02/02/13

a cidade encantada


Rua de S. Pedro ao Largo do Chafariz de Dentro



A Baixa vista do Jardim de S. Pedro de Alcântara

a liberdade vai passar por aqui

A 2 de Março, a Avenida da Liberdade volta a encher-se. E enquanto o dia não chega, olhemos a Liberdade, desde o Passeio Público do século XIX até 1960 ...






31/01/13

portugal, colónia angolana


Bárbara Bulhosa, responsável editorial da Tinta-da-China, foi constituída arguida por ter publicado, em 2011, "Diamantes de Sangue: Tortura e Corrupção em Angola". O livro, escrito por Rafael Marques, denuncia o poder angolano e o assalto descarado às riquezas do País.

Por outras palavras e em poucas palavras: a censura voltou, através das altíssimas individualidades que agora mandam em nós mas, também, as que mandam nelas. É o caso da Merkel, dos famigerados mercados sob anonimato, de Lagarde, de Barroso e, também, de Eduardo dos Santos e da sua multimilionária camarilha.

Passo a passo, damos passos atrás. Mas entra dinheiro. Somos uma colónia de Angola. E uma lavandaria de dinheiro sujo. 

o bilas do tó zé

Confesso que não tive pachorra para acompanhar as peripécias e facécias, as óperas-bufas e os agarrem-me se não vou-me a ele, com que o PS nos decidiu entreter nos últimos dias. Costa será melhor do que Seguro como qualquer coisa - uma abécula, uma molécula, uma alforreca - é melhor do que Seguro, mas Seguro vai ficar por lá a afirmar, com a voz de comando com que a Natureza o dotou, que bem avisou há um ano, que assim não pode ser, que o Tó Zé um dia destes se zanga de vez e nunca, nunca mais vai jogar ao bilas nem à cabra-cega nem à apanhada e muito menos às escondidas com o Pedrito Coelho e os outros putos. É d'homem!

Imagem: http://henricartoon.blogs.sapo.pt/

o discurso de marinho pinto na abertura do ano judicial




(...)

Sendo este alto tribunal, pelo menos hoje, a Casa da Justiça, ele é o local próprio para em nome da Ordem a que presido e em representação dos Advogados portugueses aqui exprimir as nossas preocupações sobre o estado de direito, sobre a democracia, sobre a administração da justiça.

Este é, pois, o local próprio para denunciar o populismo da política do governo em matéria de justiça; para denunciar a utilização por parte do executivo dos órgãos de informação para fanatizar as consciências dos cidadãos; para denunciar o sistemático recurso à propaganda em vez de informação rigorosa sobre os assuntos de interesse colectivo; para denunciar a alteração das leis essenciais ao funcionamento da justiça com a finalidade de conquistar popularidade fácil.

Este tribunal é o local adequado para denunciar a insensibilidade deste governo em relação aos problemas dos portugueses; a insensibilidade de pessoas que chegaram ao poder prometendo nunca fazer aquilo que hoje fazem com calculismo e frieza; de pessoas que derrubaram o governo anterior por ele pretender aplicar medidas de austeridade infinitamente mais leves do que as que o actual governo agora aplica com gélida determinação e, até, com prazer ideológico; em suma: de pessoas que tudo fizeram (incluindo a criação artificial de uma crise política) para obrigar Portugal a pedir a intervenção da TROIKA, pois, sempre souberam que só com essa intervenção poderiam realizar a sua oculta agenda ideológica que passa pela aniquilação dos direitos de quem vive só do seu trabalho, que passa pela destruição do estado social, que passa por um ajuste de contas com os valores e conquistas mais emblemáticos da revolução do 25 de Abril e pela reinstauração de um modelo de organização económica que, verdadeiramente, apenas triunfou nos primórdios do século XIX ou então em algumas das piores ditaduras do século XX.

e se bava fosse à fava?

No outro dia, em nome da Samsung, espetaram-nos com a Pépa, a menina da mala Chanel. Mas os publicitários arriscam, querem provocar, agitar, vender mais em tempos de crise, crise económica e de valores pelo que se vê. E eis que engendraram, vomitaram será melhor palavra, esta coisa repugnante. Para a TMN.

porca de vida


Estou farto da polvorosa que se gerou a propósito do elemento da GNR que agrediu um porco. Ena o que para aí vai, até já se fala em caça ao homem. Mas entre a fotografia de cima, do nosso agente a pontapear o porco, e a fotografia de baixo, de um polícia americano a pontapear uma mulher, a que me choca mais é a de baixo. Desculpem. É o que eu penso. É o que eu sinto. Aposto que muitos dos que se indignam agora ficam impávidos e serenos perante imagens da agressão de polícias contra manifestantes, coisa que acontece diariamente um pouco por todo o mundo. Porcos, dirão até nessas alturas os que, agora, choram a má sorte do porco.

