08/12/12

este país é um colosso, está tudo grosso, está tudo grosso!


Diz o Expresso, e se diz o Expresso quem sou eu para duvidar?, que Alberto da Ponte foi esta semana "apanhado" a almoçar com Carlos Magno, presidente da ERC, no luxuoso restaurante Bica do Sapato (que a crise, quando nasce, já se sabe, não é para todos). Curiosa coincidência, numa altura em que a ERC terá que avaliar o caso Nuno Santos e, esperamos nós, debitar um veredicto imparcial. Tem, não tem?

Quem não tem vergonha é o governo mais a história das privatizações. Vamos perder a RTP mas continuaremos a pagá-la através de taxas. Vamos perder a TAP sem que o Estado encaixe dinheiro que se veja.

Quem se saiu bem esta semana, diz também o Expresso, e se diz o Expresso quem sou eu para duvidar?, foi Pedro Passos Coelho ao dar ordens à segurança para deixar em paz os estudantes que protestavam à sua frente com um cartaz a pedir a sua demissão. Diz o Expresso mas não digo eu. O homem foi esperto, mais nada, tem o sentido das oportunidades e oportunismo é mal que não lhe escasseia.

Sentido das oportunidades é coisa que não tem Cavaco Silva. Aparentemente contra as suas próprias convicções não vai vetar o Orçamento. Quanto muito, diz o Expresso, e se diz o Expresso quem sou eu para duvidar?, aprová-lo-á e mandá-lo-á depois para o Tribunal Constitucional. Que, já aqui o escrevi, ditará a inconstitucionalidade de uma série de medidas mas deixá-las-á passar para não comprometer as contas do Estado.

Estamos a três semanas do final do ano. Vamos viver o Natal mais tristonho e indigente das nossas vidas. Deixámos de trocar presentes, de sentir o espírito da quadra, de fazer planos para a festa da família, nada há para celebrar. E começamos já a antecipar o pior ano das nossas vidas. Quem não tem emprego, treme. E treme quem tem medo de o perder. Ou a sua empresa. Os seus bens, por poucos que sejam. A sua felicidade. A sua paz de espírito.

2013 vai ficar na História de Portugal. Para o bem ou para o mal, espero que para o bem. Isto se a profecia maia, claro, não se concretizar e o mundo não acabar no dia 21. É que eu não acredito em bruxedos mas, dado o estado do mundo e dos homens, "que los hay, los hay". Andamos enguiçados. Por culpa nossa também.

a feder

Li por aí que Miguel Relvas terá à sua disposição, no ministério, uma equipa dedicada a "monitorizar" os blogues e as redes sociais. 

Se me está a ler, Dr. Relvas - afinal sempre é doutor, ou não é? - veja se começa a fazer menos merda. Leu bem. Menos merda. O pivete que nos chega às narinas está a ser-nos insuportável. O senhor doutor anda a feder. Fede por causa da sua licenciatura, mas isso é ao menos, fede por causa das secretas, e isso já é mais grave, fede por causa da influência nefasta que tem exercido sobre os órgãos de informação, da RDP e RTP ao Público, fede por causa da Tecnoforma e da sua fraterna e empresarial aliança com Coelho, são erva com carne, fede por causa das negociatas em que recorre a um pau-mandado para fazer de Ponte entre si e Angola, a ver se a coisa passa despercebida e se a coisa rende.

Vá-se feder para outro lado. Por fossas e esgotos. Vá por aí. Não irá só, nada receie. Os seus amigos federão consigo até ao fim. E os portugueses ficarão, por assim dizer, aliviados.

Fotografia: http://publico.pt

07/12/12

natal às mijinhas

O subsídio de Natal vai passar a ser pago em duodécimos. Mais uma prova de que Passos e Gaspar são gente boa: o Natal é quando eles quiserem ... e eles querem-no todo o ano.

Imagem: http://elfrascoon.blogs.sapo.pt

se os ricos não pagam, paguemos nós

sombras negras envolvem relvas


Eduardo Cintra Torres tem colaborado com o governo, nomeadamente com Relvas. Daí que este artigo assuma maior relevância, porque vindo de alguém absolutamente insuspeito de nutrir simpatias pela esquerda, a mãe de todos os males de que padece a Nação de Passos, Gaspar e Relvas. A ler:

RTP: A cilada dos relvistas para controlar a informação

Por Eduardo Cintra Torres
http://www.cmjornal.xl.pt

Há dois casos no novo caso RTP. O caso das imagens — já muito tratado na imprensa — e o caso da demissão de Nuno Santos, cujos contornos a mesma imprensa tem ignorado. Dedico o Panóptico a este, anotado que fica que concordo que uma investigação independente do Estado (nem da RTP nem da PSP nem do MAI) averigue os contornos legais do visionamento ou cedência de imagens.

O segundo caso é este: Nuno Santos foi vítima de uma cilada para colocar a Direcção de Informação (DI) da RTP ao serviço do governo. O assunto ficara esclarecido com o Conselho de Redacção, a Comissão de Trabalhadores e o "director-geral" Luís Marinho (entre aspas porque o cargo continua ilegal), e, através deste, com a administração.

Apesar disso, o caso foi reavivado três dias depois pelo "director-geral" e pela administração. Porquê? A meu ver, o "director-geral", o ministro Relvas, e o seu homem na administração, Alberto da Ponte, aproveitaram o caso para desgastar Santos, que vinha a desenvolver uma informação mais independente do poder político, desagradando a Relvas e relvistas na RTP. Apesar de esclarecido o assunto, os relvistas, pensando melhor, concluíram que podiam explorar o caso. Santos, percebendo a cilada, demitiu-se. Foi uma cabala própria dos mais ruins regimes de propaganda, autoritarismo e desinformação. O resto é fumaça, como o inquérito sumário e pré-decidido, tipo pré-25 de Abril, que Ponte mandou fazer. Ponte, cuja capacidade de gestão ainda não se viu, politicamente provou a sua submissão ao ministro Relvas.

Resultado? A administração de Relvas indica Marinho para DI. É escandaloso, em termos institucionais, que um antigo administrador da RTP regresse à DI. Ainda por cima, ele, o principal responsável pela informação, não só ficou de fora das acusações da administração, como é nomeado para DI. Se for aceite pela ERC, será um dos mais graves atentados à ética do jornalismo e da informação em Portugal nos últimos anos. E, jornalisticamente, é ainda mais escandaloso, conhecendo-se o tipo de relacionamento de Marinho com os governos (Sócrates e Relvas).

