10/12/11

marchas populares

Occupy Broadway.

fome à la carte

a vagina vai estar nas bocas do mundo


Com tudo o que anda mal por este mundo de Cristo, e não é pouco, 300 senhoras britânicas decidiram levar a cabo amanhã, pelas ruas de Londres, uma manifestação contra a depilação e cirurgia estética à vagina. A palavra de ordem será: Eu amo a minha vagina!

Ao que relata o Expresso online, este tipo de intervenções está a tornar-se um problema no Reino Unido, onde cada vez mais mulheres, e cada vez mais novas, recorrem à ginecologia estética para limar imperfeições.

Leia mais em:
http://www.facebook.com/pages/The-Muffia/80839059551

bordoada em manila

Numa iniciativa inspirada no movimento Occupy Wall Street, milhares de filipinos sairam à rua a protestar contra a pobreza. Queriam comida. Comeram pela medida grande. Democracias.


09/12/11

a cobarde lei do mais forte

os mostrengos


Fonte: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com/

quem dá menos? quem dá menos?


dá-me cá uma raiva, ah que raiva!

O ministro da mota falou hoje. Falou e disse. Disse que estava a negociar a entrega de creches e lares de idosos do Estado a instituições de caridade. O desmantelamento do Estado Social prossegue em marcha acelerada. Antes que os portugueses acordem (se acordarem, já duvido) e corram com esta canalha. Se no nosso nível salarial já não nos distinguíamos muito do terceiro mundo, ainda assim eram os poucos e nem sempre bons serviços do Estado que nos aproximavam da Europa. Agora, nem isso. Não tarda nada, estão de volta os chás-canasta das senhoras da caridade e os saraus de beneficência. A Pilita de Mascarenhas e a Xaxão de Atouguia já encomendaram, para a ocasião, novos vestidos a Paris, à casa Dior. Ou se calhar à Yves-Saint Laurent, vou tirar a limpo. O ministro promete comparecer nesses eventos de fraque e transportado num Audi, nunca de mota para não achincalhar a alta, que motas e lambretas são para os pobrezinhos, coitados.

ao assalto, cobradores de impostos!


Cuidado com o ataque das Finanças: no meu caso, já é o terceiro aviso que recebo para pagar, com multas, impostos que liquidei há muito. Até eu posso ver, no site das Finanças, que já os paguei. Distracção? Hum ...

herr schmidt

Por Daniel Oliveira

Não queira saber, prezado Schmidt, quanto pagou o seu Estado para manter as nossas terras improdutivas, as nossas fábricas fechadas e os nosso barcos de pesca atracados no porto. Produzimos pouco e importamos quase tudo o que consumimos. Na realidade, o nosso Estado gasta incomensuravelmente menos do que o seu. Os nossos direitos sociais são uma anedota. Os nossos salários são miseráveis. As nossas reformas mal dão para os medicamentos e para a comida. Mas, mesmo assim, estamos endividados. Porque foi essa a vontade dos principais países europeus: pagar para consumirmos o que o meu caro Schmidt produz. Disseram então que éramos o "bom aluno europeu". E, orgulhosos, ficámos com as autoestradas, que também foram pagas por si, e com os bancos, que nos emprestaram dinheiro para continuarmos a viver.

um exemplo que vem da tonta, fútil e rica américa

se os outros calam, gritemos nós


Estamos indignados. Com toda a razão. Roubam-nos salários, qualidade de vida, projectos, sonhos. Povoam-nos o presente de medos, o futuro de incertezas. Mas pensemos agora naqueles que não se manifestam, não se indignam, não sabem como indignar-se, e que perderam o emprego, a casa, a comida para alimentar os seus. Aqueles que estão em pior situação do que nós. Tentemos imaginar o seu sofrimento. O seu desespero. Por uns minutos. 

