14/07/12

vai-te a eles, meu herói!


Os números do Eurostat são mais devastadores do que os do INE. Será que o INE faz estatísticas ao gosto de quem governa ou a coisa é séria e imparcial? Seja como for, os números são irrefutáveis: mais de 3 milhões de portugueses vivem com menos de 500 euros por mês. E este número aumenta a cada dia que passa. Obrigado Passos. Prometes-te empobrecer-nos. Conseguiste. Isso, ao menos, conseguiste. Força agora para o segundo round. Descontando para aí uns 100.000 protégé, quanto muito, tens que acabar a tua obra: restam 6.900.000 portugueses que ainda estão a ganhar demais, acima dos 500 euros. É um absurdo, uma infâmia, uma injustiça. Vai-te a eles, herói!

la peineta y el joder

Uma autarca do PP (no interior do carro) responde com um gesto obsceno (la peineta) a um grupo de manifestantes. Mas isto não é nada. Uma deputada, igualmente do PP, já tinha berrado "Que se jodan!" em pleno parlamento. O insulto foi dirigido aos desempregados. Ela desmente, mas entre o mente e o desmente desta gente, a gente acredita é nos primeiros impulsos, esses é que contam. Revelam a verdadeira natureza dos energúmenos. Joder, digo eu que não sou menos do que elas, as discípulas de Rajoy. Puta madre.

bailarico saloio

Coelho apoia Relvas, defende-o com unhas e dentes, à sua honra, à sua licenciatura forjada nos corredores da baixa política, labirintos de corrupção, jeitinhos, palmadinhas nas costas e servicinhos pela calada da lei. Coelho, o impoluto, o que vinha limpar Portugal, dança ao som da mesma música de Relvas. Juntinhos. Agarradinhos. Até que a morte política os separe. Foram feitos um para o outro, as carreiras profissionais e partidárias são parecidas, o pensamento serôdio é igual, o desprezo pelos portugueses é sentimento comum. São saloios armados ao pingarelho. Podiam ser irmãos. São um par contra natura. Amam-se. Apoiam-se. Sabem que este é o seu momento, do tudo ou do nada, do custe o que custar. Portugal é para os ricos, os muito ricos. E eles querem ser ricos, muito ricos. Para isso tudo fizeram para serem doutores da mula russa, mentem, ameaçam, exterminam o que de bom se fez em Portugal. Dançam a dança da morte. Que, ou me engano muito, ou os atingirá aos dois. Num canto de finados. Quando isso acontecer serei eu, com os pés de chumbo que tenho, que dançarei o vira, o malhão, o corridinho. Enquanto tiver pernas, espernearei.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

doidos, doidos, doidos andam os ministros

Doidos, doidos, andam os ministros
Para pôr o ovo lá no buraquinho
Raspam, raspam, raspam
P'ra alisar a terra
Picam, picam, picam
Para fazer o ninho

Arrebita a crista o galo vaidoso
Có-có-ró-có-có
Canta refilão
E todo emproado com ar majestoso
É o comandante deste batalhão.

onde pára o dinheiro?


não somos mercadoria


porque os outros se calam mas tu não


Nunca te tinhas metido numa manifestação. Agora, andas na rua desde 12 de Março mas, ao contrário de milhares de outros que foram lá, cinicamente, com o único intuito de depor Sócrates e dar a vitória à canalha, tu foste lá pela mudança de regime, de sistema, por mais democracia, melhor democracia. E, ao contrário desses, que ficaram em casa desde que conseguiram os seus intentos, tu continuas na rua porque nada do que tu ambicionas para o teu país foi satisfeito, muito antes pelo contrário. Depois de Sócrates veio Passos e tu continuas na rua, com mais razões de queixa do que antes, com mais angústias, com mais revolta. Não és comunista, nem socialista, nem bloquista, mas tens em ti um bocadinho de todos eles. Solidário, exiges solidariedade. E exiges união de todos contra a barbárie que tomou conta do país e sacrifica, tortura, mata Portugal e os portugueses. Não desanimas, apesar das ruas vazias, do povo que se amesquinha calando-se. Sabes que a razão está contigo. Ficarás na rua, mesmo que sejas o último. Sozinho. A sorrir para o futuro. Há pequenos ditadores que podem ser derrubados. É uma questão de tempo.

soltem os cães!

