29/05/15

"o senhor primeiro-ministro manda dizer"


O porta-voz do governo falou hoje. Ai, que cabeça a minha. Não foi Marques Guedes nem Marques Mendes nem sequer o Fernando Mendes ou um Mendes Guedes qualquer. Desculpem a confusão. Foi o presidente. Vénia. Sim, Cavaco, Aníbal, o Sr. Silva para João Jardim mas, para o soba agora sem tribo, também há cubanos e filhos da puta. Inimputável, como eu gostava de ser, o sultão agora sem trono diz o que lhe dá na veneta e dá-lhe na veneta mais do que manda a razão.

Adiante.

O presidente falou. Mesura. Disse o que o primeiro-ministro gostaria de lhe ouvir. Que Costa, o do BP (BP de Banco de Portugal e não de British Petroleum, não façam V. Exªs confusão que para baralhamentos de moleirinha já basta na minha), foi muito bem escolhido para suceder a ele próprio. Aquele homem é um portento. O Costa e não o presidente. Salamaleque. Ainda os banqueiros estão na barriga de suas mães já ele consegue destrinçar os feios dos porcos e os porcos dos maus. Ainda Salgado andava fugido ao PREC e já Costa, o Grande Regulador, o topava à légua. Já o BES estava falido e jurava ele a pés juntos que era dos melhores da praça. Mas mais disse o senhor presidente. Cortesia. Disse que, nesta coisa de meter laranjas na cesta, de pouco importam os consensos. Estes servem para procrastinar, um verbo tão ao gosto do presidente. Reverência. Ou seja, consensos sim desde que sejam para consentir tudo o que o primeiro-ministro quiser, roubos e venda de pechinhas porque, a bem dizer, foi para isso que nasceu, é para isso que está calhado. Calado deveria estar o presidente. Dupla vénia com flique flaque à rectaguarda.

De consenso e falta de senso, amigos meus, cada um usa o que quer. E abusa, quanto mais não seja da nossa inteligência.

des connardes et connasses

Já por aqui o tenho dito e não é agora que vou dar o dito por não dito: não gosto das modas e bordados da Joaninha, nem das piscinas cheias de portugalidade, nem dos candeeiros prenhes de sensualidade, nem dos sapatos entachados, que se lixe o kitsch, a fama da Joaninha que já vai longe, o génio e o engenho da Joaninha pois em terra de cegos, já se sabe, quem tem olho é rainha. Desta feita, em conluio com a polícia, salvo seja, aparece-nos com o boné de um deles revestido, travestido por um primoroso naperon em croché. A Joana, a cocq luxe do regime que acaba de recriar o galo de Barcelos e até já tem Fundação e tudo, daquelas que contam com benefícios do Estado, daquelas que iam acabar, as supérfluas, as inúteis, a Joana, dizia eu mas perdi-me diante de tão ofuscante beleza, devia agora desenhar as novas fardas da polícia. Com rendas antigas, preservativos usados, jornais velhos, laçarotes, papelotes, garrafas de plástico, sacos de plástico, cascas de fruta, cascos de vasilhame, cacos e cacas, tudo menos tachos porque, ao vulgar agente da autoridade, nunca calham tais metais, nem nobres nem vis, até porque não são recicláveis - os únicos que merecem por humilde condição -, mas multiplicáveis. Para gáudio da Joaninha que, assim, fica com inesgotável matéria-prima para tanta obra-prima que prima em criar tão ao gosto da prima da minha prima que é de um mau gosto de fugir e só parar no Samouco para meter água e lavar a vista com vista para o Tejo.

É a minha opinião. Pode haver outras. De marchands d'art, connoisseurs, connardes, connasses.


28/05/15

a cabeça perdida de ricardo salgado

Dizem por aí, nos mentideros, que Ricardo Salgado vai solicitar o Rendimento Social de Inserção. É anedota, só pode ser anedota mas, se não for, se tiver mesmo fome, siga o conselho da sábia Antonieta: coma bolos, os das irmãs. Não perca é a cabeça.

Pedro Pina/RT

e enquanto os portugueses comem e calam ...

