14/03/15

os madraços são os que trabalham mais?

Os portugueses são calaceiros. Os portugueses têm demasiadas férias e feriados. Tal como os gregos e não é por acaso que os seus países estão como estão. É o que se diz por aí, esquecendo a má preparação dos gestores, as culpas dos patrões mais versados em esmifrar lucros para os seus Mercedes do que em optimizar os recursos das suas empresas, em privilegiar a formação do seu pessoal e, já agora, em pagar-lhe para além do salário mínimo. Gente que ganha mal não pode trabalhar com alegria.

Vem o aranzel a propósito deste quadro do insuspeito The Independent. É na Grécia, e logo a seguir em Portugal, que se trabalham mais horas (tendo, como uma das consequências, o aumento do desemprego). É na Alemanha e na Holanda que se trabalha menos. E isto em 2013, antes das alterações às leis laborais determinadas com a cumplicidade de um tal João Proença.

Parcelas do povo existem, habituadas à secular canga, que acreditam nas patacoadas dos gabinetes de agitação e propaganda, vulgo de comunicação, da direita que não se endireita, nasceu torta e, se é que há Justiça e Deus, torta há-de morrer. Povo que acredita que a culpa pelo estado do País é (só) do Sócrates. Que andámos a viver à tripa-forra. Que Passos, coitado, nunca quis castigar os portugueses mas não teve outro remédio, a troika, Merkel, Draghi, Barroso, os mercados, a credibilidade externa, o perigo da bancarrota a isso o obrigaram.

Justiça e Deus: existem? Tenho as minhas dúvidas.

alto contraste


o mundo que césar chora e o outro que deplora


Ainda o deboche do César. A Fernanda Câncio, em mais um excelente artigo no DN, jornal onde o abominável Neves também debita a sua conservadoríssima diarreia escrita, veio lembrar-me alguns aspectos que deixei escapar há dias quando me referi, pela primeira vez, à debochada última prosa do arauto da santa madre Igreja, não a do Papa Francisco mas, ah que saudades!, a do Torquemada e dos autos-de-fé a São Domingos e para os lados do Paço Real, à beirinha do Tejo.

César, a iluminada luminária, vem condenar a Sodoma e Gomorra em que o mundo se transformou, em que tantos de nós sacrificamos a pureza dos corpos, a virgindade da genitália, no "altar do deboche". A inspirada expressão é dele, não minha, a César o que é de César.

Fernanda Câncio veio lembrar-me os tempos em que a pedofilia não só era tolerada como considerada normal; os tempos em que o marido sustentava duas casas, a legítima e a da amante, facto natural e até um ponto de honra porque ostentava a virilidade do macho e, como toda a gente sabe, homem que é homem tem as suas necessidades; os tempos em que milhares de recém-nascidos eram abandonados na roda dos enjeitados ou, pior, entregues às tecedeiras de anjos; os tempos, não tão longínquos quanto isso, em que o aborto era proibido, em que as mulheres se entregavam nas mãos de carniceiros para o lancinante desmancho ou, então, deixavam vir as crianças ao mundo, cinco, oito, doze, grandes tempos esses em que não havia Segurança Social nem o terror da sua insustentabilidade, em que os pais, miseráveis e pouco calhados para a educação dos filhos, criavam um rancho deles porque onde comem três comem seis, porque tudo se cria, porque assim Deus quis.

É este o mundo perdido do desbocado César, o senhor das Neves, o abominável escriba da santa inquisição dos nossos dias.

Que seja ao menos beato, mas a canonização não lhe será demais.

Se quiser ler o artigo da Fernanda Câncio:
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=4450798&seccao=Fernanda+C%E2ncio&tag=Opini%E3o+-+Em+Foco&page=-1

13/03/15

o abespinhado e os esqueletos do seu armário

Foi este mesmo Telmo que, ontem, entrou em desaguisado com um elemento do PCP por causa da exclusividade dos deputados discutida na Assembleia da República, proposta de lei reprovada pelo PSD e pelo CDS.

