18/06/11

os porcos engordam-se em chiqueiros

Tantos, das mais variadas vertentes políticas, dizem o mesmo e apontam o dedo aos mesmos: os ricos que estão cada vez mais ricos à custa das classes média e baixa. Mas há uns por cá, incluindo alguns que agora subiram a ministros, que acham que o trabalhinho ainda não foi todo feito, que é preciso sacar ainda mais aos trabalhadores para pagar os Ferrari, as mansões, os caviares, os jactos privados, os luxos do lixo humano. Para alimentar a abundância e a ganância dos senhores do capital. Sem esquecer as migalhas dos seus serventuários.

mas que puta de democracia é esta, parte 3

eu tenho um pesadelo


Cavaco Silva está imparável. Por estes dias, quem assista ao que o próprio agora chama de “o ruído dos noticiários”, poderá pensar que está a ver um canal memória. O Presidente acredita que “os portugueses querem curar a doença que os afecta”, que quem vive no interior é um exemplo porque tem um “espírito indomável”, “espírito de sacrifício”, “frugalidade” e que a solução é o regresso à agricultura. Por falar em memória, esse carpir pela lavoura não será uma furtiva lágrima de crocodilo?

Mas o melhor regresso ao passado (mais recente) foi o processo que o inquilino de Belém moveu contra o director da revista Sábado porque num editorial constava: “Tal como Fátima Felgueiras e Isaltino Morais, Cavaco Silva acha que uma vitória eleitoral elimina todas as dúvidas sobre negócios que surgem nas campanhas”. Quando se pensava que, finalmente, nos tínhamos visto livre da verve censória de Sócrates, zás. Eis o Presidente a por jornalistas em tribunal, ignorando que quem exerce o poder tem muitos mecanismos de defesa ao seu dispor e não pode ultrapassar o direito à crítica, por muito que lhe custe perder prestígio.

Realmente, começou um novo ciclo político. E muito bem, já se vê. Afinal, é o sonho tornado dura realidade: uma maioria, um governo e um Presidente.

Publicado por Joana Amaral Dias em http://cortex-frontal.blogspot.com/

é este o novo primeiro-ministro de um país que não passa da cepa torta e é fácil perceber porquê

o grande piquenique do merceeiro-mor do reino


O merceeiro-mor passa o tempo a criticar o país, talvez ainda dorido por não lhe terem oferecido a PT pelo preço da uva-mijona, e mesmo assim tem o direito de fechar a principal avenida de Lisboa por três dias para aí realizar um piquenique de propaganda às suas enormes mercearias. Sei que há quem diga que o homem é um benemérito, que dá emprego a milhares de trabalhadores, que é o maior empregador nacional, esquecem-se é que paga miseravelmente pelos milhares de empregos que ele destruiu quando arruinou o comércio de bairro. Mas, como agradecimento o País ainda lhe vai baixar o famoso TSU (Taxa social única) que, para quem tem tantos trabalhadores, representa muitos milhões, mesmo que ele tenha deslocado a sua sede para a Holanda para não pagar os impostos em Portugal. Confesso que fiquei um pouco preocupado quando o vi a fazer campanha, no meio do povinho, ao lado do Passos Coelho porque sei que ele só dá um chouriço a quem lhe dê um porco e não sabemos que porco lhe prometeram.

mas quando é que eles chegam à conclusão de que as tetas já não chegam para tanto vilão?


É FARTAR VILANAGEM!

A notícia passou de raspão pelos tímpanos de uns quantos que ouviram a TSF ontem ou anteontem. Foi um ar que lhe deu mas sempre se percebeu que cinco deputados vão receber cerca de 600 mil euros de indemnização por saírem do parlamento sem que tenham cumprido 12 anos de “trabalho” e por isso não terem direito à repimpada reforma, independentemente da idade e de terem ou não terem mais que bens ao luar, negócios e outros. Uma fartura, esta coisa de se ser deputado a viver em grande à custa da miséria de imensos.

