19/10/13

para a semana há mais!

O meu dia de ponte.

manif-estação

Hoje, também houve manif na estação de comboios de Alcântara. Foi bonito de se ver!











uma tragédia anunciada

Em situação desesperada, há espanhóis que estão a colocar anúncios na internet para venda dos seus próprios órgãos. Só a revolta generalizada dos povos do Sul pode deter este descalabro numa Europa que se dizia civilizada e humanista. Perante a indiferença dos donos do dinheiro e a bajulação dos seus lacaios, os governantes, vendem-se empresas, ilhas, património histórico, vendem-se rins, vendem-se notícias de optimismo e esperança, vende-se a soberania e a liberdade. Estes anos ficarão para a História como uma mancha da Europa, uma vergonha, um lento genocídio.








Mais aqui: 

povo que lavas o rio



A gente vê-se daqui a nada. Até já.

este já foi da europa o hino



Longe vão os tempos em que esta música nos fazia lembrar, orgulhosamente, que pertencíamos à Europa. A Europa humanista, do Estado Social, da Escola para todos, da protecção na velhice e na doença. Vale a pena ouvi-la, especialmente nesta versão.

18/10/13

de visita aos amigos


Só quem andar profundamente distraído poderá aceitar que um texto como o deste Relatório (Orçamento do Estado) – com “medidas de carácter fiscal” e “medidas transversais de caráter fiscal“, “medidas sectoriais” e “medidas setoriais” ou “expectativa de manutenção das taxas de juro” e “expetativa do valor futuro” – foi redigido “ao abrigo” de um instrumento que regula uma ortografia.

Apesar de tudo aquilo que tenho visto por aí, confesso a minha perplexidade perante fenómenos como o do “fato de ser intenção da tutela” (sim, na página 163 do Relatório).

Só quem sofrer de distracção crónica poderá acreditar que um texto com, apesar de tudo, excelentes exemplos de palavras em ortografia portuguesa europeia, como direcção, acção, protecção, reflectem,activo, subfacturação, Janeiro, electrónica, colecta, respectiva,Junho, colectivos, afectas, Julho, directos, indirectosou efectiva, se encontra “escrito ao abrigo do…”. Esperem, perdi-me. Ao abrigo de quê?
Francisco Manuel Valada

Depois de Cavaco Silva ter-se queixado das suas duas míseras reformas - que apenas atingem um valor total de 10 000 euros - mais uma figura do Estado se veio queixar daquilo que ganha. Maria Luís Albuquerque, humilde funcionária pública - como ela fez questão de evidenciar -, disse, na entrevista que deu à SIC, que o que ganha não dá para fazer poupanças, realçando o que tem de pagar pela prestação da casa. 

Devo dizer que os meus pensamentos estão com ela. Na realidade, os quatro mil e quinhentos euros que ela ganha como ministra - mais despesas de representação, viatura onde se desloca e refeições gratuitas - são de facto uma miséria. Sobretudo se ela tiver os filhos num colégio privado e uma empregada doméstica. A vida está difícil para todos, e por isso disponibilizo desde já parte do meu subsídio de desemprego para começar uma vaquinha em favor da ministra. Julgo que qualquer português que seja patriota tem de pensar nesta gravíssima questão que assola um dos nossos mais queridos governantes. E se todos dermos um pouco de nós à ministra, ela poderá desocupar a cabeça de preocupações financeiras e decidirá melhor, contribuindo para o bem-estar de todos os portugueses. O futuro do nosso país depende disso. E, num tempo de feroz egoísmo e recalcitrante desumanidade, é bom que de vez em quando os nossos corações se abram e nós possamos ajudar quem mais precisa. Se alguém começar uma conta SOS - Miss Swaps, avisem. Eu serei um dos primeiros contribuintes. 
Sérgio Lavos