Telmo Correia é advogado de profissão. 

última hora: o PCP passou à clandestinidade

Nesta pantalha do Correio da Manhã, o PCP desaparece das sondagens. Deve ter passado à clandestinidade para gáudio daqueles que, coitados, levaram quarenta anos para erguer a cabeça e levantar a grimpa. Mas conseguiram!



a direita "apechungada" e a esquerda-caviar

http://www.parismatch.com/
Qualquer argumento, por mais emporcalhado que seja, serve para atacar e desacreditar o governo grego. Desta vez, é Varoufakis quem está na berlinda. Deixou-se fotografar pela Paris Match em sua casa, ao lado da mulher. O coro dos moralistas de pacotilha elevou a voz, esganiçadamente mas em uníssono, para apontar o "luxo" em que Varoufakis vive num país onde a miséria grassa.

Varoufakis foi professor em universidades do Reino Unido, da Austrália, dos Estados Unidos e, pelo menos que eu saiba, esses países, ao contrário de Portugal, consideram essa uma profissão de responsabilidade e crucial na formação das gerações futuras, como tal paga em conformidade.

Confesso-me farto da falsa questão da esquerda-caviar, como se a gente de esquerda tivesse que ser toda pobre ou, quanto muito, remediada (embora o ideal, claro está, era nem sequer existir gente de esquerda a conspurcar o mundo).

Para mim, pessoas como Varoufakis são dignas de mais respeito ainda. Porque, apesar de viverem com conforto, não esquecem os que passam mal e por estes travam um combate sincero. Dão o corpo ao manifesto, coisa que a direita não faz, nunca fez, a não ser por intermédio dos seus subservientes servos que, nas guerras e nas guerrilhas, lutam por eles em liças quase sempre injustas.

O ministro fez bem em dar esta entrevista à Paris Match? Talvez não. Talvez tenha sido imprudente. Mas subiu uns pontos mais na minha consideração.

pés de porco, bocas de sendeiro

Faça ou não o Coelho porcaria, nem que Portugal se transforme numa pocilga, nem que nos ponham uma gamela à frente e nos tratem como javardos, o ministro Poiares Maduro acha, como Cavaco também já tinha achado, que a oposição cria casos. que todo este ruído à volta das tropelias de Passos é prejudicial ao País e que, isto não disse mas pensa com certeza, devíamos estar quietos e calados, como cadáveres de suínos pendurados num talho.

Esta fala de Maduro é uma mera suposição. O grunhir dos porcos ao fundo, e dos grunhos à sua volta, deve ter tornado a sua alocução imperceptível. Ele deve ser, tem currículo para isso, um homem inteligente.

Rui Gaudêncio/http://www.publico.pt/



12/03/15

o único deputado da maioria que diz a verdade aos portugueses

Nunca, como hoje, fazem sentido estas singelas palavras de Nuno Magalhães. A ver, a rever.

olhó pacote, trás o pacote!


é isto

Já não posso ver nem ouvir esta gente que passa pelos noticiários a arrotar postas de pescada do alto. As mentiras, a demagogia, a distorção da realidade levam-me à náusea, ao nojo absoluto. E agora aproximam-se as eleições. E agora volta à carga, com mais força, a acusação de que o PS, e não a crise financeira mundial, e não Merkel, e não a ganância dos mercados, e não a inépcia do FMI, e não a pusilanimidade de Barroso, nos conduziu à quase bancarrota.

Esta fotografia cai-me que nem sopa no mel. É isto que grito, por dentro, nos dias maus. E são tantos.


que ferro, rodrigues!

