16/06/12

se o estado perde impostos, que invista então na caça à multa

Mais uma vergonha!

Καλή τύχη, φίλε της Ελλάδα!

Boa sorte, amiga Grécia!


"11 por todos e todos por 11" ou o anúncio mais idiota de sempre


Por Tiago Mesquita
Blogue "100 Reféns", http://expresso.sapo.pt

Achava que a estupidez em formato publicitário já tinha pouco a inovar. Enganei-me redondamente. Obrigado Galp. Faltam-me palavras para descrever o que me faz sentir o anúncio de "apoio" aos jogadores da seleção. Um petiz - o Guilherme - tem um sonho. Segundo ele (e segundo a Galp que lhe deu a carta para ler) é igual ao de todas as crianças da idade dele: "jogar na seleção" . Até aqui tudo mais ou menos, mas vamos ao que interessa:

"Correr como vocês e marcar golos como vocês marcam". Fiquei preocupado com a saúde do Guilherme. Alguém leve o rapaz ao oftalmologista. "Golos"? Tendo em conta que escreveu a carta antes do jogo com a Dinamarca não sei a que golos se refere, mas adiante. "A maioria dos meus amigos quer ser como vocês, mas o meu sonho não é esse" Então rapaz? Decide-te! Queres ser ou não jogador de futebol? Não podes dizer uma coisa e meio minuto desdizer, as pessoas vão achar que és tolo ou mentiroso. Eu sei que não tens culpa, mas não leias tudo o que te dão para a mão porque fazes estas figuras e não há necessidade. "Quero ser médico ou Biólogo..." . Ah ok. Então boa sorte.

"...e gostava de trabalhar em Portugal mas só fico se valer a pena. E é aí que vocês entram". Aparentemente para a GALP o rapaz só vai poder ser biólogo em Portugal se a seleção for boa nas transições ofensivas. E médico só mesmo se ganharmos o Euro. De outra forma vai acartar tijolos para uma obra.

"Para milhões de pessoas Portugal são vocês". Ou seja, para milhões de pessoas o nosso país é um grupo de jogadores que entra em campo com o mesmo aspecto que a Tina Turner tinha quando pisava os palcos nos anos 80. "Vocês têm nos pés uma oportunidade que os nosso médicos, advogados e políticos nunca terão nas mãos". Não percebi. O Fábio Coentrão faz cirurgias? O Nani é bom a litigar? Paulo Bento a Presidente da República? E cada macaco no seu galho, não?

"Têm a oportunidade de mudar em campo a opinião que o mundo tem de nós, de mostrar que não somos fracos e preguiçosos, sempre fomos e continuamos a ser um povo honesto, lutador e corajoso". O que é isto? Depreendo que para os autores desta coisa a imagem dos portugueses lá fora é a de uma cambada de mandriões, desonestos, fracos e cobardes. Por isso reside nos pés destes jogadores a derradeira esperança para sanar o estigma. Para a Galp a seleção é uma espécie de junta de salvação nacional escovada pela Lúcia Piloto.

"Nove séculos de história não se deitam assim para o lixo". Ora bem, finalmente algo acertado. Só gostava que alguém se tivesse lembrado disto quando decidiram produzir esta treta pseudo-patriótica.

admirável mundo novo

É uma imagem da Síria. Podia ser de qualquer parte do mundo ostracizado, usado, abusado. Podia ser em Portugal também. Somos, como eles, filhos de um deus menor. Pobre e sem voz.


vende-se rês humana por 500 euros

Já repararam nos anúncios de ofertas de emprego? Há patrões a criar postos de trabalho, empreendedores como o governo gosta. E, como o governo gosta, contra a moralidade, a pudícia, o bom senso, oferecem empregos, em troca de qualificações universitárias, por 500, 600 e, se estiverem em dia de perder a cabeça, 700 euros. O ser humano transformado em rês. E eis que um dos nossos orgulhos, termos sido dos primeiros a abolir a escravatura, cai da peanha onde o colocámos. Somos miseráveis. Porque temos um patronato e um governo que miseráveis são. Mas, se cá se fazem, cá se pagam.

enquanto a bola vai e vem folgam as bostas, perdão, as costas

Imagem: http://elfrascoon.blogspot.pt/

até a comemos!


queres salário? toma!


