20/12/13

plano B: governo vai fazer de advogadas!

Por Ferreira Fernandes

Neste Governo, minirremodelação é pleonasmo. Ninguém espera que saia grande coisa de um buraquito. Mas anunciada uma mini junto ao chumbo do Tribunal Constitucional parece termos um grande problema. Calma: há um plano B! Embora este seja outro pleonasmo: com este Governo, o plano é sempre B, deve saltar-se o A. Nos Conselhos de Ministros, quando um ministro diz "chefe, tenho uma ideia!", Passos Coelho devia dizer: "Deixa cair essa, diz-me lá a seguinte." É, o nosso sonho era ter um Governo q.b., de medida certa, mas calhou-nos um Governo Pb, símbolo de plumbum, chumbo. O chumbo é um metal tóxico, pesado e maleável. Confere. E mau condutor de eletricidade (olha, vender a EDP deve ter sido a sua única medida certa...) Enfim, este é um Governo chumbado a zagalote do TC, mas, felizmente, há um plano B: fazer um vídeo. O enredo já meio Portugal conhece, há só que mudar as personagens. Aparece uma ministra que tenhamos loura, de passada firme pelos passeios de Lisboa, enquanto se ouve uma voz ao fundo: "Maria Luís Albuquerque e Associados é hoje uma boutique vocacionada para a recuperação de impostos." Entretanto, vão aparecendo um a um os morenos do seu escritório. Passos Coelho no Terreiro do Paço, de cabelos esvoaçantes (há que fazer, rápido, o vídeo...), Paulo Portas a entrar para um táxi, Aguiar-Branco numa arcada... No fim, todos os morenos à volta da loura. E a voz-off: "Os resultados obtidos falam por nós." Oh quanto!

19/12/13

A troika vai nua

Por Fernando Dacosta

Na passada semana, num debate televisivo sobre economia, finanças, política, etc., ouviu-se a certa altura um dos intervenientes dizer que devíamos demandar judicialmente (no Tribunal Internacional de Justiça) o FMI, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu por haverem conduzido Portugal à ruína, consequência de o terem feito com a subserviência (activa) do governo, cobaia de experiências sociais infamantes.

Esse interveniente - Eduardo Paz Ferreira, prestigiado catedrático, fiscalista, ensaísta, comunicador (andou por jornais na década de 70) - perturbou assim a compostura reinante com a sarcástica ironia que o caracteriza.

Açoriano, tornou-se há muito um dos mais contundentes pensadores/comentadores da realidade portuguesa. Através das suas palavras, algo de novo, de dignificante, foi dito, subvertendo o discurso que velhacamente nos tem narcotizado.

Isso sucedeu precisamente na altura em que se soube que o "inquérito à actuação da troika nos países sob intervenção", decidido pela UE por suspeitas de "abusos ou violações da lei", ficava em águas de bacalhau, substituído por um inócuo relatório de valor dito "simbólico".

Dois dias depois, outro açoriano, Medeiros Ferreira (um dos nossos mais lúcidos ministros dos Negócios Estrangeiros) garantiu no mesmo canal que "toda a troika será julgada", indo ficar "nas ruas da amargura", pois "ninguém nela se irá salvar". Será "um escândalo".

À semelhança dos demais povos "subeuropeus", os portugueses irão também golfar os flibusteiros (internacionais e nacionais) que os assaltaram comandados por duas (travestidas) "tias", Merkel e Lagarde, sem limites nem vergonha.

A troika, como se suspeitava, vai nua.

18/12/13

o garnisé aporrinhado e outras aves empoleiradas


Um bando de franganotes, dos mais fracotes que há, é o que sempre me parece o friso frontal do PS no Parlamento. Então, quando Seguro discorre, no seu jeito infeliz de menino da lágrima, a analogia salta-me à moleirinha com desusada clarividência. Até Soares, nos seus frescos 89 anos, faz mais mossa aos galaréus no poleiro do que o pintainho de aviário concebido, com pecado, no ninho da jota. Fosse ele, Soares, o secretário-geral do PS e outro galo cantaria, não mais piaria esse garnisé assustadiço a quem o medo de ir para a panela, antes de ver o fundo ao tacho e de repartir tacho a tacho, lhe tolhe a asinha que não voa, lhe esmorece e cai no mar, lá diz o fado mas mal fadados andamos nós, mal fadados e mal pagos, toma lá milho, dá cá os ovos d'ouro enquanto a galinha o pernil não estica ou, então, revoltada nos debica.

Faltam-nos capões na capoeira. 

Sobram-nos galinholas.

17/12/13

os ricos que façam filhos!

