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plano B: governo vai fazer de advogadas!

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Por Ferreira Fernandes http://www.dn.pt
Neste Governo, minirremodelação é pleonasmo. Ninguém espera que saia grande coisa de um buraquito. Mas anunciada uma mini junto ao chumbo do Tribunal Constitucional parece termos um grande problema. Calma: há um plano B! Embora este seja outro pleonasmo: com este Governo, o plano é sempre B, deve saltar-se o A. Nos Conselhos de Ministros, quando um ministro diz "chefe, tenho uma ideia!", Passos Coelho devia dizer: "Deixa cair essa, diz-me lá a seguinte." É, o nosso sonho era ter um Governo q.b., de medida certa, mas calhou-nos um Governo Pb, símbolo de plumbum, chumbo. O chumbo é um metal tóxico, pesado e maleável. Confere. E mau condutor de eletricidade (olha, vender a EDP deve ter sido a sua única medida certa...) Enfim, este é um Governo chumbado a zagalote do TC, mas, felizmente, há um plano B: fazer um vídeo. O enredo já meio Portugal conhece, há só que mudar as personagens. Aparece uma ministra que tenhamos loura, de pa…

o papa porteiro de discoteca

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Por Ferreira Fernandes http://www.dn.pt
O Papa Francisco tem qualquer coisa de estranho e isso eu vi logo no dia seguinte à sua eleição. Quando foi anunciado, não me dei conta, a varanda de São Pedro é demasiado alta para denunciar estranhezas. Mas quando ele foi rezar à Igreja de Santa Maria Maior, quando todos lhe admiraram a batina simples e os sapatos pretos e usados, eu reparei em algo mais extraordinário: "Olha, um homem", disse-me. É, ele andava como uma pessoa comum. Pelo seu passo e porte, que não deixavam mostrar o peso de dois mil anos, o Papa poderia ser confundido com os reformados passeando na vizinha Piazza del Esquilino. Já era Francisco mas não deixara de ser o Jorge Mario Bergoglio que gostava de milongas e se recordava de golos do San Lorenzo de Almagro. Já temos meses suficientes para saber que ele continua assim, extraordinariamente comum. Agora, escolheu uma visita à Igreja de São Cirilo de Alexandria, em Roma, para nos revelar uma das suas profissões d…

cortes já chegaram aos quadrúpedes?

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Por Ferreira Fernandes http://www.dn.pt
Portanto já sabem: são, no máximo, quatro animais por apartamento. E, atenção, cães, só dois; gatos é que podem ser quatro. Não, não podem ser três chihuahua, nenhum conta por gato, nem chamando Bichana ou Sissi ao terceiro. Enfim, os nossos governantes mostram que não estão desatentos às mudanças da sociedade portuguesa. Ontem havia que controlar as entradas dos estudantes nas universidades. Agora que a juventude se vai embora, a prioridade é o numerus clausus dos animais nos apartamentos. Se isto não é a reforma do Estado, o que é uma reforma do Estado?! Estamos, pois, perante uma legislação pensada e cirúrgica, embora desta vez dedicada só aos pequenos quadrúpedes. As carraças (oito patas) num fox terrier até podem ser 36, mas só conta o cão. Esse fox terrier e um labrador com pulgas (seis patas) também só contam como duas pessoas jurídicas, dois cães, portanto, dentro da norma. Porém, se o Bobi e a Laica tiverem uma ninhada, evidentemente os…

figuras de estilo e figura de urso

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Por Ferreira Fernandes http://www.dn.pt
Pode sobrar-nos mês depois do ordenado, mas não nos faltam figuras de estilo. O ministro Pires de Lima lançou um eufemismo. Vocês sabem, aquela conversa suave para atenuar uma verdade catastrófica, tipo "entregar a alma ao criador" em vez de esticar o pernil. Ele não podia falar de novo resgate para um público já farto de ser refém. Então, dourou a pílula e falou de "programa cautelar". Parece caldo de galinha, não faz mal a ninguém... Em todo o caso, um belo eufemismo. Ao mesmo tempo, um grupo fez uma manifestação em Lisboa dizendo-se de apoio à troika. À partida, manifestar contentamento por se albardar o País à vontade da burra (a troika, comprovadamente incapaz) parecia masoquismo, mas não, não era nenhum distúrbio psíquico, era outra figura de estilo. Desta vez, ironia. Coisa bem difícil de fazer e por isso geralmente só utilizada, fininha, por queirosianos de boquilha e chapéu alto. Ver a ironia trazida para rua e por g…

