13/06/15

a mentira sem vergonha

Por Baptista-Bastos
http://www.jornaldenegocios.pt/

Na última terça-feira, o dr. Pedro Passos Coelho, com a desfaçatez que já não surpreende ninguém, afirmou que nunca tinha convidado ninguém a abandonar o País. Disse-o, sorridente, como sorridente estava a seu lado, o falecido autor de "O Eduquês."

O episódio ocorreu na TVI, cada vez mais a minha estação preferida. Quase a seguir, a emissora recuperou as afirmações do senhor, que fizeram história, e desmentiram, agora, o que, de facto, dissera, há dois anos. Além das afirmações, lá estavam, também, as do inigualável Miguel Relvas, no mesmo tom e estilo do patrão, e de um outro qualquer secretário de Estado. Os mentirosos foram desmascarados, mas não titubearam.

A panóplia de mentiras, omissões, torções à verdade mais elementar, de que este primeiro-ministro e os seus são mestres evidentes, tornou-se motivo de devastadoras anedotas. No tempo do fascismo, a aldrabice possuía a cumplicidade da censura e da polícia política, agora, as coisas são "democráticas", e o que constitui um escândalo repugnante nem sequer é referido pela comunicação social. No caso, a TVI, honra lhe seja feita, resgatou a vergonha.

O crisol de mentiras em que se tornou, ao que parece, a pedra d’armas do Executivo, é a limpeza mais difícil para o próximo Governo. Trata-se o problema moral, que não é novo nem de agora. Basta ler, ou reler, as páginas imortais que Eça de Queiroz ou Fialho d’Almeida dedicaram à pouca-vergonha para atentarmos em que este mal parece endémico, e sempre colado à classe política. Não conseguimos viver em democracia, sem que a doença reapareça, viçosa e com novas aplicações?

Foram as trapaças, as aldrabices de alguns falsos republicanos que conduziram à conspiração promotora da ascensão do fascismo. Ontem como hoje, estavam criadas as condições para que as ditaduras tomassem o poder. Basta ler os "Diários", de João Chagas, escritos numa prosa soberba, ou o "Cinco de Outubro", de Jacinto Baptista, ambos honrados homens de bem e republicanos decentíssimos, para nos apercebermos da perfídia, e como ela foi montada.

Este Governo tripudia sobre a verdade com uma desvergonha inaudita. E a mentira generalizada, a perseguição a quem é dissente da pouca-vergonha, ou, simplesmente, quem se atreve a proclamar que o rei vai nu são virais. O "sistema" oculta e recupera qualquer daqueles que tenha prevaricado, e a integridade e a compostura são tomadas como raridades.

ofensa à virgem, à maia e se calhar à abelha também



O Padre Mário Pais de Oliveira, de quem sou fã não sendo católico nem apostólico nem romano, ofendeu Maia num programa do Correio da Manhã TV. Coitadinha da Maia, que não se pode tocar em Fátima, no milagre, na Virgem, nos pastorinhos e na santidade e seriedade da Igreja.


ora aqui está o que é!

