19/03/17

ele há cada besta!...


Não, não me refiro ao Trump. Nem à Le Pen, Nem ao holandês, ou à polaca, ou ao húngaro, ou ao turco, ou ao filipino, ou ao russo de mau pêlo. Refiro-me ao nobre povo que vota. Os do Trump, os trumpulineiros, já levaram na cornadura, e isto é só para começar que ainda o padre não saiu da sacristia nem a multidão se esvaiu do adro; muitos vão perder a assistência médica, muitos vão morrer por falta de seguro de saúde naquele que se diz o país mais rico do mundo, o farol da humanidade e coisa e tal. Trump, a fazer lembrar o Coelho de má memória, corta, corta cerce, a torto e a direito. Corta na assistência aos velhos, na educação dos novos, em especial se forem pobres, ou pretos, ou hispânicos, seres contaminados pela sujidade da espécie. E, como não quer a coisa, planeia reduzir os impostos dos mais ricos, dá-lhes oferendas, benesses várias, que é deles que rezará a estória.

Ele há, mas é que há, cada besta.

08/03/17

defendamos a honra, porra!

Passos está ofendidinho, coitadinho. Chamou-nos piegas, mandou-nos emigrar, tratou-nos com sobranceria do alto do seu cargo acobertado pela troika, roubou-nos, mas está magoado, o pobre coitado. A geringonça subsiste, persiste, insiste em fazer-nos a vida, ainda que ligeiramente, melhor. E, isso, Passos não perdoa nem que a consciência lhe doa (o que não é, manifestamente, o caso). Passos diz que Costa é torpe, ordinário, vil e o mais que o covil à Buenos Aires inventa com supremo deleite, num orgasmo de atoardas, essas sim, torpes e indignas. Mas as bostas só podem ir para lá. Nunca para cá. Ou Passos chora. E deplora a actuação de Costa, o degenerado que lhe roubou o pouso e a prepotência. Haja clemência para tanta demência. De um ser abaixo de qualquer classificação. Defenda a honra, pois. Será sempre um acto imaginário para quem tal coisa não tem.


ai fnac, pela vossa rica saúde!

George Orwell e o Aníbal lado a lado? Heresia! Crime a urgir punição! A gente sabe. A gente sabe que há um factor. um fenómeno, um facto que os une: as escutas. Mas Orwell condenava-as, muito à frente do seu tempo, por isso é génio e não jumento. O Aníbal, pelo contrário, promove-as e culpa outros, muito atrás de qualquer tempo. Parece o Trump. Mas à portuguesa, mais caseiro e comezinho. Deus os fez, deus os juntou, Um já foi para o convento. O outro? Aguardamos o cárcere a qualquer momento. 

Imagem fanada ao Rui Bebiano, com uma grata vénia.


04/03/17

chewing gum


De Vasco Gargalo, publicado em http://www.cartoonmovement.com/

o filho de putin


O homúnculo investe como o toiro tresmalhado que é contra a imprensa que lhe desmascara as maroscas, contra quem não lhe apara as golpadas, contra mais de metade do povo americano, porque quem não está com ele está definitivamente contra ele.

A gente sabe a história do homúnculo, a forma como se habituou a atacar quem o ataca com 100 vezes mais força. É esta a sua estratégia desde sempre. Mas o homúnculo tem outra: sair-se com tiradas no mínimo escandalosas para desviar as atenções dos seus crimes reais.

Perante a suspeita de que terá contado com uma mãozinha de Putin para ganhar as eleições, que faz o homúnculo? Acusa Obama de, à boa maneira de Watergate, ter mandado colocar escutas no seu sacrossanto quartel-general, a Trump Tower.

Que isto não vai acabar bem, já todos percebemos. Só falta saber quem será a vítima, se ele, se nós.


02/03/17

temos presidente!



O homenzinho tem uma qualquer maleita do foro psicológico. Ou neurológico. Ou escatológico. Lógico. Certo como três e dois serem cinco. Mas foi ao Congresso orar de alto e de repuxo e eis que imprensa e público embandeiraram em arco. Parabólico. Paranóico. Que presidencial foi, o homenzinho! Que siso para tão pouco riso! Temos presidente, clamaram em uníssono. Como se o tolinho da Casa Branca fosse criatura de levar a sério. Como se as palavras que profere cloaca fora fossem sentidas ou sinceras. O presidente demente mente. Mente muito, mente sempre e os actos desmentem-lhe os sons que emite pela boquinha de ânus amuado. Cada decisão sua é um atentado à decência, à preservação dos valores humanos, um a um sem qualquer excepção. O seu séquito é aquele que é, criminosos de guerra, fascistas, racistas, supremacistas, terroristas, senhores do petróleo e da alta finança atolados até ao alto do cocuruto em multimilionárias esterqueiras. Merdanqueiras.

