01/03/14

portugal, paraíso de milionários

Ontem, num forum da TSF, disse por lá um desgraçado que os reformados que se andam a queixar, e sem razão, são os que recebem mais de 1.000 euros por mês, uma minoria de privilegiados no entender da criatura.

O homúnculo, para quem Relvas, Arnault, Mexia, Catroga, Duarte Lima e tantos outros magnates da política e dos negócios são seguramente pobrezinhos, é um fervoroso seguidor da linha ideológica do governo, para quem um salário de 600 euros é uma fortuna e, claro, qualquer um que aufira para cima de 1.000 euros é milionário, só não sabe é que o é, ainda não percebeu que pode viver numa mansão de luxo em vez de habitar num andar onde o espaço escasseia, a humidade abunda e o senhorio lhe leva uma boa parte da riquíssima tença que lhe é generosamente atribuída por uma vida de trabalho (mas, acrescentava ele, não mais do que gente preguiçosa e chula, funcionários do Estado que nunca fizeram népia, polícias e militares que se limitaram a ler jornais durante as horas de serviço e por aí fora que, acrescendo eu agora de minha lavra, isto é um país de párias e de madraços).

Mais triste ainda, é que o homem se declarava desempregado. Ou seja, se não tem outros proventos que lhe acudam na desgraça, é duplamente desgraçado.

Com gente a pensar assim, Passos vencerá!

tristes dias em fevereiro

Por Baptista-Bastos
http://www.jornaldenegocios.pt/

O dr. Luís Montenegro, chefe da bancada parlamentar do PSD, expediu a seguinte frase: "A vida das pessoas não está melhor, mas não tenho dúvidas de que o País está melhor." É uma charada, mas o dr. Montenegro é useiro e vezeiro em adivinhas deste tipo. Não se conhece, deste distinto, uma frase acertada, uma proposição equilibrada, uma afirmação justa. O dr. Montenegro não é patronímico: é um espinoteante tolejo. Como dirigente parlamentar, fornece uma ideia pavorosa do partido que representa e do que o próprio partido representa. Um amigo meu, dizia-me, há semanas, que este PSD e, decorrentemente, o Governo, é um conglomerado de neuroses, cada vez mais acentuadas com o aproximar das eleições. Não sei se assim será, embora o meu amigo tenha a reputação de psiquiatra distinto. Mas a verdade é que as coisas, para aqueles lados, não são propriamente recomendáveis.

Os desacertos multiplicam-se e, se Portugal vivesse um período político normal, com uma oposição capaz e um opositor, António José Seguro, à altura das circunstâncias, o Governo abanaria há já muito tempo. O PCP sozinho, mais o Bloco de Esquerda, não chegam lá, nem sei mesmo se estariam dispostos a chegar. O caos instalado na vida portuguesa é por de mais nebuloso, e as velhas fórmulas creiam que não chegam para se decifrar a confusão.

A frase do dr. Montenegro explica o homem e define esta época. A mediocridade, a que Cornelius Castoriadis designou de "a ascensão da insignificância", marca a Europa há anos. Basta atentar no pobre Durão Barroso e nas tristes figuras que tem desempenhado, como mordomo dos poderosos, para obtermos a imagem aproximada do grau de indigência mental, moral e intelectual que viceja no continente. Há anos, durante uma amena conversa com um conhecido intelectual, manifestei umas reservas sobre Barroso e os seus interesses. O meu interlocutor, muito ufano, declarou: "Estás enganado. Ele até lê a Maria Gabriela Llansol", como se a revelação fosse escudo para a ignorância e pleito para a cultura do nomeado.

É o universo do faz-de-conta, a fraude e a dissimulação como objectos de culto. Reparemos no que ocorreu no congresso do PSD, na falta de nível dos preopinantes, no episódio de revista protagonizado pelo Marcelo, penoso porque ele é um homem lido e culto, e na ressurreição do "dr." Miguel Relvas promovida, com atabales e cornetins, pelo dr. Passos Coelho, para aquilatarmos da categoria dos distintos, e a quem estamos entregues.

No PS, a insignificância alastra. A nomeação de Francisco Assis para chefe da delegação ao Parlamento Europeu é uma cedência à ala direita do partido. Assis é um político desenvolto, expedito, anticomunista como convém, e pouco dado ao embate ideológico, hoje mais necessário do que nunca. Creio não ser o nome mais apropriado, numa altura em que a extrema direita e a direita mais impante dominam a maioria dos países europeus. Socialistas realmente "socialistas" poderiam constituir um travão a uma avançada que se prevê trágica. Mas Francisco Assis?...

