11/07/15

o eco alemão


Ainda ontem, no Expresso da Meia-Noite, uma execrável criatura de quem não fixei o nome nem isso importa porque para a História não ficará pela certa, vociferava contra os gregos todos e Tsipras em particular e elogiava a credibilidade, por via governamental pois está claro, que Portugal tinha almejado na estranja entre os mercados, os senhoritos e os senhorios que são os verdadeiros donos da casa que julgávamos ser nossa, Portugal.

Credibilidade sustentada em mentiras, o que já nem admira sabendo o que sabemos de quem nos governa lá do alto, do poleirinho que o pelourinho caiu em desuso, ai a falta que nos fazia agora! 

O que ecoa lá fora é o mesmo que o governo nos diz cá dentro, a lição está bem estudada e ainda melhor recitada: que a economia está fulgurante-ante-ante, a dívida quase paga-aga-aga, o défice controladíssimo-íssimo-íssimo, o desemprego a descer-cer-cer e, por este andar, os impostos a baixarem-arem-arem. 

Apontam os gregos como os maus alunos, burros e cábulas, e os portugueses como os melhores pupilos, obedientes e engraxadores. Pois eu tenho uma confissão a fazer: sempre fui mau estudante, prefiro os irreverentes aos certinhos, os folgazões aos marrões. Os que têm voz aos que se limitam a ser a voz do dono, repetindo-lhe a prosápia de tiranete.

antes assaltarem-nos a nós do que a polícia, coitada


O Estado vai gastar 3.300 milhões de euros em segurança privada ... para as polícias. É isso, leu bem, não está a delirar, não bebeu demais durante a borga da noite passada nem está ainda nos braços de Morfeu, salvo seja que você não é desses: entre 2016 e 2017 o Estado vai pagar 3.300.000 euros - três milhões e trezentos mil euros - a empresas privadas para zelar pela segurança dos edifícios dos Estrangeiros e Fronteiras, da Autoridade Nacional de Protecção Civil, dos Serviços Sociais da PSP, da Inspecção-Geral da Administração Interna e ainda da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária.

Por outras palavras, contidas como devem ser todas as palavras de hoje em dia não vá alguma polícia privada andar-nos a vigiar passos e escritos, está criada mais uma PPP: Privados Protegem Polícias. Vai custar-nos mais de 3 milhões (num só ano?, em dois?) mas olhem que vale a pena, não queremos ser a risota do mundo se se souber que alguma dependência policial foi assaltada e os seus ocupantes molestados. Assaltem-nos antes a nós, que é para isso que servem os impostos.

Homessa, façam favor!

e a direita embandeira em arco


Os comentadores ao serviço da causa neoliberal estão impantes: Tsipras capitulou. E chamam-lhe de tudo, tal como a Varoufakis a quem já ouvi chamar cobarde, por ter saído do governo, e outros epitetos ainda menos elogiosos.

A situação é demasiado confusa, para mim e, acredito, para os comentadores engajados que não sabem nada do que se passa nos corredores de Bruxelas, Berlim ou Atenas mas que especulam com inigualável verve e dons divinatórios. Vou esperar antes de afirmar que estou desiludido com Tsipras, que este dobrar de cerviz não lhe fica bem cinco dias depois da retumbante vitória no referendo. 

Prefiro esperar para ver, até porque já li comentários de sinal contrário, que foi Merkel quem perdeu.

A Alemanha perdeu de certeza. Os fantasmas da II Guerra Mundial voltaram e, com eles, os ressentimentos em relação ao país do III Reich.

a alemanha salvará a grécia das ruínas


os indícios do indício do indício

Por Estátua de Sal
https://rcag1991.wordpress.com

Eu olhei para ti e o teu nariz indiciava que estavas constipado. Estava meio para o vermelhusco. Mas, isso sou eu que não percebo nada de indícios. O Juiz Alexandre e o Procurador Rosário, não. Esses são especialistas em indícios.

