07/03/15

a verdadeira oposição está na prisão

http://henricartoon.pt/

concurso de legendas com prémios de truz

Coloque uma legenda nesta fotografia. Nada de palavrões, faça-o com decoro e contenção que isto é uma "casa" séria, altamente respeitadora da moral, dos bons costumes e dos mandadores da Pária, perdão, Pátria.

O autor da melhor legenda será o feliz contemplado com uma assinatura do Correio da Manhã, a compilação em vídeo de todos os programas de Camilo Lourenço, um coelho desossado para a Páscoa, uma garrafa de vinho da Herdade da Coelha produzido pelo grande vinicultor e enólogo Aníbal Silva, dois submarinos miniatura de fabrico alemão, um livro profusamente ilustrado com as belezas e atracções turísticas de Massamá e, porque os últimos são os primeiros e, neste caso, os primeiros últimos, uma excitante viagem ao berço da nacionalidade, não Guimarães, nunca o foi, mas à Fonte, antigo Poço de Boliqueime que mudou de nome para estar à altura da criatura, lugar de culto guardado para sempre no coração piegas dos portugueses.


mapa de portugal em tempos de coligação pass(ad)ista

a fraudulenta sombra da grei

novo conto de crianças

Norman Rockwell

O papá balbuciou hoje um par de vacuidades em defesa do seu petiz, o Pedrito. Vejam lá que o pimpolho, pobrezinho, tem sido vítima de bullying por parte dos malvados Tonecas, Caty e Jerónimo, entre outra canalhada lá da escola. Querem-no expulsar do pátio de recreio onde Pedrito se tem entretido a estraçalhar os brinquedos, a fazer as suas piruetas, a brincar aos polícias e ladrões, mais aos ladrões do que aos polícias porque cada um é para o que nasce e não se deve contrariar a vocação de cada um.

O papá não vê nada de errado no seu rebento, o melhor da ninhada. Nem os seus ímpetos de pequeno larápio, nem as patranhas que solta boca fora com o desembaraço dos grandes vígaros. O papá adora o seu menino d'oiro, protege-o das invejas dos que não têm a sua esperteza, o seu instinto de salafrário, a sua consumada velhacaria.

O papá do Pedrito, padrasto da Nação, adora o seu tesourinho. Só lhe ficam bem os bons sentimentos. Um filho é sempre um filho, mesmo que não preste para nada.

05/03/15

os queixinhas

Norman Rockwell


Os meninos Pedro e Mariano foram fazer queixas do Alex à Sotôra Ângela e ao mestre-escola João Paulo. Invejam-lhe a popularidade, têm medo da sua frontalidade, da sua generosidade, eles que são avessos à partilha, à solidariedade, ao amor por quem quer que seja a não ser por eles e pelo desperdício dos seus umbigos. Arruaceiros e intriguistas, roubam os chupas aos outros ganapos mas eles, nem pensar!, dos seus bolsos não sai um bilas, um balão, uma bala pela certa no futuro, por agora só cotão e bedum. Cábulas, copiam nos exames com tal artimanha que ninguém dá por isso. Por baixo da carteira, dão pontapés aos putos da frente. À socapa, beliscam as miúdas, não por prazer sensual, que não têm, nunca terão, mas pelo gozo de mal fazer.

Fingem-se pobres para levar à certa os incautos, tocados pelos seus andrajos e olhos de carneiro mal morto. Querem ser alguém na vida bajulando. Espezinhando. Mentindo com todos os dentes que ainda têm na boca. Roubando canetas, borrachas, sebentas, moedas, o que lhes vier parar às mãos de dedos sujos, dadas ao gamanço. São porcos e mal enjorcados. Merecem um chumbo, nunca passarão de primários, primatas. Estão a pedir um sopapo, uma surra, um pontapé nos fundilhos.

Ou um murro nos pequenos cornos.

exortação às massas em tons de laranja e negro


Salte o vídeo para os 34 minutos e 20 segundos, nem mais um nem menos um a não ser que queira engolir um chorrilho de inverdades e demagogia. A partir daí, poderá assistir a uma dignificante lição de moral proferida em plena coelheira, feito valoroso da história Pátria onde se exortam os portugueses a honrar os seus compromissos, a pagar os seus impostos a tempo e horas. Um prodígio de dissimulação e de negação da própria prática, pessoal e política. Um momento único, um documento ímpar, um monumento à hipocrisia erigido em tons de laranja e negro.

etapas da evolução humana

Alex Falcó Chang/http://www.cartoonmovement.com/

os aleijões de um cidadão pouco perfeito


focinhando na lama


Passos & Albuquerque é uma empresa de ilimitados recursos, dedicada a negócios pouco recomendáveis. Numa tentativa de eliminarem a concorrência grega, foram mais longe na tramóia do que os seus aliados do empório alemão. Ninguém ficou convencido e até Juncker, o patrão da multinacional europeia, veio ontem confirmar o que Passos & Albuquerque têm desmentido.

