21/03/15

que obsessão é esta?

Não há quase nenhum dia em que as parangonas do Correio da Manhã não sejam dedicadas a Sócrates. Não há nenhuma hora, excepto quando estão a transmitir os seus programas de elevado nível cultural e artístico, que a CMTV não traga Sócrates à baila.

Que obsessão é esta? O que é que os move? Gostava de saber, mas tudo isto me cheira a esturro.


a investida dos merdívoros


“Depois do caso Sócrates, a sociedade tirará ilações”.

Disse-o Marco António, alto responsável de um partido que jurou nunca tirar partido da prisão de Sócrates. Mas aqui está. Dá-se início à contenda, as eleições são para ganhar. E assim se vai chafurdar pelos caneiros da política, cobertos de lodo e de excrementos. Se for verdade o que eu desconfio, pobre país este, desceu à cloaca máxima e por lá anda à deriva, entre dejectos humanos e ratas disseminadoras de peste e ódio.

é preciso retomar as boas práticas do passado

Em 2014, entre Julho e Dezembro, o governo pediu à administração do Facebook os dados de 365 pessoas. Acho bem, mas acho pouco. O Facebook, e quem diz o Facebook diz o Twitter e até mesmo os emails privados, andam cheios de convites à rebelião e de insultos aos coisos da coisa pública. São mais, muito mais do que 365 que é urgente mandar para uma qualquer António Maria Cardoso,enfiar num qualquer Tarrafal. À frigideira, à estátua, à solitária criaturas desalmadas, desordeiros, revoltosos, pedreiros-livres, praticantes de bruxaria, de cunnilingus, renegados, ateus, fanchonos, Anti-Cristos, cães que mordem a mão de quem os alimenta, indignos de pisar o mesmo chão de Coelho, Portas e companhia ilimitada. Contra esses cagalhões, não estes últimos que mencionei, cruz credo!, mas o maralhal do reviralho, contra esses cagalhões, marchar, marchar! Com processos e retrocessos, com paus e varapaus, com masmorras, torturas, exílios, assassinatos. O Rei-Sol voltou e com ele os seus sequazes.


20/03/15

melão na mona


O Paulito apanhou demasiado Sol na moleirinha o que lhe afectou a massa encefálica. Apesar de ser Inverno por aqui, ele faz muitas viagens e deve ter sido numa delas que levou um escaldão e torrou os neurónios. Conclusão: o trambolho destrambelhou. Claro que tudo vai fazer para ganhar as eleições, se for preciso até tramará de alguma forma o seu parceiro de coligação ou não fosse o Paulito, desde os tempos do Independente, useiro e vezeiro em denúncias, verdadeiras ou não, para lixar os que se lhe opõem ou que não lhe vão comer nas palminhas. 

Votar no diabo é menos perigoso. E isto também é válido para o seu companheiro do lado. Vão ter que mentir muito e prometer ainda mais. E, mesmo assim, só se os portugueses também andarem de cachimónia desarranjada - o que é sempre uma possibilidade - é que Paulito ganhará alguma coisa a não ser um grande melão na mona dura.

Vade retro!

fornicai, meninos, multiplicai-vos!

Por José Teófilo Duarte
http://www.blogoperatorio.blogspot.pt/

A responsável pelas finanças de Portugal, para além de garantir aos petizes lá do partido que os cofres do Estado estão cheios, resolveu dar conselhos para o combate à escassez de natalidade. Pediu-lhes que se multiplicassem. Provavelmente como coelhos, ao invés das advertências do papa Francisco. Isto será uma ameaça? Um país repleto de jotinhas lá do partido dela não é solução, é assombração. Já bastam os que bastam. Livra!

sou a favor da lista VIP

Ao contrário do que se diz por aí, que esta lista VIP é um atentado ao princípio da igualdade, eu acho que ela devia existir. Neste caso, e é a única excepção que admito na vida, não há, não pode haver tratamento de igualdade entre mandadores e mandados.