30/01/13

a bravata

Por Santana Castilho
http://www.publico.pt/

1. Em livro que escrevi em 1999, em plena euforia dos milhões diários que nos entravam porta dentro, afirmei ser pouco sério confundir essas imediatas vantagens financeiras com vantagens económicas de futuro. Admiti então, qual velho do Restelo, que subjacente a tanta prata fácil estava uma bem escondida estratégia hegemónica. E adiantei, contra-corrente, que se víssemos as coisas por esse ângulo não cairíamos na esparrela que se desenhava: ao longo dos anos fomos financiados para deixar de produzir e destruir a agricultura e a indústria. Ora se somos responsáveis pelo caminho que aceitámos, também a União Europeia o é, por nos ter induzido a trilhá-lo. Chegados onde estamos, é penoso ver que a bravata tapa a realidade. Podermos continuar a endividar-nos a um juro superior ao que agora pagamos à troika (4,891 versus 3,4 por cento) justifica a bravata? Se em Abril de 2011 fomos “expulsos” dos mercados, por que razão nos receberiam agora, quando a dívida, em lugar de diminuir, cresceu 25 mil milhões de euros e a economia se afunda a cada dia que passa? A resposta é Draghi, que anunciou em Setembro um programa de compra das dívidas soberanas e com isso constituiu o Banco Central Europeu como fiador sólido dos países em apuros. Todos os juros caíram a partir daí, os da Grécia inclusive. Nada foi graças a Passos ou Gaspar. Tudo foi apesar de Passos e Gaspar. O resto é bom negócio para quem empresta a cinco por cento e mau para quem terá que pagar cinco com a economia a decrescer dois. 

2. Se a credibilidade do relatório do FMI já era exígua, os acontecimentos recentes reduziram-na a zero. E o silêncio do Governo e de Carlos Moedas sobre os factos trouxe a destaque a falta de ética que juntou mandantes e mandados da vergonhosa manobra. Carlos Mulas-Granados, um dos autores da coisa, tinha dois heterónimos. Com um facturava euros. Com o outro dizia, à quarta, o contrário do que recomendava à terça. O homem, jovem professor de economia da Universidad Complutense de Madrid, desancou o primeiro-ministro inglês por este ter aumentado as propinas do ensino superior e reduzido as contribuições sociais. Com o heterónimo que não chegou a baptizar, recomendou ao primeiro-ministro português que aumentasse as propinas e reduzisse ainda mais as prestações sociais. Verdadeiro expoente do empreendedorismo moderno, criou uma versátil cronista virtual, de sua graça Amy Martin, que ao bom jeito da indústria financeira da moda facturava a três mil euros por peça artigos que nunca escreveu, sobre coisas tão diversas como cinema, energia nuclear, felicidade e economia. Foi agora demitido de director-geral da Fundación Ideas, do PSOE (Partido Socialista Obrero Españoll), por fraude. Mas não ouvimos uma palavra de Carlos Moedas, de reconsideração, sobre a porcaria que elogiou e assim fede a céu aberto. 

3. Os professores voltaram a sair à rua. Cerca de 40 mil, dizem. Divididos, é notório. Mas, sobretudo, sem resultados para a luta que travam desde os tempos de Maria de Lurdes Rodrigues. As evidências são lapidares: viram os salários diminuídos e o tempo de trabalho aumentado; conhecem o maior crescimento de desemprego de todas as classes profissionais (os números oficiais mostram que quadruplicou nos últimos anos; a variação homóloga no início do presente ano lectivo apontava para um aumento da ordem dos 70 por cento); continuam mergulhados em tarefas aberrantemente burocráticas e improdutivas; têm, como nunca, a dignidade profissional e a independência intelectual calcadas por políticas de terror social, a que se prestou um ministro que os traiu. E respondem com manifestações que se perdem na habituação que nada muda e lutos folclóricos de que se riem os que os escravizam. Permito-me recordar-lhes o que nestas colunas escrevi, não há muito: os professores sabem, têm a obrigação de saber, que todo o poder só se constrói sobre o consentimento dos que obedecem. 

Sei como é difícil combater o desânimo, quando as necessidades básicas são a preocupação diária. Sei que muitos dos que me podem vir a ler estão no desemprego, nunca tiveram vida estável e não sabem como dar de comer aos filhos. Mas é para parar tudo isso que urge fazer diferente. Reagir, dizer não, dizer basta. O que está no relatório do FMI é um incentivo a inverter o sucesso da Escola Pública, reconhecido em estudos recentes. Em 2013 podemos incorrer em erros semelhantes aos que denunciei em 1999, se não soubermos sustentar e defender que não temos professores a mais, que continuamos com licenciados a menos, que todos não somos demais para construir uma economia que pague o Estado social que querem destruir. Foi com investimento na Educação que os suíços, os dinamarqueses, os suecos, os noruegueses ou os finlandeses, têm hoje o que alguns dizem que nunca poderemos ter. 

