08/03/14

já se retesa o barroso

Barroso, aquele ser que tanto honrou o nome de Portugal à frente da Comissão Europeia, já se estica, já se põe em bicos de pés para que dêem por ele, para que o vejam como a alta individualidade ideal para, depois de Cavaco, ocupar o cadeirão presidencial do asilo belenense, berlinense por decisão imperial e vocação do que ali se alberga. Disse ele, sem enrubescer a distorcida fronha, que se não fosse estar um português, Sua Borrosa Excelência, na presidência da CE, os portugueses teriam sido muito mais castigados, os sacrifícios teriam sido maiores, mas Ele, o nosso Robin dos Bosques, o nosso Cristo do século XXI, falou grosso, lutou com denodado heroísmo contra a quadrilha de vendilhões e de ladrões liderada pela senhora Merkel e secundada em Portugal pelo seu fiel, o doutor Coelho, fiel do armazém de mão-de-obra barata e de carne para canhão da guerra que, mais tarde ou mais cedo, mais cedo do que tarde, vai rebentar por aí e rebentar-nos a todos.

Barroso é um ser medíocre, uma anedota de mau gosto, carpideira e gato-pingado do projecto europeu. Queremos que venha a ser também o coveiro que, com um esgar de  nojo na retorcida catadura, nos vai arremessar para a vala comum?

O povo é soberano. Ele lá saberá se, com a lucidez do seu voto, nos quererá enterrar de vez. Talvez seja a solução. Final.

os miúdos já pedem pelos pais


Por Baptista-Bastos
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Alguém tem de pôr mão nesta desgraça que nos assola e tende a destroçar o País. Não é o dr. Cavaco que nos salva. Ele já provou, à puridade, ser cúmplice da ideologia do empobrecimento, expressão outra do capitalismo mais selvagem e predador que se encobre na capa do neoliberalismo. Quase na mesma ocasião em que o dr. Cavaco elogiava, no estrangeiro, as admiráveis qualidades do "milagre" português, cuja mentirosa vacuidade corresponde ao espírito da época - quase na mesma ocasião, três dezenas de enfermeiros abandonavam a pátria, que os não desejava, para procurar a felicidade do trabalho no Reino Unido. Iam juntar-se aos mais de duzentos, que já lá estão, e em outros países, na urgência e na necessidade de aplicar as suas qualificações, indesejadas em Portugal, por um Governo que começa a ter a designação de "celerado". Não devemos temer o uso das palavras, quando estas são prostituídas pelo embuste e pela pouca-vergonha. Celerado - é essa mesma a classificação adequada à prática do Executivo de Passos Coelho e os seus.

Ninguém escapa aos malefícios de uma experiência governativa da pior usada pelo capitalismo. Deixou de haver "política", substituída pela "gestão", e pela ordem de prioridades. Economistas e contabilistas (como o próprio Passos Coelho) corporizam essa "ascensão da insuficiência" de que falou Cornelius Castoriadis. Até a ministra Maria Luís adoptou a nova fraseologia governamental, não hesitando em perfilhar a nomenclatura da aldrabice, ao dizer que "estamos melhor do que há dois anos."

Diariamente, a toda a hora e a todo o instante, as notícias do desaforo moral, económico, político e social chegam até nós, com a banalidade do inevitável. As famílias destroçadas; o País exangue pela sangria da sua juventude, melancólico e trágico pela exclusão dos velhos, dos doentes, dos desempregados, toda esta soma de horrores não sensibiliza os senhores do mando. A lista dos suicídios aumenta; o número de portugueses que procura nos fármacos suavizar as dores e o sofrimento é perturbador; e ainda há quem, despudoradamente, como o dr. Cavaco, sustente este infortúnio.

Soube-se, agora, que o caudal de miséria engrossa com o desespero e a angústia de miúdos, que telefonam para o SOS da Criança, pedindo ajuda porque os pais estão desempregados. Miúdos! Aonde é que isto vai parar? Estes senhores do mando julgam-se legitimados pelo voto; porém, o voto não torna lícito tripudiar sobre os mais sagrados valores da democracia e da vida. Isto com a complacência de um Presidente da República que, em consciência, o não é, pois favorece, notoriamente, uma facção política em detrimento do geral, e uma ideologia que despreza os princípios do humano. Portugal está um sufoco.