passos coelho a julgamento

http://expresso.sapo.pt


Estou totalmente de acordo com o que Helena Roseta diz no vídeo. É tempo dos partidos mais à esquerda, dos movimentos cívicos, das associações sindicais, entre muitas outras organizações, passarem das palavras aos actos. Actos que se vejam e que dêem esperança aos portugueses. As ameaças do governo, as pressões dos partidos políticos da direita e dos agentes económicos mais trauliteiros ao Tribunal Constitucional, a ingerência por parte de organismos internacionais, já foram longe demais, ultrapassaram há muito todos os limites da decência e do respeito pelas nossa soberania, pelas instituições nacionais e pelo povo português. Estamos perante vários escândalos e este é só um deles, mas será o principal porque é ele a origem de tudo o resto: orçamentos aviltantes, desprezo pelos cidadãos, roubos feitos por tresloucados sem rei nem roque, sem lei nem grei. Portugal, e a Europa, estão cada vez mais perto de viver a mais cruel das ditaduras e, se nada se fizer, a mais mortífera das guerras, porque nem as populações nem algumas entidades irão ficar quietas e caladas, à espera de serem despachadas para um qualquer gueto ou campo da morte. É preciso exterminar a besta fascista. Fascista, não tem outro nome. Estamos perante um golpe de natureza fascistóide que está a vitimar os povos de vários países, o seu património, a sua herança histórica. Sob as ordens de Merkel, dos mercados todo-poderosos que conspiram na sombra, da Comunidade Europeia que está a rasteirar todos os ideais para que foi criada. Com o viscoso servilismo, o desprezível calculismo do mordomo dos Açores, José Manuel Durão Barroso de seu nome. Português, traidor, 57 anos de idade. Idade para ter juízo. Ser homem. Ser patriota. Ou, se não é capaz de ser nem uma coisa nem outra, pedir perdão aos portugueses, demitir-se e ir à sua carreirinha de amanuense que foi para isso, e só para isso, que nasceu.

Helena Roseta vai ser enxovalhada pelo que disse, tal como Mário Soares o tem sido nos últimos dias. Mas é de gente como esta que se faz um país. Não das abencerragens que cegamente, torpemente, pateticamente, cobardemente, alegremente, vão dizendo que sim ao chefe e à troika, levando este país à ruína total e o povo à miséria mais abjecta. Este país não é dos cobardes que se calam, dos que dizem que a sua política é o trabalho porque são incapazes de dizer coisa com coisa, dos que odeiam os políticos mas nada fazem para os depor, dos que não votam porque o voto não vale nada, dos que não se manifestam porque as manifestações são inúteis, dos que, sendo de esquerda, pensam mais nas suas capelinhas e ganhos partidários do que no bem de todos, dos que vociferam contra Passos mas vão a correr dar-lhe o voto "porque não há alternativa", dos agitadores de sofá, dos revolucionários de uísque na mão, dos oportunistas, dos videirinhos, dos lambe-botas, dos defensores da austeridade que peroram pelos jornais e televisões de barriga cheia e recheio guloso na conta bancária, dos que lucram com a crise, dos que vivem da crise, dos que gostam da crise porque a crise, tal como o trabalho, liberta. A crise é redentora. A crise é purificadora. A crise abre novas janelas de oportunidade. A crise não é para os piegas, mas para quem agarra a vida pelos cornos, é a lei do mais forte, a selecção natural, a solução final. A crise é a coqueluche dos filhos da puta, dos poltrões, dos ladrões e dos corruptos, dos sacanas e dos animais que, por azar, nasceram humanos. Mas que, de humanos, têm corpo mas não a alma. Muito menos consciência.

Chega. É demais. E o que é demais é moléstia. É peste. É praga. É a morte, mesmo que em vida. É a tristeza, a descrença, o desespero, a indignação, a desesperança e, também, felizmente, a raiva, o ódio, o espírito de vingança que começa a tomar conta de alguns de nós. Não os condeno.

a ponte é linda, a ponte é linda!

Obrigado, Dr. Macedo.

