17/03/12

o artista


É um artista como poucos, hábil no disfarce, na mentira bem aplicada, na demagogia barata. Anda lá por fora a lutar pela vida. Como se, por cá, não tivesse responsabilidades no saque aos portugueses. Não todos, porque há portugueses de primeira e esses são como as senhoras, não se lhes bate nem com uma flor. Esqueceu os anos que calcorreou feiras e romarias a apregoar a defesa dos desvalidos. É um artista. Merece um Óscar. Ou o Nobel da Paz. Qualquer coisinha lhe serve para alimentar a vaidade, a luxúria, o gosto pelo luxo dos salões diplomáticos, dos corredores do poder, dos bordéis da política, por onde se pavoneia tão bem.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

misericórdia!

Santana Lopes pondera a candidatura à presidência da República. Era só o que nos faltava, depois do reinado desastroso de Cavaco Silva. Ele bem ameaçou de que ia andar por aí. Nunca mais nos larga.

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o mestre-escola

Com tanto empobrecimento, de espírito também, qualquer dia vê-lo-ei, ao Professor Doutor "Oliveira" Gaspar, de sebenta numa mão e de menina-dos-cinco-olhos na outra. Zurzindo os portugueses que ainda não estão a cumprir os deveres. De submissão. De obediência. De vil tristeza.

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malditos grevistas, dirão no CDS entre borrifos de água-benta

Autora: 
Gui Castro Felga

gente tão ordeira que até borges está impressionado

“É impressionante a forma como os salários estão a cair, tal e qual como se houvesse uma desvalorização da moeda”, acrescentou. Para António Borges “isto está a passar-se na economia com um extraordinário consenso e harmonia social” o que “é uma coisa inconcebível na Grécia e vamos ver se os espanhóis são capazes de fazer o mesmo que nós”. Para o ex-dirigente do FMI a redução dos salários está a acontecer com “consenso e harmonia social” porque os portugueses entendem que têm de apertar o cinto para assim recuperarem e tornarem a economia mais competitiva.’

Jornal de Negócios

16/03/12

george clooney preso em washington

Qual foi o crime? Estava a protestar em frente da embaixada do Sudão. A causa que defende, claro, fica a ganhar com toda a publicidade que se vai gerar à volta deste acto, profundamente democrático, da polícia americana. Já estamos habituados, nada de novo por aquelas bandas.

a mentira, a manipulação e o preconceito

Por Baptista Bastos

Num programa diário de televisão foram ouvir transeuntes comuns. Este tipo de declarações vale o que vale, já sei, mas lá que vale alguma coisa, vale. Perguntava-se às pessoas se já haviam sentido a crise. Registou-se uma unanimidade concludente. O português médio anda atordoado com os impostos, com as taxas moderadoras, com o aumento de tudo o que é indispensável ao viver corriqueiro. Agora, está a cortar na alimentação. Uma professora revelou que come um exíguo pequeno-almoço, uma segunda refeição tardia e, à noite, nicles!, um chá "para aquecer o estômago." 

A história dramática daquela professora não é, infelizmente, única. E é bom que repitamos, para governo nosso e memória futura, estes factos que estão, lenta e cruelmente, a corroer o que a nação possui de mais importante: o povo. Quem tem acesso à comunicação geral não pode, nem deve escamotear a realidade nem calar a voz das suas indignações. A tendência para a banalização dos acontecimentos encontra sempre respaldo no silêncio ou na negligência dos "media."

No mesmo programa a que me refiro, uma outra senhora, que disse ser funcionária pública, e estar, "diariamente, a contar os tostões para tentar sobreviver", não escondeu o desespero e a revolta ao afirmar: "Não sei o que nos está a acontecer. Dizem que gastámos acima das nossas possibilidades! Mentira, mentira! Nunca dei por isso. Sempre tive pouco dinheiro. Agora, estou a pagar por uma crise que não provoquei, e nem sequer sei do que se trata." Estas expressões tornaram-se vulgares. E, de facto, ninguém explica o que, rigorosamente, aconteceu, para que Portugal e outros países europeus sejam culpados de crimes que não cometeram, e os seus povos esmagados pelo peso de um pagamento de que não são credores. 

