21/02/15

os mortos que paguem a crise!

Os ricos, os muito ricos, não pagam crise nem porra alguma!

Até agora, ao contrário do que diz o "nosso" primeiro, são os pobres e os remediados a fazê-lo. Diz o "nosso" primeiro que não tem mexido nos salários e nas pensões de menor valor. Mas esquece-se, o "nosso" primeiro, dos impostos indirectos como o IVA, dos cortes no subsídio de desemprego ou no RSI e outras contribuições de carácter solidário implementados pelo Estado para que o estadinho viesse agora eliminar. Sim, os pobres, os muito pobres também pagaram a crise e de que maneira, ao contrário dos barões assinalados, os Salgados e os Zeinais e os Granadeiros mais os multimilionários que, esses sim, vêem crescer a sua fortuna a olhos vistos, indiferentes à desgraça alheia.

Leio hoje que os agricultores da nova Aldeia da Luz, no Alentejo, continuam a pagar IMI das suas antigas terras submersas pelo Alqueva. Ou seja, terras que o Estado lhes expropriou e que o estadinho faz de conta que ainda existem para poder cobrar mais uns valentes euros para cobrir a dívida criada pelos barões assinalados, os Salgados e os Zeinais e os Granadeiros, mais os Loureiros a dias, os Oliveiras e Costas e outras bostas que tais que é o que cá há mais.

Sendo assim, se se paga imposto por terras que já não são nossas, porque não obrigar a pagar imposto quem desceu à terra e já não é nosso?

Faça-se um levantamento, ó senhores das Finanças: todos os mortos dos últimos vinte anos passam a pagar imposto por ocupação abusiva de terras.

Tivessem ido morrer longe.

indignidade é ...

Indignidade é prometer uma coisa em campanha eleitoral e fazer exactamente o seu contrário. Indignidade é aceitar que três mangas-de-alpaca venham ditar ordens em Portugal, sobrepondo-se aos ministros do País. Indignidade é orgulhar-se de ir mais longe do que a troika nas medidas de austeridade e gabar-se disso aos quatro ventos. Indignidade é apregoar a necessidade de empobrecer os portugueses e cumpri-lo. Indignidade é culpar os portugueses, todos, sob a falsa acusação de que vivemos acima das nossas possibilidades. Indignidade é responsabilizar o Partido Socialista, ano após ano, discurso após discurso, entrevista após entrevista, por uma crise provocada pelo colapso financeiro que eclodiu na América em 2008. Indignidade é mandar os portugueses emigrar ou chamar-lhes piegas. Indignidade é provocar a precariedade no emprego. Indignidade é fazer com que os salários desçam a níveis obscenos. Indignidade é aumentar impostos de forma insuportável e fazer do Fisco o verdugo dos contribuintes. Indignidade é reduzir salários e pensões. Indignidade é aumentar, colossal e propositadamente, o desemprego. Indignidade é termos um governo de cócoras diante da Alemanha, em permanente estado de abjecta bajulação. Indignidade é fazer milhões pagarem os erros de gestão de poucos, nomeadamente de banqueiros sem escrúpulos nem capacidades. Indignidade é privatizar ao desbarato o pouco património que ainda nos restava. Indignidade é enfraquecer os sistemas de Educação e de Saúde públicas com o intuito de beneficiar entidades privadas. Indignidade é termos um governo de homens, e infelizmente de mulheres também, que não perdem o sono, que não vertem uma lágrima, que não demonstram a mínima comoção ou sentimento de solidariedade perante a miséria e o desespero que têm espalhado. Indignidade é que a falta de patriotismo de que têm dado provas, que a teimosia, a irracionalidade, a crueldade, a frieza, o calculismo, a arrogância, a desumanidade que têm demonstrado, sejam percepcionados, lá fora, como defeitos comuns a todos os portugueses. Indignidade é a propaganda, são os dados manipulados, é a demagogia barata, as mentiras descaradas.

Indignidade é isto e é mais. São quatro anos de pesadelo, de agonia contínua, de revolta permanente.

