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tordo e os miseráveis

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Afinal, Fernando Tordo é milionário. Quem o dá a entender é o "i", em parangonas da primeira página com "o melhor design da Península Ibérica". Segundo o jornal, Tordo terá recebido mais de 200.000 euros do Estado desde 2008. E as gentes predispostas a engolir venenos pensam: "grande malandro, a queixar-se e, afinal, recebe subsídios do Estado. A propósito de quê?"
Quem não se der ao trabalho de ler a notícia e se ficar pela manchete, restar-lhe-á espalhar o veneno pelo facebook, pelo twitter, pelos emails ditos virais.
Se ler a notícia, o caso muda de figura. Os tais "mais de 200.000 euros", 207.100 para ser exacto, não lhe foram oferecidos, de mão beijada, por um Estado perdulário. Foram-lhe pagos, principalmente por Câmaras, pelo seu trabalho ao longo de seis anos de concertos pelo País.
Mesmo que tivesse ficado com os 207.100 euros todos para si, Tordo receberia, nesse total de 72 meses, 2.876,39 euros por mês, acrescidos dos tais 200 euros…

carta ao pai

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Por João Tordo http://www.publico.pt
Ontem, o meu pai foi-se embora. Não vem e já volta; emigrou para o Recife e deixou este país, onde nasceu e onde viveu durante 65 anos.
A sua reforma seria, por cá, de duzentos e poucos euros, mais uma pequena reforma da Sociedade Portuguesa de Autores que tem servido, durante os últimos anos, para pagar o carro onde se deslocava por Lisboa e para os concertos que foi dando pelo país. Nesses concertos teve salas cheias, meio-cheias e, por vezes, quase vazias; fê-lo sempre (era o seu trabalho) com um sorriso nos lábios e boa disposição, ganhando à bilheteira.
Ontem, quando me deitei, senti-me triste. E, ao mesmo tempo, senti-me feliz. Triste, porque o mais normal é que os filhos emigrem e não os pais (mas talvez Portugal tenha sido capaz, nos últimos anos, de conseguir baralhar essa tendência). Feliz, porque admiro-lhe a coragem de começar outra vez num país que quase desconhece (e onde quase o desconhecem), partindo animado pelas coisas novas que …

pelos cornos da desgraça

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Cavaco chama masoquistas aos que dizem não ser sustentável a dívida portuguesa, ela é sustentável desde que o vulgo a pague até à miséria final. Passos, esse, coitadito, não dorme de tão angustiado que anda com a dívida e com a execução orçamental. O PSD quer expulsar os militantes que apoiaram outras listas que não as do partido e Capucho é um dos visados, qualquer dia até lhe chamam o Capucho vermelho. Em Sintra, Basílio Horta alia-se ao PSD para formar maioria absoluta, a antevisão da fantochada que nos espera quando Seguro chegar ao poleiro que tanto quer, foi para isso que foi jotinha toda a vida. Os papéis dos swaps afinal não foram perdidos nem surripiados, parece que estavam era mal arquivados. O governo, premiando os incumpridores em vez das mulas de carga que pagam ao fisco o que o fisco lhes confisca, concede amnistia fiscal a quem tem dívidas às Finanças. A PT passa para mãos estrangeiras e os economistas-comentadores não escondem a baba do deleite nem o ranho da comoção.…