Tiveste azar. O Rosário cruzou contigo, quando foste à farmácia comprar Nasonex, olhou-te para o nariz e viu logo que a constipação era uma grande tanga. Tu eras, sim, um cocainómano inveterado, via-se logo pelo nariz, e lá foste engavetado, por fortes indícios de consumo de drogas. Recorreste da pena, claro, mas como podias continuar a snifar, mantiveram-te em preventiva para o Rosário poder discernir a proveniência do pó.

Foram-te ver as contas bancárias. Azar o teu. Tinhas comprado no Ebay, uma mala Louis Vuitton, daquelas caras mas chiquérrimas, que estava ao preço da chuva, e tinhas pago com a conta do Paypal. Quando o Rosário viu a transação compreendeu tudo. Era um forte indício de que além de snifares ainda eras traficante. Sim, porque ninguém compra malas que venham vazias. O pó vinha lá dentro, de certeza. Conclusão: passaste a ser acusado de tráfico de droga, branqueamento de capitais e fraude fiscal.

A partir daqui, o Rosário entrou em ebulição. Mandou a Judite lá a casa. Tragam a mala. Mais uma vez, azar o teu. Tinhas querido preservar o seleto cabedal, das traças e de outra bicharada, pelo que tinhas espalhado naftalina em profusão por dentro e por fora. Quando o Rosário viu os tons esbranquiçados, não teve dúvidas: não eram fortes indícios, era a prova acabada do crime e, por consequência, da sua sageza.

Mas o Rosário não ficou por aí. Continuou a ver-te os extratos bancários. E, azar o teu. Há quatro anos, antes da crise, tinhas tido uns quinze dias maravilhosos de férias na Colômbia, acompanhado por uma namorada que tinhas conhecido num chat da Internet. Estava tudo claro. Já não eram só fortes indícios. Era óbvio que só podias pertencer à rede de tráfico do Pablo Escobar ou de outro traficante qualquer. O Rosário era brilhante.

E lá foste apodrecendo os ossos na pildra.

Achaste que tudo isto era uma grande ignomínia, até porque, O Correio da Manhã, sem tu perceberes como, fazia grandes manchetes noticiando que estava em vias de ser desmantelada uma importante rede de tráfico de droga da qual tu serias o cabecilha. E mais, a tal namorada, que já não vias há dois anos, e que tos tinha posto com o teu melhor amigo, era apresentada como tua cúmplice e também cabecilha da rede. Azar o teu. Um mal nunca vem só.

Os advogados lá iam metendo recursos. Queriam que o Rosário te acusasse ou que o Alexandre te mandasse para casa. Que não, que não podia ser. Que o processo era de “especial complexidade”. Havia que contactar o FBI, a Interpol, a CIA, a Mossad e esperar a resposta. Logo, toma lá mais três meses de chilindró.

Entretanto o Rosário afadigava-se. Parecia um perdigueiro. Sentia que tinha em mãos um caso graúdo, e que tal exigia especial perícia investigatória.

Mandou pedir, à agência de viagens, a lista de todas as viagens que tinhas feito nos últimos dez anos, na expetativa que alguma delas te tivesse sido “oferecida”, o que indiciaria eventual corrupção. Azar o teu. Há dois anos tinhas feito férias no Algarve e ficado alojado em Vale do Lobo. Quando soube, o Rosário entrou em delírio. Era a prova que faltava. A prova das provas.

No dia seguinte, o Correio da Manhã, trazia em grande caixa, como sendo os últimos desenvolvimentos da Operação Marquês: DINHEIRO PARA SÓCRATES TAMBÉM PROVINHA DA COLÔMBIA. E desenvolvia o tema. Traficante de droga, transportava dinheiro para Sócrates em malas Louis Vuitton. A investigação suspeita que as entregas seriam feitas no empreendimento de Vale do Lobo, pelo traficante, a quem Sócrates pagava as férias para poder receber as verbas.