Mesmo com muitos descontentes com a CGTP por ter desistido da ponte-a-pé, a cada um as suas opiniões, estou em crer que a manifestação de amanhã vai ter muito mais gente do que estaria sem a publicidade que Macedo lhe deu à borla. As páginas de jornais e os minutos de televisão, em publicidade, sairiam uma fortuna. O que se poupou dá para pagar as portagens a um porradal de autocarros.

Amanhã lá nos veremos. Leve o guarda-chuva e não tenha medo da molha. Molhamo-nos mas não (nos) encolhemos.

lá está banksy a fazer das suas!


Imagem: http://www.banksyny.com

de visita aos amigos


O activismo político e ideológico da Comissão Europeia [CE], que deveria ser a voz imparcial dos Estados e não a voz dos credores, leva-a a deixar escapar, cirurgicamente, um documento com ameaças e chantagens sobre um órgão de soberania de um Estado soberano e de Direito – Tribunal Constitucional, apodado de activista político.

Infelizmente o mote para esta escalada, golpista de Estado, foi dado por um ministro do Governo que não temos – Paulo Portas e o seu "protectorado", o mesmo princípio subjacente ao relatório da CE, ser activista político com o argumento do activismo político/ estar-se borrifando para a Pátria com o argumento do patriotismo.

Infelizmente não temos Presidente da República que no mesmo minuto exigisse a demissão do representante de Portugal na CE e um pedido de desculpas do respectico presidente.

Infelizmente isto vem dar razão a quem não via nem um avo de vantagem em ter Durão Barroso como presidente da Comissão Europeia, depois de ter abandonado o país à sua sorte e como paga por ter sido o mordomo da guerra que Bush & Blair inventaram no Iraque.

Estamos por nossa conta.
José Simões

Depois de cortar nos salários, nas prestações sociais, nas reformas, nas pensões de sobrevivência, o presidente do conselho da Pategónia cortou a bandeira nacional numa cerimónia realizada num país amigo, substituindo-a por uma “bandeira inventada, para desenrascar”.

Já anteriormente, o governo da Pategónia tinha “comemorado” a instauração da República, imediatamente antes de cortar o respetivo dia na lista dos feriados nacionais, fazendo subir uma bandeira nacional de quinas e castelos de pernas para o ar.

O governo pategónio explicou o sucedido declarando que o uso de uma “bandeira tosca” está previsto no memorando com a troica, pois a Pategónia não pode viver acima das suas possibilidades heráldicas.
João Paulo Guerra

Maria Luís Albuquerque diz que o seu Governo tem um programa de rescisões amigáveis para assistentes operacionais e para assistentes técnicos, diz que o seu Governo está a preparar um programa de rescisões amigáveis para professores e que agora irá pensar num programa de rescisões amigáveis para outras categorias profissionais mais qualificadas, referindo-se especificamente aos técnicos superiores, embora deixando no ar um objectivo mais vasto: um programa de rescisões amigáveis para médicos, um programa de rescisões amigáveis para enfermeiros, um programa de rescisões amigáveis para militares, outro ainda para juízes, em especial para os do Constitucional. Está toda a gente a mais. Menos eles próprios. Por isso, ao contrário dos restantes, o plano de rescisão que os imprescindíveis vão “desenhando”para si próprios tem cada vez menos de “amigável”. As luminárias estão a descuidar-se. Porque hão-de sair. A bem ou a mal. Ainda vão a tempo de poderem escolher.
Filipe Tourais


Mesmo antes de se ir embora, tinha de destilar mais uma vez o seu ódio pela cultura independente e por todos os que tentam fazer algo que não seja controlado pelo sistema. Rui Rio, o que muitos consideram como a grande reserva moral do PSD, tinha de acabar o seu mandato como começou: a ser um grande FdP. Para que não me ponha um processo se representasse o que eu gostava, Filho da Puta, que cada um possa ler estas iniciais como desejar. Digamos que é um Filho do Porto. 

josé saramago e o pato do dia

Por António Fernando Nabais

Depois do pato com laranja, a nouvelle cuisine ortográfica inventou uma receita: o “pato com o diabo”. Não me espantaria que tivesse origem na criação de patos de silêncio, esses simpáticos palmípedes anunciados ao mundo graças aos bons ofícios do chamado acordo ortográfico.

