20/07/13

fiéis companheiros

amparo

hoje dou-te música e logo da melhor que há

o doutor passos é um estadista - e um mariola

Por Nicolau Santos

Na sua voz grave de barítono, o dr. Passos fez ontem um discurso perante o Conselho Nacional do PSD, transmitido para todo o excelentissimo público, que lhe mudou radicalmente a imagem.

A partir de 18 de Julho de 2013, o dr. Passos não mais será acusado de ser líder de uma facção do PSD. Ou um mero político. Ou um simples primeiro-ministro. A partir de agora, o dr. Passos passará a ser olhado como um estadista. Um estadista equiparado aos melhores estadistas mundiais.

E que disse o dr. Passos para fazer dele um estadista? Verdades duras como punhos. Que o PSD tem sido o garante da estabilidade do país. Que tem sido o partido responsável entre os irresponsáveis. Que o ajustamento está a correr muito bem e a caminho do sucesso absoluto. E que marcar eleições a partir de Junho de 2014, como fez o Presidente da República, é introduzir desde já incerteza junto dos investidores que pode comprometer o regresso do país aos mercados. 

"Não há nada mais incerto do que eleições", disse ainda o dr. Passos, carregado de razão. E assim mostrou ao Presidente que a solução de salvação nacional que ele apadrinha só devia ter dois pés: o das eleições antecipadas era dispensável. 

E isto acontece logo agora, quando as divergências entre a coligação foram superadas, as avaliações positivas da troika se sucedem e já foram cumpridos dois terços do programa de ajustamento, disse ainda gravemente o dr. Passos.

Tem o dr. Passos toda a razão. O dr. Portas é demasiado irrevogável. O dr. Seguro demasiado inseguro. O senhor Presidente demasiado complicado.

Não foi o dr. Passos que tomou decisões sem consultar o dr. Portas. Não foi o dr. Passos que desprezou o PS e os parceiros sociais ao longo destes dois anos. Não foi o dr. Passos que viu o seu ministro das Finanças demitir-se dizendo que os objetivos do ajustamento tinham falhado. Não foi o dr. Passos que sempre apoiou o caminho traçado pelo dr. Gaspar. Não foi o dr. Passos que nomeou a dra. Maria Luís contra a opinião do dr. Portas. Não foi o dr. Passos que criou os megaministérios.

Tudo isto prova que o dr. Passos é um estadista, o único que nos resta. O dr. Passos quer uma coligação posta em sossego, um Partido Socialista venerador e obrigado, parceiros sociais agradecidos, um Presidente da República para sempre nas Selvagens. Só assim pode cumprir o grande desígnio que tem para Portugal. Repito: o dr. Passos é um estadista. Um estadista mariola, mas um estadista. Agradeçamos esta dádiva dos deuses.


19/07/13

o beijo irrevogável de portas

Por João Pedro Martins

A cimeira das Lajes catapultou Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia. Este beijo de Judas aos eleitores deixou Portugal sem o primeiro-ministro democraticamente eleito e manchou o nome do país que assim ficou associado a uma invasão ilegítima de um Estado soberano sob o pretexto da existência de armas de destruição maciça no Iraque.

Saddam Hussein foi capturado e enforcado, da mesma forma que se faz com porco selvagem durante uma caçada. O direito à vida e a um julgamento internacional podem ser negados por um tiro certeiro de um soldado norte-americano. Que o diga Bin Laden que nem o corpo lhe vimos o rasto.

Perseguir terroristas é um acto de patriotismo para os americanos. Colocar escutas e invadir a privacidade de milhões de cidadãos de todo o mundo é mera segurança nacional.

A Guerra que já foi fria, agora combate-se no ciberespaço. Julian Assange e as revelações do WikiLeaks são ameaças à segurança dos EUA. A recente entrevista de Edward Snowden, o ex-consultor da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, que revelou uma rede de espionagem global, onde milhões de pessoas são vítimas de intrusão abusiva nas contas de email pessoal, marcou uma nova etapa nas relações de subserviência do Estado português perante os superiores interesses de quem controla a economia mundial.

Ninguém imagina o ministro dos Negócios Estrangeiros a alegar "questões técnicas" para impedir o Air Force One, o avião presidencial de Barack Obama, de pousar no solo português.

Mas com Evo Morales, o verniz estala. O presidente da Colômbia foi obrigado a uma aterragem de emergência na Áustria, depois de os países latinos lhe terem negado pisar território europeu. O argumento foi o mesmo para a invasão do Iraque - uma suposta mentira, desta vez com o pretexto da presença a bordo do espião e traidor Snowden.

