em dia NÃO


O que se está a passar na Europa excede os sonhos mais delirantes de um qualquer candidato a Hitler e, desta vez, não comparo Merkel a Hitler para não irritar os democratas de pacotilha que pululam na web e a poluem com a sua verdade única, a sua posição irredutível, a sua insofismável pureza, arautos que são da sinceridade (nota-se isso em Passos Coelho, o seu adorado líder), da boa governança (vê-se isso em Passos Coelho, o grande obreiro da Pátria), do capitalismo selvagem como ideal de uma sociedade livre e feliz (é isso que tem feito Passos Coelho, o salvador que nos livrou da bancarrota). O que se está a passar na Europa ultrapassa os mais negros pesadelos de um pessimista como eu. A direita e a moderadíssima, morigerada esquerda - por cá representada pelo PS dos que querem aportar a costa segura sem ondas nem vagas que lhes afecte o casco -, não querem, para bem da democracia, que um qualquer Syriza ganhe num qualquer outro país da Desunião Europeia. Por isso mentem, fazem chantagem, tentam amedrontar os gregos que tiverem a aleivosia de votar NÃO no referendo de hoje. Os patrões ameaçam com o fecho das empresas se ganhar o NÃO. O Financial Times avisa que os depósitos bancários vão desvalorizar 30%. As televisões privadas gregas fazem campanha aberta pelo SIM. O cerco à Grécia, e sobretudo ao Syriza, aperta-se como um torniquete, faz com que os bancos tenham que fechar e as filas que se formam para os multibancos sejam outro motivo de propaganda anti-governamental. Os líderes desta destroçada Europa, Angela, Wolfgang, Jean-Claude, François, Matteo, Jeroen, Martin tudo têm feito para assustar os gregos, com a saída do euro, com o caos económico, com a derrocada de um país milenar. Passou a valer tudo para derrubar um governo democraticamente eleito e sufragar (se calhar nem isso é preciso) o regresso da direita, e da moderadíssima, morigerada esquerda, ao poder. Para que se voltem a impor, democraticamente, e outra coisa não podia ser, os mandamentos da Santa Aliança europeia onde Portugal faz de criado mudo a não ser que seja para, democraticamente, ajudar, com entusiasmo e vigor, a matar toda e qualquer deriva da esquerda "radical". Agora já sabemos como salvar a democracia: matando-a. Adolfo não faria melhor do que Angela. António melhor do que Pedro, Francisco melhor do que Mariano, Benito melhor do que Matteo. Caminhemos para o cadafalso. De fato preto, como nos funerais, porque é de um féretro, de muitos féretros que falamos. Aguardando-nos, estará o cadáver da democracia. Jazendo na mesma vala comum onde, todos os dias, se enterram direitos e liberdades, qualidade de vida e desejos de um futuro melhor. O dobre de finados, o coro dos escravos, o choro das carpideiras já se fazem ouvir. O cortejo fúnebre está a passar, agora mesmo, diante da sua porta. Já deu por isso? Ou vai continuar a refugiar-se entre os seus fantasmas, os que lhe meteram em casa à força de mentiras e propaganda?

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