A nova iguaria pode ser encontrada na 12ª edição de Caim, de Junho de 2011, como é possível ver-se na imagem supra, tratada com o habitual desvelo pelo João Roque Dias. Poder-se-ia dizer que José Saramago, depois fazer viajar um elefante até Viena, mandou um pato para o inferno, terrível crueldade. Note-se, ainda, que esta obra faz parte do Plano Nacional de Leitura: aliás, a descoberta do animal deve-se a um aluno de 12º.

É claro que o “pato com o diabo” não está no original. Saramago usou e abusou do engenho e da imaginação, sem que isso implicasse maltratar a ortografia.

O contrato com o demónio que se transformou em parente de Donald será, portanto, mais um resultado (in)esperado de um alegado acordo ortográfico que – insista-se – não só não é acordo como deu origem a erros que, anteriormente, eram inexistentes ou, no mínimo, residuais. Este espécime é, também nisso, da mesma família de fatos e contatos.

A não ser que… Lembrei-me, agora! Sigam o meu pensamento, por favor! A Caminho, editora de Saramago, foi comprada pela Leya, certo? Certo! A Leya, por sua vez, procura estender-se ao mercado brasileiro. Vai daí, pode ser que a opção por “pato” se prenda com a grafia brasileira da palavra, a lei dos mercados a sobrepor-se, naturalmente, às regras da ortografia, que é preciso é vender, nem que seja consoantes!

É com a ânsia de confirmar, vaidosamente, um raciocínio com tudo para ser brilhante que consulto o Aurélio. Eis a desilusão: os brasileiros, teimosos, insistem em continuar a escrever “pacto”.

De qualquer modo, as obras de Saramago, no Brasil, são editadas pela Companhia das Letras. A curiosidade aflige-me. Será que, na edição brasileira de Caim, o diabo terá direito a pato?

Entretanto, num pequeno país da Europa, os maus tratos sofridos pela ortografia já se estendem às edições dos livros do único Nobel da Literatura que a língua portuguesa recebeu, o que é mais uma maneira de propagar o erro. Também neste campo, a leviandade é o pato do dia.

dos podres da nação e outras prosas bárbaras





Imagens: https://www.facebook.com/QuemNaoOffshoraNaoMama

de visita aos amigos

Henrique Monteiro

Cavaco Silva continua a brincar com as palavras. Na sua carteira de títulos estiveram, antes de ser presidente, acções da SLN (detentora absoluta do BPN, cujas acções mais ninguém possuía). Continuar a dizer o contrário, escondendo-se atrás da afirmação (antiga) de que o investimento nesses títulos foi feito por um banco a quem entregou as poupanças é tomar as pessoas por parvas. Cavaco Silva teve, como ele próprio reconheceu, acções da SLN na sua carteira de títulos. Lucrou, tal como a sua filha (imagino que tivesse as suas poupanças no mesmo banco), com a compra e a venda de acções que não estavam em bolsa e cujo o valor, na compra e na venda, era decidido pela própria SLN (com valorizações absurdas). Pode ser mais ou menos grave, mais ou menos importante. Mas a verdade é esta. Logo, o suposto esclarecimento de Cavaco não é esclarecimento nenhum e o seu desmentido é uma mentira completa. Provada por documentos publicados na comunicação social.
Daniel Oliveira

A Câmara do Porto tem vergonha de si mesma. A companhia de teatro Seiva Trupe foi despejada de madrugada.
Carla Romualdo