As oposições são meigas com Passos Coelho, Catarina Martins é talvez a única excepção: com veemência, e a estridência que a faz perder alguns pontos, invectiva o primeiro com garra e razão. Então Ferro, o líder da bancada socialista, pareceu ontem estar em amena cavaqueira com Coelho, tive quase a ilusão de vê-los, caturras e compinchas, de uísque velho na mão, a lareira acesa, os sorrisos abertos, o calor humano a pairar no salão dos nobres, a charla a correr ligeira sobre o estado da Nação cada qual brandindo, com brandura, as suas crenças, teimosias, paixões, convicções. É por estas e por outras que cada vez menos acredito que o PS seja a solução, mas antes o prolongar da agonia em que, soterrados, sufocamos.

Mas adiante. Passos ganhou, acaba sempre por ganhar, deve ter nascido com o rabo virado para o satélite dos românticos, porventura para soltar um flato com o estrépito dos bem aventurados de intestinos pois não me consta, nem a mim nem a ninguém, que a criatura seja dada a devaneios poéticos ou a quaisquer outras mariquices de vate pindérico. Na realidade, triste realidade a nossa, o assunto das dívidas ao Fisco e à Segurança Social, apesar de permanecer demasiado nebuloso, vai ficar esquecido. Tal como já ninguém fala do caso Tecnoforma onde tudo, absolutamente tudo, ficou por esclarecer.

E assim se vai indo, à boa maneira dos portugueses sofredores. Com gente desta a guiar-nos os passos, a abrir-nos portas, a levar-nos ao monte negro da pobreza, do desemprego, da desesperança. Que ferro!

vem?



Por Raquel Varela
https://raquelcardeiravarela.wordpress.com

Por absoluta falta de tempo explicarei este facto de forma sucinta, que já mereceu de nós vastos trabalhos, sustentados, e merecia um artigo, mas estou esmagada por trabalho, perdoem-me a nota pessoal. Hoje o Governo anunciou – e o facto foi noticiado sem contraditório ou explicação na Antena 1 e nos jornais que li – que vai dar incentivos aos emigrantes para retornarem ao país porque há um défice demográfico. Que tipo de incentivos? Estágios, pagos pela segurança social e o fundo social europeu, fundo pago por todos nós na Europa, quem trabalha. O que isto significa? Significa que o Governo expulsa as pessoas do país, fazendo o défice demográfico, e depois fá-las retornar com salários pagos pelos fundos sociais, descapitalizando a segurança social e rebaixando os salários de todo o país. Exemplo: expulsa-se um informático para a imigração porque se corta nos empregos numa escola por exemplo, o tipo ganhava 900 euros, depois convida-se esse informático a retornar ao país pagando 70% do salário a uma empresa privada que passa a ter um custo de 200 euros com esse trabalhador e não mais. O que significa que todos os outros que estão no mercado de trabalho passam a valer para as empresas privadas os tais 200 euros.

Entretanto esse informático foi para o norte da Europa onde tirou o trabalho a alguém que ganhava 1800 euros, como aumenta a oferta aumenta o desemprego, até que o informático do norte da Europa aceita trabalhar por 900 euros e expulsa o português que regressa para ganhar 200 da empresa e 400 ou 500 da segurança social. Assim faz-se de Berlim e Lisboa uma China, só que em vez de uma ditadura burocrática a gestão está a cargo de assistencialismo social, os rendimentos mínimos e as cantinas sociais. Esta é a União Europeia, uma gigante praça de jorna, onde naturalmente e infelizmente cresce a xenofobia pela competição salarial e os sindicatos estão estupefactos, para usar uma palavra doce, sem nada fazer. À custa de muito esforço chega-se do nada à extrema miséria, diria o velho Groucho Marx, irmão bem humorado de Karl Marx.

uma fraude, e desta vez não foi um beneficiário do RSI, pois não?

Por Francisco Louçã
http://www.leituras.eu*

Uma fraude? Mais uma. Em 2013 foi a descoberta da rede de lavagem de dinheiro em alguns offshores, o que não constituiria propriamente uma surpresa, em finais de 2014 foi oLuxleaks, revelando como o principado negociava com multinacionais o seu esquema da evasão fiscal, agora é a vez da Suíça, o maior de todos os paraísos fiscais no mundo.