Calma, eu explico, não precipite os impropérios: sou a favor da actual lista de nomes VIP mas para procedimento contrário ao pensado pelos caturras do Fisco, ou do governo, ou dos seres fantásticos da Fantasmalândia, uma vez que ninguém parece ter visto, até agora, semelhante rol.

É ou não verdade que os políticos em exercício de cargos públicos têm que entregar uma declaração do seu património às entidades competentes e que esse documento pode ser consultado por quem quer que seja? Se sim, para quê esconder um aspecto quanto a mim até menos intrusivo, o cadastro fiscal das mesmíssimas pessoas? Quem não deve não teme, não é assim?

Os políticos devem estar acima de todas as suspeitas, o seu comportamento deve ser exemplar. Como tal, se não tiver honrado os seus compromissos - seja ao Fisco ou à Segurança Social - não temos o direito de saber?

Claro que a lista deveria incidir única e exclusivamente sobre deputados, autarcas, membros do governo e presidente da República em exercício de funções, sendo regularmente actualizada após cada eleição. Os restantes 9.999.999 portugueses, infelizmente para menos e não para mais, não estariam sujeitos à alegada devassa. Devassa que, no caso dos políticos, se justifica plenamente.

papas e sarrabulho


Tem havido grosso sarrabulho lá para as banda dos states porque Hillary, a senhora Clinton, teria andado a usar o seu email particular, em vez do oficial, nos seus contactos políticos.

A nós, portugas mais do que habituados às pequenas e grandes escandaleiras, parece-nos coisa de somenos e quase nos apetece parafrasear Shakespeare: much ado about nothing.

É que, em Portugal, primeiros-ministros, ministros, secretários de Estado e afins usam a conta de e-mail que muito bem entenderem, fazem o que muito bem lhes apetece e sobra-lhes pano para mangas, comem-nos as papas na cabeça e o sarrabulho, a haver, dura uns dias, imediatamente ofuscado porque logo, logo a seguir, há novo caso na pantalha, novo cambalacho escarrapachado nos escaparates, novo zunzum para nada. Nada acontece. Nada se passa. Nada se fez de errado neste país à beira mar prantado. Virgens vieram ao mundo. E como a Virgem morrerão, sem pecado.

o maná dos algozes

Numa qualquer festança da JSD, Maria Luís anunciou que o Estado anda de cofres cheios, pronto para qualquer contrariedade. Salazar também assim agiu, à custa das privações do povo e do ouro nazi roubado aos judeus.

Reduziram-se salários e pensões, aumentaram-se impostos, despediram-se funcionários, cortou-se na Saúde, na Educação, nas prestações sociais, obrigaram-se milhares de jovens a emigrar, deixou-se morrer nas urgências, paga-se a tempo e horas aos credores porque temos que honrar os nossos deveres, mas os compromissos para com todo um povo puderam ser sonegados. Esvaziaram-nos o futuro. Para que os cofres fiquem cheios. 

Não passamos de dados estatísticos, pagadores de impostos perseguidos com acinte se não os liquidamos a tempo e horas, meros números de deve e haver numa folha de excel. Toda a atenção se concentrou nos cofres que, custe o que custar, é preciso rechear.

O país pode morrer. Os cofres estão salvos.

notícias das baldracas

Como é que se chamará um nativo da antiga República Portuguesa, agora República das Baldracas? Baldraquino? Baldraquiano? É nisto que nos tornámos, habitantes de um território de má fama, sem rei nem roque, sem grei nem lei, onde se mente, se engana, se rouba com o despudor e o à-vontade de um reles pilha-galinhas.

Os casos têm-se sucedido a um ritmo alucinante: BPN, submarinos, BES, vistos Gold, Citius, mortes nas urgências, escolas paralisadas, Miguel Relvas, a Tecnoforma e os outros zunzuns que envolvem Passos Coelho, privatizações à Lagardère, atropelos sucessivos à Constituição, lista VIP, tantos, tantos têm sido os despautérios, as tramas, os escândalos, as suspeições, os desmentidos de desmentidos que, às duas por três, já não se sabe quem mente ou quem desmente, e nada acontece a não ser a demissão de uns directores-gerais que, sozinhos, se prestam a subir ao cadafalso.

