04/07/15

OXI! OXI!

Nem Merkel, no seu próprio borralho, escapa ao NÃO grego.

engolirá um NÃO, regurgitará vingança


há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz NÃO!



With all my heart and soul, I'm with the Greek People for the NO, anti-Merkel, anti-austerity, anti-arrogance and greed!

Good luck for tomorrow!









vêm-me à cabeça palavras como pocilga, vara, grunhido, deve ser do sol que apanhei no cocuruto


"Aos portugueses, eu gostava de dizer que olhem para a Grécia, que pensem no que se está a passar na Grécia, porque era exatamente isso que poderia estar a passar-se em Portugal, se não fosse, se não tivesse sido a determinação do Governo português e do seu primeiro-ministro, que quero saudar".

Durão Barroso na apresentação do livro de Miguel Relvas

uma questão de honra

Por Baptista-Bastos
http://www.cmjornal.xl.pt/

O cerco de humilhações com que a Europa dos ricos tem sitiado a Grécia fornece bem o retrato de quem manda e de quem é subalterno. Deploravelmente, o Governo português tem alinhado com aqueles que perderam a dignidade, em nome de um poder ideológico aparentemente vencedor. Mas não o é. Os gregos têm mantido uma grandeza admirável ante a ofensiva dos mais fortes, que faz daquele povo um bravo combatente contra a absurda e criminosa teologia do "sistema". O Syriza apenas não quer manter a brutal austeridade imposta por burocratas, que lhe exigem, com total desconhecimento da História e da actualidade real, uma servidão inconcebível. Sabe-se, hoje, que o grande patronato grego, sustentando-se nas sinuosas exigências do "mercado", se tem oposto, junto do FMI, às decisões do governo de Atenas. Este somente deseja cumprir as promessas eleitorais que o levaram ao poder. O patronato grego exige que se façam cortes nas pensões e nos vencimentos, que se não toque no IRC e que o IRS seja aumentado: um violentíssimo programa contra o Estado Social, e brutalmente antagonista do próprio ideário que fundou a Europa. Enfim: a panóplia de repressão económica que os portugueses bem conhecem e que nos deixou pobres como Job. O Podemos, que já é uma considerável força política em Espanha, manifestou-se a favor do decoro do Syriza, e, pela Europa, alastra o mal-estar pela teimosia dos dirigentes da "União", e aumenta a simpatia pelos que confrontam esse poder. Quando a senhora Christine Lagarde, "proprietária" do FMI, atropelando os bons modos da diplomacia e da educação, declarou que os gregos tinham de começar a ser adultos, o coro de indignações subiu de tom, e a sobranceria de quem julga mandar na Europa atingiu uma expressão totalitária. Mas torna-se cada vez mais evidente que esta desumanização e este culto pelo dinheiro, por absurdos e desprovidos de sentido, não podem continuar. A crise de valores é passageira como todas as crises. O "sistema" quer correr com o Syriza do governo de Atenas e, para tal, recorre a todas as peças de que dispõe, sejam elas decentes ou indignas, praticando sempre a intriga e a conspiração. A Grécia pode perder esta batalha desigual. A honra não a perderá.

carta irada aos europeus de cima

Caros Europeus do Norte,

Chega de insultos. Estou farto de que muitos de vocês, aí em cima, nos considerem gente menor, cidadãos de baixa categoria, habitantes da periferia, suburbanos enfim. Escrevo em meu nome mas, tenho a certeza, milhões de pessoas em Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha subscreveriam as palavras que aqui vos deixo. Nós não somos PIIGS, sigla de mau gosto que os senhoritos da alta finança e baixa moral inventaram para melhor nos achincalhar, a nós, os do Sul, e à Irlanda a Norte. Estudamos, se nos for dada essa oportunidade, tanto quanto vocês. Trabalhamos, se nos for dada essa possibilidade, tanto ou mais do que vocês. Não somos mais, não somos menos.