Volta não volta, os nossos desgovernantes mostram-se muito preocupados com a baixa natalidade em Portugal, com a falta de escravos que, um belo dia, deixarão de existir para os sustentar, a eles e aos da sua laia.

Ora eu pergunto: com recém-licenciados sem trabalho ou, quanto muito e viva o velho!, a ganhar 500, 600 ou - se o patrão, num arrobo de generosidade, estiver para aí virado - a ucharia de 700 euros, como é que querem que esses jovens constituam família?

Já lá vai o tempo de amor e uma cabana, senhores!

Por isso vos deixo aqui um conselho, dado de boa vontade: deixem de nos fornicar a nós, forniquem entre vocês, façam filhos, procriem como Deus manda e os bichinhos gostam.

Não nos fodam é, a nós, nem o juízo nem as vidas.

resistir é uma forma de combater

Miguel Queirós Pinto, http://olhares.sapo.pt
Por Baptista-Bastos

João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio, diz que falar com a troika não vale nada. É pelo menos estranho que só agora ele se tenha dado conta da inutilidade das reuniões. Vieira Lopes é "um homem que veio da luta" (como se dizia ainda não há muito tempo), caldeado em convicções de que, depois abandonou, mudando de carril. Isto para salientar a sua particular experiência política. O que esta gente da troika, com a aquiescência governamental e patronal, nos tem feito é de bradar aos céus. O movimento opinativo sobre os malefícios da troika avolumou-se nos últimos tempos, exactamente quando o trio se prepara para abandonar Portugal. Assistimos, tão impávidos quanto a nossa moleza de espírito o permite, às decisões mais atrozes que uns funcionários do capitalismo europeu nos aplicaram, por ordem dos bancos e das grandes multinacionais. Passos Coelho, sempre ele, observava o agonizar da pátria, asseverando que não havia outro caminho senão o do empobrecimento da população. A voz do dono, sem protestos nem recalcitrações. Fomos considerados, por esses serventuários de segunda ordem, "bons alunos", tementes a Deus e a tudo o que não entendíamos. Temos pago um preço caríssimo por essa obediência cega, mandada por uma clique de biltres, e encomendada por esse poder sem rosto que se oculta nos "mercados", a ganância sem regras nem ética de que fala o Papa Francisco.

Porém, a situação é irreversível e a nossa servidão não tem cura nem remédio? Não é bem assim. O direito à insurreição e à desobediência está patente na Constituição da República Portuguesa, nobre documento sobre o qual nos devíamos debruçar e estudar, para nossa própria dignidade e salvação. Eis o que diz o artigo 21.º, sem omissões ou rasuras: "Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias, e repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública."

Nada mais claro. Acontece um porém: as pessoas desconhecem que estão protegidas pela lei, quando a lei é estropiada pelos poderes momentâneos. O Vieira Lopes, infelizmente, só agora percebeu que as ilegalidades accionadas pela troika, e apoiadas, entusiasticamente, pelo Governo, além de inúteis, configuram aspectos de agressão, que tem, obviamente, resposta adequada e legítima. Apenas as pessoas não o sabem. Ora, este cultivo da ignorância, em favor de interesses cavilosos, possui características de alta traição. Os funcionários da troika vêm com um receituário apenas destinado a salvar o capitalismo desta nova crise. Aplicam-no, indiscriminadamente, à Grécia, a Portugal, a quem esteja de chapéu estendido. Nada sabem da história dos países por onde passam, das características dos povos que vão esmifrar, das desgraças inomináveis que irão provocar, com atroz indiferença. Mas os Governos que os sustentam sabem muito bem a dimensão da tragédia. Por isso, a responsabilidade é maior e mais propensa a cair nas malhas da justiça.

Temos de reagir ao cerco que nos esmaga, da maneira que pensemos melhor. E recordo as últimas declarações de Marinho e Pinto, no excelente programa "Justiça Cega", da RTP, quando, ao citar o artigo 21.º da Constituição, apela à nossa resistência contra as iniquidades que em nós impunemente tem praticado este Governo, e outros.

os novos "mestres pensadores"