Snowden é uma "questão técnica" perigosa para Portugal, mas os voos da CIA com prisioneiros de Guantánamo são um segredo de Estado.

O ministro Portas criou um incidente diplomático que suscitou protestos nas ruas de Las Palmas, onde bandeiras portuguesas foram rasgadas e queimadas por cidadãos colombianos.

Paulo Portas em representação de um órgão de soberania beijou a mão do patriarca de Lisboa, da mesma forma que se ajoelhou perante os interesses americanos.

Portas é um político tóxico e mercenário. Nunca o vimos impedir a aterragem das centenas de empresas-fantasma de várias multinacionais norte-americanas que durante três décadas se instalaram na zona franca da Madeira, com o único objectivo de não pagar impostos. Pepsi-Co, Dell, Chevron e o império da rede offshore de Mitt Romney, ex-candidato às presidenciais dos EUA, são alguns exemplos de gigantes da economia mundial que transformaram o território português num bordel tributário.

Num mundo cada vez mais opaco, é absolutamente vital que pessoas como Assange e Snowden continuem a apontar os holofotes da imprensa para as verdades ocultas. A democracia precisa que a verdade seja revelada e que o tráfico de influências seja desmascarado na praça pública, independentemente do nome e da origem daqueles que violam o direito internacional e as liberdades e garantias dos cidadãos de todo o mundo.

Os beijos irrevogáveis que Paulo Portas vai distribuindo entre feirantes, sacerdotes e chefes de Estado arriscam-se a ter um retorno de Judas nas próximas eleições.

Veremos de quem é o próximo beijo.

a múmia furiosa

Por Luís Rainha

Cavaco Silva enganou-nos bem. A mumificação afinal era calculada e a paralisia medricas escondia a hesitação teatral do comediante circense (ou lá como se chama). O homem, assim de repente, lá nos surpreendeu. Mas só mesmo por culpa nossa. Bastava a recordação daquela crise caricata em torno do estatuto dos Açores para entendermos a mola que faz com que a criatura de quando em vez se mova: o orgulho ferido. Há uns anos, Cavaco deixou o país suspenso de uma importante comunicação, que na volta versou apenas uma ínfima perda de território presidencial. Mas suficiente para desencadear um ataquito dos grandes.

Agora devíamos ter prestado mais atenção ao episódio em que a cavacal figura surgiu nas pantalhas a comentar, de queixo professoral bem esticado, a imaginária fortaleza parlamentar do governo, quando na realidade este já se esboroava ante a vaidade de Paulo Portas. Uma figura ridícula, de verdadeiro truão (ou lá como se chama).

Imagino a ira, os perdigotos furibundos. Ele tão empenhado na defesa dos seus meninos e estes entretidos a urinar sobre os pés da sua augusta estátua. A vingança, para ficar gravada nas parangonas dos tablóides e nos livros vindouros, tinha de ser tremenda: caiam calduços sobre o governo, sobre o PS e sobre a desprezada Esquerda, a leste de convites e de dignos arcos.

Agora, eis-nos perdidos num labirinto de conversações estéreis, de enviados e mirones, de jogos florais que só servem para adubar o ego do presidente. Ou lá como se chama aquilo.

a anilha do doutor cavaco silva


Cavaco lá andou pelas Selvagens onde, dizem hoje, ufanos, os noticiários, dormiu descansadinho, sem que a batata quente que deixou em Lisboa lhe tivesse tirado o sono ou atormentado a consciência. Anilhou aves, daquelas com nomes esquisitos de que só fixei a cagarra, quem m'agarra que me vou a ele. Percorreu a ilha a pé, de ténis e polo azul bebé, reverentemente seguido por uma vasta comitiva paga por todos nós. E ainda teve tempo para uma perninha nas televisões, que lhe transmitiram em directo, atentas, veneradoras e obrigadas, as sábias palavras. E em directo arrotou postas de pescada. Que era no mar que estavam as nossas grandes oportunidades económicas, diz ele, o mesmo que deu cabo dessas oportunidades enquanto primeiro-ministro (um milagre de votação que nunca consegui entender, mas adiante, o que lá vai, lá vai). E aproveitou ainda o ensejo para mandar recados para o Continente, pressionando os partidos da direita e o da esquerda anilhada a entenderem-se, acusando alguns elementos não especificados - mas anti-patrióticos, está bom de ver - de estarem contra o acordo com que ele, doutamente, quis dotar a Nação.