Conclui-se que destes 5 cada ex-deputado, decerto a saírem por não terem sido eleitos ou por opção, vai receber de “compensação” mais de 100 mil euros… por não reunirem condições para levarem a reforma supimpa só com 12 anos como deputados. E então vá: “Toma lá 100 mil que é para te desenrascares, e desculpa ser tão pouco.” Devem dizer-lhes.

Mas então, se estes sujeitos ficaram “desempregados”, porque não recorrem ao Centro de Emprego da sua área de residência? E porque não passam a receber o tão abastado subsídio de desemprego que os pares deles destinaram aos infortunados desempregados? Porque razão existem sempre condições de excepção para estas autênticas “esponjas” do quase nenhum eurozito que Portugal tem? Até, se fossem para o “desemprego” a receber o subsídio estavam cheios de sorte em relação à maioria porque lhes caberia a majoração máxima de subsídio e isso dar-lhes-ia mais de mil euros por mês, durante o tempo estipulado na lei.

“Ah! Mas isso era uma miséria!” Diria Almeida Santos, os imensos Almeidas Santos e aparentados que sacaram e sacam até às entranhas estes país e o povinho deste país. O que sabemos é que os chulos do Cais do Sodré, do Intendente, do Bairro Alto, da Banharia e de outras regiões não conseguem chular tanto em tão pouco tempo. Isso é certo.

E este governo, a maioria no parlamento PSD-CDS, vai pôr cobro a esta rebaldaria? Vão reduzir o número de deputados de 250 para 180… Mas esses 70 da redução vão embolsar fortunas, não? Sem fazerem nadinha ou quase nadinha lá sacam o povinho e cá fomentam mais miséria. Isto é mesmo uma grande rebaldaria. Não há moralidade nem comem todos. Só alguns, incluindo os deputados.

A maioria no parlamento PSD-CDS, vai pôr cobro ao período de 12 anos para a reforma e nivelar esse tempo para o prazo normal, de pelo menos 20 anos (5 mandatos)? Não acreditamos? Desde quando é que os chulos mimam e poupam dificuldades às suas fontes de rendimento?

De deputados destes estamos fartos e cansados de sustentar. Que lástima… Repare-se que do apreendido na notícia audio e acima reportado para aquilo que consta neste curto apontamento de A Bola há uma grande diferença de interpretação. Até é muito possível que tenha sido minha a interpretação incorreta, no entanto numa descrição ou noutra sobressai a rebaldaria, o saca-tudo sem escrúpulos absolutamente nenhuns. Inqualificáveis, aqueles mamões! A crítica é legitimada pelo desaforo de ganância e abuso daqueles mamíferos. Os de antes, os de há pouco, os de agora… E os de futuro? Vamos continuar a permitir esta enorme rebaldaria?


Vejam-se algumas “pornografias” dos eleitos e como eles nos “coiso” sem preservativo:

Publicada por António Veríssimo,
em http://paginalusofona.blogspot.com

17/06/11

madrid em brasa

em defesa dos amanhãs que cantam



Já quase a findar o primeiro debate da campanha das legislativas, entre Paulo Portas e Jerónimo de Sousa*, Portas, com o instinto matador que tem, vira-se para Jerónimo e pergunta: «Qual é o país do Mundo onde você viu aplicadas as suas ideias e as pessoas são felizes, prósperas e livres?»

Jerónimo atrapalha-se e responde desta forma atabalhoada: «É que este partido … ao longo da sua história, com a sua ideologia, o seu projecto … tem uma coisa muito própria: foi sempre um grande partido ligado ao povo português e às suas aspirações, um partido patriótico – naturalmente com dimensão internacionalista – e não admitimos que alguém pense, tendo em conta essa história do partido, que quem lutou tanto pela liberdade e pela democracia em Portugal … que este partido, neste país concreto, com uma experiência própria e sem modelos, abdica da construção de uma sociedade diferente para Portugal.»