os charters chineses vão ser realidade


Sempre que Coelho sai da toca para uma das suas incursões, excursões, inaugurações, para tudo menos para o exercício das suas funções que são as de governar, é assediado por uma miríade de repórteres, operadores de câmara, fotógrafos e alguns, poucos, mirones babados ante a visão da agora já encanecida excelência. Cheira a campanha eleitoral, e olhem que o pivete não é dos melhores. Não há dia nenhum em que Coelho não dê uma conferência de imprensa em pleno olho da rua, à saída de uma qualquer instituição, fundação, lupanar de empresários. Perora sobre tudo, não há coisa que não saiba e sobre a qual não tenha opinião e não bote faladura. Pelo que deixa entender e subentender, não há horizonte luminoso, céu resplandecente, sol refulgente que não venham aí, qualquer dia, quem diria?, brilhar sobre o nossa terra de nabos e nababos, paraíso de falcatruas e desfalques, pátria de pulhas e trafulhas, reino de aquém e além dor. Sei o que vem por aí: o colapso da alta finança internacional nunca existiu, a crise deve-se a Sócrates; os grandes empresários, argutos políticos e não menos astutas prostitutas de bolsas e mercados, de dinheiro e carne fácil, não viveram acima das suas possibilidades, fomos nós; a saúde é insustentável, a educação é incomportável, a segurança social é insuportável, mas nunca os bancos e muito menos os banqueiros, tanto precisamos de os ajudar a singrar na vidinha de lucros obscenos e prebendas das arábias; a austeridade foi para nosso bem, perdulários que fomos, madraços que somos. Mas tudo agora são rosas, são rosas senhores!, os espinhos desapareceram por encanto, por artes mágicas, por birra da Natureza. Não acreditem no que outros vos dizem, o caminho certo é o do apertão nos calos, piparote no cu, aperto de cinto, perto da indigência. Bem aventurados e bem-vindos sejam os pobretes, os alegretes, os desempregados, os suicídas, os desalentados. Os salários estão baixos, agora é que os investidores vão aproveitar. Vêm aí magotes de empreendedores, em charters da China, dos Estados Unidos, da Rússia, de Angola, dos Emiratos, da Colômbia, da Guiné Equatorial, de democracias ou ditaduras tanto faz, não faz mal. Há por aí alguma reserva onde se possa construir um campo de trabalho com mão-de-obra barata e sem direitos? Portugal está melhor do que o resto da Europa, estamos a crescer, somos competitivos, vamos ficar ricos de mentiras, prenhes de logros. No olho da rua se diz tudo isto. Assediado por uma catrefa de cérebros esvaziados à força de precariedade. Assim se faz, se vende um país. O meu.

12/06/15

só a mim é que não sai um jackpot!


uma pipa de 10 milhões


Pires de Lima devia estar com os copos, ontem, para vir para as televisões gabar-se do encaixe de 10 milhões com a venda da TAP. Devia estar pielas e não era de cerveja, era de soberba, de orgulho, de vaidade, impante perante uma obra tão bem feita, uma operação tão perfeita. Dez milhões são uma pipa, de gin, de vinho fino, de cachaça, do que aprouver a Sua ministerial Excelência, mas nunca uma pipa de massa que tape seja que buraco for das contas do Estado. E assim vamos. Vendendo as últimas jóias da coroa, alienando o futuro, para pagar umas tantas dívidas aos credores. Não muitas. Dez milhões dar-me-iam muito jeito a mim mas, para o Estado, é um grão de areia na Costa da Caparica. Vivemos uma farsa, ou não fossemos nós governados por farsolas e mariolas do piorio. Como disse ontem um senhor na televisão, o executivo de Coelho ficará para a História como o governo que deixou a TAP sair do controlo estatal, que praticou um crime de lesa-pátria.

E, se mal pergunto, que se passa com a providência cautelar apresentada por um grupo do movimento Não TAP os Olhos? Anuncia-se o nome do comprador enquanto o processo decorre? Estará o governo tão convencido assim de que o tribunal vai aceitar os seus argumentos? Ou, pura e simplesmente, está-se nas tintas para a Justiça, dando assim um exemplo de irrepreensível cidadania?

A TAP que não voe daqui para fora. Eles sim. De submarino, passe a incongruência, para que saiam sem ninguém saber. Assim, de mansinho, .antes que a padeira renasça para rechaçar os traidores.

gostei do discurso de cavaco silva

No ano passado, foi assim.
Não li nem assisti ao discurso de Cavaco Silva no 10 de Junho. Não tive paciência e tenho um estômago de piriquito, sensível, dado a azias incapacitantes e enjoos demolidores. Não li nem vi mas gostei. Antes que se precipite a escrever um comentário feroz, daqueles cheios de insultos à minha pessoa, de filho da puta para cima tudo é possível, deixe que lhe explique a razão do meu parecer favorável às solenes palavras de Cavaco Silva que, repito, não li nem ouvi e só não tenho raiva a quem leu ou ouviu porque louvo quem tem o que eu não tenho nem quero ter, um inabalável espírito de sacrifício. 