Foi há duas semanas mas, talvez por distracção minha, e não estou a ser irónico, não vi quaisquer imagens pelos canais da nossa querida televisão. Em Londres, protestou-se contra a austeridade. Muita juventude, o que é bom. Muita polícia, o que foi mau.




a miséria moral da caridade, das políticas que a promovem e das organizações que a praticam

Por Nuno Serra
http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/

Vale a pena ler na íntegra a recente notícia do Público sobre o caso de uma mãe, em Sesimbra, que perdeu a ajuda alimentar por se queixar de ter recebido leite fora do prazo, para uma bebé com seis meses. Por mais insólitos que sejam os detalhes deste episódio, ele traduz, muito mais do que se possa pensar, o padrão de actuação das organizações privadas de solidariedade social e, sobretudo, os arranjos institucionais que potenciam este tipo de situações e nos quais repousa a florescente economia política da caridade.

Já não se trata apenas da ideia, latente, de que «para quem é, bacalhau basta». Isto é, a percepção mais ou menos subconsciente, de técnicos e dirigentes, segundo a qual «o pobre» é uma espécie de cidadão naturalmente diminuído, pela sua condição e perante os que o «ajudam», nos seus direitos e dignidade. Tal como já não se trata apenas do desequilíbrio de poder que se estabelece e que cunha, de forma indelével, a relação entre organizações da «sociedade civil» e seus beneficiários, e que impede que muitos casos, como o da mãe de Sesimbra, cheguem ao conhecimento da opinião pública. Isto é, a subordinação, explícita ou tacitamente imposta, que levou Andreia Branco, durante algum tempo, a não reclamar pelo leite fora de prazo, para «não parecer pobre e mal-agradecida». Como já não se trata somente das consabidas discricionariedades, subjectivismos, despóticas arbitrariedades e sobranceiros julgamentos morais, que impregnam as práticas assistencialistas, reforçadas nos últimos anos com o bolor salazarento da «sopa para os que são pobres» e da caridadezinha.

O dado novo, mais relevante, é o do incentivo e total legitimação política desta cultura retrógrada e moralmente desprezível de intervenção social, que se quer hegemónica. Como? Dispensando estas organizações de qualquer espécie de escrutínio e do cumprimento das mais elementares regras de política social pública (incluindo a dignidade e a qualidade das respostas), ao mesmo tempo que são despejados, sobre elas, abundantes recursos orçamentais. Muito para lá - sublinhe-se - dos recursos que foram retirados às famílias, no âmbito dos apoios que até aqui recebiam, com acompanhamento técnico, através do RSI ou do CSI. Bem vindos pois à «indústria da pobreza» de Isabel Jonet, que contribui para que o Estado «não se meta demais em coisas em que não deve» e onde a «a caridade vale mais que a solidariedade», pois «é amor (...) e serviço». Como pôde aliás constatar a mãe da bebé de seis meses, Andreia Branco.

confessa, zé nega!

Barroso, o durão das dúzias, cavalheiro de triste figura, disse há dias que, desde que saiu da Comissão Europeia, onde nunca devia ter entrado e onde nos enxovalhou durante 10 anos, fala cada vez mais verdade.

Barroso, o Zé beleza, um cherne de charneira, assume assim que tem mentido. Desde a tanga da tanga que Barroso mente, é um facto indesmentível. Lembro-me, como se fosse hoje, do dia que nos pregou o primeiro enxovalho. Lá ia ele, roliço, de sorrisinho servil, dobrando a cerviz, atrás de Bush, Blair e Aznar aquando da cimeira dos Açores, fazendo as desonras da casa, afiançando que sim senhores, que o Iraque estava pejadinho de armas de destruição massiva, ai que horror, ai deus nos valha, deus nos acuda. Foi o primeiro passo, ele próprio já o admitiu, para a sua ascensão numa carreira internacional de agigantado estadista onde, roliço, de sorrisinho servil, dobrando a cerviz, lá ia atrás de Merkel, de Sarkozy, da voz dos donos, fazendo suas as palavras deles, apostolando a mediocridade, apostando na austeridade, aprovando a impunidade dos mercados financeiros.