Ora esta atrapalhação do Jerónimo de Sousa é vital, a meu ver, para percebermos as dificuldades que A ESQUERDA de conjunto – e não o PCP em particular – tem em afirmar-se contra a direita, contra os defensores do capitalismo. É que não basta denunciar quem são os responsáveis pelas dificuldades em que vive a maioria do povo e dizer que é preciso outra política, ou que outro mundo é possível. É preciso que as pessoas acreditem que a sociedade pode funcionar de outra maneira, sem ser baseada no lucro, e que essa outra maneira é melhor do que o que temos agora.

Não basta estar ao lado das pessoas nas lutas do dia a dia. Isso é importantíssimo, claro. Mas então por que é que tantos daqueles que até são capazes de votar no parceiro de esquerda para delegado sindical ou para a direcção da colectividade acabam depois a votar num partido do sistema, no PS, no PPD ou no CDS nas eleições?

Uma explicação parece-me estar na resposta à pergunta do Paulo Portas: que imagem têm as pessoas dos países onde Jerónimo «viu aplicadas as suas ideias», dos antigos ‘países socialistas’ da URSS e do Leste da Europa? De que era preciso esperar dez anos ou mais por um apartamento, cinco anos (ou mais) para ter um Trabant ronceiro, que as prateleiras das lojas estavam frequentemente vazias, que era preciso um esquema com um amigo do Ocidente para arranjar por troca uns jeans ou uma pílula de qualidade decente (não é verdade, malta da JCP de aqui há uns anos que andou lá a estudar?), que não se podia viajar livremente, que havia milhares de bufos a vigiar os vizinhos e a fazer relatórios para as polícias políticas… (E estou só a falar do quotidiano do comum das pessoas; não estou a falar de processos de Moscovo ou de Praga, de gulags e de picaretas.)

E essa imagem é falsa? Não, é verdadeira. Por isso, hoje, após a restauração do capitalismo no Leste, com o seu cortejo de misérias, vemos as pessoas confrontadas com o desemprego, as máfias, o capitalismo de faroeste que lá existe, ainda assim preferirem isto que têm agora ao que tinham antes, no tempo de Brejnev ou de Estaline.

Por isso mesmo, a esquerda, que não tem o céu para oferecer às pessoas, para poder oferecer-lhes a possibilidade de uma sociedade diferente e melhor, tem de fazer um corte radical com essa peste negra do movimento operário e do socialismo do século XX que foi o estalinismo. Tem de lavar essa sujidade que ainda cobre a palavra para poder voltar a reivindicar o socialismo, não como um ‘amanhã que canta’ de plástico como os que apareciam na Sputnik ou no Neue Zeit,mas uma verdadeira alternativa socialista a isto que temos cá. Para que volte a haver esperança.

* na TVI, em 7-5-2011.

Com a devida vénia ao Luis Afonso por lhe ter roubado parte de um cartoon. Que passe por propaganda.

Fonte: António Paço, http://5dias.net

a indignação chegou ao brasil

só um homem com H grande pode escrever uma crónica assim

isn't just for gays anymore!
por Daniel Oliveira


Participar na Marcha do Orgulho LGBT de amanhã é defender a igualdade de direitos, é combater a homofobia descarada ou aquela que começa com um "eu não tenho nada contra gays mas...", e é, para mim, antes de tudo, bater-me pela liberdade. A dos gays, a das lésbicas, a dos bis, a dos heteros e a dos outros todos. A marcha do orgulho LGBT é isso mesmo: uma festa de liberdade. Ou como gritava o José Mário Branco, um "quero ser feliz, porra!" Em Lisboa, a concentração é no Príncipe Real, às 16h30, e a marcha começa às 17h. É para todos. Inspirando-me no número de Neil Patrick Harris, na abertura dos Tony Awards deste ano, isn't just for gays anymore! Para dizer a verdade, nunca foi.