Uma pergunta: se fosse responsável por uma agência de publicidade e precisasse de uma figura pública para patrocinar o produto que quer divulgar, escolhia uma personalidade detestada ou antes um ai-jesus das audiências? Escolhia a Manuela Moura Guedes, abominada por muitos, entre os quais eu me incluo que não sou de dar a outra face, ou um actor ou actriz de grande e consensual popularidade? 

Ora acontece que, no caso da discursata de Cavaco, a oposição o acusa de ter feito um elogio descarado à acção governamental e à brilhante situação deste lusitano torrão à beira-mar encravado. Por isso, responda-me agora a mais uma pergunta, prometo que é a última: sabendo que os índices de popularidade de Cavaco Silva andam pelas ruas da amargura, do beco do Carrasco ao Poço do Borratém e à rua da Triste-Feia, que pior - ou antes, que melhor - personagem para publicitar o governo da contra-revolução ainda em curso?

Mal comparado, ou se calhar até belissimamente comparado, era como pôr o Manel Palito, o ignominioso assassino, a anunciar na televisão um livro de apologia à bondade humana. Era tiro e queda!

Percebe agora porque é que gostei do discurso, sem o ter lido, sem ter assistido à funçanata, sem ter ouvido Cavaco, sem o ter visto para gozo dos meus olhos já cansados de ver o que não querem? Compreende-me, não compreende? Reparo agora que, tal como Passos, não cumpro as minhas promessas mais solenes, no meu caso de que lhe faria apenas duas perguntas e já vou em quatro. Puna-me. Obrigue-me a ler o discurso 100 vezes. Até o saber de cor.

11/06/15

tanta esperança assassinada

Para onde vão ser hoje as deslocações dos manos PP, Pedro e Paulo, Portas e Passos, PPD e PP de mãos dadas e aos beijinhos? Que chafariz, que chafarica vão inaugurar? Que obra obrada a preceito e que, agora, dá tanto jeito? Que atalho? Que talho? Que carvalho? Que mangalho entroncado no Entroncamento? Que penico e por aqui me fico? Que novidades das boas e das maravilhosas surgirão hoje na imprensa, agora que tudo são rosas? Quantos emigrantes voltaram? Quantos empregos se criaram? Quantas fábricas fabricaram, escritórios escrituraram, vendas venderam, bancos bancaram, comensais abancaram no banquete das privatizações?

E quantos mitos se vão invocar, mentiras negar, promessas jurar? Quantos jornalistas os perseguirão servis, febris, as câmaras apontadas, os microfones em riste? Ris-te? Tu ris-te? Mas como, se tudo isto é triste, se tudo isto é fado, fardo por demais pesado para os nossos ombros porque o que vemos são escombros, restos de um bacanal de sátiros, uma herança de esfomeados, maltratados, desempregados, enquanto os manos se vangloriam de tanta maleita curada, tanta esperança assassinada, tanta obra feita, tanto nada?

Vamos fazer-lhes a desfeita.
http://www.jornaldigital.com/

10/06/15

nunca se viu nada assim!

Muitas vezes, em muitos aspectos, Portugal aproxima-se perigosamente de uma qualquer república das bananas ou de uma ditadura africana. Mas nunca tanto como agora. Este caso Sócrates cheira cada vez pior. As infracções ao segredo de Justiça têm sido uma constante - ou, creio ser mais esse o caso, as invenções destinadas a que o julgamento na praça pública se faça sem delongas e com vigor ao contrário do que, suspeito, vai acontecer nos tribunais.

Hoje, foi a vez da revista Sábado trazer a transcrição do último interrogatório a Sócrates. Quem passou as gravações para a imprensa? Com que intuito? E isto não escandaliza ninguém? Não provoca uma investigação? Uma condenação por parte das altas esferas judiciais?