Metam isto nas vossas cabecinhas de uma vez por todas: não andámos a gastar acima das nossas possibilidades e os nossos salários foram sempre muito inferiores aos vossos, ganhamos abaixo das possibilidades dos nossos patrões. Essa atoarda, de que gastámos para além do que podemos, mais não foi do que um pretexto que engendraram para nos fazerem expiar os desmandos, os erros, as vigarices de alguns banqueiros de pescada do alto, máfia e praga que, agora, deu em mandar no mundo, faz de deus poderoso e omnipotente, especula com dinheiro que não há e, sempre que as coisas correm mal, nos manda a factura para pagarmos. A vocês também, não se iludam, embora nós, os do Sul, sejamos os seus clientes favoritos, alvos preferenciais da sua gula.

Acham bem a ingerência dos vossos políticos na vida das nações a Sul? Concordam com as chantagens, as mentiras, os insultos sobre os gregos que chegam ao ponto de, descaradamente, sem qualquer respeito pelas funções que exercem, gozar abertamente com os dirigentes de um país soberano, pares dos vossos governantes e não, nunca subalternos?

Claro que nem todos se comportam como os governantes gregos. Os do meu país, desgosta-me muito ter que dizê-lo, são meras criadas de servir, moços de estrebaria ou de fretes, ridiculamente mesureiros, cegamente obedientes, subservientes até ao embaraço. Se Portugal está como está, a eles e a outros como eles o deve. Culpem os nossos políticos primeiro e, depois, podem apontar-nos o dedo também porque os elegemos. Eles governam para proveito de uma casta, mentem-nos a torto e à direita, usam o Estado como instrumento de agitação e propaganda a seu favor. Temos gente a comandar-nos os destinos que, fosse este outro país, há muito teriam sido demitidos por um presidente que se visse.

Eles sim, merecem o nosso e o vosso desprezo. Mas, pelo contrário, acolhem-nos, aí pelos vossos países, com o respeito que nos vão negando a nós. Assim não, não podemos ser amigos.

03/07/15

quantos patriotas há à direita?

Um português que ame a sua pátria gostará de ver Merkel derrotada no Domingo, através da vitória do NÃO no referendo grego. Derrota passageira, porque ela saberá vingar-se com o conluio dos seus homens de mão, os que lhe comem na mão as migalhas do poder. 

Pacheco Pereira já disse que votaria NÃO. Miguel Esteves Cardoso já deu a entender o mesmo. Quantos mais patriotas haverá à direita e, já agora, na ala direita do PS?

Lusa/RTP

a virgindade recuperada dos canalizadores de serviço


Que terá dado a certas pessoas de certos grupos do facebook que, contra o que sempre foi costume, começam agora a ofender-se por tudo e por nada, quais donzelas de virgindade subitamente retomada? Se se diz mal de Costa, do António, aqui d'el-rei, se se usam palavrões, ai jesus que linguagem imprópria!, se se compara Merkel a Hitler, que despautério, se se dá uma opinião, forte como as opiniões devem ser, é fanatismo!

Será - pergunta perfeitamente inocente, juro-vos pelas minhas quatro alminhas -, será que são infiltrações, agora que se aproximam eleições e os canalizadores precisam de estancar a água suja que eles próprios fizeram transbordar? Vamos ter rosas e laranjas a laborar no caneiro?

Por mim, continuarei a escrever SEM CENSURA. Quem me quiser bloquear, faça favor. Ala que já vai tarde.

só o meu cão não tem um blogue


Fiquei agora a saber que os prisioneiros, pelo menos alguns, podem ter computador na pildra, acesso à internet e escrever num blogue com total liberdade. É o caso de um inspector da Judiciária preso em Évora. Que veio agora dar uma entrevista à Sábado onde conta, sem ponta de vergonha, alegados pormenores do seu alegado convívio com Sócrates. As suas sensacionais revelações em primeira mão não aquecem nem arrefecem, em nada comprometem Sócrates e, além disso, vindas de quem vêm, de um bufo afinal, pouca credibilidade e respeito merecerão, a não ser dos pasquins do costume. 

O homenzinho quis arrear no preso. Mas arreou o preso: ele próprio. Um cagalhão é um cagalhão é um cagalhão. Imundo e grosso, encontra sempre um esgoto por onde escoar os dejectos que vomita. Seja a Sábado, seja o Sol, seja o Correio de manha feito.