A tomada do poder da informação pelo relvistas inscreve-se na história: o poder político considera a RTP como sua, não como do Estado para servir os portugueses. Não há meio de sair deste ciclo infernal criado por PS e PSD; a independência das DI é uma excepção na habitual submissão.

Para se defender os cidadãos, teria de começar-se pelos afastamentos de Relvas do governo, de Ponte da presidência da RTP, de Marinho de um cargo ilegal e do controle da informação. Que fará Passos Coelho com a RTP?

A VER VAMOS.

Fotografia: Miguel A. Lopes, Lusa

cá se fazem, cá se pagam?


Medina Carreira foi alvo de buscas no âmbito do caso Monte Branco. Seja ou não inocente, a sentença de culpa já foi pronunciada na praça pública. Já correm na Net comentários pouco abonatórios, chistosos, insultuosos. Devo dizer que não sou um fervoroso admirador de Medina Carreira. Mas Medina Carreira estava a ser demasiado incómodo para o governo. Tirem vocês as vossas próprias conclusões. Por mim, será inocente até prova em contrário. Claro. 

O que é certo é que o ambiente está quase pidesco. Quem ainda tem emprego, sobretudo se o tiver no Estado ou em empresas públicas, pensa duas vezes antes de abrir a boca. A pulhice, a repressão por enquanto velada, a sacanice a céu aberto estão a envenenar Portugal e os portugueses. E não existe antídoto para tal veneno. A não ser uma reacção generalizada de repúdio por parte da larga maioria dos portugueses. Nas ruas. Nas redes sociais. Nos jornais. Nos locais de trabalho.

Chega de tanta podridão. Basta! Antes que a indignação cresça ainda mais. Até ser demasiado tarde.

a queda das exportações e a queda para a mentira


Devo andar balhelhas. Devo sim. Esta manhã, ouvi os deputados da maioria, mais o senhor Coelho, gabarem-se dos excelentes resultados nas exportações apesar da greve intolerável, insustentável, insuportável, abominável dos estivadores. Horas depois, muito poucas, o Instituto Nacional de Estatística faz sair, para a comunicação social, os dados actualizados das exportações, apresentado quebras assinaláveis e contrariando os discursos matinais da Acção Nacional parlamentar. Será que há alguém no INE apostado em denegrir a imagem do governo, apressando-se a fazer sair estes números neste dia preciso? Há que descobrir esse elemento, perigoso socialista pela certa, ou pior ainda comunista, e saneá-lo. O reviralho anda com o pelo na venta. Há que purgar o Estado dessa maléfica cambada. Exportem-se!


o calvário da austeridade

quem se mete com relvas, leva!

Nuno Santos acaba de ser suspenso preventivamente, seja lá o que isto queira dizer. Apesar de todos os escândalos que envolvem o seu nome, o sinistro Relvas soma e segue. Não cede. Não seca. Não murcha. As ervas daninhas, já se sabe, são resistentes.


os boches, outra vez

Por José Diogo Madeira
http://www.ionline.pt

O Deutsche Bank é acusado de esconder 9230 milhões de euros em dívidas durante a crise financeira para evitar um resgate pelo governo alemão. O estado alemão da Renânia do Norte-Vestefália encontrou um novo método de combater a evasão fiscal: paga a empregados bancários helvéticos para que estes entreguem os alemães que recorrem à Suíça para não pagar impostos. São notícias recentes que mostram a face perversa da Alemanha: um país corrupto e onde vale tudo. Recorde-se que os alemães compraram também decisores gregos para que estes adquirissem quatro submarinos germânicos no ano 2000.

A Alemanha foi sempre o foco das perturbações políticas, económicas e militares que arrasaram a Europa. Isso seriam águas passadas se esses comportamentos fossem mitigados por uma postura institucional que transformasse a unificação europeia num processo equilibrado, em que o centro desse a mão às periferias. Acontece que a Alemanha transformou, inteligentemente, a integração europeia numa oportunidade de negócio.

Ajudou a desmantelar os sectores produtivos de países como Portugal, compensando--os com fundos que serviram para comprar mais bens e serviços aos alemães. Tudo o que deu com uma mão, tirou com a outra. Conseguiu assim manter a sua dinâmica económica e um baixo desemprego. É evidente que esta “construção europeia” é apenas uma metáfora para iludir tolos. Seria útil que os europeus do Sul se coligassem e procurassem no Reino Unido um aliado para um novo modelo de Europa. A história repete-se.

Imagem: http://www.infowars.com

o amarelo nos carris


Parabéns, senhor João Proença! Acabo de ouvir o deputado Nuno Magalhães, do CDS, a tecer-lhe rasgados elogios por causa das posições que tem assumido em relação à greve dos estivadores. Fico contente por si. Um elogio destes, vindo de quem vem, deve enchê-lo de orgulho. Fico no entanto um tanto chateado, devo confessá-lo. E então para mim, não há nada, não há loas, uma palavra de apreço? É que mais não tenho feito, por aqui, do que condenar o aumento de impostos, tal como o CDS fez, com toda a veemência, no passado. Tenho vociferado contra o roubo desenfreado aos pensionistas e reformados, tal como o CDS fez, com toda a veemência, no passado. Por tudo isto, e só por isto, fico à espera das felicitações de Nuno Magalhães. Ou de qualquer outro do CDS. Não me fechem as Portas.

06/12/12

pagaremos caro cada dia a mais que este governo permaneça no poder

É preciso derrubá-lo, expulsá-lo, fumigá-lo, rechaçá-lo, excomungá-lo. É preciso desratizar o País.

não quero mudar a arquitectura, o que quero é mudar esta sociedade de merda!

Óscar Niemeyer

carta aberta sobre a palestina







Por Roger Waters (Pink Floyd)

Em 1980, uma canção que escrevi, Another Brick in the Wall (Part 2), foi proibida pelo governo da África do Sul porque estava sendo usada por crianças negras sul-africanas para reivindicar o seu direito a uma educação igualitária. Esse governo de apartheid impôs um bloqueio cultural, por assim dizer, sobre algumas canções, incluindo a minha.