Tal como cá, o povo espanhol rejeita a austeridade. Mas, ao contrário de cá, sai para as ruas aos milhares, jovens, idosos e até crianças. No entanto, a polícia está atenta. Atenta e furiosa, amaina a revolta e castiga às cegas. As imagens e o vídeo são de ontem, em Madrid.




13/07/12

hoje a janta é no gambrinus

Acho que os Gambrinus, os Tavares Ricos e demais restaurantes de luxo têm todo o direito de existir. O que não devia existir era isto, estes meninos à espera da morte. Do alívio.




a criançola


Passos Coelho é, já o tenho dito, um rapazola sem experiência de vida, seja profissional seja no pensamento humanista, no sentir solidário, em tudo o que nos faz gente de bem. Galgou à presidência do PSD, conseguiu ser primeiro ministro à conta do embuste e tem uma agenda ideológica a cumprir, custe o que custar. Calculista, quer ficar bem visto perante os mercados, a senhora Merkel, os senhores do mundo. Pensando já numa auspiciosa carreira, que o liberte de Massamá e o faça ascender à classe dos grandes, dos ricos. Fala em nome do povo. Diz que quer mudar Portugal para que os nossos filhos possam herdar um país melhor, sustentável. As palavras são boas. Os actos são péssimos. Está a destruir milhares de empresas, milhares de empregos. Está a comprometer o nosso futuro. Mas, como criançola que é, não mede as consequências. Não mede a agitação, a revolta que crescerá a cada dia que passa. Conta com a passividade do povo. Esquece-se dos movimentos apartidários, dos desempregados, dos desesperados, dos sindicatos indignados, das classes profissionais que já não têm nada a perder porque lhes estão a roubar tudo. É desses que Passos devia ter medo. Porque são esses que o farão cair e lhe desgraçarão os planos de áureo futuro, entre o fausto dos corredores da alta finança e os hotéis de luxo onde pernoitará sem pesadelos nem consciência. Porque é isso que lhe falta. Consciência.

algo me diz que isto vai acabar mal

Ou bem, conforme a perspectiva de cada um. As imagens são da Revolução Francesa.












cavaco escavaca



Ele foram as escutas. Ele foi o BPN. Ele foram as reformas que não lhe chegavam. Ele foi a fuga aos alunos da António Arroio. Mas agora Cavaco foi mais longe e escavaca, a meu ver, a pouca reputação que lhe sobrava. Disse ele numa entrevista ao jornal holandês "Financieele Dagblad" que os portugueses foram “demasiado negligentes” e estão a sofrer as consequências de terem tido uma “vida fácil”. 

Oh doutor, por quem é, depois de "piegas" o epíteto "negligente" não é insulto, é carícia, música para os nossos ouvidos. E quanto à vida fácil, tem toda a razão. Abusámos. Pagaram-se salários opíparos, exigiram-se mordomias de faraós, esbanjou-se dinheiro em broches e arrecadas, compraram-se casunchas no Algarve, enfim, foi um fartote de benesses com que cada português se alambazou. Foi gastar à tripa-forra, comer à fartazana, viajar como nababos, consumir como se o mundo fosse acabar na manhã seguinte. 

Felizmente temos um Cavaco, e o seu benjamim Coelho, para nos endireitar a vida, pôr-nos no bom caminho, empobrecer-nos que é, para a próxima, não levantarmos a grimpa. A cada um, a insignificância com que nasceu. Em Boliqueime ou na gloriosa e mui nobre aldeia de Cabrões.

relvas, piso sagrado


a ministra de que o governo estava à espera


Bagão Félix, António Capucho, tantos outros da afanada cor governamental, defendem que Relvas já se devia ter demitido. Aqui está a figura alternativa, ou não fosse mestre de alterne. Versada como é, e tendo em conta a sua profissão, pode-lhe ser outorgado, de mão beijada ou outra coisa qualquer, o canudo de relações púbicas, perdão, públicas. E, sendo brasileira, acrescente-se-lhe o canudo de relações internacionais. Quanto ao ministério a ocupar, eles podem ser tantos que o difícil será escolher: o da saúde, porque toda a gente sabe que "aquilo" faz bem aos órgãos; do interior por razões tão óbvias que me escuso a descrevê-las; da educação porque será perita em línguas; da agricultura porque sabe fazer publicidade à própria fruta e, além disso, conhece de ginjeira certos frutos eruditamente designados por Solanum lycopersicum; dos negócios estrangeiros porque não há negócio mais internacional do que aquele a que se dedica. Enfim, com tantos predicados o que devia ser, mas devia ser mesmo, era primeira-ministra. Até presidente da república. Não tínhamos nada a perder. Há que dar lugar aos novos.

