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voando sobre um ninho de cucos

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Por Tomás Vasques http://www.ionline.pt/ A nossa mais antiga instituição bancária - o BES -, que nasceu na Calçada do Combro, no século XIX, na mesma altura em que, ali, nas imediações, Antero de Quental se debruçava, no Casino Lisbonense, sobre as Causas da Decadência dos Povos Peninsulares, morreu subitamente nos primeiros dias de Agosto deste ano. Apesar da provecta idade, até ao último dia poucos esperavam tal desfecho. Como se lembram, dias antes, o senhor Presidente da República, nos confins do mundo, na Coreia do Sul, tranquilizou a família, os amigos e demais interessados. Com ar circunspecto, disse: "Os portugueses podem confiar no Banco Espírito Santo dado que as folgas de capital são mais que suficientes para cumprir a exposição que o banco tem à parte não financeira, mesmo na situação mais adversa." Sublinho: "podem confiar, mesmo na situação mais adversa." Também o senhor primeiro-ministro, na mesma altura, garantiu aos portugueses:...

elas são mais bolos

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Não fui eu, foi o meu primo. A culpa é do contabilista. Não sei de nada, não fiz nada, não posso dizer nada. Estive lá e não estive. Mandava e não mandava. BES. GES. BESI. BESIL. BESA. RioForte. ES Financial Group. ES Financière. ES Control. Banque Privé ES. ES International. BES Madrid. BES Macau. BIBL. ES Bank. ES Seguros. ES Turismo. BES Imóveis. ES Hotéis. Eurofin. Sem fim, enfim.  E as manas, coitadas, faziam bolos p'ra fora.  CEO. CFO. Reguladores. Irregularidades. Não sei de nada, não fiz nada, não posso dizer nada. Não me lembro. A culpa foi do primo. Do contabilista. Do mordomo. Da crise. Do BdP. Da criada. Do patrão, não. Dos subalternos, sim. O caixa, a amante do caixa, o comercial, o escriturário, o amanuense, o tabelião, o gestor de conta, a conta negativa, o cheque careca, o crédito mal parado, a construção em queda, a queda das acções, as más acções de Costa, ai que a fraude deu à costa, ai que o pilim deu à sola. E as manas, coitadas, faziam ...

dos barões da alta roda

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Diz-me a Wikipédia que o fundador do clã Espírito Santo foi abandonado na roda, recolhido por freiras que o criaram, lhe deram o apelido e, pelos vistos, os atributos necessários para vencer na vida e fazer fortuna no mundo da finança, império que, teimosamente, contra ventos e marés, revoluções e bancarrotas, persiste até hoje. Ao longo de décadas, para aprimorar a raça, os Espírito Santo foram-se cruzando com outras castas de origem demarcada, os Ricciardi, os Abecassis, os Cohen, os Moniz Galvão, os Orey, os Bustorff, os Mello, os Brito e Cunha, os Barão da Veiga, os Castelo-Branco, os Borges Coutinho, os Mayer, os Pereira Coutinho, os Simões de Almeida, os Drummond, os Whele, os Ekman, os Pinto Basto, os Mello Breyner, tantos e tão sonoros nomes estrangeirados para dourar um apelido doado pelas irmãzinhas em hora de caridade. Um ou uma Espírito Santo não se casa com um Almeida, com um Sousa, com um Carvalho, com um Ferreira. Casa-se com um conjunto de apelidos de estridente res...