22/05/15

que é feito de constança cunha e sá?

Não acredito que Constança Cunha e Sá seja uma mulher de esquerda. Pouco importa. Dizia as verdades, incomodava Pedro, perturbava Paulo e os seus escorts, os prostitutos e proxenetas ao serviço da causa do neoliberalismo, do neofascismo, chamem-lhe o que quiserem, mas chamem os piores nomes a esses devassos adoradores do deus dinheiro e da política feita pornografia, pouca-vergonha, miséria moral, indigência intelectual, ausência de sentimentos humanos, escarro e nojo. Pois acontece que Constança desapareceu da TVI. Estará de férias? Doente? Ou foi demasiado impertinente? Precisamos de Constança. Se está de férias, que volte depressa. Se está doente, que recupere rápido. Se foi corrida, é altura de agirmos, de protestarmos, de exigir o seu regresso.

Foda-se. Este pesadelo tem que ter um fim.

ADENDA; Acabo de saber que Constança está ausente por motivos pessoais. Peço desculpa pelo aranzel que provoquei, bem intencionado porém. É que, nestas coisas, gato escaldado ...!


atirar a matar!


Na verdejante Penha Longa, em assombroso hotel de luxo, reúne-se o lixo, a nata se se quiser, do BCE. 

À porta fechada.

O vulgo não pode saber que maroscas se preparam, que apertões a tempo se vão dar à Grécia, que chantagens se vão exercer sobre os povos de Portugal ou de Espanha para que não votem em quem contrarie a austeridade, se revolte contra a espoliação dos povos em nome de um capital de roleta russa a quem, se houver justiça no mundo. há-de calhar a bala.

Aquela grande criatura da política internacional, que para nosso orgulho é português, o José Manuel, o Durão, o Barroso, ainda ontem disse, a propósito da Grécia, que as políticas (más, entenda-se) do governo grego têm as suas consequências, sendo a saída do euro uma forte possibilidade.

Vou-lhe propor um exercício de imaginação, uma mera fantasia: e se o PCP + BE + Tempo de Avançar, e este é só um exemplo, conseguissem formar governo porque os portugueses, finalmente, decidiram dar razão a quem sempre a teve, com um ou outro deslize que agora não vêm ao caso? Já pensou nas consequências? Como reagiriam a execrável Merkel e o seu não menos abominável ministro das Finanças? E Draghi? E o homem com nome de esquentador? E a bonitota do FMI? E por cá? Já imaginou o que seria? Cavaco definitivamente escavacado, destroçado, destronado. Passos, Marco António, Relvas, Montenegro, Portas, Albuquerque e outros e outras a zarparem, a fazerem oposição no estrangeiro, dizendo-se exilados políticos, buscando aliados entre as hostes mais sinistras da direita para derrubar o governo português o mais rápido possível e se possível à força. Portugal boicotado, cercado, para que a mudança não vingue, para que o povo se agache.

Já pensou?

O melhor será deixar tudo como está. Votar na coligação Passos/Portas. Ou no Costa, que desse o capital também gosta, do mal o menos.

Vá lá, submeta-se. Resigne-se. Rasteje. Lamba a mão de quem lhe rouba o pão. Depois não diga que não o avisei.

palmyra a um passo da destruição

Os guerrilheiros do estado islâmico acabam de conquistar Palmyra, na Síria. As suas ruínas, património da Humanidade, podem vir a ser destruídas, a exemplo do que já fizeram com outros monumentos da Antiguidade. As populações fogem das suas terras para não serem dizimadas.

Ao que parece, nenhum do vasto território até agora tomado pelos jihadistas é rico em petróleo. Se assim fosse, já os Estados Unidos teriam intervido. Esquecem-se que, quanto mais este movimento cresce, mais difícil será dominá-lo.






21/05/15

de que estão à espera para decretar a solução final?

Ontem, no debate quinzenal parlamentar, Coelho esteve em plena forma, quase arruaceiro, assumidamente panfleteiro, em mais um dos muitos actos de campanha eleitoral que estão a marcar este fim de um mandato mais do que desgraçado: desgraçou-nos.

Passos mostrou as suas garras, vociferou contra "as esmolas do Estado" e este dito é, por ele só, todo um programa de governo, o da selecção natural, os mais capazes que progridam na vida segundo os seus méritos ou, tantas vezes, de acordo com as suas capacidades de esmagar os que os rodeiam para vencer, conquistar um lugar ao Sol. Os outros que fiquem pelo caminho, que emigrem, que vivam na miséria, da caridadezinha. O Estado não tem por obrigação amparar essa gente, isso seria um incentivo à preguiça, à inacção. O Estado não deve dar-lhes condições para se libertarem da pobreza onde nasceram. Daí a liquidação do Estado Social, a Educação deve destinar-se a quem pode pagar, a Saúde a quem tem dinheiro para se tratar. Os outros, que recorram à caridade se não quiserem morrer já. E o governo, o mesmo que corta pensões, subsídios, abonos de família, é o mesmo que entrega milhões às instituições de solidariedade. Não que os indigentes mereçam, não fazem por cá grande falta, são um peso para a sociedade, mas é preciso disfarçar, alardear sentimentos, fingir-se humano, fazer de conta que se tem coração.