A ninguém, absolutamente ninguém, se dá voz de prisão. A não ser, corrijo, a Sócrates. Culpado ou inocente, tem sido crucificado na via pública num calvário sem fim à vista. Metade do país está de pé atrás com as razões que terão levado à sua detenção. E, sem que isso pareça escandalizar muita boa gente, vem o Tribunal da Relação confirmar agora as "fortes suspeitas" que recaem sobre Sócrates, apontando "indícios" como se tratando de verdades absolutas, julgando-o antes de ter lugar o julgamento e rematando o acórdão com uma frase que, digo eu que não sou jurista nem sei nada de leis, me parece a todos os títulos indigna de um órgão como aquele: "quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem". 

Com o meu pedido de desculpas, desde já, a tão ilustres representantes da magistratura nacional, confesso que achei este adorno em forma de rifão absolutamente deplorável, digno de um daqueles taxistas mal encarados, sem desprimor para os restantes, que, enquanto nos levam ao destino entre solavancos, travagens bruscas e velocidades insanas, vociferam insultos à classe política e choram a falta que Salazar nos faz.

É isto um país? Qual? Portugal ou as Baldracas? Pelo sim, pelo não, vou mudar de passaporte.

19/03/15

subir à estrela

Era tão larga a calçada e o futuro não tinha fim.

Bruno Chicarelli





notas de servidão

Rio Marcelo Cavaco Coelho Mendes Montenegro Portas Cristas Crato Macedo, quantos, quantos nomes mais caberiam nesta lista de gente governante ou disposta a governar. Todos os nomes. Todas as tristezas e mazelas determinadas pelo voto de uma fatia grande de um povo agarrado às casas dos segredos, à alta literatura das revistas do coração, aos crimes de faca e alguidar do Correio da Manhã e dos noticiários de todas as televisões. São-lhes, a todos os nomes lá de cima, uma mais-valia, um seguro de vida na vida pública, entre os corredores do poder e as salas de conselhos de administração a sete mil e tal euros por cabeça, por reunião. Convém tê-los, aos votantes, pela rédea curta, ir-lhes envenenando o cérebro com descargas constantes de mentiras e verdades deturpadas e sonegar-lhes a educação, luxo de ricos e de remediados, mas estes já quase não contam, eram gente perigosa, estudaram. 

A subserviência é a sobrevivência dos nomes lá de cima. Faltam lá muitos, muitos mil dos que estão a destruir Abril. 