E, agora, recordemos as caras da quadrilha. Os que impõem sacrifícios sem o mínimo remorso. Os que agravam o desemprego sem qualquer hesitação. E sorriem. E dizem-nos que a culpa é nossa, que gastámos demais, que vivemos acima das nossas possibilidades. E sorriem. E distribuem cargos e prebendas entre os seus. E sorriem. E continuam a viver acima das nossas possibilidades. E sorriem. Sorriem sempre.

esperança


o segredo das sete irmãs (a vergonhosa história do petróleo)




o destino do euro

Fonte: http://henricartoon.blogs.sapo.pt/

os cãezinhos amestrados da senhora merkel


(...) O que gostava mesmo de ver, durante a Cimeira, era a Merkel a dizer-lhes Deita! Rebola! e eles a atirarem-se logo ali para o chão, às voltinhas com as patinhas para o ar.

afinal, parece que ainda não é desta que a democracia vai a enterrar (mas o melhor é não deitar foguetes que a coveira merkel anda por aí de pá na mão)


Imagem "gentilmente" extorquida a: http://oblogouavida.blogspot.com/

jobs for the boys, pois está claro! (parte 3)


Ai os emails que eu recebia no tempo do Sócrates com denúncias como estas (e com toda a razão). Mas agora é pior (pior porque o forrobodó continua e os sacrifícios e roubos que nos são impostos são cada vez mais gravosos). Mas a minha caixa de email está vazia. Os refilões de outrora calam-se que nem ratos. Porque só tinham um intuito: desgastar Sócrates, correr com ele, para meter no seu lugar o coveiro da economia portuguesa, o assaltante dos bolsos dos portugueses. Bravo. Conseguiram. E, se não receberam ainda o tacho da ordem, não desesperem. Há-de chegar. Quem não chora não mama e vocês já carpiram muito. Que venha a paga!

A notícia, da insuspeita Rádio Renascença:

Governo nomeou três pessoas por dia desde que tomou posse
O Ministério da Agricultura foi o que mais funcionários nomeou -91 novos colaboradores -, seguindo-se o Ministério da Economia, com 86. Ainda assim, os gabinetes de Assunção Cristas e Álvaro Santos Pereira conseguiram reduzir o seu pessoal em 118 pessoas. Não existem dados disponíveis para se fazer a comparação entre todos os Ministérios.

Por Matilde Torres Pereira

ana gomes discursa num parlamento às moscas

Mas para onde é que deram todos de frosques? A Europa está a cair aos bocados e os deputados foram de férias? Estão em greve? Foram às sopas do Barroso? A despacho com a senhora Merkel? Ao Eliseu visitar a Bruni? Às compras de Natal? Veja-se e pasme-se que o caso não é para menos. 


08/12/11

a hipocrisia

a culpa é do gepetto!

em tempo de guerra não se limpam armas


Acabei de clicar no GOSTO da página do Facebook da CGTP. Num momento em que os nossos mais elementares direitos laborais (e até humanos) estão a ser postos em causa, e de que maneira, estou-me nas tintas para as querelas partidárias e pruridos ideológicos. O momento é grave demais para divisões.

toma!

reina a paz por todo o país ...

As prisões sucedem-se no país das liberdades. Ontem, em S. Francisco.

também salazar começou como ministro das finanças


Os europeus ainda estão muito sossegados tendo em conta a dimensão da catástrofe, dos atropelos às democracias, dos sacrifícios exigidos às populações, dos atentados ao Estado Social. E continua a espantar-me o silêncio de tantas vozes, artistas, intelectuais, cientistas. Estamos a viver um filme de terror e não há ninguém que interrompa a fita. As gentes do PSD e do CDS, e os que navegam pelas mesmas águas, ficam muito ofendidos quando falo em tendências totalitárias por parte de Passos Coelho e demais pandilha deste gravíssimo aborto governativo. Não exagero. Estou firmemente convencido de que as tentações fascistas desta gente estão a ganhar terreno a cada dia que passa. Pode ser que esteja enganado. Se o estiver, ficarei aliviado.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

como se constrói uma ditadura


Já nos cortaram nos direitos sociais e nos salários, já nos fazem viver numa democracia de fachada mas cada vez mais se nota um ambiente de insegurança e medo. Não a normal acontecer com o aumento de roubos e assaltos sempre que a fome e a miséria se tornam no dia a dia de milhões de cidadãos, mas a praticada pelo próprio poder e pelas forças que nos deviam defender dessa insegurança e desse medo. A violência criada e fomentada por agentes policiais infiltrados à civil na manifestação do dia 24 de Novembro é disso uma prova concreta e a falta de resposta dos responsáveis a demonstração de quem a promove.

