15/05/15

foi linda a festa pá!

As fotografias, nunca antes tornadas públicas, são de Jorge da Silva Horta. Um 25 de Abril que tantos querem agora tripudiar e repudiar. Um passado inteiro e limpo. Um presente despedaçado e sujo. 













14/05/15

laranjas contentes

Leio com horror que PS e CDS-PSD estão iguais nas sondagens. O português eleitor é definitivamente pateta ou irremediavelmente masoquista. Os laranjas excitam-se. E nós? Safar-nos-emos de um melão?


se é para uniformizar, embora lá!

No outro dia, ouvi o Malaca Casteleiro dizer que o Acordo Ortográfico em que trabalhou incansavelmente ao longo de anos e anos teve por objectivo uniformizar a língua entre todos os países de expressão portuguesa.  Assim sendo, os brasileiros têm rabo ou somos nós que vamos passar a ter bunda? E as senhoras, as de cá passarão a usar calcinha ou são as de lá que usarão cuecas? De fato eles vestem fato ou nós, de facto, de futuro envergaremos terno? O governo de cá rouba-nos a grana ou é o de lá que lhes sonega o carcanhol? Passamos a ir à lanchonete ou são eles que vão ao café? Vamos beber um bagaço à tasca ou uma cachaça ao boteco? E o tipo que defende a baliza, é para eles guarda-redes ou, para nós, será goleiro? E como nos passaremos a mover? Nós de trem, ônibus, bonde, ou eles de comboio, autocarro, eléctrico? Esperamos pelo transporte na parada ou continuaremos a fazê-lo na paragem? Respeitamos a bicha na paragem ou antes a fila na parada? E aquele gajo porreiro, de pêra, que vai a sair da esquadra? Vamos ter que dizer que é um cara legal, de cavanhaque, a sair da delegacia? Se quisermos agrafar um relatório, recorreremos a um grampeador ou a um agrafador? E se o nosso fito é afiar um lápis, agarramos num apontador ou num apara-lápis? Fomos à privada e não usámos a descarga ou fomos à retrete e não puxámos o autoclismo? 

E por aqui, pela merda, me fico. Em castelo. À Casteleiro. Em bom português, do único, porque merda é merda, aqui ou no Brasil.


13/05/15

os chicos-espertos

Banha e Durão

Banha e Portas

Banha e Balsemão

Banha e Cavaco

Banha e Catroga

O nome de Francisco Banha diz-lhe alguma coisa? E o de Francisco Nogueira Leite? Eu digo quem são: a empresa do primeiro Chico é colaboradora da Parvalorem, a entidade que ficou com os despojos do BPN cuja factura nos continua a ser apresentada. O segundo Chico é o presidente da Parvalorem. Dá-se o caso de ambos terem trabalhado para a Tecnoforma por onde Passos Coelho também andou, Banha como responsável pela contabilidade, Leite como gerente.

Mas à baila, no artigo do Público que pode consultar mais abaixo, vêm outros nomes ligados ora ao PSD ora ao BPN ora à Tecnoforma ora à Parvalorem. E, ao que parece, continuam a dar-se todos muito bem, a  amparar-se nesta hora difícil em que os portugueses apertam o cinto com vontade de lhes apertar os gasganetes.

E é vê-lo, ao Banha, entre os grandes da Nação, de Durão a Cavaco, de Catroga a Balsemão. Simples afinidades políticas, dirão alguns. Amigos, simples amigos com negócios à parte, dirão outros. O polvo agigantou-se, cresce imparável, lança os seus tentáculos, dirão muitos outros. E digo eu.

A ler:
http://www.leituras.eu/merito-minha-gente-merito-estado-contrata-contabilista-da-tecnoforma-para-gerir-creditos-do-bpn/?utm_medium=feed&utm_source=FeedPress&utm_campaign=Feed%3A+As-Minhas-Leituras+%28As+Minhas+Leituras%29#sthash.zTAZJYSx.dpbs

Imagens recolhidas no site de Francisco Banha:
http://franciscobanha.com/

razão tinha o outro, as vacas sorriem-lhes


Esta gente tem uma vaca que nem o mais possante toiro de cobrição se pode gabar de algum dia ter possuído uma assim. O preço dos combustíveis desceu dando-nos um empurrão à economia. O BCE tem providenciado outro empurrão. Os estrangeiros andam a engraçar com Portugal e têm vindo agraciar-nos com um empurrão também. Mas quem tem ouvido notícias hoje, e se não andou por Portugal nos últimos quatro anos nem conhece o calibre dos governantes que nos regem, deve achar que é graças a eles que a economia anda a dar pálidas mostras de querer melhorar. Os arautos da coligação ufanam-se e bufam-nos vitórias retumbantes, esperanças renovadas, garantias de fartura a rodos para cada um. De empurrão em empurrão, ainda são capazes de ganhar mais uma eleição.