se não sabe o que se passa na grécia, eu mostro-lhe

Ontem, no noticiário da RTP, passaram imagens da Grécia em revolta. Mas passou o lado negativo, insinuando-se que a culpa dos desacatos e do ataque policial, desproporcionado, foi dos manifestantes. Não sou partidário da violência. Mas que fazer quando a polícia de um estado dito democrático age como se vivêssemos em ditadura? 





o bebé vai ficar sem chupa


Votei em Fernando Nobre. Aqui lhe fiz a apologia e aqui mostrei o meu nojo, é a palavra certa, quando se vendeu ao PSD a troco do lugar de presidente da Assembleia da República. Desde aí, o homem, qual virgem escandalizada, tem vindo para os jornais lamentar a incompreensão, a ingratidão, o desprezo a que tantos portugueses votaram tão augusta figura. Pois. Eu sou o primeiro a lamentar. E lamento desde então, todos os dias torço a orelha mas não deita sangue. Agora, ao que parece, vai ver por um canudo tão almejada, almijada, posição. Perdeu o primeiro lugar da nação, vai perder o segundo. Por este andar, dão-lhe o cargo de porteiro da Assembleia, um posto tão digno como qualquer outro, só que mais mal pago e sem as honrarias que Nobre julga serem-lhe devidas. 

Se eu fosse vingativo, sentia-me quites. Mas não. Uma infâmia nunca se redime.

dr. nobre, é muito bem feito para não ser guloso!

Os trabalhos de Passos com o atalho de Nobre
por Daniel Oliveira



Como assinalei aqui quando Fernando Nobre deu o seu flic-flac à retaguarda, a jogada de Passos Coelho de candidatá-lo por Lisboa e prometendor-lhe o lugar de presidente da Assembleia da República não valeu um voto e revelou a massa de que é feito o candidato contra os políticos. Agora Coelho tem uma bota para descalçar.

O CDS recusa-se a votar no senhor. Compreende-se. Nem tal coisa tem nada a ver com a formação do governo, nem o CDS foi tido ou achado para tão estapafúrdio negócio, nem o senhor é votável. Sem qualquer experiência parlamentar, não conhece os regimentos nem o funcionamento da Assembleia. Seria feito em picadinho em todas as negociações entre líderes parlamentares. Sem haver uma maioria absoluta de nenhum partido, isto está longe de ser um pormenor.

O problema de Passos Coelho é que, com tudo isto, começa mal. Não sendo sequer seguro que toda a sua a bancada vote em Nobre, estreia-se como primeiro-ministro com uma derrota parlamentar e a falta a uma promessa eleitoral. É obra! Para compensar a coisa ainda se falou da escolha de Nobre para ministro. Dois péssimos sinais para o exterior. Antes de mais, do próprio: fica-se com a ideia que desde que lhe seja dado um lugar ele está por tudo. Depois, para o novo primeiro-ministro: os ministros não são escolhidos pela sua competência e preparação mas para resolver os problemas políticos da liderança do PSD.

Não vou dizer que lamento esta situação. Acho que Passos merece esta dor de cabeça. Quem procura os atalhos do oportunismo eleitoral mete-se em trabalhos.

Fonte: http://arrastao.org/

o presidente e o cúmulo da hipocrisia


Andava a vadiar quando ouvi a notícia. Só agora toco no assunto porque, na tormenta que nos atormenta os dias, foi uma gota de água num tsunami de inanidades, incompetência, hipocrisia, mentiras, sofreguidão, maldade pura e dura. Mas é importante relembrar, porque isto diz muito do carácter de um homem. Então não é que Cavaco, no seu discurso de 10 de Junho, o Dia da Raça disse ele um dia provando que não esqueceu as lições salazaristas da escola primária, veio criticar o estado da agricultura e apelar à sua revitalização? É preciso ter descaramento! Isto dito pelo homem que deu cabo dela, que malbaratou ou deixou malbaratar os dinheiros comunitários em betão, corrupção e inacção, parece anedota de mau gosto. Mas não é. Ele disse-o no tom seráfico a que nos habituou desde que Sá Carneiro se lembrou de o trazer para a cena política como Ministro das Finanças (não, o início da sua carreira não começou com a rodagem de nenhum calhambeque). Lembro-me das pequenas benesses distribuídas aos portugueses antes das eleições que reelegeram a AD. Já nessa altura, Cavaco tinha a cartilha bem estudada. 