As origens deste descalabro não podem ser unicamente apontadas à especulação financeira. O capitalismo está mergulhado numa crise que será sangrenta se as forças progressistas se lhe não opuserem. O projecto neoliberal não é, somente, político-económico: é ideológico, e tende a transformar o pacto social num tapete onde uma casta limpa os pés. Ainda há dias, o antigo primeiro-ministro grego Papandreu, vaticinou que Portugal seguia o mesmo caminho da Grécia, não se dera o caso de se unir esforços, no sentido de inverter a tendência para a miséria. Ouvimos o político grego, procedente de uma distinta família, cultural e politicamente de Esquerda, e fazemos comparações com os discursos oficiais portugueses, que só nos conduzem ao espanto. Quando Passos Coelho nos adverte que vamos empobrecer para, depois, nos reerguer, a declaração só pode suscitar dois sentimentos: de repulsa e de cólera. Ainda por cima é a admissão da incapacidade de combater a propensão: um fatalismo medíocre e cabisbaixo, muito a ver com as "teorias" e os "princípios" do salazarismo. Pobrezinhos mas honrados.

Poucos temos que nos defendam destas atrocidades. O próprio dr. Cavaco, em acentuado declínio, e em estação de ajustes de contas menores, não está à altura dos problemas que enfrentamos, tanto mais que parece apoiar as coisas que o Executivo pratica. O PS é o que é, para ser o que sempre foi. Um partido "de poder", sem curar de constituir uma alternativa, e sempre preocupado com a "alternância." António José Seguro parece um realejo, sem ideias inovadoras, e desprovido do carisma de que, apesar de tudo, os chefes partidários precisam, por imposição do "marketing" e dos novos modos de cativar pessoas.

O PCP e o Bloco de Esquerda cumprem o seu papel de partidos contestatários e de travão aos desmandos do poder. Dir-se-á que pouco podem fazer; talvez. Mas muitas coisas estariam pior não fosse a intervenção deles. E também constituem forças morais e éticas num período da História em que, parece, esses valores e padrões soçobram, ante as investidas actuais. Não é necessário ser comunista ou bloquista para se compreender a natureza de certos partidos. E o preconceito ideológico, sabiamente organizado e dirigido, prejudica, inclusive, o conhecimento dos factos e as verdades históricas. Até quando?

a fé em cristas

Fonte: http://henricartoon.blogs.sapo.pt/

de novo nos "tops"

Por Manuel António Pina

Como no anúncio televisivo, "ainda sou do tempo em que" um bilhete de autocarro custava oito tostões (menos de meio cêntimo) e que Portugal era campeão europeu de hóquei de patins e de mortalidade infantil. Uma das muitas malfeitorias do 25 de Abril foi tirar-nos, em poucos anos de SNS, o honroso título de mais crianças mortas no primeiro ano de vida, relegando o país para o fim dos "rankings" mundiais.

38 anos depois do 25 de Abril, graças aos esforçados mandatários dos "mercados" que nos governam, chegámos de novo aos "tops" da Europa: segundo o Eurostat, Portugal foi, no último trimestre de 2011, o segundo país mais rápido da UE (logo a seguir à Grécia) a destruir empregos, com a notável marca de mais 3,1% de empregos eliminados do que em igual período do ano anterior; ao mesmo tempo, somos agora, "ex-aequo" com a Irlanda, campeões europeus da redução de salários nos empregos (ainda) não eliminados.

Quanto à mortalidade infantil não há, para já, dados recentes. Em contrapartida, só em duas semanas morreram em Portugal, segundo o Instituto de Saúde Ricardo Jorge, 6 100 pessoas de frio e gripe, a maior parte idosos com mais de 75 anos. Os aumentos das taxas moderadoras, juntamente com a redução das prestações sociais, mais os aumentos da electricidade e gás, que levam muitos reformados pobres a não poder ligar os aquecedores, estarão, segundo especialistas, na origem da assinalável "perfomance".

a ressaca

Imagem de Gui Castro Felga
http://oblogouavida.blogspot.com

o guarda ricardo

Vigilante, e arguto que nem um alho, semana após semana lá está o Ricardo Araújo Pereira a servir-nos de bandeja, e deus sabe e sabe deus como não o merecemos, verdadeiros pitéus cozinhados com os ingredientes, às vezes picantes, às vezes amargos, outras tantas salgados, nunca açucarados, da actualidade política. É a primeira coisa que leio quando leio a Visão. O homem escreve mais do que bem e, como corolário, é senhor de uma mordacidade deliciosa. Um prato!

