13/10/12

enquanto a união europeia "conquista" o nobel da paz ...

vou ali, já volto


sem rumo

Reuters
Por Constança Cunha e Sá

Num raro momento de sanidade mental, a Comissão Europeia detectou subtilmente uma “fissura económica e social” em Portugal. Como é óbvio, trata-se de uma requintada força de expressão que fica bastante aquém do descalabro em que se afundou o país. Apesar disso, a Comissão exige que os portugueses arrepiem caminho e, em nome não se sabe bem de quê, se unam num renovado consenso. Como? A Comissão não explica; até porque, como anunciou esta semana o seu presidente, a Comissão não tem nada a ver com os planos de austeridade que arruínam a Europa a um ritmo cada vez mais vertiginoso. Limitou-se a fazer uma ou duas propostas suicidas que, nomeadamente os países sob resgate, tiveram a amabilidade de levar em conta. Como já se sabia por cá, o dr. Barroso é assim: nasceu para fugir às suas responsabilidades.

Vou, no entanto, por brevidade de espaço, esquecer as idiossincrasias do dr. Barroso, os erros colossais do FMI, as divergências entre os membros da troika e tudo o mais que confirma o desastre da receita aplicada aos países do Sul, que ameaça propagar-se a toda a Europa. Não por acaso, a União Europeia recebeu, ontem, o Prémio Nobel da Paz: a título póstumo, claro, e em memória de um tempo que infelizmente acabou. Não deixa de ser agradável ver como a Academia, entre os seus inúmeros prémios, não esquece os mortos-vivos que por aí andam.

Quanto ao consenso nacional, os iluminados da Comissão que me desculpem, mas penso que nos tempos que correm isso não passa de uma miragem que a realidade se encarrega de desmentir a cada dia que passa. É evidente que existe um consenso crescente contra o governo em geral e o primeiro-ministro em particular. Mas, para infelicidade da pátria, esse governo existe. Um governo que se transformou numa agremiação desavinda liderada por dois lunáticos. Se dúvidas houvesse, o Orçamento para 2013, essa manta de retalhos que o sr. Gaspar foi apresentando, aos tropeções, sem perceber minimamente as consequências que as suas extraordinárias medidas poderiam ter no país, dissipou qualquer ilusão sobre a matéria. Há quem veja nestes avanços e recuos uma estratégia para minorar o descalabro em que nos encontramos. Infelizmente, não vejo nesta turma de amadores qualquer visão estratégica, mesmo que comezinha. O que vejo, sim, é um total desnorte num governo que se arrasta penosamente pela paisagem sem rumo à vista. O resultado final, que pelo andar da carruagem ainda pode sofrer alterações no fim-de-semana, salda-se numa receita brutal que ameaça destruir a economia, sem conseguir cumprir a execução orçamental. Como se viu em 2012, as previsões de Vítor Gaspar já deram o que tinham a dar. E não deram grande coisa, para dizer o mínimo.

quem se quer bem sempre se encontra. até já!

parem de falar na crise! parem de falar na crise!

Ideia roubada ao http://trespassaopassos.tumblr.com/

o que gaspar diz à merkel

olha a equidade, trás a equidade!




parabéns, europa!


é oficial: merkel visita portugal em novembro

Vamos recebê-la condignamente, melhor do que na Grécia.


Fotografia:
Spencer Tunick
AP

eu pertenço àquela raça de homens que paga o que deve


Mas que raio de raça será essa? Eu só conheço uma e mal porque a olho de viés, a do caniche da Merkel, mas deve ser falta de cultura geral, a mim a quem sempre faltou engenho e arte para distinguir raças e enaltecer pedigrees. Uma raça de homem que paga o que deve? Então não é que a imprensa online vem hoje dizer que a empresa de que Passos foi administrador - sim, essa que anda nas bocas de toda a gente como a menina pescadinha, a Tecnoforma - abriu falência e tem calotes na ordem dos 500.000 euros?

E quantas mais histórias ainda se terão que saber sobre a Tecnoforma e outros empreendimentos de um empreendedor que sonhou transformar todos os portugueses em desempregados empreendedores a bem do empreendedorismo e da nação? 

Dito isto, deixo-vos. Vou passear o cão. Sem raça, pois então, mas o melhor e mais leal dos companheiros. É ele que está na fotografia. Estava a pensar em que desfaçatez, que aleivosia de minha lavra? Fique a saber que só retrato rafeiros.