se me dão licença, não, não foi em marte

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Por Ferreira Fernandes http://www.dn.pt
Quatro tipos sobem para o tejadilho do carro, põem-se nus e dançam. Outro filma-os e o vídeo aparece na Net. Calculem o sofrimento horrível do capô, espezinhado pelos brutos. Felizmente há leis na Arábia Saudita e os energúmenos foram condenados, cada um, a 2000 chibatadas e a dez anos de prisão. Por seu lado, Fayhan al-Ghamdi, predicador islâmico muito popular pelas suas aparições televisivas, andando preocupado com a virgindade da sua filha Lama, de cinco anos, partiu-lhe costelas, esmagou-lhe o crânio, queimou-lhe o ânus e matou-a. Segundo a notícia da CNN, exames médicos comprovaram o horror no tribunal e Fayhan al-Ghamdi confessou. Não ficamos a saber, porém, se a menina se arrependeu por ter atormentado o pai, único refrigério em toda esta triste história, já que o pobre homem quando predicava insistia nos prémios a que conduz o arrependimento perante Deus. Adiante. O tribunal decidiu: 600 chibatadas e oito anos de prisão. Não me cabe tent…

a vaca que é rica e a viúva do banqueiro

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Por Ferreira Fernandes http://www.dn.pt
Este Governo tem uma fixação pelo retrovisor. Se um governante diz "é irrevogável!", logo engrena a marcha atrás. Se dos governantes esperamos o "princípio da não retroatividade", logo nos atropelam às arrecuas... Este Governo pode ter muitos problemas de mecânica, mas com ele a marcha atrás não custa a entrar. Ela funciona bem, como repararam, mas ao arrepio das palavras. Por isso é preciso ler o Governo com números. Defina-se pobrezinho: 419. Está lá , no Indexante dos Apoios Sociais: o limiar da pobreza é 419 euros por mês. Ganhas isso, não te tocam, não se bate num 419 no chão. Os 419 trabalham - sem o saber (e sem ganhar um chavo, só ficam isentos de pancadas suplementares) - para o Governo. Servem para fazer a conta mágica. Multiplicados por 1,5, um 419 dá (quase) 629. Um pobrezinho e meio igual a uma vaca. Defina-se uma vaca: um pobrezinho e meio, já bom para ordenhar e ser retalhado, dar leite e carne, e ainda a pele …

e para que quero eu um rato mickey?

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Por Ferreira Fernandes http://www.dn.pt
Diziam antes os analistas: "No domingo é que é a verdadeira sondagem!" Mas apareceu a sondagem - que não sem razão é palavra que vem de sonda, instrumento para nos indicar a profundidade das águas - e todos se puseram a contar os telhados das câmaras ganhas. Ora isto faz-se com os dedos, um ábaco ou com o calculator do telemóvel, soma-se e, em dando 150 para o partido mais votado e o partido seguinte ficar só com 106, ganha o primeiro. Não me dei ao trabalho de recontagens porque em questão de câmaras basta-me uma, onde moro (e fiquei bem servido). Digo-vos isto para confirmar que não fiquei entusiasmado com a composição da Associação Nacional de Municípios (esta composição ou outra qualquer) porque suspeito que os congressos da FIFA me condicionam mais o meu dia a dia. Já lições a tirar do que a tal sonda trouxe à superfície interessam-me. Porque me iluminam as legislativas (os governos) a vir. Foi disso que escrevi na crónica de onte…

campanha assumida: voto no flávio

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Por Ferreira Fernandes http://www.youtube.com
As eleições autárquicas arrastam para a política pessoas não lhe conhecendo os truques, o que as põem em risco de serem gozadas. Esta campanha foi fértil em cartazes inadvertidamente mal feitos ou deliberadamente brejeiros que tiveram eco nacional e foram catalogados como "tesourinhos deprimentes". Há dias deixei, aqui, um outro olhar: "Os cartazes toscos são uma boa notícia", era o título e o resumo do que eu queria dizer. Na revista Sábado, Pacheco Pereira (que traz com ele duas condições raras em político português: não começou só ontem a ter respeito pelos de baixo e conservou esse respeito) também foi por aí. Para ele, as campanhas autárquicas são a mais "genuína [e] intensa participação de milhares de portugueses na democracia." Volto à questão porque ontem vi um vídeo de um desconhecido candidato de um pequeno partido. Flávio Nunes, de 18 anos, concorre à Câmara de Tomar pelo Movimento Partido da Terra …

