exortação ao meu amigo pedrocas

Pedrocas, não te preocupes com as sondagens, o PS pode andar no alterne mas não é alternativa. Não te amofines Pedrocas, não empalideças, não esmoreças, ainda tens uns trunfos na manga. A prisão de Sócrates. Um maná caído dos céus aos trambolhões. A situação na Grécia. É preciso fazer cair o Syriza, enterrá-lo, dar uma lição aos europeus, que ainda os há, com manias de liberdade, igualdade e fraternidade, soltam as mesmas palavrotas, gastas, desde os idos de 1789. E que dizer do caos, da bancarrota, do tsunami, do apocalipse a que o PS conduziria de novo o País, agora que meteste as contas e os portugueses na ordem? Força Pedrocas, segue em frente, não pares nem no Samouco para meter água. A Alzira está contigo, tem um retrato teu em cima da peniqueira e outro no psiché junto do bidé para as lavagens de ocasião. O padre Bonifácio apoia-te, reza por ti, está com a fé de que vais ganhar, louva-te na missa, na procissão, na sacristia, ao sacrista, ao massagista, ao calista. O Pancrácio do quinto esquerdo aposta em ti, torce por ti, vai a todos os comícios por ti, arruadas por ti, arruaças por ti. A Anália do segundo direito tem velas por todos os cantos da casa em teu louvor, louvado seja Deus no Céu e o deus da Terra, reza a São Judas Tadeu, Santo Eucarário, Santo Atanásio, São Bento da Porta Aberta para que te dêem saúde e nova vitória, ó glória, ó hosana nas alturas. O meu patrão, o Dr. Anastácio, que não é doutor mas é como se fosse e que não nos paga o salário há mais de seis meses, vai dar para cima de cem mil euros ao teu partido e outro tanto ao do amigo que te ajudou a abrir as Portas do poder à Paulada, não quer é que se saiba, acho que vai indicar um pseudónimo, um nom de plumme que o tipo é fino, Jacinto Leite, é-te familiar o nome? Capelo Rego não te diz nada? Pergunta ao Paulinho, ele sabe. O dono da taberna da minha rua, o Ambrósio, já ensinou o papagaio a papaguear, em vez de palavrões, "Pedrocas! Paulinho! Aníbal!". A dona da peixaria, a Quitéria, apregoa o teu nome em vez da chaputa ou do rodovalho fresquinhos, venha ver freguesa, é uma moira de trabalho a Quitéria e uma grande admiradora tua, em vez do falecido marido tem o teu retrato num medalhão, entre as palpitantes mamocas ávidas de apalpanço. A menina Diana Vanessa, filha da D. Diana Helena, não sei se conheces, são do mais chique que há por cá pelo bairro, com casa de férias em Massamá e tudo, acha-te um galã, ainda que um tanto acabado e, pela primeira vez que vota, vai votar em ti. O alferes Galopim, antigo membro da Legião, pendurou uma bandeira do teu partido na varanda, onde antes colocava a da União Nacional, é um bom homem o Galopim, foi ele que me deu as botas cardadas que trago hoje calçadas, nunca se sabe, diz ele, quando vais precisar de dar uns pontapés no cu do reviralho.  Com tantos admiradores, Pedro, que receias? Vai em frente, coragem, muita força, diz as verdades ao povo, esbraceja contra o PS, esconjura os comunistas, difama os bloquistas e denigre os gregos, essas sanguessugas do nosso rico dinheirinho que tanto nos custa a ganhar. 

Ah! E o Sócrates. Não te esqueças do Sócrates.

Arquivo Municipal de Lisboa

Comentários

Lufra disse…
Tanta azia!
Guronsan
Manuel Cruz disse…
Inspirado no querido líder, que ainda ontem trouxe a azia à baila?

Mas não, não é azia. É mais caganeira, vómitos, dados os produtos altamente tóxicos que temos que gramar hoje em dia.
Fantástico, maravilhoso texto, cheio de bom humor e como o outro, a brincar pode-se dizer tudo até a verdade. Gostei muito.
Anónimo disse…
Texto bestial!
Com tantas razões para chorar, gritar até, resta-nos rir da desgraça!

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