25/10/13

onde estão os revisores da imprensa nacional? passaram todos à mobilidade? foram sujeitos a requalificação? de fato isto não se faz!

um banksy por dia

http://www.banksyny.com/

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nós, os extintores do inferno

http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt/
Amanhã há manifestação. Organizada pelo mesmo movimento que, há pouco mais de um ano, fez cair a TSU. Terá sido por isso que não foi ontem anunciada a tão propalada reforma do Estado, para não deitar mais achas para a fogueira, para que a manifestação não tenha o mesmo impacto da que, a 15 de Setembro do ano passado, fez tremer os demónios da troika? Porque a reforma do Estado não vai ser mais do que o costume: mais roubos, mais cortes, mais mortes lentas de Portugal e dos portugueses, é tudo do que esta gente é capaz, é esta a noção que têm de governação. Vai uma aposta? 

O governo corta pensões de sobrevivência, salários dos funcionários públicos acima dos 600 euros, as sacanices não têm fim e são ignóbeis. Ao mesmo tempo, reduz os impostos às empresas, a todas, às pequenas e às grandes. Se isto não basta para o indignar, se isto não é suficiente para o levar a sair amanhã, então deixe-se ficar sentado em casa, com uma mantinha pelos joelhos, os pezinhos na escalfeta, a bebericar uma tisana. Até que a casa lhe venha abaixo. Por falta de dinheiro para a sustentar.

antes que o mandem pró galheiro, não barafuste pró boneco!


Amanhã. É amanhã. Sim, amanhã. Não foi isso que eu disse? Amanhã. Pois. Amanhã. Por todo o País. Em Lisboa, passa por mim no Rossio. No Porto, é na batalha que se ganha o combate. Amanhã. Sem falta.

Não se zangue no café. Não barafuste no emprego. Não exploda em casa. Não fale para o boneco. Na rua todos vão ouvi-lo. Na rua é que é. Amanhã.

Ilustração de Gui Castro Felga
https://www.facebook.com/gui.castrofelga

o alívio que a morte dá



Frasquilho (esse, sabem quem é, não sabem?) proclama que o alívio fiscal poderá chegar em 2014. Por acaso eu acho que não. O alívio chegará em ano de eleições, 2015. A não ser que Frasquilho esteja a antever eleições antecipadas. O que já devia ter acontecido há muito. Com troika ou sem troika, Coelho e o seu séquito ficarão para a História, história neste caso, como o pior governo de Portugal do 25 de Abril para cá. E se os tivemos medíocres ou pior. Desde o do ente rasteirinho que agora repousa em Belém até ao do Sócrates teatreiro, houve de tudo para mal dos portugueses. Por culpa dos portugueses. No entanto, nunca batemos tanto no fundo, aquele lugar onde se atormentam os mexilhões. Com troika ou sem troika, Coelho seria sempre um primeiro-ministro de ópera-bufa. Por inexperiência. Por incompetência. Por convicção. O homem nasceu dos mercados para os mercados. Respira mercados. Mercadeja-nos ao desbarato, em troco de investimento que não vem e de negociatas em que é a Pátria que fica a perder.

Catroga, o D. Pintelho, imperador chinês da electricidade, disse ontem que Sócrates devia ser julgado. Quem devia ser julgado era Passos. E Portas. E Relvas. E Gaspar. E Albuquerque. Quando se forem todos embora, quando derem de frosques para os altos cargos que lhes ofertarão a título de alvíssaras pelos altos serviços prestados, deixarão um país mais pobre, um povo mais acabrunhado, um cemitério à beira-mar plantado. Foi esta a solução mágica, o realismo mágico que a troika e Cavaco e os mercados e a Merkel - não nos esqueçamos da Merkel - quiseram para Portugal. Por muito menos, houve um Buíça. Por muito menos, acabaram com o Sidónio.

Sobra-nos um possidónio. Da Silva. Com paradeiro, o derradeiro, no campo-santo de Belém. Dali não sai, dali ninguém o tira. Até à exumação do cadáver.

pergunta do dia

Se adiam a reforma dos portugueses, porque é que não hão-de adiar a do Estado?


tudo às claras!


por todo o país, para cortar o mal pela raiz







E AINDA ...

não há becos sem saída nem portas irrevogáveis






24/10/13

lição brasileira sobre a história e geografia de lisboa em que o marquês de pombal sobrevive até à II guerra mundial

Diz-se, não consegui confirmar, que o olímpico disparate foi publicado na versão em papel desta revista:
http://www.revistaturismoenegocios.com

não chores coelhinho que tens amigos

http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt/

À acusação de Jerónimo de Sousa de que só se preocupa em proteger os amigos da banca, Coelho disse não ter amigos.

Mente. Tem amigos e muitos. Eu dou o nome de quatro, bem chegados, muito lá de casa: Merkel, Durão, Ulrich, Ricciardi. Mas há outros, oh se há. José Eduardo dos Santos finge-se amuado mas é amigo. Mexia é amigo. Catroga é amigo. Mira Amaral é amigo.

Coelho governa para os mercados, a alta finança, as grandes empresas. A arraia-miúda é que não lhe passa da porta das traseiras. Onde vai pedir umas sopas. Sem êxito.

Não tem amigos, Coelho? Não brinque com coisas sérias.

