16/02/13

crónica de uma morte antecipada


São novas do pasquim manhoso: as reformas saem caras ao Estado. Não importa quanto é que cada um pagou, ao longo de décadas, para assegurar uma velhice minimamente condigna. O que importa é que "não há dinheiro", qual destas palavras é que ainda não percebeu? E o pasquim ranhoso vai adiantando serviço ao Passos & Cia: vai alertando os ingratos portugueses, essas alminhas tão difíceis de governar (já Salazar o dizia no seu tom de prior cansado a fazer lembrar o de outro ministro das Finanças), que a mama acabou, que os velhos vão ter que apertar o cinto ou, porque não?, matar-se. Afinal de contas, 37 milhões são 37 milhões, um encargo pesado para as gerações mais novas. Não é, Passos & Cia?

Já agora, se mal pergunto, vão continuar a pagar-se as reformas chorudas de tantas eminências pardas da Nação, muitas ainda em exercício de funções e tantas tão longe dos anos "dourados" da velhice? Ah, já me esquecia, que parvo sou: são direitos adquiridos e, como se sabe, o Estado é "pessoa de bem", não volta atrás com a sua palavra. Eis o que me diria Assunção Esteves, lá de cima do seu púlpito, de sorriso perene e voz melada. Escorraçando, do templo da democracia, os vendilhões da rebeldia.

15/02/13

para quem perde a memória





contra o abutre e a cobra, o porco e o milhafre

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo


Sophia de Mello Breyner Andresen,
in "Geografia"

grândola contra coelho

sonhar lisboa






14/02/13

solta-se o beijo

Douglas Miller/Topical Press Agency/Getty Images
Keystone/Getty Images








Alfred Eisenstaedt
Robert Doisneau

podem ter os seus arrufos, ah pois podem, mas é um regalo ver um casal tão unido, tão unha com carne, se um diz mata o outro diz esfola, se um rouba o outro finge que dá esmola

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt/

na taberna do xico zé

O Xico Zé fez parte do actual governo. Com ele colaborou, dele foi cúmplice. Depois, invocando uma qualquer maleita, fadiga, cefaleias, bicos de papagaio, caganeira, saiu do governo e, ao que parece, dele se quer distanciar como o diabo da cruz. E fá-lo (ou deverei dizer "falo"?) com elevação. Não é que os destinatários não mereçam mas, caramba!, foi secretário de Estado da CUltura, é escritor, é jornalista, é director disto e daquilo. Devia ter tento na língua, deixar a linguagem soez para bigorrilhas como eu.

Ora leiam lá e vejam se tenho ou não razão:
«Caro Paulo Núncio: queria apenas avisar que, se por acaso, algum senhor da Autoridade Tributária e Aduaneira tentar «fiscalizar-me» à saída de uma loja, um café, um restaurante ou um bordel (quando forem legalizados) com o simpático objectivo de ver se eu pedi factura das despesas realizadas, lhe responderei que, com pena minha pela evidente má criação, terei de lhe pedir para ir tomar no cu».

Fotografia: Gerardo Santos (http://www.dinheirovivo.pt)

cada português, um pugilista


O governo, esta coisa que andaram a espalhar pelos vários ministérios, já sabe que, só com a subida de impostos, não vai lá. Tanto mais que, em simultâneo, destrói a economia, como tal cada vez menos serão as receitas de IVA, IRC, IRS e por aí fora. Sabendo isso, porque poderão ser cegos mas, ao que consta, parvos não serão, ei-los que inventaram novas formas de sacar dinheiro à malta, o pouco que a malta ainda vai tendo: as operações stop, não sei se já repararam, têm aumentado de forma ridícula (aqui, onde eu moro, é quase uma brigada em cada esquina); os consumidores podem ser autuados, à saída dos cafés, se não tiverem pedido a factura da bica ou do carioca; as contas da electricidade, do gás, da água, aumentaram de forma tresloucada sem que a subida do IVA, por si só, o justifique. Ou seja, é o assalto descarado e generalizado ao bolso do contribuinte. Seja lá como for, eles não querem perder. São, afinal de contas, bons alunos. Não sei é quem terá sido o professor. Alves dos Reis morreu há muito. O Zé do Telhado também. E o português, coitado, perde horas em reclamações quase sempre inúteis. Tudo para se defender de cada assalto do Estado e seus derivados. 