Tenho um amigo ou dois que me acusam de perseguir o homem. Eu não o persigo, ele é que não me larga a labita vai para mais de 30 anos. Só o Salazar foi mais persistente.

o amor em tempos de cólera

Roubei o título e a fotografia ao blogue http://spectrum.weblog.com.pt. Não sei se é em Atenas, Barcelona ou em qualquer outra dessas cidades da Europa onde a indignação anda nas ruas.

16/06/11

jesus, jesus, porque me abandonaste?

a nudez forte da verdade


A par do protesto em Bilbau contra os cortes sociais, também os trabalhadores da ABB, em Espanha, resolveram despir-se num vídeo como forma de protesto contra o encerramento da fábrica - mais outra que se "deslocaliza" para países de mão-de-obra ainda mais barata - ameaçando 160 trabalhadores de saírem com uma mão à frente e outra atrás. Não sei se é a mais digna forma de luta. Mas resulta, tanto assim é que o vídeo até foi transmitido hoje num dos nossos telejornais. Não por causa do protesto, disso as televisões fogem como o diabo da cruz, mas por causa das ferramentas dos operários. Se a moda pega, e com a gente que por aí fora tem razões para protestar, ainda a Europa se vai transformar numa imensa colónia de nudismo.

uma canção para sócrates

assim nos deixam!

A Espanha não pára. Imagens de uma manifestação em Bilbau, à porta da delegação do governo basco, contra os novos cortes sociais.




anda por aí muita gente com saudades destes tempos









levantamento popular na grécia, sem que o mundo saiba o que se passa



As imagens deste vídeo têm um dia. Viu alguma coisa na televisão? Divulgue-o. Para que o mundo saiba.

Intenso Levante Popular na Grécia
por Yorgos Mitralias

Centenas de milhares de gregos "indignés" (indignados) foram para as ruas contra seus perseguidores neoliberais.

Duas semanas depois de ter começado o movimento "indigné" pessoas ocuparam as principais praças em todas as cidades que estão transbordando com multidões protestando, fazendo o governo de Papandreou e seus partidários locais e internacionais tremer. Já virou mais do que apenas um movimento de protesto ou mesmo uma mobilização contra medidas de austeridade. Ele se transformou em uma verdadeira revolta popular que está varrendo o país (estima-se que em uma noite passaram por Syntagma em Atenas mais de 250,000 pessoas). Uma revolta que se recusa a pagar, pela "crise deles" ou a "dívida deles".

Neste momento uma pergunta vem a mente: como pode um movimento dessas porporções que está abalando o governo grego (em que a UE tem um interesse muito especial) não ser mencionado nos veículos de mídias do Ocidente?

Estamos vendo certamente uma nova forma de censura. Uma censura política bem organizada motivada pelo medo do movimento grego se propagar para o resto da Europa!

19 de junho há mais

a europa em polvorosa!

Kopenhagen - by Jo Di
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Stockholm - by Jo Di
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Athens - by Jo Di
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Paris - by Jo Di
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Sevilla - by Antonio Castillo
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London - by Jo Di
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Dublin - by Jo Di
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Thessaloniki - by Jo Di
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Amsterdam - by Jo Di

passos já telefonou a convidá-lo para ministro?

Não desespere. Passos anda à procura da cabina que mais lhe favorece a imagem de grande estadista (mais um), de político impoluto (mais um), de homem que nunca hesita (mais um) e de ser que nunca se engana e raramente tem dúvidas (mais um). Mas que a chamada está a caminho, afianço-lhe. Enquanto espera, escolha a pasta. A governamental, seu bronco. A outra pasta, ainda não é altura de falar disso mas, uma vez no governo, são favas contadas.