As coisas não parecem muito animadoras para aqueles, milhões de homens e de mulheres, que anseiam por uma mudança substancial nas suas vidas. Aqui, quando um dirigente político como o dr. Montenegro diz o que diz, e é só apenas gozado - tudo parece turvo e triste. Aguardemos.

vem aí um novo terramoto!

O de 1755 destruiu grande parte do património de então. Nos últimos 100 anos, pequenos sismos têm abalado Lisboa: palácios, salas de espectáculo, prédios que foram Prémios Valmor, todos têm desaparecido às mãos dos especuladores imobiliários e de edis sem amor à cidade ou, pior, apaixonados pela corrupção.

O último sismo está prestes a atingir Lisboa: a abolição - gradual, dizem eles -, de grande parte da calçada portuguesa, a favor de um pavimento "mais cómodo" para os transeuntes.

Se querem facilitar a vida a quem calcorreia Lisboa, há outras soluções: manter a calçada impecável, sem pedras soltas, usar calçado adequado e não autênticas "torres de Pisa" a fazer de calcantes, construir desníveis junto das passagens de peões para que pessoas em cadeiras de rodas possam circular à vontade. Isso sim, seria serviço público!

Por mim, e se o Costa de que o povo gosta não recuar, já tenho o meu slogan pronto na ponta da língua:
Vamos salvar a calçada, nem que seja à pedrada!






28/02/14

esperar pela pancada

Por Fernanda Câncio
http://www.dn.pt/

Disse Passos, no congresso da risota, que no meio da pancadaria - a de Molière e a outra - com que nos mimoseia há dois anos e meio as últimas arrochadas, mesmo se mais fracas, podem doer mais que as primeiras. Será? Parece é que já nada dói, ou nada já se sente, tal o estado de catalepsia em que o País mergulhou. O coma é tal, aliás, que Relvas, o Relvas que há 11 meses saiu, choroso, por "falta de condições anímicas", se animou a regressar de corpo à alma que é deste PSD. Aliás levou só um bocadinho mais de tempo que Gaspar, o ministro das Finanças que em julho reconheceu por escrito o falhanço da sua política e veio agora, impante, congratular-se no (seu) "milagre". E bastante mais que Portas, tão rápido a sair e reentrar que nisso (como em tanta outra coisa) ninguém o bate.

E, depois, de que últimas pancadas fala Passos, quando se anunciam quatro mil milhões de cortes (o mesmíssimo valor que se anunciava no início de 2013 como equivalendo à "reforma do Estado") e o mesmo FMI que arrepela os cabelos com a tragédia do nosso desemprego e nega o celebrado "milagre das exportações" prescreve baixar ainda mais os salários? Dizia esta semana o ministro Maduro, maduramente, que "é preciso pensar mais, refletir mais, tratar as coisas com mais profundidade." A gente já se contentava com um bocadinho menos de desplante. Veja-se por exemplo a notícia de ontem sobre o subsídio de desemprego.

Parece então que Governo e troika repararam ter a percentagem de subsídios anulados (por incumprimento das regras) vindo a descer, atingindo em 2013, ano do máximo histórico do número de desempregados, o valor mais baixo de sempre. Que concluem daí? Que os desempregados que recebem a prestação, apesar de serem submetidos a cada vez mais exigências, muitas delas gratuitas, humilhantes e persecutórias, se têm esforçado por cumpri-las? Que isso só pode querer dizer que estão desesperados e que o mercado de trabalho não tem mesmo lugar para eles?

Qual quê. Ante a evidência de diminuição da fraude, Governo e troika não desarmam: vão investir em cartas registadas para certificar que quem não responda a uma primeira convocatória em correio normal possa ver logo o subsídio cortado ao não responder à segunda; o número de anulações, dizem, vai compensar o gasto nos registos. E sabem isso como? Fizeram contas. Com base em quê? Isso agora: então não é bom de ver que há uma percentagem fixa de desempregados burlões (senão todos), excelmente determinada, e que só falta apanhá-los?

Realmente, não se imagina melhor forma de comemorar os 40 anos de um partido que faz uma paródia da social-democracia senão esta espécie de Estado social por equivalência, em que as prestações sociais existem para ser anuladas e a lei para acertar contas. Razão têm os líderes do PSD para rir, e Relvas para voltar: estamos mesmo no ponto.

insulto à portuguesa


Amigos meus, vamos lá pôr ordem nesta bandalheira em que se transformou a internet, as redes sociais, os chats e os chatos que gastam o curto vocabulário no insulto anónimo. Tem razão quem se queixa, tem sim senhor, pelo menos em parte.