Eu sei que tu achas que tudo isto é uma grande injustiça. Uma conspiração. Que nunca snifaste, que a namorada te traiu, que não conheces o Sócrates de lado nenhum, que não fizeste nada, e que só apanhaste uma constipação. Eu sei tudo isso, pois sei. Mas não te vale de nada o que sabemos ambos.

Mas olha, deixo-te um conselho. Se conseguires sair vivo desta, não te cruzes mais com o Rosário e evita ires à farmácia onde ele compra o Libidum Fast que o Futre anuncia, em dupla e libidinosa companhia. E, de preferência, não te constipes outra vez. Fica mais barato pagar a vacina da gripe do que pagar aos advogados.

E, enquanto estiveres preso, vai lendo livros policiais, mas dos melhores: Conan Doyle, Agatha Christie, Dashiell Hammett e outros que tais.

É que há gente que errou na profissão, como parece ser o caso do Procurador Rosário. Devia sonhar ser escritor de romances policiais e carrega o fardo de uma vocação reprimida. E a frustração dá nisto, como vês: consegue fazer de uma constipação um caso de polícia. Na verdade, é um grande autor de literatura policial. Mas da má. Da que cheira a cordel por todo o lado.

10/07/15

o jeitaço que isto dá, não dá?





repita comigo: portugal não é a grécia portugal não é a grécia portugal não é a grécia portugal não é a grécia portugal não é a grécia

Pelo menos por cá não há filas nos multibancos. Disse-o o monte negro parlamentar, contente, contentinho, contentíssimo por Portugal ter escapado - por enquanto - ao flagelo grego. Temos bancos, temos multibancos, assim tenhamos dinheiro para depositar, movimentar, levantar, pagar as contas, ver o saldo, transferir maçaroca para os cofres do Estado via impostos, via coimas, via isto e via aquilo.

Porto. Fila da Sopa para os Pobres.

Lisboa. Fila junto ao Hospital da Ordem Terceira.

é bom observador?

Já reparou que não há um colunista que jeito tenha no Observador? Todos encostadinhos à direita, todos a defender a política de sarjeta do neoliberalismo, todos adeptos da cloaca passista, todos emanando raiva e ódio contra a esquerdalhada. Que pena não ser em papel. Seria pouco higiénico, pois seria, mas pouparia no outro.


Imagem; http://aventar.eu

rodrigues dos santos, "escritor"a tempo inteiro, propagandista nas horas vagas



Por J. Manuel Cordeiro
http://aventar.eu

Do Facebook de Pedro Sales, três imagens do telejornal de ontem, 8 de Julho de 2015:

"Os exemplos que se seguem nas fotos demonstram o nível de manipulação dos dados. É propaganda. E má. A maioria dos indicadores que avaliam a legislatura são projeções – não por acaso todas favoráveis ao governo. Vejamos. A dívida está nos 130,3% (já agora, quando o governo tomou posse estava nos 106,6% e não 111%). O défice em 2014 ficou nos 4,5%, mas, com Novo Banco, pode até chegar perto dos 6%. O PIB em 2014 cresceu 0,9%. As projeções são como os chapéus. Há muitas. E as do Governo raras vezes acertam. Como a RTP, neste caso."
Poiares Maduro garantiu que o novo modelo de Governo da RTP é mais independente. Conclui-se, portanto, que esta manipulação rasca foi obra do BE, tal como já antevia Maduro em Dezembro de 2014: “Bloco de Esquerda tem mais influência sobre o CGI da RTP do que o governo”.

E aqui temos, também, José Rodrigues dos Santos a procurar superar a sua última cruzada anti-Grécia, a das donas de casa com conta no suíço HSBC.

fado alexandrino

Sócrates foi preso quando o PS estava em alta com a eleição de Costa para secretário-geral. Vara é detido no dia em que o PS sobe nas sondagens. Ah! Há coincidências do catano à Lapa! E por aqui me fico que, não votando PS, sou pelo PS neste caso que roça a sordidez. Quer-me cá parecer. Não vou jurar. Ui, que com a Justiça não me meto ou, qualquer dia, quem está na choça sou eu.






pinar é o que está a dar!