É até possível que tenha recebido dinheiro para evacuar. Essa sorte não a tenho eu nem o amigo leitor.

bravo!, eles são capazes de tudo

«Jorge Bravo é economista. Na sua carteira de clientes, destacam-se os fundos de pensões e dos seguros, que há vários anos vêm defendendo um reforço dos descontos para os sistemas privados e que são parte interessada nas políticas públicas para a Segurança Social.

[...]

Mas como a vida custa a (quase) todos, o Governo pagou a Jorge Bravo para que ele defenda que a Segurança Social é insustentável. Desta vez, saíram dos cofres do Estado 75 mil euros. Mas, já em 2013, Jorge Bravo, quando a direita procurava justificar os cortes nas pensões da Caixa Geral de Aposentações (e que foram chumbados pelo Tribunal Constitucional), recebeu do Governo 40 mil euros para fabricar um papel a atestar a insustentabilidade da Segurança Social.»


Texto e foto; http://derterrorist.blogs.sapo.pt/http://corporacoes.blogspot.pt/


a gangrena europeia

Claro que é fácil falar. É fácil, para mim, dizer que votaria NÃO no referendo grego. Pela democracia, pela liberdade, pela soberania. Mas ... e se fosse de facto grego? Optaria pelo NÃO, por cortar a perna e estancar o mal de imediato ... ou pelo SIM, deixando a perna intacta na esperança, ténue mas ainda assim alguma, de que a gangrena não seja irreversível? Esta é a pergunta difícil que os gregos terão que responder no Domingo. Torço pelo NÃO. Entenderei o SIM. É quando a dor é maior que um lenitivo, apesar dos seus graves efeitos secundários, é por nós mais desejado.


02/07/15

merkel não pode ganhar o que hitler perdeu

Após o encerramento da banca grega, consequência da chantagem da solidária Europa dos Coelhos e demais lacaios da frau, certas dependências bancárias abriram as portas para pagamento das pensões aos reformados, sob condicionalismos e em confusão a raiar o caos. O desespero destes homens e mulheres, que deveriam merecer todo o nosso respeito e generosidade, está patente nestas fotografias. 

É preciso pôr cobro a estes cada vez mais evidentes sinais de ditadura generalizada. Merkel não pode ganhar o que Hitler perdeu. Cabe-lhe a si agir também. Enquanto é tempo. Assine esta petição. Por si, pelos seus, por todos nós.

https://secure.avaaz.org/es/grexit_es_loc/?fYmKJbb&pv=65&fb_action_ids=882025628536496&fb_action_types=og.shares

Yannis Behrakis/Reuters/Expresso
Alkis Konstantidinis /Reuters/Expresso
Simela Pantzartzi/EPA/Expresso

Flotis Plegas G./EPA/Expresso 
Simela Pantzartzi/EPA/Expresso

Yannis Behrakis/Reuters/Expresso 
Yannis Kolesidis/EPA/Expresso

Jean-Paul Pelissier/Reuters/Expresso

Stefanos Rapanis/EPA/Expresso
Yannis Kolesidis/EPA/Expresso

miguel esteves cardoso: de direita ou às direitas?

Nuno Pinto Fernandes/http://observador.pt/
Miguel Esteves Cardoso sempre se declarou de direita, foi colaborador de um jornal conservador, o Independente, é ou foi amigo dessa criaturinha que dá pelo nome de Paulo Portas, foi a certa altura candidato pelo PPM às eleições europeias. Contudo, escreveu um artigo no Público que o redime de qualquer coisa mais negativa que possa ter pensado dele, mas nunca do seu talento. Não sei se MEC continua a ser um homem de direita. Mas é, sem dúvida, um homem às direitas.

Eis o artigo:

A Syriza - a coligação da esquerda radical - foi eleita porque prometeu lutar contra a austeridade que tanto tem feito sofrer a grande maioria dos gregos.

Depois negociou com a troika. Chegou a faltar às promessas eleitorais feitas aos cidadãos gregos, propondo medidas de redução de despesa pública que incluíam cortes nas já reduzíssimas reformas.

A troika recusou a proposta da Syriza e respondeu com uma contra-proposta (sem qualquer novidade, acomodação ou sequer sinal de boa vontade) que, dada a posição declarada da Syriza desde o ano em que se formou, não poderia aceitar.