Fui opositor de Sócrates. Furiosamente contra a sua acção governativa, em especial nos últimos anos. Contudo, agora e até prova inabalável em contrário, estarei do seu lado. Se estiver inocente, não quero pensar sequer na vergonha que a sua libertação representará para Portugal, para os seus difamadores, para os seus perseguidores, para o povo que embandeirou em arco e emprenhou pelos ouvidos, para os jornalistas de sarjeta, para toda a Justiça e investigação policial, para quem inspirou e instigou todo o processo. Se estiver inocente, é Portugal que bate no fundo e, com ele, a democracia, a decência, a moral. Todos nós.

para quem tem mais olhos do que coração

Não deixa de ser machista, mas que seja este o preço a pagar por uma chamada de atenção - eficaz - para os reais problemas do mundo. Ao clicar em cada imagem, será conduzido ao artigo original a que o "cabeçalho" diz respeito.

o que eu não faço por uma boa causa?...

Venho propor o logótipo para a novel coligação dos velhos aliados CDS/PPD, que é como quem diz, Portugal à Frente, o PAF das novas vias, vias de facto pois então, vias urinárias, vias rodoviárias daqui à tragédia que é um passo, um Passos. E também alvitro desde já algum merchandise com que a aliança mais demo que crática pode empochar algum carcanhol para fazer face às despesas, entre elas com as deslocações de Passos e Portas pelo Portugal profundo onde vão prometer este mundo e o fundo do outro, beijocar velhinhas derretidas, meter a mão no croquete, cantar tirolês na companhia da banda filarmónica de cada lugarejo, adejar donaire pelas feiras e romarias deste Verão que se quer quente, mentir com os dentes todos que têm na boca, higienizados, esmaltados, esbranquiçados, o poder lava mais branco e branco mais branco não há. Branco é, Coelhinho o põe e dispõe que, quem quer, pode e manda. 

PAF é onomatopeia para sarrabulho, sarrafada, sarapatel, pancadaria, porrada, bordoada, trolha, surra. PAF é tabefe, é estalada que ferve, é murro nas trombas, é piparote no cocuruto, é merda e da grossa.

Metam os putos na barraca. A feculência está a chegar ao beco. Sem saída?










a barca afunda-se, o inferno perpetua-se

Barca do Inferno de 08 Jun 2015 - RTP Play - RTP
O vídeo que publiquei anteriormente foi desactivado a mando da RTP. Aqui fica a ligação para o programa completo. É a partir dos 56 minutos que as coisas aquecem e que Manuela Moura Guedes, em boa hora, abandona o programa.

Sabe-se entretanto que a primeira temporada da Barca do Inferno vai acabar dentro em breve. E que a direcção de informação da RTP não tenciona sancionar uma segunda. Um dos poucos programas que sempre valeu a pena ver, apesar de Manuela Moura Guedes, é para a RTP demasiado incómodo. Sugiro que lhe suceda O Diabo Veste-se de Guedes moderado pela própria, a Manuela, a moura de trabalho em prol da sua classe, uma classe à parte. 

Até proponho o elenco: César das Neves, Zita Seabra, José António Saraiva e Camilo Lourenço. Quem é amigo, quem é?

também tu? também tu bagão?

Na Visão desta semana, Bagão Félix vem dar razão a Raquel Varela que, na noite em que Moura Guedes se ridicularizou a si própria abandonando a meio A Barca do Inferno, defendeu que a Segurança Social não está comprometida pelo envelhecimento populacional mas sim pelo desemprego. Aliás, Raquel vai mais longe do que Bagão: outra razão é a má aplicação que tem sido feita das nossas contribuições para a SS, poupanças para o futuro que deveriam ser acauteladas e bem geridas pelos nossos governantes. Mas não, sempre que lhes falta pilim nos cofres, lá vão eles partir o porquinho-mealheiro e esmifrar-nos o futuro. Os porquinhos são de porcelana. Os porcos, infelizmente, são de carne e osso. 