Há muita verdade no rifão que diz que mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo. Se bem que, neste caso, sendo Passos & Albuquerque dirigentes do Cabaré da Coxa, a frase atinja conotações mais vastas. 

portugueses em liquidação


Os contratos de PPP - cavalo de batalha que deve ter perecido nalguma liça por Alcácer-Quibir porque pouco ou nada se ouve falar deles -, nunca foram mexidos pelo actual governo. Os contratos com os trabalhadores, os compromissos do Estado para com os cidadãos, esses sim, têm sido rasgados em nome da sustentabilidade, do défice, da dívida, das gorduras que é preciso derreter "custe o que custar", no dizer de quem já nos chamou piegas, já nos mandou emigrar, nos trata com o desprezo com que os senhores de outrora lidavam com a plebe imunda. Mas as PPP, essas, continuam de vento em popa, intocáveis, blindadas, para gáudio de grupos económicos dirigidos por antigos dirigentes do arco da corrupção a que chamam governação.

Mais grave ainda, o Fisco - organismo do Estado - é agora um cobrador de fraque diligente e voraz, ao serviço das PPP rodoviárias. Por outras palavras: o Fisco, entidade pública sustentada por todos nós, está a usar os seus meios, gananciosos meios, e brutais também, ao serviço de entidades privadas.

Mas o escândalo não se fica por aqui: a lei, decretada pelos deputados da Nação lá para as bandas de São Bento do milagre da multiplicação de lucros, determina que as multas ascendam a centenas ou milhares de euros a incidir sobre alegadas dívidas tantas vezes irrisórias.

A propósito, vem-me à memória, mais uma vez, Alcácer-Quibir: é fartar vilanagem! 

Estamos em liquidação total. Qualquer dia, não nos restam sequer as sopas de cavalo cansado para acalentar o estômago e amainar a raiva.

Que os santos nos protejam. Com excepção de São Bento da porta falsamente aberta. Na verdade, está fechada. Tão blindada como os tais contratos.

04/03/15

o coelho está frito?

Acaba de saber-se que, entre 2002 e 2007, Pedro Passos Coelho foi alvo de, pelo menos, cinco processos de contra-ordenação e de execução fiscal.

Pronto, está bem, não estamos perante um "cidadão perfeito", ele próprio o admitiu, mas, que raio!, tanto berbicacho em redor de um primeiro-ministro não é motivo mais do que suficiente para erradicar o Coelho do menu?

Dizem algumas alminhas, sempre prontas a tragar repasto de tal forma nefasto, que estamos perante uma campanha contra o excelentíssimo pitéu por ser ano de banquete, ou antes, de eleições para o melhor maitre de hotel, a melhor bonne à tout faire, o melhor chef, o melhor concièrge, o melhor chauffeur e a melhor femme de ménage da senhora Merkel, já para não falar do mais canguinhas dos comissaire aux comptes. Por isso lhes cai mal tanto condimento salgado, tanta nata azeda, tanto molho avinagrado vertido sobre a iguaria com que alguns se alambazam com tamanha ferocidade que, pobres diabos, não conseguem reprimir os flatos e os arrotos de volúpia consolada.

Eu, cá por mim, fico-me pela dieta. Coelho bem regado, só se for com alguma substância que me escuso a mencionar aqui por poder constituir, esse seria pelo menos o veredicto da D. Paula, claro incentivo à prática de actos de terror, crime a ser severamente punido pelos barras do tribunal.

Fiquemo-nos pelo Coelho mal passado.

o faltoso, a estátua e o paraíso com inferno dentro


Sabia que José António Cerejo, o mesmo que agora veio trazer a público, no jornal com este mesmo nome, a displicência de Pedro Passos Coelho em relação aos seus deveres contributivos é o mesmo jornalista que, há uns largos anos, também investigou a falta de pagamento de SISA por parte de António Vitorino?