A Syriza poderia ter coerentemente recusado a contra-proposta. Mas não. Ao decidir-se por um referendo (rapidíssimo, tornando a Grécia no país mais rápido do mundo) vai deixar que sejam os cidadãos gregos (de todas as cores políticas) a decidir. Está certo. A Syriza diz, com razão, que o "não" não é nem não ao euro nem à União Europeia. Muitos dirigentes da UE dizem, sem razão, que sim, isso é que é.

A Syriza portou-se bem e a Europa, através das instituições que tem, portou-se mal.

Dito isto espero que cada grego e cada grega votem conforme o interesse pessoal de cada um e cada uma, sem ligar à abstracção do que é bom para a Grécia.

Quem gosta da Grécia e dos gregos (como quase todos e eu) tem é de se calar e deixar que sejam eles a decidir-se. Desta vez, mais uma vez: as vezes que forem necessárias, se assim fôr.

Vivam os gregos e a Grécia! Para sempre.

o sexo e o coelho na vida da minha tia laurinda


Por vezes, chamam-me radical. Bom, a falar verdade, verdadinha, também me chamam coisas piores, mas vou-me ficar pelo radical. Quero uma sociedade mais justa, quero a mitigação da pobreza, de preferência a sua erradicação, quero paz na Terra entre os homens de boa e má vontade, estes últimos à força mas nunca à forca. Não sou sequer visceralmente contra o capitalismo, veja-se como o próprio PCP apela ao consumo como forma de fazer crescer a economia. Sou é a favor de um capitalismo humanizado, regulado, rigorosamente vigiado, impedindo abusos, prepotências, egoísmos, corrupção e a aviltante acumulação de riqueza por quem paga, aos seus colaboradores, a miséria de um salário mínimo. Se isso é ser radical, pois que o seja. Mas acho que radical, radical, é antes a minha tia Laurinda. Essa sim, é radical. Tem mais trinta anos do que eu, e olhem que os meus "doces" anos da juventude já se foram há muito, mas continua a conduzir, fuma daqueles cigarros fininhos de dama perliquitetes, bebe o seu uísque de vez em quando - "para descontrair", diz ela -, viaja sempre que poupa umas massas da sua reforma cada vez mais espoliada, vai ao cinema sozinha se não tiver companhia, vai à praia, nada, toma banhos de Sol, veste fato de banho como qualquer menina na puerícia, pinta-se moderadamente como qualquer donzela púbere e ... namora com um senhor de idade igualmente respeitável, assumindo a sua relação e o seu gosto pelo sexo, "é o que a gente leva desta vida", diz usando a frase batida que, na sua boca, ganha novidade. Isto é que é ser radical. E, pelas minhas previsões mais pessimistas, a tia Laurinda vai enterrar-nos a todos, Coelho incluído. A tia Laurinda come carne, vermelha ou magra ou gorda tanto se lhe dá como se lhe deu, mas detesta coelho. Vá-se lá perceber porquê. Adoro a tia Laurinda, mesmo sendo personagem de ficção. É que é bom dar asas ao sonho e largas à imaginação. A vida é crua demais.

Radical, eu? Devia conhecer a minha tia Laurinda.

01/07/15

vital não é vital

Não voto PS e é fácil perceber porquê. Se não fosse pela política pisca-pisca, seria pelas personagens que acolhe. Francisco Assis é um. António Vitorino é outro. Mas há muitos, muitos mais, apesar de também por lá andarem Isabel Moreira ou João Galamba, por exemplo. Um tesourinho igualmente deprimente da direita do PS, que já foi comunista tal como a inenarrável Zita Seabra, é Vital Moreira. Diz ele que, no Domingo, "os gregos têm uma oportunidade de ouro para dizer adeus ao Syriza". Ah! Como eu gostaria de dizer adeus aos Vitais Moreiras deste mundo, seres reptilizados em demanda do cargo, da prebenda, das migalhas que caem no chão durante o repasto com que a alta finança, por ora, se banqueteia. Cai no chão, fica amarelo. Ora, como toda a gente sabe, amarelo e vermelho dá laranja. Quem se quer bem sempre se encontra.


o dia da libertação

É impressão minha ou pulula por aí grande alegria com a mais do que provável derrota da Grécia? O sentimento é desprezível, as razões que movem os contentinhos do Silva são mesquinhas, mas para além disso são tolos. Se a Grécia cair, cairemos com ela. 