Vinte e cinco anos mais tarde, em 2005, crianças palestinas que participavam num festival na Cisjordânia usaram a canção para protestar contra o muro do apartheid israelita. Elas cantavam: “Não precisamos da ocupação! Não precisamos do muro racista!” Nessa altura, eu não tinha ainda visto com os meus olhos aquilo sobre o que elas cantavam.

Um ano mais tarde, em 2006, fui contratado para atuar em Telavive.

Palestinos do movimento de boicote acadêmico e cultural a Israel exortaram-me a reconsiderar. Eu já tinha me manifestado contra o muro, mas não tinha a certeza de que um boicote cultural fosse a via certa. Os defensores palestinos de um boicote pediram-me que visitasse o território palestino ocupado para ver o muro com os meus olhos antes de tomar uma decisão. Eu concordei.

Sob a protecção das Nações Unidas, visitei Jerusalém e Belém. Nada podia ter-me preparado para aquilo que vi nesse dia. O muro é um edifício revoltante. Ele é policiado por jovens soldados israelitas que me trataram, observador casual de um outro mundo, com uma agressão cheia de desprezo. Se foi assim comigo, um estrangeiro, imaginem o que deve ser com os palestinos, com os subproletários, com os portadores de autorizações. Soube então que a minha consciência não me permitiria afastar-me desse muro, do destino dos palestinos que conheci, pessoas cujas vidas são esmagadas diariamente de mil e uma maneiras pela ocupação de Israel. Em solidariedade, e de alguma forma por impotência, escrevi no muro, naquele dia: “Não precisamos do controle das ideias”.

Tomando nesse momento consciência que a minha presença num palco de Telavive iria legitimar involuntariamente a opressão que estava a testemunhar, cancelei o concerto no estádio de futebol de Telavive e mudei-o para Neve Shalom, uma comunidade agrícola dedicada a criar pintinhos e também, admiravelmente, à cooperação entre pessoas de crenças diferentes, onde muçulmanos, cristãos e judeus vivem e trabalham lado a lado em harmonia.

Contra todas as expectativas, ele tornou-se no maior evento musical da curta história de Israel. 60.000 fãs lutaram contra engarrafamentos de trânsito para assistir. Foi extraordinariamente comovente para mim e para a minha banda e, no fim do concerto, fui levado a exortar os jovens que ali estavam agrupados a exigirem ao seu governo que tentasse chegar à paz com os seus vizinhos e que respeitasse os direitos civis dos palestinos que vivem em Israel.

Infelizmente, nos anos que se seguiram, o governo israelita não fez nenhuma tentativa para implementar legislação que garanta aos árabes israelitas direitos civis iguais aos que têm os judeus israelitas, e o muro cresceu, inexoravelmente, anexando cada vez mais da faixa ocidental.

Aprendi nesse dia de 2006 em Belém alguma coisa do que significa viver sob ocupação, encarcerado por trás de um muro. Significa que um agricultor palestino tem de ver oliveiras centenárias ser arrancadas. Significa que um estudante palestino não pode ir para a escola porque o checkpoint está fechado. Significa que uma mulher pode dar à luz num carro, porque o soldado não a deixará passar até ao hospital que está a dez minutos de estrada. Significa que um artista palestino não pode viajar ao estrangeiro para exibir o seu trabalho ou para mostrar um filme num festival internacional.

Para a população de Gaza, fechada numa prisão virtual por trás do muro do bloqueio ilegal de Israel, significa outra série de injustiças. Significa que as crianças vão para a cama com fome, muitas delas malnutridas cronicamente. Significa que pais e mães, impedidos de trabalhar numa economia dizimada, não têm meios de sustentar as suas famílias. Significa que estudantes universitários com bolsas para estudar no estrangeiro têm de ver uma oportunidade escapar porque não são autorizados a viajar.

Na minha opinião, o controle repugnante e draconiano que Israel exerce sobre os palestinos de Gaza cercados e os palestinos da Cisjordânia ocupada (incluindo Jerusalém oriental), assim como a sua negação dos direitos dos refugiados de regressar às suas casas em Israel, exige que as pessoas com sentido de justiça em todo o mundo apoiem os palestinos na sua resistência civil, não violenta.

Onde os governos se recusam a atuar, as pessoas devem fazê-lo, com os meios pacíficos que tiverem à sua disposição. Para alguns, isto significou juntar-se à Marcha da Liberdade de Gaza; para outros, juntar-se à flotilha humanitária que tentou levar até Gaza a muito necessitada ajuda humanitária.

Para mim, isso significa declarar a minha intenção de me manter solidário, não só com o povo da Palestina, mas também com os muitos milhares de israelitas que discordam das políticas racistas e coloniais dos seus governos, juntando-me à campanha de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra Israel, até que este satisfaça três direitos humanos básicos exigidos na lei internacional.

1. Pondo fim à ocupação e à colonização de todas as terras árabes [ocupadas desde 1967] e desmantelando o muro;

2. Reconhecendo os direitos fundamentais dos cidadãos árabe-palestinos de Israel em plena igualdade; e

3. Respeitando, protegendo e promovendo os direitos dos refugiados palestinos de regressar às suas casas e propriedades como estipulado na resolução 194 da ONU.

A minha convicção nasceu da ideia de que todas as pessoas merecem direitos humanos básicos. A minha posição não é anti-semita. Isto não é um ataque ao povo de Israel. Isto é, no entanto, um apelo aos meus colegas da indústria da música e também a artistas de outras áreas para que se juntem ao boicote cultural.

Os artistas tiveram razão de recusar-se a atuar na estação de Sun City na África do Sul até que o apartheid caísse e que brancos e negros gozassem dos mesmos direitos. E nós temos razão de recusar atuar em Israel até que venha o dia – e esse dia virá seguramente – em que o muro da ocupação caia e os palestinos vivam ao lado dos israelitas em paz, liberdade, justiça e dignidade, que todos eles merecem.

Texto: http://www.odiario.info
Todas as pinturas murais de Banksy

olha que belo ajustamento!


António Borges diz que ajustamento da economia está feito.

Que sorte a nossa, já resolveram os problemas da nossa economia. Custa-me a entender que esse reajustamento seja uma coisa assim tão boa já que está a custar milhares de empregos por dia, falências de empresas, crédito mal parado, recessão e um depressão no país que não vai haver Prozac que lhe baste. Se ajustar a economia é destruir os serviços públicos, a saúde , a educação, fomentar a fuga dos nossos mais qualificados quadros para o estrangeiro e distribuir fome e miséria por todo o lado, então vai ser difícil de explicar as vantagens deste ajustamento. Pelo menos para os que sofrem, não para os que estão a encher os bolsos à sua custa e para os que estão a comprar tudo o que valha mais de um euro a preço de saldo da loja do chinês.