12/07/12

se outros fossem a governar

bestas humanas


Um bando de bandalhos, segundo parece de famílias finas de Cascais, com frequência das melhores escolas da linha, católicas, as escolas e se calhar as criaturas, decidiram divertir-se uma noite destas. Fartos da rotina das discotecas, quiseram variar e não foram de modas. Deitaram fogo a um prédio devoluto, refúgio de cabo-verdianos, que divertido seria vê-los a fugir envoltos em chamas. É esta gente, em geral, que vota PSD e CDS. Tal como eles, também os seus mentores deitam fogo ao país. Dá prazer. Muito prazer. E o que me custa é que outros, milhares de outros que nada têm a ver com esta gente, votem da mesma maneira como se as suas aspirações, necessidades e concepções de vida fossem as mesmas.

a mulher coragem


a pobreza calada

Por Daniel Oliveira

(...) Está na moda fazer um retrato estranho dos portugueses. Mimados, "piegas", mandriões, aldrabões, penduras, dependentes do Estado e dos subsídios. Não me espanto. Este é o retrato perfeito de uma elite que se habituou a viver do ouro do Brasil, das colónias, do condicionalismo industrial, das maroscas com osdinheiros europeus, da troca de favores entre o poder político e económico, das empreitadas das PPP, dos gestores mais bem pagos da Europa servidos pelos trabalhadores que menos recebem, do trabalho barato e semiescravo e de uma completa ausência de sentido de comunidade. De um país desigual.

A desigualdade não tem apenas efeitos económicos e sociais. Tem efeitos cognitivos. Com raras exceções, determinadas por um percurso de vida diferente ou por uma forte consciência social e política, a nossa elite não faz a mais pálida ideia do país onde vive. E tem a sua experiência e a experiência de quem a rodeia como única referência. Porque a desigualdade afasta os mundos sociais em que as pessoas se movem. Por isso acha que "só não trabalha quem não quer", que "os portugueses vivem acima das suas possibilidades", que "se desvaloriza o rigor e a exigência", que "a inveja é o nosso maior pecado" - como se ela não fosse um reflexo pouco sofisticado de um país desigual e injusto, onde a ascensão social raramente tem alguma relação com o mérito.

O outro País de que falam é bem diferente deste retrato castigador e ignorante. É sofrido, trabalhador, onde o quase nada que se tem foi conseguido com um enorme esforço. A miséria está sempre à espreita e quando vem esconde-se dentro de portas. Porque a última coisa que os portugueses são é piegas. A nossa pobreza envergonhada, que acaba por servir os interesses de quem não a quer combater, é o melhor exemplo de como os portugueses são em quase tudo diferentes do retrato que a nossa anafada elite faz deles.

E é este misto de orgulho e vergonha que explica porque se transformou Cavaco Silva no mais impopular de todos os presidentes da República. Cavaco não morreu politicamente com o episódio das escutas, o BPN ou o seu desastroso discurso de vitória. A maioria dos portugueses nem deu por isso. Cavaco morreu quando disse, na televisão, que não sabia como iria pagar as suas despesas com uma reforma de 1.700 euros (que na realidade é de 10 mil, que, por mais que muitos se espantem, nem é muito quando comparamos com a elite de que tenho estado aqui a falar). Não se trata de saber se a sua reforma é alta ou baixa. Trata-se de, com esta frase, Cavaco ter insultado todos os que, vivendo com quase nada, se mantêm teimosamente calados. Os que não querem, acima de tudo, pesar nas costas dos outros. Foi aí que o mito do Cavaco pobrezinho e austero, todo ele de plástico, se desmoronou. Se ele fosse quem diz ser nunca poderia dizer uma frase destas sem suspeitar da fúria que ela causaria.