Pensando melhor, não sei se serão tolos ou clarividentes. Estar sob a alçada da Alemanha, sob a pata de Merkel, não é coisa de que nos possamos orgulhar. E que nem proveitosa tem sido.

Virá o dia em que nos libertarão a nós, aos gregos, aos espanhóis, aos italianos, aos cipriotas, dos novos campos de concentração onde nos encarceraram, as nossas pátrias de trabalhos forçados, direitos coartados, salários minguados. Virá o dia em que os adoradores de Ângela, os apóstolos de Merkel, serão finalmente defenestrados.

Fico à espera.

sem escrúpulos nem vergonha

De inauguração em inauguração, até à vitória final, Mamede anda em campanha eleitoral com o tempo de antena que vai angariando, gratuita e abundantemente, na sua qualidade de primeiro-ministro. Isto é grave, mas pior é o que diz. Ontem deu a entender, por exemplo, que estamos a viver os últimos "resquícios de austeridade". Mas disse mais. Disse que o seu governo reforçou - leu bem: reforçou - o Estado Social. Por seu lado, Paula Teixeira da Cruz, que julgava de outra estirpe apesar de nunca ter gostado da pose da criatura, veio afirmar que a sua "reforma" da Justiça é já uma referência internacional. Onde não há escrúpulos não há vergonha. Por este andar, ainda nos vêm dizer que nunca baixaram salários, antes os aumentaram, que nunca subiram impostos, antes os desceram, que nunca houve austeridade em Portugal, antes medidas de ajustamento com que todos ficámos a ganhar. Não. Não há escrúpulos. Não há vergonha. E é triste termos gente deste calibre a decidir o destino de todos nós. É triste e é trágico, tão triste e tão trágico como ver as senhoras de Viseu, por onde Mamede andou a agitar renovadas promessas de um Estado Novo, a aconchegar-se a sua excelência, ronronando-lhe elogios de olhar melado e corações num fanico. Quem não tem escrúpulos nem vergonha está a caminho da vitória. A final. O fim de todos nós.


30/06/15

aportuguesado, travesti, cinquenta e tal anos de idade


Eleições, a quanto obrigas! Depois de, por gosto, calculismo, assomos de sadismo e laivos de uma vaga convicção ideológica, ter ido mais longe do que a troika no castigo aos portugueses, esse povo cheio de vícios e demasiado mimalho para se coadunar com o espartano viver do caudilho, eis que Pedro Passos Coelho veio hoje insurgir-se contra a "ditadura financeira", da qual deseja - sinceramente, como sempre! - que Portugal se liberte.

No meio desta declaração de boas intenções, daquelas que atafulham o inferno e os pasquins da situação, veio ainda insinuar que é possível uma resposta mais "robusta" em defesa da zona euro.

Qual, se mal lhe pergunto? Um estalo nas ventas de Tsipras? Um murro nas trombas de Varoufakis? Sanções económicas à Grécia? Expulsão? Exclusão? Excomunhão? Explique-se, senhor primeiro-ministro. E tenha cuidado, muito tino e não menos prudência. Robusta é a sua sócia, a gorda da canja, a loura da franja. Se lhe salta em cima, por cio ou desfastio, esmaga-o. Enruga-lhe a camisa. Emudece-lhe a prosápia. Sufoca-lhe os sonhos de voos mais altos. Tritura-o e come-o ao pequeno almoço, depois da evacuação matinal. Não o endurece, mas você apodrece e cai.

O vestido de chita com que se acatita, sempre que quer ser mais Merkel do que Merkel, não lhe assenta a matar. Antes o fato dos Fanqueiros. A política de fancaria. A faca neste povo madraço e estúpido. Não é, doutor? Vá lá, doutor, faça um esforço. Ainda não teve tempo para dizer as inverdades todas e o povo português ainda só tira selfies na praia, não nas filas da sopa aos pobres. Só mais um empurrãozinho, doutor. Os portugueses estão consigo nesta missão titânica para virar o país de pernas para o ar. Vivemos no céu, é o que é. Numa pátria robusta como a robustez do seu carácter.

oiçam como eles respiram!


terror na pensão europa

acendam o rastilho, o espectáculo vai começar!