O Pereirinha afirma, com o orgulho da missão cumprida, que Portugal precisa de novo modelo económico. Nós sabemos, Santinho, nós sabemos qual é o modelo económico com que sonhas (e desculpa lá tratar-te por tu, mas se te posso chamar Álvaro também nos podemos tutear, não é assim?). Parte da obra já está feita: os salários estão cada vez mais baixos, os despedimentos cada vez mais fáceis e baratos, o pastel de nata faz a sua incursão pelo mundo, desbravando novos horizontes de glória e de fortuna. Ou assim parecido, tu é que sabes. Tu é que és bom em clusters, contas e contos do vigário.

Claro que tu, que tens o dom da palavra (e eu do palavrão sempre que te vejo na televisão) dizes coisas muito bonitas. A saber: "Agora que as principais reformas estruturais já estão no terreno é chegada a hora de lançar as linhas de orientação de um novo modelo económico para o país. Portugal precisa de se reindustrializar, Portugal precisa de se qualificar e de apostar na reabilitação do ensino técnico-profissional, Portugal precisa de exportar mais, Portugal precisa de voltar a investir e de atrair investimento, Portugal precisa de poupar mais para investir e Portugal precisa de valorizar o seu território". 

Porque será que a gente não acredita em ti? Mas sabemos, de ginjeira, que vais fazer o teu melhor para nos vergar, nos empobrecer, fazer de nós mão-de-obra barata, a exemplo da China, um modelo a seguir com toda a certeza, porque lá não há esta chatice de negociar com sindicatos e fazer de conta que existe essa coisa da concertação social, uma neura, uma maçada, uma perda de tempo. E tu, Pereirinha, tens mais que fazer. Tens um país por salvar. Gente a disciplinar. Negócios a efectuar. Decretos a assinar. Lápides a descerrar. Discursos a proferir. Crimes a perpetrar. É muito para uma pessoa só. A mim, se estivesse no teu lugar, já me tinha dado o tanglomanglo, tanto é o teu esforço, a tua dedicação à coisa pátria. Ao coiso.

15/06/12

eu quero um syriza no meu bolo!


Só com novos políticos se podem mudar as políticas da Europa. Porque Passos é Rajoy, Rajoy é Barroso, Barroso é Lagarde, Lagarde é Merkel e por aí fora, numa cadeia até agora inquebrantável de gente que não sabe ser gente. Sim. Quero um Syriza no meu bolo. Já!

a campanha eleitoral já começou!


o impoluto é filho da impoluta?

Não se anda a falar muito do Relvas. Será que, tal como tantos outros escândalos, serviu para vender jornais e subir audiências para, agora, tudo ficar na mesma, na mais tranquila das impunidades? Será que, se o senhor primeiro-ministro (que, como se sabe, nunca mente e raramente engana), disse que Relvas é impoluto, Relvas passou automaticamente à condição de impoluto? E será, finalmente, que o impoluto é filho da impoluta?

Não fique à espera das cenas dos próximos capítulos. Ou me engano muito ou não haverá. Em Portugal, a culpa não morre solteira. Morre solteira e virgem. Com todos os sacramentos da santa madre igreja porque sempre foi à missa, sempre praticou a caridadezinha, esmoler como poucos e sacana como muitos.



no reino da mentira


crime na amazónia


jodida pero contenta!