Para saber mais:

12/10/12

um pedido de desculpas

Escrevi ontem que via com maus olhos o facto da Marcha Contra o Desemprego, promovida pela CGTP, ir culminar numa manifestação, em Lisboa, à mesma hora em que está a decorrer a iniciativa cultural promovida pelo movimento Que Se Lixe a Troika. Soube agora, pelo Expresso, que ambas as organizações estão concertadas e que os manifestantes da Marcha do Desemprego, no final do evento e se ainda tiverem forças para tanto, serão convidados a dirigirem-se para a Praça de Espanha. À CGTP, o meu pedido de desculpas. Este é o caminho certo. 

quando é que parte a próxima nave para marte?

levantar a lebre


Sem me pôr do lado do PS, já disse tudo o que tinha a dizer sobre isso, deixo aqui três perguntas:

- quem é que bufou, para a comunicação social, a compra de carros para o elenco parlamentar socialista?

- Assis diz nunca ter afirmado que "qualquer dia querem o líder da bancada parlamentar a andar de Clio"; se o que diz agora é verdade, quem é que disse que ele disse o que não disse?

- A quem interessará, desesperadamente, que se desviem as atenções dos portugueses da discussão do Orçamento de Estado e deixar mal visto "o maior partido da oposição"?

Todas estas interrogações, repito, não ilibam o PS nem muito menos Zorrinho e a tirada infeliz que deixou escrita na sua página do facebook. Mas que anda por aqui marosca, anda, e da grossa. Mal comparado, isto é como o labéu do meu amigo Jeremias que é tão mentiroso, tão mentiroso, tão mentiroso, que da única vez que disse uma verdade ninguém o acreditou.

como cada membro do governo preparou o orçamento de estado


os carrascos e as lágrimas de crocodilo


Há quem possa ver nesta minha actividade aqui pela web, quase frenética, um apelo ao ódio (ou à violência, como Passos Coelho acusou, hoje, Jerónimo de Sousa e o PCP). Não é ódio, nunca odiei ninguém, não sou capaz. É indignação, é revolta, é tristeza, é angústia. São gritos de alerta para quem quiser ser alertado. Nunca esperei ver, à frente dos destinos deste país, um homem como Pedro Passos Coelho, capaz de tantas atrocidades contra um povo pacífico, trabalhador, enganado, esganado. É isso que me move: o sentido de justiça, a solidariedade com os que mais sofrem. Nada mais. Que Passos Coelho e os seus apoiantes não se venham fazer de vítimas. São eles os carrascos. Não vale fazer o mal e a escaramuça. É batota. É feio. 

ai que o jerónimo é terrorista!

governo prepara-se para ilegalizar PCP

Acham que estou a exagerar? Esperem para ver. Esta manhã, no Parlamento, e em resposta às acusações de Jerónimo de Sousa de que estamos perante o maior roubo jamais praticado contra os cidadãos portugueses, Passos Coelho ameaçou que, se houvesse violência nas ruas, não se iria esquecer de quem apelou à revolta popular. Os sinais estão todos aí. Sem esquecer, claro está, o cada vez maior número de vozes que se levantam contra o direito à greve.


paz ratrapás paz paz

 Por Antero
https://www.facebook.com/anterozoide

jerónimo não está com o chico, tem um clio e não se rala

O Francisco, Assis de nome mas não de santidade, terá dito que o que faltava era o povo querer o seu ilustre líder de bancada a guiar um Clio, classificando quem pensa assim de populista e anti-democrático. Mas Jerónimo de Sousa tem um Clio. Não está com o Chico. Nem nisto nem na oposição responsável nem na abstenção violenta. Eu, confesso, também não estou com o Chico. Nem nunca estarei.

o fim do direito à greve

Da direita radical erguem-se cada vez mais vozes contra o direito à greve. Esta manhã, na Assembleia da República, o primeiro-ministro sossegou-os, prometeu tomar medidas "dentro do enquadramento legal". O mesmo enquadramento legal com que actuou enquanto consultor e administrador da Tecniforma, está-se mesmo a ver.


saia de casa, antes que lha tirem!










o fim do nobel

Avança o Público que o Nobel da Paz vai ser atribuído à União Europeia. Se tal se verificar, é o descrédito total deste prémio.

helena matos e ferraz da costa, o casal perfeito


Helena Matos e Ferraz da costa pronunciam-se contra a greve dos trabalhadores portuários. Ferraz, ferrando o ferrão mais fundo, vai mais longe e quer que se limite o direito à greve. Estão bem um para o outro ou, recorrendo a um lugar muito comum, deviam casar-se: são almas gémeas e só se estragaria uma casa. O blogue Aventar faz esta pergunta e eu secundo-os: já agora, em nome da saúde da economia e dos elevados desígnios governamentais, porque não restringir a liberdade de expressão, de manifestação, de pensamento? Era ouro sobre azul.