Eis o repasto, digno de faraó, desta semana:
O Prefaciador Implacável

15/03/12

dedicado a grandes da nação, não todos porque também os há pequenos

BALADA DITIRÂMBICA DO PEQUENO E DO GRANDE FILHO-DA-PUTA

I
O pequeno filho-da-puta
é sempre
um pequeno filho-da-puta;
mas não há filho-da-puta,
por pequeno que seja,
que não tenha
a sua própria
grandeza,
diz o pequeno filho-da-puta.

no entanto, há
filhos-da-puta que nascem
grandes e filhos-da-puta
que nascem pequenos,
diz o pequeno filho-da-puta.
de resto,
os filhos-da-puta
não se medem aos
palmos,diz ainda
o pequeno filho-da-puta.

o pequeno
filho-da-puta
tem uma pequena
visão das coisas
e mostra em
tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
o pequeno
filho-da-puta.

no entanto,
o pequeno filho-da-puta
tem orgulho
em ser
o pequeno filho-da-puta.
todos os grandes
filhos-da-puta
são reproduções em
ponto grande
do pequeno
filho-da-puta,
diz o pequeno filho-da-puta.

dentro do
pequeno filho-da-puta
estão em ideia
todos os grandes filhos-da-puta,
diz o
pequeno filho-da-puta.
tudo o que é mau
para o pequeno
é mau
para o grande filho-da-puta,
diz o pequeno filho-da-puta.

o pequeno filho-da-puta
foi concebido
pelo pequeno senhor
à sua imagem
e semelhança,
diz o pequeno filho-da-puta.

é o pequeno filho-da-puta
que dá ao grande
tudo aquilo de que
ele precisa
para ser o grande filho-da-puta,
diz o
pequeno filho-da-puta.
de resto,
o pequeno filho-da-puta vê
com bons olhos
o engrandecimento
do grande filho-da-puta:
o pequeno filho-da-puta
o pequeno senhor
Sujeito Serviçal
Simples Sobejo
ou seja,
o pequeno filho-da-puta.

II
o grande filho-da-puta
também em certos casos começa
por ser
um pequeno filho-da-puta,
e não há filho-da-puta,
por pequeno que seja,
que não possa
vir a ser
um grande filho-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.

no entanto,
há filhos-da-puta
que já nascem grandes
e filhos-da-puta
que nascem pequenos,
diz o grande filho-da-puta.

de resto,
os filhos-da-puta
não se medem aos
palmos, diz ainda
o grande filho-da-puta.

o grande filho-da-puta
tem uma grande
visão das coisas
e mostra em
tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
o grande filho-da-puta.

por isso
o grande filho-da-puta
tem orgulho em ser
o grande filho-da-puta.

todos
os pequenos filhos-da-puta
são reproduções em
ponto pequeno
do grande filho-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.
dentro do
grande filho-da-puta
estão em ideia
todos os
pequenos filhos-da-puta,
diz o
grande filho-da-puta.

tudo o que é bom
para o grande
não pode
deixar de ser igualmente bom
para os pequenos filhos-da-puta,
diz
o grande filho-da-puta.

o grande filho-da-puta
foi concebido
pelo grande senhor
à sua imagem e
semelhança,
diz o grande filho-da-puta.

é o grande filho-da-puta
que dá ao pequeno
tudo aquilo de que ele
precisa para ser
o pequeno filho-da-puta,
diz o
grande filho-da-puta.
de resto,
o grande filho-da-puta
vê com bons olhos
a multiplicação
do pequeno filho-da-puta:
o grande filho-da-puta
o grande senhor
Santo e Senha
Símbolo Supremo
ou seja,
o grande filho-da-puta.

Alberto Pimenta

informação rigorosamente vigiada

Por Sérgio Lavos

Depois do Correio da Manhã e do Jornal de Negócios terem publicado discretamente a sua sondagem de Fevereiro, que mostra um tombo do PSD e do CDS e uma subida do PS, do PCP e do BE, assim como um Cavaco Silva nos níveis mais baixos de popularidade de sempre, ainda estamos à espera que seja divulgada pela imprensa o barómetro de Fevereiro da Marktest - bem, só lá vão quinze dias, coisa pouca - no qual vemos o PSD a cair 7% nas intenções de voto, o PS a subir, a CDU a crescer bastante e o CDS em níveis do partido do táxi. E uma taxa de impopularidade de Cavaco inusitada, a pior desde que existem sondagens em Portugal, a pior de entre os líderes políticos que aparecem no estudo - e note-se que é Jerónimo de Sousa quem obtém o melhor resultado. Deixará o ministro da propaganda que este estudo seja publicado ainda durante o mês de Março?

E veja as sondagens aqui:

crime, digo eu!