o mordomo passos e a festa no andar de cima

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Por Ferreira Fernandes http://www.dn.pt
Ontem, no "downstairs", no andar da criadagem, ouvimos festa no "upstairs", nos salões dos senhores. Frau Angela tinha ganho não sei o quê. Rasgou-se um sorriso ao sr. Passos, o mordomo. Numa festa anterior, o sr. Passos cometera um erro, foi de suspensórios, de lederhose, calções bordados e de couro, e pôs-se a cantar uma ária bávara. Se fosse para o Filipe La Féria o mordomo tinha conseguido um lugar no Música no Coração, mas na família Merkel foi recebido com frieza. Fizeram-lhe saber que o traje não é o homem e só se chega a raça superior pelo sangue. O que tem de bom o sr. Passos é perceber depressa. Por isso, desta vez, só subiu com um contentamento genuíno e chapéu à altura do ventre, agarrado por ambas as mãos, humilde. Quando o sr. Passos desceu, nós estávamos todos à volta da grande mesa da cozinha. A Ricardina areava as pratas, a Maria batia a massa para bolos, a Glória metia lenha no fogão... O sr. Passos contou-n…

carta aberta a uns pedaços de merda

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Por Ferreira Fernandes http://www.dn.pt
Olá, amiguinhos do FMI. Eu sou o ratinho branco. Desculpem estar a incomodar-vos agora que vocês estão com stress pós-traumático por terem lixado isto tudo. Concluíram vocês, depois do leite derramado: "A austeridade pode ser autodestrutiva." E: "O que fizemos foi contraproducente." Quem sou eu para desmentir, eu que, no fundo, só fiquei com o canto dos lábios caídos, sem esperança? O que é isso comparado com a vossa dor?! Eu só estiquei o pernil ou apanhei três tipos de cancro, mas é para isso que servimos nos laboratório: somos baratos e dóceis. Já vocês não têm esses estados de alma (ficar sem emprego, que mau gosto...), vocês são deuses com fatos de alpaca e gravata vermelha como esses três novos que acabam de desembarcar para nos analisar os reflexos. "Corre, ratinho branco!", e eu corro. Vocês cortam-me as patas: "Corre, ratinho branco!", e eu não corro. E vocês apontam nos vossos canhenhos sábios: &…

irei esmifrar-te até ao túmulo

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Por Ferreira Fernandes http://www.dn.pt
Gota que fez transbordar o copo... Estou assim. E o abuso que sinto é este: 90 anos. Diz o governamental Rosalino das pensões: antigo funcionário que, com 90 anos, ganhe 1050 euros vai ter um corte de dez por cento. A medida não é de perseguição aos nonagenários, é geral, para baixar as pensões da função pública, estamos com a corda na garganta - dizem eles, e eu calado, estou cansado e não me apetece alimentar mais uma discussão. E é então que é dito: quem aos 90 anos ganha 1050 euros vai ter um corte de dez por cento. Reparem, já antes fora dito que, a aposentado de 70 anos que ganha 601 euros, a miséria de 20 euros por dia, lhe vão apagar três dias de vida. Os dados soavam-me difusos, os últimos três anos de crise anestesiaram-me para discussões com números. Continuaram com a lengalenga dos cortes e que aos 80, quem ganha 751 euros, tiram-lhe 75. E eu calado. Foi então que o Rosalino das pensões disse: "E aos 90 anos..." Saltou-me a…

revelado o terceiro segredo de cavaco

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Por Ferreira Fernandes http://www.dn.pt
Andavam Aníbal e Maria a passear o rebanho, não na Cova de Iria, mas no Poço de Boliqueime, quando viram dois clarões como se fossem relâmpagos. Nesse momento, viram em cima de uma azinheira uma Senhora vestida de branco e mais brilhante do que o Sol. Que disse: "Não tenhais medo." E Maria: "Donde é Vossemecê?" O rebanho não se surpreendeu, já se habituara a ver Maria muito afoita de conversa. O Aníbal é que não percebia nada, porque enquanto a prima via, ouvia e falava com a Senhora, ele só via mas não ouvia. A primita segredou-lhe ao ouvido e então ele virou-se para o rebanho [leitor, por favor, leia os telexes da Lusa para ver que não é o cronista que endoidou] e disse: "Penso que a sétima avaliação foi uma inspiração da Nossa Senhora de Fátima. É o que a minha mulher diz." O rebanho ficou espantado: 1) porque não sabia que os primos se tinham casado; 2) porque aquilo era a primeira aparição e não a sétima avalia…