Isto para que não digam que Cerejo está ao serviço dos malvados oposicionistas. E também para que não repitam que os políticos são todos iguais. É que Vitorino, e olhem que nem sequer vou lá muito à bola com a criatura de notável pequenez política, demitiu-se de imediato do governo de Guterres. Passos Coelho, antes pelo contrário, enfrenta os críticos atacando-os. E não se demite. Nem quando Portas foi irrevogável, quanto mais agora que ainda há tanto servicinho por fazer, tanto escravo por criar, tanto pobre por produzir, tanta empresa por privatizar, tanto empregado público por despedir, tantos impostos por aumentar, tanho dinheiro a dar a ganhar aos grandes deste mundo.

Claro que, fosse este outro país, Passos não tinha que se demitir de livre e espontânea vontade. Já tinha sido despedido por obra e graça do presidente da República. Mas Cavaco mantém-se calado, firme e hirto no seu claustro de marfim. Um totem. Um espantalho. Um monumento fúnebre. Uma estatueta de igreja. Uma figura de cera a espalhar cerume e azedume pelo palácio do nosso desencanto, uma espécie de Versalhes menor, ao jeito de quem o ocupa.

Lá fora, e os exemplos são múltiplos, governantes houve que abandonaram os cargos por faltas menores do que esta. 

Mas Portugal é um paraíso com inferno dentro.

03/03/15

bater, bater, até batíamos

https://antero.wordpress.com/

o bacanal das ratazanas

Hoje houve reunião magna lá para as bandas do PSD.

PPC discursou.

Para dizer que lhe podem esmiuçar à vontade as contas, dívidas, declarações, cartas registadas, o que aprouver aos senhores jornalistas ao serviço do contra. Até podem encontrar mais qualquer coisita que ele é humano como outro qualquer (embora não pareça) mas, olhai senhores, terá sido por lapso, se calhar por esquecimento, quiçá um erro na interpretação da lei, a culpa é do contabilista, dos repórteres metediços, dos inimigos, amigos da chicana política, da intriga palaciana, das escutas em Belém, das contas na Suíça, do ténement à Paris, da loiça das Caldas, do Licor de Merda, dos caralhetes algarvios, dos tomates do padre Inácio, pode não ter havido infante mas que ali houve moinante e marosca já não há dúvida, tantos portugueses o crêem, os mesmos que acreditam no Pai Natal, nos contos da Carochinha que é formosa e bonitinha, nas promessas eleitorais em que se jura "dar" para depois "roubar" sem que ao Inferno se vá parar.

A verdade é só uma, a de PPC e ai de quem se atreva a apontar mais alguma: a fortuna nunca lhe sorriu, vive dos rendimentos, um assalariado como Amorim, um quase operário em construção, um podre de pobre, a Tecnoforma foi um erro de secretaria - não foi Mota Soares? -, não enriqueceu no desempenho de cargos públicos - ouviste Sócrates? -  e não favoreceu ninguém a não ser Merkel, e os ricos entre os ricos, e os mercados, e o FMI, e o BCE, e a União Europeia de Barroso, o Durão, não aquele que saiu do PS de candeias às avessas por causa do devaneio de Costinha com os investidores chineses, vá lá, vá lá, nem tudo é Mao no Tó embora tenha saudades do outro, com o Tozé era um descanso, um seguro, favas contadas.

PPC discursou. Toda a gente gostou. Teve palminhas. Bisou.

o carácter de um homem


Então, em que ficamos? As dívidas à Segurança Social prescrevem ou não prescrevem? E quanto é que Coelho deve, 2 mil e tal, 5 mil e tantos ou os largos milhões com  que o Correio da Manhã faz hoje parangona? E se realmente estava em dívida, como ele próprio admite, por que raio é que Mota Soares veio dizer, pelos vistos mentirosa e levianamente, que tudo não tinha passado de um erro de secretaria? E o homem, é apenas distraído ou um rematado trapaceiro? Pode alegar desconhecimento da lei, ele que foi deputado e é primeiro ministro para mal dos nossos pecados e carteiras? Desconhecer a lei iliba-o de responsabilidades sabendo que qualquer cidadão, por mais bronco que seja, não se pode desculpar com tal ignorância para justificar o incumprimento das suas obrigações?

Parecem coisas de somenos. Mas não são. Por estes actos, palavras, contradições, sinais de desprezo pela cidadania e os seus deveres, se vê o carácter de um homem. E um homem como este nunca poderia ter sido figura maior de um país. De uma república de Coimbra, talvez. De um cói de salteadores, sem dúvida. De um banco em falência fraudulenta, também não vou contra. Mas primeiro-ministro?

