08/08/15

ao que chegámos!


A Associação Portuguesa de Hospitalização Privada vai fazer queixinhas a Bruxelas, ao guardião do capitalismo degenerado. Assim não pode ser. O Estado tem que deixar o negócio da Saúde para eles e só para eles. Passos é que não se pode queixar, nem a Bruxelas nem deles. Quem semeia ventos, colhe tempestades e estas ele até há-de gramar.

Fique-se com o dito de Artur Araújo, AA para os amigos, sobre este candente problema de haver saúde em Portugal tendencialmente universal e gratuita:

"Não vamos tolerar mais práticas de gestão pública que privilegiem sistematicamente o sector dito social".

Ora toma, embrulha e mete na tulha. Onde perecem a Educação com a Saúde, a Segurança Social e o Estado a que isto enfim chegou.

no tempo dos palermas


Deve ser isso. Deve ser por estarmos em plena silly season que andam apostados em ver qual deles é mais pateta do que o outro. Um anda de catarse em catarse e de cartaz em cartaz, não faz nem desfaz, não sobe nas sondagens nem com sonda nasogástrica, não descola de baixo nem salta para cima, é uma espécie de empata-fodas, de pau-de-cabeleira, de não-me-toques-que-me-desafinas. O outro, ai-o-outro-o-outro!, diz que vem aí o tempo das vacas loucas - ou gordas não sei bem, já não atino nem desatino num tino sem destino -, jura a pés juntos como defunto em féretro que as autoestradas vão directas ao paraíso, que os amanhãs cantam ao despique, que os empregos sobem a pique numa fartura de açúcar, canela e caneladas na inteligência de cada um, que os cofres abarrotam já a bancarrota vai longe por obra e graça dos Espírito Santos, amén!, almorróidas de moleirinha, aleluia!, obstipação de meninges, avé!, diarreia de mente. Demente. Mente. Com quantos dentes tem na boca, postiços não são, postiço é todo ele mas não a cremalheira, fingida é a sinceridade, falsa a honestidade, um pechisbeque bera como a ferrugem, quinquilharia de bufarinheiro, bufa falante, traque mandante, um peido andante a passos daqui p'ra fora. Embora! Está na hora! Dá corda aos calcantes. Segue o destino dos tratantes, dos meliantes, dos farsantes. Aqui não tens cabidela. A não ser que queiras acabar como ela. Na panela. O tacho já o tens. E o facho. 

E o facho.

05/08/15

pergunta do dia

Já encontraram a cadeira onde Passos se vai sentar durante as férias? Ou vão esperar 40 anos em lugar de quatro?




campanha eleitoral em jeito imundo e grosso

ADVERTÊNCIA: a simples visão destes "cartazes" pode provocar-lhe palpitações, suores frios, irritação cutânea, febre alta, diarreia e vómitos.






angústia a toda a hora

Por Baptista-Bastos
http://www.cmjornal.xl.pt/

Nada do que foi voltará a ser. E é bom que se entenda esta verificada verdade. Verdade tornada numa expressão nebulosa e equívoca quando pronunciada por certa gente. Para que as coisas mudem e se restitua às palavras a dignidade da sua própria condição, torna-se imperiosa a necessidade de se remover este governo. 

Necessidade moral, antes de outra. Mas não vejo no PS uma dinâmica de vitória que seja suficientemente forte para escorraçar este ultraje. O director de campanha afigura-se-me inexistente, e a confusão que se moldou com as presidenciais é um sintoma da baralhada. Idêntica baralhada que conduziu, no passado, à dualidade fratricida de candidaturas semelhantes, e à dolosa ascensão do dr. Cavaco à Presidência. 

Ao que ouvi dizer, a agência de publicidade encarregada de promover o PS foi despedida por inércia e incompetência. Depois, os comícios, até agora, tiveram António Costa como protagonista principal. Errado. Falta, ali, por exemplo, a robustez demolidora de Jorge Coelho ("Quem ataca o PS, leva") ou a inteligência serena mas veemente de João Galamba, mais aptos para defrontar a bem cerzida organização do PSD. 

O PS, aliás, alheia-se da consciência de luta social, passando ao lado do básico em favorecimento do acessório. Vejamos: o Jornal de Notícias informou que as cantinas escolares vão estar abertas para benefício dos miúdos, que passam fome porque os pais estão desempregados. Só este tema suscitaria uma série de interrogações e de comentários; porém os socialistas andam demasiado empenhados não sei em quê, mas que não interessam com o modo operativo da natureza dos conflitos políticos. 

