18/08/12

esgotado, triste e fascinante mundo

Os vencedores do último concurso de fotografia da National Geographic:




tadinhos dos nossos banqueiros



Tenho pena dos nossos queridos banqueiros, foram eles as grandes vítimas da orgia de consumo dos tesos, dos abusos de Sócrates na noite longa da asfixia democrática que em bom tempo acabou graças ao 25 de Abril do movimento dos Relvas. Compreende-se que sejam os contribuintes a financiar o aumento de capital e a suportar os juros como o nosso Gasparzinho muito bem decidiu.

Tadinhos dos nossos banqueiros que foram abusados por um insaciável Sócrates que os obrigou a baixar as calcinhas e comprar dívida soberana portuguesa. Aliás, a taradice de Sócrates era tanta que tinha um verdadeiro fetiche pelas dívidas soberanas que ainda os obrigou a comprarem outras dívidas, como a grega.

Tadinhos dos banqueiros que eram obrigados a dar cartões Visa a torto e a direito, eram ameaçados por clientes pobres que tinham perdido a vergonha e que quando queriam consumir acima das suas possibilidades e a juros dignos de proxenetas forçavam os banqueiros a fazer horas extraordinárias abrindo banquinhas de cartões de crédito nos corredores dos hipermercados.

Tadinhos dos nossos banqueiros, foram obrigados a instalar-se na Zona Franca da Madeira para transformarem os impostos de que o país precisava em dividendos para distribuir pelos seus accionistas.

Tadinhos dos nossos banqueiros que foram obrigados a corromper-se, a empregar ex-políticos e familiares de dezenas de altos quadros da Administração Pública a troco de favores e negócios que nunca pediram.

Tadinhos dos nossos banqueiros que foram forçados a manter uma das bancas mais permissivas a branqueamento de capitais, como foi defendido por algumas polícias e organizações internacionais.

Tadinhos dos nossos banqueiros, a quem os consumidores pobres gulosos e insaciáveis forçaram a desviar o crédito à actividade industrial para crédito ao consumo e à habitação.

Tadinhos dos nossos banqueiros que foram forçados a financiar contra a sua vontade as grandes obras públicas promovidas pelo Estado.

É por terem sido vítimas de tanta injustiça que o mesmo governo que cortou subsídios a funcionários e pensionistas, muitos deles já falidos, vem agora dar sob a forma de deduções de impostos quase metade do que roubou em 2012 e foi impedido de voltar a roubar porque o TC não lho permitiu. É por terem sido vítimas de tanta injustiça que o governo decidiu poupá-los a impostos devolvendo-lhes os juros de um empréstimo cujos juros serão suportados pelos portugueses.

É por isso que quando ouço alguns destes canalhas, designadamente, o do BCP e o tal doutor do BPI que nunca acabou qualquer curso criticarem o Tribunal Constitucional por ter declarado ilegal o corte dos subsídios, acho que o que eles mereciam era serem vítima das inconstitucionalidades que defendem na hora de roubar aos outros, muitos deles seus clientes.

Se é legítimo roubar vencimentos e subsídios à margem da lei constitucional também o é adoptar leis penais de excepção para levar a tribunal estes refinados canalhas, chulos e oportunistas que desde a privatização da banca que não fazem outra coisa senão roubar os portugueses e levar o país à ruína. Até abriria uma excepção e acabaria com o limite dos 25 anos de prisão, alguns destes canalhas merecem muito mais.

estes pobres são uma chatice


Os pobres são uma chatice estatística para o país, são eles que estragam tudo nos indicadores da criminalidade, da pobreza, do abandono escolar, etc.. Com menos pobres havia mais impostos para subsidiar os ricos que precisam de dinheiro para investir, para capitalizar os coitados dos bancos, o Estado gastaria menos dinheiro em saúde, ensino e despesas sociais. Os pobres são mesmo uma chatice para o país.

Quando são pequeninos e é o Estado que tem de os aturar nas suas creches, podem muito bem caber dois em cada cama. É um desperdício gastar o dinheiro do Estado em creches para pobres, se numa cama cabem dois bebés de pobres porque há-de servir apenas para um?