Há que fazer orelhas moucas a palavras ocas. E loucas. Mais do que atentar ao que ele diz, há que vigiar o que ele faz. Seguir-lhe cada passo. Esmiuçar-lhe cada documento que assina. Condenar-lhe o passado e o presente.

Para que possamos ter futuro. 

10/02/17

porco, sem desprimor


Trump, ó trampa:

Jurei que não havia de haver um dia, um só, em que te deixasse em paz. E não deixo. Infelizmente, não chego mais longe do que ao meu vizinho do lado, ao meu amigo virtual, aos meus incondicionais comparsas de facebook, uns porreiraços, digo-te eu que não minto ao contrário de ti, afamado autor de factos alternativos. Persisto. Insisto. Cantando até que a voz me doa. Jurando à fé de quem sou: és um idiota, Trump trampolineiro, tão risível como a minha prima Valquíria quando, coitadinha, lhe caíram as calcinhas de renda, no dia do casamento e diante do clérigo, pelas esquálidas perninhas de virgem quezilenta.

És um bluff monumental. Uma bosta fenomenal. Não tens ideologia, a não ser a que o dinheiro te inculcou, a do roubo e a do logro e a da fraude (eu sei isso, Trump da trampa, sei-o de ginjeira porque te topo à légua, até os Goldman, os Rockefeller, os Vanderbilt, os Hilton, os Koch, os Bush conseguem ser mais decentes do que tu, vê lá até onde desceste, baixo mais baixo não há nem pode haver, e olha que, tendo-me dado ao trabalho de ler a tua estória, dos teus estratagemas, esquemas, falcatruas só possíveis num país onde o dinheiro é lei e tu o rei, estou a ser de uma brandura digna de um São Tomás Aquino, um São Judas Tadeu). 

Pena tenho eu que existam portugueses, aleijadinhos de cérebro, entrevadinhos de meninges, que te preguem loas à toa.

Amanhã, vou voltar a ti. Vou voltar a ti todos os dias. Não vou longe, sei que não, chegarei aos amigos indefectos, indefesos porque sãos. Mas algum mal, mal tamanhinho mas ainda assim daninho, te hei-de fazer, raios te partam alma danada.

Porque, aprende que eu não duro para sempre nem na terra e muito menos nos céus, dos idiotas não reza a história. E dos filhos da puta, como tu és sem tirar nem pôr, ainda menos. És um porco no mais escatológico sentido que a palavra tem (os porcos, esses, não têm culpa que a palavra se te aplique como esterco em terra infértil e luva em cara bexigosa).

És um pulha, sempre o foste. As tuas negociatas de triliões, de dólares ou pesos ou rublos pouco te importa, sempre deram para o torto e tu sempre te safaste, nunca os pagaste. Juízes, banqueiros, políticos, investidores, autoridades "reguladoras" e desregulados a nadar em dinheiro têm-te dado os benefícios da dívida e da dúvida. Idolatrando-te esperteza e, oh corolário de uma vida!, virilidade.

O povo americano, parte dele, tem os olhos postos em ti como os pastorinhos na senhora da azinheira. Dois deles morreram novos. Tal como o povo americano decretou, nas urnas, o seu próprio martírio, talvez suicídio, talvez genocídio. E o nosso também, sem direito a voto nem voto na matéria.

09/02/17

o mundo nas mãos de um louco



















Abram alas para a nódoa, o grande fanfarrão. Que entrem as fanfarras, que estridulem as cimitarras, as guitarras, os banjos, os bandolins, as concertinas, as gaitas-de-foles, os fagotes, as tubas, as balalaicas e bandurras, os berimbaus e os timbales, pandeiretas, castanholas e matracas. E o matraquear das metralhadoras. Ei-lo! O bufão chegou impante! Ei-lo! A desfilar bunda, vaidade, a indecorosa postura, não formosa e insegura, por tuítes e telejornais, viva a publicidade à borla. O gabarola já era famoso. Agora, é-o mais, como sempre almejou. O bazófias já era rico. Agora, os seus mercados não têm fim, das roupichas da Ivanka à tranca da Melania tudo se compra e se vende, até a alma ao dianho. O bugalhão já era um escarro, um cagalhão imundo e grosso. Agora, tornou-se um perigo global, uma bomba atómica prestes a deflagrar. O mundo olha-o com espanto. E cala-se, tal como calou perante Hitler e Mussolini nos idos de 30.

