23/02/13

relvas, calado, é um ministro abençoado

Por Tiago Mesquita
http://expresso.sapo.pt

Nadando contra a corrente, sou completamente contra a liberdade de expressão do ministro Miguel Relvas. Vou frisar: "do ministro". Enquanto for contra a liberdade de expressão de Miguel Relvas, é sinal de que este continua a ser ministro. Não consigo evitar. Ao ouvi-lo, devo sentir o mesmo que ele sentia quando ouvia alguns programas de rádio, entretanto retirados do ar.Infelizmente, não tenho poderes para retirar Relvas "do ar".

Estaria a borrifar-me se a TVI achasse adequado convidar o cidadão Miguel Relvas para falar sobre o "futuro do jornalismo", por mais patético que pudesse parecer. Mas não é o cidadão Miguel a ser convidado, é o ministro Relvas. Até porque, convenhamos, o cidadão Miguel é tão interessante, e útil, numa conferência sobre o "futuro do jornalismo" como um jarrão da Vista Alegre no centro de uma pista de bowling. O ministro, idem, mas sempre é ministro.

Se é difícil engolir que o ministro Relvas ainda tenha liberdade de expressão, mais difícil se torna ouvir dizer que negar-lhe essa liberdade é um "atentado à democracia". Qualquer tentativa de minimizar ou impedir as declarações públicas do ministro Relvas devia ser considerada um acto de liberdade, democrático e suscitar elogios, nunca repúdio. Para mim, antidemocrático é ser a favor da liberdade de expressão do ministro Relvas. E antidemocrática e lesiva dos mais elementares direitos dos cidadãos é esta governação.

Pouco interessa o que Relvas tem para dizer. Não quero saber se Relvas existe na realidade ou se é apenas mais uma medida de austeridade em forma de holograma. Estou convicto de que, caso existisse um botão no telecomando das televisões portuguesas para calar o ministro Relvas, de cada vez que este fala, seria certamente dos mais premidos. O "ON", O "OFF", o "Menu" e o "SHUT UP RELVAS".

A verdade é que dá imenso jeito ao governo, e a Passos Coelho, ter Miguel Relvas como ministro. Para este executivo é vital que ele fale. Quanto mais ele se tentar exprimir, melhor. Quanto mais for interrompido, melhor ainda. Enquanto estivermos todos a olhar para a mascote da equipa, e para as situações ridículas a que se expõe, ninguém está verdadeiramente atento ao jogo que está a decorrer. E que jogo perigoso. Portugal está em jogo.

o milagre da divisão dos sacrifícios


Por João Pedro Martins
http://www.ionline.pt

Portugal e a Grécia insistem na prescrição de mais impostos para curar uma economia doente. Na prática, os países periféricos da Europa foram transformados em cobaias para experiências económicas proibidas nos países ricos.

Não é possível recuperar um país mergulhado na recessão com sucessivas políticas de austeridade. Os nossos líderes conhecem a realidade, mas vivem outra identidade. Eles sabem que há um limite acima do qual não se pode aumentar os impostos porque diminui a receita e aumenta a fraude e a evasão fiscal.

Nenhum governo com sanidade mental pode desinvestir na educação quando as escolas públicas estão cheias de crianças que passam fome em casa.

Nenhum ministro com vocação de estadista pode exigir serviços públicos de qualidade quando massacra os funcionários do Estado e da administração local com repetidos cortes salariais.

Nenhum primeiro-ministro lúcido pode reduzir as pensões dos idosos que mal têm dinheiro para comprar medicamentos.

Nenhum Presidente da República interessado em resolver os problemas dos seus concidadãos pode trocar o salário do cargo para o qual foi eleito pelo valor de duas pensões, apenas porque legalmente lhe dá mais jeito, quando moralmente só as deveria receber depois de deixar Belém e calçar as pantufas da reforma.

Um velho provérbio bíblico diz que “o rico domina os pobres e o devedor é escravo do credor”. As imposições da troika transformaram-se num novo modelo de escravatura que todos os dias nos faz sentir a dor e a marca do chicote. Vivemos agrilhoados por um regime de tirania económica que nos explora a carteira e enterra o futuro dos nossos filhos.

Basta de discursos carregados de hipocrisia. Podemos até ser escravos do capitalismo neoliberal, mas não somos estúpidos. Já todos percebemos que Portugal não passa de um franchising de Bruxelas dirigido por funcionários do FMI. Deixámos de ter identidade nacional. Somos apenas números perdidos no meio das estatísticas. As pessoas deixaram de contar ou contam apenas para pagar impostos solidários por aqueles que fogem impunemente às suas responsabilidades fiscais.

Num país onde o governo despeja dinheiro nos bolsos de privados para salvar bancos mal geridos e mantém a heresia fiscal da zona franca da Madeira, ao mesmo tempo que oferece às famílias a guilhotina do desemprego e a forca dos impostos, será que alguém ainda acredita no milagre da divisão dos sacrifícios?

Afinal, quanto vale um português? Meia tonelada de austeridade? Um cêntimo de ética política? Uma grama de justiça?

O povo é o tesouro da nação. Um governo que não percebe a mais valia daqueles que vivem na sua terra, nunca vai conseguir transformar a miséria em desenvolvimento.

Vai chegar o dia em que os contribuintes escravos vão morrer por excesso de tortura. Mas antes desse dia fatídico ainda pode brilhar o sol da revolta. Pode até acontecer que apareça alguém rico, mais rico do que a troika, para pagar a nossa dívida e restituir-nos a liberdade.