Os portugueses andam desiludidos com o Governo, já se sabe. Mas andam frustrados com a indolência do PS, que mais inclinado se mostra em pequenos exercícios vocabulares do que naquilo que comporta a própria essência do que está em jogo. E o que está em causa não são jogos malabares, o cansaço da conversa sobre Sócrates (habilmente aproveitada pela Coligação) ou sobre António José Seguro. A encruzilhada de indefinições deixa os portugueses arfantes, e a ligeireza dos socialistas mais acentua a angústia. Essa angústia não é só ao jantar, para recordar o título de um belo livro de Luís de Sttau Monteiro. Já viram o que seria se esta Coligação fosse vencedora? Haja Deus e haja Freud!

do diabo mais velho

Vá buscar um chapéu, boné, boina, barrete, cartola ou solidéu. Pespegue-se, com olhinhos de cão fiel, à porta da residência oficial do primeiro-ministro, ali entre a Estrela e São Bento, não tem nada que enganar. Acho que o homem está disposto a dar umas esmolas, agora que estão aí as eleições. Diz, e o que ele diz escreve-se sempre, quanto mais não seja para memória futura, que devolve o IVA e o IRS cobrados acima do previsto. Para mim, até pode prometer um carro a cada português sem ser preciso pedir factura com número de contribuinte. Pode prometer casa aos sem-abrigo. Saúde a quem não a tem. Educação gratuita para todos. Caixões gratuitos para todos. Pensões de reforma nunca abaixo dos 1000 euros. Salário mínimo muito acima dos 1500 euros que a gente não é menos que os franceses. Um Estado Social como nunca houve outro igual. Pode jurar que faz, que manda fazer, que mais isto e mais aquilo porque torna e porque deixa. Por mim, por todos nós, pode ir até à casa do diabo mais velho. E não voltar.

04/08/15

os piu-piu de maçães

Por Pacheco Pereira
http://www.publico.pt/

Os tweets de um secretário de Estado chamado Bruno Maçães têm sido alvo de chacota generalizada na Internet, mas não é o seu contributo para o anedotário destes dias de lixo que é relevante. Eles significam muitas outras coisas, bem mais graves do que as inanidades que escreve: vão fundo ao pensamento débil de quem nos governa e mostram a perigosidade social de meia dúzia de ideias extremistas na mão de quem tem poder e que, sem mudarem nada, estragam o país por muitos anos.

Que ele canta como um pássaro de curtos trinados, que é o que significatweets, isso é verdade. Mas que dificilmente se pode encontrar melhor exemplo da gigantesca arrogância e presunção de um conjunto de conselheiros de Passos Coelho, em que tudo transpira a uma gigantesca auto-suficiência e assertividade, associada a uma profunda ignorância do que é Portugal, a sua história e as suas pessoas, o povo, nós todos, o único “nós” que tem sentido.

Como todos os revolucionários são adâmicos, acham que o mundo começou com eles e vai acabar com eles, seja como paladinos de um combate mundial contra o Mal, quer como heróis consumidos num Armagedão de perversidade alheia, de preguiça colectiva, de pieguice generalizada, da maus costumes despesistas, de hábitos de vida de rico nuns miseráveis que acham que têm direitos e não sabem economia, ou seja, nas chamas do socialismo, da coligação do Papa Francisco com Obama, com Cavaco, com o Tribunal Constitucional, com os “socráticos” e com os ressabiados “velhos do Restelo” do PSD e CDS que só pensam nas suas pensões milionárias. Essa junção pestífera de demónios representa as mil cabeças do Diabo. Sim, eles viram oExorcista em pequenos e têm medo do Diabo.

A metade de Passos Coelho que não foi feita por Relvas foi feita por homens como Maçães, combinando na mesma criação a esperteza aparelhística e o mundo das negociatas e das cunhas, com as altas esferas académicas sempre dispostas a fazerem de dr. Strangelove. Ou seja, o dr. sem ser dr., junto com o Professor Doutor. Infelizmente, a história tem muitos exemplos destes e dão sempre torto. Mas eles nunca querem saber de história.

Num desses trinados, em inglês como convém, Maçães escreve que “todos os dias lhe lembram o muito que os 35 anos de hegemonia socialista em Portugal fizeram de mal ao país. Felizmente podemos hoje dizer que esses dias acabaram”. É o equivalente ao “I think I saw a pussycat”, sendo que o “pussycat” que quer comer o passarinho é o socialismo, “I did, I did”, ele viu 35 anos de “pussycat”.

Comecemos pelo cálculo, que Maçães certamente fez na sua mente, dos 35 anos. Imagino que o fez para o período posterior ao 25 de Abril, porque presumo também que não o fez incluindo os santos governos dos Professores Salazar e Marcelo Caetano, embora, com este tipo de extremistas, nunca se saiba. Podem perfeitamente achar que o Salazar dos Planos de Fomento e o Marcelo Caetano das “conversas em família”, eram perigosamente socializantes. Nunca se sabe. Porém, vamos admitir que o cálculo dos 35 anos começa depois de 1974, ou seja, houve cinco anos de não-socialismo, ou de anti-socialismo desde essa altura. Onde é que estão esses cinco anos?

