a troika aguenta

Por Viriato Soromenho-Marques
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Vítor Gaspar veio reconhecer o óbvio. A receita de austeridade, a mesma que este governo recebeu do memorando, e deliberadamente aprofundou com o seu lema do "ir para além da troika", está a lançar o País numa espiral recessiva, de que até o pacato observatório de Belém se deu conta. A imprensa alerta: pode haver resistência em Bruxelas. Na verdade, trata-se de um suspense barato, como nos filmes de terror de quinta categoria. A "troika" vai aceitar, hoje, o alargamento do prazo da meta do défice, como amanhã vai engolir a reestruturação da dívida: no tempo, na percentagem dos juros, e, muito provavelmente, na redução parcial dos montantes. Os credores não têm nenhuma alternativa. A partir do momento em que a Alemanha aceitou, em setembro de 2012, manter a Grécia dentro da Zona Euro, deu o supremo sinal de estabilidade que os mercados precisavam para voltarem a confiar no euro (sem isso, as decisões do BCE seriam vazias de efeito prático). No dia em que Merkel ordenasse à troika para dizer não a Portugal, o Governo de Lisboa seria obrigado a lançar um novo pacote de austeridade que, pura e simplesmente, seria varrido nas ruas. A queda do Governo em Lisboa, numa altura em que a Espanha fervilha, e a Itália é uma incógnita, lançaria o caos na Zona Euro, pois o que estaria em causa para o novo governo de Lisboa seria a escolha entre pagar o serviço da dívida, ou alimentar a população. A entrada de Lisboa num torvelinho faria aumentar os custos da dívida pública de todos os países da Zona Euro. Não há qualquer dúvida de que a troikaaguenta os pedidos de Gaspar. A dúvida será a de saber se ainda faz sentido os portugueses aguentarem um governo que começa a ser perigoso para o próprio futuro da Europa.

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