Claro que, em dois anos, conseguiu um número recorde de inimigos, mas essa é outra conversa. Os desempregados, os espoliados, os reformados, os funcionários públicos, quase todo o país em uníssono vacila entre o ódio e o desprezo à sua pessoa. Conte comigo nesse grupo.

o homem das peúgas devia subir a ministro

Por Ferreira Fernandes

Álvaro Costa tem uma fábrica de peúgas em Barcelos e não diz que exporta "strumpor" para a Suécia. Diz "peúgas". Homem simples, ele não fala sueco e inglês pronuncia mal. Se calhar, Álvaro Costa também não lê jornais económicos, daqueles que explicam os swaps, assim: "No fundo é como no casino. Apostamos no vermelho mas às vezes sai o preto." Ora quem vai ao casino sabe onde entra, há luzinhas à porta a apagar e a acender. Mas, em 2008, quando o gerente de um banco falou ao fabricante de peúgas, não trazia na cabeça luzinhas a apagar e a acender. O bancário propôs um "contrato swap", o que ficou entendido como trocar para taxa fixa os juros do empréstimo que o empresário fizera. Troca, pensou este, dentro de um risco razoável entre gente séria. Mas veio a crise e Álvaro Costa descobriu que, afinal, até era mais do que roleta, era jogar a vermelhinha com aldrabões: "Eu ainda hoje não percebo muito bem o que é um contrato suópi", diz. Ignorante? Sim, como todos, até a nossa ministra das Finanças, que também fez swaps (ela pronuncia bem) sem calcular o risco todo. Mas se Álvaro Costa era ignorante em swaps, não era tanso. Pagou os juros que o banco lhe pedia, mas meteu-o em tribunal. Ganhou. O Supremo anulou o contrato e obrigou o banco a devolver o abuso. Infelizmente, os sapateiros que subiram acima do chinelo e chegaram a ministros não têm, com o nosso dinheiro, o mesmo interesse que o fabricante de peúgas tem com o dele.

um bombom na biblioteca

A gente tem que botar contas à vida de cada vez que quer gastar uns tustos em luxos. E, já se vê, nos dias que correm tormentosos, um livro passou a ser luxo. Este, no entanto, não me vai escapar. Richard Zimler lê-se sempre com prazer. E esta história, passada em Portugal na actualidade, com as vicissitudes e mazelas que se conhecem neste conturbado país, promete. A corrupção, a promiscuidade entre negócios e política, crime de morte, investigação policial, rebuçadinhos para quem gosta de ler policiais de rosto humano, mais um bombom na biblioteca. E Richard tem, além disso, dois pontos a seu favor. É da colheita de 1956, como eu, reserva de boa cepa. E, sendo americano, adoptou o Porto como a sua terra. Há lá melhores atributos!

o ódio a sócrates

Por Daniel Oliveira

Quando comecei a minha coluna semanal no EXPRESSO, ainda Santana Lopes era primeiro-ministro e Sócrates o queria ser, o meu primeiro texto tinha como título "A coisa". Era sobre José Sócrates e o seu vazio ideológico e programático. Uma acusação, à altura, mais do que justa. Ao contrário de outros ex-primeiro-ministros, Sócrates fez-se ideologicamente no poder. Com várias guinadas ao longo de seis anos. Não apenas guinadas tácticas, bastante comuns em muitos políticos. Mas guinadas sinceras de quem estava a aprender o mundo enquanto governava.

Durante seis anos fiz-lhe oposição. E não me arrependo. Também o apoiei em várias medidas, como é evidente. Mas, acima de tudo, tratei sempre com cuidado os casos menos políticos em que o seu nome foi sendo envolvido. Na realidade, o mesmíssimo cuidado que tenho com todos os casos que surgiram com pessoas deste governo: não os deixo de tratar, exponho os factos conhecidos e retiro conclusões políticas. Com Sócrates, nuns casos fiquei esclarecido, noutros mantenho dúvidas. Numa análise a todas as acusações que lhe tinham sido feitas conclui, em fevereiro de 2010: "No meio desta histeria, que torna o debate político insuportável - é já quase sinal de cedência escrever sobre qualquer outro assunto que não seja José Sócrates -, a falta de rigor e de apego à verdade de que o primeiro-ministro é acusado parece ter tomado conta do país inteiro. Interessa saber se José Sócrates fez o que se diz que ele fez. Mas, se não levarem a mal, a verdade dos factos pode, de vez enquanto, ter voto na matéria." Sobre esses casos, podem ler texto que aqui refiro. Chega e sobra. Não é com eles que quero perder tempo.

É normal que se investiguem primeiros-ministros e dificilmente me veem a comprar teses de cabalas e campanhas negras. Mas ninguém negará que nunca, sobre um governante, saíram tantas notícias de pequenos casos de forma tão insistente. Sobretudo não me lembro de terem sobrevivido tanto tempo a qualquer esclarecimento, bom ou mau. Compare-se o caso do Freeport - que durou anos - com o da Tecnoforma, que passou desapercebido a quase todos os portugueses. Acho que posso dizer com rigor, sem ter de tomar partido, que nunca um primeiro-ministro em Portugal foi tão atacado como José Sócrates. Nada escapou: da sua vida intima ao património da sua família, do seu percurso profissional e académico à forma como exerceu os seus cargos políticos anteriores. Até escutas ao primeiro-ministro a oposição de direita quis o país ouvisse, coisa que nunca alguém se atreveu a propor em qualquer outro caso. A verdade é esta: pequenos pormenores da vida de Sócrates ainda hoje vendem mais jornais do que venderia a biografia mais intima de Passos Coelho.