Entretanto, no Continente, Seguro parece um pedaço de morcela aporrinhado entre dois bocados de broa, a da esquerda e a da direita, a de cima e a de baixo. Mas Seguro, com sentido de Estado, saberá decidir o que é melhor para Portugal e para os portugueses, safando-se airosamente da guilhotina em que Cavaco o quis entalar.

Cavaco sabe da poda como ninguém. E de pescas. E de anilhas. E de pensões de reforma. E de política não sendo político. E de escutas. E de consensos. E de vaquinhas. E de eleições, as mesmas que não quer porque os mercados nos castigariam. 

E de democracia, já se vê.

Imagem: Miguel A. Lopes/Lusa (http://noticias.sapo.pt)

às suas ordens, excelência!

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt/

o lalalá e o trololó


ahhhhhhh!!!!


18/07/13

aleluia!

Num rebate de consciência, Cavaco Silva decidiu economizar, a exemplo de todos os portugueses que, esses sim, não ganham nem p'ró tabaco. E, se bem o decidiu, melhor o fez: já não volta das Selvagens, ficando-nos a sua viagem por 80000 em vez dos anunciados 160000 euros.

Os portugueses, como estes que souberam da notícia há pouco, em pleno centro comercial, já começaram a celebrar. Juntemo-nos a eles e cantemos em uníssono!

casamento por conveniência


Já há acordo nupcial ou ainda não? E quem se amanceba com quem? Depois das noivas de Santo António, temos as noivas de Santo Aníbal. Com a protecção, pois está claro, da Senhora de Fátima. E aplausos nos Jerónimos.


Sabem o que vos digo? Acasalem. Mas saiam-nos de cima.


horror no matadouro

As fotografias mostram a reacção de várias pessoas ao sofrimento de animais no matadouro. Os vídeos, pelo seu lado, revelam toda a crueldade na criação e abate dos animais que nos servem de alimento. Lancinante.






Fotografias: PETA

o próximo discurso de cavaco

Portugueses:

Como sabem, desloquei-me para as Ilhas Selvagens, a cerca de 1000 km do epicentro da crise política que surpreendentemente atingiu o nosso país e que o meu anterior discurso estranhamente até veio agravar.

Só posso concluir que os actuais líderes partidários, os que estão e os que aspiram a ser governo, não estão à altura da gravíssima situação que o país atravessa. Na verdade, apesar de ter apelado à concórdia, harmonia e boa vontade dos dirigentes partidários para subscreverem de cruz tudo o que a troika impuser, só tenho assistido a divergências e quezílias. Os portugueses ignoram o que se passa nessas reuniões entre os três partidos porque as mesmas têm decorrido à porta fechada, mas o David Justino, meu observador, tem-me feito um relato que é de pôr os cabelos em pé. O homem é obrigado a tomar calmantes depois de cada reunião e receio que daqui a pouco peça a demissão. E eu ficarei sem nenhuma personalidade de prestígio para facilitador do diálogo entre os partidos.

Só encontrei por isso uma solução para o nosso país. Como os nossos políticos são uns verdadeiros selvagens, o único sítio adequado para eu exercer a Presidência é nas Ilhas Selvagens. Começarei por dormir lá na quinta-feira, dia da moção de censura de Os Verdes, não vá dar-se o caso de a moção ser aprovada e o governo que eu declarei na plenitude de funções vir a ser demitido por um parlamento irresponsável. Teria naturalmente que a seguir dissolver o parlamento, mas a confusão que se geraria não torna aconselhável a minha presença no continente.

Aqui nas Selvagens poderei ponderar a melhor forma de resolver a crise política. Aos políticos do continente prefiro a companhia das cagarras, dos calcamares, dos roques-de-castro, das almas-negras, dos pintainhos, dos corre-caminhos e dos francelhos. E se os políticos profissionais, essa gente horrível, continuarem a aborrecer-me com estas iniciativas e a incapacidade de se entenderem encontrarei provavelmente uma solução no actual quadro constitucional: nomeio primeiro-ministro o faroleiro das Selvagens. Afinal de contas só é preciso alguém que subscreva o novo memorando com a troika. E se o país já teve um governo na Ilha Terceira, onde Mouzinho da Silveira fez importantíssimas reformas, porque não governá-lo a partir das Selvagens?

Por: Luís Meneses Leitão

com que voz

com o tejo em cada esquina







ao serviço do deus dinheiro

você, aqui, não manda nada!