A Suíça, mas só uma pequena parte: a informação que está a ser investigada abrange unicamente o ramo de Genebra do HSBC, banco inglês, o segundo maior grupo bancário do mundo, mas deixa de fora quase todo o sistema bancário que está baseado na Suíça.

Entretanto, o Le Monde obteve a lista das ligações francesas do HSBC: lá estão profissionais liberais que fogem ao fisco, o rei Maomé VI de Marrocos, desportistas, modelos, negociantes de diamantes, pessoas suspeitas de serem traficantes de armas ou parte da Al Qaeda. No total das várias listas, o montante chega a 180 mil milhões de euros.

Não há aqui motivo para surpresa. Em Portugal, a “operação Monte Branco”, como antes a “operação Furacão”, como antes o caso do BCP ou o caso do BPP, como agora o caso do BES, todos demonstram a importância dos paraísos fiscais nos circuitos de branqueamento de capitais, de fuga ao fisco ou de acumulação de fortunas. Um livro recente, “A Riqueza Oculta das Nações”, de Gabriel Zucman (Lisboa, Temas e Debates), calcula em 30 mil milhões o dinheiro depositado por cidadãos portugueses na Suíça (imagine quantos défices seriam pagos por estes impostos em falta). Só é preciso ter o poder e os contactos suficientes para lá chegar.

Segundo os jornais, esta lista inclui cerca de 200 portugueses, mas muito mais pessoas com residência em Portugal. É certo que ainda nenhum jornalista conseguiu verificar a lista e os nomes que têm sido citados merecem confirmação. A discrepância entre o número de residentes e de nacionais também exige esclarecimento. Mas uma coisa é certa: é assim mesmo que funcionam os paraísos fiscais.

Não é preciso mais uma fraude para se concluir que o sistema financeiro é, ele próprio, o gerador da fraude. Pois não?

* originalmente publicado no jonal Público.

o pacote do porreiro

São jovens, não pensam. Em vez de andarem por cá a responder aos poucos anúncios que existem ou a bater de porta em porta a mendigar um emprego de 500 euros, bateram com a porta e partiram, foram fazer pela vida, ganhar o pão que, por aqui, são Passos e o diabo quem amassa. Isto não se faz, é traição à ditosa Pátria que tão renegados filhos tem, é ingratidão, é falta de amor pelos seus. Mas o governo, ah este governo sempre generoso e bom!, tem um pacote de medidas de apoio ao regresso de emigrantes. Os jovens, se voltarem, poderão ter a certeza de levar, no pacote, umas promessas eleitorais e pouco mais. Porque, Cavaco assim o disse e quem sou eu para contradizê-lo, já cheira a eleições. Os que partiram, e foram milhares os escorraçados do País, regressarão felizes ao desemprego, à casa dos pais, à desesperança, ao futuro aporrinhado.

Voltem. Passos nunca os mandou emigrar. E, porreirinho como é, perdoa-lhes.

11/03/15

para a minha galeria de heróis

José Mujica, até há pouco presidente do Uruguai.

ciganos em nova iorque

Pierre Gonnord é francês, vive em Madrid, e foi no Alentejo que tirou estas fotografias agora em exposição numa galeria de Nova Iorque. Um trabalho admirável.














Site do autor: http://www.pierregonnord.com/

a césar os deboches do césar


Ai senhores que até me ia dando uma coisinha má, o abominável César das Neves voltou a dar sinais de (má) vida. E para botar faladura, apanágio da cavalgadura, sobre a sacralidade da família, a aberrante emancipação feminina, o grande bacanal de que é feita a vida moderna. 