O principal problema do nosso país não é o seu péssimo sistema de justiça, não é a corrupção, não é a falta de produtividade, não é uma classe política divorciada do País. É a desigualdade. Porque todos os problemas que referi resultam deste pecado original. Não há justiça, não há transparência, não há empresas eficientes, não há mérito, não há rigor e não há decência política numa terra onde há dois países que não se tocam e se perpetuam a si mesmos. Porque a desigualdade destrói o sentido da comunidade. Os pobres escondem a pobreza. Os ricos exibem a riqueza. Os pobres não querem pesar. Os ricos pesam e ainda se queixam do peso dos que lhe são tão leves.

Depois do 25 de Abril muita coisa melhorou. Basta ver os números e conhecer o País. Mas ficámos a meio. E estamos a regressar ao passado. A classe média oriunda de famílias pobres está a ser preparada para regressar ao seu lugar de origem. Os pobres a ser preparados para se habituarem, sem esperança, à sua condição. Sem os "privilégios" do Estado Social e sem qualquer condição para entrarem no elevador social que o Estado Providência lhes começou, há tão pouco tempo, a garantir. Enquanto os donos de Portugal e os seus avençados tratam das suas privatizações e das suas parcerias, dizem a quem vive do seu salário: "Não há dinheiro. Qual destas três palavras não percebeu?"

O homem honesto voltou a ser o que trabalha sem direitos, se cala e tudo consente. Esta é a propaganda que nos vendem todos os dias em doses cavalares: tudo o que fizerem será ainda pior para vocês. Empobrecer é inevitável. Resignados na sua pobreza obediente, tudo se pode fazer a quem apenas depende do seu trabalho. O milionário Warren Buffet disse, em 2006: "há guerra de classes, com certeza, mas é a minha classe, a classe rica, que faz a guerra, e estamos a ganhar". Não é só em Portugal que assistimos a este retrocesso. O problema é que, em Portugal, foi há muito poucos anos que os que menos têm passaram a viver com a esperança de ver os seus filhos a viver melhor do que eles. Essa esperança está a morrer. Em silêncio, como é costume na nossa terra.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/a-pobreza-calada=f738664#ixzz20QuvvQZ1

é borracha, senhores, é só borracha



Na manifestação dos mineiros, ontem em Madrid, a polícia de choque fez dezenas de feridos. Este homem mostra as costas, feridas por balas de borracha e, assim sendo, chego à conclusão de que os gorilas foram benévolos. Afinal de contas, é só borracha. Não morreu ninguém. São boa gente, treinada para dar um safanão a tempo aos prevaricadores, mas com jeitinho, com muita meiguice. Sugiro ao Dr. Macedo, o das polícias e não o que nos anda a tratar da saúde, que mande os nossos polícias anti-motim estagiar em Madrid. Sempre ficavam a saber que os cassetetes estão démodé. Nisto de dar porrada, não podemos agir como noutros tempos. Há que investir em armas novas e na educação dos galifões policiais, que tanto lutam em defesa da pátria contra agentes infiltrados do comunismo, do terrorismo e de todos os outros ismos, ai eles são tantos, esquerdismo, socialismo, que tentam boicotar a obra do grande governo, excelso como poucos, que Portugal tem a sorte de ter à frente do seu destino.

pôr-do-sol em nova iorque

Acho que os americanos têm os alqueires mal medidos. Acho mesmo. Ontem, na cidade que nunca dorme, Nova Iorque, o trânsito parou para que os transeuntes pudessem ver, fotografar, filmar o pôr-do-sol. Parece que este fenómeno, afinal tão corriqueiro, só se vê duas ou três vezes por ano no interior de Manhattan. Os prédios ou as nuvens tapam-no a maior parte do ano. Venham para Portugal, oh misters. Deixem aqui dinheiro, que a malta bem precisa, e aproveitem para ver um Sol como deve ser, vermelho, gordalhão, tipo frade bem nutrido.



Fotografias: http://www.sabado.pt

que seurat, seurat

Imagem: https://www.facebook.com/pages/Anonymous-ART-of-Revolution/362231420471759

rir para não chorar


Fonte das imagens: http://www.cartoonmovement.com/

senhor primeiro-ministro, temos cara de palhaços?

