angústia a toda a hora

Por Baptista-Bastos
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Nada do que foi voltará a ser. E é bom que se entenda esta verificada verdade. Verdade tornada numa expressão nebulosa e equívoca quando pronunciada por certa gente. Para que as coisas mudem e se restitua às palavras a dignidade da sua própria condição, torna-se imperiosa a necessidade de se remover este governo. 

Necessidade moral, antes de outra. Mas não vejo no PS uma dinâmica de vitória que seja suficientemente forte para escorraçar este ultraje. O director de campanha afigura-se-me inexistente, e a confusão que se moldou com as presidenciais é um sintoma da baralhada. Idêntica baralhada que conduziu, no passado, à dualidade fratricida de candidaturas semelhantes, e à dolosa ascensão do dr. Cavaco à Presidência. 

Ao que ouvi dizer, a agência de publicidade encarregada de promover o PS foi despedida por inércia e incompetência. Depois, os comícios, até agora, tiveram António Costa como protagonista principal. Errado. Falta, ali, por exemplo, a robustez demolidora de Jorge Coelho ("Quem ataca o PS, leva") ou a inteligência serena mas veemente de João Galamba, mais aptos para defrontar a bem cerzida organização do PSD. 

O PS, aliás, alheia-se da consciência de luta social, passando ao lado do básico em favorecimento do acessório. Vejamos: o Jornal de Notícias informou que as cantinas escolares vão estar abertas para benefício dos miúdos, que passam fome porque os pais estão desempregados. Só este tema suscitaria uma série de interrogações e de comentários; porém os socialistas andam demasiado empenhados não sei em quê, mas que não interessam com o modo operativo da natureza dos conflitos políticos. 

Os portugueses andam desiludidos com o Governo, já se sabe. Mas andam frustrados com a indolência do PS, que mais inclinado se mostra em pequenos exercícios vocabulares do que naquilo que comporta a própria essência do que está em jogo. E o que está em causa não são jogos malabares, o cansaço da conversa sobre Sócrates (habilmente aproveitada pela Coligação) ou sobre António José Seguro. A encruzilhada de indefinições deixa os portugueses arfantes, e a ligeireza dos socialistas mais acentua a angústia. Essa angústia não é só ao jantar, para recordar o título de um belo livro de Luís de Sttau Monteiro. Já viram o que seria se esta Coligação fosse vencedora? Haja Deus e haja Freud!

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