O governo até pode cuspir na cara dos eleitores, mas há uma verdade que tem de ser reconhecida – pela primeira vez na história da democracia portuguesa, existe unidade e unanimidade nacional. Não há um único português que queira esta gente a governar-nos.

a troika aguenta

Por Viriato Soromenho-Marques
http://www.dn.pt

Vítor Gaspar veio reconhecer o óbvio. A receita de austeridade, a mesma que este governo recebeu do memorando, e deliberadamente aprofundou com o seu lema do "ir para além da troika", está a lançar o País numa espiral recessiva, de que até o pacato observatório de Belém se deu conta. A imprensa alerta: pode haver resistência em Bruxelas. Na verdade, trata-se de um suspense barato, como nos filmes de terror de quinta categoria. A "troika" vai aceitar, hoje, o alargamento do prazo da meta do défice, como amanhã vai engolir a reestruturação da dívida: no tempo, na percentagem dos juros, e, muito provavelmente, na redução parcial dos montantes. Os credores não têm nenhuma alternativa. A partir do momento em que a Alemanha aceitou, em setembro de 2012, manter a Grécia dentro da Zona Euro, deu o supremo sinal de estabilidade que os mercados precisavam para voltarem a confiar no euro (sem isso, as decisões do BCE seriam vazias de efeito prático). No dia em que Merkel ordenasse à troika para dizer não a Portugal, o Governo de Lisboa seria obrigado a lançar um novo pacote de austeridade que, pura e simplesmente, seria varrido nas ruas. A queda do Governo em Lisboa, numa altura em que a Espanha fervilha, e a Itália é uma incógnita, lançaria o caos na Zona Euro, pois o que estaria em causa para o novo governo de Lisboa seria a escolha entre pagar o serviço da dívida, ou alimentar a população. A entrada de Lisboa num torvelinho faria aumentar os custos da dívida pública de todos os países da Zona Euro. Não há qualquer dúvida de que a troikaaguenta os pedidos de Gaspar. A dúvida será a de saber se ainda faz sentido os portugueses aguentarem um governo que começa a ser perigoso para o próprio futuro da Europa.

grândola galga fronteiras

numa rua, praça, avenida perto de si




da gralha e do borralho


Andou apagado durante uns tempos, com uma ou outra prova de vida no facebook, um saltinho à Coelha, uma reunião com o Coelho e audiências, poucas, qual Papa de todos os portugueses (mas sem ir à janela do palácio para saudar os fiéis, isso é que não, isso é que nunca não vá cantarem-lhe a Grândola, t'arrenego Satanás).

Hoje acordou. Para revelar à Nação o seu grande achado, uma gralha que encontrou, com o zelo de um amanuense, numa lei velha de anos. Gralha que, depois de descoberta, vai facilitar, ao que parece, a candidatura de dinossauros PSD a Câmaras Municipais sem quezílias de maior nem batalhas judiciais.

Acordou. Levemos-lhe a mantinha, o borralho, sopas de cavalo cansado. E resignemo-nos. Ele é que não resigna. Há mais gralhas por achar.

22/02/13

não há fome que não dê em factura!

Poupem o presidente, cujas parcas reformas mal lhe dão para ir ao bronze na Coelha. Isto, francamente, não se faz. É devassa, maldade pura e dura de uns adeptos da ditadura do povo contra o capital e coisa e tal. Felizmente, teve um desconto chorudo, de € 1.50. Sempre é uma ajuda para uma bucha.


parcerias? patifaria

Por Paulo Morais
http://www.cmjornal.xl.pt

Os encargos do estado com as parcerias público-privadas (PPP) são colossais, comprometem as finanças públicas por toda uma geração e hipotecam o futuro da economia do país. Mas os governos continuam a ser cúmplices destes negócios ruinosos. O atual ministro das finanças nem sequer diminuiu a despesa com as PPP, a que estava obrigado pelo memorando de entendimento assinado com a troika. Pelo contrário, os custos não cessam de aumentar.

Nos últimos quatro anos, os encargos líquidos com as PPP quadruplicaram, atingindo por ano montantes da ordem dos dois mil milhões de euros. O valor dos compromissos futuros estima-se em mais de 24 mil milhões de euros, cerca de 15% do PIB anual. Uma calamidade!

Fingindo estar a cumprir o acordo com a troika, que obrigava a "reavaliar todas as PPP", as Finanças anunciam, aqui e além, poupanças de algumas centenas de milhões. Valores ridículos, pois representam apenas cerca de um por cento do valor dos contratos.

Mas, o que é pior, Vítor Gaspar continua a proteger os privados. Já em 2012 e por decreto-lei, determinou que da nova legislação que regulamenta as PPP, "não podem resultar alterações aos contratos de parcerias já celebrados". As rentabilidades milionárias para os privados e a sangria de recursos públicos continuam como dantes... para pior. No último relatório disponível pode apurar-se que em 2011 houve, só nas PPP rodoviárias, um desvio orçamental de 30%. Sendo as despesas correntes de cerca de oitocentos milhões de euros, os custos com pedidos de reequilíbrio financeiro são de… novecentos milhões. A variação é maior que o próprio custo! Só ao grupo Ascendi e seus financiadores foram pagos, a mais (!), quinhentos milhões de euros. Uma patifaria. As poupanças do estado com a redução salarial da função pública em 2011 foram, afinal, diretamente para os bolsos do senhor António Mota, seus associados e financiadores.

Aos acordos ruinosos das PPP, vieram, ao longo dos anos, acrescentar--se custos desmesurados, resultado de negociações conduzidas por responsáveis públicos corruptos. Aqui chegados, só há uma solução aceitável: extinguir os contratos e prender quem os forjou.

este homem é um gastador (2)

No mesmo dia em que tem o carro na oficina em Lisboa, mete gasolina em Évora e no Funchal e, benza-o Deus, almoça em Modivas, seja lá onde isso for, e emborca cafés por tudo o que é sítio, até no Caniço. 