Saiu Miguel Relvas entra Paulo Pereira Coelho. A quadrilha da Tecnoforma continua bem representada no governo.  Para quem não sabe Paulo Pereira Coelho foi membro da direção da JSD juntamente com Miguel Relvas e Passos Coelho. Foi também presidente da Comissão de Coordenação Regional do Centro até 2004 e gestor do Programa Foral na Região Centro tendo selecionado e aprovado o financiamento da Tecnoforma gerida por Passos Coelho. Este financiamento está atualmente a ser investigado pela União Europeia. Pereira Coelho adjudicou ainda em 2004 um contrato de mais de 700 mil euros à empresa GPS, à qual se ligaria um ano depois. Em 2008 foi constituído arguido por crime de participação económica no projeto do Galante na Figueira da Foz. Em 2009, no âmbito do negócio do Edifício de Coimbra foi investigado por depósitos de 75 mil euros, em numerário, na conta de uma empresa sua. Pelo meio há contas muito mal explicadas sobre os milhões executados no âmbito do programa Lusitanea.
Rui Curado Silva

o contínuo ciclo do lixo irrevogável

Por Ana Sá Lopes

Portas cobriu-se de ridículo na conferência de imprensa da sétima e oitava avaliações da troika - em que afirmou aos portugueses que não havia novo pacote de austeridade. Passos Coelho fez o mesmo na sessão na RTP. A apresentação do Orçamento do Estado deveria cobrir os dois de vergonha.

Afinal ainda havia quem acreditasse que com Portas aos comandos das negociações com a troika os colonizadores iriam ser convenientemente enfrentados e que, juntos, Portas e António Pires de Lima seriam o rosto de um alegado "novo ciclo" que chegaria no fim do arco-íris. Se a palavra de Paulo Portas não vale um avo neste momento, o partido dos pensionistas faleceu. Pires de Lima é mais elegante que Álvaro Santos Pereira e Paulo Portas tem mais capacidades comunicativas que Vítor Gaspar. As diferenças esgotam-se aqui, no meio do lixo, da depressão e da caminhada para o abismo.

O Orçamento do Estado é um documento vergonhoso, que privilegia os grandes interesses - a banca e as eléctricas - em detrimentos dos pobres e remediados, que são todos os funcionários públicos com um salário de 600 euros brutos. Um Orçamento que aumenta os gastos de funcionamento do próprio governo em níveis vergonhosos (os gabinetes vão gastar mais 3,3 milhões de euros que em 2012, época em que o primeiro-ministro anunciava que a austeridade começava dentro de portas), enquanto aniquila as pensões de reforma daqueles que nasceram noutros anos de chumbo e se esforçaram por nos entregar um país mais decente - e que agora sustentam os filhos desempregados por causa de uma política económica cega que trava o crescimento, a procura interna e a criação de emprego.

O que está em curso é o desmantelamento do país tal como o conhecemos, a reboque de uma experimentação económica comandada por pessoas que não elegemos (embora boa parte do governo em funções se identifique com o estoiro, na certeza de que do alto dos seus cargos e futuros cargos em grandes empresas nunca terão de se confrontar com as dificuldades do cidadão comum.

Já se sabia que o "novo ciclo" era uma mentira porque havia um compromisso prévio de corte de 4 mil milhões de euros. Mas quem falou do novo ciclo não foram os funcionários públicos, foram os partidos do governo, dolosamente. Dizer, como Portas e Passos Coelho, que isto "não é um novo pacote de austeridade", é chamar imbecil a um povo inteiro.