Por Tomás Vasques

Dizem-nos os novos "mestres pensadores" - usando uma designação feliz de André Glucksmann -, gente muito chegada às "tramitações financeiras", aos "equilíbrios orçamentais" e às alcatifas que o poder político ou económico lhes estende, que esta realidade social, que antes era residual, e hoje se generaliza, levando para a miséria grande parte da classe média, é o resultado "inevitável" de um "ajustamento necessário à nossa sobrevivência". Às vezes, mais eufóricos, usando palavreado mais "culto", informam-nos, com ar sério, que se trata de um "novo paradigma " da sociedade do futuro, ao qual não há volta a dar: há que trabalhar mais horas, ganhar muito menos salário, ter menos direitos laborais, e menos "protecção" do Estado (como se o Estado fosse deles) na Saúde, na Educação e na Segurança Social. Eles - os novos "mestres pensadores" - omitem, sem pudor, o elementar: o "novo paradigma" para o qual nos querem conduzir é um modelo de sociedade à medida dos poderosos da finança e da economia, gerador de desigualdades cada vez mais fundas. A iniquidade é tão notória que ao lado destes "ideólogos" do empobrecimento, como "solução única" para "superar" os nossos males, aparecem banqueiros e grandes empresários, os quais, cada vez mais afoitos, lhes complementam os argumentos e as falácias, como são, por exemplo, os casos de Ulriche e Soares dos Santos.

Para além da defesa das "teorias do empobrecimento", estes novos "mestres pensadores" querem fazer-se passar por "guardiões" da democracia. Para eles, esta gente já devia agradecer o direito que lhes foi concedido de votar de quatro em quatro anos. Feita a escolha, no interregno, deviam estar calados e trabalhar para "sairmos da crise". A Constituição "não corresponde aos tempos em que vivemos"; as decisões do Tribunal Constitucional são "políticas" e "impedem que o governo nos leve a bom porto"; as greves só "agravam a situação económica"; só se manifestam nas ruas "os que não querem trabalhar"; uma cambada de "nostálgicos da irresponsabilidade" reúnem-se na Aula Magna ou "sindicalistas pagos pelo Estado" perturbam os trabalhos da "digna" Assembleia da República.

Como diria Sua Santidade, o chefe da Igreja Católica, que declarou não se importar que lhe chamem marxista: perdoai-os Senhor porque eles são insensíveis à pobreza e não sabem o que é democracia.

a comunicação social está a morrer

Por Mário Soares

A comunicação social, tal como a entendíamos no passado, praticamente deixou de interessar. Os jornais vendem cada vez menos. As televisões também sofrem a concorrência da internet, onde, através das redes sociais, as notícias vão chegando, com custos mais acessíveis aos que têm pouco - ou mesmo nada - para gastar.

A crise financeira e a globalização, tão elogiada há algum tempo, praticamente deixaram de interessar. Os jornais são cada vez menos lidos porque não falam do que a maioria das pessoas quer saber. E as televisões menos vistas e ouvidas pela mesma razão.

Os jornalistas, cada vez mais dependentes dos patrões, deixaram de dizer o que pensam - como antes faziam - para agradar ao que julgo pensam os patrões. E o público, cada vez mais empobrecido com a crise, não tem interesse em comprar os jornais que mal escrevem aquilo que querem saber... É um círculo vicioso que não interessa a ninguém.

Nos últimos anos, os jornais e as revistas portuguesas começaram a ser comprados por angolanos com dinheiro para gastar. Antes eles - é verdade - do que os magnatas americanos que compraram de uma assentada o Le Monde e o El País...

É assim que o jornalismo do tempo da democracia vai desaparecendo nesta espécie de ditadura em que vivemos. E como os poucos jornalistas e comentadores das televisões, para agradar aos patrões, não escrevem nem dizem o que pensam - com raras e honrosas exceções, claro - mas tão-só o que julgam agradar aos patrões. E os leitores deixam de comprar os jornais e de abrir as televisões. É inevitável...

A comunicação social, dado que os jornalistas não querem perder suas posições, deixa de ter interesse, tem cada vez menos leitores e telespectadores a ouvir e a ver as televisões. Porquê? Porque têm medo de não agradar ao Governo, a caminho da ditadura. Assim se vai destruindo a nossa comunicação social, com as consequências nefastas que daí advêm.

Isto é: perdem todos. É o que resulta de um capitalismo cada vez mais selvagem - como lhe chamou desassombradamente o Papa Francisco - que mata o futuro e vai acabar por ser um desastre para aqueles que julgam que o vão usufruir...

15/12/13

obrigado, dr. coelho, pelo Natal que não temos e pelo próspero ano novo que não teremos

Obrigado, Dr. Coelho. Pelos  despedimentos, reduções salariais, colossais aumentos de impostos. Pelos cortes na Saúde, na Educação, nas Reformas. Pela angústia do presente e a incerteza do futuro.

Obrigado pelo Natal que deixámos de ter e pelo Novo Ano que tememos viver.

Por tudo o que nos deste, pobreza, emigração, suicídios, raiva, indignação, tristeza, por tudo isto e muito mais que ainda nos tens para dar, obrigado. Muito obrigado!












Todas as fotografias foram recolhidas em: http://www.boredpanda.com