Pinem à vontade, nós asseguramos o transporte para a maternidade, isto se o governo não nos fechar ou não nos reduzir a serviços mínimos, uma ambulância para todo o País, um motorista precário, um enfermeiro subcontratado, de salário mínimo e sobrecarga horária. Pinem enquanto podem. 



09/07/15

o papagaio da república das bananas

Por Raquel Varela
https://raquelcardeiravarela.wordpress.com

Há várias formas de dar cabo de um país e todas requerem alguma imaginação. Chego eu ali à Adega dos Lagartos, que é a melhor tasca de peixe fresco de Lisboa e vejam que descubro eu, entre escárnios e indignação dos clientes. Há 30 anos que os donos, trabalhadores de sol a sol, possuem um papagaio, que acabou de ser alvo de uma denúncia da protecção da natureza justificando uma multa de…estão sentados? 20 mil euros. Não é imprensa falsa ou discurso de Cavaco Silva, é assim e está nos autos, que em baixo fotografo. 20 mil é o mínimo porque é para «negligência», ou seja, ter um «papagaio cinzento» que não possui, entre outras coisas, cito, «documento». Se fosse com dolo a multa subiria para 37 mil euros. Vejam que país: para proteger o papagaio, que há 30 anos assobia aos traseuntes e é alimentado a croquetes e presunto, arrasa-se com um negócio familiar de gentes decentes e sérias que servem com sorrisos um peixe delicioso. Não percam a leitura em anexo dos «factos verificados» em pleno ano de 2015 em Lisboa. Não há conta, nos autos, o que me surpreendeu, de o papagaio ter reagido ao autuante usando de palavras alvitantes para com este ou suas famílias, recorrendo para o efeito dos inúmeros palavrões que os portugueses em séculos de esforço inventaram. O papagaio foi altivo e educado, ainda hoje lá estive, assobiou, riu, conversou, mesmo sem saber o pobrezito que agora o dono é mero «fiel depositário» do bicho até pagar os 20 mil euros. Ou até que um juiz ponha fim a esta palhaçada.

Quero agora com a seriedade possível dizer isto. ISTO não é a República das Bananas, é o NOSSO país. Isto não é a República das Bananas que acha que alguém pode viver com 432 euros por mês ou salários em atraso mas que protege os papagaios com multas aos donos trabalhadores de 20 mil. Este país que arrasa com pequenas empresas com impostos e multas e fiscalizações e leis cuidadosamente feitas para destruir negócios familiares – crimes que nunca foram punidos nem seus autos feitos com esmero. Estas coisas têm que ter consequências, não pode ser mera indignação, quem denunciou, quem gastou o dinheiro dos nossos impostos nesta perseguição absurda, quem é responsável por esta choldra tem que ser fortemente punido e garantir que ao dono chega uma carta de desculpas sinceras, extensíveis por favor a nós, cidadãos desta República, que é nossa.