Barroso elevou bem alto o nome de Portugal. Agora, os de lá de fora, já sabem: quando quiserem alguém para um cargo que exija obediência cega, seguidismo, servilismo abjecto, chamem um português. Estão tantos na lista de espera. Passos Coelho. Luís Albuquerque. Relvas. Montenegro. Duarte Pacheco. Marco António. Ele há muitos, tantos e tão capazes de igualar Barroso, heróis do mar, nobre povo et cetera e tal.

E, já agora, quem? Quem melhor do que o Zé para suceder a Aniki Bobó, com intensidade, ardor, tensão viril?

será cherne? xaputa? sardinha não é certamente, e o bacalhau não se come assim


27/05/15

o amigo, o motorista, a mãe, a ex-mulher e o "amante" dela

AFP/Getty Images/Observador
Nas parangonas dos tablóides, nos leads dos noticiários televisivos, raramente se menciona o nome de Carlos Santos Silva. Ele é o amigo de Sócrates. Ou, mais respeitosa, mas não veneradoramente, o empresário amigo de Sócrates. Porque Sócrates é que é notícia, Sócrates é que vende jornais e rende audiências, Silva é nada, Silva é um Zé-Ninguém, não fora Sócrates e à maralha de pouco interessaria a prisão do Silva, a libertação do Silva, as culpas do Silva, a pulseira electrónica do Silva, as posses do Silva, as maroscas do Silva, o destino do Silva.

A imprensa já condenou Sócrates, resta à populaça acreditar piamente no que a pia escreve ou diz. Já são demasiadas suspeitas, demasiados indícios, para que alguém possa ainda presumir a inocência de Sócrates, só a meia dúzia de tolos que vai a Évora entoar cantigas à porta da prisão, só os socialistas empedernidos, só papalvos como eu que, nunca tendo sido socialistas, acham que a história está mal contada, que o processo chegou na hora certa para as hostes do PSD/CDS, que há outros que lá deveriam estar, em Évora, Alcoentre ou noutra choça qualquer, e não estão, que o estado a que o Estado chegou nos leva a desconfiar de ministros, magistrados, directores gerais, assessores, procuradores, conselheiros, presidentes disto e daquilo, amanuenses engajados e lambe-botas encartados, boys, bloggers que saltam para o governo, governantes que saltam para empresas, advogados que saltam dos negócios para o parlamento e do parlamento para os negócios, inquilinos que sentam os nutridos traseiros em São Bento, Belém e outros palácios e palacetes pagos por nós com suor, tantas vezes lágrimas, muitas vezes sangue.

Sei que o meu ponto de vista é pouco popular. Que da direita à esquerda quase todos querem ver Sócrates encarcerado para toda a vida, a chave perdida para sempre. Eu sei. Mas continuo a remar contra a maré. Contra tudo e contra quase todos. Repito: a história está, toda ela, mal contada. Os sacos de dinheiro, as contas bancárias, a vida faustosa, o livro que nunca escreveu, os empréstimos que nunca pagou, o motorista, o amigo, a ex-mulher, a farmacêutica, as casas da mãe vendidas ao Silva, as casas que nunca foram do Silva, as ligações, as conotações, as ilações e deduções, mais a licenciatura, mais o Freeport, os zunzuns, o disse-que-disse, cheiram-me a literatura de cordel redigida por escribas assalariados do Correio da Manhã, do Sol e doutros pasquins e jornais ditos sérios, a mando sabe-se lá de que mastins, em jeito de fado alexandrino, num tom menor, numa espécie de desgarrada de rufias ou largada de toiros furibundos.

Disse. Agora, podem vituperar. À vontade.

26/05/15

vende-se ao pior preço, só a amigos








o novo diário de marilú


Marilú. Li algures e gostei do novo nome para a senhora dona das Finanças, do Fisco, do fiasco do ajustamento, das contas em dia, do rigor, da transparência, porque o tempo da impunidade acabou, começaram os blowjobs for the boys.