Fotografias recolhidas em:
https://www.facebook.com/pages/As-Facturas-do-Coelho/615989991750846

relvas, assis, santos silva e a cultura da casta

Por Daniel Oliveira
http://expresso.sapo.pt

Já ontem aqui escrevi sobre a absurda conversa em torno de uma suposta violação da liberdade de expressão de um ministro que mandou despedir um cronista que na rádio pública o criticava e que tutela o administrador que mandou sair uma circular interna na RTP que impede os funcionários de fazerem declarações públicas sobre a empresa. Mas hoje queria falar de algumas reações de alguns políticos da área do PS a estes acontecimentos.

Não vou desenvolver sobre esta estranha característica nacional que leva a que, perante qualquer protesto que não se resuma ao mero desfile cerimonial na Avenida da Liberdade, se manifeste imediatamente o incómodo de muita gente. Espanhóis, gregos, italianos, franceses, ingleses... a generalidade dos povos ficaria de boca aberta ao saber que os protestos ruidosos mas pacíficos no ISCTE mereceram sequer este debate em torno dos direitos fundamentais de um ministro. Só pode estar tudo doido. A vice-presidente da Comissão Europeia resumiu bem o olhar externo sobre estas formas de protesto: "feliz é o país onde a oposição se manifesta através de uma canção e não pela violência".

Nós somos a bovina mansidão encarnada num povo. Ao mínimo sobressalto cívico, por mais pacífico que seja, incomodam-se os cavalheiros e as donzelas. E isso explica porque somos tão facilmente domesticáveis. A velha frase de um general romano, que dizia haver, na parte ocidental da Ibéria, um povo que não se governa nem se deixa governar, tão útil a qualquer ditador de algibeira, não podia ser menos apropriada aos portugueses. Há anos que nos deixamos governar mal sem qualquer sobressalto e bem temos pago a fatura da nossa passividade.

Francisco Assis e Augusto Santos Silva vieram em socorro de Miguel Relvas. Não se deram ao trabalho de procurar muitos argumentos e usaram o que estava já no mercado: a estapafúrdia ideia de que a liberdade de expressão do ministro estava em perigo. Vá lá, não chamaram "fascistas" aos que protestaram. Têm a vantagem de, ao contrário de outros, saberem o que isso foi.

A posição destes dois dirigentes políticos em concreto não me espanta. Há quem, tendo sido e esperando voltar a ser governo, não queira ser incomodado pela populaça. E esta cultura de casta sobrepõe-se à sinceridade do confronto político. A política é um mero jogo retórico que acaba sempre e apenas na alternância no exercício da governação - Assis até já veio defender uma coligação governamental entre o PS, o PSD e o CDS, para que se dispense essa parte do jogo.

Tenho amigos de direita. Muitos. Com quem mantenho debates civilizados e troca de ideias. Não olho para os adversários políticos como inimigos. Mas conheço o País em que vivo. Vejo o desespero à minha volta, muito próximo. Conheço demasiada gente desempregada, endividada, desesperada. E vejo como observam, atónitas, entre a depressão e a raiva, a permanência de um sujeito como Miguel Relvas no governo. Um sujeito que ninguém quer a governar mas que, por mais e pior que seja o que se vai sabendo sobre ele, se mantém agarrado ao lugar.

A ver se alguns políticos burocratas, daqueles que acham que a sua carreira pode continuar a ser gerida como sempre foi - agora tu, agora eu, depois tu mais eu -, entendem isto de uma vez por todas: não estamos a viver tempos normais. E se me indigno com os que, na minha área política, acham que basta esperar pelos frutos eleitorais da indignação das pessoas sem fazer tudo para construir uma alternativa, não posso deixar de me indignar com os que querem, nas atuais e dramáticas circunstâncias, manter as pessoas caladas para que o poder lhes caia nos braços com o País em sono profundo. À espera que eles resolvam, entre golpes de teatro falhados no largo do Rato, constituir-se como uma alternativa credível a esta desgraça. Compreendo que a indignação dos cidadãos seja uma maçada. Que retira ao jogo político a sua prazenteira bonomia. Mas é bom que percebam que estão a brincar com o fogo. Porque é a sobrevivência das pessoas que está em causa.

Portugal é um País pequeno. Na elite política, económica e cultural toda a gente se conhece. Eu, pobre colunista, conheço Assis, Santos Silva e Relvas. Isto é um penico. E essa é uma das nossas tragédias. Somos todos uns para os outros. Ou amigos, ou amigos de amigos, ou conhecidos, ou conhecidos de conhecidos. Por isso, desde que bem colocado, ninguém com o mínimo de poder é realmente punido pelos seus atos. Por isso, não se irradia da política quem nunca nela devia entrado. Tudo se lava, tudo passa. E o espírito de casta que a nossa pequenez alimenta faz com que Assis e Santos Silva, pessoas de quem discordo mas a quem reconheço honestidade, olhem para uma figura como Relvas e o vejam como um par. Poderão vir a ser eles a estar naquele lugar, pensarão. E estar no lugar dele, entenda-se, não é ter a sua liberdade ou os seus direitos cívicos em perigo (se assim fosse, até eu vinha em defesa do inenarrável Relvas), mas apenas ouvir os protestos de uma plateia. Uma plateia, veja-se o descaramento, que não trata Relvas por "sua excelência".