Quando são velhos e voltam a depender do Estado os pobres podem muito bem ser metidos dois em cada quarto, um em cada quarto é um desperdício de dinheirinho que dá tanto jeito para pagar os almoços dos governantes e assessores em ministério como os das Finanças.Os pobres estão mais habituados a suportar dificuldades, na casa de um pobre onde comem dois comem cinco, é por isso que é mais justo que a austeridade incida mais sobre quem está melhor preparado para sofrer.

Os pobres são uns malandros, ao contrário dos ricos portugueses que adoram trabalhar os nossos pobres são uns mandriões oportunistas, se estiverem desempregados e com subsídio de desemprego não lhes passa pela cabeça procurar emprego, se recebem o rendimento mínimo pensam logo que são ricos e vieram a este mundo para viverem dos rendimentos. É por isso que o corte nos apoios sociais é um estímulo para que os pobres inúteis passem a ser pobres úteis.

Os pobres ou são burros ou, se casualmente nascerem inteligentes, isso é uma partida da natureza, a inteligência é inútil num pobre, por isso as turmas do ensino secundário destinadas aos pobres devem ter o maior número de alunos que conseguir meter numa sala, uma espécie de concurso do Morris Mini. Já no ensino privado é aconselhável atribuir subsídios exigindo-se um número mínimo de alunos por turma. Os pobres sem estudos servem para trabalhar, os que estudam só servirão para emigrar, gastar dinheiro em educação é um desperdício.

Pior do que um pobre é um pobre que nada faz e vive à custa dos ricos, é por isso que o horário de trabalho dos pobres deve ser aumentado, devem ser cortados os feriados, os pobres só são úteis se estiverem a trabalhar.

É uma pena não ser possível adoptar uma solução para os pobres que infestam este país, de um dia para o outro, vá lá, em dois ou três anos, o país passaria a ser um país rico. Os pobres são um fardo, são caros, uma chatice, uns gandulos e ainda por cima dão cabo das estatísticas.

a precisar de obras, excelente oportunidade de negócio, vende-se portugal


Diz quem sabe - António Costa, o presidente da Câmara aspirante a presidente do PS - que muitos prédios da Baixa lisboeta já estão nas mãos de imobiliárias espanholas. E a imobiliária norte-americana Eastbanc comprou vinte-prédios-vinte no Príncipe Real para os transformar em hotéis e habitação de luxo. O governo, por sua vez, vende as poucas jóias da coroa que ainda nos restam, da EDP à TAP vale tudo desde que valha alguns milhões para os cofres do Estado (para gastar mais tarde em obras de estadão, estádios ou centros culturais, pontes ou rotundas, desfalques ou roubos à fartazana). Portugal está à venda. E os mais poderosos financeiramente são os que mais lucram com a "crise", comprando ao desbarato. 

Os alemães sugeriram aos gregos que vendessem algumas ilhas para pagar as dívidas. Portugal nem disso tem para alienar. O Algarve, o melhor do Algarve, há muito que não é nosso. Lisboa vai pelo mesmo caminho. As empresas públicas são despachadas em regime de saldos, se não mesmo em liquidação total. A Torre de Belém, os Jerónimos, o Castelo de S. Jorge, os Clérigos, as pontes sobre o Douro, só para mencionar alguns trastes que tanto dinheiro custam a manter (e vai-se a ver para nada, são só pedras), ainda podem render uma boa maquia. Quem nos acaba o resto? É barato, é barato! É entrar, fregueses, é entrar! We speak English, on parle français, sprechen Deutsch, hablamos español, يتحدثون العربية, 说中国.

17/08/12

a mãe coragem

Esta é a história de uma mãe de três crianças, Angela Prattis, que todos os dias serviu almoços a dezenas de meninos pobres de um bairro de Filadélfia. As autoridades consideraram a actividade ilegal, mandaram-na suspender a distribuição de alimentos e querem multar Angela em 600 dólares por cada dia que serviu comida grátis. Esta é a triste história de um mundo cada vez mais aberrante, onde os bons são castigados e os maus eleitos, medalhados, aplaudidos. Esta é uma história que não vai ter final feliz.


o regresso do apartheid







O apartheid, na África do Sul ou em qualquer outra parte do mundo, já não é um fenómeno que separa brancos e pretos, mas sim ricos e pobres, gente socialmente consciente dos egoístas, facínoras, esclavagistas, patrões de roça dos tempos modernos. Na África do Sul, sem mais aquelas, a polícia atirou a matar contra mineiros em greve, assassinando a sangue frio pelo menos 12 pessoas. Que dirá de tudo isto Nelson Mandela? 



