outra aldrabice

Por Baptista-Bastos
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Pedro Passos Coelho, com aquela desenvoltura oral que fez dele mulo de António Guterres, foi a uma daquelas reuniões em que diariamente se desmultiplica e nos aborrece, para dizer o seguinte: Portugal pertence ao grupo dos três ou quatro países mais ricos e prósperos. Não ficámos a saber se da Europa ou do mundo; mas, para o caso, tanto faz. Induz-se que esta coroa de glória é devida às políticas salvadoras e benfazejas que ele e o seu grupo impuseram ao País. Solícita e mui zelosa, a SIC, que noticia todas as ninharias que a agenda governamental programa, lá projectou o facto carunchoso. Não houve um dos comentadores do óbvio, habituais naquela estação, que elucidasse os telespectadores da monstruosa leviandade, para lhe não chamar o nome adequado: sórdida mentira. A aldrabice tornou-se lugar-comum na vida política portuguesa; porém, tanto quanto a minha malvada curiosidade se recorda, nunca tinha assistido a este rebotalho moral. A pátria está de cangalhas, subordinada às ordens da Alemanha, vencedora, pela imposição económico-financeira, do que nunca obteve pelas armas. A asfixia dos povos mais débeis, através de uma estrutura ideológica sabiamente articulada, só era possível com a criminosa cumplicidade de governos desprovidos de espinha dorsal. No caso, Pedro Passos Coelho é um desses. Mas não é só este homem o responsável pela miséria portuguesa. Ele é o resultado, não a causa de uma doutrina experimentada há anos, no Chile, pelos Chicago Boys, de Milton Friedman, e que somou a violência ao empobrecimento dos chilenos, mascarados de paz e prosperidade, e sob o slogan capitalismo e liberdade. Estamos lembrados do apoio da senhora Thatcher, que recolheu o tirano e o protegeu, assim como de Ronald Reagan, e do inevitável dr. Cavaco. Estas coisas têm uma relação umas com as outras, e os rostos do "sistema" são inúmeros e vários. Estamos numa dessas etapas do capitalismo de que falava Marx, e creio que já só perturba os ignorantes e os ociosos nomear o judeu alemão, que ajudou muita gente a perceber e a analisar o mundo. Passos Coelho não é mais do que um péssimo aprendiz de feiticeiro, atarantado com a abertura da caixa de Pandora, de que é o responsável, e serve-se da mentira mais velhaca para tentar sobreviver.

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