os jogos da infâmia

http://samuel-cantigueiro.blogspot.pt/

Por Baptista-Bastos
http://www.cmjornal.xl.pt/

Com arfante curiosidade o mundo editorial aguarda o novo produto literário do dr. Cavaco. Os jornais não são omissos em revelar que o singular e volumoso livro, o nono da selecção «Roteiros», inclui um capítulo destinado a elucidar o sucessor do dr. Cavaco, no cadeirão de Belém, sobre como deve encarar e interpretar o mundo que aí vem. Reclama-se da experiência adquirida para justificar o acerto das suas opiniões. Pelos excertos que li na Imprensa, o pressuroso autor fala do que o sucessor deve fazer nos domínios da economia, da política europeia e, até, dos comportamentos. É uma redacção rudimentar, charra e chata, que omite, por exemplo, as urgências e necessidades culturais de um Presidente. Nem História, nem Geografia, nem conhecimentos gerais da nossa política no mundo, nem informações dos movimentos artístico-literários que, por vezes, agitaram o nosso viver. Uma palavra, sequer, da nossa ciência; da epopeia dos êxodos e das guerras civis; das aventuras do espírito. O vazio das referências corresponde ao vazio de ideias, e à conformação subtil de que os outros é que mandam, devendo nós, somente, obedecer. A teoria do «bom aluno», tão do agrado do dr. Cavaco e de seus seguidores. Felizmente, hoje, já ninguém liga ao que diz o cavalheiro que nos coube em desgraça, mas que marcou os nossos destinos desventurados durante quase duas décadas. O dr. Cavaco é o produto típico de uma educação reprimida, eclesial, que o moldou sem cura ou remissão. O pior é que tentou adequar essa educação mal-formada à época dos seus poderes, adicionando o culto da juventude como prioridade sobre os antigos e a ideologia do facilitismo sobre o estudo, a reflexão e a experiência. Uma vulgar sabatina aos conhecimentos do dr. Cavaco deixaria, certamente, o dr. Nuno Crato espavorido. É este ser possidónio, desprovido de senso, de cultura, de ponderação e de equilíbrio que vem encobrir, com dissimulações, os desvios e os incumprimentos éticos e fiscais do dr. Passos Coelho. Nada a fazer: este último não pagou o que devia, diz que por distracção ou falta de dinheiro. O outro afirma que os acusadores actuam como jogo pré-eleitoral. Quem nos acode, e nos livra desta infâmia?

no melhor pano

Aconteceu na próspera, ordeira, superiormente civilizada Alemanha. Acontece nas melhores famílias. 


























18/03/15

é na visão de amanhã

Os escândalos sucedem-se a velocidade vertiginosa. Mas as coisas são o que são num país onde poltrões e biltres coabitam pacificamente. Nada acontece, a não ser uma demissão lá mais em baixo para que os lá de cima escapem incólumes.


polícias e palhaços em dia de festa endinheirada

É um dois-em-um mas sem Bruce, um assalto ao arranha-céus e ao banco. Foi hoje em Frankfurt. Os manifestantes cercaram a nova sede do BCE em dia de inauguração de algo coturno, que só não há dinheiro para os pelintras do populacho. Segundo consta, nem Ângelo nem Mário estiveram entre a maralha. Mas acho que estavam lá dentro a debicar croquetes e a gorgolejar Riesling.



o pai cantigas


afinal, parece que sempre há bolsa e das VIP


Ai Pedro, Pedro, não ganhas emenda! Nunca ouviste dizer que mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxinho do Tide ou uma cochinha de frango? Precisas de lavar essa boca, rapaz!

ai que cabeça a minha, não foi ele, foi aquele senhor do banco de portugal


Ora vivam! Aproveitem esta estreia. Pela primeira vez, e se calhar a última, vou reproduzir na íntegra um artigo do jornal digital dos escribas do neoliberalismo vigente, o Observador. 

"Passou-se da moleirinha", dirão vocês de minha pessoa, ai pois dirão. Não exultem, ainda tenho os alqueires na medida certa, nem muitos, nem muito poucos. É que a notícia, apesar de ser de Agosto de 2014, é daquelas que os tablóides reputariam de sensacional. Trata de Cavaco e de quem financiou a campanha eleitoral de 2006 que o levou, direito, direitinho, direitíssimo, até ao púlpito de Belém, à grande belenzada, com música de cavaquinhos, Avé Marias e a família Silva, avós, filhos e netos, de mãos dadas e de sorriso triunfal todos eles, miúdos, graúdos e o mais graúdo de todos e por acaso da Nação também, subindo altaneiros a rampa que os conduziria, direitos, direitinhos, direitíssimos, ao Pátio dos Bichos. Altura em que fomos entregues à bicharada, mas isso é lixarada que não vem à colação agora, a gente sabe que há escutas, operações de vigilância e outras manigâncias disciplinadoras do letal reviralho.

Bingo! Os principais benfeitores foram aqueles donos daquele banco que, já a estrebuchar, a soltar o estrépito-mestre com colossal ímpeto, passe a redundância, era publicitado por Sua Excelência como sendo da mais inteira confiança (ai, onde tenho eu a cabeça?, pois se não foi ele mas o Costa do Banco de Portugal quem proferiu tais aleivosias que induziram o povoléu em erro, lá vou ter que apertar o cilício!).

