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A mostrar mensagens de Junho 22, 2014

encontro de irmãos

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Qual soba ajoelhado perante o amo colonizador, o nosso venerando presidente acolheu por cá o da Alemanha. Entre salamaleques, vénias e genuflexões - esquecendo-se, talvez, que quem ajoelha tem sempre que rezar -, lá foi lambendo as botas do compatriota de Merkel, lá foi dizendo, entre outras pepitas de ouro velho, que Portugal aprendeu a lição dos últimos anos, ou seja, que a menina-dos-cinco-olhos com que a Alemanha, entre outros, nos tem flagelado, tem produzido resultados, feridos no nosso orgulho, e na nossa bolsa, não voltaremos, nunca mais!, a viver acima das nossas possibilidades. Também ficámos a saber que, sempre que o sistema financeiro colapsar, lá estaremos na linha da frente, com os nossos ordenados, as nossas pensões, os nossos impostos, prontos a compensar as barracadas dos banqueiros e dos seus sucedâneos bolsistas. Também aprendemos que devemos ter cuidado com a cruz que fazemos nos nossos boletins de voto, de vez em quando temos uma reacção vagal que coloca, no pole…

quando não havia televisão, nem computador, nem tablets, nem playstation, nem telemóvel

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Não sou apologista dos tempos idos. A pobreza não é alegria, os pobretes não são alegretes. Não ter brinquedos, uma prenda pelo Natal, no aniversário, não dão gozo a nenhum ganapo que se preze de o ser. Mas preocupam-me os pais que, nos dias de hoje, trabalham como burros de carga para comprar aos seus rebentos o último jogo electrónico, o último berro da tecnologia, com que os petizes queimam neurónios horas a fio, sem contacto com a Natureza ou sequer com a realidade. Serão mais espertos do que nós, os miúdos de antigamente? Talvez, aquelas maquinetas até serão capazes de lhes desenvolver capacidades que, na nossa meninice, não tivemos possibilidade de exercitar. Mas não os torna mais humanos.
Não sou partidário dos mentirosos que nos dizem que andámos a gastar mais do que ganhámos. Em Portugal sempre se ganhou mal. Ninguém deve viver por viver, para garantir tão-só a sua subsistência, quantas vezes nem isso. Mas o consumo excessivo, a mania das marcas, o apelo pelos gadgets, a atr…

a urgência da justiça

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Por José Vítor Malheiros http://www.publico.pt/
Há cerca de um ano, no final de um debate organizado pela rede Economia com Futuro sobre a situação do país, que reuniu duas ou três dezenas de economistas nas instalações do ISEG, em Lisboa, Manuela Silva começou a ler as conclusões da reunião. A dado momento, quando enumerava uma série de objectivos que tinham emanado das intervenções e das discussões, lê "Redução da pobreza" e estaca na leitura. Franze o sobrolho, olha o papel que tem na mão com surpresa e diz "Isto aqui está mal. É preciso corrigir isto. Nós não queremos reduzir a pobreza. Nós queremos ERRADICAR a pobreza."
Foi um momento passageiro, de apenas uns segundos, nem sequer um incidente, uma mera errata sem história numa lista de conclusões que talvez até tenha passado despercebida a alguns dos presentes, mas penso que este episódio ficará gravado na minha memória para sempre, pois ele representa o exemplo da exigência ética e da generosidade com que M…

a derrocada europeia

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Espanha já foi. Inglaterra também. Grécia e Itália estão periclitantes. Portugal está a um passo da viagem de volta. De tudo isto, lá mais para a frente, sobrará a Alemanha, sempre a Alemanha, a revigorada Alemanha, a rica Alemanha do Quarto Reich.
Que ganhe o Brasil, o México, a Argentina, a Costa Rica, a Nigéria. Não quero ver mais Merkel aos pulinhos de alegria.

dissecação

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E este desenho, já é aceitável? Não é a bandeira que lá está, será um português, desempregado, desesperado, depenado? E os abutres e os lobos e as hienas, quem são? Os carnívoros, que se sustentam da nossa carne? Os mamíferos, que se alimentam na teta do Estado? Os aldrabões, os vilões, os poltrões? Os sacanas e as suas manas? Os sujos e os sabujos? Talvez larápios, corruptos, sanguessugas, chupistas, egoístas, oportunistas, salafrários, milionários, tolos e parolos. Porque pobreza haverá sempre. Porque o dinheiro é de quem o amealha. Porque a terra não é de quem a trabalha. Porque há os empreendedores e os resignados. Os gestores e os empregados. Os matreiros e os calaceiros. Os chicos-espertos e os tansos. Os aguerridos e os mansos. Os filhos de boas famílias e as famílias sem bons filhos. Os filhos da puta e os filhos que não dão luta. Os fura-vidas e as vidas furadas. A fina-flor e o restolho. A nata e o entulho. O bagulho e o esbulho. Os que vivem acima das suas possibilidades e…