oh zorrinho, oh assis, querem sair dos vossos audi e vir aqui dar uma espreita?

no continente da vergonha

Ontem, em Bruxelas.

napalm fiscal, quem o diz é bagão félix


e depois o carteirista de lisboa é que vai preso

O editorial do DN desta manhã dá o mote: este é o orçamento do "a ver se pega". Primeiro, foi a TSU. Não pegou. Depois foi o IMI na sua versão mais agravada. Não pegou. Agora, é o novo imposto criado para o subsídio de desemprego, o corte para metade do subsídio de funeral, a diminuição das reformas, mais imposto de circulação, agravamento do IRS, tabaco ao preço do ouro e o mais que ainda não sabemos. Não pega. Nada disto vai pegar, a não ser que queiramos. Para isso, é necessário ir para a rua amanhã, seja para as concentrações convocadas pelos movimentos Global Noise e Que Se Lixe a Troika seja para a manifestação da CGTP contra o desemprego. Temos que estar, em massa, a gritar nas ruas "NÃO PEGA, NÃO SE PAGA"! Desobediência civil, revolta popular ou, adaptando um slogan antigo, MORTE AO GOVERNO E A QUEM O APOIAR. Assim, sem mais aquelas. Chega de paninhos quentes. Querem guerra? Vão ter guerra.






os pecados de francisco assis


Ouvi há pouco o Francisco Assis num debate televisivo. Ao mesmo tempo que negou ter dito a famosa frase do Clio, acusou quem fala disso de puro populismo. Pois. Além de perigoso esquerdista, na óptica do PS para a direita, também sou populista. Por achar que num momento destes, em que o povo português está a ser esmifrado até ao tutano, é uma obscenidade que os políticos, sejam eles deputados ou outros, se pavoneiem em carros de luxo ou não tenham descido os salários nem abdicado de outras benesses, que as têm e muitas. Não porque essas poupanças fossem salvar Portugal da falência. Mas por uma questão de decência, da mais elementar justiça e, não menos importante, porque ganham demais e têm demasiadas alcavalas, como se fossemos um qualquer emirato árabe a nadar em petróleo. Ponham os olhos na Suécia, por exemplo, onde os deputados nem de perto nem de longe têm direito às regalias que os nossos, num país à beira do descalabro, detêm. Pois. Chamem-me populista que eu chamo-lhes outra coisa. Não a escrevo é aqui, mandam as regras da boa educação.

genocídio fiscal


Depois de avanços e recuos, ameaças e chantagens, pasodobles e chicuelinas, ou não estivéssemos numa tourada onde os touros somos todos nós, eis que começam a sair aos bochechos as novas propostas do governo, que revêem e, em certa medida, agravam as anunciadas por Gaspar há uma semana. Dois dados relevantes, tão indignos, tão mesquinhos que é desta que julgo que vai ser detonada a tão temida convulsão social: as pensões de reforma vão sofrer novos cortes; os subsídios de desemprego são, segundo as duas versões que já ouvi, ou sujeitos a imposto ou reduzidos, o que vem a dar no mesmo. 

Sou uma pessoa pacata, juro, mas não sei por quanto tempo mais. Temo que o rastilho já esteja aceso. E estou com Arménio Carlos quando diz que “é o momento de os portugueses assumirem o artigo 21 da Constituição da República Portuguesa”, que estabelece “o direito à resistência contra as ordens ilegítimas que ponham em causa direitos, liberdades e garantias”.

11/10/12

sábado, vamos fazer barulho até que nos ouçam








rede multibanco prepara-se para 2013


o banquete dos ricos

Em Bruxelas, esta noite, cerca de 100 pessoas - incluindo 6 cidadãos portugueses - foram presos por se manifestarem junto do local onde se estava a realizar o chamado banquete dos ricos, um jantar que reuniu vários dos responsáveis pela austeridade de uma Europa cada vez mais próxima do colapso, social e económico.

zurra o assis em prol de zorrinho


O grupo parlamentar do PS gastou 210.000 euros em automóveis novos. O povo alvoroçou-se, claro. Logo numa altura destas, em que o comum dos portugueses enfrenta provações e o PS se arvora em reserva moral da nação, o tal da oposição responsável, da violenta abstenção, contra a austeridade e os sacrifícios dos portugueses. E o Francisco Assis, a quem esperteza não falta, desta vez escoiceou, espalhou-se ao comprido e zurrou em defesa de Zorrinho: "qualquer dia querem que o líder do grupo parlamentar do PS ande num Clio".