Por enquanto, não se sabe - haveremos de sabê-lo algum dia? - quem lhe financiou a última campanha, a da reeleição, pois dá-se o caso dos portugueses serem ou masoquistas ou coisa pior. 

Cá vai então. Silencie a família, sente-se compungido e leia em voz sofrida. O caso merece leitura em dó sustenido à laia de marcha fúnebre:

Cinco membros da família Espírito Santo e três administradores do Grupo financiaram a campanha de Cavaco Silva para as eleições que o elegeram Presidente da República, em 2006, noticia esta quinta-feira o Diário de Notícias. De acordo com as contas das campanhas dessas eleições, que o jornal consultou junto do Tribunal Constitucional, no total, chegaram à campanha do candidato apoiado pelo PSD mais de 152 mil euros vindos do universo BES. O que representa 7% do total do financiamento obtido.

Ricardo Salgado doou na altura o valor máximo então permitido por lei – 22.482 euros -, e o mesmo fizeram António Ricciardi e José Manuel Fernando Espírito Santo. A estes juntaram-se donativos de outros membros do ‘núcleo duro’ da família, como José Maria Ricciardi, presidente do BESI, que financiou a campanha de Cavaco Silva com 15 mil euros.

Banqueiros como João Rendeiro, então líder do BPP, Horácio Roque, na altura líder do Banif, e Paulo Teixeira Pinto, do BCP, também contribuíram para o financiamento da campanha cavaquista, com 22.482, 20 mil e 5 mil euros, respetivamente. E outros, diz o DN, deram dinheiro às duas campanhas – de Cavaco e de Soares. Foram os casos dos banqueiros Jardim Gonçalves e José Oliveira e Costa, então presidente do BPN.

Família de ‘Zé Grande’ doa 55 mil euros a Cavaco


José Guilherme, o construtor conhecido por Zé Grande envolvido no processo Monte Branco, que terá dado 14 milhões de euros como ‘prenda’ a Ricardo Salgado, também deu importantes contributos à campanha do atual Presidente. No total, o construtor da Amadora e a sua família doaram àquela campanha 55 mil euros, sendo que do bolso direto de José Guilherme saíram precisamente 20 mil euros. No nome da sua mulher foram doados, precisamente no mesmo dia, outros 20 mil. E cerca de 10 dias depois foi a vez dos dois filhos do casal, José e Paulo, doarem cada um a generosa quantia de 15 mil euros.

Paulo Guilherme, recorde-se, é um dos acionistas de referência da Caixa Económica Montepio Geral – o banco comercial do grupo mutualista Montepio, que tem estado a ser alvo de uma auditoria forense a pedido do Banco de Portugal para apurar o nível de exposição que o banco tem ao GES.


Mais empresários do lado de Cavaco do que de Soares

Mas o financiamento à campanha de Cavaco não foi feito só pela banca. Grandes empresários de vários ramos também tiveram um papel significativo nesta matéria. Américo Amorim, João Pereira Coutinho, Dionísio Pestana, António Mota (Mota-Engil), Manuel Fino (SDC Investimentos), Manuel Violas (Solverde) ou Nuno Vasconcelos (Ongoing) foram alguns nomes que fizeram da campanha de Cavaco a mais financiada por empresários naquele ano.

E se é certo que a campanha de Cavaco teve um forte apoio da banca e liderou nos apoios dos empresários, a do candidato socialista Mário Soares também não foi esquecida. Francisco Murteira Nabo, presidente não executivo da Galp e Jorge Armindo, presidente da Amorim Turismo, contribuíram cada um com 10 mil euros; Rui Nabeiro, da Delta, e Ilídio Pinho contribuíram com a quantia máxima, e o empresário de Macau Stanley Ho também doou 20 mil euros a Soares, e outros 20 mil a Cavaco.