Mas há mais a acontecer, as ilegalidades e inconstitucionalidades do orçamento, e agora o desrespeito do Ministro Miguel Macedo perante a opinião da Comissão Nacional de Protecção de Dados que considerou inconstitucional a proposta do Governo sobre a instalação de câmaras de video-vigilância, afirmando que o parecer da comissão é uma «declaração política» e argumentando que «o Governo não legisla sobre o parecer da CNPD». O que o Ministro faz é tábua rasa dos órgãos criados para garantir o respeito pela lei, pela Constituição e pela defesa do direito e das liberdades e garantias dos cidadãos. Este governo desrespeita tudo e todos pelo que antes que o Gaspar se transforme em Salazar temos de correr com esta gente.

Texto e imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

07/12/11

canção dos escravos (4)

canção dos escravos (3)

canção dos escravos (2)

canção dos escravos

é do trabalho!


Desculpem a alusão ao palavrão, mas a ocasião merece. Um secretário de Estado qualquer, não me lembro do nome nem isso vem à colação, de certeza não ficará na História, falou hoje à Comunicação Social para anunciar a última malandragem do governo. Vamos lá ver se sei explicar: que o decreto-lei da 1/2 hora a mais em cada dia de trabalho vai seguir para a Assembleia da República, que os parceiros sociais já tiveram oportunidade de se pronunciar, que não havia tempo para discussões, que o governo ia impor uma cláusula para impedir os abusos por parte do patronato, que o patronato poderia acumular umas tantas horas de cada trabalhador podendo estas ser usadas num só dia mas, atenção aos abusos, nunca ao Domingo que é dia de descanso. Ao Sábado já pode ser. Pelos vistos o governo decretou que o Sábado deixou de ser, também ele, dia de descanso. Agora é um dia de trabalho como outro qualquer. É do trabalho! Proponho desde já que se acabem também com os salários. Paguem-se os salários com sal que é por isso que se chamam salários e não dinhários. Aprendam história. Morcões!

mais do que isso, é revoltante, é nojento (2)

o cão dos amotinados

Nos telejornais de ontem, durante as peças sobre os motins em Atenas, foi mais uma vez visível a presença do Sausage que, sem medo, anda de um lado para o outro entre pedras e cocktails molotov. Espero que tenha caído nas boas graças também da polícia.

as piores capas de discos de sempre

mais do que isso, é revoltante, é nojento

a árvore do natal 2011

por dentro do facebook, um documentário da BBC

facebook is watching you

Por Daniel Oliveira

Max Schrems é um estudante de direito, austríaco, de 24 anos. Por curiosidade, fez o que a nenhum de nós ocorreu:quis saber que informações tinha a empresa Facebook sobre ele, mesmo depois de ter deixado de ser membro daquela rede social. Ou seja, depois de sair da rede, o que lá tinha ficado.

Os seus piores receios foram largamente ultrapassados pela realidade: estava lá tudo. Depois de muitas pressões e ameaças recebeu, talvez por desleixo, diretamente da Califórnia, um CD com toda as informações que a empresa mantinha: 1.200 páginas (quando impressas) de dados pessoais, divididos por 57 categorias, recolhidos ao longo dos três anos em que esteve na rede. Como o próprio recorda, nem a CIA ou o KGB alguma vez tiveram tanta informação sobre um cidadão comum.

jobs for the boys, pois está claro! (parte 2)


Jobs for the Boys and Girls: Os novos rostos da Segurança Social

Há alguns meses, Pedro Mota Soares, jovem líder parlamentar do CDS, exibia na Assembleia da República um powerpoint que comprovava a instrumentalização e partidarização da Segurança Social pelo PS, então no Governo. Hoje, Pedro Mota Soares é Ministro da Segurança Social e não tem qualquer powerpoint para mostrar. Mas os factos falam por si.

A nova Presidente do Instituto de Segurança Social, com a saída de Edmundo Martinho, é Mariana Ribeiro Ferreira Costa Cabral, orgulhosa esposa de um descendente de D. Afonso Henriques e filha do jornalista António Ribeiro Ferreira, o tal que queria partir a espinha aos sindicatos e que era um grande admirador dessa «senhora adorável» que se chama arguida Maria de Lurdes Rodrigues. Não tem a experiência necessária para um cargo desta envergadura, apesar de ter passado pela Acção Social na Vereação de Cascais, mas tem o indispensável cartãozinho do CDS-PP, Partido do qual é Vice-Presidente.