O senhor presidente tranquiliza-nos: vai um, ficam 18 porque somos 19. A chanceler continua a dizer que quer "negociar" com a Grécia desde que a Grécia aceite tudo, até matar os seus à fome. O outro presidente, esquentador de águas turvas, pingando lágrimas de crocodilo pelo caneiro, diz-se traído pela Grécia a quem ele tanto tem dado do seu tempo e da sua valorosa influência. O senhor primeiro-ministro da Tugalândia insiste que temos uma almofada, se de palha ou sumaúma é que ficamos sem saber. Pateta, Maga Patalógica, os irmãos Metralha e o professor Pardal são personagens de carne e osso ao lado destes figurantes e coristas da tragédia grega que é também a nossa. Assim se verga um povo. Assim se afunda a economia da zona euro excepto a da Alemanha, refúgio de especuladores financeiros, pátria de mercados de escravos e de dinheiros. Preparem-se para o pior. O pano não vai descer tão cedo. Ainda não se ouvem os canhões ao longe. Ainda não há sangue no palco. A diva, flácida e anafada nas suas vestes de ninfa, canta a ária de abertura com a estridência de um clarinete desafinado. O criado ajoelha-se a seus pés, que maravilhosa voz de tenor tem o servo, esvai-se-lhe a alma por entre saliva numa pungente melodia de preito à dama. Nisto, rufam os tambores. Pela direita baixa, entram um espanhol, um francês, um italiano. Pela esquerda alta, um grego. O respeitável público engole em seco. Agora sim, agora é que a função vai começar a sério. A diva esganiça-se. O criado rasteja. Os outros pelejam. É o delírio, a apoteose. O teatro implode. A tragédia está no auge. A diva suicida-se. O amantíssimo servo é degolado. Os outros jazem entre destroços, despojos de insensatos e de seres degenerados. A orquestra toca um hino à estupidez humana. Magnífico Requiem por uma Europa defunta.


a calma de um líder que inspira confiança


Por Filipe Tourais
http://opaisdoburro.blogspot.pt/

Titanic, versão 2015. A Europa afunda com grande estardalhaço e cenas absolutamente comoventes. Numa delas, o capelão Junker , o tal que aqui há meses admitiu que a Europa pecou contra os gregos, diz-lhes agora que os ama muito e por isso lhes pede que votem no sim que dá liberdade à Europa para continuar a pecar mais e mais. A timoneira Merkel mandou o barco ao fundo e agora queixa-se que tem os pés molhados: “se o euro fracassar, a Europa também fracassará”. Nisto, entra em cena o grumete Cavaco a dizer que o mundo anda todo enganado: "eu penso que o euro não vai fracassar, é uma ilusão o que se diz. A zona do euro são 19 países, eu espero que a Grécia não saia, mas se sair ficam 18 países". 19-1=18. Brilhante. Tanta barulheira e afinal era só isto. Como mais uma vez se comprova, da soma de duzentos Cavacos não se obtém nem meio Presidente da República. Estamos completamente entregues à bicharada.

o que é preciso é acabar com certos tribunais!

O Tribunal Constitucional já tinha ido longe demais na sua afronta a Passos. Desta feita, é a vez do Tribunal de Contas. Vejam lá que esses perigosos comunistas, ou socráticos, ou se calhar da seita da Ferreira Leite - deverá chamar-se-lhes leiteiros? -, vieram dizer que as privatizações têm prejudicado o Estado em muitos milhões de euros e que, além disso, muitos desses processos estão manchados por conflitos de interesses. Noutro país que não neste, isto seria mais do que suficiente para que o governo se demitisse em bloco. Mas, estóico, Passos aguenta. Resiste. É irrevogável, ao contrário do outro. a sua vontade férrea de salvar Portugal das mãos dos portugueses. Um país com tantas possibilidades, tão baixos salários, leis laborais a um passo da inexistência, não seria uma pena deitar tudo a perder por obra e graça de um povo calaceiro, ingrato e rude?



29/06/15

beijo na pata ou pontapé na puta?