o tempo de antena que se segue é da inteira responsabilidade dos intervenientes

Os meses que se seguem vão ser duros, digo-vos eu que, sobre isto, não me engano nem tenho dúvidas. Os quatro canais generalistas, mais os quatro alegadamente de informação, estão ao serviço do governo, correm para onde ufane Portas, perore Passos, depenique Cristas, tartamudeie Macedo, achinele Cruz, palestre Crato, arfe Mota, sentencie Albuquerque. Atentos, veneradores, obrigados e agradecidos, lá vão cantando e rindo e trazendo à pantalha a última decisão eleitoralista, a derradeira mentira, a promessa final. Cada noticiário é tempo de antena do governo da inteira responsabilidade dos seus intervenientes. Costa dá à costa um segundo, Jerónimo e Catarina devem ter ido para o outro mundo, outros de que não sei o nome não aparecem e deles nada ficarei a saber, que pensamento, estratégia, linha de acção, ideologia. Os telejornais só dão boas notícias, as exportações que sobem, o desemprego que desce, a economia que cresce, Sócrates que continua em Évora, a Grécia que está a um passo do descalabro. Todos dão uma ajuda, do INE ao Banco de Portugal e, claro, a Junker, a Merkel, a Rajoy, a Draghi. O governo português foi bom aluno, tomem lá rebuçados, um chupa, um gelado de laranja amarga. Não queiram o fatídico destino dos gregos. Não queiram os socialistas perdulários. Votem na rapaziada que fez de Portugal o capacho dos grandes senhores.

09/06/15

o minto urbano

Paulo Guerreiro/http://kruzgkarikaturas.blogspot.pt/
Será que somos todos gente simplória? De fraca memória? Coelho diz que não disse o que disse, que chatice, tudo não passou de um mito urbano. Minto suburbano. Mito. Minto.  Estão a ver como quase lhe fugiu a boca para a verdade? Não se mente que é feio. Não se rouba que é crime. Coelho merece um tabefe. PAF. Portugal à Frente. PAF. PAF. Que repouse em PAF. Que morra o mito. Que se vá D. Sebastião de pacotilha. Que se dane a austeridade da matilha, a badalhoquice financeira, a mentira politiqueira, o desprezo pelos (des)governados, o poder dos desalmados.

Que se lixe Coelho nas eleições.
Para o PEDRO |Pela boca morre o peixe... 2011 12 18
Posted by canal #moritz @Ptnet on Segunda-feira, 8 de Junho de 2015

a manuela cai da barca mas vai ser salva por tubarões


Fazendo o mal e a escaramuça, interrompendo, gozando descaradamente os outros intervenientes, insultando até, Manuela Moura Guedes vitimiza-se e abandona a meio A Barca do Inferno. Metade dos telespectadores, para mais e não para menos, respiram de alívio. Fora Guedes, fora, pim!

O vídeo já corre na net. Ei-lo:

08/06/15

pedrito, monumental demais para o país em inho

Pedrito foi a Coimbra inaugurar duas casinhas em miniatura do Portugal dos Pequeninos. E aproveitou, claro, ou não estivéssemos em plena campanha eleitoral, para fazer declarações aos jornalistas repetindo as velhas cassetes de sempre, ideias tamanhinhas, pensamento curto, acção reduzida a não ser para a estouvadice. Por este andar, vamos ver Pedrito a imitar o velho soba da Madeira, inaugurando obras já inauguradas, fontanários, caminhos de cabras, vedações, casebres, palheiros, grandes empreendimentos todos eles, demonstrações indubitáveis do assombroso espírito empreendedor de um povo que, pobre dele, emprenha pelos ouvidos, faz parir miudezas governativas, cria politicozinhos de polichinelo.

Este novo soba está a precisar de uma sova. Quanto mais não seja, eleitoral.

Paulo Cunha/Lusa/http://www.jn.pt/

o último acto da europa

Este texto de Joseph E. Stiglitz*, muito crítico em relação ao futuro provável da União Europeia e do euro, ganha uma acuidade especial no início desta nova semana, na qual se esperam mais desenvolvimentos, talvez graves, do caso grego.