exortação ao meu amigo pedrocas

Pedrocas, não te preocupes com as sondagens, o PS pode andar no alterne mas não é alternativa. Não te amofines Pedrocas, não empalideças, não esmoreças, ainda tens uns trunfos na manga. A prisão de Sócrates. Um maná caído dos céus aos trambolhões. A situação na Grécia. É preciso fazer cair o Syriza, enterrá-lo, dar uma lição aos europeus, que ainda os há, com manias de liberdade, igualdade e fraternidade, soltam as mesmas palavrotas, gastas, desde os idos de 1789. E que dizer do caos, da bancarrota, do tsunami, do apocalipse a que o PS conduziria de novo o País, agora que meteste as contas e os portugueses na ordem? Força Pedrocas, segue em frente, não pares nem no Samouco para meter água. A Alzira está contigo, tem um retrato teu em cima da peniqueira e outro no psiché junto do bidé para as lavagens de ocasião. O padre Bonifácio apoia-te, reza por ti, está com a fé de que vais ganhar, louva-te na missa, na procissão, na sacristia, ao sacrista, ao massagista, ao calista. O Pancrácio do quinto esquerdo aposta em ti, torce por ti, vai a todos os comícios por ti, arruadas por ti, arruaças por ti. A Anália do segundo direito tem velas por todos os cantos da casa em teu louvor, louvado seja Deus no Céu e o deus da Terra, reza a São Judas Tadeu, Santo Eucarário, Santo Atanásio, São Bento da Porta Aberta para que te dêem saúde e nova vitória, ó glória, ó hosana nas alturas. O meu patrão, o Dr. Anastácio, que não é doutor mas é como se fosse e que não nos paga o salário há mais de seis meses, vai dar para cima de cem mil euros ao teu partido e outro tanto ao do amigo que te ajudou a abrir as Portas do poder à Paulada, não quer é que se saiba, acho que vai indicar um pseudónimo, um nom de plumme que o tipo é fino, Jacinto Leite, é-te familiar o nome? Capelo Rego não te diz nada? Pergunta ao Paulinho, ele sabe. O dono da taberna da minha rua, o Ambrósio, já ensinou o papagaio a papaguear, em vez de palavrões, "Pedrocas! Paulinho! Aníbal!". A dona da peixaria, a Quitéria, apregoa o teu nome em vez da chaputa ou do rodovalho fresquinhos, venha ver freguesa, é uma moira de trabalho a Quitéria e uma grande admiradora tua, em vez do falecido marido tem o teu retrato num medalhão, entre as palpitantes mamocas ávidas de apalpanço. A menina Diana Vanessa, filha da D. Diana Helena, não sei se conheces, são do mais chique que há por cá pelo bairro, com casa de férias em Massamá e tudo, acha-te um galã, ainda que um tanto acabado e, pela primeira vez que vota, vai votar em ti. O alferes Galopim, antigo membro da Legião, pendurou uma bandeira do teu partido na varanda, onde antes colocava a da União Nacional, é um bom homem o Galopim, foi ele que me deu as botas cardadas que trago hoje calçadas, nunca se sabe, diz ele, quando vais precisar de dar uns pontapés no cu do reviralho.  Com tantos admiradores, Pedro, que receias? Vai em frente, coragem, muita força, diz as verdades ao povo, esbraceja contra o PS, esconjura os comunistas, difama os bloquistas e denigre os gregos, essas sanguessugas do nosso rico dinheirinho que tanto nos custa a ganhar. 

Ah! E o Sócrates. Não te esqueças do Sócrates.

Arquivo Municipal de Lisboa

que nomes daria a um primeiro-ministro assim?

Que nome daria a um primeiro-ministro que fosse ao parlamento, para o debate do Estado da Nação, desmentir a mais óbvia realidade, negando todos os factos, um por um? SeguraMENTE enganoso, diria se for contido nas palavras, possivelMENTE aldrabão se a língua lhe for solta e livre.

Que nome daria a um primeiro-ministro que afirmasse estar farto de greves? VisivelMENTE anti-democrata, se prima pelas boas maneiras, provavelMENTE fascista se gosta de chamar os bois pelos nomes.

Que nome daria a um primeiro-ministro que insinuasse nunca ter aumentado impostos, nem reduzido salários e pensões? Sacana é a palavra que certaMENTE lhe ocorreria num acesso de cortesia, indubitavelMENTE bandalho é o termo que mais se ajusta aos seus maus fígados.

Que nome daria a um primeiro-ministro que dissesse ter reduzido a dívida pública, o desemprego, as desigualdades entre portugueses muito ricos e uma multidão imensa de carenciados? ClaraMENTE, por mais polido que seja, chamar-lhe-ia estupor. Ou, evidenteMENTE, pulha se for aficionado do português escorreito e sem mestre.

