globalizar a miséria
Por Fernando Dacosta http://www.ionline.pt Contam-nos: nos últimos séculos, a Europa desenvolveu-se graças a uma industrialização assente em matérias-primas (fartas, baratas) tiradas das suas colónias, e em mercados de crescente expansão. Após a Segunda Guerra, os povos do terceiro mundo começaram a emancipar-se e a transaccionar, rendibilizando-as, as referidas matérias-primas; os emergentes conseguiram aliciar, devido a mão-de-obra barata, as grandes indústrias para os seus territórios, o que provocou desemprego insustido no velho continente e, em cascata, quedas devastadoras no seu poder de compra. Os interesses dominantes desviaram-se então para a banca e para a especulação financeira (bolsista sobretudo), com secundarização dos demais sectores. Amputada na capacidade consumista, a classe média entrou de perder interesse económico e estatuto social. A automatização, entretanto acelerada, esvaziou o proletariado e o valor do trabalho. Implodido o bloco do Leste, o capitalis...