24/01/15

no corredor da morte

Paulo Macedo é considerado por muitos, até por alguns de esquerda, como o melhor ministro do governo de Coelho. Um gestor que tanto tinha feito à frente do fisco e que, agora, estava a levar avante (t'arrenego, satanás!) uma verdadeira revolução na Saúde.

Vê-se. Longas filas de espera, mortes desnecessárias nas Urgências, encerramento de Centros de Saúde, médicos e enfermeiros a reformarem-se ou a emigrar e, sempre foi esse o objectivo final, a passagem das responsabilidades do Estado para empresas privadas. As que derem lucro, bem entendido.

E não se pode processá-los, a ele e aos outros? Pelo homicídio premeditado de cidadãos que tiveram o arrojo de adoecer durante a regência de Coelho e Macedo?

a PT já se acabou, a TAP está-se a acabar, são joão, são joão, dá-me um milhão para eu comprar


O governo da nossa desgraça - desgraça que perdurará por muitos e maus anos - vendeu Portugal a retalho e a pataco. Até aqui não é novidade para ninguém. A PT já se foi. A TAP está quase a ir-se. Grandes grupos económicos, holding financeiros, especuladores de profissão, entreter-se-ão a retalhar-nos o património acumulado ao longo de décadas, a vender parcelas das empresas, a despedir centenas ou milhares de funcionários, até que nada reste a não ser muitos milhões entretanto acumulados nos seus bastos cofres. 

Neste caso, estou com Garcia Pereira: o que estes senhores fizeram constitui crime de traição à Pátria. Como tal deveriam ser julgados.

E ainda há portugueses que querem voltar a votar neles. É isso o mais triste. E aberrante.

22/01/15

ulrich está-se a ver grego


Ulrich, também conhecido pelo senhor Aguenta Aguenta, casado com uma assessora do senhor presidente da República, como o mundo é pequeno!, decidiu escrever um email aos clientes do seu banco, o BPI. E para falar de quê? Da forma obscena como os banqueiros têm gerido o nosso dinheiro? Para anunciar um aumento de taxas de juros nos depósitos a prazo? Não! Antes veio alertar para a desgraça que se abaterá sobre a banca portuguesa se o Syriza ganhar as eleições gregas, secundando assim Merkel, Lagarde e Junckers.

Pergunto: se os banqueiros viraram políticos, porque não havemos nós de ser os nossos próprios banqueiros?

Já estou como o Tiririca: pior, a gente não fica.

no tempo da banha-da-cobra


Do primeiro-ministro ao presidente da República, dos minisros aos secretários de Estado, não há quase nenhuma sumidade que não encontre pretexto para se vangloriar na TV, a todo o instante, na mais descarada das campanhas eleitorais, com excepção da última onde Coelho prometeu mundos e fundos para, depois, nos ir aos fundos como lobo esfaimado por carniça. Oh que perfeito que o governo tem sido, oh que estamos num país de sonhos húmidos, oh que a economia anda mesmo baril, fixe, bué, bacana, oh a Saúde, a Educação, a Justiça que nunca funcionaram tão bem, oh os malvados dos socialistas que, se ganharem as eleições, vão deitar tudo a perder, e tantos foram os sacrifícios que os portugueses fizeram de livre e espontânea vontade, desde que Coelho foi eleito que é vê-los a fazer fila de pirilau à porta do primeiro-ministro para oferecer os seus préstimos, os seus haveres, o seu emprego, oh tanta propaganda, tanta encenação, tanta verdade assassinada à facada, à martelada, à catanada, à canzana!

O governo não governa, declama textos promocionais escritos por assessores pagos à linha e à peta. E ainda faltam as inaugurações e as arruadas de fiéis militantes, procissões dos tratantes. Ainda falta trazer a prisão de Sócrates à colação, impoluto só há um, o Coelho e mais nenhum. Ainda faltam umas migalhas para arremessar aos pobrezinhos e aos remediados com promessas de maiores aumentos e outros tantos proventos, o cofre está aberto para quem dele se quiser servir.

O governo não governa, reúne com publicitários, desenvolve estratégias de marketing, redige panfletos, estuda slogans, convoca agências de comunicação, ouve conselheiros para mais ardilosamente preparar as próximas arremetidas à nossa inteligência.

O governo não governa. E ainda bem.

21/01/15

as coqueluches da moda


Chamem-me estúpido, se quiserem, ou inculto, se assim o entenderem, mas continuo a não gostar da coqueluche do regime. E o Costa, a coqueluche política do momento,  vai-me pelo mesmo descaminho. Namora o Rio, namora a Vasconcelos, namora o Tavares, o pobre e não o rico, qualquer dia namora o Pedro e o Paulo, o homem é um volúvel que, mesmo quando pisca para virar à esquerda, o volante, como quem não quer a coisa, guina-se-lhe para a direita. Por cá ninguém quis um Syriza, um Podemos, a maioria quer Costa, aplaude Costa, diz que vai votar em Costa e, por arrasto, numa Edite Estrela, num Brilhante Dias, num José Lello, num Zorrinho, num João Soares, nas eminências pardacentas que a liberdade de Abril, generosa mas tola, ajudou a parir.