Aqui, mandam Cavaco, Passos Coelho, Paulo Portas. Mandam Alexandre Soares dos Santos, Américo Amorim, Belmiro de Azevedo. Manda a Ângela Merkel, a Christine Lagarde, o Mário Draghi. Mandam a JPMorgan, a Goldman Sachs, o Banco da China, o Citigroup, a Shell, a Mobil, a PetroChina, a GazProm, a Pfizer. Manda Carlos Slim e manda Ortega, Murdoch e Li Ka-Shing. Mandam o Mexia e o Nogueira Leite, o Dias Loureiro e o Duarte Lima. Mandam o Francisco van Zeller, o Vasco de Mello, o Ricardo Salgado, o Ulrich. Manda Ferraz da Costa, manda Isabel dos Santos, manda António Borges. E ainda manda Salazar, por obra e graça dos seus seguidores, pequenos e grandes, confessos ou não. 

Quem manda aqui são patrões e ladrões, sendo que alguns acumulam. Quem aqui não manda, perdoe-me a brutalidade com que o faço encarar a realidade, é você. Se julga que, lá por ir votar de tantos em tantos anos, tem uma palavra a dizer e que vive em democracia, tire os cavalinhos da chuva. O seu voto, enquanto votar como vota e em quem vota, serve para legitimar a roubalheira e perpetuar estes senhores, e tantos outros de quem falta aqui o nome, num poleiro dourado, recheado de benesses, de proveitos, de proventos de que, para si, sobram migalhas. Isto se estivermos em tempo de vacas gordas.

Os patrões uniram-se e disseram de sua justiça: querem que os partidos do arco da velha governação se entendam, cheguem a um acordo, um consenso, em fraternal entendimento para salvação da Pátria e dos seus pertences.  E exigem que o PS, contra o seu programa e o seu nome, lhes faça a vontade, como tem feito ao longo das últimas décadas. É para isso que serve. Para atrair os votos do povo e servir os seus senhores, os patrões e ladrões de que reza a história.

Sendo que alguns acumulam.

os três da vida airada

Maria e Aníbal, Mariani para quem já se esqueceu, devem ter andado a rezar muito a Nossa Senhora, a de Fátima, a que é nossa, muito nossa. É que Seguro, Passos e Portas - os três da vida airada, da troika nacional, a que é nossa, muito nossa -, vão chegar a acordo. Já deram as mãos. Diz-se para aí. O PS, mais uma vez, vai esquecer os portugueses que jurou defender para se aliar à pior direita que Portugal conheceu do 25 de Abril para cá? Porquê? Por medo de perder os votos da direita numas próximas eleições? Ou, conhecendo Seguro, medo, apenas medo. Medo de governar, medo de ser oposição, medo dos comunistas, dos esquerdistas, da ala esquerda do PS, do PR e dos mercados, de Durão e da CE. Quanto mais fraco se tornar Seguro, e este acordo pode ser um meio para atingir esse fim, mais forte se tornará o PSD, mais depressa recuperará da louca aventura de Coelho, entretanto pontapeado no traseiro. Afinal, pensado bem, o velho de Belém é capaz de não estar tão estraçalhado como parece.

Imagem: http://samuel-cantigueiro.blogspot.pt/

17/07/13

consumir até à morte

Imagem de Stephanie McMillan
http://www.cartoonmovement.com

este discurso foi um aviso sobre a estatura diminuta do homem





Cavaco Silva, enquanto presidente da nossa maltratada República, tem tido muitos maus momentos ao longo do seu percurso como "mais alto magistrado da Nação". Mas este discurso, o das escutas, foi o episódio mais degradante de todos, infelizmente nunca totalmente esclarecido. Neste discurso ficou espelhada, para a posteridade, a diminuta estatura do homem dito estadista. Mas uma pequena franja de portugueses foi suficiente para o eleger uma segunda vez. Aos que não foram votar, porque não vale a pena, porque são todos iguais, aqui fica uma lição, dura lição. Numa altura tão difícil, em que o País mais precisava de um Presidente, temos um Cavaco. 