20/02/15

as botas já marcham

A Europa deixa-se espezinhar pelo poderio alemão. É a terceira vez em 100 anos. Não aprendemos nada. Engraxamos as botas cardadas que nos esmagam, como povo, como Nação. Orgulhosamente cordeiros a caminho do altar onde seremos sacrificados em louvor dos mercados.


se não é, parece












a tragédia que os alemães ignoram

a criada e o patrão

Onde é que já se viu, a criada sentada ao lado do patrão? Já não há respeito pelas diferentes classes sociais, a bandalheira é total. Eu sei. Eu sei que a criada é diligente, cumpre os desejos do patrão à risca, antecipa-os, calça-lhe as pantufas, põe-lhe pó de talco no cu com o desvelo de uma santa. Eu sei tudo isso mas - caramba! - a gratidão pode ser demonstrada de outra maneira, uma gorjeta, uma carta de recomendação, um chocho.

Ainda bem que não ajoelhou. Teria que rezar.


lisboa encantada






juncker, esse perigoso homem de esquerda

Juncker disse ontem que Portugal, a Grécia e a Irlanda foram feridos na sua dignidade sob o domínio da troika - e dos seus serventuários locais, acrescento eu de minha lavra -, e eis que os até agora admiradores de Juncker, apoiantes de Juncker, eleitores de Juncker, vieram classificar de infelizes as suas palavras, ditas num ímpeto de sinceridade de que talvez já se tenha arrependido, tendo sido Marques Guedes - porta-voz do governo e da pouca-vergonha - um dos críticos mais assanhados. Até houve um elemento destacado do CDS de que agora não me ocorre o nome, bota-falador na Quadratura do Círculo da SIC, a insinuar que Juncker se terá excedido depois de um lauto repasto, bem regado subentende-se. Embora o CDS, sempre hipócrita, sempre oportunista, sempre demagogo, sempre calculista, tenha vindo elogiar as palavras de Juncker, que perfilhou como suas.

Não, não nos beliscaram a dignidade. Arrasaram-na com os bulldozers da austeridade, trataram-nos como entulho a desterrar num qualquer aterro longe da vista e do coração. Principalmente do coração, órgão que lhes deve faltar, humanóides que são, autómatos criados por Merkel à sua imagem e semelhança.


fotografias que os jornais pouco ou nada mostram

Passou-se no Parlamento Europeu. Não passou nem nas televisões nem nos jornais do luso burgo tanto quanto eu tenha visto e, juro, tenho andado atento, atento demais em acessos de masoquismo a que urge acudir a tratos de coelhotomia.



19/02/15

morte súbita


Ned Colt, ex-repórter internacional da NBC, Bob Simon, correspondente da CBS News e David Carr, jornalista do New York Times, investigavam o envolvimento dos Estados Unidos no 11 de Setembro e preparavam-se para divulgar os resultados através de um documentário.

Bob Simon morreu dia 11 de Fevereiro, vítima de acidente de automóvel. David Carr morreu no dia 12 alegadamente de causas naturais, tal como Ned Colt, falecido no dia 13.

Demasiadas coincidências.

a culpa é do mordomo



Palavra de honra que Passos Coelho me faz lembrar cada vez mais um daqueles mordomos lambeculófilos - o termo não existe mas devia - que, de tanto engraxarem a patroa, são contemplados na herança da velha senhora com generosa tença.

Não me admira nada que, para dar um empurrãozinho ao mordomo nas próximas eleições e evitar maus exemplos como o da Grécia, a velha senhora conceda a Portugal "facilidades" que recusa a outros, afinal de contas o mordomo não é só bom serviçal, é bom aluno também.

Já a sopeira, que se viu sentada ao lado do guarda-livros da megera, uma honra destas não é para qualquer um, também será merecedora de prebenda tantos os pitéus que tem sabido urdir para engordar a lambareira, uns quilos de cortes, umas arrobas de impostos, umas onças de roubos, uns arráteis de coimas, toneladas de dieta forçada para os súbditos da colónia, tudo muito bem cozinhado em tachos refulgentes.

Estamos fritos. Cozinhados em lume brando. Alimento de bestas muito pouco humanas.