Oh Assis, num Clio, numa lambreta, de autocarro, a pé, não se lhe caiam os Zorrinhos na lama!

só se o gaspar for à bruxa


Durão Barroso diz que é preciso insistir na austeridade. O Juncker e a Merkel também. E a Lagarde vem hoje dizer que é preciso abrandá-la. Como é que o Gaspar, coitadinho, pode fazer um orçamento como deve ser? O homem tem é que ir à bruxa! Para os que dizem que temos um governo sem rumo, aqui fica a prova de que não é só ele. A coisa fia mais fino e ao mais alto nível.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt

coelho, relvas e a rota da vergonha

Deve ser isso. Deve ser uma cabala urdida contra Passos Coelho. O que é certo é que o Público anda, desde há dias, a denunciar as negociatas da Tecnoforma, empresa onde Passos Coelho foi consultor primeiro e, depois, administrador, e às quais o sempre omnipresente Miguel Relvas não foi estranho. Hoje, para além de 2/3 da capa, o jornal dedica seis-páginas-seis a mais um negócio da Tecnoforma. O enredo é intrincado, não vou descrever aqui os contornos completos do cambalacho mas, em traços largos, conta-se assim: Miguel Relvas, enquanto secretário de Estado da Administração local, cria um projecto de formação de técnicos camarários para aeródromos e pistas de helicópteros, dando-se como justificação a necessidade de preservar a segurança das aeronaves, passageiros e tripulantes tendo em conta, e passo a citar, os "atentados terroristas de 11 de Setembro nos Estados Unidos". Assim sendo, e colocando-se ao serviço do País e de tão meritórios desígnios, a Tecnofarma propõe, por largos milhares de euros, a criação dos tão necessários cursos, não fosse a Al-Qaeda reparar na existência de uns tantos aeródromos quase inactivos dispersos pelo Portugal profundo e mandar por lá umas bombas de mau cheiro. A partir daqui a história complica-se, por isso foram necessárias 6 páginas de jornal para explicar tudo, tintim por tintim. Uma coisa é certa: os cursos foram administrados, o carcanhol empochado e os formandos, esses, não viram as suas habilitações oficialmente reconhecidas uma vez que esses cursos nunca foram homologados pelas entidades competentes, apesar dos documentos da candidatura afirmarem o contrário. 

Moral da história, embora a história não tenha moral nenhuma: o homem que nos acusa de termos vivido acima das nossas possibilidades, o homem que se apresentou impoluto ao eleitorado, o homem que jurou para quem o queria e não queria ouvir que ia limpar a máquina do Estado de todas as maroscas e contratos ruinosos (os dos socialistas, claro), é o homem da Tecnoforma. Em boa forma, serviu-se do Estado. E o pior é que, agora, nos quer fazer pagar a factura. Por inteiro. Com juros e dos de agiota.

Escusado será dizer que essas helipistas e aeródromos são, hoje, campos de erva daninha onde, pacificamente, pastam ovelhas e reina a desolação. É a rota da vergonha, diz o Público e diz muito bem.

de noite, à espera de melhores dias





desobediência civil

Por Fernando Dacosta

Com a bonomia que lhe é peculiar, António Capucho avisou: “Se sobrar algum dinheiro às pessoas, elas pagarão os impostos. Mas como não vai sobrar, não pagarão. Entrarão em desobediência civil.”

A desobediência civil está já a observar-se em vários sectores. Entupidos, os tribunais que o digam; paranóico, o fisco que o comprove. O país desiste de o ser. Um vento suicida crispa os portugueses, povo de propensões ora para a desistência (inacção), ora para o delírio (anarquia). Os que (julgam) governar-nos não percebem sequer que o português é ardiloso (“manhoso”, na caracterização de Agostinho da Silva), oculta o que pensa, gosta de ludibriar, de subverter.

Veja-se: os estabelecimentos comerciais voltam a não passar, com a conivência do público, facturas; a fuga aos impostos torna-se comportamento de resistência, de vingança. Boiamos hoje em águas de um neofeudalismo terrorista.

“O cio autoritário dos psicopatas no poder traz sede de sangue no bico”, alertava Natália Correia. “Parta-se-lhe, pois, o bico!” De tal modo a política seguida é aberrante que o FMI viu-se obrigado a sublinhar que “a austeridade deve ter um ritmo suportável”. A ser imposto, o aumento do IMI vai rebentar com o eleitorado (sobretudo) do PSD e do CDS e a seguir com o governo. O desprezo por ele tornou-se irreversível. Isso revela-se, aliás, o aspecto mais crítico do Estado, cuja autoridade está a ficar em ruínas – tal como a democracia.