Que nome daria a um primeiro-ministro que jurasse ter diminuído a pobreza e assegurado serviços mais eficientes do que nunca na Saúde e na Justiça? ObviaMENTE, diria que é um burlão. ManifestaMENTE, que é um ser sem moral, sem ponta de humanidade, sem qualquer laivo de honestidade, hombridade, credibilidade.

Felizmente, não temos um primeiro-ministro de tal calibre. Privilegiando a verdade, só a verdade e nada mais do que a verdade, como é o caso do que nos calhou em sorte, não precisamos de lhe dizer que é seguraMENTE enganoso, possivelMENTE aldrabão, visivelMENTE anti-democrata, provavelMENTE fascista, certaMENTE sacana, indubitavelMENTE bandalho, claraMENTE estupor, evidenteMENTE pulha, obviaMENTE burlão, manifestaMENTE, um ser sem moral, humanidade, honestidade, hombridade e credibilidade.

FelizMENTE, temos o primeiro-ministro que temos. Um santo homem.
São Pedro, óleo de Rubens (foto: Museu do Prado /wikimedia)

08/07/15

cala-te boca

Que pensar desta fotografia de primeira página do Correio da Manhã, de Passos Coelho num evento público acompanhado pela mulher? Que seria de evitar em tempos de campanha eleitoral? Sim. Fico-me por aqui. Por respeito, sensibilidade, sensatez.
                             

e os sonhos irão vingar-se


o cerco implacável

Por Baptista-Bastos
http://www.cmjornal.xl.pt

Na Grécia, a vitória do ‘não’, por substancial maioria, veio pôr a nu o verdadeiro rosto da chamada União Europeia, que não passa de um embuste muito bem articulado, com seus serventuários e estipendiados. O cerco e o esmagamento do Syriza estavam no programa e a contra-informação mais despudorada revelou os seus objectivos mais sórdidos. 

Segui, um pouco arfante, os noticiários das televisões, nacionais e estrangeiras, e o fechado e lúgubre semblante dos nossos comentadores do óbvio, com excepção de dois deles, forneceram-me a imagem das suas decepções. Aliás, durante as últimas semanas, a manipulação da forma e do conteúdo constituiu um vergonhoso retrato do estado actual da nossa comunicação social. Repugnância e vómito. 

O lado humano desapareceu em benefício do número e da estatística; as presenças constantes de gente que nada diz oposto ao pensamento único tornou-se enfadonho por bocejante; e o modo enfaticamente tolo com que Passos Coelho se foi referindo aos acontecimentos gregos tornaram- no credor do nosso profundo desprezo. 

As evasivas e as ambiguidades do PS também não caucionaram a nossa admiração; mas o PS é isso mesmo: um almofariz de ambições cujo resultado, ao longo dos anos, tem sido esta mistura trágica que o leva a não ser carne, nem peixe, nem arenque vermelho. 

O torpe amolecimento ideológico no qual a Europa tem vivido proporciona o aparecimento de movimentos contestatários como o Podemos, em Espanha, ou o Syriza, na Grécia. Haverá mais, não tenham dúvidas. Ninguém pode viver neste mercado insalubre onde o capitalismo mais desaforado sobrevive, mandado por uma alemã medíocre, acolitada por um francês, aleijado mental e tudo. Pequenos títeres do mundo financeiro e do sistema de ‘mercado’ que transformaram a Europa num vastíssimo território de miséria e infortúnio. 

Claro que a retaliação ao governo grego e a perseguição dos senhores do poder, como sejam os bancos e as estruturas económico-financeiras, começaram os seus enredos. O governo alemão já o disse: "As conversações com a Grécia são dificilmente imagináveis." Mas a força da razão e da democracia têm-se oposto, com relativa eficácia, aos desmandos de uma Europa que só existiu na duvidosa bondade dos seus idealizadores.

http://onestepart.deviantart.com/

07/07/15

já ouviram falar em patriotismo?