Os líderes da União Europeia mantêm um jogo de diplomacia arriscada com o governo grego. A Grécia acedeu a mais de metade dos pedidos dos seus credores, mas, apesar disso, a Alemanha e outros continuam a exigir que adira a um programa que já provou ser um fracasso e que poucos economistas acreditaram alguma vez que pudesse, viesse, ou devesse ser implementado.

A mudança na situação fiscal da Grécia, que partiu de um grande défice primário e chegou a um excedente, quase não teve precedentes, mas a exigência de o país alcançar um excedente primário de 4,5% do PIB foi injusto. Infelizmente, na altura em que a troika (Comissão Europeia , Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional) incluiu pela primeira vez este pedido irresponsável no programa financeiro internacional para a Grécia, as autoridades do país não tiveram outra hipótese que não fosse aceitá-lo.

A loucura de prosseguir neste programa é particularmente grave agora, dado o declínio de 25% no PIB, que a Grécia sofreu desde o início da crise. A troika avaliou mal os efeitos macroeconómicos do programa que impôs: de acordo com as previsões publicadas, acreditou que, cortando salários e aceitando outras medidas de austeridade, as exportações gregas aumentariam e a economia regressaria rapidamente ao crescimento; acreditou também que a primeira reestruturação da dívida levaria à sustentabilidade da mesma.

As previsões da troika falharam, repetidamente. E não por pouco mas por muitíssimo. Os eleitores da Grécia tiveram razão quando exigiram uma mudança de rumo e o seu governo tem também razão ao recusar assinar um programa claramente falhado.

Dito isto, há espaço para negociar: a Grécia tornou clara a sua vontade de realizar reformas permanentes e congratulou-se com a ajuda da Europa para a implementação de algumas delas. Uma dose de realismo da parte dos credores da Grécia – sobre o que é possível e sobre as consequências macroeconómicas de reformas fiscais e estruturais diferentes – poderia fornecer a base para um acordo que seria bom não só para a Grécia, mas para toda a Europa.

Alguns, especialmente na Alemanha, parecem indiferentes a uma saída da Grécia da zona euro, alegando que o mercado já calculou o preço para tal ruptura, e há quem sugira mesmo que isso seria bom para a união monetária.

Penso que estas opiniões subestimam significativamente os riscos envolvidos, tanto actuais como futuros. Um nível semelhante de complacência foi evidente, nos Estados Unidos, antes do colapso do Lehman Brothers, em Setembro de 2008. A fragilidade dos bancos da América era conhecida há muito tempo – pelo menos desde a falência do Bear Stearns, em Março do mesmo ano. No entanto, dada a falta de transparência (em parte devido a uma fraca regulamentação), nem os mercados, nem os responsáveis políticos avaliaram plenamente as ligações entre instituições financeiras.

Na verdade, o sistema financeiro mundial ainda está a sentir as réplicas do colapso do Lehman. E os bancos continuam a não ser transparentes e estão, portanto, em risco. Ainda não conhecemos a verdadeira extensão das ligações entre instituições financeiras, incluindo as decorrentes de derivados não transparentes e de credit default swaps.

Na Europa, podemos já ver algumas das consequências de uma regulamentação inadequada e o falhanço da concepção da própria zona euro. Sabemos que a estrutura desta incentiva divergência, não convergência: como capital e pessoas com talento deixam as economias atingidas pela crise, os países afectados ficam menos capazes de pagar as suas dívidas. Porque os mercados sabem que há uma espiral viciosa descendente estruturalmente embutida no euro, as consequências para a próxima crise serão profundas. E uma outra crise é inevitável: ela está inscrita na própria natureza do capitalismo.

O conto-do-vigário de Mario Draghi, presidente do BCE, concretizado na suadeclaração em 2012 segundo a qual as autoridades monetárias iriam fazer «o que fosse preciso» para preservar o euro, tem funcionado até agora. Mas como se sabe que o euro não é um compromisso vinculativo entre os seus membros, a situação repetir-se-á dificilmente numa próxima vez. Se os rendimentos de títulos aumentassem vertiginosamente, nenhuma espécie de garantia dada pelo BCE e pelos líderes europeus seria suficiente para os fazer baixar de níveis estratosféricos, porque o mundo sabe agora que eles não iriam fazer «o que fosse preciso». Como o exemplo da Grécia mostrou, fariam apenas o que políticas eleitorais míopes exigissem.