Tenho várias vezes escrito aqui sobre o que acho da violência na política. A minha posição é, nesta matéria, radical. Oponho-me à violência da rua e à violência do Estado. Considero-as duas faces da mesma moeda. Mas sei uma coisa: que ou deixam as pessoas expressar a sua indignação de forma pacifica, ou as deixam participar na vida da comunidade manifestando o seu incómodo por serem governadas por gente como Relvas, e veem isso como sinal de um País que ainda reage e de um povo que ainda tem algum amor próprio, ou elas acabarão por o fazer de outra forma. E aí, caro Francisco Assis e Augusto Santos Silva, não será Miguel Relvas o alvo. Porque a violência e o caos têm a inteligência da multidão em fúria. E espalham-se sem critério nem alvo definido.

Como muitos portugueses, senti orgulho nos estudantes que protestaram no ISCTE. Que usaram, na sua faculdade, o único momento em que a sua liberdade de expressão poderia ser exercida em público, para, por uma vez, se fazerem ouvir. Sinal de um País que ainda respira. Que não aceita tudo. Que quer ser ouvido. E que, apesar de tudo, continua, em geral, a não ceder à violência. Que homens que se imaginam a governar na companhia dos relvas deste mundo se incomodem com o ruído da turba, não me espanta. Só pode ser porque ainda não perceberam o que realmente está a acontecer neste País. Felizmente, conheço muita gente no PS que não os acompanha. Talvez porque não vejam Miguel Relvas como um colega.

Fotografia: Pedro Granadeiro/Global Imagens (http://www.jn.pt)

este homem é um gastador


a primavera é em março


vamos-lhes ensinar a grândola


Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade`

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt/

grandole-se o álvaro também!


está na hora, está na hora de grandolar macedos!



o galarote canta de galo


Por mais protestos, manifestações, greves, já repararam que eles têm levado avante todas as patifarias, consumado todos os planos de destruição do País? O galarote Coelho canta de galo. Sem saber ler nem escrever, em nome da democracia para melhor a moldar aos seus intentos, a crise soube-lhe tão bem, a grande oportunidade para pôr em prática as experiências mais radicais - e mais torpes - do neoliberalismo. E, depois, quem canta a Grândola a ministros são os que põem em perigo a democracia, são os terroristas de que urge ter cadastro policial e, um dia destes, registo prisional. Já faltou mais.

Precisamos de ir mais longe, de ter mais gente, muito mais gente nas ruas a 2 de Março, de ficar por lá até que o galarote deixe o poleiro e recolha à capoeira.

grandolados!

Depois de Coelho, Relvas e Paulo Macedo, esta noite foi Gaspar o grandolado. Cantaram-lhe a Grândola à entrada. À saída, gritaram-lhe "Gaspar ladrão, o teu lugar é na prisão". Ontem também foi dia de Grândola para Paula Teixeira da Cruz. E hoje? Quem são os senhores que se seguem na grandolada?

A propósito, na "conversa em família" que titubeou à malta do PSD, Gaspar afirmou a necessidade de mudar o sistema político. Talvez um sistema político à moda de Pinochet. O seu mestre, Milton Friedman, era disso que gostava.

Grandole-se a gandulagem!


Imagem: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt

fábrica de plásticos procura nobel da química; salário mínimo garantido

Por Daniel Oliveira
http://arrastao.org/

O site do Instituto de Emprego e Formação Profissional para a procura de emprego é um cofre de pérolas. Que diz muito do delírio em que vivem alguns empregadores no tempo das vacas magras. Não fosse a sério, algumas das propostas dariam para rir. Veja-se esta (está difícil ir ao NetEmprego):

Uma empresa procura alguém para intérprete em negócios com outros países, sobretudo o Irão. Viagens periódicas, secretariado, desalfandegamento, tradução, atualização de base de dados e páginas de web e tarefas contabilistas. Ou seja, uma espécie de faz tudo. Pede, como condições para aceder ao emprego de secretário-programador-contabilista-desalfandegador-gerente de página-tradutor-vendedor pouca coisa: facilidade de trabalho em ambientes linux, redes de comunicação, bases de dados e web; que seja nativo persa/farsi, fluente em inglês e português; que tenha conhecimentos avançados em alemão, espanhol, italiano e mandarim; que tenha fácil acesso ao Irão, que tenha habitação em Teerão; que tenha contactos comprovados com empresas de peles, especiarias e material electrónico e informático; tem de ter conhecimentos de programação de aplicações (Java, C, C#, CB), conhecimentos de bases de dados (Oracle, MYSQL, H2, MONETDB, MONGO), conhecimentos de design web (HTML, CSS3, AJAX, JQUERY, PHP, PHOTOSHOP, AI, FW), conhecimentos de redes de comunicação (TCP/IP, UDP, VOIP, IPV4, IPV6), conhecimentos de normas ISO9000, ISO9001 e sua implementação dentro da organização e conhecimentos de contabilidade a nível internacional.

Pode ser difícil fundir numa só pessoa o Steve Jobs, o Américo Amorim, o Henry Kissinger, o chefe de gabinete da Casa Branca e papa João Paulo II. Mas quem conseguir tem a vida feita: um contrato de seis meses com o ordenado de 485 euros. E, não esquecer, um subsídio de refeição de cinco euros por dia. Não sei se este anúncio é uma brincadeira. Se é, está bem esgalhada. Mas não deixa de ser interessante que o IEFP dê publicidade a piadas de mau gosto. 

por falar em cu, metam os 485 euros no dito, com ou sem a ajuda de urânio enriquecido


Há por aí uns gajos que dizem ah e tal, esses tipos de esquerda têm é a mania da perseguição, vêem injustiças em todo o lado e assim. Pois. Vemos sim. Mais do que injustiças, infâmias. Praticadas todos os dias contra um povo arredio ao confronto. Infelizmente.

Insuspeito de nutrir quaisquer simpatias revolucionárias, o Dinheiro Vivo trás esta notícia que reproduzo na íntegra:

Salário de 485 euros? Só tem de falar mandarim, ter casa em Teerão e ser barra em Linux

Uma empresa de Coimbra abriu uma vaga de emprego que está disponível no site do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), para um técnico de relações públicas, masculino ou feminino.