Foi por patriotismo que os gregos disseram NÃO. É por patriotismo que os partidos gregos, da direita à esquerda, acordaram apoiar o governo de Tsipras nas negociações com os chamados credores (na verdade, devedores, caloteiros, bandidos à solta sob o beneplácito dos povos). Ficaram de fora o partido comunista grego, inflexível nos seus dogmas, dali não saem, dali ninguém os tira, e a extrema direita que dá pelo nome de Aurora, ainda por cima Dourada. Por cá, nem a esquerda se consegue unir para combater a doença malina do neoliberalismo vigente. Definitivamente, não somos a Grécia. Não somos gregos. Damos o ouro ao bandido sem refrega. E ainda lhe agradecemos o desfalque, a fraude, o roubo. Só nos falta ir em procissão a Alcochete, onde a seita se reúne agora, pelo menos ontem era lá que estava, para lhe agradecer os cuidados, intensivos, que nos têm sido prestados. À espera que nos dê o badagaio, estorvo que somos se doentes ou velhos, descerebrados depositantes de votos, devotos de escroques, aduladores de mentirosos. Não. Não somos a Grécia. Até prendemos um Sócrates. Deve ser para servir de exemplo a qualquer Aquiles ou Hélio ou Dionísio que ouse enfrentar os pequenos deuses que nos governam.

um abraço, doutor soares!

o grande embuste europeu

depois dele, o dilúvio de mais um bush?


06/07/15

em dia SIM!

Uma ronda pelos jornais europeus e norte-americanos. Há-os falaciosos, há-os tendenciosos, há-os merdosos, mas nenhum pôde ignorar o NÃO da Grécia, o monumental manguito à Europa de Merkel, dos mercados e dos povos transformados em mercas ou, qualquer dia, em mera carne para canhão. Capas históricas do dia SIM. 


água de rosas ou laranjada?

Curiosamente, mas não por coincidência, Merkel e Junker não deram ontem sinais de vida, depois de sabidos os resultados da votação grega. Os tarefeiros foram todos socialistas, e todos eles tiveram palavras duras contra os resultados do referendo, numa atitude anti-democrática e, mais uma vez, ofensiva para a dignidade e soberania do povo grego. Foram eles o vice-chanceler alemão, o presidente do eurogrupo e o presidente do parlamento europeu. É este o verdadeiro rosto dos socialistas hoje em dia, se é que não o foram sempre: peões de brega da direita.

Gente que, após a eleição de Costa para secretário-geral, estaria disposta a votar PS, quanto mais não fosse para afastar a famigerada coligação Portas/Passos para longe das nossas vidas e carteiras, está agora relutante ou já decidiu votar noutro partido qualquer. E não adianta a chantagem do costume: não foi a esquerda que levou a direita ao poder ao não viabilizar o PEC IV, foi o próprio PS com a sua conduta que só é de esquerda, ainda que esmorecida, quando está na oposição. Não será a esquerda a perpetuar este governo de desastre nacional, será o PS com as suas tibiezas, indecisões, imprecisões e vontade de nos dar mais do mesmo: austeridade. Porque Merkel quer. E a patroa é que manda.

Querer agradar a gregos e a troikanos deixou de ser a melhor estratégia. As sondagens que o digam, se é que até essas não andam tão adulteradas como esta Europa à beira do caos. Merkel ficará para a História como uma má recordação. Os seus seguidores, lambe-cus da frau, nem isso sequer.

numa palavra!


05/07/15

orgulho europeu!

A Grécia festeja o NÃO. NÃO à Alemanha de Merkel, à União Europeia dos pequenos ditadores, dos pusilânimes e dos sabujos. NÃO ao neoliberalismo, ao fascismo encapotado. Mas a luta mal começou ainda. A Alemanha já lhe fez uma declaração de guerra: acabaram-se as negociações, morram na miséria, comam NÃOS ao almoço e Tsipras ao jantar. A Alemanha mostra a sua verdadeira face. Ditatorial. Arrogante. Alarve. A Alemanha de duas guerras, quer provocar a terceira. Mas a ascenção precede, invariavelmente, a queda. SIM!

http://expresso.sapo.pt/

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chegou a hora de mudar!