07/03/14

anda azedo, o azevedo


Belmiro de Azevedo, um dos homens mais ricos de Portugal, seguramente por obra e graça do seu génio empreendedor, deu sinais de vida. Falou e disse. Defecou sentenças. Arrotou postas de pescada. Segundo ele, e corroborando o amigo Coelho, os portugueses não vão voltar a receber os mesmos salários que auferiam em 2011 (contra ele fala, coitado, que em 2013 viu a sua colossal fortuna aumentar e os proventos dos seus concidadãos, que já eram em 2011 dos mais baixos da Europa, minguar ainda mais). Segundo ele, os portugueses só podem ambicionar melhores salários quando trabalharem o mesmo que os alemães, ou seja, três ou quatro vezes mais do que actualmente.

Vamos lá ver se percebo. Os seus funcionários trabalham para aí umas 40 horas por semana. Quatro vezes mais, significa trabalharem 160 horas por semana, mais de 30 horas por dia sendo que o dia só tem 24. É esta a carga laboral dos alemães? Ou dar-se-á o caso dos alemães trabalharem tanto ou até menos horas do que nós, os calaceiros do Sul?

Vejamos a coisa por outra perspectiva, menos lisonjeira para Azevedo, o milionário azedo. Se os portugueses trabalham o mesmo número de horas mas produzem quatro vezes menos do que os alemães, a culpa é dessa corja de madraços que somos todos nós ou será, atrevo-me a aventar, uma falta grave de gestão das empresas de Azevedo, não se tirando partido, de uma forma eficiente, da mão-de-obra ao seu dispor durante tantas horas por tão parcos salários, tantas vezes a roçar a miséria?

Tenho para mim que Azevedo anda a gerir mal as suas empresas. Tem que ser despedido. Ele e Passos, o inspirador desta gente e da sua imparável avidez.

pobre povo, nação indigente

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O "i" trás sondagem, senhores, e que senhora sondagem! Não importa que roubos, que injúrias, que indignidades e malfeitorias, contra tudo e contra todos o PSD e o CDS vêem recair sobre si as boas intenções de voto de mais portugueses, daquelas intenções de que o inferno anda a abarrotar desde que a Eva catrapiscou Adão e o dianho nos faz comer não a maçã, mas o pão que ele próprio amassou.

Basta de aranzel, passemos aos factos. E os factos são tristes: ou os genes lusos andam conspurcados pelo sémen de Leopold von Sacher-Masoch, o progenitor do sofrimento prazeiroso e, pelos vistos, dos nossos relhos avós, ou os peritos em sondagens não entrevistaram portugueses, mas sim os fiéis súbditos de Merkel lá pelas suas possessões da Baviera e da Vestefália profundas.

Coisas do diacho. Que é quem nos guia.

06/03/14

a história não se repete?

Onde está o sangue e a guelra dos portugueses? Matámos um rei e um presidente, fizemos greves, manifestações, comícios, revoluções. Mesmo durante a longa ditadura, houve quem tivesse resistido, quem se revoltasse, sofresse na pele e na carne a sua dedicação a uma causa, a um povo.

E nós, onde estamos, por onde pairamos? Condenamos quem faz greve, porque nos transtorna o dia. Votamos em quem mal nos faz, porque não há alternativas. Ficamos em casa, porque as manifestações "não conduzem a nada". Consumimos notícias manipuladas e lixo de aparvalhar. Estamos reduzidos a peões de brega, se não a gado. O matadouro espera-nos.

Ou estaremos mortos já?

Funerais de D. Carlos e D. Luís Filipe em 1908, Joshua Benoliel/Arquivo Municipal de Lisboa
Funeral de Sidónio Pais em 1908, Alberto Carlos Lima/Arquivo Municipal de Lisboa
Comício Republicano em 1910, Joshua Benoliel/Arquivo Digital da Torre do Tombo

Comício Republicano, Fundação Mário Soares

Comício Republicano em 1910, Joshua Benoliel/Arquivo Municipal de Lisboa
Greve das Varinas em 1912, Joshua Benoliel/Arquivo Municipal de Lisboa
Greve dos Eléctricos em 1912, Joshua Benoliel
Greve dos Eléctricos em 1912, Joshua Benoliel
Greve dos Ferroviários em 1914, Joshua Benoliel/Arquivo Digital da Torre do Tombo

O triunfo da revolução republicana de 1910, Joshua Benoliel/Arquivo Municipal de Lisboa
Abril em Festa, Arquivo JN

05/03/14

a nossa vil tristeza

Por Baptista-Bastos
http://www.dn.pt

Aos poucos, mas com perseverante desígnio, têm-nos abolido o direito de perguntar. E a inflexibilidade das decisões ignora a vergonha, a decência e a própria noção dos valores republicanos. Aliás, esta súcia trepada ao poder é a mesma que apagou de comemorações a efeméride do 5 de Outubro; que ressuscita um morto moral, Miguel Relvas; e que pune um homem sério pelo "crime" de a ter enfrentado, António Capucho.