Sabia que, no entender do abominável Neves, as mulheres que prezam a sua independência se masculinizam? Sabia que a liberdade sexual das últimas décadas mais não fez do que levar-nos a todos ao "altar do deboche"? Sabia que as "ameaças ecológicas" não só são exageradas como estão já resolvidas? E que dizer daqueles homens e mulheres dos tempos negros que ora correm, essa gente que apenas procura o sucesso na carreira profissional e que só pensa no seu próprio prazer (carnal, depreendo eu), desprezando a possibilidade de um casamento feliz e dando origem a casais amigados e a outros costumes pavorosos de tão indecentes? O erro fatal do ser humano, remata César, é ter colocado o seu destino fora de casa, seja lá o que isso queira dizer mas deduzo que, segundo Neves, o lugar da mulher é a cozer feijão, a coser meias e a procriar de luz apagada e, de preferência, vestida.

O abominável dá a entender, chavão tão usado pelos césares da opinião mundana da rádio, televisão e cassete pirata, que a falta de fecundidade faz com que o Estado Social tenha que ser repensado. Mas Neves é optimista: segundo ele, os políticos e economistas já estão a resolver a questão.

O que César quer sei eu, acabar com essa coisa horrível de acudir aos doentes e proteger os pobres a não ser através da caridade, das sopinhas do Sidónio, dos albergues da mendicidade. Era esse o ponto a que César queria chegar, não se conseguiu foi explicar. Acontece aos piores.

litania da nossa senhora do mártir da pátria


Querem-lhe crucificar o menino, que blasfémia, o seu menino dos milagres, o da multiplicação dos pobres, o da globalização dos emigrantes, o da ressurreição da velha senhora e dos seus achaques fascistóides, o seu menino que é tão belo, que é tão bom, vai dizer olá à graça, à graça que a desgraça tem, é um coração de manteiga, manteigueiro, justiceiro, fez pagar os justos pelos pecadores, aos ricos o que é dos ricos, fora do Estado o que não é do Estado, para pouca saúde mais vale nenhuma, o seu menino é gente de palavra, se tantas promessas fez foi para alegrar o povo desavindo com Sócrates, o Barrabás, o Belzebu chifrudo, salvem-lhe o menino, o seu menino, coloquem-no num altar, exibam-no numa peanha, num esconso perdido lá para as bandas do Sol posto, preguem-no à parede como o retrato de Salazar em escola antiga, o seu menino é d'oiro, é d'oiro fino, não façam caso, é pequenino, não façam caso, é pequenino, de pequenino se torce o pepino, ao menino e ao borracho põe Merkel a mão por baixo, político pequenino ou é tenor ou dançarino .

Menos de streap-tease das suas contas privadas. 

10/03/15

ladrão que dá a ladrão tem 100 anos de maldição

A notícia vem no Correio da Manhã, logo carece de confirmação: em 5 meses, terão sido pagos 13 milhões de euros em aposentações ao bando de Salgado.

A ser verdade, e apesar de nunca ter sido cliente do BES, vou aliar-me aos despojados do Banco em todas as manifestações contra o roubo de que estão a ser alvo.


vitorino à vitória?

Além de advogado de negócios, António Vitorino exerce cargos em 12 empresas. É um homem atarefado. Para quê maçá-lo com a candidatura a Belém, ainda por cima com um salário que não lhe vai dar para as despesas?

Compreendo Vitorino, que não queira ser levado à vitória. Compreendo e agradeço.


obituário

O Peterson tinha 14 anos. Foi assassinado pelos colegas da escola que frequentava, em São Paulo. Por ser filho de um casal gay.

tem 7 mil euros que possa dar a um necessitado?

Coelho é um homem à rasca. Falta-lhe o carcanhol para acudir às necessidades mais básicas da família, quanto mais para sustentar, com o seu magro salário, as pensões de cada um. No entanto, a Segurança Social não perdoa. Se o homem não pagar a sua dívida, penhoram-lhe a casa, o carro, o caniche de estimação e - ó maldição, maldição! - a manteigueira da mais fina porcelana alemã que lhe foi ofertada, num arroubo de ternura, pela sua Angelita. 