Carlos Latuff

remando contra a maré, venho-vos falar do "lisbon south bay"

Não percebo o reboliço gerado à volta do Lisbon South Bay, uma acção das Câmaras de Almada, Seixal e Barreiro. Trata-se de uma iniciativa que não tem por objectivo vender pedaços da Pátria ou do património, como outros têm feito com orgulho imenso. É, pura e simplesmente, um projecto que pretende dinamizar áreas subaproveitadas ou ao abandono, como os antigos estaleiros da Lisnave, atraindo actividade, industrial ou não, para os concelhos. E porque se quer captar investimento internacional, e porque Lisboa é uma referência geográfica para quem nunca ouviu falar do Seixal ou do Barreiro, por isto e só por isto é que o site dedicado a este plano se chama Lisbon South Bay. Que tem isto de tão esquisito para ter feito alastrar tamanho gozo feérico e fera condenação pelas redes sociais? Por serem Câmaras CDU? Mas esta gente de risota e raiva ainda não entendeu, passados quarenta anos, que tomaram as Câmaras entregues ao PS, ao PSD e uma ou outra ao CDS terem o rigor de gestão e o grau de transparência das Câmaras ligadas à CDU?

Lamentável é a venda da cidadania a chineses por 500 mil euros. Lamentável é a venda de tudo o que é nosso, sem o nosso acordo, por dez réis de mel coado. Lamentável é a submissão de toda uma Nação aos interesses da alta finança em geral e da Alemanha em particular. Lamentável é o empobrecimento da população no seu todo para acudir a um ou outro gatuno em particular. Lamentável é que os homens e mulheres da esquerda sincera, aquela a que muitos chamariam radical mas que é tudo menos isso, não se unam de uma vez por todas para combater o cancro que mina Portugal.

Isso sim. Isso é que é lamentável. 

https://www.flickr.com/photos/pedro_miguel_barreiros/5404176181

a grande pátria, os grandes párias

Os investidores estão a largar Portugal, Espanha, Itália e, claro, a Grécia, para se refugiarem em obrigações francesas e, sobretudo, alemãs.  Tudo por conta da crise adicional que a Europa - leia-se a Alemanha - provocou num país em crise prolongada e, agora, em morte anunciada. Tudo planeado ao milímetro, à boa maneira alemã. A Europa foi tomada fronteira após fronteira. Até França se ajoelha, por via e vergonha de Hollande, perante a grande imperatriz atroz, uma mulherzinha que, quis o infortúnio e a fraqueza dos "fortes", foi alcandorada a senhora e dona do Velho Mundo. Restam o Reino Unido, que sempre esteve mais lá, do outro lado do mar, do que cá, e a Grécia, estes filhos bastardos de um deus menoríssimo, qual Zeus, qual Afrodite, qual quê! Vamos purificar a gloriosa raça ariana, relegar os escuros e atrasados povos do Sul para campos de concentração, os seus próprios países, onde sobreviverão a trabalhos forçados e pavor.

Acha que exagero? Pois. Eu também peço a todos os santinhos do altar, gregos ou não, que a convulsão europeia não se traduza num estertor final.

28/06/15

afinal, tudo não passa de uma paródia, uma ópera-bufa, uma bufa de alemão sinistro

À volta do dono
Varoufakis protestou por não ter sido convidado para a segunda reunião do Eurogrupo de ontem. Eis a resposta que recebeu:

“O Eurogrupo é um grupo informal. Por isso não está vinculado a Tratados ou a regras escritas. Embora a unanimidade seja convencionalmente cumprida, o Presidente do Eurogrupo não está vinculado a regras explícitas”.

Portanto, meus senhores e minhas senhoras, a partir de agora podemos ficar descansados. Um grupelho de ministros das Finanças que decide a sorte e a morte de uma nação é, afinal de contas, um grupo informal. Até se devem poder levar umas cervejas para o alemão, uma ginjinha para a portuguesa, um pastis para o francês e por aí fora. Aquilo afinal é tudo a reinar.

E, pergunto eu a quem me queira responder, quando é que nos tiram desta tragicomédia? Desta cena patética? Desta gaiola de loucos?

O relato completo pelo próprio Varoufakis:

http://yanisvaroufakis.eu/2015/06/28/as-it-happened-yanis-varoufakis-intervention-during-the-27th-june-2015-eurogroup-meeting/#more-8149

para pouca saúde, mais vale nenhuma?



