24/02/12

as bestas


Continuo a ouvir a atoarda, especialmente da boca de bestas bem nutridas, de que estamos a pagar o facto de termos andado a viver acima das nossas possibilidades. Numa altura em que milhares de pessoas perdem os empregos, e as casas por não conseguirem honrar mais os seus compromissos, não será caso para dizer que, isso sim, estamos a viver abaixo das nossas possibilidades? 

Num país onde se pagam dos salários mais baixos da Europa, insistir nesta tecla é mentira e é insulto. Mas muitos acreditam. E deixam-se roubar sem tugir.

23/02/12

a isto, brindo com alvarinho!

Álvaro Santos Pereira anunciou hoje que cada desempregado vai passar a contar com um gestor de carreira. Gratuitamente, pois está claro. Viva o velho! Parece que já estou a ver a cena: o desempregado a caminhar pela passadeira vermelha, um mordomo de libré a abrir-lhe a porta e a ser recebido no Centro de Emprego pelo seu gestor de conta, perdão, carreira. Um senhor circunspecto, de fato cinzento com discretas riscas brancas, camisa azul com punhos e colarinho brancos, gravata vermelha. Chama a secretária, que venha trazer um café ao ilustre convidado. Saca de um portfolio e, amavelmente, sugere ao seu cliente, desempregado de alto nível, umas quantas oportunidades de carreira. O salário será o mínimo mas, caramba, a honra é grande. Quem ainda tem trabalho devia despedir-se. Oportunidades destas não se podem perder. 

Depois do pastel de nata, a nata do desemprego. O ridículo é que havia de pagar imposto. Só à pala do Álvaro, tínhamos meio empréstimo liquidado.

22/02/12

alberto joão, o folgazão

é carnaval, todos levamos a mal

loucos, criminosos ou loucos criminosos?


Se o governo tivesse acabado com o compadrio, o amiguismo, a corrupção e o tachismo, eu até podia estar do seu lado. Se o governo tivesse ido cobrar impostos a quem não os paga e cobrado mais aos que mais ganham, não lhe sonegaria elogios. Se o governo tivesse poupado nos seus automóveis, assessores, alcavalas, estaria agora a aplaudi-lo. Se o governo tivesse bloqueado o pagamento de duplas e triplas pensões a políticos e ex-políticos, aceitaria de bom grado pagar o meu quinhão para liquidar a dívida à troika e correr com essa gente de vez. Mas o governo prefere ir buscar dinheiro a quem menos tem ou aos abusados do costume, ao mesmo tempo que destrói empregos, empresas e o que resta da economia. Impõe sacrifícios desumanos, ressuscitando práticas dignas dos tempos da revolução industrial. Atira milhares de pessoas para a mendicidade, a sopa dos pobres, a caridade. Aumenta transportes, gás, electricidade, curiosamente os sectores que quer privatizar, ou seja, entregar de mão-beijada à grande democracia chinesa e afins. Rouba subsídios e salários. Exige que se trabalhe mais horas. Elimina dias de férias e feriados. Desincentiva o consumo ao ponto de paralisar o comércio quase por inteiro. Embaratece os despedimentos, para que mais e mais pessoas possam ir viver debaixo das pontes, enquanto houver espaço e vontade de viver.

Não são exemplos mais do que suficientes para provar, sem margem para dúvidas, que estamos perante um bando de criminosos? Ou de loucos criminosos?

deve ser do FMI, a ver quanto é que já ganhou à nossa conta

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cromos para a troika

Nos últimos dias, estive alheio ao computador e às más notícias, sempre piores do que as da semana, as do dia anterior. Voltei. E deixo aqui os últimos bonecos do We Have Kaos in The Garden. O presidente, o primeiro, o ministro e o pintelho eléctrico. Cromos de uma nação a definhar.