Coelho é um homem à rasca mas não custa nada ampará-lo: vá lá, não seja vingativo nem ressabiado, esses são atributos que só lhe ficam bem a ele, e apreste-se a acorrer em seu auxílio. Esta fotocópia de uma notificação da SS que circula na net, a ser verdadeira, contém os dados para pagamento da dívida de Coelho. Corra já ao Multibanco mais perto e liquide não o Coelho, cruz credo!, mas o calote. 

O que a gente não faz por amor ao próximo!

trapos são os velhos


No ano passado, os tribunais penhoraram as reformas, já de si magras, de mais de 180 mil idosos. Os mais velhos tratados como malfeitores, trapos de limpar a badalhoquice feita por banqueiros, políticos e políticos-banqueiros. O fisco, os tribunais, a Segurança Social transformaram-se, nestes anos de breu, em fábricas de terror, máquinas de produzir miséria, geradores de inquietude e desespero, cadeiras eléctricas onde se sentam, para execução e sem hipótese de recurso, tantos portugueses todos os dias, supliciados por dívidas que tantas vezes não contraíram, coimas elevadas ao absurdo, numa onda de imoralidade, desfaçatez e ganância nunca antes vista ou sentida num país que já teve Abril. Vergonha e tragédia sob o céu e o Sol de Portugal enquanto os açougeiros e os algozes continuam na mó de cima e ao cimo nas sondagens. 

Pobre povo, nação indigente, mortal. 

09/03/15

aqui d'el-rei que nos querem prolongar o martírio


Cavaco, desta vez, escreveu. Para ditar o perfil do sucessor na qualidade de ocupante do casarão cor de rosa, com cama, mesa e roupa lavada, serventia de cozinha e de estábulos para quem goste de cavalgar em toda a sela e montar em todo um povo.

Se é uma questão de sucessão dinástica, tenho uma ideia melhor do que a de sua excelência: que tal nomear desde já o filho varão, ou até o genro que, como toda a gente sabe, é bom gestor e de boas contas, segundo dizem as más línguas mas eu cá não sei e não vi, à Justiça o que é da Justiça é a palavra de ordem que me ocorre e que corre por aí proferida por almas benfazejas até lhes serem apertados os próprios calcanhares e, então, vai disto que amanhã não há, sai uma directa para a cela do canto!

Depois da reinação cavaquista, seria reinar com o pagode termos um sucedâneo a suceder-lhe. Era mais do que um azar dos Távoras, era a azar de dez milhões de portugueses, subtraindo-se deste número aqueles que, contentinhos da Silva com o Silva que nos coube em sorte, gostariam que, mesmo fora de prazo, continuasse a marcar Passos, entre marchinhas na Avenida e marchas militares na parada da paródia em que se transformou Portugal.

08/03/15

o que rende é ser dono do continente


Damas e cavalheiros, meninas e meninos, acorram aos grandes saldos de operários, trabalhadores agrícolas, caixas de supermercado, empregados de escritório, professores, médicos, engenheiros e os outros bandalhos da valerosa Nação! 


"Sem mão de obra barata não há emprego", disse o Belmiro da Sonae e da venda das raparigas e demais populaça, defendendo com unhas e dentes, com presas e garras, "as economias baseadas na mão de obra barata". O Belmiro das promoções, liquidações, descontos, cartões, preços choque, preços sensação, preços de ocasião que é o que faz o ladrão, o Azevedo é amigo da escravatura, das chinesices, dos soldos em queda, da miséria bem comportada, e avesso às chatices dos sindicatos, das reivindicações, das manifestações de uma dúzia de marmanjos enraivecidos, comunas enlouquecidos que não sabem nem sonham que é Belmiro que comanda a vida e a morte de cada um.

Bafejado com o pensamento profundo de um merceeiro em larga escala, Belmiro não se cala e vem queixar-se da "baixa produtividade" dos trabalhadores portugueses. Os empresários são bons, são expeditos, são espertos, são experts, os funcionários é que são maus, vejam lá, incapazes de um esforço maior ainda que o prato de sopa não melhore nem em qualidade nem quantidade, não mais do que uma aguadilha com fiapos de couve galega e banha de porco a boiar na gamela.