18/02/15

tristes ruínas


Por Baptista-Bastos
http://www.cmjornal.xl.pt/

Há dias, numa dessas reuniões balofas, onde se diz estar a discutir-se o problema da Europa, assisti, repugnado e perplexo, a uma sessão de humilhações, cujos protagonistas eram a execrável Angela Merkel e o subalterno Pedro Passos Coelho. A madame caminhava, apressada e sisuda, seguida do obsequioso português, levemente curvado para não perder pitada do que a alemã lhe recomendava. Foi no dia em que Alexis Tsipras bateu de novo o pé a quem deseja impor-lhe uma coleira, em nome da "estabilidade" que toda a gente já percebeu impender para um só lado. No mesmo dia em que Passos Coelho deixou "para outra ocasião" cumprimentar o chefe do Governo grego, jubilosamente acolhido pelos outros circunstantes. Aconteça o que acontecer, o Syriza vai acumulando discretas vitórias, numa batalha tenaz e, à partida, de força desigual. Mas, perante a raiva mal dissimulada das forças que dominam a Europa, temos de nos entender quanto ao verdadeiro significado das palavras história, perseverança, honra e coragem. O cansaço com este sistema falsamente democrático começa a chegar à zona do estilhaço. Os partidos ditos tradicionais esgotaram-se no afã de alcançar uma hipotética hegemonia. A Alemanha presumiu adquirir, pela força da economia, uma supremacia que lhe tem sido negada quando usa as armas. Mas, mesmo nestas circunstâncias, só na aparência pacíficas, deixa atrás de si um rasto de miséria, desespero e morte. Com a cumplicidade de governantes como Passos, Hollande, Rajoy, e aqueles que antecederam estes. É uma vergonhosa capitulação, respaldada em ideologias e princípios notoriamente anti-humanos, que só poderão conduzir a catástrofes ainda mais extensas do que aquelas a que temos vindo a assistir. A vitória esfuziante do Syriza; o crescimento do Podemos, em Espanha; as movimentações sociais e políticas, um pouco por todo o lado, inclusive Portugal, não são fenómenos passageiros, nem epifenómenos, facilmente neutralizáveis. Como, aliás, se tem visto. Esta gente que alimenta o ‘rotativismo’, para se alimentar a si própria, não serve para coisa alguma, e não presta para nada. Como Pedro Passos Coelho, triste ruína, perderam a decência, a dignidade e, por último, a alma. Mas estes escombros não me deixam feliz. 


o redil (tresmalhado) da campaniça boche

http://ilustragargalo.blogspot.pt/

"que deus me perdoe"


assim nos tratam da saúde

Fila para marcação de exames na clínica de Santo António, na Reboleira.

Fotografias de Nuno Coelho.

17/02/15

lição de português para europeístas empedernidos

ENGRAXADOR: adulador, bajulador, capacho, lambe-botas, manteigueiro.









o grande carnaval da eurolândia

http://henricartoon.pt/

suserana e vassalo, um par de estalo

Diz-se que Merkel não cabe em si de contente com o comportamento dos portugueses, na pessoa do governador Herr Kaninchen. Portugal humilhado, empobrecido, envilecido mas altos voos aguardam Kaninchen em qualquer banco, qualquer instituição, qualquer associação de malfeitores endinheirados. 

São um regalo, a suserana e o seu vassalo predilecto. E nós a vê-los actuar.


os reis da bambochata












Rir não é o melhor remédio, mas ao menos é lenitivo. Em boa verdade, se tivéssemos a presença de espírito necessária para assistir às funçanatas destes senhores  a prudente distância - para não sermos conspurcados por eles -, se os efeitos da bambochata que têm levado à cena não fossem tão dramáticos, veríamos com toda a clareza que nenhum deles é de levar a sério, meros fantoches de Merkel, bobos da corte alemã, palhaços de um circo trágico, cómicos de ópera-bufa, ilusionistas de magia negra, artistas de artes malabares, tenores da moscambilha, políticos de pacotilha, peritos em petas e piruetas. 

Eles detestam o entrudo, odeiam ser os bombos da festança, mas até no Carnaval lhes levamos a mal e, a rir, também se faz vingança.

Que siga o corso. A baderna continua.