De nada valeu a chantagem, a campanha de medo, o ataque terrorista sobre o povo grego perpetrado ao longo da última semana. O NÃO ganhou. A Merkel deve estar OXIdada, o seu ministro das Finanças nazificado, Coelho enfiado na toca, Costa arrependido da cobardia. Hoje é um dia feliz. Obrigado, povo grego. Sinto-me parcialmente vingado de todas as humilhações e desprezo a que têm sido votados os povos do Sul desta Europa irreconhecível. Chegou a hora de mudar.


Hoje quero ser grego!

Bandeira da Grécia colocada no castelo de São Jorge em Lisboa

(Reportagem da RTP)

CONGRATULATIONS, GREECE!


em dia NÃO


O que se está a passar na Europa excede os sonhos mais delirantes de um qualquer candidato a Hitler e, desta vez, não comparo Merkel a Hitler para não irritar os democratas de pacotilha que pululam na web e a poluem com a sua verdade única, a sua posição irredutível, a sua insofismável pureza, arautos que são da sinceridade (nota-se isso em Passos Coelho, o seu adorado líder), da boa governança (vê-se isso em Passos Coelho, o grande obreiro da Pátria), do capitalismo selvagem como ideal de uma sociedade livre e feliz (é isso que tem feito Passos Coelho, o salvador que nos livrou da bancarrota). O que se está a passar na Europa ultrapassa os mais negros pesadelos de um pessimista como eu. A direita e a moderadíssima, morigerada esquerda - por cá representada pelo PS dos que querem aportar a costa segura sem ondas nem vagas que lhes afecte o casco -, não querem, para bem da democracia, que um qualquer Syriza ganhe num qualquer outro país da Desunião Europeia. Por isso mentem, fazem chantagem, tentam amedrontar os gregos que tiverem a aleivosia de votar NÃO no referendo de hoje. Os patrões ameaçam com o fecho das empresas se ganhar o NÃO. O Financial Times avisa que os depósitos bancários vão desvalorizar 30%. As televisões privadas gregas fazem campanha aberta pelo SIM. O cerco à Grécia, e sobretudo ao Syriza, aperta-se como um torniquete, faz com que os bancos tenham que fechar e as filas que se formam para os multibancos sejam outro motivo de propaganda anti-governamental. Os líderes desta destroçada Europa, Angela, Wolfgang, Jean-Claude, François, Matteo, Jeroen, Martin tudo têm feito para assustar os gregos, com a saída do euro, com o caos económico, com a derrocada de um país milenar. Passou a valer tudo para derrubar um governo democraticamente eleito e sufragar (se calhar nem isso é preciso) o regresso da direita, e da moderadíssima, morigerada esquerda, ao poder. Para que se voltem a impor, democraticamente, e outra coisa não podia ser, os mandamentos da Santa Aliança europeia onde Portugal faz de criado mudo a não ser que seja para, democraticamente, ajudar, com entusiasmo e vigor, a matar toda e qualquer deriva da esquerda "radical". Agora já sabemos como salvar a democracia: matando-a. Adolfo não faria melhor do que Angela. António melhor do que Pedro, Francisco melhor do que Mariano, Benito melhor do que Matteo. Caminhemos para o cadafalso. De fato preto, como nos funerais, porque é de um féretro, de muitos féretros que falamos. Aguardando-nos, estará o cadáver da democracia. Jazendo na mesma vala comum onde, todos os dias, se enterram direitos e liberdades, qualidade de vida e desejos de um futuro melhor. O dobre de finados, o coro dos escravos, o choro das carpideiras já se fazem ouvir. O cortejo fúnebre está a passar, agora mesmo, diante da sua porta. Já deu por isso? Ou vai continuar a refugiar-se entre os seus fantasmas, os que lhe meteram em casa à força de mentiras e propaganda?