há criminoso lindo, venha ver freguesa!


A ministra da Justiça, com aquele ar de convencida de que só há Deus lá por cima e ela cá por baixo, veio deitar mais achas para a fogueira do caso dos três governantes de consulado Sócrates agora sob investigação. Não meto as mãos no lume por ninguém, muito menos por políticos, e, acrescente-se em minha legítima defesa, a culpa é da classe, não minha. Mas, se algum deles estiver inocente, é terrível, é trágico que a sua reputação fique para sempre manchada, porque condenado já está. Na praça pública. Com toda a peixaria mediática e todas as varinas ministeriais, parlamentares e televisivas.

Aconteceu o mesmo com Sócrates. Não há fumo sem fogo, diz-se. É capaz de assim ser. Mas ainda ontem o Público noticiava que foi arquivado, por falta de indícios criminais, o processo alusivo às contas off-shore que a família de Sócrates deteria. Alguém comentou? Alguém fez caso? Será culpa da Justiça, mais uma vez cega e mais uma vez provando que em terra de cegos quem tem olho é rei?

A verdade é só uma, e para dizer isto não preciso de recorrer a nenhum juiz nem ao Supremo Tribunal: Sócrates, e o seu carácter, e os seus talvez telhados de vidro, deram muito jeito a Passos Coelho para ascender ao poder com a aura de impoluto e a promessa de que agora sim, agora é que iria limpar o país e a política dos malfeitores que, desde há décadas, andam a dar cabo do país.

Vê-se. Impolutamente, sem mancha de pecado ou crime, Passos é que está a dar cabo do país. E Sócrates continua a dar jeito, como desculpa repetida até à exaustão, até ao enjoo: se não fosse ele, Sócrates, Passos não precisaria de fazer o que, vamos lá ser honestos quanto mais não seja uma vez na vida, sempre quis fazer: desgraçar Portugal, transformando-o numa espécie de coutada onde se vem caçar mão-de-obra barata, com jeitinho talvez escrava, atraiçoando o seu povo, empobrecendo-o a bem da nação. Só que a nação dele não é a nossa. É a dos mercados, dos especuladores, da alta finança, do capitalismo de casino, da Merkel e da merda em que a Europa, e o mundo, se afundam.

Mas o crime compensa. Excepto se se roubar uma côdea de pão para matar a fome à pobreza. Pobreza que ele próprio está a criar com a satisfação do dever cumprido, de ser mais papista que o papa, mais troikista do que a troika.

Sabem o que digo? Que Deus lhe perdoe. Porque os portugueses não o vão fazer.

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