Há que correr com esta gente. Levá-los ao tapete. Pô-los KO de uma vez por todas.Ou eles ou nós.

o que é preciso é sacar a massa

Por Carlos Tomás
https://www.facebook.com/ocrime.jornal

O senhor ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, tornou oficial esta semana aquilo que os portugueses há muito sentiam nas carteiras. Disse ele, que há “uma ordem política” que decreta oficialmente a “caça à multa” nas estradas. Mas o governante, que tutela as duas principais forças policiais do país, não se ficou por aqui e ainda teve o desplante de garantir que a medida é para continuar uma vez que, diz, “com a fiscalização, os acidentes diminuem e os comportamentos dos condutores mudam”. Enquanto isso, os escândalos de corrupção tornados públicos vão-se acumulando e nesta edição de “o Crime” ficam mais algumas amostras (BPN, Revitalizar, PSP). Tudo na mais perfeita impunidade até agora.

Todos os dias se ouve, vê e lê que mais um pedófilo foi posto na rua, que mais assaltantes foram libertados e, depois, vê-se um deputado da Assembleia Regional da Madeira ser condenado a 18 meses de prisão, apenas porque deu largas à sua liberdade de expressão, e um homem preso um ano, acusado de ser “estripador”, ilibado, porque não havia provas contra ele. São situações que definem bem o tipo de governantes que temos. Preocupados apenas em encher os cofres do Estado que eles próprios se encarregam de delapidar ano após ano.

E a prevenção, senhor ministro Miguel Macedo? Há dinheiro para investir na formação dos condutores e para os sensibilizar a respeitar as regras da estrada? Há dinheiro para reparar as miseráveis estradas que temos neste país e que estão na origem de centenas de acidentes? E, já agora, acaso o senhor ministro pensou em sensibilizar o Governo para emitir “uma ordem política” para abrir a caça à corrupção? O Estado ficaria, certamente, a ganhar muito mais e não precisaria de andar a perseguir condutores que, na sua maioria, são cumpridores. Além de que não teríamos todos de andar a pagar a crise que os sucessivos governos pós 25 de Abril criaram.

Fotografia: Paulo Cunha/Lusa (http://noticias.sapo.pt)

o banquete dos vampiros

Imagem: http://henricartoon.blogs.sapo.pt/

bicas, perdão, dicas para fugir à multa



Por Ferreira Fernandes
http://www.dn.pt

Quando saí do café, o homem, engravatado e educado, abordou-me: "Boa tarde, sou da AT, Autoridade Tributária e Aduaneira..." Eu, que nisto de diálogos com as autoridades tenho muito ano, desviei a conversa: "O senhor desculpe-me, mas como é que AT quer dizer Autoridade Tributária e Aduaneira?" Mas ele, também com muito ano, não atou nem desatou: "Mostre-me a fatura, por favor." E eu: "Fatura, não tenho." Ele: "Mas tem de ter, tomou café." Eu: "Não tomei, não." Ele, que a sabe toda: "O senhor entrou no café e como consumidor final tem de pedir fatura." Eu: "Mas qual consumidor? E final? De onde é que me conhece para me chamar consumidor final?! Entrei no café para aquecer." Ele: "O senhor está a obtemperar..." Eu sabia, ponham uma autoridade tributária a fazer de gnr e ele fica logo a falar como um gnr... Fugi para a frente: "Exijo uma lavagem ao estômago para ver se há cafeína." Olhei para o interior do café e vi as saquetas de publicidade: "E tem de ser Delta! Porque ainda devo ter resíduos do Nespresso que tomei em casa..." O tributário hesitou, guardou o papelinho da contraordenação (é o que eu dizia, é assim que eles chamam à multa) e mandou-me seguir. Fiquei a vê-lo a caçar outro cliente. Este estava tramado, ainda mastigava o croissant... Dali até à esquina, fui pelo passeio sempre a fazer sinais de luzes aos consumidores finais que iam em sentido contrário.

13/02/13

ditosa pátria que tais filhos tem

Propaganda em louvor de Salazar e dos "feitos" do Estado Novo.








soltaram os lobos!


Quem ainda não percebeu que vive numa ditadura ou anda a dormir ou é cúmplice da marosca. Roubam salários, sobem impostos, fazem trinta por uma linha porque decidiram que os portugueses têm que empobrecer, e fazem-no com a indiferença, a arrogância, a crueldade dos ditadores de opereta, os que sabem que mais tarde ou mais cedo serão depostos mas que, até lá, tudo farão para deixar obra irreversível, irreparável, que se sinta na carne, nos bolsos, na esperança.