transcrevo, sem comentários, um texto de um arauto do fascismo, o primeiro a dar a cara (outros virão)

Por António Ribeiro Ferreira

(...) Agora é preciso calar e cumprir rigorosamente o que está estabelecido com a troika. Agora é preciso dar graças a Deus sempre que a troika desbloqueia mais uma tranche para os cofres do Estado. Agora é tempo de unidade nacional. Agora é tempo de andar de bico calado e não fazer muitas ondas. Agora é tempo de acabar com a irresponsabilidade dos irresponsáveis que atiraram o país para a desgraça. Agora é tempo de esperar que a Alemanha consiga encontrar soluções para a crise do euro e das dívidas soberanas. Agora é tempo de expiar os pecados de anos de gula e desperdício. Agora é tempo de acabar com os direitos adquiridos e encontrar uma carta dos deveres atribuídos a todos os portugueses, de alto a baixo. Agora é tempo de acabar com utopias e ilusões, soberanias e independências. Agora não é tempo para o exercício de democracias directas ou indirectas. Agora já não há tempo para hesitações ou referendos sobre o que se vai passar na Europa e em Portugal. Se Vítor Gaspar tem razão quando diz que “não há dinheiro”, não é menos verdade que Portugal não tem tempo a perder com formalismos próprios de gente rica. A ordem está falida e os frades famintos. 

Nota: sublinhados da responsabilidade do autor do blogue.

o meu postal de boas festas deste ano

as novas taxas devoradoras

Fonte: http://henricartoon.blogs.sapo.pt/

o mundo em polvorosa!


Os povos enchem as ruas e as grandes potências preparam a guerra. O mundo à beira do apocalipse?

Moscovo:


Atenas:


Bangladesh:


Kosovo:


Teerão:


Kabul:


Palestina:


Iraque:


Estados Unidos:


Santiago do Chile:


Londres:


Cairo:

06/12/11

chamem a polícia!

Por Raquel Varela

Este ano o Estado, com as medidas de saque do trabalho, vai receber mais do que gasta – ter um saldo primário positivo (Ver OE pág 55). O deficit vai porém aumentar. Porquê? Porque temos mais juros da dívida para pagar. O empréstimo do FMI, esse, consta que vai directo para pagar a dívida, menos 12 mil milhões que vão para recapitalizar a banca.

os cangalheiros da europa

Por Sérgio Lavos

Há meses que se vêm multiplicando opiniões e artigos repetindo a mesma ideia: as acções de Merkel e de Sarkozy estão a levar ao fim do Euro e, na pior das hipóteses, da integração europeia. Há quem sugira até que a paz do continente, construída sobre os escombros da Segunda Guerra Mundial, também está em risco. Basta olhar para a História para se perceber que não será uma ideia completamente absurda. A ascensão de Hitler na Alemanha foi precedida por uma instabilidade política crescente na Europa e por uma crise financeira de proporções mundiais, semelhante à de 2008. A instabilidade social será cada mais acentuada e as convulsões políticas irão suceder em catadupa. Isto numa área geográfica onde continuam a existir países - a Espanha, a Itália, a Bélgica, as nações da antiga Jugoslávia - assentes em frágeis uniões políticas de povos e culturas muito diferentes. Um barril de pólvora.

milva canta brecht



o natal a quem trabalha, pois está claro


O presidente da Assembleia Municipal de Cascais (em exercício) teve de usar o seu voto de qualidade para garantir que este Natal, apesar da crise sem precedentes, não será diferente. Perante os 16 votos a favor e os 16 votos contra uma moção do PS que propunha que, este ano, os cabazes de Natal e os bolos-reis que a autarquia costuma oferecer aos seus deputados fossem antes destinados a famílias carenciadas, “nomeadamente aquelas em que o casal se encontra numa situação de desemprego”, Gabriel Goucha (Presidente do PSD Cascais) não teve dúvidas: solidariedade natalícia sim senhor… para com os deputados municipais.

Sei que o desemprego sobe em flecha, que este governo rouba os funcionários públicos, que o sector empresarial do Estado está a saque com as privatizações que se anunciam, que o Estado Social está a ser transformado em caridadezinha, que há milhões de portugueses que já vivem na pobreza, que a miséria, fome e o desrespeito pela Constituição, pelos direitos e dignidade dos cidadãos não pára de aumentar, mas há pequenos gestos que mostram bem a hipocrisia e a indignidade daqueles que, sentados nas suas cadeiras do “poderzinho”, representam.

