dacosta http://www.ionline.pt
No último dia como ministro das Finanças, Vítor Gaspar assinou um decreto que pode liquidar a vida de, pelo menos, 3 milhões de portugueses. Esse decreto determina que o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (que geria uma carteira de 10 mil milhões de euros) "terá de adquirir 4,5 mil milhões de euros de dívida soberana".
Sabendo-se que o referido fundo foi criado como reserva para assegurar, em caso de colapso do Estado, os direitos dos reformados, pensionistas, desempregados e afins durante dois anos (segundo o articulado de lei de bases), o golpe em perspectiva representa o risco de uma descomunal tragédia entre nós.
Lembremos que dos rendimentos dos seniores vivem hoje gerações de filhos e netos seus, sem emprego, sem recursos, sem amparo, sem futuro. Lembremos ainda que os últimos governos têm sido useiros no desvio de verbas da Segurança Social para pagamentos de despesas correntes - "o que qualquer medíoc…

não se paga, não se paga

Imagem
Por Fernando Dacosta http://www.ionline.pt
Coitados dos subsídios, os que eram, em tempos distantes, recebidos no Natal e nas férias! Coitados deles, vêem-se agora, depois de torpes tentativas de extinção, transformados em armas de arremesso (de vingança, de maldade, de chantagem, de ganguesterismo) por parte de uma pífia parelha que dizem governar Portugal.
Ora os tais subsídios, coitaditos, não nos aqueciam, como se sabe, a carteira: voláteis, entravam por um lado e logo saíam por outro, por (imensos) outros. O do Natal ia-se nas compras para ele, Natal; o das férias para as mesmas e, supremo embuste, para os cofres de quem, sob a entusiástica forma de IRS, o entregava. Ou seja, nós apenas servíamos de intermediários tansos; recebíamo-los com uma mão e largavámo-los com a outra. Uma rapidinha monetária.
Este ano tudo mudou: depois de no-los terem querido palmar – o rapinanço era tão desavergonhado que o tribunal teve de intervir –, agora só os pagam lá para o Outono, ver-se-á, ver…

tijolo a tijolo

Imagem
Por Fernando Dacosta http://www.ionline.pt
Os portugueses sabem hoje que os contratos feitos ontem não são garantia de nada, que a corrupção, o surripianço, a vigarice, a impunidade se tornaram morais, que viver dentro das suas possibilidades significa a miséria na comida, na saúde, no agasalho, na assistência, na educação, na cultura, no conforto, significa não ter aquecimento no Inverno, recorrer às meias-solas nos sapatos, aos fatos virados, à carne duas vezes por ano, à autocensura; significa descrer dos que combateram pela democracia, pela liberdade, pela justiça, pelo desenvolvimento.
Como mobilizar as pessoas se elas apenas vêem ser premiados os carreiristas, promovidos os subservientes, festejados os oportunistas, retribuídos os videirinhos, protegidos os corruptos?
A distância entre nós e a Europa (somos o país dela onde menos se ganha e mais se retribui) aumentou, afinal, com a integração comunitária, com a moeda única, com a (ludibriante) ajuda dos seus fundos. Não passamos…

a chacota

Imagem
Por Fernando Dacosta http://www.ionline.pt
Passos Coelho e a Vítor Gaspar aconteceu a pior coisa que pode suceder a um governante em Portugal: de temidos passaram a desprezados. Não perceberam que a posição de superioridade e arrogância que tomaram, de pesporrência e insolência que exibiram, é muito imprudente em políticos sem currículo, sem obra, sem reconhecimento. Como os não tinham, disfarçaram a ignorância com a sobranceria, a impreparação com o autismo; cheios de vento, golpearam identidades, tradições, direitos, culturas, dignidades. Acabarem com o feriado do 1.o de Dezembro foi uma das piores leviandades cometidas; o ódio que fomentaram nos funcionários públicos e nos reformados, uma canalhice; a aldrabice sistemática que utilizam, um opróbrio; o esbulho da classe média, uma hecatombe fascizante.
Emproados internamente, provincianos externamente, revelaram-se subservientes com os de cima e despóticos com os de baixo. O servilismo mostrado ante os senhores germânicos tornou-se…

não acertam uma

Imagem
Por Fernando Dacosta http://www.ionline.pt
Se Portugal é hoje dirigido como uma empresa, consoante se afirma, então nós, os seus accionistas (os impostos que nos subtraem põem-nos nesse patamar) devemos intervir a fim de suster a ruinosa gestão de que o país está a ser vítima – vitimando-nos.
Os contratados para o corrente das contas alçaram-se para lá da sua chinela e, sem pudor nem preparação, provocaram uma situação de catástrofe. Desconhecedores por completo da estrutura interna da empresa (da história, identidade, recursos, subterfúgios), não acertaram uma nas previsões, estimativas, balancetes apresentados. O falhanço foi total, apesar dos contínuos alertas dos (realmente) entendidos mas não ouvidos – a ignorância revela-se, mais uma vez, ultra-arrogante.
Como o presidente da assembleia-geral não quer sujar as mãos na vianda laranja/azul, cabe aos accionistas intervir antes da falência generalizada e do caos social do país. Em firmas normais, empregadotes com semelhantes desman…

fascismo electrónico

Imagem
Por Fernando Dacosta http://www.ionline.pt
A perseguição aos idosos pobres continua florescente entre nós. Explorá-los, humilhá-los, tornou-se afã insaciável dos que julgam hoje governar o país.
Última malfeitoria: obrigar os que recebem pensões acima de 293 euros mensais a fazer declarações de IRS – de que estavam dispensados.
Sendo, como se sabe, o preenchimento do seu formulário um mimo de simplicidade e a sua entrega (por internet) um doce, a medida vai tornar-se passatempo de delícias para os velhotes que, como se sabe, são barras em informática.
Desde que os preços dos computadores e das mensalidades da net passaram a ser ninharias em rendimentos como os referidos, os pensionistas portugueses não mais largaram o primeiro lugar do rating europeu de utilizadores de PC, MAC e quejandos.
A decisão é ainda excelente por permitir aos funcionários públicos da área combaterem a pasmaceira em que caíram quando o simplex entrou, pela sua eficácia, de dispensar o dinamismo da máquina do E…