Porque gera tantos ódios José Sócrates? Os que o odeiam responderão com rapidez que faliu o país. Nessa não me apanham mesmo. Até porque a "narrativa" tem objetivos políticos e ideológicos que ultrapassam em muito a figura do ex-primeiro-ministro, o que revela até que ponto podem ser estúpidos os ódios pessoais de uma esquerda que, por mero oportunismo de momento, comprou uma tese que agora justifica todo o programa ideológico deste governo.

É pura e simplesmente falso que Sócrates tenha falido o país. E isto não é matéria de opinião. Sócrates faliu o país da mesma forma que todos os que eram primeiros-ministros entre 2008 e 2010 em países periféricos europeus o fizeram. Até 2008 todos os indicadores financeiros do Estado, a começar pela dívida pública, e todos os indicadores da economia seguiam a trajetória negativa que vinha desde a entrada de Portugal no euro (ou até desde o início da convergência com o marco, que lhe antecedeu), verdadeiro desastre económico que ajuda a explicar uma parte não negligenciável da situação em que estamos. A narrativa que esta crise se deve ao governo anterior, além de esbarrar com todos os factos (o truque tem sido o de juntar o aumento da dívida anterior e posterior a 2008 e assim esconder a verdadeira natureza dessa dívida), esbarra com a evidência do que se passa nos países que estavam em situação semelhante à nossa e não tiveram Sócrates como primeiro-ministro. Posso escrever tudo isto com uma enorme serenidade: fui opositor de Sócrates e sempre disse o que estou a dizer agora.

Também nada de fundamental, até 2008, distinguia, para o mal e para o bem, os governos de Sócrates dos anteriores. O que era diferente correspondia às pequenas diferenças entre os governos do PS e do PSD, que já poderiam ter sido detectadas em Guterres. O que era igual, conhecemos bem e podemos identificar em Barroso, Guterres ou Cavaco. Em todos eles houve decisões financeiras desastrosas - das PPP à integração de fundos de pensões privados na CGA, da venda ruinosa de ativos a maus investimentos públicos. Em todos eles houve interesses, tráficos de influências, mentiras, medidas demagógicas e eleitoralistas. Sócrates foi apenas mais um.

Há uma parte deste ódio que surgiu à posteriori (sim, vale a pena recordar que Sócrates venceu duas vezes as eleições). Perante a crise, o país precisava de encontrar um vilão da casa. Como escrevi, irritando até muitas pessoas de esquerda, em Outubro de 2010, ainda Sócrates era primeiro-ministro: "São sempre tão simples os dilemas nacionais: encontra-se um vilão, espera-se um salvador. Sócrates foi um péssimo primeiro-ministro? Seria o último a negá-lo. Mas, com estas opções europeias e a arquitetura do euro, um excelente governo apenas teria conseguido que estivéssemos um pouco menos mal. Só que discutir opções económicas e políticas dá demasiado trabalho. Discutir a Europa, que é 'lá fora', é enfadonho. É mais fácil reduzir a coisa a uma pessoa. Seria excelente que tudo se resumisse à inegável incompetência de Sócrates. Resolvia-se já amanhã." O único acerto a fazer é que, perante este governo, a avaliação de incompetências passou para um outro patamar.

Sócrates acabou por servir, nesta crise, para muitas cortinas de fumo. A de quem quis esconder as suas próprias responsabilidades passadas. A de quem queria impor uma agenda ideológica radical e tinha de vender uma "narrativa" que resumia a história portuguesa aos últimos 9 anos e esta crise a um debate sobre a dívida pública. E a de quem, sendo comentador, economista ou jornalista, e tendo fortes limitações na sua bagagem política, foi incapaz de compreender a complexidade desta crise e optou por uma linha um pouco mais básica: o tiro ao Sócrates. Não lhes retiro o direito ao asco. Eu tenho o mesmo pelo atual primeiro-ministro. Mas não faço confusões e já o escrevi várias vezes: Passos sai, Seguro entra e, se não houver um enfrentamento com a troika, fica tudo exatamente na mesma. Porque o problema não é exclusivamente português e, mantendo o país no atual quadro europeu, depende muito pouco do nosso governo.

Há outra explicação para o ódio que Sócrates provoca. As novas gerações da direita portuguesa são, depois de décadas na defensiva, de uma agressividade que Portugal ainda não conhecia. A que levou à decapitação da direção de Ferro Rodrigues, através do submundo da investigação criminal e do submundo do jornalismo, representado, desde sempre, pelo jornal "Correio da Manhã". A mesma que tratou de criar um cerco de suspeição que transformou, durante seis anos, a política nacional num debate quase exclusivamente em torno do carácter do primeiro-ministro. Um primeiro-ministro que, como tantos políticos em Portugal, se prestou facilmente a isso. Um cerco que fez com que poucos se dessem ao trabalho de perceber o que estava a acontecer na Europa desde 2008 e como isso viria a ser trágico para nós. Andávamos entretidos a discutir escutas e casos.