Mas Belmiro, um dos homens mais ricos do país, foi mais longe, veio protestar, com a veemência dos seres predestinados, contra as manifestações, esse "carnaval permanente". Além de pobrezinho, o povo, agradecido, devia era lamber as mãos do dono e deixar-se de arrufos, amuos e protestos que não levam a nada porque é Belmiro quem mais ordena dentro de ti ó cidade murada, campo de trabalhos forçados, prisão de andrajosos e de famintos. 

Trabalhem e calem-se, merda!

onde se fala, com apreensão, do juízo final, da descida aos infernos e da nata acanalhada da nação perdida


Digam-me que isto não é verdade!

A revista que fez a denúncia não me merece confiança, e não é por ser a VIP, podia ter sido o Correio da Manhã, o Sol, o "i" ou até o Diário de Notícias, o Público ou o Expresso, que não há jornal nem telejornal por que ponha as mãos no lume. 

No entanto, a ser verdade, o caso é grave: um penetra qualquer terá entrado num grupo do facebook restrito a gente da magistratura, não a de influência mas a outra, a que devia pautar a sua actuação, mesmo a privada, por sobriedade, contenção, imparcialidade, e lá vai disto que amanhã não há, o nosso penetra amigo despenetrou, salvo seja, e veio cá para fora divulgar as alarvidades que por lá se escrevem sobre Sócrates e sobre quem ousa cometer o acto terrível de, até prova em contrário, condenar o que há de suspeito - e de claramente errado - nesta palpitante novela de ódio, vingança, cobardia, mesquinhez e vontade de se manter no poleiro "custe o que custar".

A ser  tudo isto verdade, se tudo isto existe, se tudo isto é o nosso fado, nesse caso a piolheira, no dizer de D. Carlos, ou a coelheira, no meu fraco entender, já não tem salvação possível. Estamos fodidos e mal fadados, assim, sem tirar nem pôr uma letra que o tempo não é de meias medidas nem tintas. E, culpado ou não culpado, Sócrates não o estará menos, fodidinho da Silva, ou do Silva que para o caso tanto faz. A presunção de inocência, o respeito por um cidadão que está na cadeia e que ainda não foi julgado nem sequer acusado seja do que for, parecem ser questões de lana caprina para os borregos e barregãs da Justiça à portuguesa e os seus louvaminheiros seguidores.

Eis alguns excertos de edificante juízo ou da falta dele:

 

E, para rematar, o que se terá dito sobre Mário Soares quando foi visitar Sócrates, prosa de fazer inveja a alguns "temperamentais" escrevinhadores nas secções de comentários da imprensa online:


quanto mais circo, melhor!

Ninguém me tira da cabeça que a prisão de Sócrates foi o primeiro episódio, e o mais inebriante para os amantes de histórias de faca e alguidar, da precoce campanha eleitoral em curso. 

O segundo episódio é o da inépcia de Pedro Passos Coelho para justificar os seus lapsos de ser humano, nós que o achávamos super-homem isento de falhas, o grande educador da classe otária, impoluto como Cristo, o remediado de Massamá, tão moralizador como um taxista furibundo com a vida, os políticos e os peões, de brega e outros.

Em gloriosa ante-estreia, e numa espécie de pingue-pongue político-partidário, eis que começam a surgir nas redes sociais zunzuns pondo em causa a probidade de António Costa, a quem ainda hão-de lobrigar uma amante - talvez Massamá venha a calhar como cói da bandalheira -, uma conta na (pastelaria) suíça e um andar na Reboleira, a cidade jardim deste jardim à beira-mar afundado.

Que mais se seguirá? 

Que Marinho Pinto é gay e que a sua sanha contra a adopção por casais do mesmo sexo é mero disfarce ou fantasia?

Que Catarina Martins, além de actriz, é atroz?

Que Jerónimo de Sousa é um perigoso agente da Coreia do Norte em Portugal?

Venha daí, vamos ao circo ver os palhaços!