Há quem almeje ver Marilú no lugar de Pedro assim que Pedro levar uma corrida em osso por indecente e má figura. Ninguém notará, só eu, que a senhora não tem jeito nenhum para isto? Fala do púlpito como se estivesse no remanso de seu lar em conversas em família. Diz o que ninguém quer ouvir em tempos de campanha eleitoral precoce. Que aumenta isto. Que reduz aquilo. Que se vai às pensões como gata ao bofe. Que esta porra ainda não acabou, o suplício é de tântalo, é de todos, é dos velhos, é dos pobres, é dos remediados, que remédio, porque os ricos, se fossem relógio, nem horas davam.

Marilú não tem garras nem unhas para tocar esta guitarra, o mais que sabe é espetar-nos a cimitarra, espicaçar-nos os cães de caça à multa, acenar-nos com amanhãs que, se cantam, é o fado da desgraçadinha, do enjeitado, do encornado pelos senhores dos Passos, pelos bentinhos de Portas abertas, betinhos da Lapa, bonecos do Caldas com as poucas-vergonhas ao deus-dará, egoísmo, mentira, traição, aberração de seres fornidos de teres e haveres.

Marilú. Nome altissonante para a estrela cadente, candente, decadente da política lusitana dos novos lusitos, infantes, cadetes cadentes, candentes, decadentes. Marilú. A nova estrela num firmamento cada vez mais laranja, mais negro, mais cego à razão. Um crepúsculo de pequenos deuses, ridículos títeres, miseráveis tiranetes.

Marilú tem cu. Quem tem cu tem medo. Que vá, com Coelho, para o cu de Judas. Para a casa do diabo mais velho, o velho da cadeira partida, da vozinha de prior cansado, das botinhas cambadas, tudo muito inho, pequenininho, pobrezinho, honradinho, como deve ser, como deus manda, como Marilú quer. 

Um povo é gado, melhor se for manso. Besta de carga na canga da vida.

Ofereçam um chicote a Marilú. E preparem o cu. Ou, então, votem como deve ser. 

25/05/15

outra aldrabice

Por Baptista-Bastos
http://www.cmjornal.xl.pt/

Pedro Passos Coelho, com aquela desenvoltura oral que fez dele mulo de António Guterres, foi a uma daquelas reuniões em que diariamente se desmultiplica e nos aborrece, para dizer o seguinte: Portugal pertence ao grupo dos três ou quatro países mais ricos e prósperos. Não ficámos a saber se da Europa ou do mundo; mas, para o caso, tanto faz. Induz-se que esta coroa de glória é devida às políticas salvadoras e benfazejas que ele e o seu grupo impuseram ao País. Solícita e mui zelosa, a SIC, que noticia todas as ninharias que a agenda governamental programa, lá projectou o facto carunchoso. Não houve um dos comentadores do óbvio, habituais naquela estação, que elucidasse os telespectadores da monstruosa leviandade, para lhe não chamar o nome adequado: sórdida mentira. A aldrabice tornou-se lugar-comum na vida política portuguesa; porém, tanto quanto a minha malvada curiosidade se recorda, nunca tinha assistido a este rebotalho moral. A pátria está de cangalhas, subordinada às ordens da Alemanha, vencedora, pela imposição económico-financeira, do que nunca obteve pelas armas. A asfixia dos povos mais débeis, através de uma estrutura ideológica sabiamente articulada, só era possível com a criminosa cumplicidade de governos desprovidos de espinha dorsal. No caso, Pedro Passos Coelho é um desses. Mas não é só este homem o responsável pela miséria portuguesa. Ele é o resultado, não a causa de uma doutrina experimentada há anos, no Chile, pelos Chicago Boys, de Milton Friedman, e que somou a violência ao empobrecimento dos chilenos, mascarados de paz e prosperidade, e sob o slogan capitalismo e liberdade. Estamos lembrados do apoio da senhora Thatcher, que recolheu o tirano e o protegeu, assim como de Ronald Reagan, e do inevitável dr. Cavaco. Estas coisas têm uma relação umas com as outras, e os rostos do "sistema" são inúmeros e vários. Estamos numa dessas etapas do capitalismo de que falava Marx, e creio que já só perturba os ignorantes e os ociosos nomear o judeu alemão, que ajudou muita gente a perceber e a analisar o mundo. Passos Coelho não é mais do que um péssimo aprendiz de feiticeiro, atarantado com a abertura da caixa de Pandora, de que é o responsável, e serve-se da mentira mais velhaca para tentar sobreviver.