Foi esta direita que, irritada pela iminência de perder prematuramente o poder que tinha reconquistado há apenas três anos, espalhou o boato sobre a suposta homossexualidade de Sócrates. Pedro Santana Lopes veio, em reação à entrevista de Sócrates ao EXPRESSO, dizer que essa campanha vinha do PS. Tenho boa memória e recordo-me das indiretas no debate entre Santana e Sócrates, na SIC. Lembro-me também de Santana ter passado uma campanha a insistir para que Sócrates tomasse posição sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, quando isso ainda nem era debate e sabendo-se o boato que corria. Lembro-me ainda de, num inédito mas muito conveniente comício de mulheres do PSD, em Famalicão, em plena campanha, uma ter dito isto: "Ele [Santana] ainda é do tempo em que os homens escolhiam as mulheres para suas companheiras... bem hajam os homens que amam as mulheres!" E de, entusiasmado, Santana Lopes ter rematado, em declarações aos jornalistas: "O outro candidato [Sócrates] tem outros colos, estes colos sabem bem". Todos sabem como Santana importou, através de um publicitário brasileiro, uma determinada forma de fazer política. Felizmente, como se viu pelo seu resultado, não funcionou.

Goste-se ou não do estilo, Sócrates é, muitas vezes, de uma violência verbal inabitual em Portugal. Ele é, como se definiu na entrevista a Clara Ferreira Alves, anguloso. E voltou a prová-lo, nesta conversa, de forma eloquente. Num País habituado a políticos redondos isso choca. Ainda mais quando se trata de um líder do centro-esquerda, por tradição cerimoniosa e pouco dotada de coragem política. Sócrates, pelo contrário, tem, e isso nunca alguém lhe negou, uma extraordinária capacidade de confronto e combate. O estilo público de Guterres, Sampaio, Ferro Rodrigues e Seguro (muito diferentes entre si em tudo o resto) é aquele com o qual a direita gosta de se confrontar. A aspereza de Sócrates deixa-a possuída, irritada, quase invejosa. A ele não podiam, como fizeram com Guterres, acusar de indecisão e excesso de diálogo. Sócrates acertou na mouche: ele é o líder que a direita gostaria de ter. 

Também a maioria dos portugueses tende a gostar de um estilo autoritário, mas sonso, que nunca diz claramente ao que vem, de que Cavaco Silva é talvez o exemplo mais acabado. Diz-se, ou costumava dizer-se, que Cavaco é previsível. Mas ele não é previsível por ser fiel às suas convicções, que nós desconhecemos quais sejam. É previsível porque quer sempre corresponder ao arquétipo do político nacional: moderado, ajuizado, prudente, asceta e severo. Apesar de, na realidade, no seu percurso cívico e político pouco ou nada corresponder a estas características. Pelo contrário, Sócrates corresponde, na sua imagem pública, ao oposto de tudo isto.

Não é o primeiro político português a fugir ao modelo do líder austero e sacrificado, que Salazar impôs ao imaginário nacional e que Cunhal, Eanes, Cavaco ou Louçã acabaram por, mesmo que involuntariamente, reproduzir. Já Soares fugira desse estilo e se apresentara emotivo, imprevisível e bon vivant. O que mudou desde então? Tudo. A exposição pública, o escrutínio da imprensa, o poder de disseminação do boato. Ainda assim, arrisco-me a dizer que se há um político português vivo que consegue arrebatar mais paixões, sejam de amor ou de ódio, do que José Sócrates ele é Mário Soares. À sua direita e à sua esquerda.

Mas há uma enorme diferença entre Soares e Sócrates: o estatuto. Que resulta da idade, do currículo político e do tempo histórico em que foram relevantes. E, para tentar resumir, é esta diferença que ainda faz Sócrates correr. Acho que ele não se importa nada de ser odiado pela direita e por parte da esquerda. O que o incomoda é isso não corresponder a um papel histórico que, mal ou bem, lhe seja reconhecido. É não ter atingido um estatuto em que ser odiado por muitos não só é normal como recomendável. No fundo, move-se pelo mesmo que todos os políticos que ambicionaram mais do que uma pequena carreira: o sonho da imortalidade. E essa é, entre outras, uma das razões porque não compro o retrato do pequeno bandido que enriqueceu com uns dinheiros dum outlet em Alcochete. Parece-me que a sua ambição é muito maior. Por isso, façamos-lhe justiça de acreditar que também serão maiores e mais nobres os seus pecados.

nem que chovam picaretas, eu vou!


a alice no país dos maravalhas


Ontem, no parlamento, tanto o deputedo da maioria como a madama do Bataclã, Passos de casto apelido, juraram a pés juntos que o Orçamento de Estado era equitativo. Repetiram-no várias vezes, não fosse quedarem-nos dúvidas na cachimónia.

Façamos as contas:

Contribuição proveniente das reduções salariais e despedimentos na função pública, cortes na Saúde, Educação, pensões de reforma e sobrevivência e outras prestações sociais: 84%.

Contribuição das empresas de energia, banca e outros negócios chorudos: 4%.

A minha professora Alice, osso duro de roer, havia de me desancar com a menina-dos-cinco-olhos se lhe apresentasse esta conta como exemplo de equidade. Ou, então, atirava-me com o Cândido de Figueiredo às trombas. E era bem feito.

