02/05/14

agora vejam lá, não o gastem todo na farmácia


Ontem, 1º de Maio, Passos Coelho saiu-se com mais uma das suas pérolas: que, ao repor salários e pensões como o governo está a pensar fazer lá para 2015, ano de eleições, a economia irá melhorar já que essa generosa medida irá bafejar pessoas "com elevada propensão para o consumo".

Então os velhotes, esses, gastam-no todo em medicamentos e médicos, uns perdulários com propensão para gastos desnecessários é o que é, teimosos que são em continuar a viver.

Coelho não tem vergonha. Eu tenho. Dele.

30/04/14

pílula de cianeto

Não há mais aumentos de impostos, juraram-nos, prometeram-nos, acenaram-nos. Mas há. Para já, do IVA. A seguir, dos produtos nocivos para a saúde (o governo não gosta de concorrência, matar é exclusivo dele). A TSU sobe para os trabalhadores, mantém-se para as empresas.

Numa palavra: o governo, que em desavergonhada jogada eleitoralista veio dizer que os salários e pensões iam ser repostos, vai fazê-lo a prestações - a primeira seguramente só antes das eleições de 2015 - e, em troca, vai levar-nos o dinheiro de outras formas. Dá com uma mão, pouco, tira com a outra, e muito.

O governo tentou dourar a pílula. Não conseguiu. O cianeto ficou à vista.

A 15 de Setembro de 2012, os portugueses saíram em massa à rua em protesto contra a TSU.

E amanhã? Vão ficar em casa?

29/04/14

ideia para acabar com a austeridade


A solução estava mesmo debaixo dos nossos olhos e nós, ceguinhos, sem vê-la: é fazer eleições todos os meses, meter os partidos a concorrer não só ao Parlamento, não só às autarquias, mas também às direcções de hospitais, casas de saúde, empresas públicas, colectividades de recreio, sindicatos, associações estudantis, cantinas sociais, asilos, universidades, clubes de futebol, agremiações, cooperativas e demais organizações. Isso é que era bom: todos os meses pingavam benesses, todos os meses caiam migalhitas dos céus da Buenos Aires, do Caldas e até do Rato, era um maná nunca visto e, quanto à austeridade, viste-a, já era.

É que assim, tal como anda o calendário eleitoral, a coisa não sacia nem sai de cima. Prometem-se agora, antes das eleições europeias, umas esmolinhas que serão ofertadas de facto, e é se o forem, antes das legislativas do próximo ano. Está mal, é pouco, é nada.

Quero que os políticos do arco da governação, ou da governabilidade como outros gostam de dizer, prometam hoje para cumprir amanhã, porque logo a seguir há mais eleições e eles não querem, já não podem, defraudar o incauto eleitor.

Vamos lá, cambada! Vamos obrigar os partidos a candidatarem-se a condomínios, clubes de campismo e caravanismo, casas de putas. Eles é que sabem da poda. E pode ser que, assim, deixem de conceber com pecado.

28/04/14

lisboa civilizada

sidónio ressuscitado

Sidónio, aclamado pelo bom povo português, na inauguração de mais uma Sopa dos Pobres na Rua da Guia, freguesia do Socorro, Lisboa.

O número de beneficiários do RSI está a cair, tal como o de desempregados a receber subsídio. As reformas são cada vez mais cortadas, os empregos cada vez mais precários e mal pagos.

Que fazem Coelho e o seu ajudante de campo Mota Soares? Retomam a ideia de Sidónio de há um século: incentivar a Sopa dos Pobres. Dizem as notícias de hoje que as refeições nas cantinas sociais aumentaram 33% desde 2012. Que esmoleres governantes os nossos!

O reinado de Sidónio foi curto, tomou posse em Abril e morreu assassinado a 14 Dezembro de 1918. Mas, ao que parece, ressuscitou. E a caridadezinha, de que Salazar tanto gostava, também regressou em força.