Os portugueses são assim. Agradecidos.

há sítios onde vale a pena ir

... e o PS, que faz?

Por Baptista-Bastos
http://www.cmjornal.xl.pt/

A vitória dos conservadores no Reino Unido animou aquela feira cabisbaixa, até então obcecada pelos números das sondagens, que dão vitória folgada ao PS. Afinal, a credibilidade, supostamente apoiada no rigor tradicional das instituições inglesas, falhara com estrondo, e os conservadores haviam pulverizado todas as conjecturas. O entusiasmo tornou-se notório nos discursos e na gesticulação jubilosa de Passos Coelho. Os militantes do CDS não demonstraram igual regozijo. A festa não lhes pertence: é mais do parceiro de coligação. O CDS é uma rémora – existe porque alapado ao mais forte e tem de ter muito cuidado para subsistir. Quando Paulo Portas exagera (está em sua natureza) nas birras e nas infantilidades, imediatamente se desdiz, certamente aconselhado pelos companheiros mais velhos e sensatos. Mas é um parceiro imprevisível e imponderável. Passos Coelho está farto das traquinices de Portas, como se entende do panegírico recém-saído. Atura-o até quase à humilhação porque foi atingido pelo viagra do poder e porque representa interesses ávidos. É um homem tristíssimo, de rosto fechado e frio, assaltado de pequenas angústias quotidianas; além disso, pouco mais sabe fazer do que aquilo que faz: política e da má. Andava apoquentado com o seu futuro, mas aquela ascensão dos conservadores ingleses deu-lhe outro ânimo. Até se nota nos jornais e nas televisões suas afectas. Enquanto a apreensão de Portas é disfarçável, Portas é um actor de gabarito, António Costa parece não dar conta da ameaça. Tem-se quedado numa retórica de dizer mal do adversário e pouco mais. Esse "pouco mais" atormenta camaradas e amigos e, em geral, o português médio, cansados do arrocho nos lombos que lhes tem sido aplicado, com zelo e inclemência, pelo primeiro-ministro e os seus. E o regozijo dos PSD’s ao regresso das sombras do élan vitorioso devia, acaso, despertar mais a aparente indiferença dos dirigentes dos PS. As sondagens valem o que valem. É verdade. Mas se valeram, de forma retumbante, para os ingleses, o modo pode repetir-se em Portugal, pensam os do PSD. Que fazer para sacudir a indolência socialista?, cujas iniciativas se reduzem a um "estudo" sobre o que vão fazer. A apagada e vil tristeza do nosso viver ameaça ser uma praga lançada por gente maligna. Que fazer?

12/05/15

o grande alterne no lupanar português

Daqui, salva-se Maria de Lurdes Pintasilgo que, em 100 dias, fez mais reformas que Coelho em quatro anos. Digam lá a esse senhor que cortar pensões, baixar salários, subir impostos, destruir a Saúde e a Educação não são reformas, são pulhice e da grossa.


o que tu queres sei eu!

http://www.portugal.gov.pt/
"O ciclo de reformas que levámos a cabo não deve ser interrompido", escreve Coelho no portal do governo, esse grande veículo propagandístico pago por todos nós. Ou seja, Coelho quer ser reeleito. Para aprofundar "o maior e mais ambicioso programa de reformas para o País das últimas décadas". Coelho não está contente. Acha que os trabalhadores ainda ganham demais, que os reformados têm pensões chorudas sonegadas ao Estado, que as leis laborais ainda são demasiado inflexíveis, que os impostos para as empresas não são tão baixos como deveriam ser. Portugal ainda não é a China da Europa. Mas está quase. Votem nele. Ele quer continuar. Não está cansado. Nem sente o ódio que por ele nutrem cada vez mais portugueses.

Em plena campanha eleitoral, voltaram os exageros dos publicitários ao serviço de Coelho. Voltaram as promessas, as mentiras, os engodos com amanhãs cantantes.

O que ele quer sei eu. Vamos-lhe fazer a vontade?

passos coelho, um humanista afinal


É a revelação do ano. Que digo eu? É a revelação da década, do século, do milénio: afinal de contas, Pedro Passos Coelho é um grande humanista, um homem sensível, um ser que tem dedicado a sua vida ao bem dos seus semelhantes. Pelo menos, foi o que tentou dizer Marco António Costa na apresentação da biografia de Passos no Porto, ao lado da biógrafa e da execrável Zita Seabra (desculpem a beliscadura, que nem a propósito vem, mas a mulher, sempre que falo dela, sempre que a vejo na pantalha, provoca-me náuseas, moinhas na tripa cagueira).

Então não é que António Costa, mas este com Marco à frente, um marco na vida política nacional, se referiu a Coelho enaltecendo-lhe, e passo a citar com os dedos trementes de indignação, o "traço de atitude humanista"?