Eu até lhes perdoo, ao deputedo e à madama. É que não tiveram, os maravalhas, a Alice a dar-lhes aulas.

de visita aos amigos

http://henricartoon.blogs.sapo.pt/
Contribuição extraordinária para o gás, electricidade e petróleo é válida até Outubro de 2014. Toma! Senhores do governo, se não se importam, o meu ano fiscal também é para terminar em Outubro.
J. Manuel Cordeiro

A senhora ministra das Finanças promete... pronto, vá lá... insinua, quase promete... uma descida de impostos para 2015. Huuuum... 2015... 2015... 2015... este número está a fazer soar uma espécie de campainha... acho que há uma coisa qualquer programada para 2015... ah! Já sei! É ano de eleições legislativas!!!
Samuel
http://cidadaniaverticalidades.wordpress.com


Esta já foi lema de campanha eleitoral em Oeiras e agora poderia servir como slogan para o mini-motim no Estabelecimento Prisional da Carregueira onde se encontra a cumprir pena o autarca preferido da população academicamente mais graduada do país! Depois do célebre episódio dos jornais queimados para assinalar o seu contentamento junto dos apoiantes que o foram saudar à prisão em delírio pós-eleitoral, outros presos resolveram agora seguir o exemplo do Padrinho da nova Oeiras, queimando colchões em protesto. Que Isaltino parece conservar as suas qualidades de liderança e inspiração... não cabem dúvidas! Resta apenas saber se as labaredas foram ateadas (ou não) plo seu eterno charuto... Aguardam-se novos recursos.
Rui Faustino

Passos Coelho repudiou a acusação de Jerónimo de Sousa, que disse que o Governo só tem mãos largas para os amigos ao criticar as políticas do Governo que só “servem os grandes”, dando como exemplo as ajudas à banca, em especial ao Banif, que mais tarde Passos Coelho não negou poder vir a ser um novo BPN. “Ó senhor deputado, eu não tenho amigos”, replicou Passos Coelho, sem chorar. Logo ele, que não há nenhum banqueiro que não o defenda. Logo ele, que chamou piegas aos portugueses há tão pouco tempo. Logo ele, que verá tantos portugueses a gritar o seu nome em tantas cidades de todo o país no próximo Sábado. 
Filipe Tourais

mau tempo na merkelândia

Reuters/http://www.dinheirovivo.pt

sete cães a um osso

Paulo Portas, o Barão das Laranjeiras, vai, com muitos meses de atraso, anunciar finalmente em que consistirá a tão badalada reforma do Estado. Eu disse do Estado, não do estadão. Como se sabe, os venerandos governantes da Nação não se privam, nem dos carros de truz, nem dos motoristas, nem dos assessores, nem de outros doutores recém-licenciados a necessitar de primeiro emprego e dos velhos amigalhaços a necessitar de engordar os proventos. Gastam milhões a mais, ao mesmo tempo que nos vão à carteira com desusada sanha, são sete cães a um osso cada vez mais carcomido. Aposto que a reforma do Estado do Barão das Laranjeiras vai gerar mais sacrifícios para todos nós, mais destruição dos serviços públicos, em particular do Estado Social. Os senhoritos, barões e tubarões, não se coíbem de roubar e vilipendiar, de exterminar tudo o que lhes pareça ter laivos de socialismo, mesmo que ténues. Está-lhes na massa do sangue. Faz-lhes parte do ADN. Nos seus palácios, seja São Bento, seja Laranjeiras, seja Necessidades, terreiros do Passos, congeminam assaltos que, não fora a Justiça, que ainda vai havendo, não fora a Constituição, que ainda vai resistindo, seriam assaltos à mão armada. Por esticão, puxão, sacão, à má fila, à canzana se preciso fosse.

Esperemos então pelo pior. Outra coisa, no estado em que estão Estado e estadão, não seria de esperar. Até serem desalojados dos seus aposentos de luxo, por indecente e má figura. Mas, isso, está a tardar. E, quem espera, desespera.

23/10/13

portem-se bem!

http://sicnoticias.sapo.pt
Portem-se bem, disse hoje Passos Coelho no parlamento, mas por outras palavras, mais elaboradas do que as que posso aqui escrever, que não tenho nem a sua cultura e muito menos a sua prosápia. Portem-se bem. Aceitem a carga e a canga. Sejam burros, carneiros, galinholas sem cérebro. Não vão para a rua manifestar-se, apanham frio, sujeitam-se a alancar com uma pneumonia e, além disso, eu não me demovo nem me comovo. Sei muito bem por onde vou e sei que não vou por aí. Se se portarem bem, se gritarem Viva Passos! e Viva a Troika!, se aceitarem passar para cá as carteiras sem resistência, então sim, então não haverá segundo resgate. A troika ficará cá para além do programa de ajustamento, imporá, mandará, continuará a ocupar o protectorado. Mas não haverá segundo resgate. Sacrifícios, todos. Resgate, nunca. Palavra de Pedro. E palavra de Pedro, já o deviam saber, nunca volta atrás.

um banksy por dia

http://www.banksyny.com/

que gare é esta, amigos?

A coqueluche da Nação construída nos idos de 90, com a ponte Vasco de Gama, os edifícios da Expo devolutos ou concessionados a terceiros a preços de saldo, os múltiplos estádios de futebol agora vazios.

De país "rico" a país falido, foi um salto de poucos anos. Agora, no ano da desgraça de 2013, a Estação do Oriente é a gare dos desvalidos.

