daqui fala o morto
Por Tomás Vasques http://www.ionline.pt O primeiro resultado visível foi obrigar um não-governo, em trânsito para a tumba, a apresentar-se na Assembleia da República, a encenar uma comédia. Vivemos tempos políticos tão burlescos que o seu retrato, quer no caricato de cada pormenor, quer no ridículo de cada um dos personagens e de cada uma das situações, exige mais uma narrativa extensa, minuciosa, a sair do talento literário de um grande escritor do que de comentários políticos, em cima da hora, que pela pressa e singeleza se desfazem na espuma dos dias. Perante uma crise política grave, aberta com a demissão do ministro das Finanças, que de facto governou o país durante os últimos dois anos, o senhor Presidente da República, em prol do que considera ser a "estabilidade política" necessária à nossa condição de país "intervencionado", apresentou aos portugueses, num discurso televisivo solene, e em tom grave, para resolver os problemas da governação, um...