é urgente um exorcismo que escorrace o grão-tinhoso

Tem muitos nomes e assume muitas caras para melhor nos levar à certa. Tanto lhe chamam diabo como satanás, satã ou demónio, chifrudo ou grão-tinhoso, demo ou dianho, diacho ou capeta, belzebu ou maligno, mafarrico ou diabrete. Eu cá chamo-lhe, por inteiro e com a certeza que me dão as evidências, Pedro Manuel Mamede Passos Coelho, o que veio das funduras para nos tramar. É no seu inferno que temos vivido nos últimos dois anos. O inferno da fome, do desemprego, do empobrecimento contínuo, num diabólico ciclo de centrifugação, trituração e tormentos sem fim à vista. Ele tanto tem sido íncubo como súcubo, tanto tem abusado de homens como de mulheres, para ele dá-lhe igual o sexo dos mártires desde que consiga os seus intentos, tanto lhe dá como lhe deu que sejam novos ou velhos, empregados ou desempregados, doentes ou sãos as suas vítimas, condenadas que estão ao fogo eterno. É tudo carne para a fornalha maior depois de, está bom de ver, terem pago a sua continha na Terra, liquidada que esteja a factura de terem vivido sob o signo de belzebu. Mas o satã, enquanto tritura e tortura os seus reféns, lhes retira o último tostão, a última gota de sangue, a última vontade de sobrevivência, vê os gabinetes do seu covil aumentarem as despesas em 1,3 milhões de euros. Assalta os pobres para dar aos nobres, aos seus lacaios, súbditos, assessores, algozes de serviço, os lambe-cus de língua afiada na defesa do mafarrico, assim seja a tença generosa e o dianho pródigo. Dizia-se que tinha o séquito mais pequeno deste mundo e do outro. Mas não tem parança a entrada de aprendizes de satanás no seu reino de terror, para melhor o ajudarem a banir o bem e a fazer o mal. O mal e a escaramuça.

Cheira a enxofre e Chanel no covil do grão-tinhoso.

No Sábado, em Alcântara de pé ou na ponte de carro, vamos dar tudo por tudo para findar o calvário. Para que Passos fuja como o diabo da cruz. Eu, por mim, já decidi: levo réstias de alhos e um odrezinho de água-benta. Vai ser a minha primeira excomunhão, o meu último exorcismo. A peçonha vai jorrar pelas sarjetas. A cloaca transbordará. Lá, onde o céu nunca se vê, onde a luz nunca surge ao fundo de qualquer túnel.

Digam comigo:

Exorcizamus te, omnis immundus spiritus, omnis satanica potestas, omnis incursio infernalis adversarii, omnis legio, omnis congregatio et secta diabolica!


Assim seja.

de visita aos amigos


Ilustração de Gui Castro Felga

Lembram-se quando o Presidente da República falava em limites para os sacrifícios? Não foi há muito tempo. Era outro o governo. E era outra a interpretação de Cavaco. Mas dava-nos jeito que tivesse um pouco de vergonha na cara. Afinal, o homem ainda é o mais alto magistrado da Nação. Infelizmente.
Texto de José Teófilo Duarte

Hoje lá recebi a cartinha. No remetente, a Segurança Social. No destinatário, o criminoso que precisa de fazer uma apresentação quinzenal ao Estado, eu próprio. Lá dentro, o ISS convida-me encarecidamente a reembolsar 6% do valor dos subsídios de desemprego de Agosto e Setembro. O Estado precisa, eu tenho de devolver. Toma lá que é para não não me armar em desempregado. Quem me mandou sair de uma empresa que já me devia cinco meses de ordenado? Se não encontro trabalho, é porque não quero, sou um parasita. A esmola que o Estado me dá todos os meses é necessária para desenvolver o país. Se o Estado tiver de pagar aos 500 000 portugueses que ainda recebem subsídio, não tem depois dinheiro para injectar nos bancos ou para suportar a descida do IRC para as grandes empresas. Ainda bem que grande parte desta gente (os parasitas) está desempregada há bastante tempo, pois assim vai perdendo o direito ao subsídio. Devolvo de bom grado os 6% que os anti-patriotas do Tribunal Constitucional consideraram serem indevidamente cobrados a desempregados e a pessoas doentes. Quero que Soares dos Santos tenha uma reforma digna; que António Mexia possa manter o seu estilo de vida; que Ricardo Salgado possa esquecer-se de declarar oito milhões de euros ao fisco; que Arnaut e Catroga continuem a servir o país na administração de empresas dependentes do Estado. É para isso que eu sirvo. Ficarei mesmo à espera de receber em casa a próxima missiva da Segurança Social. Talvez traga dentro uma cápsula de cianeto. Se eu não encontrar trabalho nos próximos tempos, posso sempre abdicar de ser um fardo para o Estado. O Governo merece, os empreendedores deste país merecem, o futuro e o progresso não podem esperar. O país precisa de mim, e se for necessário dar a vida por ele, cá estarei.
Texto de Sérgio Lavos