Aqui chegámos.

os pobres não se manifestam

http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt/

Os ricos querem sempre mais. Por isso protestam. Por isso vão para a rua de sapatinho Blahnik ou Louboutin, mala Louis Vuitton, fato Armani, vestido Yves Saint-Laurent. Os eflúvios de Dior, Chanel, Dolce e Gabanna pairam no ar, as jóias Bulgari, Van Cleef & Arpels, Cartier, Tiffanny, ofuscam os pobrezinhos que as miram de olhos cobiçosos, lacrimosos das cataratas não tratadas, da miopia galopante, os pobrezinhos que não se manifestam, nem sabem o que isso é, são cordeirinhos temerosos, ignorados, ignorantes, o melhor cego é aquele que não sabe nem pode ver. 

Os chauffeurs levaram-nos de limousine. Atrás deles, ao longo da calçada que lhes estraga o calçado e lhes salpica a vestimenta, disgusting!, quelle horreur!, os mordomos de libré arrastam cestas com o farnel, canapés de caviar e salmão fumado, as flutes e o champanhe Moët & Chandon ou Veuve Clicquot, nunca Murganheira, chichi de gato velho. Mastigam com inegável finesse pedacinhos de tête d'achard e petit-fours porque a passeata lhes dá sede e dá larica, é preciso aconchegar o estômago, refrescar a garganta, aquietar a indignação que lhes vai na alma. Todos eles de bom ar e boas cores, do Sol da Martinica, das Seychelles, das Maldivas, das ilhas Caimão onde, por acaso, se avistaram com os gerentes de conta. Conta calada, clandestina, das melhores que pode haver, livre de impostos e das imposturas dos políticos sempre prontos a roubar-lhes os bens ganhos com o suor dos seus bronzeados rostos.

Todos desfilam contra o governo porque o governo não lhes deu tudo o que há para dar, cambada de piolhosos, filhos da classe média, filhos de seres menores, dos ricos enteados. Os nomes deles dizem tudo. Coelhos, Macedos, Silvas, Cruzes, Motas, Esteves. Nada de sonoridades, de sangue azul, de pergaminhos de família, de dedos brazonados. São, tal como os motoristas de farda e os criados de libré, meros servos, meros lacaios, mas dão tanto jeito, fazem tantos jeitinhos. Não ainda os melhores. É preciso exigir mais. É preciso continuar a desfilar pelas malditas passerelles por onde deambula a escumalha. A cheirar a catinga. Tontos de pinga e de pobreza. Tontos.

no auge da obscenidade


ir ao engano


http://www.ionline.pt



Por Luís Rainha

Os media estão nas mãos da Esquerda. Este mantra enche há anos a boca e a prosa de quem se sente encafuado numa maioria amordaçada. Custa imaginar Balsemão de punho erguido e T-shirt do Che; mas a visão de redacções inteiras em uniformes norte-coreanos, aguardando a próxima ordem de serviço do Bloco, é irresistível para as meninges oprimidas de uma certa Direita-Calimero. Os exemplos são esmagadores: há dias, um passeio contra o aborto quase não deixou rasto noticioso - os comunas censuraram a santa manif!

Curiosamente, o outro lado tem queixas homólogas: por três vezes, o movimento Que se Lixe a Troika tentou divulgar a sua descida às ruas do próximo sábado. Os insultos a Cavaco e a prisão de um activista desaguaram no prime-time; a convocatória ficou na sala de montagem.

Com a "manifestação" de apoio à troika, não houve bloqueio ou medo que resistisse. Aguilhoada pela fome de bizarria, a Imprensa cobriu em força o evento, que acabou por se revelar uma inteligente paródia.

Em tempos idos, já um programa da SIC ousara convocar uma manifestação falsa; de louras contra as anedotas preconceituosas. Os jornalistas sentiram-se ofendidos até ao tutano pela provocação. E claro que não aproveitaram para reflectir sobre os mecanismos perversos que viciam as suas agendas. Hoje, o fair-play é maior. As reacções azedas vieram sobretudo de quem garante não haver pressões para abafar a indignação: agora, choram pelos repórteres ingénuos e enganados... lágrimas tão sinceras quanto a manif.

afinal não é pelo combro

A manifestação de Sábado não segue pelo Combro, como tem sido tradição. Desta feita, desce pela Rua do Ouro ao Terreiro do Paço, segue pela Rua do Arsenal em remodelação, Cais do Sodré, Avenida 24 de Julho e, finalmente, Avenida D. Carlos I. Que esteja muita gente, toda a que não aguenta, aguenta. Ulrich não vai estar lá. Nem Coelho. Nem Cavaco. Nem Albuquerque ou Portas ou a Assunção do poleirinho parlamentar. Mas nós estaremos. A pé. Nunca de joelhos. Há soluções. Há alternativas. Todos os becos têm uma saída.


moedas de troika

Sara Matos/ Global Imagens/http://www.dn.pt
Moedas foi o último alvo da "arruaça", benditos arruaceiros. Moedas não deu troco. Só pensa na troika, só tem olhos para a troika, só vive para a troika. Dez réis de gente, o moedinhas esganiça-se em prol da troika. Abancou entre a banca e o cofre-forte do PSD, esse grande fornecedor de deputados e deputedo, de ministros e directores-gerais, de assessores e mandadores. Moedas tilinta. Moedas tem pinta. Moedas é troika-tinta laranja. Moedas cabe num porta-moedas. É a única moeda que resta aos portugueses. É pouco. É mau. É péssimo.