As condições de trabalho são flexíveis, com horário não especificado e folgas rotativas. O salário é baixo: 485 euros por mês, 5 euros de subsídio de alimentação e contrato a termo certo, com duração de seis meses.

A oferta de emprego seria mais uma entre tantas se não fossem as condições de seleção dos candidatos. Por 485 euros, a empresa pretende alguém que fale português, inglês, alemão, espanhol, italiano e mandarim, e tem preferência por nativos persa/farsi. Porque uma das funções é "intérprete em negócios com outros países (nomeadamente o Irão) e relações públicas."

O candidato deve estar disponível para "longas viagens internacionais", em representação da empresa. Deve saber fazer trabalho de secretariado, incluindo gestão de encomendas, desalfandegamento e tradução de documentos.

Deve ainda saber introduzir informação "diretamente em base de dados e páginas web", ter conhecimento de tarefas contabilísticas e trabalhar em ambientes Linux [sistema operativo open source].

Convém ainda que tenha "fácil acesso ao Irão", com "habitação em Teerão", e "contactos comprovados com empresas de peles, especiarias, materiais eletrónico e informático."

Por 485 euros, o candidato deve ainda ter conhecimentos de programação de aplicações e bases de dados, design web, redes de comunicação, normas ISO9000 e ISO9001 e ainda contabilidade internacional. Curiosamente, pede apenas o 12º ano de escolaridade e formação profissional em comércio.

Se a página não for entretanto desactivada, pode ver aqui a oferta de emprego:
http://www.netemprego.gov.pt/IEFP/pesquisas/detalheOfertas.do?idOferta=587970507&name=ofertas&posAbs=9&numTotRows=246

21/02/13

meninos pobres das filipinas







cantos de lisboa amada






mudam-se os tempos, mudam-se as verdades


venha de lá outro abril!

d. policarpo: "aguentava" sem os 14 quartos e as 6 casas-de-banho?

Por Tiago Mesquita
http://expresso.sapo.pt

O cardeal-patriarca de Lisboa defendeu, esta terça-feira, que a sociedade portuguesa "aguenta tudo", no que toca à austeridade.

"A sociedade aguenta tudo. Esperamos que as linhas de conduta sejam realistas, mas prudentes. Não se deve usar o poder para fazer aquilo que não é preciso ser feito", declarou José Policarpo, em entrevista à RTP1, ao ser questionado sobre os limites da resistência dos portugueses à austeridade.

Em relação ao papel da Igreja Católica em tempos de crise, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa referiu que "tem de estar presente, atenta a quem sofre", oferecendo "amor, verdade e fé". Diário de Notícias

Amor, verdade e conselhos sábios. Assim de repente, estou a lembrar-me de D. José Policarpo, em 2009, a advertir as jovens portuguesas de que casar com muçulmanos poderia ser um monte de sarilhos. Em certos cargos, estar calado é, mutas vezes, uma bênção divina.

Pois é, "a sociedade aguenta tudo", diz o senhor Cardeal Patriarca de Lisboa. E quanto a mim aguenta bem melhor com uma bela e dispendiosa garrafa de vinho a acompanhar as refeições, os macinhos de tabaco diários e as vestes compradas em Roma. Aguenta melhor ainda instalada numa herdade de um hectare avaliada em 2,5 milhões de euros, a desfrutar de uma casa com catorze quartos e 6 casas de banho, e a "piscina construída para o senhor bispo D. José, que gosta de estar lá ao sol". "E às vezes jogam ali [ténis] os novos padres que vêm aí para reuniões". (Correio da Manhã) Assim, aguentaria bem, a sociedade.

Explique-me, senhor cardeal, não considera estar numa posição demasiadamente confortável, nada despojada materialmente, instalado que está no seio da mui luxuosa Igreja Católica (que não consta que passe dificuldades financeiras), para vir a terreiro falar do que a sociedade civil aguenta ou deixa de aguentar?

Não sei por que motivo se tornou moda que banqueiros, cardeais e outra figuras da nossa praça - que não sentem a austeridade em nenhum dos poros, pessoas para as quais esta não passa de mera conceito - se arroguem o direito de definir o que os outros podem ou não aguentar e até onde pode ir a austeridade infligida aos portugueses. "Santa" paciência.

Fotografia: José Carlos Pratas / Global Imagens (http://www.dn.pt)

e agora, senhor relvas, o povo mau

Por Daniel Oliveira
http://arrastao.org/

A TVI convidou Miguel Relvas para falar sobre o futuro do jornalismo. É um hábito nacional. Em Portugal, não há mercearia ou Universidade que não queira ter um ministro a inaugurar o seu "evento". Mesmo que o ministro em causa não tenha, como é evidente no caso, qualquer pensamento sobre o assunto a ser tratado. Relvas foi, como fora no dia anterior, interrompido por protestos. José Alberto de Carvalho disse, na TVI, que foi um atentado à liberdade de expressão. A deixa foi aproveitada por os que acham que a vida política portuguesa se deveria resumir às guerras de bastidores do PSD e do PS. E que os portugueses deveriam continuar a ser, como os definiu um membro da troika,"um povo bom".

Miguel Relvas fala todos os dias, sempre que quer. Fala sobre o que sabe e o que não sabe. O seu direito a expressar as suas opiniões está mais do que salvaguardado. Quem o interrompeu no ISCTE não teria seguramente como intenção impedir que os portugueses ouvissem as suas doutas opiniões sobre o futuro do jornalismo. Queriam protestar e protestaram.