Por Tiago Mesquita

Sem ofensa para os palhaços profissionais, que muito respeito, mas foi o que me ocorreu após ter ouvido o primeiro-ministro no debate do Estado da Nação. Até um "eu não vejo nenhuma razão para que os portugueses se sintam assustados" lhe saiu. Perdão? Falo por mim, mas quando o ouço falar desta forma ponho o nariz vermelho e pego logo na corneta. E se estava assustado, pior fiquei depois da demonstração de optimismo delirante a que assisti. Em que mundo, ou melhor, em que país vive o senhor? Acha sinceramente que existe algum português vivo que ainda acredite nesse fadinho corrido do contentamento de quem está no poder desligado do país real? Os portugueses têm todos uma licenciatura em "igualzinho-ao-anterior-e-igual-ao-próximo" e doutoramento feito com muito bom, louvor e distinção na defesa da tese PSD + PP = PS = estamos lixados outra vez. Tudo feito presencialmente. Apesar de ter a certeza que algumas Universidades dariam com relativa facilidade equivalência a tudo isto só pela experiência demonstrada como cobaias bem comportadas às mãos de V. Exa´s. Um milhão de desempregados depois, o país na miséria e os portugueses em dificuldades extremas. Dezenas de milhares de pessoas a entregarem as suas casas aos bancos. Bancos que os portugueses pagam quando estão prestes a ir ao charco ou com "falta de ar". Nacionalizações disparatadas e financiamentos escandalosos. Milhares de jovens sem futuro e obrigados a fugir do país. Corrupção a rodos. Os banqueiros a brincar aos governos. A Troika a ganhar dinheiro. Milhares de professores contratados com guia de marcha para o desemprego. Temos uma ministra da justiça, ouvi dizer. O cerco ao SNS, aos médicos e restantes profissionais de saúde - entregando de bandeja o que é de todos ao sector privado. A promiscuidade que alastra em vez de estancar. Impostos grotescos com efeitos devastadores. Agricultores desesperados. As nomeações escandalosas e os boys colocados. O roubo dos subsídios aos funcionários públicos e o aproveitamento de uma decisão do TC para possivelmente estender o corte aos privados, "cuspindo" na Constituição que nos deveria proteger. Posto isto, vê V. Exa algum motivo para preocupação, algo que deva assustar os portugueses? Não? Nada? Nem o défice a escorregar que nem um maluco? Onde estão as políticas de emprego? Quando é que V. Exa se digna a olhar para as parcerias público-privadas, esse cancro que mina o Estado e que nos vai levar à desgraça orçamental e provável falência. Quando é que põe ordem nas contas públicas da Madeira, esse sorvedouro insustentável, calando de uma vez por todas aquela personagem insuportável que goza connosco, consigo e com o Presidente desta coisa a que chamam República sempre que abre a boca? Dr. Passos Coelho: os portugueses têm todas as razões para estar assustados, ou não fosse o senhor o atual primeiro-ministro deste país. 

o senhor absoluto


espanha em guerra

As imagens mais parecem de uma guerra, uma guerra-civil. Podia ser na Palestina, na Síria, no Iraque, mas é mesmo aqui ao lado da nossa porta, aconteceu há horas, há dias. A polícia entra, de armas em punho, pelas casas de gente indefesa, como se todos fossem criminosos, terroristas, talvez até perigosos comunistas. O inimaginável está a acontecer. Em Espanha, esse vale dos caídos de há tantos anos. Os fantasmas estão de volta. São dias que julgávamos extintos. Não sei que mais dizer. Tenho a morte na alma.



Para comparar, não esquecer, estar alerta contra os esquadrões da morte que nos rondam a soleira:

e com esta vos deixo. boa noite!


portugal solidário


fumei erva, sou relvas, licenciaram-se em agricultura


11/07/12

o princípio da honra

Por Baptista Bastos
http://www.dn.pt

Portugal está, novamente, dividido entre "eles" e "nós." Como no tempo do fascismo nada temos a ver com decisões, não partilhamos o que nos impingem, desconhecemos o que engendram, ignoram-nos e desprezam-nos. Não há que escapar à expressão das palavras. A pátria transformou-se numa instância de encerramento para a maioria dos portugueses, e quem reina perverteu completamente a natureza do 25 de Abril. O poder do PSD-CDS não é um meio, mas um fim. Uma cegueira e uma surdez patológicas caracterizam este governo, cuja classe a que pertence já manifesta, ela própria, sinais de embaraço e de inquietação.