Texto e imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

da violência como último recurso

Eslovénia, Dezembro de 2012
O facebook, bem como outras redes sociais, não servem apenas para ocupar o tempo a falar com amigos virtuais - que não conhecemos de lado nenhum -, ou a partilhar anedotas e fotografias de passarinhos, flores e outras poéticas imagens entremeadas de frases delicodoces. Graças ao facebook, e porque os media não nos trazem, nunca, a dimensão exacta do que se passa no mundo, sei da revolta dos povos, sei que o mundo está em alvoroço, sei de motins e acções de protesto em todos os continentes, o mais das vezes rechaçados com brutalidade pela polícia.

Não me interpretem mal: sou contra a violência gratuita. Sou contra o apedrejamento de polícias pelo menos enquanto estes se limitarem a cumprir a sua função, a de zelar pela segurança de quem se manifesta e pela propriedade pública, paga por todos.

Mas, por mais que as nossas almas piedosas nos aconselhem a brandura de costumes, nunca nada se conseguiu sem violência. E o apodrecimento acelerado do capitalismo, que arrasta para a miséria, e para a morte, milhões de pessoas em todo o Mundo, está a ser um dos acontecimentos mais trágicos da história da Humanidade. 

Por isso, lentamente, demasiado lentamente, os povos acordarão. E, quando se erguerem de vez, serão tudo menos pacíficos. A fome, a pobreza, o desespero, o desprezo de que são alvo são os pavios de uma bomba prestes a explodir.

Em Portugal, promove-se o desemprego e a caridade, incentivam-se falências, cria-se um mercado laboral que, embora altamente qualificado, é recompensado com salários de miséria, olha-se para a fome que grassa com total indiferença, destrói-se o Estado Social sem vacilar, antes com o orgulho de se estar a cumprir um elevado desígnio histórico. A revolta será inevitável. E a violência imparável. 

Não sou eu quem o diz. É a História que o demonstra.

oscar niemeyer: a vida é um sopro

que fazer neste longo naufrágio?

Por Viriato Soromenho-Marques
http://visao.sapo.pt/

A monstruosa explicação "moral" de que os povos do Sul da Europa "viveram acima das suas possibilidades" insulta não só a inteligência, como ofende as condições de vida de um povo que jamais atingiu sequer o rendimento médio dos cidadãos da União Europeia.

Os portugueses estão entregues a si próprios. O mesmo ocorre com os outros europeus, sobretudo os dos países intervencionados. Mas, mesmo os alemães e os finlandeses, embora não sabendo ainda, também não ficarão incólumes às consequências do longo naufrágio em que a União Europeia mergulhou. Resistimos sozinhos na água fria e tumultuosa. Rodeados pelos detritos da catástrofe, pelos corpos dos que já desistiram ou foram vencidos pelas vagas. O comandante e o seu séquito já deixaram a nau. E desta vez nem tiveram a desculpa de 1808, pois agora Portugal já não tem a retaguarda de um império. Os portugueses foram abandonados pelo seu Governo e pelas outras instituições que representavam a sua soberania colectiva. Na espuma revolta, abundam páginas soltas de uma Constituição rasgada, resíduos de uma confiança num contrato social que já deve jazer bem no fundo do mar.

O pior numa desgraça é a sua ausência de sentido. Os náufragos chegarão à linha da costa e a primeira tarefa será a de estabelecerem os contornos de uma narrativa que lhes ilumine a compreensão do passado e abra pistas para decifrar caminhos que nos permitam merecer o futuro. A monstruosa explicação "moral" de que os povos do Sul da Europa "viveram acima das suas possibilidades" insulta não só a inteligência, como ofende as condições de vida de um povo que jamais atingiu sequer o rendimento médio dos cidadãos da União Europeia.

Que sejam governos a dar lições de ética aos seus povos é outra singularidade ignóbil. Quando a presente crise rebentou, em 2008, nos EUA, os governos ocidentais salvaram, sem hesitação, os seus bancos e outros segmentos do sistema financeiro global. A Irlanda, que tinha um registo de finanças públicas muito melhor do que o da Alemanha, afundou-se para resgatar a desmesura dos seus banqueiros. Em Portugal, um governo do PS endividou o País para salvar o BPN, gerido por malfeitores escondidos sob o emblema do PSD.

Foi assim em todo o mundo ocidental: as dívidas de um setor financeiro privado foram transferidas para os cidadãos contribuintes. Num golpe de mágica, os vícios privados foram transformados em dívida pública, sob a desculpa do "risco sistémico", com a exceção do pequeno mas orgulhoso povo islandês, que deixou morrer os seus bancos tóxicos para não perder a sua liberdade.

Mas há limites para tudo: não acrescentem à socialização da dívida a externalização da culpa. Não podemos consentir que governos incompetentes queiram também amarrar a nossa alma, depois de nos expropriarem o corpo. As culpas dos gastos inúteis para satisfazer clientelas, a culpa ainda maior por uma União Económica e Monetária imperfeita, armadilhada como uma bomba relógio contra os europeus e as suas poupanças, não é dos cidadãos. De Lisboa a Berlim, ela pertence aos governos dos partidos que agora nos querem salvar promovendo o desemprego, a pobreza e a emigração como boas políticas públicas.

As instituições que nos governam traíram a nossa confiança. Sentimo-nos aturdidos pela deriva. Contudo, nunca os europeus estiveram tão unidos, face à imensa tragédia que cresce no horizonte ameaçando engoli-los numa perigosa e desastrosa fragmentação. Mas essa comunidade de destino é ainda invisível para muitos. Temos de (n)os acordar desta espécie de "matrix" ilusória que (n)os adormece. Não foi a unidade europeia que falhou, mas sim este modo de construir a Europa a partir dos Palácios e das Bolsas, com um total desprezo pelos cidadãos, tratando-os como meros consumidores, numa lógica medíocre de pão e circo.

Chegou a hora de, como portugueses e europeus, vencermos as barreiras ilusórias das línguas e dos preconceitos. Há um caminho incerto pela frente. Mas é apenas ele que nos separa de sermos empurrados para dentro desse buraco negro que resultaria do colapso da União Europeia.

