Contra tudo e contra todos, pouco mudei a proposta de orçamento: o assalto é generalizado, o fruto do saque será entregue ao Estado por decreto-lei assinado por mim e pelo Pedro, aprovado pelo presidente Silva e publicado em Diário da República. Não poupo ninguém. Nem velhos, nem doentes, nem desempregados, nem os pobres, todos párias, todos a querer viver à conta do Estado. Mas não fiquei por aqui: ordenei mais cortes na cultura, na educação, na saúde. E que ninguém, mas absolutamente ninguém, pense que pode mudar este orçamento, os direitos e deveres dos deputados da Assembleia são, mais do que uma chatice, uma inutilidade, o documento entregue chama-se "Proposta" mas isso é uma formalidade, uma palavra sem valor como sem valor é a palavra do Pedro. Todas as medidas foram aprovadas pela troika, que se substituiu aos deputados, e nenhuma delas pode ser mexida sob pena de, aí sim, cairmos na bancarrota, no holocausto económico, na mais completa e definitiva das trag...