Retiremos para já dois anos, ou seja, os do governo de que faz parte, que também presumo não seja socialista, mas, de novo, com estes extremistas nunca se sabe. Pode ser que ele se ache em missão gloriosa de infiltração no meio de um governo de socialistas... moderados. Não me admirava. Bom, mas vamos dar o benefício da dúvida de que Maçães não inclui o Governo Passos Coelho, mesmo apesar da ditadura fiscal socialista, na dita categoria. Faltam pois dois gloriosos anos sem socialismo.

Onde estão? Não deve ser nenhum governo provisório, nem o VI de Pinheiro de Azevedo, sobre o qual ele não deve saber nada, como nada sabe da nossa história recente quanto mais a antiga. Vamos pois aos governos constitucionais. Serão os governos da AD, de Francisco Sá Carneiro e depois Balsemão, três anos mal contados? Duvido. Sá Carneiro era um “social-democrata”, ou seja, um perigoso socialista envergonhado, e Balsemão um tenebroso socialista, encarregado pelo grupo de Bilderberg e pela conspiração maçónica universal, de dar suporte mediático aos socialistas portugueses para que eles nunca abandonem o poder.

Será que Cavaco serve para encontrar os três anos que faltam? Duvido, até porque Cavaco foi primeiro-ministro durante dez anos e, portanto, teria sete de socialismo, tantos quanto Jacob serviu Labão por causa de Raquel, e este em vez da amada lhe dava Lia, ou seja, o socialismo de novo. Mas não pode ser. Nas “análises” que este Governo faz todos os dias, Cavaco é o digno percursor de Sócrates, numa linha de continuidade sem falhas, incluindo os momentos menores de Guterres, o esquecido pelos anátemas. Sobra Durão Barroso e Santana Lopes, o breve. São três anos de 2002 a 2005, que davam para encaixar no prazo. Porém, Barroso será sempre suspeito, um ex-MRPP reciclado, merecedor de menos consideração do que os ex-trotskistas americanos que deram excelentes teóricos conservadores. Mas isso é na América. Talvez fique Lopes, embora o seu lado muito distributivo seja suspeito.

Difícil. Há aqui gato nos 35 anos, há aqui pussycat. E a razão é muito simples: os 35 anos de Maçães não encaixam em nada porque ele queria dizer 40 e não teve coragem de dizer, pelo menos neste tweet, porque o diz nos outros. Para ele, há o 25 de Abril, essa revolução comunista que condenou o país ao socialismo, e depois a vitória de Passos Coelho, ou melhor ainda, a chegada da troika moralizadora, que implantou à força de “inevitabilidade” uma nova revolução de bons costumes, punição para os de baixo, porta-aviões para os justos empreendedores.

Os 35 anos de Maçães são uma variante de uma necessidade de recriar um fio da história sem diferenças, igual para todos, de Soares a Barroso, de Vasco Gonçalves a Cavaco, toda “hegemonicamente socialista” para legitimar e radicalizar a ruptura. Esta é a questão mais interessante e mais perigosa, porque é essa que acaba por ter circulação mediática e entrar na cabeça das pessoas, para quem a crise é também um risco de meter dentro da cabeça muito lixo, porque esta versão imbecil da história tem sucesso populista.

"Eles são todos iguais”, “eles são todos culpados”, foi a “classe política abrilista” que nos fez chegar onde chegámos, como se tudo o que aconteceu desde o 25 de Abril fosse apenas um intróito para a bancarrota socrática. Há apenas uma explicação e é a explicação útil para extremistas como Maçães: a de que desde 1974 há uma única linha de continuidade, em que tudo o que aconteceu, com todos os seus intervenientes, é apenas uma linha única a da governação “despesista”, que culmina em Sócrates mas que tem como antecessores Mário Soares e, principalmente, Cavaco Silva.

A guerra ideológica mais importante deste Governo não é com Sócrates, é com Cavaco Silva, o inimigo íntimo, porque é de dentro. Ele é o verdadeiro “criador do Monstro”, Sócrates foi apenas um discípulo menor que tem a vantagem de ter levado o Monstro à sua conclusão natural, a bancarrota de 2011, e permitir a gloriosa entrada punitiva da troika. Tudo o que aconteceu desde o 25 de Abril, a “classe política” hoje vilipendiada nos “velhos” para ser redimida pelos “jovens” como Maçães, foi apenas uma e a mesma coisa, “hegemonia socialista”.