Não. Coração não há. O que há são garras que trituram e trucidam os mais fracos. Por acaso elas são de um Pedro. Podiam ser de um Adolfo, de um Francisco, de um Benito.

Podia ser a solução final.

20/05/15

o benfica revelou-nos grandes profissionais

José Sena Goulão/Lusa/JN

Por Pedro Tadeu
http://www.dn.pt/

O dia da conquista do bicampeonato pelo glorioso Benfica mostrou a todo o Portugal a elevada qualidade de alguns dos profissionais deste país - e não, não estou a falar dos jogadores e dos técnicos da equipa...

Tivemos, em primeiro lugar, a elevada qualidade dos profissionais da pancadaria, liderados pelas claques do amor à traficância de bilhetes, de viagens, de álcool, de petardos e de drogas. São acompanhados por trogloditas ocasionais, especializados na destruição de casas de banho públicas, artistas no jogo do lançamento da garrafa e da pedra com que lapidam a frustração de uma pobre existência.

Domingo, em três tempos, estes talentosos meliantes arranjaram maneira de demonstrarem a sua arte em Guimarães, Alvalade e, sobretudo, no Marquês de Pombal.

Em segundo lugar tivemos profissionais de coboiadas ao fim de semana: pelotões com capacete, bastão e escudo, rotinados em varrer à pancada corredores trôpegos pela bebedeira infinita.

Na mesma imagem deram-nos um complexo exemplo de esquizofrenia corporativa: de um lado um polícia, incapaz de resistir à tentação do abismo, batia num homem caído no chão; do outro lado, dois outros agentes, carinhosamente, tentavam esconder a cena e acalmar uma criança de 9 anos, filho do homem que saboreava o impacto de um cassetete desgovernado.

Em terceiro lugar tivemos os profissionais do óbvio: políticos a condenar as cenas de violência, o presidente do Benfica a pedir apuramento de responsabilidades, as autoridades a garantir processos--crime e disciplinares, os compulsivos do Facebook a exigir sangue em lugar de justiça.

O futebol não pode continuar a empurrar a solução dos problemas da violência que cria para cima do resto da sociedade. Enquanto dirigentes, treinadores, gestores de comunicação continuarem a trocar, todos os dias, insinuações e insultos; enquanto não proibirem e não deixarem de subsidiar claques violentas; enquanto não penalizarem adeptos criminosos; enquanto acharem normal a berraria com que se vive a paixão pelo futebol, a brutalidade, já banalizada nas ruas, crescerá mais e mais.

Para já, o futebol podia acabar com as suas perigosas celebrações nas cidades e levar os amantes da pancadaria para dentro dos estádios. Era o mínimo...

O maior profissional que vi no domingo foi um empregado de limpeza da Câmara de Lisboa a passar no meio da linha que separava adeptos e polícias. Indiferente às pedras que caíam e aos bastões que ameaçavam, insistia, sereno, em limpar o asfalto. Parecia ter vontade de varrer o futebol das nossas vidas - coisa que parece ser, cada vez mais e infelizmente, uma ideia sensata...

terramoto em lisboa

Será verdade que, durante as comemorações da vitória do Benfica no Marquês de Pombal, os responsáveis pela festa passaram imagens, no écrã gigante, dos acontecimentos de Guimarães, ou seja, das imagens de violência policial sobre adeptos do clube?

Se assim foi, a responsabilidade por todos os desacatos que se seguiram cabe por inteiro ao Benfica. Noutro país, esta insensatez - um autêntico apelo à violência -, seria severamente punida.

Que tal retirar a taça ao clube e entregá-la ao segundo classificado?

Ai o que estou para aqui a dizer. Agora é que me vão cair o Carmo, a Trindade, Xabregas, Benfica e a Ponte sobre o Tejo em cima.

Ruínas da Ópera do Tejo, ilustração de Jacques Philippe Le Bas



19/05/15

os novos grandelinhas

Portugal no caminho certo? Não sei porquê, mas há aqui algo que me trás à memória um velho slogan dos armazéns Grandella. Os fatos não são, esses fazem-me lembrar Fanqueiros e políticos de fancaria.

humor, um luxo português


... e por falar em violência!