Já por aqui o disse e venho repeti-lo: em caso extremo, se tal for necessário para salvar o que resta desta democracia, já definhada aos 40 anos, também votarei PS. Porei a cruzinha à frente do punho pantomineiro, com dor e com dolo. Costa pode ser o unguento que nos trará algum alívio, mas que nunca nos poderá curar das maleitas que sofremos há décadas ou, melhor dizendo, há séculos.

E Vasconcelos, entrementes, poderá prosseguir, descansada, a sua carreira de sucesso. Com papas e bolos, tachos e tampões, croché e macramé, frascos e fiascos, se faz uma estrela neste triste firmamento.

Costa que o diga.

20/01/15

venham ver, senhoras e senhoras, meninos e meninas, a triste e incrível história do infausto suicídio grego

Andy Ventura/http://www.cartoonmovement.com/

Merkel está furiosa. Lagarde está furibunda. Junckers está esquentado. Tudo isto porque o povo grego, ao que parece, vai dar a maioria ao Syriza no próximo domingo. Escândalo! Heresia! Perversão da democracia! É preciso admoestar os gregos, avisá-los de que a fome, a miséria, a peste negra e a lepra vão atingi-los como um raio fulminante. Não, não é chantagem, não é pressão, ninguém se está a imiscuir na soberania, nos assuntos internos dos gregos, são só palavras respeitosas, desinteressadas, de profunda amizade e apreço pelo povo helénico, madraço e trampolineiro mas isso agora não vem à colação.

Portugal, felizmente, não vai passar por aflições desta natureza. As intenções de voto recaem maioritariamente sobre o PS. A "escolha acertada" neste país de alterne onde só os proxenetas andam felizes.

o triunfo dos porcos

Tjeerd Royaards/http://www.cartoonmovement.com/
O meu caro é dos que se calam, que não se manifestam porque isso dá em nada e, além disso, trabalha toda a semana e, aos sábados e domingos, o que quer é sopas e ripanço? Ou, pior, o meu caro é dos que apoiam governos que protegem os ricos e multiplicam os pobres?

Mas sabia que o meu caro está cada vez mais pobre para que alguém fique ainda mais, muito mais rico? Sabia que 1% dos mais abonados do planeta detêm 48% da riqueza mundial? Sabia que só reunindo todos os bens de 3,5 mil milhões de pessoas - a metade mais pobre da população terrestre - seria possível juntar tanta riqueza como a que possuem os 80 maiores bilionários? Leu bem: 80 pessoas, oitenta, repartem entre si bens idênticos aos que são divididos por 3.500.000.000 de cidadãos que nascem e morrem sem direito à felicidade, ao lazer, à instrução, tantas vezes a comida e a uma habitação condigna.

E isto não o preocupa? Não o indigna? Porque sempre houve pobres e ricos desde que o mundo é mundo, não é assim? Porque cada um sabe de si, Deus sabe de todos e com o mal dos outros pode o meu caro muito bem. Porque verte uma lágrima sempre que vê na televisão crianças a morrer à fome e isso é tudo o que pode fazer para apaziguar a sua consciência de bom cristão. Porque foge dos ideais marxistas com mais ganas e pavor do que o diabo da cruz. Porque receia a mudança, para pior já basta assim. Porque o mundo é dos espertos e, se eles são ricos, fizeram por isso. Porque criam riqueza. Porque criam postos de trabalho. Porque têm mérito, são os génios da indústria, da finança, do comércio. 

Que caro que o meu caro tem saído à Humanidade!

18/01/15

amansando o povo

Jeff Treves/http://www.cartoonmovement.com/

Baptista-Bastos já não escreve no DN. Fernando Dacosta, Luís Rainha, Tomás Vasques, Carlos Moreno, Fernanda Mestrinho desapareceram das páginas do "i", de cuja direcção saiu Eduardo Oliveira Silva e onde Ana Sá Lopes deixou de escrever editoriais.

E assim se vai domesticando a comunicação social, manipulando os leitores, abandonando o pluralismo tão defendido pelos mandadores nos tempos "negros" do PREC, ao ponto de encherem a Alameda aos gritos de ai Jesus, quem nos acode.

Dá-se o caso destes jornais estarem nas mãos de angolanos, que fazem por cá o mesmo que no seu país: impedir o livre debate de ideias. Daqui até à punição de jornalistas serão um ou dois Passos. 

Que faz, ainda, o pavilhão de Angola na Festa do Avante? Que poderão ter em comum Jerónimo de Sousa e José Eduardo dos Santos?