Portugal sabe bem, pela sua história, o que é estar privado da liberdade de expressão. É coisa séria e não deviam ser os jornalistas a banalizar o conceito. Querem saber o que é pôr em causa a liberdade de expressão? É o ministro que tutela a RTP mandar despedir um cronista da rádio pública porque não gostou do que lá ouviu. É um ministro que assim agiu continuar no seu lugar. E ainda ser convidado pela classe para perorar sobre o futuro do jornalismo.

Miguel Relvas é um símbolo. Um símbolo da desfaçatez e da falta de ética política. No seu comportamento como ministro e como cidadão - como escrevia alguém do "Cão Azul", foram mais os 15 minutos que esteve no ISCTE do que o tempo que passou na faculdade onde supostamente se licenciou. Basta ver a quantidade de ex-governantes envolvidos no escândalo do BPN para perceber que está longe de ser o primeiro deste calibre a estar num governo. Mas estamos no meio de uma crise. As pessoas estão desesperadas e com muito pouca paciência. Exigem, pelo menos, que finjam que as respeitam.

O facto de Relvas ser interrompido em todos os lugares onde vá, o facto de não poder sair à rua sem que os portugueses lhe manifestem a repulsa que lhes causa, é uma boa notícia para a nossa democracia. Quer dizer que os cidadãos ainda não desistiram de tudo. Que ainda não estão completamente resignados. Isso sim, seria trágico. Porque só em democracias discursos de ministros são interrompidos por protestos.

E quer dizer que as pessoas ainda não tratam "os políticos" todos da mesma maneira. Que ainda os distinguem.Mesmo quando são interrompidos nem todos os membros do governo têm direito ao nível de desrespeito que Relvas tem merecido nas suas aparições públicas - todos os restantes ministros têm discursado depois dos protestos. Mesmo perante quem as está a afundar, as pessoas conseguem distinguir entre aqueles de quem discordam e aqueles que, independentemente das suas posições, em nenhuma democracia exigente poderiam ocupar um cargo público.

Esta é a única perversidade que pode ser apontada à perseguição popular a Relvas: pode fazer esquecer a responsabilidade de quem lhe deu o lugar que ocupa. É que nem todos percebem que Miguel Relvas é apenas a versão desafinada de Pedro Passos Coelho.

grândola, a internacional












não acertam uma

Por Fernando Dacosta
http://www.ionline.pt

Se Portugal é hoje dirigido como uma empresa, consoante se afirma, então nós, os seus accionistas (os impostos que nos subtraem põem-nos nesse patamar) devemos intervir a fim de suster a ruinosa gestão de que o país está a ser vítima – vitimando-nos.

Os contratados para o corrente das contas alçaram-se para lá da sua chinela e, sem pudor nem preparação, provocaram uma situação de catástrofe. Desconhecedores por completo da estrutura interna da empresa (da história, identidade, recursos, subterfúgios), não acertaram uma nas previsões, estimativas, balancetes apresentados. O falhanço foi total, apesar dos contínuos alertas dos (realmente) entendidos mas não ouvidos – a ignorância revela-se, mais uma vez, ultra-arrogante.

Como o presidente da assembleia-geral não quer sujar as mãos na vianda laranja/azul, cabe aos accionistas intervir antes da falência generalizada e do caos social do país. Em firmas normais, empregadotes com semelhantes desmandos há muito que estavam no olho da rua, mais as suas reincidentes tabernices e aldrabices.

Nas décadas em que andei pelos jornais vi imensos estagiários serem despachados por muitíssimo menos – será que aos jornalistas se exige afinal mais competência e ética do que aos ministros?

Aguarda-se que o FMI, o BCE e a CE responsabilizem os elementos da (sua) magnífica troika por até agora não terem salvo, pelo contrário, nenhum dos desgraçados países onde meteram o bedelho e a pesporrência.

“O actual problema português”, prevenia Agostinho da Silva, “é que está a ser governado por contabilistas como um balcão de secos & molhados”.

Fotografia: http://noticias.pt.msn.com

até quando?

Por Viriato Soromenho-Marques
http://www.dn.pt

Tomei conhecimento do duplo incidente com o ministro Relvas através de uma entrevista televisiva ao ex-ministro socialista Augusto Santos Silva. A indignação deste era tanta, por causa dos maus tratos de que o primeiro teria sido vítima, que julguei ter ocorrido uma nova "Noite Sangrenta" em Lisboa. Pensei que Relvas tinha sido metido numa camioneta, tal como António Granjo, Machado Santos e outros infelizes, assassinados na noite de 19 de outubro de 1921 por marinheiros revoltados. Felizmente, a III República não tem imitado, até agora, a cultura de violência da I. Nos tempos de abundância, Relvas seria uma figura de comédia. Os governados sempre gostaram de encarar alguns governantes com sarcasmo. Mas estes são tempos de escassez e tragédia. Convidar um homem que nunca escreveu uma linha digna de memória futura, e que só diz trivialidades, para uma conferência no Clube dos Pensadores (!) ou esperar que ele possa encerrar um colóquio sobre o futuro da comunicação social, quando a sua tarefa principal no Governo é a de lotear a rádio e televisão públicas, parecem-me dois gestos insensatos. Ficar condoído com o silêncio forçado de Relvas, e esquecer as vozes inteligentes que a sua ação tem afastado do serviço público de comunicação social, parece-me tão despropositado como acusar a poesia erótica de Bocage de pôr em causa as liberdades fundamentais do intendente Pina Manique. Em Berlim, um ministro que plagia uma tese sai do governo em menos de 24 horas. Em Lisboa, um homem cuja vida é um perpétuo faz-de-conta, esgota a agenda política. Só o primeiro-ministro não percebeu, ainda, que o caso Relvas não é uma questão de direitos constitucionais, mas um assunto de higiene pública. Contamina a pouca autoridade do Governo e mina o moral que resta ao País.

inaceitável é tu seres quem és, pá!