Os fantasmas do passado voltaram para nos atormentar. O nosso banquete é o da austeridade, da fome, do desemprego, da mera subsistência, e muitas vezes nem isso, na nossa qualidade de animais de carga à disposição dos donos.

Sidónio morreu, Salazar também, mas Coelho sente-se tão bem!






27/04/14

a paternidade de abril

Os galarotes no poder não podem com Vasco Lourenço, muito menos com Otelo ou qualquer outro capitão de Abril. De Aguiar-Branco, assim com hífen para fiar mais fino, aos escribas engajados pelos novos fidalgotes na Nação, todos vêm dizer que essa soldadesca vermelhusca não é dona do 25 de Abril. 

Pois. Esses senhores, que não tinham nascido ainda ou viviam as suas vidinhas acomodadas, mudos e quedos para não levar bordoada, que nada fizeram contra Salazar ou Caetano, julgam-se os naturais herdeiros dos capitães de Abril, não se sabe se por direito divino ou por obra e graça do Espírito Santo. 

Quem fez o 25 de Abril foram os militares. Não os militantes do PSD/CDS. Não os videirinhos, os oportunistas, os salafrários e galifões que querem roubar aos portugueses o direito à felicidade. E à liberdade, se os deixarmos à rédea solta, sem os açaimos e as peias com que se refreiam as bestas.


coelho amigo, o povo estará contigo

Qual perdigueiro de luxo, já Durão Barroso anda por aí a farejar, com a esperança, a vã cobiça de, depois de Cavaco, poder ser ele a sentar o volumoso traseiro no apetecido cadeirão de Belém. Tem sido visto por aí, em tributos aos seus atributos, em discursatas de ocasião, em entrevistas para dar nas vistas e até, o grande sacrílego, a celebrar Abril no parlamento, nem sequer lhe faltando o cravo rubramente encravado na dispendiosa fatiota de rico crava.

Passos e Portas, os donos do partido único PSD/CDS, tudo farão para perder o menos possível as eleições europeias e para ganhar as legislativas de 2015. Até 25 de Maio, sussurrarão promessas, alvitrarão dias dourados, dirão mais uma vez que a culpa dos roubos aos portugueses, da colossal extorsão fiscal, da destruição do Estado Social, não foi deles, mas de Sócrates, esse que provocou a crise financeira mundial, que destruiu a Lehman Brothers, que foi o único obreiro do BPN, que matou a D. Rosalina por terras de Vera Cruz, que entregou a independência do País à troika, enquanto eles, Passos e Portas, coitadinhos, têm andado estes anos todos a proteger os portugueses dos grandes malfeitores do FMI, do BCE e da UE.

Depois das europeias, virão as legislativas, que o homem do "que se lixem as eleições" não vai querer perder, nem que tenha que abrir os cordões à bolsa para conceder algumas benesses - poucas, que o dinheiro não dá para tudo e, além disso, tem donos pouco dados à generosidade - ou emitir umas estatísticas enviesadas sobre o desemprego a baixar, as exportações a aumentar, a economia a melhorar e anunciar que, se for reeleito em 2015, o tempo dos sacrifícios já lá vai e ele, agradecido aos portugueses por estoicamente terem aguentado tanta afronta, tanto roubo por culpa de Sócrates, tudo fará para lhes aliviar a canga e a carga fiscal, ele que nunca se esteve a cagar para a canga e a carga dos portugueses, sempre chorou noites a fio, na intimidade do lar, estarrecido com tantas maldades que o FMI, o BCE e a UE europeia, por culpa de Sócrates, estavam a fazer aos portugueses.

Ou me engano muito, ou Seguro continuará a aguardar a sua hora para lá de 2015. E Durão terá poiso etéreo no remanso de Belém. E nós, pobrezinhos mas honrados, pobretes mas alegretes, continuaremos a barafustar, nunca nas ruas mas em casa e nos cafés, contra o governo, contra o aumento do desemprego, dos impostos, das multas inventadas à pressa e das coimas redobradas com ganância para mais nos empobrecer e vilipendiar.

Sossega, Coelho amigo. O povo estará contigo.