outra vez o tal banco, outra vez o mesmo arco, outra vez os mesmos negócios


Por Filipe Tourais

Há apenas dois dias eram 100 milhões, hoje já se fala em 816 milhões. As responsabilidades do Estado decorrentes da execução do contrato celebrado com o BIC para a venda do tal banco que, apesar de nos ter custado 9 mil milhões, os seus activos foram mantidos nas mãos dos antigos donos, o tal banco que foi avaliado em segredo por 101 milhões e acabou vendido com um desconto superior a 60% por 40 milhões ao tal consórcio detido, entre outros, pela mulher que se tornou a mais rica de África a roubar o seu povo e pelo homem que se tornou o mais rico de Portugal graças a uma venda de parte da GALP a preços de amigo pelo Governo Sócrates, o tal banco que esteve para ser vendido a crédito sem juros mas a Comissão Europeia não deixou, o tal banco que acabou por ser comprado com o capital do próprio banco, esse mesmo, o contrato de venda foi tão bem feito que o que o Estado ainda ficou a dever ao tal consórcio apesar deste ter ficado com o BPN pode chegar até aos 816 milhões de euros. O valor consta de um relatório da Roland Berger pedido pela tal ministra das Finanças dos SWAPs, Maria Luís Albuquerque, na altura secretária de Estado do Tesouro e Finanças e que tinha responsabilidades na condução da privatização do BPN.

Os tais partidos do arco, a tal Justiça que controlam facilmente por terem o poder de legislar, os tais negócios manhosos, as tais clientelas, a tal auto-denominada "salvação nacional" e os tais portugueses sem coragem para darem um safanão aos seus destinos que os livre de toda esta quadrilha. "Os políticos são todos iguais" para que as eleições não sirvam para nada. E que venha a próxima notícia cabeluda, que a malta já não sabe viver sem elas.



pinochet e os milhares de mortos que nunca existiram




João Paulo II visitou o Chile, abençoando assim o brutal regime de Pinochet. Antes disso, em meados de 70, já o Vaticano tinha menosprezado os relatórios sobre a violência da ditadura chilena e os milhares de mortos que estava a gerar, classificando-os de propaganda comunista.

o pesadelo

Por Baptista-Bastos

Não me recordo de um Presidente, na II República, ter sido criticado com tanta veemência e haver sido objecto de tantos enxovalhos como este dr. Cavaco que nos coube no infortúnio. Pelos vistos e feitos, tem tripudiado sobre a natureza da função, denegrido as características de "independência" constitucionais que jurou defender e resguardar, e tomar atitudes de soba com a displicência de quem não tem satisfações a dar. A sua presença em Belém tem sido assinalada por uma série de disparates, incúrias, pequeninas vinganças, intrigas baratas, aldrabices indolentes como a das falsas escutas. O pobre homem, por lacuna cultural e outras, não está hipotecado aos princípios republicanos que o 25 de Abril reanimou, embora fugazmente. Pertence a outra vigília, a outra aposta, e a um passado vazio de sentido histórico. Não soubemos evitar o triste incidente do seu surgimento, que se tornou uma pavorosa ameaça. Os cavaquinhos que por aí pululam correspondem às debilidades das nossas respostas, à alteração dos sistemas ideológicos e ao facilitismo da "era de acesso."

Houve, no Brasil dos anos 60, século passado, um cómico famoso, o Chacrinha (aliás, homem culto e lido), que dizia: "Eu não estou aqui para explicar; estou aqui para complicar." O epítome pode, e deve, ser aplicado ao dr. Cavaco. Nada, ou pouco mais do que nada, se lhe pode aduzir, politicamente, em seu abono. Onde toca, dificulta ou emaranha. A bizarria de criar um "compromisso de salvação nacional" que envolve três partidos e exclui outros três alimenta, ainda mais, as divisões na sociedade portuguesa e não soluciona nenhuma questão. O que, retoricamente, separa o PS do PSD e do CDS parece, no momento, irreparável. Seguro quer, nos diálogos, a presença de todos; porém, o PCP, e explica as razões, "não tem nada a ver com aquilo." Os dados estão, à partida, viciados, e a manobra resulta numa piada de mau gosto. E Seguro envolve-se numa ambiguidade grotesca: diz que vai "dialogar" com partidos e não com o Governo, como se aqueles não fossem componentes deste. A confusão acentua-se quando afirma apoiar a moção de censura de "Os Verdes". Entrámos, em definitivo, no reino da feira cabisbaixa.

Ninguém sabe em quem acreditar. Para salvaguarda da nossa saúde mental é melhor, pura e simplesmente, não acreditar em nada. Com perdão da palavra, penso que Seguro está longe da solução adequada, pois pertence ao sistema; mas também penso que é a solução emergente que se arranja. Como dizia o outro, pior do que está, é impossível. Haverá outros caminhos a percorrer, fora deste sistema horroroso de "alternância", que nos leva até ao desgosto de tudo. Mas a organização das "democracias ocidentais" impede a mudança, porque isso conduziria a uma substancial alteração do próprio capitalismo. Todavia, esta impossibilidade aparente não significa que nos resignemos. Capitular é deixar de ser.