Perante a proposta de cederem um Cabaz de Natal, que lhes está a ser pago com o dinheiro dos cidadãos, a quem mais necessita e vai ter um Natal mergulhado na pobreza, esta gente vota não o fazer por puro egoísmo. Esta é a cara da nossa classe política. Esta é a vergonha que temos de erradicar das cadeiras do poder. Esta gente não presta e não merece qualquer consideração. Rua com eles.

dinheiro, à grande e à portuguesa

brincar com a desgraça

A Oficina do Pai Natal é um documentário que mostra os abusos numa fábrica de brinquedos na China. Trabalho escravo com a cumplicidade da Disney, McDonalds e outras empresas predadoras.

o governo usa a polícia para instigar a violência?

Por Daniel Oliveira

Quando, no dia da Greve Geral, sindicatos e manifestantes dispersos informaram da presença de agentes infiltrados na concentração em frente à Assembleia da República, a PSP e o ministro da Administração Interna desmentiram. Perante as imagens captadas por anónimos e jornalistas de um polícia à paisana a espancar um cidadão, a polícia informou que se tratava de um cidadão alemão procurado pela INTERPOL. Revelou-se uma imaginativa falsidade. Se fosse verdade seria muito grave, já que a pessoa em causa saiu em liberdade, por ordem do tribunal, no dia seguinte.

pobretes mas alegretes, assim nos querem outra vez





é contagioso e não é sarampo

Fonte: http://henricartoon.blogs.sapo.pt/

a história do PSD e das suas tendências totalitárias

a melhor prenda que eles me podiam dar era correr com o coelho

jobs for the boys, pois está claro!


Durante a campanha eleitoral (está bem, está bem, já sabemos que ele mentiu), Passos Coelho prometeu moralizar o Estado, acabar com os cargos políticos, os chamados "jobs for the boys". Vê-se. E lê-se, no insuspeito Público de hoje. Na página 8: "Administradores hospitalares ligados ao PS substituídos por gestores do PSD e CDS". E duas páginas à frente: "Governo substitui direcção do IEFP e nomeia militante do PSD da distrital de Miguel Relvas".

Por aqui se vê a honestidade e isenção de um governo que quer ir mais longe do que a troika no que toca aos sacrifícios exigidos à maioria dos portugueses, mas que rasga o acordo quando convém aos apoderados do partido, nomeadamente onde se escreveu que os presidentes e administradores hospitalares "deverão ser, por lei, pessoas de reconhecido mérito na saúde".

Enquanto os portugueses calarem e consentirem, esta camarilha que se apoderou do poder, gente desqualificada quer técnica quer moralmente, não larga o tacho e, para que o tacho nunca se esgote, vão-nos comer a carne e roer os ossos. Enquanto os portugueses não souberem eleger um governo com práticas sadias de administração pública, e se assim for também o PS estará excluído da corrida, viveremos nesta apagada e vil tristeza. Roubados. Desprezados. Humilhados.

a alemã que nos trocou as vogais ao fado

este ano, do que gostava na consoada não era de perú assado, era de coelho estufado



A não ser que o milagre aconteça e que o Passos desapareça, não temos razões para celebrar o Natal. Mesmo assim, esta canção, e a interpretação do David Fonseca, são boas demais para não partilhar.

as lágrimas amargas da austeridade

Que contraste com a frieza com que tanto Passos Coelho como Gaspar anunciam mais e mais sacrifícios aos portugueses. Com o orgulho de alunos aplicados da professora Merkel, os graxas da turma, desgraças que nos caíram em cima como um cataclismo. Mas hão-de chorar.


05/12/11

isto sim, é bicha que se veja!

good morning america!

tartufos da justiça

Por Marinho e Pinto

Desde há mais de dois anos que eu não era alvo de uma tão intensa bateria de ataques pessoais como tenho sido nas últimas semanas, por denunciar a política errática da actual ministra da justiça e, sobretudo, o nepotismo que se instalou nesse ministério.

Jornalistas, deputados, magistrados, funcionários do próprio ministério da justiça e até a organização de juventude do partido de que a ministra é vice-presidente, todos acorreram em defesa da ministra - não para desmentir os factos que eu tenho denunciado, mas para me dirigir os mais variados ataques pessoais.

