01/05/15

esta gente despreza os nossos jovens



Por Baptista-Bastos
http://www.jornaldenegocios.pt/

Se ainda houver em Portugal quem acredite neles, que os compre. E, diariamente, surgem notícias cada vez mais desanimadoras. As televisões falam no português comum, que já não ri como ria. É um trabalho científico sobre a melancolia que nos assola e cada vez mais se acentua. A doutrina do empobrecimento, apregoada e posta em prática por Pedro Passos Coelho e os seus, transformou-nos num povo apático, à espera de algo que modifique a nossa triste vida. Aborrece-me ter de bater quase sempre na mesma tecla, mas a culpa não é minha.

Na terça-feira, o Correio da Manhã fez manchete com o título: "Jovens qualificados com salários de 505 euros". O texto, claro e elucidativo, de Raquel Oliveira, é doloroso pela extrema crueldade com que relata este aspecto do nosso viver. O Governo decreta e o patronato, contentíssimo, segue à risca as normas. Vale a pena gastar dinheiro com a educação dos filhos, quando a postulação neoliberal afasta qualquer hipótese de ajuda estatal? Perguntam os pais. Sei muito bem do que falo e dos sacrifícios que a minha mulher e eu fizemos, ainda fazemos, para os nossos três filhos conseguirem obter cursos superiores. A linguagem deve ser esta, para que todos percebam. Claro que as dificuldades não são apenas de hoje. Mas, agora, acentuaram-se até ao desespero. O texto de Raquel Oliveira, na sua necessária síntese, é suficientemente nítido para que a indignação se junte a todas as nossas outras múltiplas indignações.

O empobrecimento provocado do País, sob a alegada e despudorada justificação de que gastávamos demais, configura a miséria moral mais sórdida, registada depois do 25 de Abril. O pior é que não há entre os comentadores habituais, um sequer, que escalpelize o crime de lesa-pátria.

O próprio Marcelo Rebelo de Sousa admitiu, na última semana, que os desmandos do capitalismo estavam a conduzir as pessoas para uma situação de revolta sem saída. A simples declaração do Marcelo, pela importância da personagem e pela natureza, embora cautelosa, da declaração, mereciam uma atenção necessária e imperiosa da comunicação social. Nada disso. O balanço feito, nas últimas semanas, sobre a actuação da imprensa e das televisões, é de molde a deixar-nos prostrados. A crítica ausentou-se, foi ausentada, da sua missão fundamental, noticiar e esclarecer, e não passa de uma massa amorfa, sem grandeza nem decência, enquanto o País se afunda. Factótuns estão a substituir pessoas íntegras e profissionalmente competentes, numa dimensão até agora insuspeitada. Podem ter a certeza de que sei do que falo.

Este assunto dos jovens qualificados com salários de 505 euros merecia, sem dúvida, um tratamento televisivo mais amplo: por exemplo, nos "Prós e Contras", da Fátima Campos Ferreira, cuja audiência e procura da imparcialidade temática são de assinalar. Não se pode prolongar este silêncio cúmplice sobre os grandes problemas nacionais, nem ocultar o nome e a acção dos seus mentores.

Intolerável

Não sou a favor desta greve na TAP. Mas considero repugnante a chantagem que os governantes estão a fazer sobre os pilotos. Neste momento, já ameaçam com o fecho da companhia ou, no mínimo, 30% de despedimentos se a greve for para a frente. Esta gente não tem limites. Esta gente é perigosa, muito perigosa.


30/04/15

é desta!

Já me arrependi uma vez, ao torcer desde a primeira hora por Fernando Nobre. Mas confio que, desta vez, vou  acertar. Que desta vez é que é. Declaro-me apoiante e votante de Sampaio da Nóvoa. E que ninguém faça piadas entre névoa e nódoa. Será fácil demais. 

Alfredo Cunha

a culpa é e será sempre do sócrates!


Enquanto elementos da seita insinuam que as buscas de ontem têm a ver com Sócrates, as televisões noticiam que são consequência de escutas telefónicas a Miguel Macedo.

Eu, que não confio cegamente no que diz a RTP mas ainda menos no que a seita perjura, juro que tenho medo de viver num país assim, onde o monturo cresce a cada dia que passa.

por favor, não me obriguem a votar PS!



Debate-se agora, no Parlamento, o desemprego. Acabo de ouvir Pedro Mota Soares, em mais uma soez acção de propaganda, afirmar alto e bom som que o governo, nestes quatro anos, criou mais e melhores empregos. Para Mota Soares, e demais pandilha, ordenados de 500 ou 600 euros para jovens licenciados (e mesmo que não o fossem) são um maná caído do céu aos trambolhões. Para Mota Soares, estágios gratuitos são opíparo manjar. Para Mota Soares, a perseguição aos desempregados, fazendo com que muitos deles desistam de estar inscritos nos Centros de Emprego depois de passado o período em que têm direito ao subsídio, é uma benesse da generosa maioria que se apoderou do País e que, diariamente, nos massacra.