Pedro Queiroz Pereira, da Semapa, Carlos Monjardindo e Miguel Pais do Amaral também foram importantes financiadores da campanha socialista.

Por outro lado, as campanhas de Manuel Alegre, Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa e Garcia Pereira não receberam donativos da banca nem dos grandes empresários do país.

desistam, coelho e costa!

Doutor Coelho, tem a certeza absoluta, absolutíssima, de que se quer sujeitar ao sacrifício de continuar a governar este país? Pense bem, pense muitas vezes. O doutor tem envelhecido a olhos vistos, está acabado, esmaecido, peles flácidas, papos salientes, lentes mais grossas, cabelo mais ralo à conta de ralações, afrontamentos, e tudo isto para quê? Para ganhar a repulsa de milhões de portugueses, para ser acolhido com apupos onde quer que vá, para que lhe chamem gatuno e aldrabão com todas as letras e outras letras mais se as regras de vocabulário e de educação assim o permitissem? E tudo isto para quê, repito? Para garantir as alvíssaras futuras num lugarzinho ao Sol da Califórnia ou entre as brumas da Baviera, regalado e bem pago? Acha que vale a pena, que se justifica, que compensa os anos perdidos, as canseiras, as maroteiras?

E agora vamos a si, doutor Costa: eu sei que o senhor não promete, mas dá a entender que consigo as coisas vão ser diferentes. Mas vão mesmo? Conseguirá afrontar Merkel e defrontar Lagarde? Conseguirá modificar o tratante e moinante do seu amigo Hollande? Tê-los-á no sítio para, sem aliados como acontece agora aos gregos, mudar o rumo do País e, se não lhe for pedir muito, dar um empurrão à Europa que bem precisada está? Ou representará antes mais uma frustração para os portugueses, tão cansados que andam de promessas não cumpridas, de espoliação, de perseguição por parte de um Estado ganancioso, pouco generoso, pouco honroso também?

Porque não deixam governar, de uma vez por todas, quem quer de facto mudar Portugal, para melhor e não para o empobrecer preservando a coutada dos ricos e dos seus penicos, os sabujos e os acéfalos, que aqui vêm caçar mão-de-obra barata e carne para exportação?

Eu sei, eu sei que os senhores dirão estar tudo nas mãos do povo, não nas vossas. Desminto-os: é a vocês que cabe a nobre tarefa de não influenciar o voto de cada um com o enviesamento da verdade e a propaganda gratuita nos órgãos de comunicação social, onde jornalistas e fazedores de opinião fazem pela vidinha albardando os burros, nós, à vontade dos seus amos e senhores, os senhores doutores Coelho e Costa.

Muito agradecido.

17/03/15

onde pára a ética republicana?

Por Baptista-Bastos
http://www.jornaldenegocios.pt/

O diário i publicou, na terça-feira, a lista de cargos que o dr. António Vitorino ocupa em doze empresas. Diz: "Entre presidente de assembleias-gerais, líder de conselhos fiscais, vogal em administrações e sócio de um dos mais poderosos escritórios de advogados em Portugal, o homem (…) parece estar em todo o lado." Há anos, recebi um "e-mail" que dava nota das empresas nas quais o dr. Aguiar-Branco detinha funções. Era uma lista quase infindável, e permitia, tal como esta, do i, avaliar o trabalho insano de tão distintas personagens.

Pouco ou nada me interessam os ganhos destas figuras; mas diz-me respeito, isso sim, a categoria moral de quem exerce ou exerceu funções públicas. Vitorino começou muito à esquerda do PS. Foi da UEDS (União da Esquerda Democrática Socialista) e da Fraternidade Operária, por onde também passeou Eduardo Prado Coelho, por exemplo. As duas organizações tinham como animador Lopes Cardoso. Consta que, certo dia, o dr. Almeida Santos, prevenido da sagacidade e da inteligência de Vitorino, chamou-o e ter-lhe-ia dito: "Deixa-te lá dessas brincadeiras, e vem é para o PS, onde tens um futuro brilhante à tua frente." Daí ao Governo, ao escritório de advogados e a tudo o resto, foi um pulinho. Agora, à míngua de candidatos credíveis para Presidente da República, os socialistas lançaram o nome de tão augusta e nobre silhueta.