Uma deputada do PS chama-me pide - isso mesmo, agente da Polícia Internacional de Defesa do Estado, a respeitável instituição criada por Salazar para meter na ordem social vigente os que tentavam subverter, precisamente, a ordem social vigente; o presidente do sindicato do Ministério Público chama-me «fascista»; alguns jornalistas (!?!?!?) disparam sobre mim outros insultos de idêntico jaez, na esperança óbvia de agradarem à Sra. Ministra; o chefe de gabinete da ministra ataca-me em linguagem desbragada por eu ter ousado revelar factos que põem em causa a credibilidade política de quem lhe arranjou tão invejável «job»; até a jornalista Manuela Moura Guedes abandonou as brumas da bem-aventurança onde se refugiara desde que deixara de protagonizar na TVI magníficos espectáculos político-jornalísticos e desceu à terra para engrossar a marcha dos justiceiros contra mim (desta vez não me chamou «bufo», mas andou perto); num blogue da editora Verbo Jurídico muito usado por magistrados para me insultar, um deles, sob anonimato, foi ainda mais longe e inventou factos totalmente falsos a meu respeito, que logo fez circular na Net, na esperança de que as calúnias produzissem os efeitos desejados antes de serem desmentidos. Na crónica da semana passada desafiei-o a provar os factos que me imputou, mas, como todos os cobardes, continua refugiado nos becos do anonimato.

Mas de todos os ataques o que mais me surpreendeu foi o da JSD, pois mostrou que, afinal, possui mais aptidão para ser uma espécie de claque de apoio (como no futebol) do PSD ou tropa de choque dos dirigentes sem credibilidade do que para defender os verdadeiros interesses dos jovens que diz representar. Longe vão os tempos em que a JSD era dirigida por líderes que não se prestavam a esses fretes e os dirigentes do PSD não se refugiavam atrás da organização juvenil do partido.

Willy Brandt, talvez a maior referência da social democracia europeia do pós guerra, disse uma vez que para se ser um bom social democrata aos quarenta anos era necessário ter sido um bom esquerdista aos dezoito. Só que, hoje, em Portugal, eles já são óptimos social democratas aos 18 anos para, aos 40, poderem ser aquilo que verdadeiramente procuram, ou seja, administradores de um qualquer BPN ou de outra coisa parecida.

E, assim, enquanto outros lhe fazem o trabalho sujo, a ministra da justiça continua a sua meritória acção governativa: ouve falar em corrupção, logo garante que vai acabar com a «impunidade absoluta da corrupção»; um tablóide fala em enriquecimento ilícito, logo ela envia para o Parlamento um projecto de diploma para o criminalizar; os jornais dizem que um arguido está a usar expedientes processuais para atrasar o trânsito em julgado de uma sentença, imediatamente a ministra corre para a comunicação social garantindo que vai acabar com as manobras dilatórias; a comunicação social diz que Duarte Lima não pode ser extraditado para o Brasil, logo a ministra (sem reparar no que diz a Constituição) vai à televisão afirmar que pode; alguns órgãos de informação noticiam que os homicídios do estripador de Lisboa já prescreveram, imediatamente ela surge a prometer legislar para dilatar os prazos de prescrição.

Enfim, num momento em que o país precisava no ministério da justiça de alguém com uma sólida cultura jurídica que constituísse uma bússola para um sistema judicial em profunda crise, o melhor que o Dr. Pedro Passos Coelho encontrou para o cargo foi um catavento que oscila ao sabor das brisas mediáticas.

rádio vitória, a embaixada do bom gosto

acabar com a fome



Se as legendas em português não estiverem activas, poderá fazê-lo na barra em baixo.

afinal, não era procurado pela interpol


O alemão espancado durante a manifestação de 24 de Novembro não é, segundo o Ministério Público, procurado pela Interpol, desmentido categoricamente a polícia e ridicularizando intervenções como esta:

actos indignos de uma polícia em democracia

Muito se tem falado dos agentes infiltrados na manifestação de 24 de Novembro com o objectivo de provocar desacatos, dar azo à polícia de choque para intervir e, claro, fazer passar para o grande público a mensagem de que os manifestantes mais não são de que gente violenta que não merece crédito. Os vídeos que têm vindo a lume têm provado, sem margem para dúvidas, que houve de facto trabalho sujo por parte de agentes provocadores e que Miguel Macedo, assim fosse outro o país em que vivemos, já há muito estaria no olho da rua por indecente e má figura. Entretanto, começam a surgir provas da acção de agentes infiltrados igualmente na manifestação de 15 de Outubro:

denúncia grave de giscard d'estaing

o estripador de portugal

lixo em forma de livro

Quem é a autora, quem é? A mesma do Estripador. Freud explicaria.