Ilustração de Tjeerd Royaards
http://www.cartoonmovement.com

o meu postal de boas festas para o natal de 2012

bella ciao, o canto máximo de todas as resistências

Na Bélgica:


Em Itália:




No Irão:


Na Rússia:


Na Grécia:


Em Gaza:


Na Argentina, por Mercedes Sosa:


No funeral de Vitorio "Utopia" Arrigoni, que dedicou sua vida à causa palestina (Bulciago, 24 de abril de 2011):



E em Portugal? Guarde a letra e leve-a para a próxima manifestação contra os sujos, os sabujos e os marujos do alto mar da finança, servidores do grande e obsceno capital que nos mata a esperança, a alegria de ser, o direito de viver:

Una mattina mi son svegliato
O bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao
Una mattina mi son svegliato
Eo ho trovato l'invasor

O partigiano porta mi via
O bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao
O partigiano porta mi via
Che mi sento di morir

E se io muoio da partigiano
O bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao
E se io muoio da partigiano
Tu mi devi seppellir

Mi seppellire lassù in montagna
O bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao
Mi seppellire lassù in montagna
Sotto l'ombra di un bel fiore

E le genti che passeranno
O bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao
E le genti che passeranno
Mi diranno: "Che bel fior"

È questo il fiore del partigiano
O bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao
È questo il fiore del partigiano
Morto per la libertà

Conteúdo parcialmente retirado de:
http://imediata.org

miguel relvas: um cromo colado a cuspo

Por Tiago Mesquita
http://expresso.sapo.pt

O ministro Relvas é um autocolante, um cromo, com a cola ressequida. Colado a cuspo, teima em manter-se agarrado à caderneta governamental, ocupando há demasiado tempo um espaço que nunca deveria ter sido seu. Sinto vergonha alheia. Dói vê-lo a sorrir enquanto responde às perguntas dos jornalistas, sempre com o ar angelical de madre Teresa. É penoso.

Relvas continua a fazer parte deste executivo porque a inação de Passos Coelho o permite. A única explicação para isto é o facto de uma tomada de decisão levar à queda não de Relvas, mas de todo o governo. Passos está, sabe-se lá por que motivo, refém de Relvas. Companheiros de longa data, terão as suas razões.

As confusões são muitas. Um radialista afastado da Antena 1 (Pedro Rosa Mendes), as ligações tenebrosas ao ex-espião Jorge Silva Carvalho que levaram às famosas comissões parlamentares que que o ministro meteu os pés pelas mãos e deu barraca, a mirabolante historieta da turbo-licenciatura ("Miguel Relvas, além de ter precisado de fazer apenas quatro das 36 cadeiras da licenciatura da Universidade Lusófona, teve também equivalência a cadeiras que não existiam" - Público), as alegadas pressões, nunca esclarecidas, à jornalista do Público que acabou afastada do cargo, as trapalhadas em volta da privatização da RTP, a suposta agressão de um jornalista a um dos seus seguranças nos Açores.

Mas continua: as suspeitas levantadas em relação à empresa na qual o atual primeiro-ministro era administrador quando Miguel Relvas era secretário de Estado da Administração Local ("Relvas e Passos agiram em simultâneo para angariar contratos para a Tecnoforma" - Publico) e na ordem do dia o "saneamento político" de Nuno Santos. Saneamento que para o ex-director de informação da RTP existiu e teve a mão ministerial, como confirmou ontem em comissão parlamentar ("Miguel e o lobo"). Referiu as várias investigações e matérias que incomodavam o governo e foi claro : "a partir de um certa altura percebeu-se que eu era pessoa ingrata para o Governo (...) durante os últimos meses houve um desconforto crescente de alguns setores do Governo com a forma como a RTP tratava certas matérias." São casos graves a mais.

Em relação a todos, sem excepção, o ministro diz ser alheio, inocente ou ignorante. Um rol de acontecimentos que individualmente seriam motivo para o seu afastamento (ou a existir um mínimo de decoro e vergonha, levar ao pedido de demissão pelo próprio) passam incólumes. Mas, em boa verdade, seria preciso renascer este governo e reconhecer-lhe alguma dignidade, coisa que se perdeu há muito, para que daqui saíssem consequências. Relvas é a imagem do governo. Este governo tresanda a Miguel Relvas. Vão cair juntos.

Fotografia: http://sicnoticias.sapo.pt

a embaixada inútil

Por Baptista-Bastos
http://www.dn.pt

De viagem por Cabo Verde, aonde foi com uma luzida corte de parceiros de Governo, o dr. Passos Coelho passeou, durante quinze minutos, pelas ruas do Mindelo. Conversou animadamente com a população, afagou uns meninos e ficou todo contente quando uma miúda, a uma pergunta sua, disse-lhe o nome. Pedro, é isso mesmo. Rejubilou. Foi quando um jornalista, candidamente, o interrogou sobre há quanto tempo não fazia o mesmo em Portugal. Momento embaraçoso por um lado, e patético por outro. O pobre Passos, sem pudor nem escrúpulo por atropelar a verdade, retorquiu: mas eu ando sempre na rua, com uns e com outros. Uns e outros devem ser os batalhões de guarda-costas, que o seguem diligentes e, amiúde, particularmente agressivos.

O homem não tem emenda e, além de estar a milhas para servir de exemplo a coisa alguma, é o responsável do nosso infortúnio. Foi a Cabo Verde em negócios, como vai sendo comum. Aquele país, povoado por gente admirável, é um alfobre de cultura, que produziu gente como Baltazar Lopes, Ovídio Martins, Arnaldo França, Corsino Fortes, Manuel Lopes, ou o Manuel Ferreira, de Hora di Bai, e desse extraordinário Voz de Prisão. Uma terra que tem gerado grandes músicos e grandes cantores - não mereceu, nesse aspecto, aos nossos governantes, uma atenção especial e devida. É pena. Os laços culturais entre os dois povos estabeleceram-se numa relação de que o Brasil foi intermediário. O movimento "claridoso", reunido em torno da revista Claridade, reencarnou-se nas experiências de Jorge Amado e de Graciliano Ramos, mas, também, no neo--realismo português. Nomes como Mário Dionísio, Joaquim Namorado, Redol, Manuel da Fonseca e Carlos de Oliveira eram, e são, conhecidos no mundo cultural caboverdeano.