Soubemos, hoje, que o fisco anda por aí a multar os que não pedem factura. Ou seja, em vez de canalizarem os seus esforços para perseguir os muito ricos que não pagam impostos, que fogem com o seu dinheiro para paraísos fiscais, atiçam-se, ferram o dente no pequeno comerciante, no pequeno biscateiro e, mais, no consumidor que querem transformar num pequeno bufo, num agente da autoridade. Querem um pidezinho em cada esquina, com os bolsos a regurgitar de talões que comprovem o cumprimento do seu dever de fiscal, de defensor do erário público.

Isto explica tanto a mentalidade de um Passos e, sobretudo, a de um Gaspar. Um pequeno ditador que apenas vê números à frente, e vê-os mal ainda por cima. Um pequeno títere para quem as pessoas são coisa que não existe, a solidariedade é sentimento que não conhece.

Soltaram os lobos. Resta-nos dar-lhes caça. Ainda não é tarde. E a caça começa nas ruas, sem armas mas com a nossa voz, a nossa indignação, a nossa oposição frontal aos devoradores de vidas.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt

a crise afinal não nasceu da cobiça de banqueiros desvairados, mas sim do baixo-ventre dos pecadores

Por Luís Rainha
http://www.ionline.pt

Na semana passada, uma suposta bruxa de 20 anos foi queimada viva na Papua-Nova Guiné. Acusaram-na de ter causado, por ocultos e maléficos ofícios, a morte de uma criança.

Na semana passada, muito se falou da petição dada à luz por Bagão Félix e mais umas quantas forças mais ou menos vivas do nosso burgo, denunciando uma sombria conjura “destruidora dos pilares estruturantes da sociedade”. Nunca se explica o que serão esses “pilares” nem por que mecanismos estão eles a ser corroídos. Interessa saber é que a presente crise também se deve a factores demoníacos como “a reprodução artificial”, o aborto, o divórcio, o casamento gay e as mudanças de sexo.

Se algo corre mal nas profundezas da selva, aponta-se o dedo a uma feiticeira. Não é preciso provar coisa alguma; o estigma de um comportamento diferente do nosso basta para selar a sua condenação. Já a Igreja Católica durante três séculos assassinou dezenas de milhares de “bruxas”; não há nada de novo debaixo do Sol. Para Bagão e seus acólitos, é também certo que, de alguma forma misteriosa, gays, transexuais, divorciados e bebés-proveta são causas dos males que hoje nos afligem – a crise afinal não nasceu da cobiça de banqueiros desvairados, mas sim do baixo-ventre dos pecadores.

Esta tribo de fiéis da magia foi em procissão suplicar ao totem mumificado exposto no Palácio de Belém que esconjure as pragas que fornicam os tais pilares. Ainda não receitaram às multidões desesperadas a gasolina como remédio. Ainda.

os lugares até são lindos, são é às vezes mal frequentados

Dornes, Ferreira do Zêzere


Porto
Setúbal


Miramar, Vila Nova de Gaia
(Capela do Senhor da Pedra)

Sintra, Cabo da Roca

Sintra, Praia da Ursa

Sintra, Praia da Adraga
Sintra, Palácio de Monserrate
Sintra, Palácio da Pena

12/02/13

afinal havia outro!


Miguel Relvas embandeirou em arco (ver post mais abaixo) ao achar que o lugar de Papa estava no papo. Saiu-lhe o tiro pela culatra e a hóstia pelas narinas. É que o chefe Silva também se quer candidatar. Mais um português a almejar, ou almijar que para o caso tanto faz, o trono do Vaticano. E tem tudo a seu favor: a veneranda idade, a fervorosa religiosidade, o tom soturno, a voz titubeante, o hábito de falar sem dizer nada, de dar conselhos pios que ele próprio não segue e o costume de viver regiamente à conta do erário público. Dizem as más línguas que só numa questão o seu plano é comum ao de Relvas: o de se rodear de Dias Loureiro, Duarte Lima, Oliveira e Costa e outras eminências pardas do PSD, que gerirão as finanças da Igreja e assegurarão a transparência e os proventos da capital do cristianismo. Espero que D. José Policarpo vote nele. Deve-lhe ter grande admiração. Deve-lhe o voto também.

Imagem e ideia roubadas ao:
http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt/

jantar de final de curso


... e tudo o vento levou!

carnaval? só se for este ...

O meu carnaval não é o de imitação, com 25 graus a menos, pneumonias a mais e nenhuma sensualidade tropical. O meu Carnaval é o trapalhão ou então este, português de gema.








 Fotografias recolhidas em:
http://www.cafeportugal.pt
http://caretosdepodence.no.sapo.pt
http://www.caligrafias-iberes.com
http://www.feriasetemposlivres.com
http://www.festacarnaval.com