«É inaceitável que um ministro seja impedido de falar», disse Augusto Santos Silva, ex-ministro de Sócrates, na TVI.

Inaceitável é haver gente com fome, com frio. Inaceitável é alguém não ter emprego. Inaceitável é alguém não ter acesso a Saúde e Educação num Portugal que, deve achar o ex-ministro, ainda é democrático e solidário. Vá à fava!, digo eu que até sou bem educado, porque o que apetecia era dizer outra coisa, outras coisas. É por estas e por outras que não voto PS, não dou o ouro ao bandido, seja ele quem for e abrigue-se na sigla que se abrigar. Augusto Santos Silva era o Relvas de Sócrates. Está tudo dito.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt

20/02/13

já sei, já sei onde se vai cantar a grândola

Canta-se a Grândola por onde quer que apareça um ministro. Um achado. Um golpe de génio. Mais eficaz do que algumas manifestações a que tenho ido (embora não lamente a minha participação em nenhuma, grão a grão se vai emperrando a engrenagem). Hoje, vi - e, infelizmente, ouvi - Luís Montenegro, esse monte negro da bancada PSD, a alertar para os perigos que esses meliantes-cantadores acarretam para a democracia, interrompendo e até, oh vilania!, calando ministros e obrigando-os a esconder-se. Segundo Montenegro, os portugueses podem e devem manifestar os seus sentimentos. Não diz é como, e no parlamento não será com toda a certeza, pelo menos com o beneplácito de Montenegro e dos seus comparsas. Amanhã, no Hotel Sana, pelas 21h, o contabilista de serviço à troika vai participar numas jornadas do PSD. Ou me engano muito ou os manifestantes vão ficar do lado de fora e nem sequer vêem o ministro Gaspar, que entrará pela porta do cavalo, discursará na sua voz pausada a valer-lhe o epíteto de Rei do Sono (alcunha, imerecida, de um professor que eu tive), proclamará o respeito que os mercados têm por nós, anunciará os grandes feitos da sua governação e retirar-se-á. Pela porta do cavalo. Uma promoção, afinal.


onde é que vamos cantar amanhã?

Imagem: https://www.facebook.com/AssociacaoJoseAfonso

gaspar mete água e o poço tem fundo


O inenarrável Gaspar, todo-poderoso ministro do Estado e das Finanças, tem aura de génio. Com desprezo pela gentalha que por aqui vegeta, aceitou ainda assim o sacrifício de ser ministro para, tal como Salazar em tempos que já lá vão - vão mas voltam -, pôr as contas em ordem. Mas, genialmente, engana-se. Afinal de contas, contas feitas em excel, que ao menos nisso não é azelha, veio hoje declarar que terá que rever os números da recessão, adiantando que a riqueza a produzir pelo país em 2013 irá reduzir o dobro do que esperava. E ameaça desde já com mais um pacote de austeridade para acertar as contas, solução fácil e eficaz se o poço não tivesse fundo.

Sabendo que o ano ainda agora começou, e que a procissão dos devotos neoliberais ainda está a sair do adro, seguramente com a benção embevecida de D. Policarpo, está-se mesmo a ver onde é que isto vai parar.

Se quer o meu conselho, esconda a carteira, se ainda tiver dinheiro na carteira. Ou esconda-o no colchão, se ainda tiver colchão. Esconda-se debaixo da cama, se ainda tiver cama. Respire de mansinho. Não tussa. Não suspire. Finja que não existe, que não está cá, que emigrou, pirou, pirou-se. Faça o que fizer, não alimente mais o monstro. Deixe-o morrer à fome.

Fotografia: Reuters/http://www.tvi24.iol.pt

sabia que hoje é o dia mundial da justiça social?

agora a grândola foi para o macedo da saúde




trabalho escravo na amazon




Estes vídeos denunciam as condições de trabalho de 10.000 funcionários da Amazon, na Alemanha. Um autêntico campo de concentração onde uma empresa de segurança, de inspiração nazi, controla os empregados sob ameaças, inclusive nas suas próprias casas.

Ler mais em:
http://www.eldiario.es/economia/Amazon-trabajo-precariedad_0_102890512.html

os instalados


Miguel Relvas afirmou (ver link mais abaixo) que as pessoas que ainda conseguem ter emprego, os "instalados" no seu dizer, são os que estão a travar as ambições dos mais jovens.

Falou e disse. O homem a quem saiu o curso na farinha Amparo. O homem que se instalou no partido para não mais sair. O homem que fomentou negociatas para si e para os seus à sombra do partido. 

É este o pensar desta gente. Escarram, não falam. Mais ganhariam se se calassem.

Ler mais:
http://www.ionline.pt/portugal/miguel-relvas-culpa-os-instalados-pelo-nivel-desemprego-jovem

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

portugal está barato





A Assembleia Municipal da Lousã (AML) aprovou hoje a alienação da participação da autarquia no capital do hotel Palácio da Lousã, permitindo a sua venda por um euro a um fundo de recuperação de empresas do setor. (Expresso)

Eu, se fosse à Isabel dos Santos ou aos generais lá de Angola, estava a pau: por um euro, e eles têm milhões deles (ganhos, como se sabe, honestamente) podem vir a comprar a torre de Belém, os Jerónimos, os Clérigos, talvez até o Palácio de São Bento que, como toda a gente sabe, pouca falta nos faz.