Nestes tristes anos que levamos de Coelho mal passado, indigesto, daninho para a saúde de qualquer um, os portugueses têm sido alvo de escandalosos assaltos por parte do fisco, da SS, de empresas públicas e não públicas mas que contam com a conivência do Estado. Inventam-se dívidas, aumentam-se coimas, criam-se taxas e impostos, reduzem-se salários, retiram-se pensões, ameaça-se, penhora-se, condena-se sem apelo nem agravo.

Com que moral, pergunto eu, a não ser a de um xerife de Nothingham batoteiro e rapace ou o déspota de uma qualquer república das bananas, pode Coelho vir agora exigir que paguemos mais para a Segurança Social, alegando a sua insustentabilidade?

Infelizmente, não existem neste mundo, e acho que nem no outro, um Robin dos Bosques, um Zorro, nem mesmo um Cavaleiro Andante que nos venham ajudar a combater a infâmia. Temos que ser nós os nossos próprios heróis, com poderes até hoje insuspeitados. Basta ter a coragem de usá-los.

01/03/15

varoufucker

ménage à trois?


Na prática, há dois partidos de direita: o CDS e o PSD. Sem contar com o novel partido de Marinho Pinto que ainda não se percebeu muito bem o que é, uma no cravo, outra na ferradura, o que é preciso é dar palha à cavalgadura. Salvo seja.

Quanto à esquerda, PS à parte que esse é como aquela Maria, a que vai com as outras quer elas sigam para o bailarico ou para a matança do porco, a esquerda, dizia eu, ai a esquerda, a esquerda, não tem siso nenhum. Além do PCP e do BE, há agora o Livre mais uma série de partidelhos, cada um na sua, fiéis à respectiva doutrina, pergaminhos, crenças, ideologias, facções, manias, clientelas e quintarolas.

E eis senão quando, como diria o meu Tio Segismundo muito dado à prosápia inútil, a Joana Amaral Dias vem anunciar a criação de mais um p'rá colecção. Acho que se vai chamar AGIR.

E assim vamos nós, arriscando-nos a que mais uma vez a direita abocanhe o poder e nos lixe com as letras que está para aí a pensar. Ou que, em caso de empate técnico, como auguram as sondagens de mau agoiro, venha daí um ménage à trois com Pedro, Paulo e António, os três da vida airada, o cocó, o ranheta e o malvado facada em alegre acto de fornicação do povoléu.

Tenham juízo. Isto não é o da Joana. Nem do Jerónimo ou da Catarina. Vão-se ... isso ... lixar com as letras que não quero aqui escrever.

União precisa-se. Os tempos são graves de mais para dogmas e caprichos. Para teimas de gente, quer-me cá parecer, atoleimada.

assalto malogrado

Mota Soares veio em socorro do seu capo de coligação: Passos Coelho não devia nada à Segurança Social, foi "um erro de secretaria", enganaram-se no alvo, imperdoável, crime de lesa-pátria, urge que rolem cabeças, no mínimo o despedimento, a prisão!

Pergunto-lhe, Dr. Mota Soares: quantos mais erros de secretaria têm sido perpetrados nos últimos tempos lá pela sua Segurança Social? Quantas mais pessoas, essas sim injustamente, são incomodadas e atormentadas e literalmente assaltadas com pagamentos "em falta", coimas, penhoras, ameaças de processos nos tribunais e o diabo a quatro, a oito, a dez?

Diga lá, Dr. Mota Soares: são enganos, são acções propositadas para sacar mais dinheiro ao papalvo ou serão razoáveis e bem intencionadas as investidas da SS?

Faça isto, Dr. Mota Soares: além da SS, crie uma Gestapo. Os portugueses andam a pedi-las. Matreiros, caloteiros, calaceiros, chicos-espertos, autênticos gregos paralíticos, diria de nós também o Dan Brown lusitano!


a amante do investidor chinês


A grande cabra discursou nas comemorações do ano da dita. Meteu o pezinho na poça, revelou mais do que devia, as suas intenções espúrias foram expostas, a verdade nua e crua veio ao de cima. Cabra que berra, bocado que perde. Perde uma boa oportunidade de ficar calada. Perde o respeito de muitos que ainda se iludiam com cantos de sereia e falas de puta sabida. Que seja condenada ao lupanar eterno num qualquer boudoir do casarão cor de rosa. 

Quão longe estamos já dos discursos do Congresso, tão para a frente, tão à esquerda. A montanha tinha parido um Rato.