P.S.: Se eu fosse ao Passos, escolhia a última cabina. Há quem diga que os últimos são sempre os primeiros. E ele é agora o Primeiro.

















o paulinho das mentiras

Podemos ter como ministro dos Negócios Estrangeiros alguém que mentiu para apoiar uma guerra?
por Daniel Oliveira

Ao que tudo indica, Paulo Portas será ministro dos Negócios Estrangeiros. Não alinho nas insinuações de Ana Gomes, pessoa a quem respeito a coragem da coerência - nunca hesitou em criticar no seu partido aquilo que critica nos outros - sobre a vida privada do líder do CDS. A referência indirecta ao processo Casa Pia é também inaceitável. Julgamentos populares nesta matéria são tão graves com dirigentes do PS como com dirigentes do CDS. Ficou-lhe mal. Nem sequer me concentro na questão dos submarinos. A investigação judicial em curso não o envolve e a decisão política era conhecida dos eleitores e por eles não foi punida.

O que para mim é grave prende-se com o que é referido neste artigo (que estranhamente não encontrou espaço para publicação) de Pezarat Correia: Paulo Portas mentiu sobre um assunto de política externa. Disse, sobre as armas de destruição em massa no Iraque, o homem que foi medalhado por Rumsfeld que tinha visto provas insofismáveis da sua existência. Não viu. Elas nunca existiram. Enganou os portugueses. E com a sua mentira envolveu o País numa guerra que custou a vida a centenas de milhar de pessoas.

Em política, mentir é, como se viu com Sócrates, um ato grave. Mais grave ainda quando está em causa o envolvimento de um Estado numa guerra. Para ocupar o lugar de responsável máximo da nossa diplomacia Paulo Portas deve ao País e aos nossos parceiros internacionais um pedido de desculpas. Começando por esclarecer que provas viu ou porque decidiu inventar provas que não viu. Isto, claro, se os portugueses, depois de tão justa revolta com as mentiras de Sócrates, não procuram apenas mentiras diferentes.

pausa para publicidade, da boa!

já há governo? deixa-me rir!

politicamente incorrecto

gosto muito de te ver, leãozinho

olha quem ladra!

a agressão continua

não se deixe manipular!



Qual cão por vinha vindimada, os nossos queridos diários ignoraram, ou deram notícias envergonhadas, das iniciativas dos movimentos cívicos que, por toda a Europa, mas especialmente em Portugal, Grécia e Espanha, protestam contra a forma como os seus governos estão a gerir a crise, em proveito dos muito ricos e sacrifício das classes média e baixa, exigindo mais transparência na vida política e uma democracia genuína, ao contrário da que temos, hipócrita, mentirosa, desacreditada, sem participação dos cidadãos a não ser de quando em vez para que uma minoria possa eleger, por uma percentagem ínfima de votos, a maioria parlamentar.

Hoje, porém, o Público dedica três páginas, mais o Editorial, aos acontecimentos de ontem em Atenas e Barcelona. E porquê? Ora, ora: porque essas manifestações, que se querem pacíficas, redundaram em acidentes com a polícia graças a provocadores infiltrados, que insultaram políticos e agrediram agentes da autoridade.

A manobra é clássica: desacreditar os movimentos pacíficos de protesto, através da arruaça e da violência concertadas. Assim sendo, o Público, e provavelmente os demais órgãos de informação, já puderam hoje abrir as torneiras da censura e publicar o que durante tanto tempo esconderam da opinião pública. Assim sendo, o cidadão comum saberá que não deve aderir a nenhuma manifestação pública deste tipo, povoada de arruaceiros e energúmenos, sob pena de se envolver em cenas de pancadaria e, quiçá, de ir parar com os costados à cadeia.

15/06/11

mais repressão policial, desta feita em barcelona










Milhares de pessoas concentraram-se hoje em frente do parlamento catalão tentado impedir a entrada dos deputados regionais, num acto de protesto contra novos cortes na saúde e na educação. Incidentes entre a polícia e alguns manifestantes fizeram 36 feridos ligeiros.