Creio que Pedro Passos Coelho transporta, neste capítulo, uma ignorância comovente. E se, com o vistoso grupo de companheiros de Governo, tivesse levado na viagem dois ou três escritores, dois ou três músicos, a campanha teria outro luzimento e objectivos mais sólidos.

Infelizmente, porém, o primeiro--ministro é mais propenso aos números do que aos enfados do conhecimento geral. De contrário, saberia que a identidade social, moral, ética e estética de Cabo Verde tem mais a ver com a consistência cultural do que com a incerteza e a fluidez da economia. Houve políticos portugueses, como Soares ou Sampaio, que entenderam as diferenças fundamentais. Mas o triste advento do dr. Cavaco alterou o fio condutor dessa experiência. Uma interrupção de dez anos, que correspondem à década durante a qual o algarvio foi primeiro-ministro foi, demonstradamente, calamitosa. E nem Guterres nem Durão Barroso, homens medianamente lidos, colmataram o vazio pesaroso e dramático. Esta memória para dizer que a embaixada a Cabo Verde foi supérflua, e apenas serviu para Passos passear sem gorilas.

Fotografia: http://www.abola.pt

procissão no adro

Por Fernando Dacosta
http://www.ionline.pt

Os dirigentes do país acostumaram-se a empurrar, nas alturas de crise, as responsabilidades por ela para as vítimas dela. É o seu estratagema de impunidade.

Insidiosamente, os trabalhadores vêem-se, assim, invectivados por não produzirem, os desempregados por não se haverem modernizado, os jovens sem colocação por se mostrarem ávidos de consumismos, os reformados por adornarem a sustentabilidade da previdência social, os doentes crónicos por serem viciados em fármacos e intervenções cirúrgicas.

Tornou-se hábito aparecerem em público uns senhores de rostos severos a admoestarem-nos por «gastarmos mais do que ganhamos», por «ganharmos mais do que produzimos» e por «vivermos acima das nossas possibilidades». Não se sabe, entretanto, o que isso realmente significa. Temos, como consequência – e ainda a procissão vai no adro –, falências e desemprego, miséria e aviltamentos em tsunami.

O pequeno comércio (sustentáculo dos núcleos populacionais das cidades) e a pequena agricultura (idem para os dos campos) rebentam, inanimados. Mais de um terço da população vive já ao nível da pobreza.

Em número crescente, crianças vão em jejum para as escolas, idosos deixam de tomar medicamentos, multidões dormem ao relento, semi-envergonhados comem de caixotes do lixo. Em muitas casas volta--se, como há 50 anos, a cozinhar em fogareiros a petróleo, a tomar banho uma vez por semana, a ingerir apenas sopa às refeições, a comprar roupa na Feira da Ladra.

Irónicos, os mais vividos reduzem o que se ensaia a remake de neo-Estado Novo, neofascismo a dobrar indomados.

Há "muita gente", dizia Vítor Rego, "a sentir-se bem no mal e mal no bem".

05/12/12

foi-se o bagulho ao bagulhinho



Era isto que devia acontecer a ladrões de mais alto gabarito.

são rosas, senhor, são rosas


A cada cavadela, sai minhoca. A rainha santa Isabel Jonet, de cada vez que abre a boca, revela a sua verdadeira face: a de uma dama da caridade que olha a pobreza e os pobres com sobranceria (e olhem que sei do que falo, conheci muita gente assim na infância e adolescência). 

Ontem, quando lhe perguntaram o que pensava das crianças que chegam à escola com fome, respondeu: " É inexplicável. Deve-se, em parte, à não responsabilização e falta de tempo dos pais. Sem o pequeno almoço, os alunos não podem ter rendimento escolar (...)".

Esses casos existem, seguramente, mas são uma minoria. Muitos mais haverá, e desses a rainha santa não falou e seria importante que o fizesse, que mandam os seus filhos para a escola sem comer porque, arrastados para o desemprego, privados de qualquer apoio social ou asfixiados pelo garrote fiscal, pura e simplesmente não têm dinheiro.

Mas falta de dinheiro é coisa que, do seu altar, a rainha santa Isabel não consegue entender, tal como não entende a realidade portuguesa e a pulhice governamental, que ela encarará com benevolência uma vez que já demonstrou concordar com a opinião reinante, a de que andámos, todos, a viver acima das nossas possibilidades, há anos a alimentar-nos de bifes todos os dias e, vai-se a ver, de caviar.

Isabel Jonet foi alcandorada a santa da nação. Melhor seria não termos necessidade de caridade, mas de solidariedade, a única forma de erradicar a pobreza e a fome fazendo do mundo um lugar decente. Fome sem a qual o Banco Alimentar não teria razão de ser. 

passos discursa diante de cartaz a pedir a sua demissão




a aldrabice contagia


04/12/12

a publicidade do tempo da maria cachucha






não nos chega um?!

Cartaz de 1942
Imagem: http://restosdecoleccao.blogspot.pt

acabem-se com as greves, porra, nem que seja à porrada!


Ferraz da Costa vem mais uma vez apelar a que, no parlamento, se reveja a lei da greve, tornando-a mais limitativa. E, porque é um bom coração e um patriota, até dá uma ajudinha aos deputados adiantando os pontos que devem ser corrigidos na lei.

A CGTP está contra. A UGT, por enquanto, também. Embora João Proença tenha hoje ameaçado que a greve dos estivadores está a pôr em causa os seus postos de trabalho.

Depois, venham-me acusar de demagogo, populista, radical e outros epítetos sortidos quando digo, e repito, que os salazaristas adormecidos em Abril estão, agora, a arrebitar. Chegou a sua hora.

eu cá não sou de intrigas


Alberto da Ponte, o presidente da RTP, esteve há dias em Angola. A Cofina está na linha da frente entre os interessados na privatização (diz-se agora que apenas parcial) da RTP. Os angolanos querem comprar a Cofina, conforme noticiado há tempos.

Estão a acompanhar-me? Estão a ver a coisa como ela é?

Já é mau privatizar-se. Pior ainda é privatizar-se em momentos de aperto económico, como tal ao desbarato. Péssimo é privatizar-se tendo em conta interesses obscuros e negociatas de bastidores.

Mas Relvas é exímio nesse tipo de operações. Devidamente acompanhado por Passos Coelho. A prová-lo, as revelações sucessivas do Público sobre a Tecnoforma e a maneira airosa como esta empresa, conotada com elementos graúdos do PSD, vivia à conta da sua influência, e descabido poder, dentro do aparelho do Estado.