O governo do Passos e do Portas (sim, não se esqueçam do Portas na hora de ajustar contas, por muito que ele  finja que isto não é nada com ele, passeando-se pelos salões diplomáticos de cocktail na mão e dedinho em riste) ainda há-de, um dia que espero não muito longínquo, ser julgado por crimes contra os portugueses. Imagine esta situação: trabalhou durante décadas, com afinco, com lealdade, com amor à camisola. Mas como o amor não é, nunca foi correspondido, foi despedido sob o pretexto de que as coisas estão mal (e o seu ex-patrão até é daqueles que não abdica das férias nas Seychelles e do seu reluzente Mercedes de último modelo, por isso há que cortar nos custos do trabalho, embaretecê-lo, torná-lo um bem depreciado e descartável). E como um mal nunca vem só, o Governo, ao invés de o proteger, vai-lhe reduzir o valor do subsídio e o período em que o vai receber. Como será quase impossível encontrar tão depressa um novo emprego, seja ele qual for, mesmo pago ao preço da escravatura, você não sabe como vai dar de comer aos filhos. Pagar a renda. Viver. 

solidariedade com joão falcão machado

Por António Garcia Pereira

A instauração de um processo-crime contra um dos promotores da manifestação de 24 de Novembro, o João Falcão Machado, pela suposta prática do crime de desobediência é uma provocação que tem de ser vivamente denunciada e de ter uma resposta à altura.

Ele representa, por um lado, a mais do que conhecida lógica de atacar os dirigentes (os “cabecilhas” como essa gente gosta de dizer) dos movimentos de protesto e, por outro, uma claríssima tentativa de intimidação nas vésperas da Greve Geral de 22 de Março.

Devemos, por isso, expressar a nossa mais viva solidariedade ao João Falcão Machado, lutando ombro a ombro com ele contra esta manobra pidesca. E, por outro lado, participar em massa, activa e entusiasticamente, na greve geral Nacional de 22 de Março e em todas as manifestações e concentrações previstas para esse dia!

Como já dizia António Aleixo:
“O mundo só pode ser
Melhor do que até aqui
Quando consigas fazer
Mais pelos outros que por ti!”

o prefácio

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

14/03/12

zurrapas


A crise acabou. É a verdade. Pura e Dura. Santa Comba Dão vai começar a comercializar vinho com o nome Salazar. Como foi o próprio que disse que beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses, ajudemos a economia lusitana, bebamos o celebrado tintol, garrafa por garrafa, até ao vómito final. Depois do azeite Fátima, o vinho Salazar. Aposto que é a Zita, a Seabra, que os vai publicitar a ambos. 

reservaZita



Por Viriato Teles

Os vinhos anunciados estão longe de ser excepcionais, mas pelos vistos também não envergonham ninguém. Nem Zita Seabra, a antiga dissidente comunista reconvertida a bolseira da Jerónimo Martins - embora há muito se saiba que a vergonha não é um dos seus atributos. Ex-antifascista, ex-estalinista, ex-comungada e futura ex-neoliberal, a eclética e atlética figura ocupa agora o lugar de destaque na mais recente campanha publicitária do Pingo Doce.

A antiga dirigente comunista mostra assim que, apesar do que dizem as más línguas, não faz mais do que continuar a seguir os ensinamentos do extinto presidente da debelada União Soviética – pois não foi assim há tantos anos que Mikahil Gorbátchov nos revelou inauditos dotes de verdadeiro artista num anúncio da Pizza Hut.

Não é esta, aliás, a razão principal por que Zita Seabra pertence ao género sub-humano dos maleáveis, espécimes caracterizados por exibirem uma total falta de pudor aliada a uma aura de infinita competência em todas as áreas do saber. Os mais velhos de nós, e muitos dos outros, lembram-se do empenhamento que teve na luta pela descriminalização da IVG, na década de 80 do século XX, e do à-vontade como, vinte anos depois, foi uma feroz opositora da sua liberalização.

Pelo caminho geriu o cinema português, cometeu alguns livros e publicou outros mais. Desempenhou o seu papel no circo da pequena política e foi devidamente recompensada. Cavaco até lhe deu uma ordem da liberdade. Só não deixou fruto que se visse.