16/07/13

um morreu mas está vivo, o outro está vivo mas morreu há muito

Vale a pena lembrar. Saramago sobre Cavaco.

o BIC e a salvação nacional



Por Daniel Oliveira

O BPN foi, como se sabe, oferecido ao banco de Mira Amaral. Sim, 40 milhões de euros por um banco é uma oferta. E foi oferecido sem as dívidas, sem tudo o que nele era tóxico e problemático. Isso, Passos Coelho, homem do rigor e dos sacrifícios, deixou para os contribuintes. Para conseguir este extraordinário montante, o Estado deu todas as garantias: o contrato assinado com o BIC prevê que o banco se responsabilize por resolver as ações judiciais instauradas contra o BPN por clientes e trabalhadores, mas, claro está, mediante reembolso do Estado. A primeira factura chegou:100 milhões de euros. No fim o Estado pode vir a pagar ao BIC cerca de 600 milhões de euros. 15 vezes mais do que recebeu pela privatização.

Com quase todos os que levaram o BPN à ruína em liberdade, com uma obscura venda por trocos a um banco presidido por um ex-ministro do PSD, deixando todos os podres para os contribuintes, o Estado continuará a financiar cada problema que surja num banco que, na realidade, apenas geriu por dois anos. O BPN foi assaltado pelos seus próprios donos, nós pagamos. O BPN é privatizado, nós pagamos. O BPN continua a ter problemas por resolver, nós continuamos a pagar. Tirando a nacionalização, tudo isto é feito por um governo que se atreve a dar lições sobre o despesismo que nos terá levado até aqui. O problema é, ao que parece, querermos ter hospitais, escolas e reformas que não podemos pagar.

O obscuro processo de reprivatização do BPN, um autêntico assalto ao Estado, dirigido pelo ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar, coordenado pela então secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, e apoiado pelo primeiro-ministro Passos Coelho, só podia, num país com algum respeito pelos contribuintes, acabar na barra do tribunal. Com o julgamento dos decisores políticos que determinaram as escandalosas condições e montantes para esta privatização. Mas por cá, pede-se responsabilidade a todos os partidos. Que negoceiem com esta gente a "salvação nacional". Talvez chamar o cavaquista Mira Amaral como "personalidade de reconhecido prestígio" para moderar as conversas. Assim ficava tudo em casa.

Este episódio, a privatização dos CTT e das Águas de Portugal, e todos os negócios que ainda estão por fazer, são uma das razões porque tanta gente muito respeitável da política e dos negócios não quer ondas. Não quer eleições, oposição, contraditório. O próprio Mira Amaral disse, um dia depois da demissão de Paulo Portas, que o Presidente da República só deveria "convocar eleições em caso extremo", defendendo "um acordo entre os grandes partidos, PSD, PP e PS, que sustentasse uma solução de governo". Há que manter tudo sereno, consensual, em silêncio. Porque, como se sabe, a crise é sempre uma oportunidade. Que não venha a democracia agitar tão prazenteiro pântano.

pesadelo interminável



Por Viriato Soromenho-Marques
http://www.dn.pt/

Afinal a hemorragia financeira do BPN ainda não terminou. Como naqueles pesadelos em que pensamos ter acordado, para logo de seguida perceber que afinal ainda estamos mergulhados nas suas sombras e ameaças. Parece haver razão para apontar o dedo a Maria Luís Albuquerque, pela assinatura de um ruinoso contrato com o BIC. O banco que comprou o BPN pela bagatela de 40 milhões de euros, afinal só se responsabiliza pela gestão dos lucros potenciais, pois os prejuízos continuam a ser pagos por todos nós. Mas o mais grave, contudo, é perceber que o BPN é uma metonímia, uma espécie de miniatura caricatural do drama europeu. Em setembro de 2012, a Comissão Europeia calculava que os contribuintes europeus já haviam gasto 4,5 biliões (milhões de milhões) de euros para salvar o sistema financeiro (o que na Europa é sinónimo de "sistema bancário"). Isso quer dizer que a banca europeia já custou aos cofres dos Estados europeus dez vezes mais do que o conjunto dos resgates à Grécia (os dois), à Irlanda, a Portugal, ao sistema bancário espanhol e ao Chipre. E sem fim à vista. Pelo contrário, a "união bancária" prevista ameaça tornar tudo ainda pior. Até nisto, a estratégia de austeridade se revela absurda. Em vez de combater a principal raiz do problema, a saber, uma União Económica e Monetária (UEM) que permitiu à banca transformar-se na fonte esmagadora de criação monetária, incluindo a moeda falsa posta a circular pelo crédito tóxico, a política de que Merkel se tornou o rosto continua a confundir as vítimas com os culpados. Os desmandos do BPN, sobre os cidadãos e o interesse público, simbolizam a tragédia da diabólica engenharia da UEM. Duas estórias cruzadas, condenadas a terminar mal.

estão mesmo a tentar salvar a nação?