a bem da nação

Imagem
Por Fernando Dacosta http://www.ionline.pt
Vários idosos estão a receber convocatórias para se dirigirem à sede do Ministério da Segurança Social a fim de levantarem uma manta de lã, uma bilha de água e um pão de mistura. De seguida devem descer a Santa Apolónia, onde tomarão lugar num comboio especial que os levará, em vagões fechados, à serra da Estrela. Aí imobilizar-se-ão na cordilheira central, a aguardar, em boa ordem, o passamento. Este será sereno, pois o frio actua rapidamente provocando sono e desfalecimento sem dor.
A decisão, aprovada pela parelha PSD/CDS no seguimento de directrizes da senhora Merkel, vai ser promulgada nas festividades natalícias pelo Presidente da República, entrando em vigor a 1 de Janeiro de 2013.
Dando um salto civilizacional em frente, o governo português aceita assim – com grande espírito cristão – promover o ensaio da medida que (se a experiência der, como se espera, bom resultado, basta ser controlada por Vítor Gaspar) a troika aplicará seguidam…

procissão no adro

Imagem
Por Fernando Dacosta http://www.ionline.pt
Os dirigentes do país acostumaram-se a empurrar, nas alturas de crise, as responsabilidades por ela para as vítimas dela. É o seu estratagema de impunidade.
Insidiosamente, os trabalhadores vêem-se, assim, invectivados por não produzirem, os desempregados por não se haverem modernizado, os jovens sem colocação por se mostrarem ávidos de consumismos, os reformados por adornarem a sustentabilidade da previdência social, os doentes crónicos por serem viciados em fármacos e intervenções cirúrgicas.
Tornou-se hábito aparecerem em público uns senhores de rostos severos a admoestarem-nos por «gastarmos mais do que ganhamos», por «ganharmos mais do que produzimos» e por «vivermos acima das nossas possibilidades». Não se sabe, entretanto, o que isso realmente significa. Temos, como consequência – e ainda a procissão vai no adro –, falências e desemprego, miséria e aviltamentos em tsunami.
O pequeno comércio (sustentáculo dos núcleos populacionais das…

globalizar a miséria

Imagem
Por Fernando Dacosta http://www.ionline.pt
Contam-nos: nos últimos séculos, a Europa desenvolveu-se graças a uma industrialização assente em matérias-primas (fartas, baratas) tiradas das suas colónias, e em mercados de crescente expansão. Após a Segunda Guerra, os povos do terceiro mundo começaram a emancipar-se e a transaccionar, rendibilizando-as, as referidas matérias-primas; os emergentes conseguiram aliciar, devido a mão-de-obra barata, as grandes indústrias para os seus territórios, o que provocou desemprego insustido no velho continente e, em cascata, quedas devastadoras no seu poder de compra. Os interesses dominantes desviaram-se então para a banca e para a especulação financeira (bolsista sobretudo), com secundarização dos demais sectores. Amputada na capacidade consumista, a classe média entrou de perder interesse económico e estatuto social. A automatização, entretanto acelerada, esvaziou o proletariado e o valor do trabalho. Implodido o bloco do Leste, o capitalismo viu-s…

desobediência civil

Imagem
Por Fernando Dacosta http://www.ionline.pt
Com a bonomia que lhe é peculiar, António Capucho avisou: “Se sobrar algum dinheiro às pessoas, elas pagarão os impostos. Mas como não vai sobrar, não pagarão. Entrarão em desobediência civil.”
A desobediência civil está já a observar-se em vários sectores. Entupidos, os tribunais que o digam; paranóico, o fisco que o comprove. O país desiste de o ser. Um vento suicida crispa os portugueses, povo de propensões ora para a desistência (inacção), ora para o delírio (anarquia). Os que (julgam) governar-nos não percebem sequer que o português é ardiloso (“manhoso”, na caracterização de Agostinho da Silva), oculta o que pensa, gosta de ludibriar, de subverter.
Veja-se: os estabelecimentos comerciais voltam a não passar, com a conivência do público, facturas; a fuga aos impostos torna-se comportamento de resistência, de vingança. Boiamos hoje em águas de um neofeudalismo terrorista.
“O cio autoritário dos psicopatas no poder traz sede de sangue no b…

a vingança

Imagem
Por Fernando Dacosta http://www.ionline.pt
Na semana passada ocorreu um inclassificável golpe terrorista contra o povo português. Não meteu explosivos, nem armas, nem aparatos de rua. Limitou-se a um discurso do chefe do governo difundido antes de um desafio de futebol. Esse discurso anunciava a condenação, por via fiscal, à fome, à doença, ao desespero, ao aviltamento de milhões de pessoas por perversão de governantes sem um pingo de decência. A intervenção, lida de lábios cerrados, não disfarçava ressabiamentos, provocações, vinganças – lembrando as de apaniguados de Sócrates a avisar que quem se metesse com eles, levava. Ora quem se meteu a sério com o governo não foram as oposições, foi o Tribunal Constitucional e a troika, ao atribuir a situação portuguesa à sua (in)competência. Repreendidos e traídos, os boys de São Bento entraram de congeminar vingança. Se em relação aos patrões (externos) fingiram não perceber a acusação, em relação aos opositores (internos), não – daí a desfo…