No PCP ou fora dele, Zita Seabra nunca foi uma personagem que particularmente me interessasse. Mas tinha um passado honroso, assim pelo menos me foi dado apreciá-lo. Quando se zangou e bateu com a porta porque afinal o sol da Terra não nascia em Moscovo, também não me impressionei. Como já tinha chegado a essa conclusão muitos anos antes, não dei grande valor à leva de perestroicos que por esses dias se gerou no PC: salvo algumas muito honrosas (e ainda assim bastantes) excepções, a maioria deles não era gente de bem.

Com Zita também não me enganei, e isto não chega sequer a ser um juízo de valor. Não estranho tanto a, eventualmente legítima, alteração radical do seu percurso de vida, mas sobretudo o modo como ela se envergonha agora do seu passado e tenta apagá-lo, da própria memória e da dos outros.

Esse é o destino dos «arrependidos», uma outra sub-espécie que para mal dos nossos pecados ocupa desde há muitos anos as posições de maior relevo da vida pública portuguesa.

Para Zita, pronto, pode ser o início de uma grande carreira vitivinícola. Os tempos vão de feição, que isto da maneira que anda só lá vai com alguma decilitragem. E o Pingo Doce é, tudo indica, a grande reserva de Zita. Nazdrovia, então, que hoje paga a senhora.

enfiei o barreto

Olha outro que me enganou, que julgava ser uma voz independente e sensível em defesa de um país de progresso e equidade social. António Barreto afirma que os portugueses se estão a habituar à crise. Como quem diz: assim como assim, já estão habituados à fome e à pobreza desde os tempos de Salazar. Pobretes mas alegretes. Obedientes e amansados.

Pelos vistos um cargo bem pago, na instituição liderada pelo nefando Alexandre Soares dos Santos, faz calar a consciência.

É um, só mais um, a juntar a Medina Carreira e a Fernando Nobre na esterqueira onde deposito as minhas desilusões. Não serão as últimas.

A notícia:
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=544159

quem se mete com a EDP, leva

Por Manuel António Pina

O pecado capital do agora ex-secretário de Estado da Energia Henrique Gomes foi ter levado a sério o memorando de entendimento com a "troika" e querer renegociar os subsídios (as chamadas "rendas excessivas", diferença, para cima, da taxa de rendibilidade de uma empresa face à que teria em situação de concorrência) pagos pelo Estado à EDP, que custam anualmente a cada família portuguesa mais de 27 euros, transferidos directamente do bolso dos contribuintes para os bolsos dos accionistas da eléctrica.

Num Governo que se gaba de ir além da "troika" quando se trata de cortar salários, reformas e prestações sociais, ou de confiscar subsídios de férias e Natal, meter-se com os subsídios da EDP, com o inusitado pretexto de que isso está acordado com a "troika", tinha que acabar mal para o elo mais fraco, o pobre secretário de Estado. E de nada lhe valeu não tentar ir também "além da troika", ficando-se muito "aquém" dela e apenas pretendendo "renegociar" (e só um terço dos subsídios da EDP deste ano, pouca coisa: uns 600 milhões): o dr. Mexia mandou e Passos Coelho obedeceu. E o ingénuo secretário de Estado foi borda fora.

Ontem tudo voltou aos eixos: o novo secretário de Estado é funcionário da ERSE, a reguladora da...EDP

Quem se mete com a EDP ou outras corporações de interesses, leva. Passos Coelho anunciou que iria empobrecer os portugueses, não os chineses da Three Gorges ou o dr. Mexia, seu profeta.

13/03/12

caganitas de coelho



Isto foi há 2 anos, ainda não tinha sido eleito líder do PSD. Depois disso, e com o recurso a mentira atrás de mentira, consegui ser eleito presidente do partido e primeiro ministro de Portugal. O crime afinal compensa.

angelina jolie, criminosa de guerra?

O mundo é um lugar cada vez mais complexo, onde é cada vez mais difícil distinguir a verdade da mentira. Há dias, aderi à campanha pela prisão de Joseph Kony (ver  Salvem-se as Crianças). Depois disso, muitas foram as mensagens que li no facebook alertando para o facto desse vídeo ser uma fraude. E eis agora mais uma acha para a fogueira: neste vídeo ainda sobre a campanha "Kony 2012", Alex Jones acusa Angelina Jolie de ser, nada mais nada menos, do que uma criminosa de guerra.

alto e pára o baile!

o castigo divino

Então não é que o bispo de Beja vem dizer que não chove porque os portugueses não rezam o suficiente, com suficiente força e crença em Deus? 