A estratégia do embuste não poupa ninguém. Agora, até a Dr.ª Maria Luís Albuquerque repete a fórmula segundo a qual estamos melhor do que há dois anos. Di-lo sem corar nem hesitar. Ela, que parecia cordata no verbo, e recatada na preservação da identidade pessoal, entrou na dança do marketing do Governo. A maioria da população está empobrecida sem remissão; a esmola tornou-se característica oficial; o desemprego alastra como endemia; os ricos estão cada vez mais ricos, numa afronta que explica os dez por cento do produto interno bruto que auferiram em 2013; essas fortunas correspondem aos 16,7 mil milhões de euros distribuídos por vinte e cinco famílias. A insistência nos números da nossa miséria devia ser uma obrigação moral da imprensa, e não o é. Está mais do que provado que este Executivo arrasta a pátria para as falésias, não só por incompetência criminosa como por orientação ideológica. O Dr. Cavaco vai ao estrangeiro e diz coisas absurdas e abstrusas, dando cobertura a uma das maiores tragédias sociais que Portugal tem atravessado. A sua tenaz mediocridade é objecto de devastadoras anedotas, e o respeito reverencial que o cerca tem impedido a crítica que se impõe aos seus actos.

"Isto dá vontade de morrer", para lembrar o grito d"alma de Herculano, em hora de desânimo como a de agora.

Artigo completo aqui:
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3719381&seccao=Baptista%20Bastos&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco

03/03/14

é por estas e por outras como estas que o carnaval tem que ser banido
















é carnaval e levamos a mal

http://antero.wordpress.com/

isto agora é que vai lá

É preciso repensar a Escola Pública para melhor a destruir? Crie-se um grupo de trabalho. Estudar a melhor maneira de nos ir ao bolso através de agravados impostos? Institua-se um grupo de trabalho. Aprofundar a problemática da escassez de gambozinos em Portugal? Nomeie-se um grupo de trabalho.

Em dois anos e meio, o governo já criou 200 grupos de trabalho, à razão de quase 7 por mês. Isto vai lá. Um pouco mais de paciência e chegaremos ao fim do túnel. A luz já brilha lá ao fundo, muito ao fundo.

gangrenas e pontapés

Alfredo Frias/http://expresso.sapo.pt/

Relvas voltou à política. De onde, de facto, nunca deve ter saído: dos bastidores, quantas mãozinhas terá dado a Passos, quantas perninhas terá feito no PSD, quantas conspiratas e negociatas terá engendrado pelos obscuros corredores do poder e do capital apátrida? Relvas continua a ser Relvas, produtor de factos, de pequenas e grandes insídias. Ao que parece, agora também deu para o tímido, não gosta de ser retratado para a posteridade. Um repórter fotográfico aproximou-se demais de Sua Senhoria Excelentíssima. Foi o suficiente para que um capanga de Relvas o tenha corrido a pontapé.

Isto diz, a quem tem os alqueires bem medidos e QI quanto baste, o que são Relvas e o seu séquito. Uma espécie de ditadorzinho de República das Bananas rodeado de zelosos lambe-cus.

Acham que exagero? Esperem pela próxima pancada, ou pontapé, tanto faz. Relvas é perigoso, Passos é perigoso. São fatais como uma doença maligna. Gangrenam Portugal.

O vídeo, a prova:

este mapa está errado!

O Le Monde Diplomatique publicou este mapa que mostra as percentagens eleitorais dos partidos neonazis nos diferentes países da Europa.

No que se refere a Portugal, o mapa está errado. Erradíssimo. O PNR é uma coisa inexistente, é certo, mas os actuais PSD e CDS cumprem bem o papel destinado à extrema-direita. Só falta expulsar de cá os imigrantes, mas  é preciso disfarçar para que mais e mais portugueses continuem a cair na esparrela de lhes dar o voto e a benção, em nome da democracia.

É na Áustria, terra natal de Adolfo Hitler, que a extrema-direita tem mais adeptos, bem como na Suíça. França, Finlândia, Holanda, Rússia, Letónia, Holanda, Ucrânia, Hungria e Grécia também estão no bom caminho.

A Europa mete medo.