Imagem:  http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

esta tragédia grega


Entre os chutos do Ronaldo, do Nani, do Pepe, e os crimes de faca e alguidar, de vez em quando os telejornais atrevem-se a informar. Esta noite, na RTP, passou uma peça sobre a situação grega na área da saúde. O Estado deixou de comparticipar no custo dos medicamentos, o que levanta sérios problemas a idosos com pensões pequenas. Mais grave ainda, há medicamentos que faltam nas farmácias porque não há dinheiro para os importar. Os idosos vão para as portas das farmácias, de madrugada, na esperança de conseguirem ser dos primeiros a entrar e conseguir os remédios que lhes são essenciais à sobrevivência. E a Grécia está aqui perto, ronda-nos, lembra-nos que estamos na calha, somos como eles o elo mais fraco e, como eles, madraços e perdulários na opinião de Merkel, Lagarde e outros seres tão menores quanto elas. As quadrilhas do poder político e do poder económico tudo farão para que, em Portugal, esta tragédia seja também uma realidade. São criminosos. Haverá, um dia, um lugar como em Nuremberga onde se virão a sentar. Sei que sim. E sei que não haverá mercê. Com a vida não se brinca.

14/06/12

ele é um mamede


Por descuido, ou sabe-se lá porquê, neste país tudo pode acontecer, foram divulgados dados pessoais de militantes do PSD, alguns de topo, os chamados barões, tubarões será melhor palavra. Foi um acto chato, disso não há dúvida, mas ao menos ficámos a saber que o Pedro, o de Massamá, é Pedro Manuel Mamede Passos Coelho de sua graça. Para nossa desgraça. E ficámos a saber que, à data de 1 de Setembro de 2010, não devia nada ao partido, tinha as quotas em dia. Quase dois anos depois, com a crise que um dia ele próprio irá resolver e com a austeridade que não quer parar, é capaz de não as estar a pagar. São os ossos do ofício. Os sacrifícios são para todos. Lagarde prometeu uma ajuda. Sem juros. Juro.

à merkel com ela!


Já se sabe, já o tenho dito e escrito, que a Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha - uns menos do que outros, tudo depende da dignidade de quem governa - são protectorados da Alemanha. Por isso, frau Merkel sente-se mais do que no direito, no dever de meter o bedelho nas suas possessões a Sul. Hoje, disse que o resgate espanhol se deve ao comportamento irresponsável dos governos durante a última década. Até admito que sim. Mais: até acredito que sim. Só que ela não o pode dizer. Estou farto desta Mer ... kel.

mineiros das astúrias



Quantos mais motins, quanta mais fome, quanto mais desemprego e desespero, até que os donos do mundo entendam que, eles sim, correm perigo? 

próximo!

Por João Rodrigues

Juros disparam em leilão em Itália. Mário Monti já começou implicitamente a dizer que não é a Espanha. Sinal de que se aproxima mais um “resgate” de quem é grande demais para a frágil e tóxica rede criada para apanhar uma crise que seria da responsabilidade de pequenos países mal comportados. O ordoliberal Monti garante que os bancos são mais robustos e a taxa de desemprego é mais baixa. Do que em Espanha, depreende-se. Isto é tudo muito dinâmico, claro. De resto, é sabido que a Itália, juntamente com Portugal e o Haiti, foi o país que menos cresceu a nível mundial na primeira década do milénio, sofrendo com um euro que não foi feito para servir as necessidades da sua economia e com o facto de não ter conseguido arranjar eufóricas bolhas para disfarçar este facto, tal qual Portugal, e ao contrário de uma Espanha com produtividade estagnada, mas com pujante acumulação extensiva de betão. Seja como for, a crise, a austeridade e a total ausência de instrumentos de política para debelar os desequilíbrios criados garantem o mesmo destino. Pena é que governos subalternos não tenham tido a capacidade de extrair as conclusões políticas deste facto há pelo menos dois anos atrás. Um a um, os PIIGS vão sendo postos em cima da mesa...

portugal não consegue ir aos mercados

Eu, por acaso, conheço um ali para as bandas da Malveira. É muito jeitoso. Tem chouriços, nabos, batatas, frutas várias. Tudo a preços da uva-mijona e, melhor, sem juros. E também tem tomates. Há quem precise.


senhores, para vossa informação defeco a tempo e horas e dentro dos parâmetros normais