Por Pedro Tadeu

O que é um acordo de salvação nacional? O que significa salvar o País? O que se quer salvar? Quem se quer salvar?

Os políticos do PSD, PS e CDS que negoceiam umas frases para um papel onde ficará timbrado o percurso para essa dita salvação nacional são os dirigentes dos partidos responsáveis pelo percurso político de Portugal nos últimos 30 anos. São estes os partidos que levaram o Estado, oito vezes secular, à ruína, à perda de independência económica e ao abandono de uma parte da sua soberania política.

Os líderes do PSD, PS e CDS, que discutem agora como erguer os três pilares que suportarão o edifício da suposta salvação nacional, são dirigentes dos mesmos partidos que a golpes de incompetência, ganância, corrupção e inconsciência arruinaram a administração central, empurraram milhares e milhares de pessoas para o abismo da miséria e criaram no seu estômago a fome voraz, monstruosa, que só foi saciada com o alimento do crime económico e financeiro, como denunciam os nomes PPP, BPN ou swaps.

Estes são partidos onde medrou gente que na política, nas empresas e no mundo financeiro utilizou abusivamente dinheiros europeus, banalizou faturas falsas, cultivou fugas aos impostos, a "contabilidade criativa", promoveu a construção desenfreada, os atentados ecológicos e urbanísticos, a dependência excessiva do crédito e mais e mais e mais...

Os negociadores do PSD, PS e CDS são dirigentes de partidos que precisam de ser salvos, perdidos na imoralidade carreirista, na servidão aos interesses externos, na dependência eleitoralista, na ambição pequenina, na mediocridade dos seus quadros, no caciquismo dos seus autarcas.

O Presidente da República pediu, com urgência, para estes partidos salvarem Portugal mas eles não têm capacidade para isso. Primeiro, repito, eles precisavam de se salvar e isso demora muito mais tempo do que chegar a acordo para marcar eleições, o valor limite do défice e a redução a prazo da dívida pública. É mesmo mais difícil do que fazer uma reforma do Estado sensata e inteligente.

Os partidos convocados por Cavaco Silva, os partidos que se intitulam a si próprios "partidos do arco da governação" são, na verdade, os partidos do sistema que nos levou até aqui, à beira da perdição.

A missão destes partidos, independentemente das lutas internas e das tricas que os separam, não é a "salvação nacional" é, lamento constatar, a "salvação do sistema", a salvação dos seus vícios. Pode até ser que, para isso, assinem um acordo e melhorem as contas do Estado, mas, no final, acho com tristeza, a nação não ficará salva.

começaram os saldos ... e já se nota





haja alegria que, para lamento, já basta o nosso

15/07/13

o senhor silva faz anos hoje


Ora bolas, Silva é do meu signo. E é por estas e por outras que não acredito nesta coisa da astrologia, "ciência" mais frágil do que um baralho de cartas empinadas umas sobre as outras. Não penso como ele e mantenho-me, ao contrário dele, fiel às minhas origens humildades, das quais me orgulho. Engano-me muitas vezes e encho-me de dúvidas. Sorrio. Não sou carrancudo. Não sou calculista, nem vingativo, nem mesquinho. E, por fim, gabo-me cesto. Que amanhã vou à vindima.

subscrevo, por mais que isto indigne as almas gentis do meu país, e são tantas e tão boas


à espera que saia


governo morto, governo posto

Imagem: Antero, http://aventar.eu/

o pântano presidencial

Por Daniel Oliveira

A falta de clareza do absurdo processo iniciado pelo Presidente da República tem permitido todas as teses sobre as suas verdadeiras intenções. Que, como aqui escrevi, se está a preparar o segundo resgate. Que apenas quer criar as condições para avançar com um governo de iniciativa presidencial. Que quer promover um golpe contra Passos Coelho dentro do PSD. Que está a ganhar tempo e condições para marcar eleições antecipadas sem ser responsabilizado por qualquer tipo de instabilidade. Ou que quer, apenas, lavar as mãos das consequência da atual crise política. Aquilo em que ninguém realmente acredita é que o suposto processo negocial agora começado acabe em qualquer coisa de substancial.