Oh homem, vá tomar banho! Lavadinho e enxuto, ficará como novo.

do Mota Milagreiro à Santinha do Aguaceiro

O Mota da Mota multiplica os lugares nas creches e lares para idosos. Já a Cristas, cristãmente, reza para que chova. Assediada pelos jornalistas, dia após dia, a única coisa que sabe dizer é que se está a estudar a questão da seca. Com muita fé.

Só nos falta um milagre: que este governo caia e caia bem, na retrete da História. Eu puxo o autoclismo. Se houver água.

a balada de pina moura

Um dia destes, ainda vai fazer companhia à Zita Seabra no PSD. O que é preciso é um pecúlio bem recheado, o resto é ideologia e, como se sabe, a ideologia nunca deu de comer a ninguém, principalmente se for de esquerda. A verdadeira, claro.

12/03/12

contra os grevistas, atirar, atirar!


O CDS quer saber quanto custaram as greves dos últimos 10 anos. Eu respondo: custaram-nos muito, porque todos os anos de luta parecem ter sido em vão. Em 8 meses deste governo de luto e nojo, perdemos décadas de conquistas e de um mínimo de justiça social. Mas o que o CDS devia querer saber era o custo, nos últimos 10 anos, de governos incompetentes, a somar à corrupção, a somar a negócios espúrios, a somar à má gestão de dinheiros públicos, a somar a tachos para amigalhaços e apaniguados, a somar às alcavalas e prebendas de gestores, administradores, políticos, todos afectos ao PS, ao PSD e ao ... CDS, pois claro. Isso sim, isso é que era contabilidade bem feita.

Sei de ginjeira qual é o objectivo do CDS: fazer dos grevistas as ovelhas ronhosas, os pérfidos comunas que prejudicam a economia. E que mais não merecem do que se lhes aticem os cães, se persigam, se prendam. Se abatam.

ele foi-me infiel

a mãozinha de cavaco

O início deste vídeo corrobora o que escrevi no post abaixo (Um Ano Depois, a Efeméride da Hipocrisia). Sabendo que Cavaco Silva não é um fervoroso defensor da justiça social ou da política transparente e limpa, as suas palavras deste discurso, 3 dias antes do 12 de Março, dão, no mínimo, para desconfiar que os que lá estiveram, generosa, convicta e honestamente, cairam na esparrela.

a virgem ofendida


Na Assembleia da República, Passos Coelho reagiu, qual virgem ofendida, às acusações de Jerónimo Sousa de que o governo, com a sua política de austeridade homicida, estaria a apressar a morte de muitos portugueses, especialmente dos mais idosos.

Jerónimo Sousa tem toda a razão. Se as suas palavras pecam, pecam por defeito, falta de virulência, violência. O momento exige-o. Mais agressividade e radicalismo por parte da esquerda.

E não falemos apenas de mortes por doença, fome, falta de recursos. A isto há a juntar o número de suicídios. Na Grécia, num ano, aumentaram 40%. E por cá? Quando é que estes dados serão divulgados?

da multiplicação de camas e outros milagres


O Ministro da Solidariedade Social, Pedro Mota Soares, anuncia, este sábado, as alterações legais que vão permitir abrir mais 10 mil vagas nos lares portugueses. O objectivo é maximizar as capacidades instaladas e colocar mais pessoas por cada quarto. Em suma, muitos individuais passarão a duplos e serão muitos os duplos que passarão a ter três pessoas.É o milagre das camas. O ministro do Audi estala os dedos e os lares duplicam a sua capacidade. Onde havia uma põem-se duas camas. Se mesmo assim não ficarem satisfeitos há sempre a possibilidade de se passar para o beliche e quadruplicar a capacidade.

Isto é a descoberta do Ovo de Colombo da governação e, agora, também pode vir o Ministro da Saúde duplicar o número de vagas nos hospitais ou o da Educação dizer que vai reduzir o número de professores e de turmas para metade bastando, para isso, encaixotar 60 alunos em cada turma.

os russos devem estar loucos!

A concorrente, pela Rússia, ao Festival da Eurovisão. Verdade seja dita, a nossa canção não é melhor. Com música de um croata, mais portuguesa do que isto não pode ser.


um ano depois, a efeméride da hipocrisia


Há um ano, fui para a Avenida da Liberdade. Com ingenuidade, pecado que me persegue de quando em vez, achei que algo estava a mudar.

Logro puro. Uma elevadíssima percentagem de "indignados" esteve lá por ódio a Sócrates. Não queria mais democracia. Não queria mais transparência. Não queria mais honestidade na vida política.

Queria a direita no poder.

Conseguiu o que queria. E eu ajudei à festa.