Quem sou eu, que de finanças mal percebo e de economia nem falar, para vir para aqui alvitrar a saída de Portugal do euro e desta União Europeia que, hoje, mais não é do que a União de Estados Germânicos, um novo império colonial de senhores e de escravos em pleno século XXI?

A tortura já dura há muito. Andamos desde 2008 a viver na corda-bamba, com cortes sucessivos na nossa qualidade de vida, sem que se veja o fundo ao tacho, a não ser aqueles que vivem de tachos e de panelinhas onde chafurdam com gulodice políticos e empresários, advogados e deputados, ministros e ex-ministros, consultores que foram políticos, comentadores alvissarados que se fingem independentes, meras correias de transmissão das tramóias e falsas glórias do poder instalado à força de mentiras e propaganda.

Nem os partidos à esquerda do PS se atrevem a ser claros e a propor a saída do clube dos mafarricos e fazer dois ou três manguitos à frau fraude, mostrar-lhe o dedo do meio, excomungá-la, expurgá-la das nossas vidas. Os mercados, de que ela é fiel serventuária, mandam, corroem, chantageiam. 

Que fazer então?

Pergunto apenas. Com angústia, raiva, esperança de que a História seja mais forte do que os minúsculos seres que a querem domar. O mundo, e não só Portugal, tem que ser outro. Por sobrevivência, sentido de honra e de justiça, o que quiserem, tudo o que quiserem, mas tem que ser outro.

É preciso discutir seriamente esta questão. Que consequências? Que vantagens? Que perigos? De que humilhações, sujeições, subjugações nos veríamos libertos? Que homens e mulheres existem em Portugal capazes de fazer, em meia dúzia de anos, o que o centrão não fez em quarenta por incompetência, desmazelo, corrupção, clientelismo, ou seja, transformar finalmente este país numa pátria apetecida, independente, progressista e de progresso?

Já batemos no fundo há muito. Agora, só podemos cavar ainda mais baixo o poço. Perfurar ainda mais longe o túnel. Sem luz à vista. Ou derrubar as barreiras que nos separam de um país inteiro e limpo.

tenha vergonha!

Os portugueses, muitos, preparam-se para repetir o erro e reeleger Passos. Eu sei. Eu sei que Passos, tal como foi hábil na campanha eleitoral de há quatro anos, prometendo este mundo e o outro numa mentira pegada, também tem sido airoso agora a gerir as fraquezas de Costa, esse valor que se julgava mais seguro do que Seguro, bem como o colapso grego, apontando-o como exemplo do que nos pode acontecer se formos rebeldes e votarmos à esquerda, ainda que a moderada, muito pálida esquerda representada pelo PS.

Não há alternativa. É caminhar alegremente para o abismo. E ao caro leitor, que olha de viés para o que aqui está escrito e se prepara para PAF(ar) nas próximas eleições, oiça o que lhe digo bem alto aos ouvidos: tenha vergonha! Por orgulho na sua Pátria que (ainda) não é uma colónia nem possessão alemã, por solidariedade para com os que perderam o emprego ou passam fome, quanto mais não seja por si, pelos seus, não faça isso. Não se suicide nem nos conduza à morte lenta. O que lá vai, lá vai, mas agora chega.

o nosso marechal pétain


O PCP apela, dia após dia, à constituição de um governo patriótico e de esquerda. Eu não exijo tanto. Da maneira como as coisas estão, já me contentaria com um governo patriótico ou um governo de esquerda e o governo de Coelho não é nem uma coisa nem outra. A sua colagem à Alemanha, tornando-os mais merkelistas do que Merkel, é não só abjecta, envergonha-nos a todos em uníssono, mesmo os que lhe são infectamente afectos.

Depois do armistício, em França, às mulheres colaboracionistas rapava-se-lhes o cabelo. Não é a solução para o nosso caso, Coelho tem-no perdido naturalmente. Que lhe cortem então outra coisa. Pode ser a língua. O bálsamo de não o ouvirmos compensaria, largamente, a relativíssima crueldade do acto.

O IV Reich tem que ser mais curto e menos doloroso do que o III. Comecemos por limpar a casa, por cortar o mal pela raiz.