Fotografia de Paulete Matos
http://www.esquerda.net

as virgens condoídas


Há dias em que acordo e parece que estou na América, no reino das virgens ofendidas. Num dia, escorrem abaixo-assinados pela net fora a exigir que se poupe a vida de um cão que matou um bebé à dentada. No outro, é um agente da GNR que dá que falar: ao que parece, num desastre qualquer na auto-estrada do Norte, uma camioneta capotou e espalhou a sua carga, uns quantos porcos que aproveitaram para, num grito de Ipiranga lá muito deles, laurear as enxúndias pela via pública. Um guarda da GNR foi filmado a pontapear um desses bácoros e, aqui d'el-rei!, crime de lesa majestade!, quer-se identificar e já o homúnculo prevaricador que atentou, de maneira tão brutal, contra os direitos e garantias do pobre animalejo.

Tudo isto num país onde os direitos e garantias dos seres humanos são cada vez mais torpedeados. Mais e mais gente perde o emprego, mais e mais gente mendiga, mais e mais gente passa fome, a mais e mais gente é sonegado o acesso à saúde, à educação, à habitação. Mas estes casos, que afectam milhões de pessoas, parecem não preocupar uma grande parte das virgens condoídas. Fazem escândalo na net por dá cá aquela palha. Pedem justiça. Proclamam princípios de solidariedade e amor. Choram os animais mas desprezam os homens.

Sim, estamos a chegar à América. Ao reino da hipocrisia e da maculada virgindade.

Imagem: http://www.redbubble.com

29/01/13

foi há 100 anos

1912. Greve dos eléctricos.









Fotografias recolhidas em
http://restosdecoleccao.blogspot.pt

ganapos de lisboa

Alfama, anos 30.











empobrecemos e embrutecemos

Por Pedro Tadeu
http://www.dn.pt

Esta semana, em Portugal, uma tempestade deixou sem eletricidade um milhão de casas. Dez dias depois, ainda havia aldeias à espera que a luz voltasse a brilhar nas lâmpadas. Porquê?

Esta semana, em Portugal, um choque entre dois comboios na Linha do Norte, a mais frequentada e a mais vigiada do País, contabilizou duas dezenas de feridos. O milagre das vidas incrivelmente poupadas, por entre os escombros das composições saídas dos carris, esconde a inquietação de um travão de emergência que não funcionou. Porquê?

Esta semana, em Portugal, uma associação de juízes e o Conselho Superior de Magistratura, a nata das natas na Justiça, vieram, sem pudor, em defesa pública da sentença de um colega que mandou retirar filhos a uma mãe. Sob a decisão pende ainda um recurso, em apreciação no Tribunal Constitucional. Houve, portanto, mais um ato de pressão sobre os senhores que trabalham no Palácio Raton. Porquê?

Esta semana, uma viatura da PSP que transportava, rápida, três detidos algemados atropelou um homem, por acaso pai do cantor Paulo Gonzo. O carro policial ia acelerado, sirene aos berros. Porquê?

Esta semana, em Portugal, um autocarro despistou-se na Sertã. Morreram 11 pessoas. Só havia alguns cintos de segurança. Porquê? As obras eternizadas no IC8 e os estragos do piso estão apontados como suspeitos para causas do acidente. Repito: porquê?

Esta semana, um nevão pouco mais do que envergonhado deixou 30 mil crianças sem aulas no Norte de Portugal? Porquê?

E uma cidadã portuguesa, colocada entre a vida e a morte num hospital do Dubai, quis regressar a casa. O passaporte foi-lhe confiscado como meio de garantia de devolução de nove mil euros que o Estado adiantou em despesas de saúde e transporte. Porquê?

Olho para as notícias deste Portugal do século XXI e vejo um país de um século passado. Vejo um país onde a desgraça, a má sorte, a fatalidade, o destino, a pesporrência e o corporativismo modelam o empobrecimento geral.

É a pobreza que tira meios para defesa contra catástrofes naturais; é a pobreza que sacrifica manutenções básicas de máquinas essenciais; é a pobreza que leva a grandeza de espírito e o sentido de Estado a quem representa esse mesmo Estado; é a pobreza que cria ataques de frenesim autoritário; é a patética pobreza que poupa em cintos de segurança ou cancela obras a meio; é a pobreza que cria a mesquinhez e a avareza.

O País está a empobrecer, sim. Mas, mais do que isso, o País está a embrutecer. Porquê? Porquê!?

28/01/13

filigranas







Fotografias de Nuno Trindade
https://www.facebook.com/NunoTrindadePhotography

quem manda? salazar! salazar! salazar!

Portugal, em plena II Grande Guerra. Os portugueses faziam fila para receberem senhas de racionamento. Fizesse frio ou chovesse a potes, pernoitavam junto das lojas na esperança de conseguirem comprar um naco de pão, um quilo de feijão, umas batatas. Uma sardinha era repartida por quatro ou cinco. Mas a zona de Belém, em frente dos Jerónimos, foi terraplanada, um bairro destruído (primeiras duas fotografias) para que Salazar pudesse inaugurar a "grande exposição do mundo português", em 1940. Nenhum custo, por mais astronómico que tivesse sido, foi demais para louvar o mago que regularizou as finanças públicas, a sua gloriosa obra e o seu imenso império colonial. Império que perduraria, apenas, por mais 35 anos.