Foi eleito, proclamam. Temos que ser democratas, aceitar a vontade do povo, admoestam-nos de dedinho em riste. 

E nós, os amodorrados, os aporrinhados, os porreirinhos, os bem-comportados, os civilizados, vemos a besta a ganhar forma, a engordar enxúndias, a alargar o bandulho, a encher a tripa-cagueira, inchar a boquinha de cu agoniado.

Ah, é a democracia e tal. 

Aguardemos as bombas e os cadáveres. Todos temos direito aos nossos blitzkireg, às nossas valas comuns, aos nossos Auschwitz. A eleger a morte.

04/02/17

a uma boa capa nem o trump escapa



















terror na américa


Nos Estados Unidos, a falta de regulamentação rigorosa das instituições financeiras levou ao que a gente sabe: ao colapso de bancos e à tragédia de milhões de americanos que perderam os seus empregos, economias, pensões de reforma, casas e até a vida.

Agora, o idiota-mor da Pennsylvania Avenue, o pato-bravo da Fifth Avenue, quer extremar ainda mais essa desregulamentação. Ou seja, aquela promessa de que iria afrontar Wall Street era rematada mentira e aí está o seu governo, composto por multimilionários, presidentes de grandes corporações, antigos dirigentes da associação de criminosos que dá pelo nome de Goldman Sachs, que não me deixam mentir.

Claro que os que nele votaram, na esperança de verem as suas vidas melhorar, vão ter uma terrível surpresa.

Esperemos que o resto do mundo se prepare para o que aí vem. Que não se voltem a verificar ondas de choque como as da última hecatombe americana, que se repercutiram por todos os continentes. Em Portugal, a austeridade de Passos Coelho foi fruto, em grande parte, desse acontecimento. E o tartufo da Casa Branca não se vai ficar por aí. A extinção ou aligeiramento das leis para defesa do ambiente ou do consumidor virão já a seguir, assim como benesses fiscais para os mais ricos em prejuízo da Saúde e Educação para todos.

O filme de terror em que se transformou a América é uma muito longa metragem, uma super-produção com uma cabeça de cartaz de pôr os cabelos em pé a qualquer um e um elenco de monstros de fazer estarrecer um morto. Que não tenham um HAPPY END, os actores desta AMERICAN HORROR STORY. A começar pelo Donald, o esparvoado tiranete.

03/02/17

é dos tontos que reza a história


Lembro-me de algumas almas caridosas, daquelas que peroram amiúde pelas televisões com o elevado intuito de educar as plebes, terem dito que não, que Nigel Farage não se podia considerar de extrema-direita. Que dizer então do seu namoro com Trump? Ainda este não tinha tomado posse, para remissão de todos os pecados do mundo, já Nigel o visitava no seu castelo espalhafatosamente dourado da Quinta Avenida. Trump, por sua vez, recomendou o fiel companheiro para comentador da Fox News, que amor com amor se paga e os amigos são para as ocasiões. Farage saiu da mesma fornada de Trump e de Le Pen. E, minhas senhoras e meus senhores, a realidade é só uma e é aterradora, a extrema-direita está a assenhorear-se do mundo. Num balanço (nem pouco mais ou menos exaustivo), os Estados Unidos, a Rússia, a Polónia, a Hungria, a Turquia, as Filipinas já se passaram para o lado de lá, para o negrume fascista, sem contar com outras pequenas e grandes ditaduras de diferentes matizes e outras (ainda) democracias colaborantes e agradadas com a eleição de Trump. Diz-se agora que Putin está a dar uma ajudinha para que a Holanda, a França e outros se cheguem a eles. Tal como deu a Trump uma mãozinha, nada leve. Trump que, mais uma vez agradecido, embevecido com Putin, levantou ontem parte das sanções impostas à Rússia por Obama. Rezemos se formos religiosos. Resistamos se formos capazes.

toma, embrulha e leva para a tulha!







A Europa responde a Trump ... com as suas próprias palavras.

02/02/17

é preciso dominar a besta


As notícias são cada vez mais aterradoras.

Esta noite, os estudantes da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, deixaram o campus a ferro e fogo. Em protesto contra a presença de um activista de extrema-direita, ligado ao jornal digital Breitbart, que aí se preparava para discursar. 

António Guterres veio, pessoalmente e perante as televisões, condenar o muslim ban. Um facto se calhar único na história das Nações Unidas.