Temo que a consequência mais importante de tudo isto seja o enfraquecimento da solidariedade europeia. Estava previsto que o euro a fortalecesse, mas teve o efeito oposto.

Não é do interesse da Europa – ou do mundo – ter um país na periferia da Europa alienado dos seus vizinhos, especialmente agora, quando a instabilidade geopolítica é já tão evidente. O vizinho Médio Oriente está em tumulto; o Ocidente está a tentar conter uma Rússia recentemente mais agressiva; e a China, que é já a maior fonte do mundo em poupança, o maior país em termos de comércio e a maior economia global (em termos de paridade de poder aquisitivo), confronta o Ocidente com novas realidades económicas e estratégicas. Não há tempo para uma desunião europeia.

Os líderes europeus consideravam-se visionários quando criaram o euro. Julgavam estar a olhar para além das exigências de curto prazo, que geralmente preocupam os chefes políticos.

Infelizmente, a sua compreensão da economia ficou aquém das ambições e as políticas actuais não permitem a criação de um quadro institucional que podia ter tornado o euro capaz de funcionar como previsto. Embora se esperasse que a moeda única viesse a trazer uma prosperidade sem precedentes, é difícil afirmar hoje que tenha tido resultados positivos significativos, para a zona euro como um todo, no período que precedeu a crise. E, depois desta, os efeitos adversos têm sido enormes.

O futuro da Europa e do euro depende agora de os líderes políticos da zona euro serem capazes de combinar um mínimo de entendimento económico com um sentido visionário e uma preocupação com a solidariedade europeia. É bem provável que o início da resposta a esta questão existencial possa ter lugar nas próximas semanas.

(Original AQUI)

* Prémio Nobel de Economia

Tradução e nota introdutória de Joana Lopes, 
https://observatoriogrecia.wordpress.com

o embuste como norma nestes tempos sombrios

Por Baptista-Bastos
http://www.jornaldenegocios.pt/

Com a irrevogável leviandade que constitui a marca d'água do seu excitado carácter, Paulo Portas afirmou, na terça-feira, que "há aves agoirentas que gostam de ver Portugal puxado para baixo". Não é só insólita, a afirmação é embusteira, o que não surpreende, dado o seu autor. Começámos a habituar-nos à mentira como suporte do poder. E o pior é que há, espalhados pelos jornais e pelas televisões, nefelibatas ao serviço de quem manda, que não desconstroem e desmontam o edifício de embustes e de dados viciados com que este Governo nos encharca.

Os comentadores são sempre os mesmos e minuciosamente escolhidos. A credibilidade da imprensa e das televisões perde-se num confuso emaranhado de palavras. Cronistas incómodos são mandados embora (sei muito bem do que falo, por experiência própria) e substituídos por uma miuçalha sem grandeza nem decência. Claro que há excepções, mas são tão raras, tão raras…

Uma dessas raridades ocorreu na manhã de terça-feira, nos programas "Discurso Directo", da TVI; e "Opinião Pública", da SIC. Devo dizer que não os perco, como antídoto à enxúndia de manipulações desavergonhadas. Ambos aqueles programas constituíram um desfile de verdades contra as aldrabices do Governo, e contra as despudoradas declarações do Portas. Dezenas de desempregados e outros denunciaram, em ambos os programas (conduzidos por duas excelentes profissionais, que respeito e admiro), as manobras usadas por este Governo para fazer crer que tudo vai no "bom rumo." Não vai. E basta ouvir esta gente para cauterizar o Executivo como um grupo de mentirosos. Um professor catedrático, na SIC, exerceu o seu dever, esclarecendo, através da pedagogia dos factos, o que nos é ocultado.