Não há dinheiro para a saúde, dizem. Mas desviam recursos para espiolhar a vida e as casas de cada um. Depois do ataque aos fumadores, o assalto aos progenitores. E a seguir? Vigiar os casais para ver se usam camisinha? Inspeccionar-nos o jantar para indagar se estamos a ingerir mais gorduras e menos verduras? Cheirarem-nos os pés, analisarem-nos o fígado, catarem-nos piolhos e chatos ao domicílio? Se o ridículo pagasse imposto, ah dívida portuguesa, há tanto que estavas paga!


o eterno retorno dos mortos-vivos*


Há muito que deveriam ser cadáveres políticos. Mortos e enterrados no cemitério da História. Mas andam por cá, a atormentarem-nos o sono e os sonhos. E um povo que se deixa espezinhar por um grupelho de vampiros, que tomaram conta da Pátria e das nossas vidas, é um povo moribundo. Só lhe falta a extrema-unção.

* Não por acaso, este título foi inspirado no livro "O Eterno Retorno do Fascismo", de Rob Riemen. Passe a publicidade, leiam-no.


Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

ladrões de futuros


Por Samuel


O país e, sobretudo a sua rede de serviços públicos, parece a Rua dos Fanqueiros, na baixa de Lisboa, ao fim da tarde. Tudo fecha numa cadência inexorável... excepto aquilo que já está falido e definitivamente encerrado. A grande vantagem da Rua dos Fanqueiros é que (quase) tudo fecha, mas com a promessa de reabrir na manhã seguinte. Agora tocou a vez à população de Aver-o-Mar, uma freguesia do concelho da Póvoa de Varzim, com mais de 8.000 habitantes, 3.000 dos quais inscritos como utentes no seu Centro de Saúde. Nada que impressionasse os contabilistas do Ministério da Saúde que, contra tudo e todos, decidiram pelo seu encerramento. Mais uns milhares de cidadãos que ficam sem poder explicar para que serve realmente o esforço de uma vida, traduzido em anos e anos de trabalho, canseiras, impostos, contribuições e taxas. Tudo isto devidamente soterrado pelo circo mediático que pouco lhes ligou, circo mais interessado nos muitos directos para os estádios do Euro 2012, para as imagens dos treinos, dos autógrafos, dos descansos dos atletas... entre imagens dos turistas, dos adeptos, do Cristiano Ronaldo a filosofar, do Cristiano Ronaldo a dormir, do Cristiano Ronaldo a brincar, do Cristiano Ronaldo na “Cova da Irina”, do Cristiano Ronaldo a colocar o brinco, do Cristiano Ronaldo a mudar o risco ao penteado... enquanto “entram cavaleiros à garupa do seu heroísmo”, enquanto “soam brados e olés dos nabos que não pagam nada” e "entra muito dólar muita gente que dá lucro aos milhões"... (Sim! Faz cá muita falta o Ary!) Aver-o-Mar é bem uma parábola sobre o país. Um país de muita gente esforçada, historicamente explorada e enganada, a quem os sonhos vão sendo roubados... e que fica a ver o mar, a ver navios, a ver a vida a andar para trás.

13/06/12

a tua PPP é pior do que a minha

Por Daniel Oliveira

Estou divertidíssimo com o jogo do centrão à volta das Parcerias Público-Privadas. Lendo alguns colunistas e ouvindo alguns comentadores fico convencido que foi Paulo Campos que as inventou. Tudo se resume a debater as responsabilidades deste senhor. Só que Paulo Campos é apenas um entre muitos. E, arrisco-me a dizer, até é arraia miúda.

Quando era jornalista no ativo e acompanhava a política de obras públicas discuti com vários técnicos e economistas aquilo que era então considerado o ovo de Colombo. Poucos, muito poucos, não adoptaram os princípios do "project finance" como o linguajar de gestor da moda. Na altura eram as obras rodoviárias que lhes calhavam bem. Mas a saúde acabou por seguir o mesmo caminho. Também aí a generalidade dos ideólogos do centrão aplaudiam as evidentes vantagens de associar a criatividade financeira do Estado ao empreendedorismo do privado. E quem, num caso e no outro, as atacasse, logo era acusado de preconceito ideológico contra os privados, de miserabilismo e de viver no passado.