Conhecido entre os seus "camaradas" por "o génio da garrafa", devido aos atributos e acessórios de que dispõe, para se defender de qualquer enrascada, António Vitorino serve para todas as situações. E é, não o esqueçamos, um produto típico de um tempo em que a democracia tem sido amolgada pelos constantes desvios que as circunstâncias obrigam, e a ética republicana tapa os olhos de vergonha.

Claro que a lista de personalidades públicas e políticas que trepam a tais funções, desprezando o espírito de missão a que estão obrigadas, é enorme e toca a quase todos, sobretudo aos que militam nos partidos "do arco do poder." Não deixa de ser desacreditante para aqueles que possuem da democracia um conceito de atinada nobreza.

Claro que são estas (ou estes) e outras que têm desvirtuado a democracia e o projecto que lhe é intrínseco. O mal é endémico e estende-se a todos os sectores da actividade, dando azo a que muitas e muitas atrofias passem despercebidas ou negligenciadas. Como esta, publicada ontem no Correio da Manhã, referindo que a Empresa Portuguesa das Águas Livres cortou a água a 10.059 clientes, em 2014, e rescindiu contrato com 3.583 por falta de pagamento. O escândalo faz monta quando somos informados da multiplicação de funções (a maioria evidentemente pagas) de que os grandes figurões beneficiam.

ando a ver tudo negro, menos as moscas na merda fresca

Ah, senhores! Consta para aí que existe uma lista VIP que protege esses mesmos, os VIP da Nação, de coimas, chatices e ameaças provindas do Fisco, a catedral do confisco. Acho bem. Os poderosos, mesmo que de pés de barro e mais efémeros que moscas em merda fresca, protegem-se uns aos outros, é deles essa primazia, esse direito que o Direito não lhes deu mas a que a Direita obriga, como a noblesse. O que me chateia é que os restantes, os que não estão na lista VIP, estão todos, de A a Z, na lista negra. Não escapa nem um. Porque se ainda não deves podes vir a dever, se não deves tu deve o teu pai, tenhamos por princípio que são todos malfeitores, devedores, incumpridores, e não nos vamos dar mal com isso. E é vê-los, senhores, aos da lista negra, a serem mortificados com notificações de calotes vários, umas atrás das outras, com ultimatos, com penhoras, com processos em cima porque, nestes casos, a Justiça funciona, olá se funciona, bem oleada, afinada, atinada e direita, porque é à direita que se sentam os eleitos e os ungidos, entre mugidos de vacas leiteiras e urros de bestas parideiras de miséria e desencanto.

E que dizer da InSegurança Social, senhores? Então esses, além de imitarem o Fisco na sua petrificante insensibilidadoe, desatinam, não atinam nem por nada. As contas alegadamente em dívida não batem certo umas com as outras, ora agora são mil, ora agora são dez mil, não se consegue chegar à fala com eles, são dias perdidos percorrendo as vias sacras da instituição, horas agarrados ao telefone a ver se é desta, e nem novas nem mandados, cada tiro, cada melro, e lá vai penhora, e lá vai multa, e lá vão juros de mora que, hora a hora, o défice melhora e todo o cêntimo é preciso para o ajudar a baixar. Passos prometeu, nós cumprimos, doa a quem doer, custe o que custar e aos da lista negra vai custar muito e doer ainda mais.

Ando, ultimamente, a ver tudo negro. Mas consigo, ainda assim, vislumbrar as moscas na merda acabada de obrar, na obra feita: a economia que melhora, os bancos que progridem, as privatizações que avançam, os ricos que açambarcam, os pobres de mão estendida e as vítimas do novo filão, a nova mina de diamantes, a nova galinha dos ovos de ouro, os escorraçados do Fisco.