o trombone do animal feroz


Eu até gosto que o Sócrates meta a boca no trombone e cá vai disto que amanhã não há. Admito que grande parte do que ele contou a Clara Ferreira Alves, durante a entrevista ao Expresso, corresponda à verdade. Apesar de lhe ter sido feroz opositor nos idos de 2008-2011 (parece que foi há um século), sempre me repugnaram as campanhas miseráveis que contra ele se fizeram, a começar pela "insinuação" de homossexualidade quando Sócrates competia contra Santana Lopes, numa primeira incursão pelo estilo americanóide de fazer baixa política. Já se via, por este exemplo, do que o PSD era capaz para ganhar eleições. Poder-se-á retorquir que Santana não soube do plano nem foi a tempo de evitar a calúnia. Nem isso é verdade: ele próprio insinuou que era o único macho que concorria a primeiro-ministro, ele era o que gostava de estar entre mulheres.

Lembra-se? Eu lembro-me, que não tenho a memória curta.

Sócrates deu os primeiros passos, que Passos aprofundou, para tirar aos pobres o que aos ricos sobejava, em clara contradição com a doutrina do seu partido. Por isso rechacei Sócrates, abominei Sócrates, lutei contra Sócrates. 

Mas o substituto é pior, muitíssimo pior. Os seus spin doctors, técnicos de comunicação e marketing, homens dos bastidores, peões de brega e touros enraivecidos, ele próprio está claro, são capazes das maiores mentiras e intrigas para ganhar eleições. E depois de eleitos, como sentimos todos na pele, são capazes das maiores bandalhices,  pulhices, intrujices e outras javardices para cumprir o seu programa de empobrecer Portugal e os portugueses.

Por isso gosto de Sócrates ao trombone. 

Porque ele sabe mais do que nós. Porque ele sabe das conspiratas entre São Caetano e Belém para o depor e trazer a troika para nos salvar. Salvação, redenção que estamos a sentir, todos os dias, na carteira, nos nervos à flor da pele, na angústia que nos rouba o prazer da vida. Sócrates sabe, e nós também, que não foi ele que trouxe a troika para cá. Mas ele tem factos. Factos que queremos conhecer, um por um, até ao último pormenor. Para saber até que ponto chega a sujeira da política e a vilania de certa gente, capaz de sacrificar, martirizar e afundar na miséria todo um povo por um lugar ao Sol. Sol que, felizmente, se vai extinguindo a cada dia que passa. Até que a criatura e o criador morram de frio, no frio da sua torpeza e profunda imoralidade. Nunca a morte de alguém, politicamente falando, me saberá tão bem. Tão bem que vou festejar-lhes o funeral.

Venha de lá esse trombone!

figuras de estilo e figura de urso

http://www.publico.pt
Por Ferreira Fernandes

Pode sobrar-nos mês depois do ordenado, mas não nos faltam figuras de estilo. O ministro Pires de Lima lançou um eufemismo. Vocês sabem, aquela conversa suave para atenuar uma verdade catastrófica, tipo "entregar a alma ao criador" em vez de esticar o pernil. Ele não podia falar de novo resgate para um público já farto de ser refém. Então, dourou a pílula e falou de "programa cautelar". Parece caldo de galinha, não faz mal a ninguém... Em todo o caso, um belo eufemismo. Ao mesmo tempo, um grupo fez uma manifestação em Lisboa dizendo-se de apoio à troika. À partida, manifestar contentamento por se albardar o País à vontade da burra (a troika, comprovadamente incapaz) parecia masoquismo, mas não, não era nenhum distúrbio psíquico, era outra figura de estilo. Desta vez, ironia. Coisa bem difícil de fazer e por isso geralmente só utilizada, fininha, por queirosianos de boquilha e chapéu alto. Ver a ironia trazida para rua e por gente irada foi das poucas coisas boas que a crise nos trouxe. Sendo contra, diziam-se por, havia cartazes ("Abaixo as reformas" e "Vamos trabalhar mais"), gritos ("Acabou a mama") e discursos louvando "os nosso credores fofinhos internacionais"... Provavelmente o eufemismo do ministro e a ironia da manifestação não levam a nada, mas, pelo menos, preocuparam--se com o estilo. Bem melhor do que a figura de urso de Paulo Portas que fez esta frase rasa e indigna: "Os mais pobres não se manifestam."

22/10/13

a virgem ruborizada



Depois de Machete, temos Sócrates a agitar as relações com outro país "amigo", desta vez a Alemanha. A Embaixada germânica emitiu um comunicado onde reage às declarações que Sócrates fez ao Expresso, no Sábado passado, onde destratava o ministro das Finanças alemão Wolfgang Schäuble chamando-o de "estupor" e "filho da mãe". Devo dizer que, tal como as coisas estão, exacerbações de linguagem são bem-vindas, ainda por cima se forem certeiras. Para Schäuble, só se perdem as que caem no chão. 