Quanto ao Donald, e diante da forte possibilidade de alguns dos seus nomeados serem chumbados no senado (precisa da maioria dos votos e, nalguns casos, nem os republicanos estão dispostos a dar-lhos), sugeriu, pura e simplesmente, que "se mudem as regras". A seu gosto, está claro, como convém aos ditadores.

No parlamento canadiano, os ânimos exaltam-se e já se pede que o governo de Trudeau tome uma posição contra "o fascista Trump". Foi isso mesmo que foi dito: fascista.

Segundo se diz (mas, dirá a trupe de Trump, tudo não passarão de fake news), o presidente americano terá ameaçado o seu homólogo mexicano com uma intervenção militar, caso este não aceda aos caprichos do doido incendiário lá do norte.

O tristemente célebre mad dog ameaçou ontem o Irão. Se com balas e bombas, não explicou mas a gente sabe ler nas entrelinhas. Por seu lado, a China ameaça os Estados Unidos com um confronto militar. Nuclear, que eles não fazem a coisa por menos.

Também segundo a imprensa, o maluco da Casa Branca terá, ontem, insultado o primeiro-ministro de Camberra durante uma conversa telefónica, para grande desagrado da maior parte dos australianos.

Trump contra mundum. E o mundo contra Trump.

01/02/17

shut up your fucking mouth!


Estou enjoado, enfartado do estafado argumento em defesa de Trump: que foi eleito por maioria dos votos (coisa que nem sequer corresponde à verdade). O Hitler também foi eleito democraticamente, estão lembrados? Isto diz-vos alguma coisa? Does it ring a bell nesses neurónios empedernidos, ó bons da fita? Quer-se dizer: porque o idiota foi eleito pode fazer o que quiser, é isso? Pode humilhar qualquer nação que isso não vos diz nada, não é? Pode agitar o mundo, torná-lo mais perigoso ainda, não está claro? Pode fazer dos ricos mais ricos e dos pobres mais pobres, pode perseguir minorias, pode tornar a América num país irreconciliavelmente dividido? Que importa que tenha ganho com a ajuda da democrática Rússia? Que interessa que tenha vencido através da manipulação, da mentira, da verborreia incontida? Que tem a ver para o caso que o homúnculo seja um pateta, arrogante, malcriado, demagogo, de tendências totalitárias e de ego doentiamente inchado, que está a dar gás ao anti-americanismo, a incendiar o terrorismo, a trazer ao de cima o pior do pior dos americanos? Salazar, de quem devem ter tantas saudades, foi, ao lado deste energúmeno, um menino de coro, um beatão inócuo. Deixem-se de balelas pseudo-democratas. Hipócritas. Dignos de Trump, benza-vos deus ou o diabo. Calai-vos. Hitler está morto. Pinochet também. E Trump já não deve estar nada bem.

a queda do falso midas


Wayne Perry/AP




Wayne Perry/AP

Trump é o que os seus casinos foram. Ouropel. Kitch. Novo-riquismo a rodos. Ostentação. Piroseira até mais não. A exemplo do que quer agora fazer da América, o lema de Trump já foi MAKE ATLANTIC CITY GREAT AGAIN. Com golpes palacianos, generosos empréstimos, cambalachos vários, ergueu o Taj Mahal. Trump Taj Mahal Casino, façam o favor de repetir comigo, que o nome de Trump é tão grande como a sua pessoa, vende, tem mais impacto do que qualquer outra marca, maior do que ele só Deus e, mesmo assim, se não lhe fizer sombra na Terra nem concorrência entre créus.

Trump é isto. Um imenso castelo de cartas, um palácio de areia que se esfrangalhou à primeira tempestade. Porque Trump não é Midas. E a sorte não protege os audazes, mas os vigaristas. 

Até um dia.








31/01/17

dou a mão à palmatória!


A Merkel? Essa? A Angelita? Uma excelente rapariga, prendada, bonacheirona, amiga do seu amigo. E o Bush filho? Ai filho, que filho de boas famílias, que paz d'alma, que pacífica criatura essa! E o mesmo posso dizer, aqui e agora, do Cameron, do Coelho, do Barroso, do Junckers ou Junker ou lá o que é. Todos santinhos da minha devoção. Todos cidadãos exemplares. Todos bons pais e mães de família. Esmoleres. Generosos e bons. Andei enganado, confesso. Ao lado de Trump, todos estes trastes são santos. Batam-me. Aleijem-me. Mandem vir cilícios, açoites, guilhotinas, empaladores, serrotes, forquilhas. Mereço. Oh se mereço!

don't sleep with a pig

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Cartazes de Londres. Ontem. Porque, queira Trump ou não queira, o mundo move-se e não é dele.

As imagens são do Guardian.

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