O escândalo assume proporções que nenhuma razão justifica. Nestes quarenta anos de democracia não assisti a nada de semelhante, nem, sequer, aquela sórdida história do "queijo limiano", urdida pelo católico António Guterres e pelo deputado do CDS, dito Campelo, atinge a altura do desmando actual.

Quando o Portas fala em "aves agoirentas" está a falar em todos aqueles que criticam a mentira organizada como um todo, que tem estruturado a acção política deste malfadado Executivo. Estamos em plena república do faz-de-conta, ante uma monstruosa manipulação de factos que tem desgraçado Portugal e encaminhado a pátria para um beco sem saída, cuja tragédia o próximo Governo terá de enfrentar. Espero é que, desta feita, os responsáveis por este crime nacional sejam levados à justiça e punidos com a severidade exigida.

os perigos do truca-truca

Com o apoio da Capelania da Universidade Católica, os bentos alunos da dita organizaram uma campanha contra o aborto. Tão pobrezinha que, fosse outra a instituição, levaria ao chumbo, sem apelo e com agravo, dos querubins envolvidos. 

Aluno amigo, lembra-te: os preservativos também são proibidos pela santa madre igreja, não só o aborto. Sexo é para procriação e apenas depois do casamento. Com toda a elegância que me é possível te digo: mete a viola no saco.

A primeira fotografia é uma das muitas que pode ver na página da Capelania, no Facebook. Mas repare também na segunda, da mesma origem. O texto que a acompanha reza o seguinte: "Como é que tu estudas? Aqui fica o segredo para um estudo com sucesso". É isso, aluno amigo. Fia-te na virgem e não corras. E virgem te mantém. Sem te dedicares aos jogos do  truca-truca ou ao pecado do onanismo. A canonização é difícil mas é tua.

com portugal à frente, o povo fica sempre para trás

Paulo Novais/http://expresso.sapo.pt/

07/06/15

sim, vou dizer merda, e depois?

Ontem, por um dever de cidadania, fui à marcha do PCP. E vi, com estes dois mais os apêndices artificiais, que o desfile durou, à vontade, umas duas horas. As televisões, porém, mostram à noite tímidas imagens, nada de grandes multidões. Planos da frente da marcha a entrar nos Restauradores, logicamente vazios. Planos de Jerónimo a discursar, nunca da assistência. 

Passo, esta manhã, para os jornais online e chego à conclusão de que a demência já se apodera de mim a olhos vistos e sem a ajuda de apêndices artificiais. Não houve marcha. Sonhei. Delirei. Faço mais um esforço. Clico, saltito, navego, busco e, finalmente!, mas olhem que é preciso ser-se um ás na internet para conseguir tal proeza, lá lobrigo pequenos arremedos de notícia. Sem galeria de fotos, ao contrário do que costumam fazer em eventos desta natureza. Uma, duas fotos e já gozas. Nada de multidões, apenas Jerónimo de Sousa no desfile ou a discursar. Foi um acontecimento de somenos, mais importante é a inauguração da queijaria do amigo de Pedro Passos Coelho pelo próprio Pedro Passos Coelho, o arroto do presidente, o arrufo de Marco António, o saracoteio verbal de Portas, a verrina de Medina, a sapiência de Marcelo, a sagacidade de Montenegro.

Fico aliviado contudo: afinal, ainda regulo. Quem não regula são os órgãos de comunicação social. Pluralismo? Isenção? Uma merda! (Sim, disse merda, e depois?). Assim se explica que PSD e PS, com o CDS de muleta, se perpetuem no poder apesar de toda a merda que têm feito. (Sim, disse merda, e depois?). Mais por parte do PSD, com o CDS de muleta, mas o PS não está livre nem de culpas nem de rabos de palha nem de esqueletos no armário, vulgo palacete do Rato que, pelas vastas dimensões, resguarda mais ossadas do que a capela de Évora.

As imagens são do site do PCP, de onde mais haveriam de ser? Do Povo Livre? Do Público? Do Correio da Manhã? Do DN? Uma merda. Disse. E depois?