Video e fotos: http://www.aljazeera.com

o império do mal

Fonte: http://www.cartoonmovement.com/

vai pagar em dinheiro ou com cartão de crédito?

Fonte: http://www.cartoonmovement.com/

conversa de merda


Sua Excelência o Senhor Ministro da Economia, o Senhor Doutor Álvaro dos Santos Pereira, visitou o maior produtor europeu de autoclismos. A notícia é de Fevereiro mas passou despercebida. O Álvaro, e os outros, fazem porcaria que se farta. Por isso e para isso, os autoclismos vendem-se cada vez mais. E exportam-se, porque se cá há o Pereira, o Gaspar, o Coelho ou o Portas, por lá há uma Merkel que acumula merda. Há que escoá-la. Para os países limítrofes. O cu da Europa.

Eis a notícia, para que não pense que inventei esta só para me entreter e vituperar o Álvaro: http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=541119

é tempo de burricada

Menos Estado, Melhor Estado! Lembram-se deste slogan, zurrado pelo rei da burricada quando ainda não tinha sido eleito chefe supremo do seu partido, quando ainda andava em campanha eleitoral entre as suas hostes para ser nomeado o maioral da cocheira? Pois é, essa promessa eleitoral, ao menos essa, cumpriu-a. Mais de 450.000 desempregados estão sem receber qualquer protecção social há 9 meses. Podem estar na miséria, andar nos caixotes de lixo em busca de comida, viver da caridadezinha de que o Mota Soares tanto gosta, pouco importa. Quanto aos mais idosos, esses, só lhes falta a injecção da praxe atrás da orelha para irem desta para melhor e deixarem de fazer despesa e dar chatice: com as suas pensões de miséria é meio-caminho andado para uma morte mais rápida e mais barata. Menos Estado, melhor Estado. Estado de fome, de precariedade, de pobreza. Menos Saúde, menos Educação, menos Solidariedade Social, melhor protecção da banca, dos ricos entre os ricos, eis a borrada que os burricos têm para apresentar em pouco mais de um ano. É obra! 

16/08/12

olha que dois!

Um foi ao Pontal, cheio de ponta, dar-nos música e dizer coisas de monta: que em 2013 acaba a crise (enquanto, no resto da Europa, a crise se agrava e a derrocada é certa, mas Portugal é diferente, Portugal é rico, Portugal exporta, Portugal produz, Portugal tem um povo que se deixa ludibriar e roubar). Na outra ponta, nos Açores, Portas não tem ponta por onde se lhe pegue e o caso dos submarinos continua por esclarecer. Mas, como acontece nestes casos, ainda virá jurar a pés juntos que tudo isto é uma cabala urdida contra ele, tão amigo dos agricultores e reformados ou não fosse o seu apoderado, Mota Soares, apologista de menos Estado e mais caridadezinha. Tudo vai bem quando continua bem. 



Imagens: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

portugal e os caminhos da incerteza

15/08/12

pesadelo em férias


As férias sabem bem. Não que a maioria dos portugueses tenha dinheiro para uma banhoca nem que seja na Cruz Quebrada, mas porque os ministros, incluindo o seu líder máximo, estão de férias. Deixaram-nos em paz por uns tempos. Respiramos melhor. Estamos menos ansiosos. Poupamos nos Xanax, nos Lexotan, nos Prozac, nos Lorenin. Pena é que seja Sol de pouca dura. Qualquer dia, dá-se a rentrée lá para as bandas do Pontal. E eles regressarão afobados para subir impostos, sacrificar, impor, despedir, insultar, abusar e levar este periclitante país para a cova já aberta. O pesadelo vai voltar. E os portugueses? Acordarão? Ou continuarão narcotizados com a demagogia, a mentira, o obscurantismo, as mais perigosas das drogas?