Resta dizer que os compradores, esses mãos largas que vão assim desembolsar um euro de forma tão perdulária, são a Findings XVI - SPGS, uma sociedade anónima detida pelo Fundo Discovery Portugal Real Estate. Numa breve consulta no google, não encontrei a mínima referência à Findings XVI, nem sequer tem site próprio - fiquei a saber apenas que tem escritórios na Avenida Eng. Duarte Pacheco, em Lisboa. Também não fui mais feliz nas minhas pesquisas sobre o Discovery Real Estate. A não ser que - helas! - tem morada na rua Jean Monnet, no Luxemburgo.

Fotografias: http://www.palaciodalousa.com

o zeca é que os topava

Por Luís Rainha
http://www.ionline.pt

Belíssimo episódio, a nova cantoria do “Grândola”, agora dedicada ao equivalente-a-ministro Relvas. Aquele omnipresente sorriso amarelado talvez merecesse uma outra canção do Zeca, quiçá a que versava o processo de manufactura de canalhas: “No país da verborreia/Uma brilhante carreira/Dá produto todo o ano.” Nem mais: cada cavadela dá direito a nova minhoca. O homem não tem o fio de voz do chefe – precisaria mesmo de fazer de conta que sabe a letra da canção?

O suposto moderador do debate que respondeu com gritinhos a mandar calar os intrusos também é produto típico de um certo Portugal. Autodenominado “Pensador”, anima um blogue em que profusamente fala de si na terceira pessoa e nunca falha como “Convidado Permanente” nos seus debates. É a “sociedade civil” em versão tuga: se ninguém se lembra de lhe montar palanque, o próprio trata disso. Mas que haja muito respeitinho nas tertúlias do Clube; nada de rimas de intervenção a cantar anarquia na função. E vá lá que não se lembraram de entoar algo como “Os eunucos devoram-se a si mesmos/Não mudam de uniforme, são venais/E quando os mais são feitos em torresmos/Defendem os tiranos contra os pais”.

Aplaudamos e façamos coro com esta modalidade canora de desobediência, de resistência passiva a quem quer embrulhar em debates, parlamentices e outras cortinas de verborreia o assassinato de um povo. O Zeca é sempre bom conselheiro nestas coisas: “Mais vale dar numa sarjeta/Que na mão/De quem nos inveja a vida/E tira o pão.”

socialismo: procura-se e deseja-se?

Por Baptista-Bastos
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Ao contrário do que dizem línguas bífidas, o conclave de Coimbra, que reuniu distintos socialistas e alguns menos distintos, forneceu certos motivos de reflexão. Exactamente pela circunstância de nada de relevante haver servido de pábulo a uma Imprensa tão deserta de ideias quanto a melancólica vida geral portuguesa. Os jornais desejavam zaragata: o previsível "duelo" entre Seguro e Costa foi água chilra. António Costa saiu apoiando um triste documento de intenções, cujas essas, as intenções, eram alegremente nulas. Apelidado, apressadamente, de Documento de Coimbra, o virtuoso testemunho (diz-se por aí) devorou horas a graves pensadores do PS e nada exprime que suscite um debate, um sobressalto, uma inquietação, uma expectativa. Seguro pode descansar. Costa, muito astuto e politicamente mais preparado, fez umas negaças, recreou correligionários cabisbaixos com o rumo do PS, recuou e aguarda o momento propício para atacar de frente. E este não é o momento. Ninguém sabe quando o será, acaso nem o próprio Costa. Afinal está a proceder como Seguro o fez com Sócrates. Histórias de chacais emboscados. Saiu de Coimbra caído nos braços do secretário-geral, e muito feliz com aquela miséria toda. Quem estará realmente interessado em dirigir uma nave de loucos? Todos aguardam, nenhum sabe bem o quê.

Passos Coelho prossegue na tarefa de demolição a que se propôs. Ignora que não se altera um Estado e as suas estruturas sociais, culturais e morais com contas de subtrair. Galbraith, hoje esquecido, provou-o com os exemplos do nazismo e do fascismo. É impressionante a desfaçatez com que este homem nos mente, falando como quem se dirige a mentecaptos. 17 por cento de desempregados não o comovem nem demovem. Ameaça que a praga não vai parar. Estamos a morrer como pátria, como nação e como povo mas coisa alguma emociona estes macacos sem fé e sem sonhos. Ri, alarvemente, com o Vítor Gaspar ("um génio" na expressão dessoutro "génio", António Borges), e chega a ser comovente o preguiçoso desdém com que Paulo Portas é tratado pela parelha.

Chegados a este ponto, é lícito perguntar: até onde a democracia pode admitir e sustentar estas indignidades? E onde pára o dr. Cavaco?, auto-omitido por natureza, mas obrigado, pelas funções constitucionais, a fazer algo que impeça a ruptura total. E os socialistas, que "socialismo" ambicionam, se é que ambicionam algum "socialismo"? E, depois de Mário Soares o ter colocado na gaveta, não sufocou definitivamente?

a lição búlgara



Ao fim de 10 dias consecutivos de manifestações contra o aumento da electricidade, o governo búlgaro foi forçado a demitir-se. E nós, por cá, todos bem? O IVA da electricidade e do gás aumentaram de 6 para 23%. As rendas de casa, as portagens, os transportes, as taxas moderadoras de saúde, as telecomunicações não cessam de aumentar. Pagamos mais de IRS, com direito a cada vez menos deduções. As penalizações aos desempregados e reformados são, à falta de mais suave palavra, sórdidas. Os despedimentos, além de facilitados, são indemnizados por tuta-e-meia. Os cortes na Saúde, na Educação e na Segurança Social são aviltantes e "eles" prometem mais. E nós, por cá, continuamos bem? Ou vamos para a rua a 2 de Março e só sair de lá quando Passos cair? Do poder, da cadeira, tanto nos faz desde que caia, com estrondo e sem glória. Sobretudo, sem glória.