Que petisco, senhores, que petisco!

a cartilha do grande reich

"Digam isto: o país está bem e vai ficar ainda melhor. Lançámos as bases para uma economia sustentável, para o aumento de salários, para a redução de impostos, para os amanhãs que cantam com redobrado vigor. Seria uma pena, digam-no, gritem-no, repitam-no sempre que puderem, seria lastimável vir agora arruinar esta preciosa herança. Queremos prolongar a governança para acabar o trabalho agora e em boa hora iniciado. É preciso ir ainda mais fundo ao pote, colocar a Saúde e a Educação nas mãos de privados, impor o Estado mínimo, o Estado obrigatório, o Estado de sítio. Precisamos de estar cá 48 anos para que a obra fique completa. Ou, melhor, queremos um reich de 1000 anos para glória da História pátria."

Está encontrado o guião que nos conduzirá até às próximas eleições. Haja paciência, da mais santa.




pinochetada à brasileira

Milhões vieram para as ruas, no Brasil, clamar contra Dilma e contra a corrupção. Fez-me lembrar o 12 de Março quando, ingenuamente, também eu fui para a rua, manipulado pela direita mais assanhada que sonhava derrubar Sócrates e abocanhar o poder. O que não tardou a acontecer.

Em Brasília, até já há quem peça uma intervenção estrangeira. Há gente que sente nostalgia pelo Chile de Pinochet. Há gente que quer um banho de sangue. 

Se não fosse quem o usa, e dele abusa, que lugar maravilhoso seria o mundo.




não terão sido antes 57?

O Correio da Manhã não muda de tema nem que a bomba nuclear nos caia em cima, encontrou o criminoso do século, quer justiça, exige o presídio, a degolação, as galés. Nunca se viu nada assim, a condenação antes do julgamento, o linchamento público, o auto-de-fé do inquisidor-mor da Nação, o Correio, a Manha, a sanha. Para a fogueira já!

a maldição de segunda à noite

Há um bocado, liguei o televisor. Num canal, perorava com o seu furor habitual o truculento Medina, agora comentador de carreira. Noutro, contorcia-se e esmifrava-se a Manuela Moura Guedes para explicar as suas ideias e expressar as suas opiniões, argumentos que já ouvi em primeira, segunda, terceira, milésima mãos, ela é só mais uma a accionar a cassete que a direita toca até à saciedade, ao enjoo de tripas, ao vómito. E noutro canal, como corolário da desgraceira, debitava finérrimas dissertações morais, dignas de um César das Neves, a ilustríssima Drª Isilda Pegado, a finada que defende a vida, como se os outros, quais necrófagos, defendessem a morte.

Decidi ir antes ver um DVD. Feios, Porcos e Maus.

16/03/15

qual é o espanto?




Tanto Conejo como Sus Muchachos condenaram as PPP para, agora, virem anunciar a criação de mais 24! Convém pedir a lista dessas empresas e indagar quem as dirige. Também disse Conejo que queria acabar com os jobs for the boys, lembram-se? Todavia o Público, que ainda vai fazendo algum serviço público apesar dos pesares, anunciou hoje que, em concursos para cargos do Estado, todos os concorrentes que têm ganho ou são do PPD ou do CDS. Mas Conejo disse tanta coisa, não disse? E fez o contrário do que prometeu fazer, não fez?

Como tal, pergunto a mim mesmo enquanto me trato por grande parvalhão:

Qual é o espanto? Sim, qual é o espanto?

como proceder à lavagem de dinheiro sem cair nas malhas da justiça

Diz-se para aí que quem quer lavar dinheiro anda a comprar, a outros, lotarias premiadas. Sugiro antes o método apresentado na fotografia. Este sim, é fácil, é barato, dá milhões.

Não precisa de me agradecer.