Seja qual for a tese correta, o que Cavaco Silva fez foi alimentar o pântano político em que vivemos. A falta de clareza do seu discurso apenas promoveu o que de mais mesquinho existe na política, com uma sucessão de jogos escondidos.

O Chefe de Estado pode e deve decidir se mantém este governo, se o substitui por um de iniciativa sua ou se dissolve o Parlamento e marca eleições. E deve fazê-lo de forma cristalina, para não deixar a vida política degradar-se. Para não promover a confusão. Para não termos de ver um ministro a encerrar o debate sobre o Estado da Nação sem se saber que lugar realmente ocupa. Para não assistirmos ao maior partido da oposição a negociar com o PSD e o CDS ao mesmo tempo que vota a favor de uma moção de censura. O Presidente deve preservar e defender as instituições. Não tem autoridade para determinar as posições dos partidos em relação a esta crise e a sua política de alianças. O que é insustentável é ver um Presidente que deixou as instituições democráticas degradarem a sua imagem junto dos cidadãos querer, agora, tutelar quase todo o sistema partidário.

Estas negociações estão fadadas ao fracasso. Pelos limites que o Presidente impôs no seu conteúdo, deixando convenientemente de fora todas as alternativas de que discorda. Pelos prazos definidos, já que numa semana não se decide todo o futuro de um País. Pela tentativa de impor um "negociador", mostrando que é o próprio Presidente que não se considera uma "figura credível". Pela falta de clareza de objetivos. E pelos interlocutores: de um dos lados está um governo que o próprio Presidente deixou como interino, do outro um partido que exige eleições antecipadas e de fora ficaram três partidos, que nem convidados foram a participar nestas conversas. Ao promover esta farsa, Cavaco Silva apenas conseguirá, como aliás pareceu ser o seu objetivo na intervenção que fez aos portugueses, degradar ainda mais a imagem da democracia e dos partidos políticos. Para, seja qual for o seu objetivo final, defender a sua própria imagem.

A única resposta honesta seria não alimentar esta charada. O que passaria por exigir do Presidente uma decisão clara, antes de qualquer conversa entre partidos políticos. Ou seja, que comece, antes de fazer exigências a terceiros, por cumprir o papel que a Constituição lhe reserva.

Se o Presidente considera que o governo tem condições para governar, este governará com a maioria que dispõe. É essa maioria que tem, por sua iniciativa, de procurar ou não um apoio alargado para as medidas que quer tomar. E caberá aos partidos da oposição definir, sem chantagens presidenciais ilegítimas, que posição devem ter sobre o caminho a seguir.Se o Presidente considera que este governo não tem condições para continuar, forma, com as suas exíguas forças, um governo de iniciativa presidencial com apoio maioritário no Parlamento. Ou marca eleições para brevemente, enquanto o financiamente externo está garantido. Tão simples como isto.

Ao entrarem neste circo, que só pode acabar numa enorme frustração para os portugueses e descrédito para os seus atores, os partidos apenas tentam não ficar mal na fotografia. Mas acabarão por pagar o preço de tanta dissimulação.Qualquer "compromisso para salvação nacional", seja lá o que isso queira dizer, passa, antes de tudo, por ter um Presidente capaz de clarificar o que está obscuro em vez de fazer exatamente o oposto. Se não é capaz de tomar decisões, para não ser responsabilizado pelas suas consequências, que o assuma de uma vez por todas. Mas poupe-nos a ralhetes inconsequentes e a golpes palacianos.


nas represas do oportunismo

Eu também gostei de António Capucho enquanto presidente de Câmara. Mas nunca votaria em Capucho. Porque, atrás do homem, está um partido que luta por tudo aquilo em que não acredito. Mas Represas, pelos vistos, acredita. Ou finge que acredita, o que ainda é pior.

a lição de coelho

Vão dizer-me que exagero, que sou homem de má vontade, mas olhem que tudo nestas imagens me faz lembrar o novo Estado Novo que estamos a viver. Tirem de lá Salazar e botem Coelho. Verão como, apesar dos milagres de Abril e dos progressos do mundo, a mentalidade, o estilo propagandístico serôdio e as mentiras descaradas tanto podem ser de um como do outro. Coelho assinava de cruz.









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