Vamos por partes. Chamar filho da puta ao extremoso rebento de uma senhora que nunca se deu à galderice é injúria. Apelidar de palhaço alguém que não provoca a mínima hilaridade, muito antes pelo contrário, é ultraje. Dar tratos de cabrão ao marido de amante e fidelíssima esposa, é enxovalho. Contudo, longe de mim concordar com as virgens ofendidas - e ele há tantas, senhores, ele há tantas! - quando o epíteto assenta que nem luva de pelica, ou preservativo de finíssima lubrificação, no alvo do aviltamento.

Vejamos. Que dizer de alguém que rouba a não ser que é ladrão, gatuno, larápio, ratoneiro, salteador, ladroeiro? E de quem mente? Pode-se-lhe chamar outra coisa que não seja aldrabão, mentiroso, impostor, embusteiro? E a quem se está nas tintas para o sofrimento humano a não ser isso mesmo, que é desumano, cruel, insensível, malévolo? E quem reúne todos estes defeitos e nenhuma virtude, pelo menos que tenhamos dado por isso? Como condensar todos os insultos num só? Será legítimo chamar-lhe biltre ou pulha ou safado ou torpe ou infame ou abjecto ou tratante ou meliante ou traste ou infecto ou canalha ou asqueroso ou patife ou bandalho ou baixo ou vil ou sacana ou sacripanta ou ignóbil ou repugnante ou indigno ou desprezível ou velhaco ou malandro ou delinquente? Serão isto agressões verbais ou, tão só, palavras que definem, de forma escrupulosamente exacta, letra por letra, tintim por tintim, o sujeito ou sujeita a quem nos estamos a dirigir?

Quanto a mim, até se pode usar mais do que um termo de uma só vez. Podem e devem chamar-se os bois pelo nomes, salvo seja, e quem diz a verdade não merece castigo. Di-lo o povo e, se a voz do povo é a voz de Deus, está arredada qualquer hipótese de contestação. Muito menos de represália, mesmo que o objecto do impropério fosse alguém de alcandorado estatuto.

O que nem sequer é o caso.

26/02/14

escrito na pedra

Marcos Sobral/http://lisboameninadourada.blogspot.pt/

Coelho sacrifica-se. Lá carrega, há quase três dolorosos anos, esta grossa cruz de governar o ingovernável. Ulrich sacrifica-se. Perdeu parte do grosso salário que, ainda assim, continua grosso. Montenegro sacrifica-se. Continua a falar, imundo e grosso, do alto da sua maioria parlamentar. Soares dos Santos sacrifica-se. Compra por grosso e distribui com grossos lucros, tem o azar de ser um dos mais ricos de Portugal. Mexia sacrifica-se. Passou a prestar contas, por grosso, aos picuinhas da China. Albuquerque sacrifica-se. É preciso baixar o grosso défice, custe o que custar. Crato sacrifica-se. Para que o grosso da estudantada não passe da cepa torta e os docentes passem a indecentes. Portas sacrifica-se. É vice contrafeito depois de, com voz grossa, se ter declarado irrevogável durante a silly season. Se o grosso da elite pátria se sacrifica, por que raio é que os portugueses não se haviam de sacrificar? O grosso da populaça é grosseira, piegas e madraça. Se está desempregada, é porque não é empreendedora. Se é funcionária pública, é porque se encostou à sombra do Estado-Bananeira. Se é idosa, é porque não se deixou morrer na devida altura. Se é doente, é porque leva uma vida de maus hábitos. Se ficou pobre, é porque andou a viver acima das possibilidades. Se se revolta, é anti-democrata. Se se manifesta, não respeita as instituições. Se não paga ao fisco ou à Segurança Social, é fora-da-lei. Sacrifique-se o povoléu por quem tanto se sacrifica por ele. Um coliseu a rebentar pelas costuras mostrou, ao País, que outro País é possível. A revolução está a passar por aqui. O homem novo, qual fénix, renascerá das cinzas. À terra queimada, seguir-se-á um oásis de relvas onde os coelhos se propagarão. As exportações, de produtos e de portugueses, serão a nossa salvação. Merkel, a nossa soberana. O dinheiro, o nosso Deus. A frugalidade, o nosso cilício em prol da nova corte divina. Cruzes e Cristas estão entre os apóstolos do novo Cristo, Aquele que desceu à Terra para nos salvar do pecado da abundância, do progresso, da felicidade. Ajoelhemo-nos aos Seus pés. Peçamos-Lhe perdão pelo nosso maior pecado. O de viver.

os bons são como os heróis, nunca morrem

Paco de Lucia. Fica a música.


o concílio do coliseu

Por Baptista-Bastos 
http://www.dn.pt

Já o disse e escrevi: este homem é muito perigoso.