Não está nada mal para quem, para ser eleito, prometeu acabar com as gorduras do Estado. Gorduras essas, vem-se agora a saber, constituídas pela Saúde, a Educação e as Prestações Sociais. É um acto de caridade. Já se sabe que um povo anafado morre cedo demais. Passos é um homem bom. Relvas também. Os portugueses é que não se estão a sentir nada bem.

somos ratinhos de laboratório de um governo cobarde

Por Tiago Mesquita
http://expresso.sapo.pt

Este governo é de uma cobardia impressionante. É um exercício penoso assistir ao miserável comportamento deste executivo. Não há uma única medida, ou melhor, projeto de alguma coisa que se assemelhe ao que possa vir a ser uma medida, que não seja à priori testada na opinião publica via comunicação social.

O nível de impopularidade que esta espécie de pré-anúncio consiga gerar no imediato, seja na oposição, comentadores, redes sociais, nas ruas ou no tipo que vende os pastéis de nata no bar do parlamento, leva a que a suposta medida avance ou não. Se não gerar muita polémica, passa. Se for uma imbecilidade tal, como esta última dos co-pagamentos no ensino secundário, fica na fase de projeto imbecil, não tendo continuidade o raciocínio idiota e a finalização da estupidez. Estupidez que seria, obviamente, a aplicação concreta da parvoíce. Mesmo assim, muita parvoíce tem sido executada. É fácil, lança-se uma idiotice para ser rejeitada de forma veemente pela opinião publica e depois compensa-se com a aplicação de várias estupidezes avulsas.

Somos ratinhos de laboratório de um grupo de 'cientistas' incompetentes, políticos sem qualquer espécie de orientação (que vá para além do GPS ligado em permanência à chancelaria berlinense) e que usa e abusa da boa fé, testa a paciência, e acossa e maltrata sem qualquer impiedade e impunidade todo um país.

Esta cobardia, este toca e foge permanentemente feito por ministros, assessores, via noticias plantadas nos media ou pela própria boca do primeiro-ministro demonstra a falta de honestidade, orientação, competência e principalmente futuro desta espécie de governo.

Depois de seis anos de autêntico lixo governativo socialista, acho que merecíamos mais do que estarmos agora sujeitos, por tempo indeterminado, aos desmandos e testes sádicos de um governo cobarde de direita.

sou capaz de ser o único a pensar assim mas, para mim, coelho é pior do que salazar


A Salazar nunca se lhe conheceu uma negociata obscura em proveito próprio. Passos está envolvido nas teias, ainda mal desenredadas, da Tecnoforma. Salazar privilegiou os ricos de Portugal. Passos trabalha para o grande capital internacional. Por tacanhez, é certo, Salazar era avesso ao investimento vindo de fora. Passos vende ao estrangeiro, e ao desbarato, o que resta do património do Estado. Salazar conseguiu instaurar uma ditadura. Nisso é diferente de Passos, não porque Passos não queira mas porque Passos não pode. Felizmente, os tempos são outros. Passos pode subverter a democracia. Mentir. Amedrontar. Extorquir. Mas não nos conseguirá perseguir ou mandar prender. Acho eu.

03/12/12

o homem é sério, só tem é um problema de comunicação

quem tem medo dos movimentos sociais?

coelho e as gorduras do estado


É preciso cortar 4 mil milhões? Corte-se nas prestações sociais, no ensino, na saúde. Nunca nas autênticas, nas verdadeiras, nas genuínas gorduras de Estado.

Eis mais uma notícia exemplar, de mais uma iniciativa de Passos Coelho e associados destinada a comer, à mesa do orçamento, umas migalhas avantajadas:
http://www.publico.pt/portugal/noticia/passos-coelho-criou-ong-financiada-apenas-pela-tecnoforma-1575850

Fotografia de Miguel Manso
http://www.publico.pt

os patrões e gaspar agradecem à rainha santa



Devo ser um sacaninha, um grão-tinhoso de mente retorcida, mas ontem não consegui corresponder aos apelos dos gentis adolescentes que, à porta de um hipermercado, me tentaram meter na mão um saco do Banco Alimentar. Não consigo dissociar a iniciativa, com todos os méritos que possa ter, da figura de Isabel Jonet. Não consigo deixar de pensar que, se nesta altura de emergência estas acções são vitais, este não é o caminho, cabendo ao Estado o dever de erradicar a pobreza e não o de encorajar a caridade. E não consigo deixar de fazer cálculos: quanto é que as cadeias de distribuição lucraram este fim de semana? Quanto é que o Estado arrecadou em IVA sobre os produtos ofertados? Esses lucros e esses impostos não deveriam reverter também para os mais necessitados? Diz o "i" que, em 2011, o valor estimado de produtos recolhidos pelo Banco Alimentar foi superior a 42 milhões de euros. A uma taxa média de IVA de 10%, e perdoem-me se estiver a exagerar mas não sou economista, o Estado terá recebido 4 milhões de euros provenientes de uma obra de caridade. Milhões a juntar a muitos outros milhões extorquidos aos portugueses, empobrecendo-os e obrigando-os a recorrer a entidades como o Banco Alimentar, num infernal ciclo vicioso que engorda os cofres do Estado e de quem vive à sua custa. Que não somos nós, muito antes pelo contrário, antes somos vítimas da sua sanha confiscatória.

Para além dos galardões já conquistados por Jonet, e do estatuto internacional recentemente adquirido, o Estado português não deixará de a honrar com uma comenda no 10 de Junho. Para mais e não para menos. Nasceu uma nova Rainha Santa.

Fotografia © Leonardo Negrão/Global Imagens

02/12/12

perdido

Por Pedro Marques Lopes
http://www.dn.pt

O nosso primeiro-ministro parece ainda não ter percebido que de cada vez que presta declarações fala com os cidadãos. Como os portugueses não estão propriamente interessados em ter conversas de café com o homem que os governa, convinha que tivesse alguma coisa para dizer quando lhes fala. E já agora de substancial ou, pelo menos, alguma novidade.

Na semana passada, Passos Coelho começou com um discurso, de quase uma hora, na Madeira, em que diagnosticou amnésia, sem que se tenha percebido muito bem a quem. Disse que "podia bem" com os adversários das suas políticas, afirmou a sua convicção na inteligência dos portugueses e jurou que a austeridade ainda não é excessiva. Fora os desconhecidos conhecimentos sobre psiquiatria, a habilidade para testes de inteligência e a bravata - as bravatas começam a ser um hábito de Passos Coelho -, nada de novo.