Odeiam-se mas consorciaram-se por conveniência. Se pudessem - ah, se eles pudessem! - chegavam a roupa ao pelo de cada um, separavam-se, insultavam-se, divorciavam-se com impropérios e revelações de chocar os fervorosos adeptos do casamento para toda a vida. Por agora, deixem-nos posar para a fotografia, cortar o bolo, celebrar as núpcias, acasalar enfim. Até ao lavar da roupa suja, tudo será um mar de rosas.


orgulho e preconceito

José Sena Goulão/Lusa/Observador
Continuo na minha: os aguerridos gladiadores de garrafa em punho são oriundos, tantas vezes, de bairros degradados. Desempregados ou com empregos precários, a ganhar nada ou mal e porcamente a não ser que se dediquem a actividades ilegalmente mais rentáveis, não são só culpados, são também vítimas de uma sociedade onde a exclusão, o empobrecimento, estão na ordem do dia, sob as ordens de um governo que, quando faz um pobre, fá-lo por gosto.

Não condeno os guerrilheiros de pacotilha por preconceitos de classe. As minhas origens são as mesmas (diz-se classes "baixas", não é?), com orgulho o afirmo. É contra as desigualdades que luto, não contra eles. O que não significa que devam ficar impunes.

Que fique claro. 

17/05/15

esta gente é perigosa, muito perigosa!

Tenho-o dito e repetido ao longo destes penosos quatro anos. Chamem-me lunático, radicalíssimo de esquerda, fanático debochado, mente doente, adepto delirante de teorias de conspiração, que me estou nas tintas, continuo na minha: tanto o PSD de Pedro como o atrelado de Paulo, que Pedro trás pela trela obediente e amansado, são hoje dominados por gente perigosa. A obra que obraram durante todo este tempo nefasto não me deixa mentir. Empobrecer o povo, arruinar os alicerces de um país, transformar Portugal numa chinesice tão ao gosto de patrões e poltrões da alta finança não é coisa pouca. Mas há mais. Sondagens que lhes são favoráveis apesar dos roubos, apesar dos crimes de lesa-pátria, notícias a toda a hora e instante sobre o estado da Economia cada vez mais auspiciosa, qualquer dia pujante (vamos estar entre os mais competitivos, a abundância já está em cada esquina à espera de nos entrar em casa), a prisão de Sócrates - repito: a prisão de Sócrates -, o terrível polvo que, como um cancro terminal, se espalhou pelo mundo dos negócios e atingiu mortalmente o aparelho partidário de laranjas e outros frutos podres, as mentiras mil vezes repetidas, a intoxicação da propaganda, o envenenamento perpetrado por uma comunicação social tomada por capitais de duvidosa origem, tudo, tudo isto me faz pensar que há o risco, cada vez mais real, de Coelho e atrelado se manterem no poder por mais uns anos. Resta saber que obra ainda não obraram. Que empresas ainda não privatizaram. Que política laboral (e salarial) pode ser mais miserável e abjecta do que aquela que já temos. Que portugueses, não os do seu clube bem entendido, ainda não foram atirados para a indigência ou, quanto muito e viva o velho!, para a pobreza envergonhada. Quantas reformas serão ainda necessárias para que Portugal possa, a exemplo da China, ter as suas zonas económicas livres de aplicar a escravatura com total impunidade. Quanto mais tempo irão precisar para erradicar de vez a Educação e a Saúde da esfera pública, transformando-as num negócio de milhões onde só os filhos dos ricos terão cabidela. Ah!, a reforma do Estado que ainda está por fazer, os salários que ainda estão demasiado altos, os chineses, angolanos, americanos, brasileiros ou russos a quem ainda falta vender umas parcelas de território, uns pedaços de soberania, ah!, a contra-revolução que ainda agora vai no adro, deixem passar a procissão, os senhores do dinheiro à frente, os andrajosos atrás, lá muito atrás, de rastos ou de joelhos, numa penitência feita de sacrifícios e silícios, privações, abdicações de dignidade, de vidas.

A emigração massiva de jovens, os novos pobres, os desempregados, a fome, os suicídios, os crimes nos hospitais, as leis torpes, a venda de quinhões de património ao desbarato, a perseguição impiedosa do fisco aos que já não conseguem honrar compromissos, as falências em catadupa, as fraudes bancárias que todos colmatamos, as PPP que todos pagamos, as negociatas que todos subsidiamos, nada disto parece indignar aqueles portugueses dispostos a perpetuá-los no poder, a Pedro e a Paulo, este último pela trela, bem comportado, domesticado, irrevogavelmente fiel.

Pensava eu que convulsões desta natureza, contra todo um povo, só seriam possíveis num Chile de Pinochet. Como estava enganado! Os portugueses nunca precisaram de um Salazar. Bastava-lhes um Coelho. E um atrelado.