Enquanto Passos Coelho estiver no poder, a renegociação não será vista como a melhor opção para os credores. Eles sabem que têm um amigo na presidência e outro em S. Bento. Enquanto eles lá estiverem, os credores estão garantidos. A dívida vai ser sustentada. Os portugueses, esses, é que vão ficar sem sustento.
Texto de José Vítor Malheiros

17/10/13

os engates e indecências de um coelho insaciável


Acha as fotografias de sexo indecentes? Acha que estou a passar das marcas ao estigmatizar este pobre sítio, conotando-o com o acto carnal que perpetua a vida?

Eu justifico-me, se tiver a fineza de me continuar a ler.

Indecente é termos um coelho a copular-nos. A violação é constante e grosseira, quanto mais tem mais quer. Em dois anos, perdemos muito, perdemos quase tudo. E ele não se vai ficar por aqui. As ganas com que se tem atirado a nós são nada, são preliminares, comparadas com o que está para vir. O nosso silêncio encoraja-o a investir as vezes que quiser, como quiser, com a brutalidade que lhe aprouver, que de sádico e de louco tem ele e não é pouco. Tudo porque nos temos limitado a desviar a cara, a fazer uma careta, a fechar os olhos e a fingir que ele não nos está por cima a conspurcar-nos. Para ele, Portugal é um prostíbulo onde vai para se servir de carne fresca e dos lucros na caixa-registadora. Enxotá-lo, só, já não basta. É preciso castrá-lo, nem que pela força castrense. Para que se lhe acabe o cio. O viço. O vício. 

queixa-crime

Ontem, Mário Soares sugeriu que Cavaco Silva devia ser julgado por causa do caso BPN. Solícito, pressuroso, protector da honra do chefe, Duarte Mendes, deputado do PSD, o mesmo partido de outro Duarte, o Lima, defende que Soares deve ser alvo de penalização criminal.

Esta carta não prova nada. Mas convinha ser esclarecida. Ao menos isso. Quem não deve, não teme.


roubos escondidos são os que lhes sabem melhor

O crime fácil não dá pica. É como assaltar uma velhinha, por esticão, numa rua deserta. E as gentes que, governando-nos, se governam, sabem disso. Do que gostam é de desafios difíceis, de arriscar cada vez mais, de violar a Constituição e de nos violar a nós, sem preservativo para que o risco seja maior.

Leia-se:

"Os cortes nos subsídios de desemprego e doença estão em vigor desde 25 de Julho, no entanto, o governo não aplicou estes cortes em Agosto e Setembro, antes das eleições autárquicas. Agora, está a enviar cartas a exigir que os beneficiários dos referidos subsídios devolvam, no prazo de um mês, o dinheiro dos cortes que não foram efectuados."

Lembro que estes cortes tinham sido declarados inconstitucionais pelo respectivo Tribunal.

Mais em:

Imagem: Nuno Ferreira Santos/http://p3.publico.pt

a grande revolução da língua portuguesa

Cágado ou cagado? Acta ou ataActo ou atoFricção ou Frição? Cacto ou cato? Facto ou fato? Omnipotente ou onipotenteEgipto ou EgitoSúbdito ou súdito? Aritmética ou arimética?

É por estas e por outras que tais que não adoptei a nova ortografia. É areia demais para o reservatório que carrego no cocuruto.

Mas, como se não bastasse o acordo com o qual a maioria está em desacordo (mas também não estão de acordo com o governo e este não cai nem por nada), aparecem-me agora os criativos governantes da Nação - ainda ontem dizia que as ideias lhes jorram dos cérebros como merda em cu de elefante diarreico e não ando longe da verdade - com um vocabulário totalmente diferente daquele que aprendi.