Depois, quarta-feira, o primeiro--ministro deu uma entrevista à TVI.

Após a votação da coisa a que alguns chamam orçamento, com a convicção na opinião pública a crescer de que a refundação ou a reforma do Estado não passa dum corte cego de quatro mil milhões de euros na despesa, afectando seriamente os alicerces do nosso edifício social sem que se conheça a alternativa, e sem ainda sabermos o que se passou com o Orçamento de 2012, fazia sentido Passos Coelho vir esclarecer-nos. Se não fosse pedir muito, talvez acender uma velazinha de esperança.

Mas eis o que tinha para nos dizer: o desvio colossal no défice de 2012 foi uma surpresa; renegociação, nem pensar (vai ser penoso ver o primeiro-ministro a anunciar brevemente a renegociação); a austeridade será redentora; o orçamento para 2013 é bom porque os deputados votaram (Passos Coelho ainda não percebeu o que se está a passar no PSD e no grupo parlamentar) e ele "espera que o Governo acredite nele"... A palavra de esperança foi esta: "Vai custar muito. Mas vamos lá chegar vivos." A cereja no topo do bolo. Ufa, ficamos todos muito mais aliviados...

Confirmamos que Passos Coelho quer mesmo criar um problema com Paulo Portas: a distracção do primeiro-ministro tem limites e ele com certeza sabe que um governo de coligação tem uma hierarquia formal e outra material. O Governo sem Gaspar pode continuar, mas não sem Portas. A guerra dentro do Governo e na coligação prossegue.

E a refundação, ou reforma do Estado ou reforma das funções do Estado? Em Fevereiro logo se vê. Pergunta-se: então onde é que param os planos feitos por aquelas equipas de sábios que rodeavam Passos Coelho? Por onde anda o conhecimento absoluto sobre todos os aspectos da governação que permitia mudar tudo três meses após a tomada de posse? Perdeu-se tudo na mudança de São Caetano para São Bento ou era uma colossal aldrabice?

Apareceu, porém, uma espécie de ideia: uma das partes da refundação ia ser feita através de pagamentos na educação pública. Ninguém percebeu em que tipo de ensino, de que forma, de que maneira ia ser feito, nada. Claro está, e para não variar, lá veio um ministro, neste caso o da Educação, no dia seguinte, desmentir o seu primeiro--ministro. Nada de novo, portanto.

Já percebemos que o primeiro-ministro não prepara as entrevistas, não estuda os temas e vai pensando enquanto fala. Mas, convenhamos, de quem anuncia uma refundação do Estado sem saber minimamente o que vai fazer, de quem desenha um orçamento criminoso e inconsciente, de quem propôs a alteração na TSU sem perceber o impacto da medida, não se pode esperar que prepare uma entrevista.

Passos Coelho vulgarizando as suas intervenções, não acrescentando nada, repetindo apenas meia dúzia de frases feitas em que já ninguém acredita, perde a atenção dos cidadãos quebrando um elo fundamental entre liderança e população. Como nunca, essa ligação era vital. Mas está, infelizmente, perdida.

O pior, porém, é já ser evidente que fora a sua fé cega no plano revolucionário pós-troikiano de Gaspar, Passos Coelho não tem uma ideia consolidada e estruturada sobre praticamente nada. E sempre que fala, isso torna-se claro para cada vez mais pessoas. Agora tem fé em Gaspar, outro guru se seguirá.

Nada pior do que sentir que quem nos lidera está ainda mais perdido do que nós.

passos passeia-se sem apupos pela primeira vez em ano e meio




É uma das notícias de relevo de hoje na nossa solícita imprensa: Passos passeia-se pelas ruas na sua viagem a Cabo Verde. Em Portugal faz o mesmo, diz ele. Pois. Rodeado de gorilas e, onde quer que vá, entrando secretamente pela porta dos fundos para fugir às vaias de um povo furibundo. Vou mais longe: dificilmente Passos voltará a passear livremente pelo País. O que lhe vai valer é o cargo que estará à sua espera lá fora, talvez em Nova Iorque. A sede da Goldman Sachs é luxuosa, o ordenado chorudo, e estará rodeado de gente da sua espécie, da pior espécie de seres inumanos. 

Fotografia de Enric Vives-Rubio
http://publico.pt 

não veta nem sai de cima (2)

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

se nos querem bestas de carga, coices nos levarão


Mais uma oferta de emprego do site do IEFP (ver link em baixo) que não é mais do que um convite ao neoesclavagismo (ou não estivéssemos nós a ser governados sob a égide do neoliberalismo). Desta feita, são 4 euros por hora, nem mais um cêntimo, para o cargo de Armador de Ferro (com experiência, sublinha-se, e MUITO BOM domínio do português falado e escrito). Se interpreto bem o anúncio, no item alusivo a OUTRAS REGALIAS avisa-se que os 4 euros já incluem os subsídios de férias e de Natal.

Mais um crime com benção governamental.

http://www.netemprego.gov.pt/IEFP/pesquisas/detalheOfertas.do?idOferta=587898035&name=ofertas&posAbs=1&numTotRows=5

vítor gaspar em março de 2013 quando nos vier dar contas do estado das finanças públicas

Ideia roubada ao http://trespassaopassos.tumblr.com/

é assim que aguardamos 2013 e o enorme aumento de impostos

Ideia roubada ao http://trespassaopassos.tumblr.com/

estamos a ficar mais burros mas a culpa não é nossa, é do progresso


Vem escarrapachado na revista do Expresso desta semana. Segundo uma teoria avançada pela Universidade de Stanford, estamos a ficar menos inteligentes do que os nossos antepassados. Os progressos significativos alcançados pela Humanidade fizeram com que a luta pela sobrevivência se tenha tornado mais fácil, "amolecendo-nos" os genes (e o carácter, acrescentaria eu). Isto explica muita coisa: explica, por exemplo, porque tivemos um George W. Bush a dirigir a América ou temos Passos Coelho a liderar este depenado Portugal. Resta-nos o consolo de que a vida se nos vai tornar tão insuportavelmente difícil que voltaremos a ser mais expeditos, intelectualmente falando. Assim os genes nos ajudem. Bem precisados estamos.