O pus do regime escorre por todos os poros.

quando a quinquilharia vale mais do que o ouro

 

passemos-lhes a certidão de óbito

A Alemanha está a provocar, perante a passividade dos seus parceiros, como aconteceu no passado, a terceira grande tragédia europeia em menos de 100 anos. A Europa desmorona-se, o euro esfrangalha-se, a miséria e a fome não são já uma mera ameaça, martirizam diariamente os povos do Sul, os novos judeus do IV Reich. Os tempos são excepcionais, excepcionalmente dramáticos. Enquanto isso, os nossos políticos não aprenderam nada com os erros do passado e com os perigos do presente. Mais ainda, não perceberam os sinais que o povo, nas ruas, lhes está a dar: que querem outra democracia, outros políticos, outra forma de fazer política, um ansejo comum a gente de esquerda ou de direita. Os políticos no governo, esses, persistem em resolver a crise com austeridade em cima de austeridade, surdos aos avisos de que, assim, não só empobrecem os portugueses (como eles querem) mas destroem, também, todo o tecido económico do País. Nem mesmo o "arrependimento" do FMI, que já pronunciou o seu mea culpa sobre o erro das medidas por ele impostas, faz Passos e os seus algozes aproveitar a "deixa" para arrepiar caminho, provocando uma profunda divisão no seio dos próprios partidos da coligação, onde cada vez mais vozes se levantam alertando para a abjecção contra-revolucionária em curso, um autêntico PREC de sinal contrário. No parlamento, os deputados entretêm-se com jogos florais entre eles, esgrimindo acusações e insultos, fugindo-lhes, não poucas vezes, o pé para o chinelo, mas sem qualquer tipo de didactismo, de discussão séria e construtiva dos problemas e das possíveis soluções. No PS, coitados, ainda não perceberam a gravidade do momento que estamos a viver, e o holocausto iminente, enleando-se numa abstenção feroz e numa oposição "responsável" que, irresponsavelmente, contribui para atirar o país para o atoleiro. A CGTP, ignorando o grande evento cultural, e de protesto contra a troika e o governo, que se realiza no próximo sábado na Praça de Espanha, convoca os portugueses descontentes para uma manifestação também em Lisboa, à mesma hora, prosseguindo, ela e o PCP, os seus velhos métodos de divisão e de falta de humildade democrática num tempo em que toda a gente de esquerda, toda sem excepção, e até de outros quadrantes políticos, deveria estar unida num mesmo objectivo: derrubar o governo e promover a salvação do País, enquanto ainda há algo para salvar. Quanto ao presidente da República, quem votou nele que se arrependa, e arrependa amargamente. Não vou acrescentar mais de quem tanto se tem falado nos últimos anos e, valha a verdade, raramente bem.  Finalmente, como último exemplo de que os políticos não têm percebido nada do que se está a passar, vejo pela televisão excertos da campanha eleitoral nos Açores e pasmo com Berta Cabral, a candidata a presidente regional pelo PSD, prometendo esganiçadamente a criação de milhares de empregos, trazendo-me à memória o malogrado Sócrates, o terceiro primeiro-ministro a fugir de Portugal quando a coisa azedou. E, ou muito me engano, ou o candidato PS não agirá de forma diferente, recorrerá à mesma demagogia e às mesmas promessas com que têm logrado enganar os portugueses ao longo de décadas. Não, não aprenderam nada. Cegos ou estúpidos, passemos-lhes um atestado de incompetência e desonestidade, pelo menos intelectual. Ou, melhor ainda, uma certidão de óbito. Das cinzas, assim o espero, renascerá um povo mais avisado, menos ingénuo, mais combativo, como aliás já o está a mostrar, e políticos a quem se exigirá o cumprimento de uma só missão: servir Portugal e os portugueses.

Nota: se o texto acima contiver algum link, por favor não clique - trata-se de um qualquer truque publicitário que está, abusivamente, a invadir o blogue e ao qual sou totalmente alheio. 

naftalina

Cheiram a mofo, a ranço, a casa mal arejada. Um é culpado do mal que fez e do mal que outros fazem. O outro, seguro de si, boicota a revolta num momento em que ela é tão necessária, em que nada há a perder porque quase tudo está perdido. Ficará na história como o inventor da abstenção violenta e da oposição responsável. Um nado-morto parido por uma máquina partidária que desvirtuou a democracia e ajudou a afundar Portugal.