10/05/14

o coelhinho feroz

É oficial: o Passos passou-se!

Ontem, por lapso ou loucura momentânea, deve ter deixado os seus correlegionários, apaniguados e cúmplices de boca aberta, ao afirmar que, se o Tribunal Constitucional lhe chumbar alguma das maravilhosas medidas que engendrou para o País, vai aumentar os impostos. Ai aumenta, aumenta!

Diz que diz o que não diz ou não diz o que diz que não diz? Estou perdido, confuso com isto tudo. A criatura diz uma coisa e o seu contrário, aumenta e não aumenta impostos conforme lhe vem à iluminada moleirinha, mente e desmente-se, diz e desdiz-se.

Apesar das eleições, apesar da colossal propaganda eleitoral da máquina do governo e dos partidos que o apoiam, o ódio de Passos ao Constitucional, ao lobo mau, foi mais forte. E já ameaça também com um segundo resgate, caso o Tribunal continue contra ele. Contra a Nação. Contra a Autoridade.

Acreditem-me quando vos digo: este homem é perigoso, muito perigoso. Vai devorar-nos a todos.

que nos diz passos coelho quando nos quer dizer qualquer coisinha?

Por Baptista-Bastos
http://www.jornaldenegocios.pt

Há uma pergunta amável, serena e atenta que desejo fazer: Pedro Passos Coelho acredita no que diz? E adiciono outra: e que pessoas vão atrás do que diz Passos Coelho? O que ele tem falado, nestes dias e nos outros (as televisões estão sempre prontas a gravar, com obstinada teimosia e enjoo a mais pequena frase do sujeito) é de molde a deixar com espasmos no esófago o mais tenaz dos seus prosélitos. Sabe-se, por prova provada, que as suas contradições, embustes e omissões pertencem, já, ao breviário das grandes imposturas. Habituámo-nos com a rotina. Mas nem todos vão atrás desta lebre. Na festa do PSD, no Porto, o bocejo era liminar, o sorriso trocista do Marcelo era evidente, e o discurso de Francisco Pinto Balsemão, ao insistir que as raízes do partido eram sociais-democratas, antagónicas do projecto neoliberal, tudo isso revelava que começava a ser tomada como excrescência a política de Passos.

Não nos iludamos, porém. As torções à verdade, cometidas pelo primeiro-ministro com a desenvoltura que se lhe conhece, provocaram aplausos enormes. Nada de grave, se atentarmos no valor das multidões. Ortega ensinou, na "Rebelião das Massas" (ensaio marcante na minha juventude) que a relação entre renúncia e protesto tem como base a acumulação de uma grande dor: "Sob todas as vidas, na sociedade contemporânea, subjaz uma injustiça insuportável."

Creio que Passos nunca frequentou Ortega y Gasset. Faz mal. Ainda hoje, o espanhol é uma excelente leitura, porque nos obriga a reflectir para lá do que se vê e ouve. E o que se ouve, de Passos, é um chorrilho de anormalidades e de manipulações. Estamos à beira de uma catástrofe social sem precedentes, e ele assevera que Portugal, com esta política, navega no rumo certo. Gostava bem de conhecer o pensamento de Balsemão. Possuo uma razoável noção do carácter do proprietário do "Expresso." Mantive e mantenho com ele relações de amizade e estima, e sei, muito bem, o que desejava para o nosso país, o apoio às manifestações da esquerda, a simpatia que reservava para aqueles que, inclusive na clandestinidade, lutavam contra o fascismo. Pelas suas características ideológicas não poderá, em circunstância alguma, estar de acordo com Passos e que tais. E o que disse, de forma elegante, como é seu timbre, mas veemente, no aniversário do PSD, soou como uma solene advertência.

A mentira, neste interregno em que vivemos, tornou-se numa espécie de carta-de-alforria, e Passos não é o único a usá-la como argumento de fé. Faz parte dessa estratégia de poder que almeja perpetuar-se, numa Europa desprovida de sentido ético (veja-se a acção de Durão Barroso, cuja subalternidade chega a ser nojenta, e é muito considerado, por exemplo, pelo inexcedível Dr. Cavaco), e com capitulações morais das mais graves da história.

Pedro Passos Coelho, cujo olhar de peixe morto assusta o mais temerário de todos, deixou (ou nunca teve) de se comprometer com a decência política. Aprendemos, com o decorrer destes três trágicos anos, que possui uma sensibilidade de barata, não dispondo de convicções, que admira a subserviência e que está sempre disposto a sacrificar os interesses portugueses às imposições da senhora Merkel. Nada disto é novidade. Mas convém nunca esquecer a natureza deste homem: é um subalterno sem classe nem grandeza.

09/05/14

imagens da nossa vergonha




d. nuno, prior do crato


é votar, senhores, é votar!

Entrai, damas e cavalheiros, meninos e meninas. Vinde ver o grande circo português, palhaços, equilibristas, malabaristas e ilusionistas, muitos ilusionistas na arte de criar empregos, baixar impostos, aumentar salários, num autêntico maná caído dos céus aos trambolhões. Votai, senhoras e senhores, votai se quereis ver coelhos a saltar de cartolas, portas a abrirem-se ao paraíso, moedas a nascerem-nos nos bolsos.

Dia 25 de Maio, o maior espectáculo do mundo desce à cidade. Truões, bufarinheiros, trapezistas, vendedores de banha-da-cobra, domadores de feras mansas, contorcionistas, fanfarrões, varinas e proxenetas de fatinho de ir à missa vão animar o vosso dia, prometer-vos mundos e fundos, emitir arrotos imundos, dar com uma mão e tirar com a outra, mestres na prestidigitação e na mentira.