já tinhamos o manequim da rua dos fanqueiros, agora temos também o da avenida da liberdade, sempre é mais fino


roubados pelo patrão, roubados pelo estado

Por Daniel Oliveira

A relação da segurança social com os trabalhadores precários é das coisas mais escandalosas a que assistimos neste País. E resume-se assim: os precários não têm direito a quase nada. Nem a subsídio de desemprego, nem a baixa. A insegurança das suas vidas é absoluta e o Estado não lhes garante nada. Mas, na hora de cobrar, não se esquece deles. Cobra-lhes os descontos que apenas servirão, se quando lá chegarem ainda existirem, para as suas miseráveis reformas. Muitas vezes cobra-lhes ainda mais do que aos trabalhadores com vinculo laboral que têm, e muito bem, direito a alguma segurança em caso de doença ou desemprego. Na realidade, segundo o novo código contributivo, o assalto será ainda maior.

Depois de muita insistência dos movimentos de precários e de ter dito que esses números não estavam disponíveis, o ministro Pedro Mota Soares lá cedeu. Ficámos a saber quantos trabalhadores a recibos verdes estão a braços com cobranças coercivas: cem mil. Cem mil pessoas que, na sua maioria, vivem na corda bamba, sem saber se amanhã ainda comem, sem poderem assumir compromissos ou ter filhos com o mínimo de paz de espírito, sem direito a nada do Estado, com o Estado à perna para lhes tirar a casa ou o pouco que tenham. Infelizmente, em muitos casos, não têm mesmo nada que lhes possa ser tirado.

O mais grave é que a esmagadora maioria destes cem mil trabalhadores não é, na realidade, fornecedor de serviços. São trabalhadores por conta de outrem roubados duas vezes. Roubados pelos seus empregadores, que para fugirem a qualquer obrigação - incluindo o pagamento da sua parte das contribuições para a segurança social -os contratam com recurso a uma ilegalidade: os falsos recibos verdes. Uma ilegalidade tolerada pelo Estado. Quando não mesmo promovida. Não é o Estado um dos principais prevaricadores, com milhares de trabalhadores a recibos verdes? Não teve o Partido Socialista um dos principais dirigentes (Vitalino Canas) como provedor pago pelos traficantes negreiros a que damos o pomposo nome de Empresas de Trabalho Temporário? E roubados depois pelo Estado, que lhes desconta no magro salário o que não lhes devolve em caso de necessidade.

Ou seja, o mesmo Estado que não garante nenhuma segurança a estas pessoas, que não fiscaliza as empresas e as obriga a cumprir a lei, que ele próprio a viola de forma descarada, diz "presente" quando chega a hora de cobrar o dinheiro. Sabendo que parte desse dinheiro deveria ser cobrado às empresas, não hesita em pôr estes desgraçados à beira do precipício para depois dar o empurrão final. Quanto às empresas que ficaram com o dinheiro que deviam ter descontado, continuam a sua vida e a contratar mais gente de forma ilegal. Com os precários ainda mais aflitos, com mais esta dívida imoral para pagar, talvez os possam contratar um pouco mais baratos ainda.

O Estado não quer saber se aquela dívida é, na realidade, daqueles trabalhadores ou se, pelo contrário, resulta de uma forma ilegal dos empregadores fugirem às suas responsabilidades. Mas ameaça com penhoras e até com a prisão as vítimas do abuso. Forte para os fracos, fraco para os fortes. É este o padrão de comportamento do Estado português.


que falta de patriotismo a nossa!