Ah, não me obriguem, a contragosto, a votar PS. Só para me ver livre desta gente. Demasiado asco a fervilhar em nós também faz mal à saúde.

arrastando a cruz

Repararam na cara da D. Paula Cruz ontem, durante o debate parlamentar sobre a lista de pedófilos? A senhora fulminava a oposição com o olhar, falava sozinha, deve andar cansada, muito cansada, quase à beira de um esgotamento. Deve sair de cena. Deixar-se de cenas tristes. O cargo nunca lhe foi de feição, falta-lhe sentido de Estado, estaleca, sensatez talvez.

João Relvas/Lusa/http://observador.pt/

29/04/15

vagões pouco higiénicos


anda por aí sarrafusca!


Parece que a PJ invadiu vários ministérios em buscas relacionadas com os Vistos Gold, incluindo ao gabinete do secretário de Estado, o Núncio apostólico do CDS, o tal da lista VIP também responsável por aquela entidade autoritária que nos fica com as casas e os carros e os cachuchos se lhes estivermos a dever meia dúzia de euros.

Não sei se se desconfia do Núncio ou de outro qualquer. Mas sei que este país está atolado em lama. E nós pagamo-la, à lama, ao preço do ouro fino.

atenção cidadões, cuidado cidadonas!

Há dias, por sinal um pouco antes das comemorações do Dia da Liberdade, andou no ar um projéctil de lei destinado a instalar uma espécie de censura prévia nos órgãos de comunicação social. Quem foram os autores da brilhante ideia? Os partidos do arco e do balão, do arco da governação, do balão da corrupção, e lá vai marcha Liberdade fora, só lhes faltam as botas cardadas, as camisas castanhas, os bigodinhos à palhaço gorado.

Todos acham, os do arco e do balão mais os órgãos de comunicação, que a lei eleitoral tem que ser mudada, que não se pode dar a mesma atenção aos grandes e pequenos partidos. Ou seja, um pequeno partido será sempre pequeno porque não tem possibilidade de expor os seus pontos de vista e planos para o País. Os grandes, esses, têm toda a atenção mediática. Aos partidos no poder tudo é mais fácil, basta um ministro inaugurar aqui, o primeiro-ministro conferenciar acolá, e os jornalistas lá estarão a rodeá-los, a questioná-los, a propagandeá-los. O "maior partido da oposição" tem mais problemas de visibilidade, não está no poder, mas, como é o principal candidato dentro da lógica do alterne em que vamos vivendo e sobrevivendo de Abril para cá, os jornalistas assaltam o secretário geral, o deputado, o putativo futuro ministro na mira da boca, do sound byte, da frase picante, do beliscão nas nádegas da maioria, porque é isso que faz audiências, que vende jornais, que aumenta as receitas da publicidade e que dá gozo aos potenciais eleitores.

Quanto aos mais pequenos, e pior para os que nem sequer estão no parlamento, não passarão da cepa torta, faltam-lhes meios, escasseia-lhes a visibilidade das televisões, não se constituirão alternativa ao dito alterne porque os eleitores não lhes conhecem caras nem propostas e, além disso, o português gosta de jogar pelo seguro, "cautela e caldos de galinha" e estes, ao menos, já sabemos quem são e com o que podemos contar. Ou descontar. Na carteira..

É isto a democracia. Que os cidadãos e cidadonas alegremente suportam de quatro em quatro anos, quando os políticos do arco e do balão dão por haver, afinal, gente na Nação. E viva.

O PCP, dizem os do arco mais os do balão, tem tendências totalitárias.

Olha quem fala!

28/04/15

... e o "não quero nada" também paga IVA a 23%?

Aqui está um exemplo de verdadeiro empreendedorismo, de sapiência de gestão, de sentido de oportunidade. Se a Segurança Social, se o Fisco, se o governo inventam dívidas, impostos e outras maneiras de espoliar pilim, porque não o anónimo cidadão também? Sugiro que se passem a cobrar as idas à casa de banho, porque custam electricidade, água e papel higiénico, num atentado ao ambiente e, como tal, com direito à cobrança de um imposto suplementar. Verde.