Ler mais: 

de visita aos amigos


Mas isto é Hollande. Mas isto é o PSF. Mas isto é aquilo em que se transformaram os socialistas e social-democratas europeus. Radicalmente moderados. Tão moderados que não têm posição sobre coisa alguma. Nem sobre o mais elementar do mais elementar. Camaleões em busca de voto, farão tudo para não ter de fazer nada. Até que as Le Pen desta Europa lhes levem todo o eleitorado. Hollande bem avisou que seria um presidente normal. O meio de tudo. Ou seja: nada.
Daniel Oliveira

Medina Carreira e Alexandre Soares dos Santos em grande delírio na TVI 24. O empresário que paga impostos na Holanda para se safar melhor, fala em responsabilidade e sacrifícios. O que estes dois estarolas defendem é inacreditável. A argumentação é de um nível baixíssimo. Confrangedor. O fim do debate político é defendido às claras. Sem decoro. Judite de Sousa tenta confrontá-los com alguma razoabilidade. Reduzem-na a nada. Tratam-na por filha. Um nojo de gente.
José Teófilo Duarte

toca a ir também!







e enquanto, em lisboa, se passava a ponte ...

Roma também saiu à rua para protestar contra a austeridade.






camila lourenço fala ao país

Nuno Lomba/Global Imagens/http://www.dn.pt

mais uns passos contra passos

O Rossio é lindo, a calçada do Combro castiça, o Parlamento magnífico. Quanto mais não seja por isso, descalce as tamanquinhas, calce uns sapatos confortáveis, traga um guarda-chuva para o que der e vier, afine a voz e vá-se a eles que nem gato a bofe. Ficar em casa é desistir. É agachar-se. É perder a guerra. Sei que ganhá-la é difícil, tem o poder do dinheiro contra si. Sei que Passos é o lídimo representante dos mercados, o provedor da injustiça, o Miguel de Vasconcelos dos tempos modernos, o regente nomeado pelas forças de ocupação, o demente que nos leva à loucura. Sei que as quadrilhas que o sustentam são fortes, alimentam-se da mentira, da rapacidade, da extorsão, do desprezo pela vida humana, do sangue, suor e lágrimas das suas vítimas. Sei-o e você sabe-o também. Por isso é tão importante combatê-los, ao Passos e ao Portas, à Albuquerque e ao Silva de Belém que, à sorrelfa, lhes vai dando uma mãozinha, sempre com um olho no burro e outro no cigano para ficar de bem com deus e com o diabo. É importante enfrentá-los, afrontá-los, a eles e a tudo o que representam: o capitalismo selvático, a ladroagem engravatada, a abjecção feita normalidade, o lado sórdido da política, a má rês doutorada, emplumada, de garra afiada. A desumana humanidade. Se quiser, fique em casa, vá ao cinema, ao centro comercial, aos gambozinos, à fava enquanto a ervilha não enche. Mas, depois, não se queixe. Não se queixe que anda a ser vítima de salteadores. Afinal de contas,  foi um dos que lhes abriu a porta. E insiste em mantê-la escancarada. Vai-se a ver, até já deitou a chave fora.


novas matrículas

À excepção de 1% dos felizardos, os mesmos de sempre, barões de mercearia, fidalgotes da banca, uns quantos empresários armados ao pingarelho, uns políticos encartados com gosto por palmar carteiras, e os lambe-cus do costume, todos os outros cidadãos portugueses vão ter que mudar as placas de matrícula dos seus automóveis.

O modelo é este:


21/10/13

um banksy por dia

Continua em Nova Iorque. Manda cumprimentos.


Imagens: http://www.banksyny.com/

escândalo: a rita ferreira de vasconcelos faltou ao "obrigado, troika!" que ela própria convocou

Pedro Nunes/Lusa/http://expresso.sapo.pt
http://5dias.wordpress.com

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REUTERS/Hugo Correia/http://www.dn.pt
Amofinei-me eu ontem contra a Rita, as piadas na net abundaram fazendo paralelo entre o nome da senhora e o do outro Vasconcelos, O Defenestrado, não por causa da troika mas por lamber as botas do Filipe espanhol. E a comunicação social, cheirando-lhe a escândalo, acorreu em profusão ao evento, nos Restauradores (eram mais os repórteres do que os pretensos manifestantes).

Afinal era mentira. Se existe alguma Rita Ferreira de Vasconcelos não foi, coitada, para aqui metida ou achada. Nem ninguém havia para agradecer à troika, porque em Portugal ninguém agradece à troika a não ser alguns governantes (e, mesmo assim, nem todos) e algumas carolas de inteligência muito acima da média que vêem, para lá da miséria que nos atinge, sóis resplandecentes e futuros radiosos.

O objectivo de quem pregou tal partida foi o de chamar a atenção para a manifestação do próximo Sábado, sobre a qual tem havido um quase blackout por parte da imprensa que no entanto, hoje, acorreu pressurosa de câmaras e gravadores em punho, disposta a entrevistar, fotografar, popularizar a Ferreira de Vasconcelos e o seu movimento "Obrigado, Troika!".

Perdão Rita, seja quem for e onde quer que esteja. O seu nome foi invocado mas não em vão, a golpada resultou, os parolos foram ao engano e no engodo de notícia extravagante.

Apareça você no Sábado pelo Rossio, Rita. Pago-lhe um café no Nicola onde Bocage, outro dado a motejos, se sentava em, imagino eu, picante cavaqueira com os companheiros de estúrdia.

Uns pândegos. Ainda somos, apesar de todos os pesares que nos pesam os dias.