Por isso, eles têm de rasoirar a história e as suas múltiplas possibilidades virtuais, a luta pela democracia e liberdade de 1975, a lenta construção de um Estado democrático com o afastamento do MFA do poder, o combate por uma economia de mercado, desde os governos PS-CDS, até à revisão constitucional que permitiu as privatizações, a melhoria da qualidade de vida dos portugueses, as revoluções na mortalidade infantil, na saúde pública, na democratização do ensino, a conquista difícil de direitos sociais e políticos, ou seja, tudo equívocos, tudo assente no despesismo, tudo socialismo. Não houve história, houve puro determinismo que culminou na actual revelação que otweet de Maçães denuncia em tom bíblico, “esses dias acabaram”. Chegou o Salvador. Aleluia!












um cromo é um cromo é um cromo



cuidado, ratos a bordo!



Honório Novo, ainda em funções no parlamento, interroga neste vídeo o governador do Banco de Portugal sobre a idoneidade dos banqueiros, com Ricardo Salgado especialmente na mira.  Palavras premonitórias. E nem sequer foram precisos quatro anos, como Honório preconiza, para que os portugueses fossem chamados a pagar os desfalques e falcatruas de mais outro banco. Cerca de um ano depois desta intervenção na Assembleia da República, o BES haveria de cair com o estrondo que se continua a ouvir (e a sentir nas nossas carteiras).

A propósito: porque é que só o outro Costa, o Oliveira, foi "apanhado" no caso BPN? Então os demais? Quantos terão rabos de palha e culpas no cartório e continuam a botar faladura pelas televisões, a exercer altos cargos, a serem empresários de sucesso, a esmifrar um país tão pobre para uns, tão rico para outros?

Sócrates está preso. Outros, desconfio que por muito, muitíssimo mais, andam e andarão à solta, a farejar negócios de ocasião, a vender a pátria a retalho.

Mas ninguém, na Justiça, dá por eles. Devem estar escondidos nalgum submarino. De onde só saem à noite como ratazanas a chafurdar no esgoto, a abocanhar o maná.


03/08/15

que se pode dar a um homem que já tem tudo?

Atokos, € 45.000.000,00
Nafsika, € 6.900.000,00
Ilha no norte do Mar Egeu, € 35.000.000,00
Oxia, € 5.500.000,00
Atokos, € 45.000.000,00
Lesbos "pequena", € 800.000,00
St. Athanasios, € 1.600.000,00
Diz-se para aí que Cristiano Ronaldo ofereceu uma ilha grega a Jorge Mendes como presente de casamento. Resta saber se Ronaldo foi forreta e se ficou pela chamada Lebos pequena, que custa apenas € 800.000,00, ou se puxou os cordões à bolsa e deu, ao nubente que já tem tudo, de jogadores a jogatanas de mestre, a ilha de Atokos, espaçosa, de praias de areia branquíssima, com tudo o que um homem pode querer da vida enquanto anda por cá a sofrer tantas privações.

Agora a sério: será verdade? Se é, isso só confirma o que eu digo há muito, que a abjecção do ser humano já não tem limites nem peias. Uma revolução - mundial - era o que vinha a calhar.

02/08/15

o menino na mão dos bruxos

Tenho dúvidas de que na Coreia do Norte exista culto da personalidade ou problemas de senilidade.
 

com a carga pronta e metida nos contentores, adeus ó meus horrores!

Se uns mentem, outros mal desmentem. Se uns fazem propaganda nas televisões, em prime time e à borla, outros sentam-se à sombra da árvore-símbolo desta república de bananas à espera que a crise passe e Passos se passe de vez para a oposição, para a emigração de luxo, para o lixo da História.

Precisamos de ter mais força, de protestar com mais veemência, de mostrar mais a nossa indignação, a nossa raiva. Somos brandos nos costumes, já se sabe de ginjeira. Mas, caramba!, até num momento destes, em que um bando destruiu Portugal e entregou o nosso ouro aos bandidos, vamos continuar ensimesmados, conformados com a nossa triste e secular sorte?

Ou vamos juntar-nos, todos, sejam os opositores de direita, honra lhes seja feita, mais os socialistas e comunistas e bloquistas e apartidários, para varrer esta gente e enfiá-la em contentores de detritos tóxicos fechados a sete chaves e guardados no recanto dos nossos piores pesadelos ou enterrados bem fundo para que a perigosa carga não mais fecunde sofrimento, ganância e roubo?

Vamos lá. Faltam dois meses para as eleições. Vamos agudizar o confronto, elevar a voz, subir o tom da disputa e da indignação.

Se outros calam, berremos nós!