galardões, galhardetes, galhardos aumentos

O governo vai autorizar 6.000 promoções nas Forças Armadas. Decididas em 2011 por este mesmo governo só agora, por mero acaso, uma coincidência, estas promoções são concedidas a poucos meses das eleições. A farra já começou. Preparem os sais de frutos. 

um amor de criatura







Rebelo de Sousa defende uma campanha de afectos por parte do PSD. Parece que já os estou a ver, Coelho a beijar velhinhas a quem roubou nas pensões, Luís Albuquerque em alegre cavaqueira com espoliados do BES e do Fisco, Crato rodeado de fedelhos a quem comprometeu estudos e futuro, Paulo Macedo a confraternizar com doentes e familiares de doentes entretanto mortos, Montenegro a rebolar-se nas marchas de Lisboa, Marco António a recitar Shakespeare, Pedro Pinto a oferecer copos de três de tasca em tasca, Esteves de sorriso inconseguido num rito frustracional em perspectiva aristotélica, Leal Coelho a oferecer aventais de plástico, sacos de plástico, pentes de plástico, manguitos de plástico, todos, todos com a sigla do PSD, Machete a distribuir salvo-condutos de emigrante para jovens desesperados. Vamos ter meiguices, mimalhices, pieguices, fosquices, mariquices até às eleições. Vai ser uma festa, na testa, nos costados, no alto do cocuruto. Escolha o seu candidato impoluto, mande-lhe um poema, uma missiva de amor, um coração de papel, um boião de marmelada e mel. Ou merda. Vá na cantiga, em cantos de vígaros, em contos de vigários. Vai ser correspondido. Vai ver como elas lhe mordem. Vai receber promessas, garantias, juras. Duas. Três. Muitas. Quantas mais melhor. Não. Os impostos não são para subir. Não. Os salários não são para descer. Não. Os feriados não são para cortar. Não. Os funcionários públicos não são para despedir. Não. Os subsídios de férias, de Natal, de desemprego, de inserção, de doença, de maternidade não são para abolir ou reduzir. Não, não e não. Com voz de barítono, de tenor, de contralto, de soprano, de falsete, chamar-lhe-ão companheiro, compincha, mano, tudo muito mano a mano, tu cá tu lá, todos eles porreiraços, amigalhaços, espertalhaços, palhaços de um circo de urnas e de mortos. Urnas de votos dos devotos. Urnas dos mortos. De fome, de mágoa, de pobreza. De indignação, de ódio, de tristeza. Mas serão sempre os votos dos devotos que contarão. E eles são tantos. E eles são tansos. Tão mansos. Acolhendo chochos, ilusões, mentiras. Dormindo com o inimigo. E mais não digo.

24/05/15

nas mãos do pequeno deus

Ele também deve amar os seus. Estaline, que foi Estaline, amou os seus. E Hitler. E Mussolini. Ou Trujillo. Ou Idi Amin. Só Salazar não amou os seus porque não teve seus para amar, não contam as amantes de ocasião, menos ainda o onanismo como paixão.

Sim. Ele ama os seus. Duvido porém que ame o seu país ou conterrâneos. A sua pátria é onde está o poder. O seu lar é no tecto do mundo, ao lado dos poderosos, dos senhores do dinheiro, dos donos de vidas e decisores da morte. Duvido que ele nos tenha mais do que desprezo, indiferença nos dias bons. Somos formiguinhas pouco dadas ao trabalho, nada empreendedoras, matreiras, piegas. Somos as formiguinhas que, em ganapo, se entretinha a esmagar com os longos dedos de menino-prodígio. Não lhes ouvia a dor, não lhes sentia o pavor. Tal como agora. Longe da vida, longe do coração.