O que são as PPP's e quais os prejuízos que causam ao Estado escuso-me de explicar. Cada um de nós terá de desembolsar 4.512 euros até 2050, não apenas para pagar as obras, mas para garantir o rendimento máximo garantido às empresas privadas que, com uma boa agenda de contactos no PS e no PSD, garantiram para si este negócio sem risco. O esquema é hoje sobejamente conhecido e toda a gente era contra estas parecerias desde pequenino.

Agora, enquanto os negócios se continuam a fazer e nenhum dos acordos ruinosos para o Estado é realmente renegociado, o consenso retórico do centrão - partidário e de opinião - é o oposto: como é que isto aconteceu? E abriu a caça ao "pêpêpista". Como Paulo Campos deu nas vistas, nada como ser o senhor a arcar com as todas as responsabilidades para não aborrecer gente muito séria que pulula por conselhos de administração de empresas igualmente acima de qualquer suspeita.

A ver se nos entendemos: não há, nesta matéria, entre o PS e o PSD, qualquer diferença. Fizeram o mesmo, da mesma maneira, pelas mesmas razões, com as mesmas desvantagens para nós e as mesmas vantagens para eles.

Porque tiveram as PPP's tantos entusiastas nos dois principais partidos? É olhar para o trânsito entre os principais ministérios e as administrações das principais beneficiárias das PPP's e logo se percebe porque não houve muitos ministros e secretários de Estado preocupados com os interesses do Estado e dos contribuintes. De António Vitorino aValente de Oliveira, de Murteira Nabo a Luís Todo-Bom, de Luís Parreirão a Luís Filipe Pereira, de Jorge Coelho aJoaquim Ferreira do Amaral, de José Lopes Martins a Pedro Dias Alves, de Júlio Castro Caldas a António Nogueira Leite, os ex-titulares do ministérios fundamentais para estes negócios que estão ou estiveram nas principais empresas que deles beneficiaram (Mota-Engil, Soares da Costa, Grupo Mello ou Lusoponte) explicam as razões desta astronómica fatura.

Dito isto, continuem então o PS e o PSD na guerra das culpas. Terão muito trabalho pela frente. E os seus opinadores de serviço também, para conseguir fazer a devida seleção de culpados e explicarem que as PPP's do lado de lá foram muito piores do que as do lado de cá. Uma verdadeira comissão de inquérito às PPP's? Acho óptimo. Se for a sério, poderemos ver um interessante desfile de políticos-gestores. Teremos uma longa metragem do que foi e é o país político e empresarial dos últimos vinte anos. Digno da RTP Memória.

amor de mãe



Avança a RTP que Espanha poderá ter negociado o pagamento do empréstimo a 15 anos, com um período de carência de 5. Ou seja, durante 5 anos não vai liquidar nem parte da dívida nem pagar juros. Os portugueses que se roam de inveja. Ou Rajoy é um bom negociador ou, hipótese mais provável, a desusada benevolência prende-se com o facto do empréstimo ir ser canalizado para os bancos. Ora os bancos não são pessoas, merecem toda a consideração. E um carinho quase maternal.

o país inclinado


Mário Monti afiança que a Itália não vai precisar de ajuda externa. O mal é quando eles dizem isso. Olhem para o Sócrates. Olhem para o Rajoy. Os mercados, esses deuses omnipotentes e omnipresentes, tão divinos que eu nunca os vi mais gordos (mas há quem se ajoelhe perante eles, deve ser para rezar), os mercados, dizia, tudo farão para que Itália precise de mandar entrar a troika portas adentro. Ele há-de haver, ai pois há-de, italianos a ganharem demais, principalmente se forem pobres, leis de trabalho demasiado benevolentes, férias e feriados que se podem cortar, pensões de reforma que se podem baixar. Oiçam o que vos digo. Já falta pouco. Caminhamos a passos largos para a queda. Que os deuses nos acudam. Ou nos enterrem de vez.