Levanta-te, e caminha"- disse o Rabi a Lázaro; e este levantou-se, impulsionado pela força divina. Milagre! Milagre!, exclamaram os que ao facto assistiram." A parábola da Ressurreição, ou do Ressurrecto sobreveio-me à memória, quando assisti a um morto, não só político, mas sobretudo moral, emergir do mundo das trevas. Foi no congresso do PSD, quando Pedro Passos Coelho fez ressurgir Miguel Relvas das tumbas da calamidade para ocupar um lugar importante da direcção do partido. Entre a perplexidade e a repulsa, os sentimentos dos circunstantes dividiam-se. Mas a notícia não deixou de ser escabrosa. O título académico de "doutor", "dr." Miguel Relvas, voltou a circular entre as afirmações dos dirigentes mais importantes do PSD, como se a ressuscitação da criatura reabilitasse a própria mentira.

Passos Coelho é um homem em constante sobressalto, tomado de pequenas angústias quotidianas. A necessidade de se impor provém das pessoais inseguranças. E a reabilitação de Relvas, assim como a expulsão de António Capucho, possui, somente, um significado: quero, posso e mando. Não é novidade. O que ele tem feito ao País é a injunção de ideias confusas, desordenadas, que pertencem a outros e que ele mistura no almofariz de uma certa perversidade.

Disse, no congresso, de que estamos melhor do que há dois anos. Mentira. E mentira desaforada. Também disse que o PSD nunca se afastou da "matriz" social-democrata. Mentira e ignorância. Nem nos seus melhores tempos o PSD foi, alguma vez, social-democrata. Aliás, a mentira e a ignorância tornaram-se razões no discurso dele e dos seus.

Passos Coelho pertence à geração da insignificância que povoou a Europa de fatuidades, por ausência de cultura política e geral, e por cansaço e desistência de quem tinha a obrigação de defender e de desenvolver os testamentos legados. Não é só ele. Marcelo Rebelo de Sousa é outro, acaso mais responsável porque lê, pelo menos é o que se diz.

Ele foi o bobo da festa, no conclave do Coliseu. Tem a tineta de açambarcar os holofotes, e quando viu que a ocasião era propícia, saltou para o tablado e fez rebolar de riso os circunstantes. Passos concedeu-lhe a esmola de um escasso sorriso, enquanto a barriga do ministro Miguel Macedo saltava de gozo e satisfação, por igual insanos.

O congresso do PSD para nada serviu, a não ser o de congregar, para as televisões e para o retrato de grupo, alguns "notáveis" desavindos, e demonstrar a falta de carácter de outros, fingidamente esquecidos das afrontas de que têm sido alvo, por Passos Coelho. Ele é que quer, pode e manda. Tem-no comprovado com minuciosa implacabilidade e extrema frieza. Já o disse e escrevi: este homem é muito perigoso.

25/02/14

a vitória nazi

Os nazis celebram a sua vitória na "revolução" ucraniana. A extrema-direita europeia ganha terreno e todos sabemos como isto vai acabar. Mas as "democracias" ocidentais, com a União Europeia à cabeça, regozijam-se com o desfecho da crise. A ver vamos onde tudo isto nos vai levar. Que desgraças nos estarão destinadas.




Sergey Supinsky/AFP

calçado na calçada






O calçado das senhoras, segundo os ditames da moda, deixou de ser constituído por sapatos. Agora andam de andas. Em pedestais. Artefactos de actividade circense. Periclitantes escadotes. Estaleiros de onde se estatelam tanto faz que caminhem sobre fino mármore ou em estrada alcatroada. O rendilhado que temos sob os pés, poemas de pedra de beleza ímpar, corre o risco de desaparecer. Costa, o da Câmara e não o do Castelo, antes fosse que ao menos este era castiço e alfacinha de gema, quer acabar com a calçada portuguesa. Parte, apenas uma parte, promete Costa, sabendo nós que a parte se torna tudo quando mal nos percatamos. Ando cá desconfiado que Costa está mais preocupado com os custos da calçada do que com o que custa às senhoras andarem nela. Mais uma vez, é a "contenção de despesas" que dita as regras. Na impossibilidade de se concessionar o direito de exploração da calçada portuguesa a angolanos ou a chineses, extinga-se a calçada.