Pensando melhor, a expressão até terá a sua razão de ser. Deve ser um traço muito fininho que mal se lobriga. Deve ser uma atitude tão rara que a gente normal, que não o Marco, não a descortina em lado algum.

A não ser que humanista seja aquele que apostou os últimos anos da sua vida a empobrecer os portugueses, a gamar as pensões dos velhos, a parir desempregados e sem-abrigo, chamando-lhes piegas ainda por cima, indo mais longe do que a troika só porque sim, orgulhando-se todos os dias e todas as horas da obra feita.

Se assim for, Pedro é um humanista, Mamede é um humanista, Passos é um humanista, Coelho é um humanista. Botem humanista nisso, enquanto eu vou ali ao espelho compor o nó da gravata. Para a minha fotografia de grande estadista.

10/05/15

não clara, claro que não


Não há dúvida, se as eleições conduzissem ao poder quem na verdade o merece, há muito que os povos de todo o mundo viveriam em ditadura. Os eleitores votam, salvo na Grécia, salvo num ou noutro país do "terceiro mundo", à direita, quanto muito num centro de socialismo engavetado, de hollandismo e de blairismo, de sócratismo e, talvez se Passos e Portas não conseguirem mais trunfos do que as mentiras e promessas que têm para dar, de costismo.

Veja-se o que se passa na Grécia e digam-me lá se exagero: o povo votou à esquerda (esquerda radical, dizem os defensores do mal) e eis que toda a Europa, socialistas engavetados incluídos, tudo tem feito para derrubar o Syriza e impedir que a Grécia se liberte do jugo da austeridade.

O Costinha da Câmara, que iniciou a sua caminhada para o poleiro com um discurso mais ou menos à esquerda - quem não se lembra dele no Congresso? - virou à direita enquanto o diabo, Portas e Passos esfregaram um olho. O pré-programa do PS propõe-nos a meiguice de uma austeridade melada, mas a gente vai dissecar as linhas e ler nas entrelinhas e o que vê, para além de promessas de moderação no roubo, é despedimentos mais facilitados, privatizações para continuar, impostos injustos no meio de outros que, é verdade, poderão contribuir para uma maior justiça social se forem aplicados, o que duvido.

Ontem, no Eixo do Mal, Clara Ferreira Alves (que gosto aliás de ouvir e ler) afirmou que o problema da esquerda é o seu eterno discurso de protecção aos pobrezinhos, que estes o que querem é deixar de ser pobres e não de serem amparados na sua indigência.

Ou eu percebi mal, ou a Clara se explicou mal, ou está enganada. Redondamente.

O problema da esquerda são os políticos que se dizem de esquerda e governam à direita. O problema da esquerda é o dinheiro que a direita tem para propaganda perpétua, os jornais são dela, as televisões são dela, a falta de escrúpulos, a faculdade de prometer, de mentir, de envenenar, são dela também quase em exclusividade.

A esquerda, D. Clara, a verdadeira esquerda e não a esquerda dos socialistas engavetados, não faz o discurso de protecção dos pobrezinhos, esse é apanágio da direita. Veja-se a actuação deste governo e do ministro Mota Soares, que mais não fizeram estes anos do que reforçar a caridadezinha, subsidiando-a, encorajando-a, ampliando-a, dando novos nomes, agora chama-se empreendedorismo social, a uma acção pautada pela hipocrisia, pela facilidade com que os ricos lavam consciências como os criminosos lavam o seu dinheiro.

Pelo contrário, D. Clara, a esquerda, a verdadeira esquerda e não a dos socialistas engavetados, luta pela modificação da sociedade através, entre outras coisas, da educação gratuita e universal, que permita a cada um poder lutar, independentemente dos seus meios e segundo os seus próprios méritos, para escapar à miséria onde teve a má sorte de vir ao mundo.

Mas, à direita, convém-lhe um povo deseducado, que lhe dê o voto, a ela ou aos socialistas engavetados, o que para o caso vem (quase) dar no mesmo por muito que se degladiem e se finjam inconciliáveis inimigos.

A esquerda, a verdadeira, não é pura nem isenta de erros ou pecados, alguns muito graves, outros ampliados desmesuradamente pela propaganda capitalista. Mas à direita, e aos socialistas engavetados, de quantas falcatruas, de quanta trafulhice, de quanta velhacaria não os podemos acusar? De quanto egoísmo, de quantas mortes têm sido responsáveis, de quanto sofrimento, de quanta injustiça? Quantos milhões ainda morrem hoje de fome porque os senhores da alta finança assim o decretam, com o entusiástico apoio dos seus lacaios ou, na melhor das hipóteses, com o beneplácito envergonhado dos socialistas engavetados?