escândalo: o seu salário foi reduzido de 1000 para 800 euros ... por dia


Dizem os jornais que a RTP desceu o salário de Catarina Furtado dos 30.000 para os 24.000 euros por mês. Não tenho nada contra a Catarina, muito antes pelo contrário. Apresenta bem, apresenta-se melhor e não deve ser má pessoa, a acreditar que os que saem aos seus nunca degeneram. O que está mal não é que Catarina aceite o que lhe pagam, eu faria o mesmo. O que está mal é que a RTP, sustentada com os nossos impostos, se disponha a pagar tanto a Catarina. Isto, comparado com os 500, 600 e 700 euros que as empresas, tão generosamente, se dispõem a pagar hoje em dia a um licenciado, não é só um insulto. É uma obscenidade. Algo está podre no reino de Portugal. 

com marchas e golos se enganam os tolos!


Ontem à noitinha, a Avenida da Liberdade (que é isso?) encheu-se para ver passar as marchas. A Mouraria, o Bairro Alto, Alfama povoaram-se para celebrar Santo António, o que foi de Lisboa e de Pádua, que esta coisa de acumular títulos e cargos já vem de longe. O Alto do Pina ganhou as marchas e o povo agitou o bairro com cânticos e gritos de vitória. Hoje, a festa prosseguirá se Portugal ganhar à Dinamarca. O Marquês e a Liberdade voltarão à vida. E notícias como a de que Passos se dispõe, foi essa a palavra usada, se dispõe a reduzir ainda mais os custos de trabalho, passa-nos ao lado, ao largo. Festa é festa. Não há crise. Com marchas e golos se enganam os tolos. Viva Portugal!

Fotografia: http://visao.sapo.pt

vão-se ver gregos para votar

Por Gui Castro Felga
http://www.cartoonmovement.com/

o último resistente europeu



A muito pouco solidária Europa continua a observar em silêncio a conquista do “espaço vital” da Imperatriz Angela Merkel. A todos os países que cruzam os braços por vergonha dos seus semelhantes, eu dedico esta minha adaptação do famoso poema de Martin Niemoller, que curiosamente se tornou, nos últimos tempos, tremendamente actual:

Primeiro resgataram a Grécia,
e eu cruzei os braços, porque não era grego.
Depois resgataram a Irlanda,
e eu cruzei os braços, porque não era irlandês.
A seguir resgataram Portugal,
e eu cruzei os braços, porque não era português.
De seguida resgataram a Espanha,
e eu cruzei os braços, porque não era espanhol.

Por fim resgataram-me a mim,
E já não existia ninguém para me defender…

Merkel vai anexando país atrás de país, com mais eficiência e rapidez, do que Hitler alguma vez conseguiu.

Quando a Europa acordar, arrisca-se a encontrar a fria bandeira alemã como único lençol…

Quando a Europa acordar, o seu nome será Reich…

eu gosto do facebook


Gosto da existência de blogues, redes sociais, emails de escárnio e maldizer, de denúncia, de protesto. A liberdade está a passar por aqui. A informação chega-nos, foge às malhas de arame farpado dos jornais, televisões, correias de transmissão de grupos económicos, patrões pacóvios, lobbies e cortes de cores políticas fanadas pelo uso e abuso do poder.

No entanto, em tudo na vida há um mas, há muito veneno, boatos, verrina, calúnias a nadar em águas inquinadas. 

Falo disto a propósito dos "posts" que tenho visto, mas que não chego a ler até ao fim, o estômago é fraco, sobre Francisco Pinto Balsemão. Não conheço o senhor. Não lhe nutro uma simpatia por aí além. Não faço parte do seu clube de ricos ou de partido. Mas não alinho em crónicas de sarjeta e no disse-que-disse. Disse.

a união faz a forca

E um dia o castelo (de cartas) vai abaixo.


12/06/12

um menino e o horror


Esta fotografia corre pela net. Segundo a legenda, este menino palestiniano lava o sangue do seu irmão, morto à bomba. É horrível demais para ser verdade. Por muito menos, arrasou Deus Sodoma e Gomorra. A Humanidade vai cavando a sua sepultura. E Deus não existe. Nem Alá. 

e não há quem te reforme as trombas!