13/08/12

os meninos à volta da fogueira


São crianças, não pensam. Os dois Paulos, os dois Pedros, os dois Miguéis, mais a Assunção, a Paula e o Vitinho já tinham idade para ter juízo. Mas divertem-se a brincar com o fogo, acreditando que o povo é plácido, que o povo é sereno. As medidas arbitrárias sucedem-se, os roubos consumam-se. Rapazolas a brincar aos polícias e ladrões, mais aos ladrões do que aos polícias, têm um novo entretenimento nas mãos, Portugal e o seu povo. Fazem experiências. Misturas, mixórdias, monturos. Mas um dia, que não virá longe, os seus joguetes virar-se-ão contra eles, ganharão vida, numa espécie de Toy Story onde, como nos filmes, os maus serão castigados e o final será feliz. Quem brinca com o fogo, já se sabe mas vale a pena lembrar, queima-se. Sempre.

diamantes de sangue



Numa altura em que toda a esquerda (a verdadeira) deveria estar unida, queria ser o último a ter que criticar o PCP mas  este artigo, publicado no Avante, é de tal forma repugnante que não o posso deixar passar em branco: a simpatia, a benevolência para com um regime onde grassa a corrupção e a falta de liberdades, onde os angolanos mais ricos vêm à Avenida da Liberdade às compras e a maior parte dos outros vive na mais absoluta miséria, onde Isabel dos Santos, a mando do papá presidente e sabe-se lá com que dinheiro, compra retalhos de Portugal ao desbarato, tudo isto descredibiliza o PCP. É feio, é indecente, é anti-patriótico e nada de esquerda. Tenho pena que assim seja. É triste encontrar pontos em comum entre o PCP e Miguel Relvas no que toca a simpatias para com Angola e as obscuras negociatas dos bandidos no poder. 

O artigo:
http://www.odiario.info/?p=2578

e as crianças, senhor?

Uns quantos manifestantes, infelizmente poucos, estiveram em frente da casa de férias de Passos Coelho, no Algarve, a protestar contra as portagens na Via do Infante. E eis que toda a imprensa, num frémito de indignação que contagia Portugal, vem informar que esses quantos manifestantes, poucos infelizmente, assustaram a filha de Passos Coelho, que se pôs a chorar. É assim que se começa. Primeiro, amedrontam crianças. Depois, comem-nas ao pequeno-almoço. Ou não fossem eles diabos vermelhos que se entretêm a afrontar o poder em veraneio, ao invés de estarem na praia a banhos ou em casa a coser meias. Ou mantas rotas. 

12/08/12

o ryan que o parta!


Mitt Romney escolheu o seu vice-presidente para concorrer às eleições americanas. Chama-se Paul Ryan, é chegado ao Tea Party e à ala de extrema-direita do Partido Republicano, quer acabar com o Medicare, reduzir os impostos dos milionários e aumentar os da classe média. Chega como cartão de visita? 

Saiba mais: http://en.wikipedia.org/wiki/Paul_Ryan

portas, de férias, não responde a lérias

alegremente ao fundo

mas este não é um país normal


Em qualquer país normal, tendo em conta as suspeições que associam, justamente ou não, Portas ao caso dos submarinos, já era motivo mais do que suficiente para recusar ser ministro e o impoluto Passos nunca o ter indigitado. Agora, com o estranho caso dos documentos desaparecidos, e sabendo que Portas andou pelo ministério, à sorrelfa, a fotocopiar documentos, justamente ou não, se este fosse um país normal, Portas já teria pedido a demissão. Mas este não é um país normal. Ai não, não é.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt/

se passos está com o chico, se relvas está com o chico, eu não quero estar com o chico


Francisco José Viegas fará a mais pálida ideia dos custos que terá que suportar, de futuro, por fazer parte de um governo que destrói o País, incluindo a sua cultura? A vergonha que ganha, os leitores que perde? Por mim, tanto me faz, nunca li nada do Zé Viegas. Decididamente, não estou com o Chico. Nem ontem, nem hoje. Dir-me-ão que é mesquinho o sentimento que nutro por Viegas e a sua obra. Pois que seja. Mas o que um homem é, o que um homem faz, o que um homem pensa, passa para a sua escrita. Por muito bem que escreva, escreve o que não quero ler. Se Passos está com o Chico, se Relvas está com o Chico, eu não quero estar com o Chico. Eu penso higiénico.