Por esta ordem de ideias, proponho a Costa que acabe com os jardins, poupando-se em água e em jardineiros e rentabilizando-se esses espaços através da sua urbanização. Outra ideia para o Dr. Costa: há por aí monumentos que não sejam "auto-sustentáveis" como agora se diz, ou seja, cujos custos de manutenção sejam superiores às receitas com visitantes? Destruam-se! Em seu lugar, que cresça mais um complexo de escritórios, um centro comercial, um edifício para habitação de luxo, um mamarracho de vidro e aço.

Quem faz a Câmara, nela se deita. De Costa ou de barriga.

24/02/14

uma campanha alegre

Num país fanado, na dupla acepção da palavra, ainda há quem tenha vontade de rir. Digam aos desempregados, aos reformados, aos funcionários públicos e às vítimas do assalto fiscal qual é a piada, para que eles se possam rir também.
Raquel Wise/http://sol.sapo.pt

Raquel Wise/http://sol.sapo.pt
http://www.cmjornal.xl.pt/
Lusa/http://www.tvi24.iol.pt

Lusa/http://www.tvi24.iol.pt

Lusa/http://www.tvi24.iol.pt

Gerardo Santos/Global Imagens/http://www.jn.pt
Miguel Manso/Público

Miguel Manso/Público

Miguel Manso/Público

ao coliseu o que é do coliseu

Senhoras e Senhores,
Meninas e Meninos,
venham ser engolidos pelas feras
no melhor circo do mundo!

Há contorcionistas, 
há domadores, 
há malabaristas, 
há engolidores de fogo, 
os mais hilariantes palhaços
e vedetas da televisão.

Grandioso Sorteio
de Cabrestos, Peias e Cangas
entre a amável assistência.

É entrar! É entrar!
É pegar ou largar!

não havia lá melhor?

o monólogo do incensado

Manuel de Brito
Uma das minhas obras mais notáveis, pela mão de um dos meus sequazes, também Pedro, mas esse Mota, mas esse Soares, tem sido a recuperação da caridade como prática institucional. O Estado não tem por dever proteger os seus. Esse é trabalho do empreendedorismo social, seja lá o que isso for. Acabe-se com o RSI, o subsídio de desemprego, as pensões de reforma ou invalidez, deixemo-nos de sustentar chulos e madraços, passemos as nossas responsabilidades para as mãos de terceiros, criemos, num país sem Indústria, uma nova indústria, a da esmola, e Deus nos acolherá no seu esplendoroso seio. Continuemos a subsidiar a Santa Casa da Misericórdia de Santana Lopes e o Pingo Doce que, esses sim, precisam da ajuda do Estado para sobreviver e prosseguir a sua missão em defesa dos pobrezinhos, tanto como eu preciso que Santana Lopes me venha ungir ao Congresso, elogiando a minha obra em prol da produção de mais desvalidos que, por sua vez, irão recorrer à Santa Casa, Santa Casa essa que precisará, por seu turno, de mais subsídios que me apressarei a atribuir para que Santana me louve, para que Santana me incense, para que Santana me idolatre. Essas coisas da solidariedade, da equidade, da justiça social são muito bonitas mas são um luxo, não há verba para essas lérias com que só os canhotos se importam, essa esquerda perdulária, esses comunas esbanjadores. Os bancos sim, esses estão necessitados e todo o dinheiro é pouco para lhes acudir. Os portugueses percebem isto. Entendem que o assalto que lhes tenho feito é por uma boa causa. Eles, agradecidos e reverentes, voltarão a votar em mim. Nem que, para isso, tenha que lhes dar uma esmola antes das eleições. É isso. É o que farei. Eles não gostam de trabalhar, são calaceiros, mas adoram receber dinheiro em troca de nada. Adorar-me-ão, quer queiram, quer não, se não for a bem, vai a mal.

Tenho que sacar umas ideias ao Portas, esse é que a sabe toda.

23/02/14

relvas renascido

Miguel Manso/http://www.publico.pt
A Primavera deve estar a chegar. Pelo menos Relvas aparece e reverdece. É o novo cabeça de lista do Conselho Nacional do PSD. Alguns pêpêdêzinhos, cheios de circunflexos, perplexos, parece que se indignaram com a escolha. A maioria aplaudiu. Porque foi o Chefe que escolheu e o Chefe sabe o que faz, o Chefe pode, o Chefe manda, o Chefe quer. Oh se quer, a gente que o diga. Quando se for embora, e algum dia terá que ser, nem que pela lei da morte nos vá libertando, deixará por cá o país que sempre quis. Mais pobre, mais desigual. E um rasto de terra queimada onde só Relvas manterá o viço. Relvas e outros senhores. Dos Passos.

O vento não mudou. Relvas voltou.