Segundo o DN, Angela Merkel tem grande respeito pelas reformas levadas a cabo pelo seu kaninchen de estimação em Portugal.  Hoje, também, soube-se que um bailarino deu, sem querer, com uma barra de ferro na cara de Lady Gaga. Acho mal. Nas fuças da Gagá Merkel tinha sido melhor usada. Sem querer. Claro.

http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2605013&seccao=Dinheiro%20Vivo

soltar as ideias, libertar a esquerda

Por Elísio Estanque

O recente Manifesto para uma esquerda livre gerou alguma controvérsia porque a formulação incomodou muitos daqueles que, sendo de esquerda, se consideram livres. Não é preciso dissecar a noção de "liberdade", bastando recordar que, em termos políticos e sociológicos, todos somos condicionados e o "livre arbítrio" individual não passa de uma mistificação. Um dos requisitos-base para que esta iniciativa tenha êxito passa por provocar a polémica e questionar as esquerdas instaladas, deixando em aberto todas as possibilidades futuras (inclusive a criação de uma nova força eleitoral).

O acantonamento das diferentes tendências e partidos de esquerda não só tem impedido o surgimento de alianças à esquerda capazes de travar as concessões da social-democracia ao neoliberalismo como tem perpetuado o ciclo vicioso das oligarquias partidárias, com os principais protagonistas a eternizarem-se nos mesmos lugares ou (o que é pior) a serem substituídos por gente jovem mas cujo percurso ascendente se deveu, antes de mais, aos cursos intensivos de carreirismo que frequentaram, onde passaram com distinção nos exames da bajulação aos respetivos "líderes".

de credo na boca e mão no peito


Uma das coisas que mais me irritam, palavra d'honra, são os contentinhos da situação e a sua pergunta sistemática, pensam eles que para nos deixar enrascados: vocês são do bota abaixo mas, quando se vos pedem alternativas, moita-carrasco, não as têm.

Alternativas, meus caros, há-as. E nem sequer seria preciso governar à esquerda. Oiçam alguns dos vossos compadres, compadres de direita, que vos têm dito repetidamente que assim não vamos lá, assim não pode ser.

Eu sou como o Cristo do poema de Pessoa, não sei nada de finanças, trato das minhas, das domésticas, e até  desconfio que mal e porcamente. Mas sei, isso sei, que há alternativas. A começar por alternativas morais: porque é imoral pedirem-se sacrifícios a muitos em prol de uns quantos. Cristo, que expulsou os vendilhões do templo, também o sabia. Melhor do que os que, hoje, de mão no peito e credo na boca, se dizem seus seguidores.

Incentivos ao livre mercado? Ao lucro? Pois seja. Mas precisamos de umas quantas modificações sérias ao capitalismo de casino que nos anda a corroer aos poucos e a matar muitos, que o digam os povos de África. Com menos especulação, menos ganhos virtuais, menos corrupção, menos clientelismo, melhor organização das empresas, mais responsabilidade social, mais respeito pelos trabalhadores e pelo ambiente, com tudo isto e o mais que eu não sei, vão ver se há ou não progresso, se há ou não riqueza. Equitativamente distribuída. 

loucos perigosos

Abocanharam o poder. Democraticamente, dizem eles, mas eu tenho as minhas dúvidas, que a mentira e a demagogia não fazem parte do jogo democrático. Perante a passividade de um povo, retiram-lhe todos os direitos conquistados nos anos da democracia, um por um. À sua maneira, consideram-se predestinados, iluminados, os ungidos. Mas são loucos. E são perigosos.


11/06/12

para ver e meditar, meditar muito

é só abancar, abancar, abancar


Como se viu já em 2008 nos Estados Unidos, e depois na Islândia, na Irlanda, na Grécia, em Portugal e agora em Espanha, não foi o cidadão comum que contraiu dívida e que precisa de financiamento, mas os bancos. No entanto, sumidades iluminadas há que continuam a propagar que vivemos acima das nossas possibilidades. E que nos obrigam a pagar a conta. Com dinheiro que vai quase todo direitinho, cêntimo a cêntimo, para os bancos. Ou para pagar juros da dívida, que vão favorecer ... os bancos. 