Providenciaremos bóias de salvação, coletes à prova de bala, sacos para o enjoo, caixões em dia de ir às urnas.

É entrar, é entrar! Venham ao Poço da Morte, à Casa do Terror, ao Comboio Fantasma, à vida adiada, à morte em vida.

Os gladiadores de faz-de-conta estão a passar pelo vomitório.

08/05/14

MUITÓ BRIGADA

Uns gatunos, não sei quantos mas aposto que foram três, troika ou tríade tanto se me dá como se me deu, assaltaram-me a casa. Depois de levarem tudo o que puderam, tiveram a gentileza de me deixar uma nota de agradecimento, escrita num acordo ortográfico lá muito deles: MUITÓ BRIGADA (sim, no feminino, mas os larápios, machos como poucos, não estão a querer mudar de sexo).

E assim me libertei de alguns tarecos e trastes que tinha lá por casa, emprego, economias, coisa pouca. Foi o meu novo 1º de Dezembro, o meu segundo 25 de Abril, o meu grito de Ipiranga.

Homessa!, não têm nada que agradecer. Eu é que, reconhecido, deposito em vós, no dia 25 de Maio na Cova da Iria ou noutro lugar qualquer, o meu voto de confiança e gratidão. Bem-hajam. Estamos no bom caminho. A minha casa ficou outra, mais depurada, mais clean, mais despojada, com a singular beleza das coisas simples.

Uma casa portuguesa, com certeza.

Venham cá outra vez. Esqueceram-se de levar os trocos da avó Quitéria. Estão na lata do veneno para ratazanas, guardado por trás da pia por onde escoamos a merda da vida.

Depois de três anos de prisão e em liberdade condicional, provem do que são capazes: que se sabem governar.

07/05/14

limpa, suja ou encardida?

Por Baptista-Bastos
http://www.dn.pt/

Uma pessoa de recta consciência não pode deixar de se indignar, com nojo e abominação, ante o cerimonial em que o inexcedível Passos Coelho anunciou a "saída limpa" da nossa subalternidade. A comunicação social e os comentadores estipendiados usaram, como na Idade Média, tubas e atabales de regozijo perante tão fausto acontecimento. E o primeiro-ministro, useiro e vezeiro em manter com a verdade uma relação conflituosa, disse a um país perplexo a seguinte bojarda: "A liberdade de decisão foi reconquistada."

A simulação da realidade brada aos céus. Portugal continuará, por mais algumas décadas, sob vigilância apertada, e a gulodice daqueles indicados nossos "credores" não se apaziguará. Os portugueses não sabem a quem devem dinheiro; mas, parafraseando a frase imortal daquele banqueiro impante, agressivo e tolo, lá que devem, devem.

Continuamos, pois, imersos na miséria, na fome e no desespero sem esperança. Um pequeno grupo de burocratas ignorantes prosseguirá na tarefa infame de dar ordens a quem quer que esteja no Governo. Nada sabe da nossa história, da nossa cultura, das idiossincrasias que, apesar de tudo, nos diferenciam. Um deles fez uma declaração comovente: iria voltar a Portugal, como turista, por causa dos pastéis de nata de Belém! A rede foi estendida com sagaz competência, e as estruturas do capitalismo tornaram-se cada vez mais vorazes, porque não confrontadas com um antagonismo competente e sólido. O "socialismo democrático" é uma desgraça por toda a Europa; há governos que o são sem estar avalizados pelo voto, como acontece em Itália. A indigência moral, política e ideológica da "esquerda moderada" abriu caminho à avalancha da extrema-direita, cuja soberba começa a ser assustadora.

Os partidários desta política, caso de Passos Coelho e dos que tais, presos na insanidade de um suicídio colectivo, já não constituem uma decepção permanente porque tornaram "natural" a aberração histórica sob a qual vivemos. Manifesta--se uma ofensiva ampliada contra o ideal democrático, e a sub-reptícia proposta de despersonalização ética, substituída pela ordem que inculca a ideia da desnecessidade de governos eleitos. O "Estado mínimo" e a entrega da representatividade política e social aos privados, tão do agrado da catequese neoliberal, não encontra resposta nos partidos "socialistas", os mais próximos de uma confrontação urgente e fundamental.

Hollande é um desgraçado sem tino, que colocou nas funções de primeiro-ministro um direitinha contumaz. Nós, por cá, tudo mal ou embezerrado. Os reforços de Jorge Coelho e José Sócrates, assomados para socorrer António José Seguro da flexibilidade demonstrada, não chegam para "dar a volta" a um partido que perdeu há muito as distintivas de "esquerda."

06/05/14

já não há saídas limpas

os ladrões polidos


De há uns três anos para cá, para mais e não para menos, temos sido vítimas de assaltos, tortura, sofrimentos sem fim. Salvo a "nata" da Nação, todos ficámos mais pobres e não se espera que a devastação fique por aqui. Até os empregos nos foram roubados, para nos forçarem a aceitar outros por salários humilhantes, que nos perpetuarão a pobreza. 

Mas os ladrões, bem apessoados e bem falantes, são gente de refinada educação. Desde Domingo, a toda a hora e instante, vêm-nos agradecer a contribuição forçada, como se nós nos tivéssemos deixado roubar de livre vontade, com gosto até.

Por mim, agradeçam-me só no dia em que for feita justiça. Ou vingança. Quando as vítimas se virarem contra os amigos do alheio.