É isso. Grandes empresários, banqueiros, Passos Coelho, Relvas, Gasparinho e Alvarito, toda a troupe que nos consome a fazer um denodado esforço pela Pátria e nós, seres ingratos e pouco patriotas, em greves, manifestações e insatisfações que não se compreendem, todos temos que nos sacrificar, todos temos que dar o litro, todos temos que pagar a dívida porque todos, repito, todos nós e nunca eles, andámos a viver acima das nossas possibilidades. Que se apele para que sejam os ricos a pagar a crise é mero populismo, demagogia, inveja de uns seres, nós, tolhidos pela inépcia, a falta de espírito de iniciativa, o pendor para o desmazelo, a inércia, a corrupção. Temos aquilo que merecemos. Deixemos o governo em paz. De vez. Só querem o nosso bem. Mesmo que, para isso, nos façam tanto mal. Coitadinhos.

Cartoon de: Antero
Publicado em: http://aventar.eu/

voltando à faca fria


Por Ferreira Fernandes

O Correio da Manhã teve ontem a melhor manchete do ano: "Estripador Falha Provas". Pelos vistos, o "estripador de Lisboa" não vai conseguir os mínimos. Deve ser terrível. Um tipo colecciona recortes de jornal, lê livros, aprende onde enfiar o gargalo e rasgar, enfim, treina-se para o sonho de uma vida - ser reconhecido como o "estripador de Lisboa" - e, no momento dado, falha provas! É como morrer na praia, coisa indigna, porque pulmões encharcados não é o mesmo que vísceras revolvidas. E pensar que esteve tão perto... O filho, quase convencido: "Pai, és o 'estripador de Lisboa'?", ao que respondia com aquele dúbio sorriso paternal quando os ganapos perguntam se chegámos a jogar à bola com o Eusébio na tropa... Depositado o grão de ilusão, o orgulho de ver um filho concorrer a programa de televisão à pala do jeito de faca do pai. Depois, emoção, o destino pôs-se a correr. O contacto com uma célebre jornalista, a confissão detalhada, o prazer de ser por ela ensinado que isso de querer arrancar úteros tem significado. "Freudiano", foi o que ela lhe chamou, qualquer coisa a ver com a mãe (o que se aprende com gente célebre!). A seguir, a glória: capa de semanário e vídeo nas tevês. Mas começaram a surgir dúvidas, de incréus daquela verdade científica: "Os estripadores não mentem!" A confissão não chegou. Enfim, não chegou para se provar que o Estripador era o estripador, só bastou para provar que isto anda extirpado de juízo.

quem cabritos vende e cabras não tem ...


Felícia Cabrita foi à televisão. Em prime time. Um ror de tempo no telejornal a perorar sobre o Estripador de Lisboa. Uma descoberta dela, depois de longa investigação. Mais tarde, leio nos jornais que terá sido o filho, concorrente da Casa dos Segredos, que denunciou o pai. Portanto, coisa recente pelo que não entendi qual foi a investigação ou sequer a descoberta de Felícia Cabrita. Finalmente, diz-se que tudo não terá passado de uma brincadeira pelo que, mais uma vez, não consegui perceber como é que Cabrita, ao que consta uma jornalista com largos anos de tarimba, caiu na esparrela e se espalhou ao comprido (a não ser que a história dê uma reviravolta, tudo pode acontecer neste portugalinho de opereta em que nos transformámos).

Felícia Cabrita foi a mesma que "investigou" (depois disto, sinto-me no direito de colocar a palavra entre aspas) e escarrapachou nos jornais, pela primeira vez, o caso Casa Pia. Pergunto: que credibilidade merece toda a história que ela contou na altura se, ao que tudo indica, o "jornalismo" que pratica não é o do rigor e o da verdade mas, antes, o do sensacionalismo barato e o da sede de protagonismo?

Aguardemos os próximos capítulos. Que o caso não caia no esquecimento, para lavar a reputação profissional da senhora. Porque, em toda a sua história da Casa Pia, Cabrita poderá ter trazido a lume factos e nomes de supostos culpados com a mesma leveza, a mesma leviandade com que, pelos vistos, veio agora excitar as multidões com o regresso do Estripador. 

04/12/11

manifestação de estudantes em seattle contra os cortes na educação

As classes políticas e financeiras estão definitivamente decididas em testar até onde podem ir. Mas os povos acordam e revoltam-se.

herr passos coelho

Por Bruno Sena Martins


Passos Coelho, ministro alemão para os assuntos portugueses, insulta o povo português com gosto reiterado. Mas devemos perdoá-lo: não conhece a história do século XX e está sinceramente convencido que esta crise era evitável à escala da intervenção nacional. Até Merkel tem mais pudores (e neurónios).