Uma sociedade deve organizar-se em função do seu povo, do seu bem-estar, da sua felicidade. Mas, em pleno século XXI, neste século em que parece termos recuado um ou dois ou mais, a sociedade organiza-se em função da banca sagrada, os governos privilegiam a banca, esmifram-nos a favor da banca. Preocupam-se com os bancos. Sofrem pelos bancos. Nunca com os que são atirados para as ruas, os que passam fome, os que perdem emprego, perspectivas, a vida. Os que empobrecem. Os que vegetam. Os que desesperam. Os que temem o dia seguinte.

Não adianta Passos vir-nos falar da sua compaixão. Porque não a tem. Com paixão pelos bancos, sim. Compaixão pelos povos, não. 

o silva da mouraria

Ai Mouraria da velha Rua da Palma,
onde eu um dia deixei presa a minha alma,
por ter passado mesmo a meu lado
certo fadista de cor morena,
boca pequena e olhar trocista.



Imagem: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt/

coelho sai da toca, nós estamos à coca!


Descanse o doutor. Nós somos todos pacíficos, não lhe vamos dar com a moca quando sair da toca. Mas andamos à coca. Seguimos-lhe os passos e não somos das secretas. Condenamos-lhe os pecados e não somos prelados. Em política, devia ter aprendido isto nos livros de História se se tivesse interessado pela matéria, nunca há crime sem castigo. Uns são presos, outros exilados, outros recordados com rancor durante séculos e séculos. Ámen.

como o silício que purifica o mártir


Hoje somos muitos, amanhã seremos milhões.

Lembra-se deste slogan do PSD nos idos de 70, quando ainda se chamava PPD? Pois é. Levaram mais de 30 anos mas conseguiram. Hoje já somos muitos, amanhã seremos milhões. De desempregados. Com a cumplicidade do CDS e a abstenção violenta do PS. São os que estão inscritos nos Centros de Emprego, mais os que, mandados a cursos, são milagrosamente riscados da lista, mais os que perderam o direito ao subsídio. Mais de um milhão, que amanhã se multiplicarão por dois ou três. Assim os portugueses deixem.

E os que, entretanto, conseguem emprego, tão pouco podem cantar de galo. Os salários são de mera subsistência, as exigências de qualificações elevadíssimas, a pobreza envergonhada grassa como um tumor maligno. Um livro para alimentar a paixão de ler, um filme para alegrar a vista, umas férias para alegrar a vida, são sonhos que não poderão realizar tão cedo. 

O plano, bem arquitectado, está a surtir efeito: Portugal empobrece como Coelho quer. E, como Coelho quer, sofremos calados. Há que encarar o governo como um silício que purifica o mártir. Pela remissão dos nossos pecados, pois comemos demais, gozámos demais, gastámos demais. 

Hoje somos muitos, amanhã seremos milhões. 

porca miséria!

e passos sabe lá quem foi o roosevelt!



Eis um discurso notável de António Sampaio da Nóvoa, que terá incomodado muitas das ilustres personalidades presentes nas cerimónias do 10 de Junho.

10/06/12

cromos para a troika

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

governo: mostra-lhes o cartão vermelho, expulsa-os do campo, tira-os deste campeonato!


colonatos alemães: quatro já cá cantam!


Depois da Grécia, Irlanda e Portugal, eis Espanha a juntar-se ao grupo de colónias sob o jugo alemão. Sei que Pulido Valente e outras luminárias cá do burgo, pagas para debitarem prosa séria, ao contrário de nós, meros bloguistas ainda por cima pelintras, acham que é estupidez, exagero, uma tontice pegada. Mas eu insisto, teimosamente: Merkel está a conseguir, com a força do dinheiro, o que Hitler não logrou com o poder das armas. Von Ribbentrop, Himmler, Goebbels foram substituídos por van Rompuy, Lagarde e Barroso. Estamos com sorte!