o diabo veste saias


Como parte do povoléu que a senhora tanto denigre, dou-me ao trabalho de vir aqui contestar as suas palavras de ontem, no programa Barca do Inferno. A senhora é absolutamente primária nos seus comentários, dignos de uma direita trauliteira e não de uma direita inteligente, que também a há. Mas, ontem, foi ainda mais longe do que é costume. Está totalmente enganada, D. Manuela. É verdade que uma parte do povo português se alheia dos seus deveres de cidadania, que vota mal (nos partidos que a senhora defende), que se deixa ludibriar por contos de vígaros, mas não é menos verdade que há uma boa percentagem de portugueses que se tem manifestado nas ruas contra o passismo vigente sem que esteja a pensar, directamente, nas suas "regalias" ou no dinheiro que lhe têm roubado, embora isso seja inteiramente legítimo e até muitíssimo louvável. Fá-lo por solidariedade para com todo um povo que sofre. Fá-lo por indignação. Fá-lo por sentido de justiça. Eu sei. Eu sei que a senhora disse o que disse para se fazer interessante, para ser diferente, para provocar alarido e ganhar mais notoriedade do que aquela que indevidamente tem, porque não tem mérito nem como jornalista nem, quer-me cá parecer, como ser humano. Mas estou em crer que, desta vez, lhe saiu o tiro pela culatra. Qualquer dia vai ser tão odiada como os senhores que nos (des)governam. Continuarei a ver o programa, mas gravado. Assim, posso saltar as partes onde a senhora bota faladura. Não por qualquer laivo de censura. Mas por uma questão de higiene mental. Já me basta apanhar com o Coelho, o Portas, o Marco António e demais maralha ao jantar, quanto mais ouvir a senhora à hora da digestão. Cale a boca. Ou pense duas vezes antes de falar. Às vezes faz falta. No seu caso, faz sempre.

ora cá está uma canção que vale a pena

27/04/15

estadistas de craveira

http://ilustragargalo.blogspot.pt/

Somos nós a salvação das conquistas de Abril. Para as tornar sustentáveis. O dinheiro é pouco para tanta Saúde, tanta Educação, tanto subsídio, tanta pensão. E os rendimentos dos grandes grupos económicos? E as fundações sem fundamento? E os bancos, quem lhes acode quando a coisa dá para o torto?

É preciso contenção nos gastos desmesurados com o povo. Se ele trabalha só com um fardo de palha, para quê dar-lhe dois? Se ele continua a votar em nós e a gostar de nós, para quê desiludi-lo? Albardemos o povo à vontade dos donos, mercados e Merkel. Para isso fomos eleitos. Para isso jurámos cumprir e fazer cumprir a missão que nos confiaram: preparar-lhes a cama onde se deitam, o túmulo onde jazem em apagada e vil pobreza.

Reguemos os cravos. Metamos água. Afundemos Portugal.

26/04/15

não é o que parece mas até podia ser


fuck off!


Segundo o Expresso, o PSD quer deixar Portugal num brinquinho. Devem estar a brincar. As jóias já se foram quase todas, não nos restam sequer anéis, a bem dizer já nem dedos nos restam. 

dias de desespero

Fez manchete no JN. Ontem, dia 25 de Abril. Morrem mais portugueses por suicídio do que nas estradas. 

Foi aqui que chegámos. 

Demos ao longo dos anos, nós portugueses, o poder de mão beijada a incompetentes e salafrários, a videirinhos a fazer pela vidinha, a polutos, a abencerragens que nunca por nunca ser deviam estar à frente de uma empresa, quanto mais de um país.

Foi aqui que chegámos. 

À fome mitigada por esmola, ao desemprego tido por preguiça de um povo degenerado, à doença mal tratada, aos filhos que partem levando-nos netos e afectos e pedaços de nós, aos velhos que morrem ao abandono, na mais sórdida indigência.

O mundo não pára. Atrás de tempos, tempos virão. Mas nada compensará as atrocidades sofridas, as mortes por vontade própria, o desespero, a dor das gentes nestes tempos de negrume e traição. Para muitos, a justiça virá tarde. A vingança não lhes servirá de consolo.

o casamento do ano


É oficial! Acaba de ser anunciado o evento que tantos e tão bons há tanto esperavam. Amancebados vai para quatro anos, o barão Du Gamance e a menina Irrévocable vão dar o nó, juntar os trapinhos, acasalar enfim. A cerimónia será celebrada pelo diácono Silva que aproveitará a ocasião para apelar ao amor entre todos os portugueses e portuguesas, não o amor carnal, não a luxúria, a vulgaridade de um qualquer esfreganço entre lençóis, valha-nos Deus, mas antes o amor fraternal entre irmãos e irmãs que somos todos nós, sem gritarias, sem zaragatas, na santa paz do Senhor.

As prendas de casamento deverão ser entregues no Ministério das Finanças, ao cuidado da Srª Dª Maria. A madrinha, a D. Ângela, viajará expressamente da Alemanha para honrar com a sua presença o feliz enlace. O padrinho virá de Angola no seu avião particular. O beberete será encomendado à China. A lua-de-mel terá lugar nas ilhas Caimão, onde o casal tem bens amealhados após alguns anos em empregos precários, isentos de pagamentos ao fisco e à Segurança Social. A viagem será patrocinada pelo Estado e ocorrerá num submarino posto à disposição dos nubentes como recompensa pelos altos serviços prestados à Pátria, aos portugueses, aos mercados.

Copularão como coelhos. Terão muitos jotinhas.