O mal deve ser meu, que resisto à mudança, que não me adapto aos novos tempos, que sou um parafuso pelos vistos enferrujado nesta engrenagem que se quer oleada, limpa como cueiro de recém-nascido.

No meu tempo, quando se mandava um empregado para o olho da rua dizia-se Despedimento. Agora não. Agora fala-se em Requalificação. Também aprendi que Empobrecimento significava depauperar, arruinar, tornar pobre. Agora não. Agora diz-se Ajustamento. Se alguém tomava uma decisão Irrevogável, isso queria dizer que não voltaria com a palavra atrás, que a intenção era definitiva, inabalável. Agora não. Agora, a palavra irrevogável caiu em desuso, foi substituída por Reversível, ainda deve ser uma consequência do acordo ortográfico, uma simplificação linguística que abre Portas ao dito-por-não-dito. E ainda há mais, muito mais. Memorando de Entendimento? Ocupação do País. Ajuda Externa? Roubo Generalizado. Austeridade agora diz-se Desigualdade. Corrupção passou a ser Documentação Mal Preenchida. Corruptos são Parceiros de NegóciosCorte substitui a palavra Imposto mas, na prática, são uma e a mesma coisa. Orçamento de Estado quer dizer Certificado de Falência. Indignação é Pieguice. Emigração rebaptizou-se como Oportunidade. Constituição designa-se agora por Letra Morta. Estado Social não são mais do que Gorduras. Ainda quer mais? Então vamos a isso: Desastre Económico virou Progresso Económico. Roubo é, tão só, uma Obrigação Fiscal. BPN tornou-se BIC. Presidência da República passou a mencionar-se como Residencial Sénior de Belém. Impunidade tomou o lugar de Justiça. Feriados e Fins-de-Semana são Direitos Abusivos. Férias são DesperdícioGreves são Crimes. Manifestações são Actos de Vandalismo

Ainda estou, no entanto, para perceber o significado de Condição de Recursos. Que quererá isto dizer? Assalto? Abuso de Poder? Assassínio Premeditado? Ou será antes a versão, revista e actualizada, da expressão Injecção Atrás da Orelha, prática malfazeja atribuída aos vermelhuscos mas onde, pelos vistos, os laranjóides é que são especialistas?

Estou a ficar velho. Vou pedir a reforma, da Pátria, da língua e a minha própria. Ainda haverá lugar para mim em Belém?

cerco ao constitucional

Coelho e as crias da coelheira tudo têm feito para atropelar a Constituição. É notória a sua aversão ao Tribunal Constitucional, o único incómodo que sofrem num país onde, salvo raras excepções, os partidos, figuras públicas e organizações de trabalhadores não os beliscam por aí além, uma manifestação aqui, uma vaia acolá, e não se passa disto.

Coelho e as crias da coelheira mostram como, além de seres desprovidos de qualquer laivo de humanidade, números para quem as pessoas são números, são também vingativos. De acordo com o OE para 2014, o Tribunal Constitucional vai ser a única instância judicial a ser afectada por um corte no seu plafond. Todas as outras - Tribunal de Contas, Supremo Tribunal de Justiça, Supremo Tribunal Administrativo e Conselho Superior de Magistratura - verão aumentados os seus fundos.

Cá se fazem, cá se pagam. Lá fora comes. Ai se te apanho. Agarrem-me que eu vou-me a eles. Estás aqui estás a comer.

uma canção para coelho, que anda lá por fora a lutar pela vida

http://sol.sapo.pt
Esfalfa-se em viagens, conselhos de ministros, encontros com os jornalistas, seminários, debates no parlamento, contactos e beija-mãos com Merkel, José Eduardo dos Santos, Christine Lagarde, Barroso. Luta como um leão, nunca como um coelho, pelas nossas vidas. Sabe que, empobrecendo-nos, nos torna mais fortes. Merece uma canção. Merece um caixão. Pelo menos o da História. Pelo menos o da memória.

Lá por fora. Fora!

welcome to portugal, a paradise on earth

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Eduardo Martins/http://www.ionline.pt