Demonstrações de protesto e de cólera acompanham os governantes, para onde quer que vão. O Presidente da República não escapa à ira. É refém da teia reticular com a qual se cumpliciou, esquecendo os compromissos de honra e a qualidade imparcial das funções que exerce. As vaias de que é objecto representam não só um ricochete pelas conivências em que se enredou, mas uma acusação reiterada às máscaras sob as quais se pretende ocultar.

O imbróglio do ministro Miguel Relvas, doutor em forma tentada, que alguns (entre eles o Marcelo Rebelo de Sousa) intentam confundir com o caso Sócrates, não só abala as estruturas do Executivo como se estende à sociedade portuguesa para se inscrever num capítulo da amoralidade. Entre as ambiguidades das declarações de próceres da Direita e o silêncio do ministro Nuno Crato, a desagregação atingiu as raias do absurdo. Vamos acreditar em quem?, se a razão dominante nos dirige, violentamente, para patamares que esvaziam a índole de todos os valores.

O Tribunal Constitucional, ao considerar falhas de legalidade as supressões dos subsídios de férias e de Natal, colocou o Governo sob a espada de Dâmocles. Qualquer que seja a decisão a tomar, ela será, sempre, contra Passos Coelho. Igualizar o público com o privado equivale a uma tempestade imprevisível, que os patrões temem e a que expressamente se opõem. Aumentar os impostos, como?, se o sufoco já é asfixiante, e as exteriorizações populares começam a chegar a níveis preocupantes.

Pedro Passos Coelho e as suas obstinações estão a empurrar-nos para perímetros até agora desconhecidos e, por isso mesmo, perigosíssimos. A situação portuguesa é calamitosa, e as indignações populares renovam-se, em vários sentidos e direcções, quando as coisas parecem calmas e tranquilas. O lugar do trabalho não merece, ao primeiro-ministro e aos seus, o respeito e a supremacia exigíveis. Com a desfaçatez comum a quem não presta contas, e deseja irresponsabilizar-se, após o veto do Constitucional, declarou, impante e malicioso, "agora, a oposição diga o que devemos fazer".

Levanta-se a questão de saber, afinal, o que é a dignidade em política, quando a estratégia da dissimulação se substituiu ao princípio da honra.

porque nem só com a lurdinhas se faz deseducação


viva la democracia, coño!

Em Madrid, esta noite.




direito de pernada


Ainda se lembra do absolutismo? O tempo em que milhões morriam à fome enquanto uma elite de senhores acumulava fortuna e detinha direitos sobre o povo escravizado, incluindo o de pernada? Depois veio o iluminismo, a Revolução Francesa, mas alguns séculos de luta mais tarde o mundo regride, volta atrás, temos uma elite que vive na opulência e uma massa anónima de pobres e novos-pobres. Para uns, o jardim. Para os outros, a estrumeira. Enquanto isto ia acontecendo por África, pela Ásia, pela América Latina, fechámos os olhos, era lá longe. Mas agora tudo se passa aqui. Na sua casa, se ainda a possuir. No seu emprego, se ainda o tiver. Num ano, o ano do governo de todos os desmandos e de todos os pesadelos, o valor do trabalho baixou drasticamente. Assustadoramente. O Serviço Nacional de Saúde e a educação pública correm o risco de extinção. O desemprego atinge níveis nunca vistos. O consumo está quase paralisado. O medo tolhe muitos de nós, deixa-nos absortos, aparvalhados. Sem consciência de que vamos a caminho do fim, mandam-nos entrar no comboio que nos conduzirá à solução final. Hitler, afinal, não perdeu a guerra. Os seus filhos políticos, confessem ou não a paternidade, prosseguem-lhe a obra que deixou inacabada. E, desta vez, temo que levará mais tempo, décadas, para a Europa renascer das cinzas. Já não estarei vivo. Ao contrário do que sonhei, não deixo aos meus filhos um mundo melhor.

a minha imagem do dia

Madrid, 11 de Julho de 2012. Manifestação de solidariedade para com os mineiros das Astúrias em luta.


hasta la victoria!

Mais fotografias de Madrid e da "marcha negra" dos mineiros.